1413 – Com trio e quarteto, Neymar Dias (SP) promove apresentações virtuais que mesclam composições autorais, moda caipira, rock e música clássica*

#MPB #MúsicaCaipira #MúsicaClássica #MúsicaErudita #Rock #ViolaBrasileira #ViolaCaipira #ViolaInstrumental

* Com Miriam Bemelmans

O compositor, pesquisador e arranjador multi-instrumentista Neymar Dias fará neste mês uma série de apresentações virtuais —  formando com músicos um quarteto ou um trio, dependendo do programa a ser tocado–, sempre a partir das 19 horas. Os concertos online serão transmitidos sem cobrança de taxas pelo canal eletrônico de Neymar, cujo linque estará ao final desta atualização. O projeto foi contemplado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei 14.017/20, do Governo Federal), prevista no ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.

Continue Lendo “1413 – Com trio e quarteto, Neymar Dias (SP) promove apresentações virtuais que mesclam composições autorais, moda caipira, rock e música clássica*”

1212 – Dois dos melhores violeiros do país são atrações em Sampa, no domingo, 21

Entre a missa ou o culto, um antes, outro depois da macarronada: Neymar Dias e Valdir Verona tocarão em espaços próximos e em horários que permitem acompanhá-los, de graça ou gastando quase nada, em ótimos programas em companhia da família inteira

A cidade de São Paulo terá no próximo domingo, 21 de julho, concertos de dois dos mais respeitados violeiros do país na atualidade, o paulistano Neymar Dias, pela manhã, e o gaúcho de Caxias do Sul Valdir Verona, à tarde, portanto em horários nos quais será possível acompanhar ambos sem sacrificar a tradicional macarronada em família. Os dois, aliás, são excelentes dicas para juntar todo mundo, incluindo o nenê, o vovô, a vovó e os sobrinhos, como naquela música dos Titãs, longe da famigerada televisão ou, mais modernamente, do tambor cortado ao meio, na laje. E dá tempo, inclusive, de ir à santa missa ou ao culto, ainda no começo da manhã ou no final da noite! 

Continue Lendo “1212 – Dois dos melhores violeiros do país são atrações em Sampa, no domingo, 21”

1173 – Flautista Maiara Moraes (SC) homenageia Copinha, parceiro de Adoniran e de Pixinguinha, com show no MCB

Música é autora do álbum Nós, que além da obra do paulistano, aborda também a criação de expoentes contemporâneos como Léa Freire, Toninho Carrasqueira e Eduardo Neves e explora as múltiplas possibilidades do instrumento de sopro na cena nacional

A flautista Maiara Moraes, catarinense radicada na cidade de São Paulo, será neste  7 de abri, a atração do projeto Música no MCB, que o Museu da Casa Brasileira promove aos domingos, a partir das 11 horas, com entrada franca. O repertório destacará as faixas do álbum Nós, que Maiara lançou em 2018 a partir de estudo sobre a obra de Nicolino Cópia (1910-1984), o Copinha, um dos mais consagrados nomes do instrumento no Brasil. A música estendeu a pesquisa para os trabalhos de contemporâneos como Eduardo Neves, Léa Freire e Toninho Carrasqueira, entre outros, e alinhavou no disco composições próprias e criações deles.

Continue Lendo “1173 – Flautista Maiara Moraes (SC) homenageia Copinha, parceiro de Adoniran e de Pixinguinha, com show no MCB”

1168 – Gabriel Levy apresenta “Terra e Lua” no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo

Disco contemplado pelo ProAc reúne 11 faixas e é uma soma da música brasileira com o universo de músicas do mundo no qual ele está envolvido desde o começo de sua carreira, no início dos anos da década de 1980

O Museu da Casa Brasileira (MCB) promoverá neste domingo, 24, apresentação com Gabriel Levy, em mais uma rodada da 20º temporada do projeto Música no MCB. Compositor, produtor e acordeonista, Levy estará no palco do terraço a partir das 11 horas para, ao lado de músicos amigos, executar as onze faixas do seu álbum de estreia, Terra e Lua, que traz composições inspiradas nas tradições regionais brasileiras.

Continue Lendo “1168 – Gabriel Levy apresenta “Terra e Lua” no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo”

1073 – Hércules Gomes (ES) presta homenagem no MCB aos 170 anos de Chiquinha Gonzaga

O pianista e compositor lançará “No tempo da Chiquinha”, com entrada gratuita

Marcelino Lima, com assessoria de imprensa do Museu da Casa Brasileira

O compositor e pianista capixaba Hércules Gomes estará no Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Estado da Cultura, neste domingo, 17 de junho, para a partir das 11 horas lançar o álbum No tempo da Chiquinha segundo da carreira e com o qual presta homenagem aos 170 anos da maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935). A apresentação, com entrada gratuita, seguirá repertório de composições da carioca de batismo Francisca Edwiges Neves Gonzaga, com arranjos modernos que conservam a real essência do choro e terá as participações do flautista Rodrigo Y Castro, da cantora Vanessa Moreno e do pianista convidado Daniel Grajew.

Nascido em Vitória, Hércules Gomes, considerado um dos melhores pianistas brasileiros pela técnica e pela trajetória, iniciou os estudos como autodidata aos 13 anos, aprimorou-se na Escola de Música do Espírito Santo (antiga EMES) e se formou bacharel em Música Popular por uma das turmas da Universidade de Campinas (Unicamp). Em 2013, ano de lançamento do seu primeiro trabalho solo, Pianismo, viajou para protagonizar festivais tanto no Brasil, como no Exterior.

Sobre a homenagem que dedica a Chiquinha Gonzaga, Hércules Gomes relembra que ela se tornou símbolo de engajamento e coragem, abraçando e lutando por várias causas sociais em um  período no qual a voz e a atuação feminina eram sufocadas. Este protagonismo a levou a ser a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e há seis anos, como reconhecimento de suas ações, 17 de outubro, dia em que ela nasceu, passou a ser o Dia da Música Popular Brasileira.

“Vou apresentar músicas famosas e algumas composições pouco conhecidas dela, como a polca Cintilante e a valsa Walkyria – inédita em gravação –, além de outros choros relacionados com o gênero que ela tocava e com a época em que ela compunha, caso da faixa-título, No Tempo da Chiquinha, de Laércio de Freitas”, comentou Hércules Gomes.

Ainda segundo Hércules Gomes, Chiquinha Gonzaga integra uma linhagem de pianistas que tem expoentes tais quais Ernesto Nazareth, Aurélio Cavalcanti, Oswaldo Cardoso de Menezes, Tia Amélia, Carolina Cardoso de Menezes, Radamés Gnattali e Chirol. Chamados carinhosamente de “pianeiros brasileiros”, os integrantes desta plêiade tocavam com maestria o choro ao piano, vertente pouco seguida nos dias de hoje, mas que Hércules Gomes pretende resgatar com o álbum No Tempo da Chiquinhaentre outros trabalhos que estão por vir.

“Esses pianistas, que representam uma das vertentes mais valiosas do piano brasileiro, compunham polcas, valsas, choros e trabalhavam, principalmente, animando bailes, já que o piano tinha um papel quase sociológico à época”, observou a atração do MCB. Como não existiam rádio ou toca-discos, para ouvir música era preciso frequentar bailes, concertos, e teatros. Hércules Gomes tem especial carinho, também, pela obra do contemporâneo Laércio de Freitas e explica o motivo da admiração. “Laércio de Freitas faz parte de uma das extremidades dessa espinha dorsal do piano brasileiro, desse piano que começa à época da Chiquinha e chega aos dias de hoje. O Laércio é um dos maiores expoentes dessa forma de tocar, desse ‘pianeirismo brasileiro’”. Antes de encerrar, Hércules revelou que acalanta um projeto:  “Meu sonho é gravar um disco em homenagem a cada um desses ‘pianeiros’. No total, são mais de 20, mas eu chego lá.”

Casa do design, ponto de encontro familiar

A apresentação de Hércules Gomes dá sequência ao projeto Música no MCB, que já está em sua 19ª temporada ininterrupta desde 1999. Os espetáculos gratuitos promovidos no terraço do prédio, ao lado do bosque do Museu, já atraíram mais de 240 mil pessoas que curtiram shows de cantores e grupos de diversos gêneros e estilos musicais como Pau Brasil, Zimbo Trio, Projeto Coisa Fina, Orquestra Bachiana Jovem, Grupo Aum, Mawaca, Traditional Jazz Band, Neymar Dias e Igor Pimenta, Wilson Teixeira, Pé no Blues, Céu de Lamparina e Orquestra Mundana Refugi, entre outros. A cada nova atração, entre março e dezembro, pelo menos 400 espectadores por domingo lotam as cadeiras disponibilizadas para a plateia — sem contar o público que se concentra ao redor e nos jardins, pessoas de todas as idades, incluindo famílias inteiras que comparecem levando suas crianças.

É importante frisar que o MCB mantém esta rica e diversificada atividade de lazer e de entretenimento sem patrocínio algum, arcando com todos os custos de manutenção e eventuais pagamentos de cachês. Tanto é assim que no começo de maio, quando por lá esteve a Orquestra Mundana Refugi, o compositor e líder do grupo, Carlinhos Antunes, sugeriu aos presentes a instituição de uma “contribuição solidária” para remunerar os artistas — refugiados e imigrantes de vários países – e permitir ao Museu amenizar parte dos custos para colocar em cena mais de vinte músicos e seus instrumentos.

O Museu da Casa Brasileira oferece, ainda, outras atrações à medida em que se dedica à preservação e à difusão da cultura material da casa brasileira: é o único do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda que possui também atividades do serviço educativo, debates, palestras e publicações contextualizando a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país, realizado desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.

O MCB fica na avenida Faria Lima, 2.705, jardim Paulistano, e para mais informações disponibiliza o telefone (11) 3032.3727. A visitação vai de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. O ingresso para as atrações ao longo da semana custa R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada); crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos, pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada e o acesso é livre aos domingos e feriados. O MCB possui equipamentos de acessibilidade e estimula o uso de meios alternativos de transporte e de locomoção oferecendo gratuitamente bicicletário com 40 vagas. O estacionamento para automóveis é pago. Para as visitas orientadas, recomenda-se telefonar para (11) 3026-3913 ou enviar mensagem para agendamento@mcb.org.br. O portal eletrônico está em www.mcb.org.br

Leia também no Barulho d’água Música:

938 – Terceira rodada do projeto Forte Piano terá como atração Hércules Gomes e Rodrigo y Castro
Chiquinha Gonzaga é a personagem do blog em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Próxima atração do projeto Música no MCB:

24/7, 11 horas,  Xaxado Novo

1068 – Duo Jobiniando e Paulo Serau homenageiam Gonzagão e Dominguinhos no MCB (SP)

Mês que será marcado por festas juninas pelo país inteiro começa em São Paulo com homenagem a dois expoentes dos ritmos nordestinos e ases da sanfona, de graça, em agradável espaço de entretenimento e convívio familiar

Marcelino Lima, com assessoria de imprensa do MCB

Em homenagem a Luiz Gonzaga (1912-1989) e Dominguinhos (1941-2013), dois ícones da cultura nacional, neste mês em que pipocarão festas juninas em várias cidades do país, o Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, convidou o  Duo Jobiniando e Paulo Serau para uma apresentação programada para domingo, 3 de junho, com entrada gratuita, a partir das 11 horas.  Sucessos como Asa branca, Baião, Lamento Sertanejo e Eu só quero um xodó estão no repertório da dupla, formada por Hilda Maria (cantora e compositora) e por Luciano Ruas (pianista), e do convidado Paulo Serau (violonista, arranjador e produtor musical). Luiz Gonzaga foi um dos mais importantes músicos brasileiros e ficou conhecido mundo afora como Rei do Baião. Pernambucano nascido em Exu ganhou o apelido por espalhar o baião, o xote e o xaxado ao quatro cantos do globo. Em 1948, o Velho Lua Gonzaga descobriu o talento do cantor, sanfoneiro e compositor, também pernambucano, de Garanhuns, Dominguinhos (1941-2013), que logo apadrinhou.

Continue Lendo “1068 – Duo Jobiniando e Paulo Serau homenageiam Gonzagão e Dominguinhos no MCB (SP)”

1000 – Neymar Dias transcreve para a viola obra que passeia pela mente de Deus e lança álbum novo no MCB (SP)

Neymar Dias, um dos mais conceituados violonistas brasileiros da atualidade, será atração do concerto gratuito que o Museu da Casa Brasileira (MCB) oferecerá no domingo, 8 de outubro, a partir das 11 horas. Na ocasião, a plateia que sempre lota o auditório e o acolhedor jardim do terraço do prédio situado em São Paulo conhecerá o recém lançado álbum no qual o multi-instrumentista paulistano promove releituras da obra de Johann Sebastian Bach  para a viola brasileira, produzido em parceria com André Mehmari. Neymar Dias Feels Bach reúne 20 composições divididas em três movimentos, mais três peças avulsas, impecavelmente executadas pelo autodidata que desde criança encanta seu público e domina com maestria viola caipira, guitarra, violão, baixo elétrico, contrabaixo, guitarra havaiana e bandolim, habilidades que esmerou ao se formar em Composição e Regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) e integrando orquestras respeitadas tais quais a Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) e a Experimental de Repertório.

Continue Lendo “1000 – Neymar Dias transcreve para a viola obra que passeia pela mente de Deus e lança álbum novo no MCB (SP)”

854- Cláudio Lacerda mescla em “Trilha Boiadeira” clássicos e composições próprias sobre personagem que representa a brasilidade e tem força de mito

O cantor e compositor paulistano Cláudio Lacerda lançará nesta sexta-feira, 15, o quarto álbum de sua carreira, no palco da unidade Pompeia do Sesc de São Paulo. Trilha Boiadeira, inicialmente gravado para marcar os 10 anos do canal de agronegócios Terra Viva, reúne 12 faixas e está acondicionado em um belíssimo estojo cujo encarte traz figuras de boiadeiros em atividade ou solitários, paisagens e animais com os quais deparam na, além de apetrechos da lida como se entalhadas em madeira ou curtidas em couro. Os arranjos da maioria das composições, releituras de clássicos dos gêneros caipira e regional, são de Neymar Dias, multi instrumentista da melhor cepa que fará parte da comitiva levando a viola de dez cordas à garupa, ao lado de Igor Pimenta (baixo acústico), Thadeu Romano (acordeon) e Kabé Pinheiro (percussão).

Além de Disparada, obra de Théo de Barros e Geraldo Vandré vencedora do lendário festival da TV Record de 1966 em interpretação do saudoso Jair Rodrigues, o repertório inclui duas das consideradas mais belas músicas do cancioneiro rural de todos os tempos, Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) e Boi Soberano (Carreirinho, Izaltino Gonçalves e Pedro Lopes), de acordo com avaliações e pesquisas do  jornalista José Hamilton Ribeiro apontadas na edição revista e ampliada em 2015 Música Caipira: As 270 maiores modas. O conjunto da obra de Cláudio Lacerda e seus ponteiros, no entanto, não guarda apenas estas virtudes, mas recoloca em foco uma das mais marcante e mítica personagem da cultura popular, a qual estão associadas tradições e valores que evocam a brasilidade que constitui a alma típica e autenticamente sertaneja.

Mais do que uma profissão vinculada a uma atividade comercial presente no mundo rural, exercida coletivamente, posto que uma de suas formas de organização são as comitivas (nas quais há, inclusive, funções predeterminadas), é individualmente que o boiadeiro se afirma e se insere no cenário que representa e na história. Nas jornadas com os bois ou boiadas, este se torna protagonista de sagas que percorrem paisagens de tirar o fôlego, sim, mas transcorrem quase sempre em ambientes rústicos ou hostis, o que exige dele valentia e bravura.

O boiadeiro, entretanto, para além de um homem bruto que em certa medida ou contraditoriamente também se diviniza, possui também habilidades e é dotado de sensibilidades terrenas que ajudam a consolidar mais do que a lenda de um herói o perfil de homem ideal, justo e admirado, tanto pelos companheiros, quanto pelos patrões e, claro, pela correspondente feminina.  Isto sem contar que é, ainda, a ligação espiritual entre o sacro e o profano à medida que se torna o eleito para, sempre com justeza e respeito, inclusive, zelar pela sorte do próprio boi, animal que também possui sua aura mística e sagrada, impedindo que o bicho, em sua condição de animal, sofra mais do que o aceitável ou permitido para que sua carne, leite e couro sirvam às nossas necessidades; ainda que do boi só não se aproveite o berro, como sacou  o cearense Ednardo, desenvolve-se entre ambos os seres ligações afetivas tão intensas a ponto de, na hora cruel do abate, o carrasco evitar baixar o cutelo por reconhecer ali seu animal de estimação e ser lambido por este.

Boiadeiros4
Óleo sobre tela disponibilizado na internet, sem atribuição do crédito ao artista plástico, representa a lida de boiadeiros

O  campo e os ofícios que ele contém, enfim, é representativo do todo: evoca belezas naturais e inocência, paz, tranquilidade, redenção e poesia, mas também esboça um território no qual se manifestam ódio e brutalidade; há rivalidades, inclusive as inflamadas pela inveja e pelo amor, provocativas de dores e de conflitos, tragédias, sofrimento e morte (“boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!”). Este universo está bem delineado e presente não apenas na mais nova obra Cláudio Lacerda cuja discografia já oferece aos amigos e fãs Alma Lavada, Alma Caipira e Cantador. O berrante para que comece o aboio de lançamento de Trilha Boiadeira soará às 21 horas, ajeite a sela, prepare o seu coração e aproveite a viagem: vai ter poeira cobrindo a estrada, sol queimando o rosto, rios caudalosos a serem atravessados, caboclinhas acenando à janela, mas ninguém terá pressa de chegar…

Cláudio Lacerda já dividiu palco e faixas de seus discos com Dominguinhos, Renato Teixeira e, recentemente Amelinha, compõe com Luiz Salgado (Araguari/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (Avaré/SP) o projeto cultural 4 Cantos; com Zanc protagoniza ainda tributos a Pena Branca e Xavantinho. Em Trilha Boiadeira assina parcerias com Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões.

O Sesc Pompeia fica na rua Clélia, 93, e para mais informações disponibiliza o número de telefone 11 3871-7700.

847 – Pamonha com o melhor malte doze anos

O Barulho d’água Música/Agenda do Barulho acompanhou na noite de ontem, 6 de abril, mais uma apresentação de Neymar Dias e Igor Pimenta para lançamento do álbum Come Together Project, desta vez no Sesc Pinheiros, bairro da zona Sul paulistana. O disco celebra a obra do grupo mais influente da música pop de todos os tempos, The Beatles, com uma formação inusitada de viola caipira e baixo acústico.

Continue Lendo “847 – Pamonha com o melhor malte doze anos”

841- Thadeu Romano (SP) finaliza gravações e marca lançamento de “Da Reza à Festa” para 20 de maio, em Sampa

O Barulho d’água Música acompanhou na terça-feira, 29 de março, a gravação da participação do carioca Carlos Malta em Baião pro Malta, música que abrirá o álbum Da Reza à Festa, do acordeonista Thadeu Romano (Campinas/SP). Carlos Malta tocou flauta em sol, pífano e sax soprano durante sua presença no estúdio 185, situado na Vila Romana, bairro da zona Oeste paulistana, acrescentando a cereja que faltava para deixar completo o saboroso repertório de 10 faixas instrumentais e uma vinheta, todas cinzeladas por Thadeu Romano. Com todas as faixas prontas, a produtora cultural Lu Lopes enviou a obra, já no dia seguinte, às etapas de mixagem e prensagem que antecedem o lançamento, marcado para 20 de maio como atração do teatro da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), situado na rua Oscar Freire, 2.500, em São Paulo, colado à estação Sumaré da linha 2 Verde do Metrô.

Da Reza à Festa remete tanto às manifestações religiosas coletivas, presentes em tradições brasileiras como Folias de Reis e em rituais afros, quanto à fé e às vivências espirituais de Thadeu Romano. A sabedoria de uma das avós, rezadeira, bem como a inquietude de um dos nonos, Albino, somadas à reverência e à saudade aos e dos entes queridos que já se foram, entre outros sentimentos e temperos, motivaram-no a começar a alinhavar o projeto do disco, há oito anos, com a permanente e cúmplice colaboração de Lu Lopes. Neste tempo, ele elaborou os arranjos para ritmos que mesclam chamamé, choro, valsa, baião, tango e até funk que ora se juntaram, ora substituíram escolhas anteriormente definidas, assim maturando e renovando a eclética sonoridade que constitui, por fim, a alma deste disco formidável: a obra casará, em profunda comunhão, a sanfona e o bandoneon de Thadeu Romano com instrumentos como piano, trombone, violão de aço, pandeiro, clarinete, zabumba, entre outros.

thadeu-romano-2_fotor

O bandoneon, diga-se de passagem, já tem por si só um encantamento que confere ainda mais magia ao disco: fabricado em 1929, antes de ser adquirido por Romano, pertenceu a Astor Piazzolla, conforme comprovam os registros da fabricante Doble A.

O time que Thadeu Romano e Lu Lopes convidaram, além de Carlos Malta, topou a empreitada em nome da amizade, um dos valores sedimentadores do conceito de “festa” que o sanfoneiro e a produtora pretendem imprimir e valorizar no disco. Abriram mão do vil metal e entraram na roda pelo puro deleite expoentes como Laércio de Freitas, François de Lima, Toninhos Ferragutti e Porto, Rodrigo Sater, Guelo e Zé Pitoco, galera com quem ambos trocam figurinhas corriqueiramente.

E não pára por ai: Da Reza à Festa, embora seja predominantemente instrumental, terá ainda um coral feminino dos mais marcantes em Nié (apelido de Daniel Carizzato, padrinho de Flora, filha de Thadeu e de Lu Lopes) estrelado por Lilian Estela, Gabi Milino, Anaí Rosa, Bárbara Rodrix e Renata Pizi.

Flora, aliás, inspirou Florata, composição reservada ao bandoneon que guarda a aura de Piazzolla. O avo, Albino, incorporará, serelepe, em Araritanga do nono Albino.

Outra faixa que merecerá atenção, a valsa Rosa de Sal, juntará Garrincha e Vavá, também conhecidos por Romano e Ferragutti. O acordeon do anfitrião soara em musete, que ele alerta, é, na verdade, uma desafinação, e não uma afinação, francesa.

Em uma obra na qual o clássico e o popular se misturaram sem conflitos de ego e não exigiu malabarismos dos músicos nas rodadas nas quais se encontraram  para botar música na conversa no 185, será possível ao fã de Thadeu Romano distinguir, ainda, notas de melancolia em Sentimento — que ele dedica “a todas as pessoas que eu perdi”, num dos momentos mais introspectivos do álbum. Já alguns certamente sentirão um frêmito próprio de certos transes quando Na Zona do Zé Pilintra baixar no terreiro, enquanto outros, ainda, estranharão batidas mais conhecidas por animar lajes e não forrós. Mas com certeza ninguém ficará esquentando cadeira, seja em casa, seja durante o concerto.

O projeto foi premiado pelo ProAc, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo com verbas previstas em leis para gravação do disco e circulação em cinco shows, que Lu Lopes pretende ampliar na primeira turnê para ao menos seis. Depois da apresentação na Unibes, serão contempladas cidades do Interior paulista. Mas Lu Lopes sabe o tesouro que tem em mãos e planeja, inclusive, giros fora do país.

É para pensar alto, mesmo. Thadeu Romano, atualmente, integra a banda do projeto Amizade Sincera, capitaneado por Renato Teixeira e Sérgio Reis, além de acompanhar revelações do meio regional como Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP).Por quase dez anos, fez parte do staff de Roberta Miranda, inclusive a jornadas que o levaram a encantar, não duvidem, até elefantes em Angola. Além de muito querido pela simpatia que de cara vira empatia, a competência de sanfoneiro (sem destoar de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lulinha Alencar, Waldonys, Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon, entre outros) com formação clássica que começou a trajetória tocando em missas na capela do bucólico distrito de Joaquim Egídio (Campinas) completa-se pela tarimba de arranjador multi-instrumentista.

Esta intimidade com a música favorece rápida adaptação a repertórios dos mais ecléticos e abrangentes, permite transitar facilmente entre o ambiente de uma feira livre, um festival ou um concerto clássico.  Não é à toa, portanto, que Thadeu Romano  já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

12898206_10201277194447548_4488656752974994919_o
Thadeu Romano tocando com Rodrigo Zanc, com Ricieri Nascimento ao fundo, em recente apresentação de “Violas para Dominguinhos”, em São Carlos (Foto: Elisa Espíndola)

Para quem acha que esta lista é pouca bala na agulha, a de violeiros, de caipiras e de congêneres que Romano acompanhou também dá uma ideia de sua versatilidade e tem nomes como Levi Ramiro, Júlio Santin, Milton Araújo, Zeca Collares, Miltinho Edilberto, Arnaldo da Viola,  Yassir Chediak, Vidal França, Dominguinhos, e os grupos musicais Meia Dúzia de 3 ou 4, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Forrozão, Jorge e José, Trio Juazeiro, Choro de Ouro, Choro In Jazz e Tangata Quarteto. Thadeu Romano tem admiradores no Uruguai, e além de Angola, nos africanos Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela Europa, desembarcou na Itália, onde inclusive conheceu Camerano, cidade na qual se fabricam várias sanfonas, ofício que envolve várias famílias que são parentes, como a Scandalli e a Otavianelli.  Foi, portanto, beber na fonte, e, assim, em uma frase, amigos e seguidores… não estamos diante de um bule pequeno de café requentado!

O Barulho d’água Música divulgará a agenda de todas as apresentações, mas antes da estreia de Da Reza à Festa, quem ainda não conhece Thadeu Romano poderá conferir suas qualidades na sexta-feira, 15 de abril, quando a partir das 21 horas, ele estará no palco do Sesc Pompeia para participar do lançamento do álbum de Cláudio Lacerda Trilha Boiadeira. Também estão confirmados para a ocasião Neymar Dias (violas), Igor Pimenta (contrabaixo) e Kabé Pinheiro (percussão).

we liove