1011 – “Sidney Miller”, de 1982, lançado pela Funarte, é o novo destaque da série “Clássicos do Mês”

Em 1982, nos últimos dias de novembro, a Funarte concluiu a gravação para o Discos Projeto Almirante do álbum Sidney Miller, disponível para audição, com apresentação de Hermínio Bello de Carvalho, no portal Brasil Memória das Artes. De acordo com Bello de Carvalho, o compromisso da Fundação era resgatar algumas das ideias que Miller esboçara antes de cometer suicídio, em 16 de julho de 1980, na cidade onde nasceu, Rio de Janeiro. Miller, filho legítimo do boêmio bairro carioca de Santa Teresa, estudou e  publicou os primeiros versos ainda menino, estampando-os na revista da escola, o Colégio Santo Inácio. Prodigioso, com apenas 12 anos, escreveu um romance e o ilustrou com recortes de revista e, irrequieto, já compunha tocando violão “de ouvido”. Ao sair de cena antes do combinado, já contava com três álbuns gravados e planejava, após um breve hiato, lançar Longo Circuito.

Aquele que seria o quarto disco da curta discografia iria para as estantes dos amigos e fãs com selo independente, uma vez que, novamente conforme Bello de Carvalho, “o circuito comercial fizeram-lhe ouvidos moucos”. Para a produção do álbum póstumo, tema deste mês da série Clássicos do Mês do Barulho d’água Música, a Funarte convocou parceiros e amigos de Miller como Maurício Tapajós, a quem confiou o paciente trabalho de recuperação de áudios de apresentações do carioca na Sala Funarte de Brasília e no programa de Bello de Carvalho, Água Viva, na TVE; Paulo Afonso Grisolli, por sua vez, colaborou com fitas que guardavam temas inéditos.

Com este tesouro em mãos, Tapajós montou o que seria um disco-documento. O material, no entanto, foi considerado insuficiente pelos produtores, que, então, escalaram Antonio Adolfo (que produziria o Longo Circuito), encarregando-o de dar corpo à ideia de forma que ficasse bem traçado o retrato de Sidney Miller. “O disco como Sidney o idealizara só ele poderia fazê-lo”, ponderou Bello de Carvalho. “Mas o carinho e obstinação que despejamos neste trabalho é a melhor prova do respeito que guardamos ao seu imenso talento e enorme integridade artística, reservas indestrutíveis que seu desaparecimento não apagou.”

Zezé Gonzaga, Zé Luiz Mazzioti e Alaíde Costa também participaram do tributo da Funarte a Sidney Miller, cujo talento como compositor despontara durante os festivais da década dos anos 1960, caminho comum a outros artistas em busca de consagração à época. Neste período, assim que começou a se destacar em âmbito nacional, muitos o comparavam ao igualmente estreante Chico Buarque, notadamente por conta da timidez de ambos, da escolha por temas urbanos e esmero na construção das letras.

Além destes três fatores, tanto Miller, quanto Buarque, sensibilizaram Nara Leão, cantora famosa por revelar novos compositores e que teve grande importância na estreia dos dois – inclusive gravando, em 1967, Vento de Maio, disco no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. Queixa, em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro (Formigão), tirou o quarto lugar no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Excelsior (SP). Queixa não consta em nenhum dos três discos que Miller lançou a partir de 1967, quando pelo selo Elenco, de Aloysio de Oliveira, assinou o primeiro disco, também batizado Sidney Miller e que apresentava temas populares e cantigas de roda como O Circo, Passa Passa Gavião, Marré-de-Cy e Menina da Agulha. Neste mesmo ano, Sidney Miller juntou-se a Théo de BarrosCaetano Veloso e Gilberto Gil  para escrever a trilha sonora da peça Arena contra Tiradentes, de  Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, além de, ao lado de Nara, interpretar A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando com esta música que abre o primeiro bolachão o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pela Elenco, saiu Do Guarani ao Guaraná, com pegada tropicalista e as participações especiais de Paulinho da ViolaGal Costa, Nara LeãoMPB-4Gracinha Leporace Jards Macalé, entre outros bambas. Pois é, Pra Quê, mais tarde escolhida para o repertório do MPB-4, a joia deste trabalho, levou Miller (que já abandonara a Sociologia e a Economia) a intensificar a carreira na área de produção. Assim, juntamente com  Paulo Afonso Grisolli, ele organizou no Teatro Casa Grande (RJ) o espetáculo Yes, Nós Temos Braguinha, com o compositor João de Barro. E, também com Grisolli, relançou a cantora  Marlene, estrela do concorrido show Carnavália. No ano seguinte, produziu e criou os arranjos de Coisas do Mundo, de Nara Leão, e ainda teve fôlego para, ao lado de Grisolli, Tite de LemosLuís Carlos MacielSueli CostaMarcos Flaksmann e Marlene organizar o espetáculo Alice no País do Divino Maravilhoso, além de compor a trilha sonora do filme Os Senhores da Terra, do cineasta Paulo Thiago.

Nara Leão ajudou a impulsionar a carreira de Sidney Miller e com ele faturou com a canção A Estrada e o Violeiro o prêmio de melhor letra do Festival de 1967

(Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Importantes peças teatrais  contaram com trilhas sonoras assinadas por ele, entre as quais Por mares nunca dantes navegados (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo.)

O último disco de Sidney Miller, considerado pelos críticos o mais transgressor e com sonoridade que remete ao Clube da Esquina e ao Som Imaginário, coube à Som Livre e se chama Línguas de Fogo. É de 1974. Depois deste trabalho, rompido com as gravadoras, o cantor e compositor protagonizou raras apresentações pois, conforme confidenciava aos mais chegados, tinha aversão aos palcos. Tecia planos para sair do refúgio com o lançamento de Longo Circuito (chegou a entregar a Miltinho, do MPB 4, uma fita com cinco músicas inéditas), mas o encontraram morto em seu apartamento situado no bairro Laranjeiras naquele fatídico mês de julho de 1980. A sala em que trabalhava, na Funarte, no Departamento de Projetos Especiais, passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro.

* Parte desta matéria foi produzida a partir de textos sobre Sidney Miller disponíveis na internet escritos por Hermínio Bello de Carvalho e Mara L. Baraúna 

Para ouvir Sidney Miller, da Funarte (1982), visite:

http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/discos-projeto-almirante/sidney-miller-1982/

Para baixar Do Guaraná ao Guarani visite:

http://sonsquecurto.blogspot.com.br/2015/08/sidney-miller-brasil-do-guarani-ao.html

Leia também no Barulho d’água Música:

1006 – “Extra”, homenagem de Thomas Roth (RJ) ao parceiro Luiz Guedes (MG), abre nova série do Barulho d’água Música — 

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1010 – Consulado da Portela (SP) recolhe composições históricas para registro em seu Acervo Musical

“Se for falar da Portela, hoje não vou terminar!” (Monarco)

O Acervo Musical, projeto do Consulado da Portela de São Paulo, está requisitando a amigos, aos admiradores, aos compositores portelenses e seus parceiros o envio de composições históricas que possuam para registro em uma única plataforma. O objetivo da campanha é garantir o acesso à perpetuação da memória da Águia Altaneira e da enorme comunidade que representa a atual campeã do Carnaval de 2017 (o título foi dividido com a Mocidade Independente de Padre Miguel) tanto no Rio de Janeiro, quanto no Brasil e no resto do mundo.  Para participar basta fazer o cadastro visitando o linque http://www.consuladodaportelasp.com.br/acervo/logar.php

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962 – Concerto para Pixinguinha, melhor disco de choro de 2016, será atração no Teatro Itália (SP)

O premiado Concerto para Pixinguinha, que põe em cena Vânia Bastos, uma das mais importantes intérpretes da música brasileira, chega ao palco do teatro Itália, situado em um dos mais majestosos e emblemáticos cartões postais de São Paulo, o Edifício Itália, situado no Centro paulistano. O tributo ao consagrado maestro carioca em apresentação única que a paulista de Ourinhos protagonizará será atração do projeto Terças Musicadas na noite de 20 de junho, a partir das 21 horas. A cantora que entre outras também já gravou marcantes releituras de sucessos de Caetano Veloso, Edu Lobo, Tom Jobim e do Clube da Esquina ao longo da carreira que despontou no áureo período da Vanguarda Paulistana estará acompanhada pelo quarteto do maestro, arranjador e diretor musical do espetáculo Marcos Paiva, formado por ele, Jônatas Sansão (bateria), César Roversi (sopros) e Nelton Essi (vibrafone).

Concerto para Pixinguinha foi idealizado em 2013 pelos produtores culturais Fran Carlo e Petterson Mello, hoje sócios do selo Conexão Musical. A morte do homenageado completava 40 anos quando eles vislumbraram a possibilidade de resgatar a grandeza da obra pixinguiniana e conseguiram o que se chama de “tiro na moeda”, tamanho foi o sucesso da ideia. Os shows foram se sucedendo em várias cidades brasileiras, sempre com lotações máximas, até chegar ao formato de álbum, em agosto de 2016, quando ocorreu o lançamento no teatro J.Safra, em São Paulo. Ao final do ano passado, o disco já era apontado entre os melhores da temporada por críticos variados, tanto na imprensa especializada, quanto na blogosfera, e em abril deste ano provou que os elogios eram merecidos: arrebatou em Brasília  (DF) o troféu de melhor álbum da categoria Choro do Prêmio Profissionais da Música, em festa celebrada no Cota Iate Clube.    

Vânia Bastos e o quarteto de Marcos Paiva envolvem a plateia ao relembrarem entre outras joias do repertório de Pixinguinha a valsa Rosa, o samba Urubu Malandro e o clássico Carinhoso  — chorinho que completa um século neste ano e faz parte da memória afetiva de diversas gerações. O público ainda tem a oportunidade de ouvir Mundo Melhor, Isso é que é Viver e Fala Baixinho, que embora menos conhecidas que aquelas, carregam a genialidade do músico cujo nome de batismo era Alfredo da Rocha Viana Filho.

“Ele é tratado popularmente como gênio, além de ser tema de estudos acadêmicos, mas tem mais valor hoje que no final de sua vida”, observou Marcos Paiva sobre Pixinguinha. “Apesar do grande prestígio, na década dos anos 1930 e e 1940, quando o entretenimento começou a ser mais valorizado, houve um ‘embranquecimento’ do mercado”, complementou o baixista. “E por fatores históricos, Pixinguinha e sua turma se tornaram ‘tradição da cultura nacional’, que necessitava se modernizar.”

“O Pixinguinha, musicalmente, é uma imensidão sonora que ganhei de presente”, disse Vânia Bastos ao O Estado de S. Paulo. A estrela acredita que, para interpretá-lo, seguiu o que Pixinguinha teria pensado. “Ele não fez nada em vão, então, se colocou certas notas ali, é para fazer isso, não é para ficar inventando muito”. E completou: “Acho legal ter esse respeito aos compositores, em geral. No mais, é se deliciar mesmo!”

Com produção impecável, da iluminação ao elegante figurino dos músicos, tudo no espetáculo é marcado pelo bom gosto e perfeito entrosamento dos músicos. “Os arranjos de Marcos Paiva são de uma delicadeza que, de fato, se encaixam com perfeição com a interpretação aveludada – e versátil – de Vânia Bastos ”, escreveu Adriana Del Ré, do O Estado de S. Paulo. Mauro Ferreira reforçou a declaração da jornalista: “Com o toque refinado do Marcos Paiva Quarteto, Vânia Bastos dá voz com segurança a Gavião Calçudo, Rosa e Fala baixinho. (…) A abordagem resulta classuda e jamais trai a obra de Pixinguinha”, afirmou o produtor do sítio G1/Música.

Sobre os artistas

Vânia Bastos decolou como estrela da banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou discos importantes como Tubarões Voadores (1984). Em 30 anos de carreira, firmou-se como uma das mais competentes vozes em âmbito nacional, como comprova a discografia que reúne títulos antológicos dedicados, entre outras, às obras de Tom Jobim, Caetano Veloso e ao Clube da Esquina. Na Boca do Lobo, um dos mais recentes, é dedicado à singular produção de Edu Lobo. Uma das referências da Vanguarda Paulistana, Vânia Bastos lançou também três discos no Japão e quatro na Europa.

Baixista, compositor e arranjador de Viçosa (MG), Marcos Paiva é referência em música instrumental e assina vários discos autorais, entre eles Meu Samba no Prato – Tributo a Edison Machado (2012). A homenagem ao carioca Edison Machado (1934 – 1990) rendeu críticas positivas na Folha de S. Paulo, n’O Globo e na Rolling Stone por destacar essa ‘lenda’ da bateria brasileira. Paiva atua também ao lado de artistas como Bibi Ferreira e Zizi Possi, além do cubano Fernando Ferrer e da portuguesa Teresa Salgueiro, com quem viajou pela América e Europa.

“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha.” A frase do crítico e historiador Ari Vasconcelos (1926-2003) sintetiza de forma clara e direta a importância de Alfredo da Rocha Viana Filho para a música brasileira.

Pixinguinha deu vida a clássicos que guardam lugar na memória afetiva e de qualquer gosto musical brasileiro e embalam sucessivas gerações, obra que completou com consagradas orquestrações para cinema e teatro e arranjos para intérpretes contemporâneos à época, como Carmem Miranda

Gênio incontestável, Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos e um dos grandes músicos de choro – a música instrumental brasileira.

Flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro, Pixinguinha fez parte do grupo Caxangá, cujos integrantes eram, também, Donga e João Pernambuco. Depois, o músico formou o conjunto Oito Batutas, na década dos anos 1920. Já na década seguinte, foi arranjador pela gravadora RCA Victor, e nos anos 1940, integrou o regional de Benedito Lacerda, tocando saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram feitas nessa época, quando deu vida a clássicos que guardam lugar na memória afetiva e de qualquer gosto musical brasileiro e embalam sucessivas gerações, obra que completou com consagradas orquestrações para cinema e teatro e arranjos para intérpretes contemporâneos à época, como Carmem Miranda.

Pixinguinha celebrizou parcerias ao lado de Braguinha, Vinícius de Moraes e Hermínio Bello de Carvalho. O grupo Oito Batutas tornou-se o primeiro regional brasileiro a excursionar para fora do país: a turnê pela Europa agradou tanto às plateias que se prolongou por seis meses, contra os inicialmente planejados 30 dias. Alguns biógrafos apontam que o apelido com o qual o músico ganhou o mundo derivaria do modo carinhoso como a avó Eurídice o tratava na infância, chamando-o de Pizindim (cujo significado seria “menino bom”). Pixinguinha pode ainda, ser a resultante de Pizindim com Bexiguinha, pois ainda na infância Alfredinho teve a face marcada pela varíola, doença popularmente conhecida como “bexiga”.

O Teatro Itália fica na rua Ipiranga, 344, subsolo, há poucos metros da estação República das linhas 3/Vermelha e 4/Amarela do Metrô de São Paulo. O telefone para mais informações e contatos tem os números 2122-2474. O ingresso do Concerto para Pixinguinha está cotado em R$ 50,00. Estudantes que apresentarem carteirinha e idosos acima de 60 anos pagam meia, R$ 25,00.

788 – Vânia Bastos e Maria Alcina protagonizam Chorinho Bom- Tributo ao Mestre Pixinguinha, em Sampa

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Maria Alcina (de azul) e Vânia Bastos atuam nos dois blocos finais do tributo ao mestre do choro Pixinguinha, que terá três sessões com entrada franca em Sampa (Foto: Petterson Mello)

Duas das mais marcantes intérpretes de todos os tempos, Vânia Bastos e Maria Alcina, estarão entre os dias 15 e 17 de janeiro no palco do teatro da Caixa Cultural, em São Paulo, como estrelas do projeto Chorinho Bom- Tributo ao Mestre Pixinguinha, que contará ainda com participações do diretor musical e baixista Marcos Paiva e do trio formado por Nelton Essi (vibrafone), César Roversi (sopros) e Jônatas Sansão (bateria). As apresentações fazem parte da programação que marca os 155 anos de fundação da Caixa e têm direção artística de Fran Carlo, que montou o repertório ressaltando as várias faces de Pixinguinha e a grande diversidade musical do chorão, apoiado em recursos cênicos e de iluminação que contribuem ainda mais para que o público curta um espetáculo impecável e memorável.

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749 -Comemore em Sampa, em show com entrada franca, os 80 anos de Alaíde Costa (RJ)!

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Alaíde Costa chega aos 80 anos cantando, há 60, sucessos dela e de compositores e parceiros como Milton Nascimento e Consuelo de Paula (Foto: Divulgação)

No dia 8 de dezembro, a intérprete e compositora Alaíde Costa (Rio de Janeiro/RJ) completará 80 anos de vida, dos quais 60 inteiramente dedicados à música brasileira. Para marcar a data, Alaíde Costa protagonizará show gratuito neste domingo, 6 de dezembro, a partir das 19 horas, no Teatro Décio de Almeida Prado (São Paulo), acompanhada pelo parceiro de palco, o pianista e arranjador Giba Estebez. Em Alaíde Costa – 80 Anos, a aniversariante mostrará que o tempo não maculou a sua voz e o seu talento como intérprete, mas ao ouvi-la relembrar os momentos mais relevantes de sua carreira é a plateia quem ganhará o presente: estarão no repertório composições próprias como Você é Amor (parceria com Tom Jobim); Amigo Amado (com Vinícius de Moraes); Banzo ( com José Márcio Pereira); e Meu Sonho (com Johnny Alf), entre outras músicas de autores consagrados.

Alaíde Costa, aliás, há alguns dias já nos dera o presente ao lançar Porcelana, álbum em parceria com Gonzaga Leal  (Serra Talhada/PE) que entre releituras de canções de Caetano Veloso e Orlando Morais (Divinamente Nua, a Lua), Alceu Valença (Solidão), Capiba (Quando Se Vai um Amor), Fim do Ano (Zé Miguel Wisnik e Swami Jr.),  do português Zeca Afonso (O Meu Menino é D’Oiro) traz maravilhas como Porcelana (Moisés Santana), Delicado (Socorro Lira) e de Consuelo de Paula Água Doce no Mar e Bem me Quer — esta uma parceria de Consuelo com o conterrâneo, Luiz Salgado, e o eterno mestre Rubens Nogueira. Porcelana vem arrancando merecidos elogios, como o do músico, maestro e arranjador Jaime Além que escreveu ter sentido uma “flecha certeira no peito”, pois”há muito tempo um disco não me impactava tanto”. As palavras de Consuelo de Paula, entretanto, sintetizam no encarte exatamente o que o álbum traz de bom para a música brasileira:

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Porcelana (Consuelo de Paula)

Houve um tempo em que eu só conseguia ler a poesia de Cora Coralina.
Era um tempo difícil e histórias como as do prato azul-pombinho salvavam o meu dia.
O prato era uma raridade, uma porcelana herdada pela família da então pequenina Cora
Eis que um dia a peça amanheceu quebrada e mesmo sem ser a autora, Coralina recebeu dura repreensão pelo acontecido.
Porcelana é palavra mesmo de histórias, é palavra de refinamento, é palavra de arte.
Porcelana esconde mistérios e revela o que tem que ser revelado.
Assim é o álbum que reúne Alaíde Costa e Gonzaga Leal entre canções amorosas, entre instrumentistas e arranjadores que sabem escrever notas sobre finas louças, entre poesias que expressam o visível e o invisível das linhas claras e coloridas pousadas sobre o branco.
Assim é o cd destes dois artistas que celebram a amizade com um presente: surpreendentes traços tingidos com duas vozes de diferentes gerações interpretando compositores também de várias gerações – um ciclo onde na verdade não se sabe mais o que é anterior ou posterior, mas onde tudo parece nascer neste instante.
E como se Gonzaga enviasse um convite para Alaíde em forma de uma linda caixa florida amarrada com fitas azuis – dentro dela as mais raras porcelanas: oferendas pelos oitenta anos da nossa diva – e Alaíde respondesse apenas com o que mais fez e quer fazer em sua vida: cantar!
E desta vez cantar ao lado de outro artista que também dedica sua vida à música e faz agora, em nome de todos nós, esta festa de comemoração: uma reunião como se estivéssemos sempre juntos, além do espaço e do tempo.
A beleza deste encontro é tanta que milagrosamente refaz os desenhos existentes no prato azul-pombinho da Cora Coralina, pois o que importa é a beleza que guardamos em nossos olhos, em nosso coração e alma.
E ouvir o encontro entre Alaíde Costa e Gonzaga Leal é sentir o pássaro do divino pousando sobre nós.

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Alaíde Costa com Gonzaga Leal, parceiro de Porcelana (Foto: Divulgação)

Mais sobre Alaíde Costa, por Deborah e Eliane Verbena

Nascida no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1935, Alaíde Costa iniciou sua carreira profissional em 1955, como crooner, no Rio de Janeiro. Em 1959, levada por João Gilberto, conheceu os compositores da bossa nova, quando gravou seu primeiro LP. Participou do programa o Fino da Bossa (TV Record/SP), interpretando Onde Está Você (Oscar Castro Neves e Luverci Fiorini), canção que se tornou emblemática em sua carreira. Em 1965, lançou o LP Alaíde Costa e, em 1972, gravou em dueto com Milton Nascimento a faixa Me Deixa em Paz (Airton Amorim e Monsueto), incluída no LP Clube da Esquina. Em 1988, lançou Amiga de Verdade, com participações de Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Ivan Lins e Egberto Gismonti; e em 1995, o  Alaíde Costa & João Carlos Assis Brasil.

A discografia ainda conta com Falando de Amor (2000) gravado em Paris, tendo no repertório as canções Amor é Outra Liberdade (Sueli Costa e Abel Silva) e Tudo se Transformou (Paulinho da Viola), além da faixa-título (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Em 2003, apresentou-se em Londres com Johnny Alf, no London Jazz Festival. Dois anos depois, lançou, no Theatro São Pedro (SP), Tudo Que o Tempo me Deixou, produzido por Antônio Carlos Vidigal e que marcou os seus 50 anos de carreira. No mesmo ano, foi contemplada com o Prêmio Rival Petrobras da Música como Melhor Cantora, e ainda participou, ao lado de Elza Soares e Jair Rodrigues, do show Brasil Brasileiro, apresentado em Paris e Toulouse no encerramento do Ano do Brasil na França. Em agosto de 2006, retornou à Europa para apresentações do mesmo espetáculo na Espanha, Áustria, Alemanha e Inglaterra.

Em 2007, veio volume II da parceria da cantora com João Carlos Assis Brasil e, dois nos depois novo CD em homenagem ao amigo e parceiro Milton Nascimento. Já  em 2012 gravou disco dedicado ao também amigo e parceiro Johnny Alf; em 2013 reverenciou o centenário de nascimento de Vinícius de Moraes com o show Alaíde Canta Vinícius, apresentando-se em teatros do Sesi e interpretando a obra do “poetinha” musicada por alguns dos seus célebres parceiros, entre eles a própria Alaíde Costa. Em 2014, lançou o álbum Canções de Alaíde, o primeiro da carreira formado somente por composições próprias, algumas em parceria com importantes nomes como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Johnny Alf, João Magalhães, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo Alberto Ventura e José Márcio Pereira. Alaíde acabou de gravar em São Paulo um DVD em comemoração aos seus 80 anos; e, juntamente com o violonista Toninho Horta, lançou Alegria É Guardada Em Cofres Catedrais.

Serviço

Show: Alaíde Costa – 80 Anos
Dia 6 de dezembro. Domingo, às 19h
Teatro Décio de Almeida Prado
Rua Cojuba, 45 – B. Itaim Bibi/SP. Tel: (11) 3079-3438
Grátis – ingressos na bilheteria 1 hora antes do show de 60′ e classificação livre

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Vicente Barreto (BA) volta a gravar após uma década e lança Cambaco, com participações da nova vanguarda paulistana

Após um hiato de 10 anos sem gravar, o músico Vicente Barreto (Salgadália/Conceição do Coité, BA) lançará neste dia 28 de junho Cambaco, trabalho no qual se apresentará  (muito bem) acompanhado por amigos da turma da nova cena paulistana. Cambaco, em dialeto moçambicano changana, significa elefante velho e sábio (um sonho de todos os caçadores!) que, segundo a lenda, isola-se para morrer sozinho. Reinventando-se cambaco, Vicente Barreto ressurge em dez canções e um tema instrumental invertendo a sina, e trai a lenda: ao contrário de se isolar, prefere a sorte de novos encontros e, no coletivo, a troca de saberes com novos amigos.  “Agora tenho um disco que me emociona, então quero fazer esse disco”, afirmou Vicente Barreto. “Só faço se me emocionar. Prefiro fazer poucos discos, mas que tenham o que dizer, que eu tenha o que dizer. Fazer música por fazer música eu não gosto.”
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O disco será inicialmente lançado online neste dia 28, antes de ser disponibilizado em versão física. Décimo primeiro trabalho de Vicente Barreto, no time de Cambaco estão Manu Maltez, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos e do filho do autor, Rafa Barreto. Marcelo Cabral assinou a produção e toca baixo (acústico e elétrico),  Vicente Barreto empunha o violão. Com as guitarras de Rodrigo Campos,  e a bateria confiada a Serginho Machado, os fãs e amigos do baiano ainda poderão curtir as participações de Juçara Marçal e Thiago França.

Vicente Barreto é parceiro de grandes nomes da música popular brasileira, entre eles, Vinícius de Morais, Gonzaguinha, Hermínio Bello de Carvalho, Elton Medeiros, Tom Zé, Paulo César Pinheiro, Alceu Valença e, mais recentemente, Paulinho Pedra Azul e Chico César. Consagrado no meio da música pelo seu disco Mão Direita, Vicente é compositor de canções como Tropicana e As Voltas que o Mundo Dá e já foi interpretado por cantoras como Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Juçara Marçal e Mônica Salmaso.

Copie e cole o linque abaixo, ouça no Soundcloud a faixa título do álbum Cambaco e saiba mais sobre Vicente Barreto.

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Vicente Barreto já lançou dez discos e é compositor de canções como Tropicana e As Voltas que o Mundo Dá; cantores como Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Juçara Marçal e Mônica Salmaso já interpretaram suas músicas (Foto: José Holanda)

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Dia Nacional do Choro, em homenagem a Pixinguinha, completa 15 anos

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Pixinguinha, compositor e arranjador, flautista e saxofonista, deixou obras primas do choro como Carinhoso, 1×0 e Lamento

 

Hoje, 23 de abril, comemora-se o 15º ano da introdução no Brasil do Dia Nacional do Choro, data escolhida em 2.000 por ser o dia de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, que ficou conhecido por Pixinguinha (Rio de Janeiro, 1897, Rio de Janeiro, 1973), flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro, criador entre outros do célebre Carinhoso.

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