1073 – Hércules Gomes (ES) presta homenagem no MCB aos 170 anos de Chiquinha Gonzaga

O pianista e compositor lançará “No tempo da Chiquinha”, com entrada gratuita

Marcelino Lima, com assessoria de imprensa do Museu da Casa Brasileira

O compositor e pianista capixaba Hércules Gomes estará no Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Estado da Cultura, neste domingo, 17 de junho, para a partir das 11 horas lançar o álbum No tempo da Chiquinha segundo da carreira e com o qual presta homenagem aos 170 anos da maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935). A apresentação, com entrada gratuita, seguirá repertório de composições da carioca de batismo Francisca Edwiges Neves Gonzaga, com arranjos modernos que conservam a real essência do choro e terá as participações do flautista Rodrigo Y Castro, da cantora Vanessa Moreno e do pianista convidado Daniel Grajew.

Nascido em Vitória, Hércules Gomes, considerado um dos melhores pianistas brasileiros pela técnica e pela trajetória, iniciou os estudos como autodidata aos 13 anos, aprimorou-se na Escola de Música do Espírito Santo (antiga EMES) e se formou bacharel em Música Popular por uma das turmas da Universidade de Campinas (Unicamp). Em 2013, ano de lançamento do seu primeiro trabalho solo, Pianismo, viajou para protagonizar festivais tanto no Brasil, como no Exterior.

Sobre a homenagem que dedica a Chiquinha Gonzaga, Hércules Gomes relembra que ela se tornou símbolo de engajamento e coragem, abraçando e lutando por várias causas sociais em um  período no qual a voz e a atuação feminina eram sufocadas. Este protagonismo a levou a ser a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e há seis anos, como reconhecimento de suas ações, 17 de outubro, dia em que ela nasceu, passou a ser o Dia da Música Popular Brasileira.

“Vou apresentar músicas famosas e algumas composições pouco conhecidas dela, como a polca Cintilante e a valsa Walkyria – inédita em gravação –, além de outros choros relacionados com o gênero que ela tocava e com a época em que ela compunha, caso da faixa-título, No Tempo da Chiquinha, de Laércio de Freitas”, comentou Hércules Gomes.

Ainda segundo Hércules Gomes, Chiquinha Gonzaga integra uma linhagem de pianistas que tem expoentes tais quais Ernesto Nazareth, Aurélio Cavalcanti, Oswaldo Cardoso de Menezes, Tia Amélia, Carolina Cardoso de Menezes, Radamés Gnattali e Chirol. Chamados carinhosamente de “pianeiros brasileiros”, os integrantes desta plêiade tocavam com maestria o choro ao piano, vertente pouco seguida nos dias de hoje, mas que Hércules Gomes pretende resgatar com o álbum No Tempo da Chiquinhaentre outros trabalhos que estão por vir.

“Esses pianistas, que representam uma das vertentes mais valiosas do piano brasileiro, compunham polcas, valsas, choros e trabalhavam, principalmente, animando bailes, já que o piano tinha um papel quase sociológico à época”, observou a atração do MCB. Como não existiam rádio ou toca-discos, para ouvir música era preciso frequentar bailes, concertos, e teatros. Hércules Gomes tem especial carinho, também, pela obra do contemporâneo Laércio de Freitas e explica o motivo da admiração. “Laércio de Freitas faz parte de uma das extremidades dessa espinha dorsal do piano brasileiro, desse piano que começa à época da Chiquinha e chega aos dias de hoje. O Laércio é um dos maiores expoentes dessa forma de tocar, desse ‘pianeirismo brasileiro’”. Antes de encerrar, Hércules revelou que acalanta um projeto:  “Meu sonho é gravar um disco em homenagem a cada um desses ‘pianeiros’. No total, são mais de 20, mas eu chego lá.”

Casa do design, ponto de encontro familiar

A apresentação de Hércules Gomes dá sequência ao projeto Música no MCB, que já está em sua 19ª temporada ininterrupta desde 1999. Os espetáculos gratuitos promovidos no terraço do prédio, ao lado do bosque do Museu, já atraíram mais de 240 mil pessoas que curtiram shows de cantores e grupos de diversos gêneros e estilos musicais como Pau Brasil, Zimbo Trio, Projeto Coisa Fina, Orquestra Bachiana Jovem, Grupo Aum, Mawaca, Traditional Jazz Band, Neymar Dias e Igor Pimenta, Wilson Teixeira, Pé no Blues, Céu de Lamparina e Orquestra Mundana Refugi, entre outros. A cada nova atração, entre março e dezembro, pelo menos 400 espectadores por domingo lotam as cadeiras disponibilizadas para a plateia — sem contar o público que se concentra ao redor e nos jardins, pessoas de todas as idades, incluindo famílias inteiras que comparecem levando suas crianças.

É importante frisar que o MCB mantém esta rica e diversificada atividade de lazer e de entretenimento sem patrocínio algum, arcando com todos os custos de manutenção e eventuais pagamentos de cachês. Tanto é assim que no começo de maio, quando por lá esteve a Orquestra Mundana Refugi, o compositor e líder do grupo, Carlinhos Antunes, sugeriu aos presentes a instituição de uma “contribuição solidária” para remunerar os artistas — refugiados e imigrantes de vários países – e permitir ao Museu amenizar parte dos custos para colocar em cena mais de vinte músicos e seus instrumentos.

O Museu da Casa Brasileira oferece, ainda, outras atrações à medida em que se dedica à preservação e à difusão da cultura material da casa brasileira: é o único do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda que possui também atividades do serviço educativo, debates, palestras e publicações contextualizando a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país, realizado desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.

O MCB fica na avenida Faria Lima, 2.705, jardim Paulistano, e para mais informações disponibiliza o telefone (11) 3032.3727. A visitação vai de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. O ingresso para as atrações ao longo da semana custa R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada); crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos, pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada e o acesso é livre aos domingos e feriados. O MCB possui equipamentos de acessibilidade e estimula o uso de meios alternativos de transporte e de locomoção oferecendo gratuitamente bicicletário com 40 vagas. O estacionamento para automóveis é pago. Para as visitas orientadas, recomenda-se telefonar para (11) 3026-3913 ou enviar mensagem para agendamento@mcb.org.br. O portal eletrônico está em www.mcb.org.br

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24/7, 11 horas,  Xaxado Novo

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1068 – Duo Jobiniando e Paulo Serau homenageiam Gonzagão e Dominguinhos no MCB (SP)

Mês que será marcado por festas juninas pelo país inteiro começa em São Paulo com homenagem a dois expoentes dos ritmos nordestinos e ases da sanfona, de graça, em agradável espaço de entretenimento e convívio familiar

Marcelino Lima, com assessoria de imprensa do MCB

Em homenagem a Luiz Gonzaga (1912-1989) e Dominguinhos (1941-2013), dois ícones da cultura nacional, neste mês em que pipocarão festas juninas em várias cidades do país, o Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, convidou o  Duo Jobiniando e Paulo Serau para uma apresentação programada para domingo, 3 de junho, com entrada gratuita, a partir das 11 horas.  Sucessos como Asa branca, Baião, Lamento Sertanejo e Eu só quero um xodó estão no repertório da dupla, formada por Hilda Maria (cantora e compositora) e por Luciano Ruas (pianista), e do convidado Paulo Serau (violonista, arranjador e produtor musical). Luiz Gonzaga foi um dos mais importantes músicos brasileiros e ficou conhecido mundo afora como Rei do Baião. Pernambucano nascido em Exu ganhou o apelido por espalhar o baião, o xote e o xaxado ao quatro cantos do globo. Em 1948, o Velho Lua Gonzaga descobriu o talento do cantor, sanfoneiro e compositor, também pernambucano, de Garanhuns, Dominguinhos (1941-2013), que logo apadrinhou.

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1001- Jair Marcatti recebe Cláudio Lacerda para terceira rodada do projeto Retratos do Brasil-Prosa e Música na BMA

Dedos de prosa, boa conversa e muita música. Essa é a receita  que o Projeto Retratos do Brasil – Prosa e Música  promoverá na Biblioteca Mário de Andrade (BMA/São Paulo) às terceiras quintas-feiras do mês, entre agosto a novembro, sempre começando às 19 horas, com entrada franca.  Idealizado pelo historiador Jair Marcatti, professor do curso de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o projeto pretende mostrar, em quatro encontros, o Brasil que a música de cada convidado reflete; um Brasil mais para dentro, mais regional, um país dos rincões, escondido, mas muito vivo. Marcatti convidará músicos que apresentam em comum o olhar aprofundado sobre o Brasil somado a trabalhos de pesquisas e de resgate das nossas mais entranhadas tradições.

O curador abordará em cada bate-papo aspectos do universo musical e as trajetórias dos participantes, nossas trajetórias, as continuidades e as rupturas daquilo que, sem nenhuma pretensão definidora, poderíamos chamar de identidades brasileiras, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos.

As artes contam a história de um povo.  E a música brasileira cumpre esse papel ao registrar nosso imaginário em versos entoados com os deslocamentos, territoriais e simbólicos, ocorridos por aqui. Os caminhos da interiorização, o tropeirismo, as migrações, as bandeiras, as romarias, as procissões, as caminhadas, as buscas e travessias, enfim, as viagens reais, imaginadas e imaginárias. Paisagens em movimento que cortam e contam a história de um país, o Brasil, moldando nossa cultura em retratos pra lá de interessantes. Moldando a nossa cultura como a conhecemos. Rica e plural. 

Estes temas serão o mote do bate-papo programado para 19 de outubro, quando Marcatti receberá  Cláudio Lacerda (SP). O músico apresentará canções que expõem o Brasil das trilhas, estradas e toadas. 

Paulistano filho de mineiros, a discografia de Cláudio Lacerda começa com Alma Lavada (2003). Dois anos depois, venceu o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira) como melhor intérprete — feito repetido nas outras duas edições, realizadas em 2010 e em 2013. Em 2007, gravou Alma Caipira, e, em 2010, o autoral Cantador. Em 2016, Trilha Boiadeira trouxe releituras de canções clássicas sobre a atividade de boiadeiro, em parceria e com participações de Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões.

Atualmente Cláudio Lacerda está preparando mais dois projetos que deverá encantar amigos e admiradores quando chegarem ao público. Canções para Acordar o Sol  — que reunirá em seu quinto álbum músicas de autores consagrados como Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Ivan Lins, Vinícius de Moraes e Edu Lobo, com a participação já confirmada de Mônica Salmaso — é o mais adiantado e está em fase de gravação de vozes.

A outra novidade, de grande envergadura e beleza, Lacerda batizou de ConSertão, deverá estrear durante o primeiro semestre de 2018. Como a proposta de captação de recursos necessária que Lacerda elaborou para o projeto chegar aos palcos obteve sucesso, ConSertão será acompanhado em seus cinco espetáculos inicialmente já acertados pela Orquestra Sinfônica de Piracicaba, sob regência do maestro Jamil Maluf, arranjos inéditos e solo de viola caipira de Neymar Dias, mais o auxílio luxuoso de Lula Barbosa e Miriam Mirah nos vocais abrilhantando repertório todo dedicado à música caipira com o fito de valorizar tanto a identidade cultural paulista, como os mestres deste gênero que é um dos mais representativos do Brasil profundo.


Pacto 

Aquiles Reis, músico e vocalista do MPB 4, publicou no jornal Diário do Comércio (SP), em matéria intitulada A sabedoria da simplicidade, que para melhor apreciar o cantar e o tocar do paulistano Cláudio Lacerda deve-se deixar o tempo de lado. “Ao menos por alguns minutos, deve-se evitar que o relógio determine o passar das horas. Deve-se fazer do presente um aliado e com ele combinar um pacto: eu desacelero e você permite”. Lacerda, prossegue Reis, “revela um modo de ser musical desconhecido, ou pouco familiar, dos urbanos. Para imaginar o universo interiorano descrito pela cantoria e pela letra de Cláudio Lacerda, revisitado em belas e ternas toadas tocadas, deve-se ao menos buscar saber do cheiro do mato, do gosto do café recém-coado, do brilho vivaz da Via Láctea e do luar que faz sombra no chão da terra orvalhada”.

Em outro trecho, Aquiles Reis observa: “para falar de coisas claras, Cláudio tem no matulão a voz e o saber da simplicidade. Seus versos privilegiam a estrada e o caminhar”. E estes versos simples, cheios de força, são plenamente identificáveis e reconhecíveis “por quem já sentiu o ar que se respira numa trilha de chão batido ou por quem já viu o mapa do próprio destino traçado na poeira que levantava atrás de si”. Ao finalizar, Reis destaca: “Cantador de toadas, Cláudio Lacerda engrandece a voz ao dizer o que lhe toca a alma. Com voz suave, afinada, sem afetações, o cantor colore o seu mundo usando tintas vivas, banhadas em sol e em lua, em poeira e em estradas”.

 Serviço:

Retratos do Brasil – Prosa e Música
O Brasil das trilhas, estradas e toadas, com Cláudio Lacerda
Curadoria e apresentação: Jair Marcatti
19 de outubro, 19 horas
Entrada Franca
Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94, São Paulo, entre as estações República e Anhangabaú do Metrô
Telefone: (11) 3775-0002 www.bma.sp.gov.br

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1000 – Neymar Dias transcreve para a viola obra que passeia pela mente de Deus e lança álbum novo no MCB (SP)

Neymar Dias, um dos mais conceituados violonistas brasileiros da atualidade, será atração do concerto gratuito que o Museu da Casa Brasileira (MCB) oferecerá no domingo, 8 de outubro, a partir das 11 horas. Na ocasião, a plateia que sempre lota o auditório e o acolhedor jardim do terraço do prédio situado em São Paulo conhecerá o recém lançado álbum no qual o multi-instrumentista paulistano promove releituras da obra de Johann Sebastian Bach  para a viola brasileira, produzido em parceria com André Mehmari. Neymar Dias Feels Bach reúne 20 composições divididas em três movimentos, mais três peças avulsas, impecavelmente executadas pelo autodidata que desde criança encanta seu público e domina com maestria viola caipira, guitarra, violão, baixo elétrico, contrabaixo, guitarra havaiana e bandolim, habilidades que esmerou ao se formar em Composição e Regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) e integrando orquestras respeitadas tais quais a Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) e a Experimental de Repertório.

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O cantor e compositor paulistano Cláudio Lacerda lançará nesta sexta-feira, 15, o quarto álbum de sua carreira, no palco da unidade Pompeia do Sesc de São Paulo. Trilha Boiadeira, inicialmente gravado para marcar os 10 anos do canal de agronegócios Terra Viva, reúne 12 faixas e está acondicionado em um belíssimo estojo cujo encarte traz figuras de boiadeiros em atividade ou solitários, paisagens e animais com os quais deparam na, além de apetrechos da lida como se entalhadas em madeira ou curtidas em couro. Os arranjos da maioria das composições, releituras de clássicos dos gêneros caipira e regional, são de Neymar Dias, multi instrumentista da melhor cepa que fará parte da comitiva levando a viola de dez cordas à garupa, ao lado de Igor Pimenta (baixo acústico), Thadeu Romano (acordeon) e Kabé Pinheiro (percussão).

Além de Disparada, obra de Théo de Barros e Geraldo Vandré vencedora do lendário festival da TV Record de 1966 em interpretação do saudoso Jair Rodrigues, o repertório inclui duas das consideradas mais belas músicas do cancioneiro rural de todos os tempos, Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) e Boi Soberano (Carreirinho, Izaltino Gonçalves e Pedro Lopes), de acordo com avaliações e pesquisas do  jornalista José Hamilton Ribeiro apontadas na edição revista e ampliada em 2015 Música Caipira: As 270 maiores modas. O conjunto da obra de Cláudio Lacerda e seus ponteiros, no entanto, não guarda apenas estas virtudes, mas recoloca em foco uma das mais marcante e mítica personagem da cultura popular, a qual estão associadas tradições e valores que evocam a brasilidade que constitui a alma típica e autenticamente sertaneja.

Mais do que uma profissão vinculada a uma atividade comercial presente no mundo rural, exercida coletivamente, posto que uma de suas formas de organização são as comitivas (nas quais há, inclusive, funções predeterminadas), é individualmente que o boiadeiro se afirma e se insere no cenário que representa e na história. Nas jornadas com os bois ou boiadas, este se torna protagonista de sagas que percorrem paisagens de tirar o fôlego, sim, mas transcorrem quase sempre em ambientes rústicos ou hostis, o que exige dele valentia e bravura.

O boiadeiro, entretanto, para além de um homem bruto que em certa medida ou contraditoriamente também se diviniza, possui também habilidades e é dotado de sensibilidades terrenas que ajudam a consolidar mais do que a lenda de um herói o perfil de homem ideal, justo e admirado, tanto pelos companheiros, quanto pelos patrões e, claro, pela correspondente feminina.  Isto sem contar que é, ainda, a ligação espiritual entre o sacro e o profano à medida que se torna o eleito para, sempre com justeza e respeito, inclusive, zelar pela sorte do próprio boi, animal que também possui sua aura mística e sagrada, impedindo que o bicho, em sua condição de animal, sofra mais do que o aceitável ou permitido para que sua carne, leite e couro sirvam às nossas necessidades; ainda que do boi só não se aproveite o berro, como sacou  o cearense Ednardo, desenvolve-se entre ambos os seres ligações afetivas tão intensas a ponto de, na hora cruel do abate, o carrasco evitar baixar o cutelo por reconhecer ali seu animal de estimação e ser lambido por este.

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Óleo sobre tela disponibilizado na internet, sem atribuição do crédito ao artista plástico, representa a lida de boiadeiros

O  campo e os ofícios que ele contém, enfim, é representativo do todo: evoca belezas naturais e inocência, paz, tranquilidade, redenção e poesia, mas também esboça um território no qual se manifestam ódio e brutalidade; há rivalidades, inclusive as inflamadas pela inveja e pelo amor, provocativas de dores e de conflitos, tragédias, sofrimento e morte (“boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!”). Este universo está bem delineado e presente não apenas na mais nova obra Cláudio Lacerda cuja discografia já oferece aos amigos e fãs Alma Lavada, Alma Caipira e Cantador. O berrante para que comece o aboio de lançamento de Trilha Boiadeira soará às 21 horas, ajeite a sela, prepare o seu coração e aproveite a viagem: vai ter poeira cobrindo a estrada, sol queimando o rosto, rios caudalosos a serem atravessados, caboclinhas acenando à janela, mas ninguém terá pressa de chegar…

Cláudio Lacerda já dividiu palco e faixas de seus discos com Dominguinhos, Renato Teixeira e, recentemente Amelinha, compõe com Luiz Salgado (Araguari/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (Avaré/SP) o projeto cultural 4 Cantos; com Zanc protagoniza ainda tributos a Pena Branca e Xavantinho. Em Trilha Boiadeira assina parcerias com Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões.

O Sesc Pompeia fica na rua Clélia, 93, e para mais informações disponibiliza o número de telefone 11 3871-7700.

847 – Pamonha com o melhor malte doze anos

O Barulho d’água Música/Agenda do Barulho acompanhou na noite de ontem, 6 de abril, mais uma apresentação de Neymar Dias e Igor Pimenta para lançamento do álbum Come Together Project, desta vez no Sesc Pinheiros, bairro da zona Sul paulistana. O disco celebra a obra do grupo mais influente da música pop de todos os tempos, The Beatles, com uma formação inusitada de viola caipira e baixo acústico.

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841- Thadeu Romano (SP) finaliza gravações e marca lançamento de “Da Reza à Festa” para 20 de maio, em Sampa

O Barulho d’água Música acompanhou na terça-feira, 29 de março, a gravação da participação do carioca Carlos Malta em Baião pro Malta, música que abrirá o álbum Da Reza à Festa, do acordeonista Thadeu Romano (Campinas/SP). Carlos Malta tocou flauta em sol, pífano e sax soprano durante sua presença no estúdio 185, situado na Vila Romana, bairro da zona Oeste paulistana, acrescentando a cereja que faltava para deixar completo o saboroso repertório de 10 faixas instrumentais e uma vinheta, todas cinzeladas por Thadeu Romano. Com todas as faixas prontas, a produtora cultural Lu Lopes enviou a obra, já no dia seguinte, às etapas de mixagem e prensagem que antecedem o lançamento, marcado para 20 de maio como atração do teatro da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), situado na rua Oscar Freire, 2.500, em São Paulo, colado à estação Sumaré da linha 2 Verde do Metrô.

Da Reza à Festa remete tanto às manifestações religiosas coletivas, presentes em tradições brasileiras como Folias de Reis e em rituais afros, quanto à fé e às vivências espirituais de Thadeu Romano. A sabedoria de uma das avós, rezadeira, bem como a inquietude de um dos nonos, Albino, somadas à reverência e à saudade aos e dos entes queridos que já se foram, entre outros sentimentos e temperos, motivaram-no a começar a alinhavar o projeto do disco, há oito anos, com a permanente e cúmplice colaboração de Lu Lopes. Neste tempo, ele elaborou os arranjos para ritmos que mesclam chamamé, choro, valsa, baião, tango e até funk que ora se juntaram, ora substituíram escolhas anteriormente definidas, assim maturando e renovando a eclética sonoridade que constitui, por fim, a alma deste disco formidável: a obra casará, em profunda comunhão, a sanfona e o bandoneon de Thadeu Romano com instrumentos como piano, trombone, violão de aço, pandeiro, clarinete, zabumba, entre outros.

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O bandoneon, diga-se de passagem, já tem por si só um encantamento que confere ainda mais magia ao disco: fabricado em 1929, antes de ser adquirido por Romano, pertenceu a Astor Piazzolla, conforme comprovam os registros da fabricante Doble A.

O time que Thadeu Romano e Lu Lopes convidaram, além de Carlos Malta, topou a empreitada em nome da amizade, um dos valores sedimentadores do conceito de “festa” que o sanfoneiro e a produtora pretendem imprimir e valorizar no disco. Abriram mão do vil metal e entraram na roda pelo puro deleite expoentes como Laércio de Freitas, François de Lima, Toninhos Ferragutti e Porto, Rodrigo Sater, Guelo e Zé Pitoco, galera com quem ambos trocam figurinhas corriqueiramente.

E não pára por ai: Da Reza à Festa, embora seja predominantemente instrumental, terá ainda um coral feminino dos mais marcantes em Nié (apelido de Daniel Carizzato, padrinho de Flora, filha de Thadeu e de Lu Lopes) estrelado por Lilian Estela, Gabi Milino, Anaí Rosa, Bárbara Rodrix e Renata Pizi.

Flora, aliás, inspirou Florata, composição reservada ao bandoneon que guarda a aura de Piazzolla. O avo, Albino, incorporará, serelepe, em Araritanga do nono Albino.

Outra faixa que merecerá atenção, a valsa Rosa de Sal, juntará Garrincha e Vavá, também conhecidos por Romano e Ferragutti. O acordeon do anfitrião soara em musete, que ele alerta, é, na verdade, uma desafinação, e não uma afinação, francesa.

Em uma obra na qual o clássico e o popular se misturaram sem conflitos de ego e não exigiu malabarismos dos músicos nas rodadas nas quais se encontraram  para botar música na conversa no 185, será possível ao fã de Thadeu Romano distinguir, ainda, notas de melancolia em Sentimento — que ele dedica “a todas as pessoas que eu perdi”, num dos momentos mais introspectivos do álbum. Já alguns certamente sentirão um frêmito próprio de certos transes quando Na Zona do Zé Pilintra baixar no terreiro, enquanto outros, ainda, estranharão batidas mais conhecidas por animar lajes e não forrós. Mas com certeza ninguém ficará esquentando cadeira, seja em casa, seja durante o concerto.

O projeto foi premiado pelo ProAc, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo com verbas previstas em leis para gravação do disco e circulação em cinco shows, que Lu Lopes pretende ampliar na primeira turnê para ao menos seis. Depois da apresentação na Unibes, serão contempladas cidades do Interior paulista. Mas Lu Lopes sabe o tesouro que tem em mãos e planeja, inclusive, giros fora do país.

É para pensar alto, mesmo. Thadeu Romano, atualmente, integra a banda do projeto Amizade Sincera, capitaneado por Renato Teixeira e Sérgio Reis, além de acompanhar revelações do meio regional como Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP).Por quase dez anos, fez parte do staff de Roberta Miranda, inclusive a jornadas que o levaram a encantar, não duvidem, até elefantes em Angola. Além de muito querido pela simpatia que de cara vira empatia, a competência de sanfoneiro (sem destoar de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lulinha Alencar, Waldonys, Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon, entre outros) com formação clássica que começou a trajetória tocando em missas na capela do bucólico distrito de Joaquim Egídio (Campinas) completa-se pela tarimba de arranjador multi-instrumentista.

Esta intimidade com a música favorece rápida adaptação a repertórios dos mais ecléticos e abrangentes, permite transitar facilmente entre o ambiente de uma feira livre, um festival ou um concerto clássico.  Não é à toa, portanto, que Thadeu Romano  já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

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Thadeu Romano tocando com Rodrigo Zanc, com Ricieri Nascimento ao fundo, em recente apresentação de “Violas para Dominguinhos”, em São Carlos (Foto: Elisa Espíndola)

Para quem acha que esta lista é pouca bala na agulha, a de violeiros, de caipiras e de congêneres que Romano acompanhou também dá uma ideia de sua versatilidade e tem nomes como Levi Ramiro, Júlio Santin, Milton Araújo, Zeca Collares, Miltinho Edilberto, Arnaldo da Viola,  Yassir Chediak, Vidal França, Dominguinhos, e os grupos musicais Meia Dúzia de 3 ou 4, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Forrozão, Jorge e José, Trio Juazeiro, Choro de Ouro, Choro In Jazz e Tangata Quarteto. Thadeu Romano tem admiradores no Uruguai, e além de Angola, nos africanos Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela Europa, desembarcou na Itália, onde inclusive conheceu Camerano, cidade na qual se fabricam várias sanfonas, ofício que envolve várias famílias que são parentes, como a Scandalli e a Otavianelli.  Foi, portanto, beber na fonte, e, assim, em uma frase, amigos e seguidores… não estamos diante de um bule pequeno de café requentado!

O Barulho d’água Música divulgará a agenda de todas as apresentações, mas antes da estreia de Da Reza à Festa, quem ainda não conhece Thadeu Romano poderá conferir suas qualidades na sexta-feira, 15 de abril, quando a partir das 21 horas, ele estará no palco do Sesc Pompeia para participar do lançamento do álbum de Cláudio Lacerda Trilha Boiadeira. Também estão confirmados para a ocasião Neymar Dias (violas), Igor Pimenta (contrabaixo) e Kabé Pinheiro (percussão).

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835 – Amelinha canta na Vila Formosa e na Mooca (SP) acompanhada por Cláudio Lacerda

A cantora Amelinha (Fortaleza/CE) estará em São Paulo nos dias 25 e 27 de março para protagonizar ao lado de Cláudio Lacerda Pra Seguir um Violeiro, projeto que une artistas que comungam o amor pela música brasileira ligada às suas raízes. Com classificação estaria livre e entradas francas, as apresentações estão marcadas para o Teatro Zanoni Ferrite (Avenida Renata, 163, Vila Formosa) e Teatro Municipal Arthur Azevedo (Avenida Paes de Barros, 955, Mooca), respectivamente as 19 e às 20 horas.

Amelinha é considerada pelo público brasileiro uma das mais queridas cantoras do país já há 40 anos. Neste período construiu uma carreira das mais premiadas e tornou-se uma das prediletas do poeta e compositor Vinícius de Moraes, que além dela sempre convidada para acompanhá-lo também Clara Nunes, Maria Bethânia e Maria Creuza. Pelo menos duas gerações, portanto, já ouvem e cantam de cor sucessos que a consagraram tais quais Frevo Mulher e Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor (ambas do ex-marido Zé Ramalho, a segunda em parceria com Otacílio Batista), além de Foi Deus Que Fez Você (Luiz Ramalho). Esta, por sinal, caso tivesse válido a escolha de boa parte das calculadas 30 mil pessoas presentes ao Maracanãzinho (RJ) em  23 de agosto de 1980, teria sido eleita e não apenas aclamada a vencedora do Festival da Nova Música Popular Brasileira.

Os jurados, entretanto, escolheram naquela noite de sábado Agonia, de Mongol, interpretada por Oswaldo Montenegro, deixando Foi Deus Quem Fez Você em segundo lugar. A repercussão da vice-campeã, gravada em seguida em compacto homônimo e depois reapresentada em Porta Secreta, contudo, renderam a Amelinha Disco Quádruplo de Platina para coroar o feito de mais de 1 milhão de cópias vendidas. Em 1979, Frevo Mulher já tinha permitido a Amelinha levar para a estante o Disco de Ouro que começara a impulsionar a carreira cujo primeiro álbum, Flor da Paisagem, saíra em 1976, sem muito impacto, ainda na esteira de sua excursão pelo Uruguai acompanhando, em 1975, Toquinho e Vinícius de Moraes.

Em 1982, com Mulher Nova Bonita… destacada pela Rede Globo para marcar a abertura da minissérie Lampião e Maria Bonita, Amelinha emplacou o segundo Disco de Ouro. O prestígio crescia e se fortaleceu nos dois anos consecutivos quando saíram o álbum Romance da Lua Lua (1983) e Água e Luz (Tavito / Ricardo Magno) registrada em compacto simples passou a ser das mais pedidas pelos ouvintes em emissoras de rádio por todo o país.

Além de composições de Zé Ramalho, canções em parceria com Fagner, Djavan, Gonzaguinha, Elomar, Geraldo Azevedo e Moraes Moreira passaram a enriquecer a obra de Amelinha até 1994, quando Só Forró, já o décimo disco, a reaproximou da música essencialmente nordestina. Para o repertório do projeto foram selecionadas composições de Luiz Gonzaga e José Fernandes; Gereba e Tuzé de Abreu; Robertinho do Recife e Capinam; Hervé Clodovil; Maciel Melo; João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior; Rita de Cássia; Walter Queiróz; e Sérgio Sá, por exemplo, promovidas em releituras de clássicos como Olha pro Céu, Pisa na Fulô, Gemedeira, A Vida do Viajante e Xote pra Lua.

Para suceder Cobra de Chifre (1996), Amelinha (1998) e Vento, Forró e Folia (2002), em 2011 saiu Janelas do Brasil, com temas inéditos e algumas releituras que ela própria já cantara. O projeto, inicialmente, chegou às lojas m formato de álbum, acústico, que Amelinha gravou apenas com o violonista Dino Baroni. Em maio de 2012, entretanto, agora ao lado de Baroni e Emiliano Castro, ganhou uma versão em DVD, ao vivo. As 18 faixas contam com participações de Fagner, Zeca Baleiro e Toquinho e incluem uma irretocável lista de sucessos tais quais Galos, Noites e Quintais (Belchior); Depende e Asa Partida (Fagner/Abel Silva); Sol de Primavera (Beto Guedes/Ronaldo Bastos), Ai quem me dera (que o padrinho Poetinha compôs na casa dela, e que Clara Nunes também gravou), Valsinha (Chico Buarque); Ponta Do Seixas (Cátia de França); O Silêncio (Zeca Baleiro); Légua Tirana (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira); Terral (Ednardo); Água e Luz (Tavito/Ricardo Magno); Felicidade (Chico César/Marcelo Jeneci), Quando Fugias De Mim (Alceu Valença Emannoel Cavalcanti) e, claro, Frevo MulherFoi Deus Quem fez Você; e Mulher Nova….

“Esses 40 anos de chegaram de repente e, olhando para a minha carreira, percebo que valeu a pena, porque tive um olhar que foi muito além do mercadológico, utópico e idealista”, disse Amelinha, que de batismo é Amélia Cláudia Garcia Colares. Nascida em família musical, aos 12 anos ela já formava trio vocal com a irmã Silvia e uma amiga para apresentações em escolas.

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Cláudio Lacerda é paulistano filho de mineiros. Estreou em 2003 ao lançar Alma Lavada e dois anos depois já obtinha como consagração o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira) como melhor intérprete, feito repetido nas edições 2010 e 2013. Já dividiu palco e faixas de seus discos com Dominguinhos e Renato Teixeira e deu sequência à discografia gravando Alma Caipira (2007), Cantador (2010) e o novíssimo Trilha Boiadeira (2015),  este com canções sobre a atividade de boiadeiro, em parceria e com participações de Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões, para marcar os 10 anos do canal Terra Viva.

Trilha Boiadeira será lançado em 15 de abril, no Sesc Pompeia (SP), com as participações de Neymar Dias, Igor Pimenta, Kabé Pinheiro e Thadeu Romano. Além de projetos próprios, Cláudio Lacerda é um dos protagonistas do projeto cultural 4 Cantos com Luiz Salgado (Araguari/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (São Paulo/SP).

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Serviço:

Pra Seguir um Violeiro, com Amelinha e Cláudio Lacerda

25/03, 19h – Teatro Zanoni Ferrite 
Avenida Renata, 163, Vila Formosa

27/03, 20h
Teatro Municipal Arthur Azevedo 
Avenida Paes de Barros, 955, Mooca

Entrada franca em ambas as datas

832 – Chico Lobo (MG), Cláudio Lacerda (SP) e João Triska concorrem ao Prêmio Fernando Brant de música regional

Chico Lobo (MG), Cláudio Lacerda (SP),  e João Triska (PR) estão entre os 117 finalistas das 39 categorias do 2º Prêmio Profissionais da Música, conforme apontaram os 4967 votos de profissionais cadastrados (entre os quais o autor deste blogue, o jornalista Marcelino Lima), em processo encerrado no domingo, 13 de março. Os três disputarão, agora, o título da categoria Raiz Regional, representado pelo Troféu Fernando Brant, previsto para ser entregue entre os dias 1 e 3 de abril, no Teatro Nacional de Brasília (DF), evento que terá entrada franca mediante retirada de ingresso e que oferecerá como parte da programação várias atividades e eventos correlatos, incluindo exposição sobre a vida e a obra de Fernando Brant, um dos ícones do Clube da Esquina, que morreu em 2015 e entre outros foi parceiro de Milton Nascimento.

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777 – Contribua com Renato Caetano (MG) para a gravação de álbum caipira à moda de Liverpool

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Renato Caetano começou a carreira em 1999 tocando com Pena Branca e Xavantinho e em 2013 recebeu importante prêmio pelo lançamento do álbum Que Viola é Essa? (Foto acima e no destaque ao lado do título: Élcio Paraíso/* Bendita – Conteúdo & Imagem)

O cantor e compositor mineiro Renato Caetano resolveu unir o talento que possui tocando violas à paixão pelos The Beatles em um só “balaio”, como está chamando o projeto de gravar um álbum com 10 faixas instrumentais do famoso e atemporal grupo inglês que até hoje segue influenciando músicos de todo o planeta. Renato Caetano apurou durante dois anos a escolha do repertório e a preparação dos arranjos de As Dez Cordas de Liverpool, nome do disco com o qual  pretende mostrar as peculiaridades que há entre a roça e a cidade que projetou os quatro astros da banda. Em recente apresentação no Teatro do Sesc Palladium (Belo Horizonte), ele encantou tanto a plateia que, diante de muitos pedidos, topou, no dia seguinte, oferecer uma sessão extra…e voltou a lotar o auditório!

 

A gravação do álbum, entretanto, dependerá do sucesso da campanha que Renato Caetano lançou na internet, por meio de uma plataforma de financiamento coletivo, que está chegando à reta final. Ainda restam nove dias para o encerramento da “vaquinha virtual”, as contribuições já cobrem boa parte da meta prevista, mas apenas o alcance do orçamento integral poderá garantir que o projeto se consuma. Os valores partem de R$ 10.

“Procurei fazer uma reverência àqueles que foram um dos principais influenciadores da minha formação musical”, explicou Renato Caetano, que em contrapartida às doações assegura várias modalidades de recompensa. A ideia é provocar uma fusão de estilos, possibilitar às canções do quarteto de Liverpool ora soarem como uma ode caipira, ora como um concerto de rock. “Nesse projeto, além da tradicional viola de 10 cordas, tenho usado, também, uma viola de 14 cordas [presente que recebeu do conterrâneo Fernando Sodré] que me dá várias outras possibilidades sonoras para os arranjos em algumas canções” do repertório que entre outras inclui And I Love Her, Because, The Long and Winding Road, Lady Madona e Eleanor Rigby.

Conheça em mais detalhes a campanha para arrecadar contribuições para As Dez Cordas de Liverpool em https://beta.benfeitoria.com/renatocaetano

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Em 2013 Renato Caetano recebeu de Margaret Lemos uma das estatuetas do III Prêmio Rozini de Excelência de Viola, em São Paulo (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Renato Caetano é autor do álbum Que Viola é Essa? (2009), com o qual ganhou uma das estatuetas da categoria solo do 3º Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira, entregue em julho de 2013 no Memorial da América Latina, em São Paulo. Além de violeiro, o músico é compositor, professor, mestre pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atuou como regente e diretor musical da Orquestra Mineira de Violas (entre 2002 e 2005), fez parte do Grupo Viola Urbana e desde 2007 integra o evento itinerante Causos e Violas das Gerais, realizado pelo Sesc. A carreira começou em 1999, dividindo palco com Pena Branca e Xavantinho, e já abriu cantorias de Renato Teixeira e de Geraldo Azevedo.  Desde então, baliza  sua trajetória mesclando às tradições caipiras influências de estilos contemporâneo como blues, rock e  jazz.


Chá com macaxeira 

Antes de Renato Caetano dedicar este álbum (inédito por ser inteiramente tocado apenas com violas) para os The Beatles, alguns violeiros da atual safra brasileira já haviam revisitado a obra de John Lennon, Ringo Starr, George Harrison e Paul McCartney. Um deles, Ivan Vilela (MG), gravou Eleanor Rygbi (Lennon e McCartney) em Dez Cordas (2007), no qual há, ainda, a faixa While My Guitar Gentle Weeps (George Harrison). O paulistano Ricardo Vignini e o também mineiro Zé Helder incluíram Norwegian Wood (The Bird Has Flown, Lennon e McCartney) na primeira edição do Moda de Rock-Viola Extrema (2011); neste ano esta composição e mais 12 dos ingleses formaram o repertório de Come Together Project, de Neymar Dias e Igor Pimenta, que as tocam, respectivamente, com viola caipira e contrabaixo acústico.

Outro projeto que destaca músicas dos The Beatles saiu já há quinze anos, assinado pelo cearense Nonato Luiz, um consagrado violonista brasileiro que apresenta 14 faixas nas quais sucessos do irreverente quarteto passeiam entre o erudito e o popular. As adaptações deste álbum para o violão ganharam, inclusive, pitadas incidentais próprias do cancioneiro nacional, mas os arranjos originais ficaram fielmente preservados. O disco do emblemático catálogo do selo Kuarup traz textos de Eugênio Leandro e Raimundo Fagner.

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