883- Se sanfoneiro ou acordeonista, quem se importa? Thadeu Romano é o cara que toca vários sotaques do Brasil Profundo

O acordeonista Thadeu Romano (SP) foi a atração do primeiro bate-papo da temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo, mediado pelo curador e professor de Sociologia Jair Marcatti na noite de quarta-feira, 25 de março, na Biblioteca Mário de Andrade, situada no Centro da cidade de São Paulo. Durante cerca de 90 minutos, Thadeu Romano revelou-se um músico inquieto, influenciado por costumes interioranos do distrito no qual nasceu, em Campinas, e a convivência com familiares italianos alguns, como os nonos, responsáveis pela escolha afetiva que o levou a se tornar uma das referências atuais no país, ao ponto de ter se tornado um dos mais elogiados por Dominguinhos (que o considerava “um diamante bruto”) e Sivuca (que dizia dele ser “um músico que toca com o coração!”).

Durante a entrevista com Marcatti, Thadeu Romano explicou que há diferenças não apenas técnicas, mas também de forma e tamanho, por exemplo, entre acordeon, sanfona e consertina, embora seja comum e já consagrado tratá-los como sinônimo um do outro. Ao comentar sobre as peculiaridades do bandoneon, que ele também toca, valorizado por conta dos tangos de Astor Piazzolla depois de incerta inserção na cultura platina (“era um instrumento desprezado e que marinheiros usavam como moeda para pagar contas em mercearias”) , soltou uma frase bem espirituosa: “Parece um pacote de pães Pullman!” .

Thadeu Romano também frequentou bancos de conservatórios de ponta, acrescentando ao seu dom formação e saberes clássicos, e, por isso, pode ainda discorrer com propriedade sobre a adaptação e a popularização do acordeon e seus similares nos estados do Brasil nos quais ocorrem com mais força. Nesta altura da entrevista, didático, apontou diferenças e similaridades que permitem ao instrumento não apenas figurar em apresentações, mas ganhar status de solista, afirmando-se no contexto nacional por meio de ritmos como Vanerão, Bugiu e Xote, no Rio Grande do Sul; outra variação de Xote, Baião, e Forró em manifestações comuns em Pernambuco e centros vizinhos; Chamamé e Valsa, no Centro-Oeste e no Interior de São Paulo, divulgando valores e tradições das culturas pampeira, caipira e nordestina que contribuem para moldar uma identidade brasileira. “O acordeon é uma orquestra, sozinho faz um baile, e por ter estes muito sotaques é que ganhou o coração do brasileiro!”

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Entre um tema e outro da conversa com Marcatti, Thadeu Romano arrancou calorosos aplausos da plateia presente ao teatro Rubens Borba de Moraes ao interpretar joias tais quais Asa Branca, da Cor do Pecado, Perigoso, Saudades de Matão, Corta Jaca, Tico-Tico no Fubá, Feira de Mangaio e Lamento Sertanejo, sempre mencionando dados biográficos e curiosidades sobre os autores destes clássicos, entre os quais Luiz Gonzaga, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu — o que permite mostrar que o acordeon também sempre se aclimatou e se sentiu bem-vindo a rodas de choro ou mesmo a temas românticos.

A entrevista de Thadeu Romano foi pontuada por várias pitadas de bom humor e, em especial, uma declaração de pura devoção, temperada por uma genuína e profunda saudade. Foi quando mencionou a convivência com Dominguinhos e com  Sivuca. Embora tenha acentuado “me considero ‘sivuquiano’ pelo jeito que ele tocava e pelo que almejo para a minha carreira”, o convidado desta rodada do Imagens do Brasil Profundo embargou a voz ao recordar a amizade com o parceiro pernambucano. “Dominguinhos era uma alma extremamente bondosa, tinha paciência com tudo, dava até dó, pois a turma abusava dele!”, contou Romano. “Ele morreu na data do meu aniversário [23 de julho, em 2013] e foi um presente que  me deu, pois a gente não gosta de ver uma pessoa que ama sofrendo”, emendou. “Sinto falta de conversar com ele!”

Os dois mestres do acordeon não são os únicos com quem Thadeu Romano já tocou e com os quais conviveu. A lista de artistas é extensa e de qualidade inquestionável e apresenta nomes como Renato Teixeira, Nailor Proveta, Zizi Possi, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma, Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc. Além de acordeonista, o campineiro hoje radicado em São Paulo ele é arranjador, dirige um festival de choro com 10 horas de duração, todos os meses de dezembro, em São Carlos; integra grupos de tango e de gafieira; uma pequena orquestra que no segundo semestre  estará em ação para reinterpretar temas de trilhas sonoras do cinema, rearranjadas para um festival do gênero; e está aprendendo a tocar sanfonas de várias partes do mundo, disponibilizando os vídeos destas experiências (“eu arranjei sarna para me coçar”) em redes sociais.

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Todas estas atividades já somam 20 anos de pesquisas, de viagens, de shows, de gravações e de eventos correlatos por fim ganharam sua marca autoral e darão vida e alma ao primeiro disco solo da carreira que até a cidades minúsculas de Angola, além de países europeus, já o levou. Da Reza à Festa, uma ode à religiosidade e à amizade será lançado em São Paulo em 29 de julho, no teatro da Unibes, situado no bairro Sumaré. Reúne 10 faixas e uma vinheta dedicada por Thadeu Romano ao avô paterno, Albino; durante o bate-bapo na Biblioteca Mário de Andrade ele apresentou a música que abrirá o disco, Baião pro Malta, com participação do amigo homenageado, o saxofonista carioca Carlos Malta. Sobre este primeiro álbum, comentou: “Eu sempre estive atrás de artistas, de forma que, para  mim, este disco está sendo, mais do que uma grande novidade, uma responsabilidade de tremer na base. Mas tomará que seja o primeiro de muitos!”

A próxima atração do Imagens do Brasil Profundo já foi anunciada por Jair Marcatti, para 15 de junho, a partir das 20 horas: Jean e Joana Garfunkel, pai e filha, interpretando e adaptação exclusiva para o projeto poemas do patrono Mário de Andrade, com destaque para “Eu sou 300”.

A primeira temporada do Imagens do Brasil Profundo, em 2014, buscou imprimir um Olhar sobre a Cultura Caipira em quatro bate-papos com expoentes desta vertente das nossas tradições populares. Depois, em 2015, ampliada, a programação passou a abarcar outros aspectos das diversas culturas regionais, agora desvendados por meio de shows, bate-papos musicais, debates e palestras. Nestas ações, ao invés de promover abordagens tradicionais, Jair Marcatti interage com músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo peculiar de retratar o país e promovem trabalhos de pesquisa e de resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, o sociólogo joga luz “sobre aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas,daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural”, observa. Seguindo princípios e ideais de três dos nossos maiores expoentes culturais que são o patrono Mário de Andrade, Darcy Ribeiro e Ariano Suassuna, apoiado, ainda, em pensamentos de Machado de Assis, o projeto propõe “um reencontro do Brasil com ele mesmo”, mas não com o Brasil institucional, caricato e burlesco, e sim o mestiço, aquele que nos permite afirmar perante o mundo a originalidade da civilização tropical, revelador de nossos melhores instintos e mais arraigadas tradições.

 

 

 

 

880 – Paulo Freire (SP) abre Imagens do Brasil Profundo para público infanto-juvenil com “Violinha Contadeira”

O compositor, cantor, violeiro e contador de causos Paulo Freire apresentou na manhã de domingo, 22, Violinha Contadeira, título de um dos seus álbuns, como atração da primeira atividade destinada ao público infanto-juvenil do projeto Imagens do Brasil Profundo, no terraço da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Paulo Freire narrou histórias populares que recolheu enquanto vivia no sertão do Urucuia, Nordeste de Minas Gerais, região na qual conviveu e aprendeu toques de viola com mestres seguidores da temática roseana. Entre um causo e outro, tocava e cantava e assim o tempo todo envolveu a plateia, criando expectativas que por vezes se consumavam de forma surpreendente e até assustadora, mas ao final sempre divertidas.

(Atendendo ao pedido do curador do Imagens do Brasil Profundo, Jair Marcatti, Paulo Freire cantou Horóscopo, de Alvarenga e Ranchinho).

Nos próximos dias, Paulo Freire embarcará com o amigo Levi Ramiro Silva para nova temporada do projeto Sonora Brasil, que neste ano começará por Boa Vista (RR) e percorrerá várias outras cidades das regiões Norte e Nordeste, totalizando mais de 60 concertos. Ao voltar, deverá lançar Pórva, seu mais novo disco instrumental; ele já cedeu, autografado, um exemplar ao Barulho d’água Música.

A terceira temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo terá sequência nesta quarta-feira, 25, a partir das 22 horas. Jair Marcatti receberá no palco Rubens Borba de Moraes o acordeonista Thadeu Romano para um bate-papo cuja pauta será Os caminhos da sanfona no Brasil, sem cobrança de entradas. Em 5 de maio, o público presente acompanhou concorrida e marcante apresentação da cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula (MG).

A Biblioteca Mário de Andrade fica na rua da Consolação, 94, São Paulo, a uma caminhada leve das estações República e Anhangabaú do Metrô.

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876 – Paulo Freire (SP) narra causos e canta temas de “Violinha Contadeira” para público infantil do Imagens do Brasil Profundo

Cantor, compositor, pesquisador cultural, violeiro e contador de causos, Paulo Freire (Campinas/SP) será atração do projeto Imagens do Brasil Profundo, cuja terceira temporada, acolhido pela Biblioteca Mário de Andrade (BMA), em São Paulo, começou recentemente. Paulo Freire estará no palco Rubens Borba de Moraes para apresentação de Violinha Contadeira, show dedicado ao público infanto-juvenil que protagonizará a partir das 11 horas do domingo, 22, com entrada franca. Violinha Contadeira é também título do mais recente álbum deste exímio artista popular que aprendeu a tocar viola caipira no sertão do Urucuia, situado na porção Noroeste de Minas Gerais. As lições com mestres da região o colocaram em contato com costumes e lendas, bases de sua inspiração para criar composições e executar várias trilhas sonoras, incluído a do seriado Grande Sertão: Veredas e trilhas especiais para programas como Globo Rural e Viola, Minha Viola que o transformaram em um dos mais aclamados representantes do universo regional.

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862 – Ao tambor e ao violão, Consuelo de Paula anuncia: começa nova temporada do Imagens do Brasil Profundo em São Paulo

Para quem estava com saudade o reencontro com o projeto Imagens do Brasil Profundo transcorrerá a partir da quarta-feira, 4 de maio, e enseja que ficará entre os mais marcantes de todos os espetáculos congêneres já promovidos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. A cantora, poetisa e compositora Consuelo de Paula, aclamada pelo público que prestigia e cultua música de qualidade, é a primeira convidada do curador professor de Sociologia Jair Marcatti para a temporada. Mineira de Pratápolis radicada em Sampa, Consuelo de Paula ocupará o palco Rubens Borba de Moraes a partir das 20 horas. Não haverá cobrança de entrada para vê-la e ouvi-la tocando manifestações e os ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo, Samba, Baião e Maracatu que compõem o repertório de Tambor de Rainha, por meio do qual transmite com a emoção que a caracteriza memórias de vários momentos de encantamento e fascínio que guarda e a inspira desde os 13 anos quando, por exemplo, seguindo cortejos populares, sentiu-se estimulada a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar a paixão por batucar. Durante a apresentação, Consuelo de Paula alternará tambores e violão e até mesmo um pandeiro poderá entrar em cena para que ela desfile composições clássicas e autorais dos seis álbuns da discografia, entre os quais o mais recente, O Tempo e o Branco.

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779 – Barulho d’água Música já chega a 90 países e é visto por cerca de 45 mil pessoas, 17 vezes a lotação da Opera de Sidney

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Da redação situada na Vila Lageado, em São Paulo, disparamos em 2015 um total de 446 matérias, aumentando o arquivo para 777 até 30 de dezembro — produzindo desde junho de 2014 –, conforme o relatório anual da WordPress.com (Foto: Andreia Beillo/Arquivo Barulho d’água Música)

A WordPress.com preparou um relatório com os números de 2015 do Barulho d’água Música até 29 de dezembro. De acordo com os dados, sem contar a atualização disponibilizada ontem, 30, produzimos a partir de 3 de janeiro 446 novos artigos, aumentando o arquivo total para 777 matérias desde junho de 2014, nas quais abordamos entre outros temas lançamentos de novos álbuns, comentamos apresentações e eventos e noticiamos aniversários de artistas ligados à música — na maior parte das vezes brasileira e independente, de gêneros diversos como o regional, o caipira, o choro, o samba, o frevo, mas também com textos sobre rock, jazz e blues, entre outros, por que música de qualidade só encontra fronteiras nas conveniências da mídia e do mercado de entretenimento.

Este esforço balizado por critérios dos mais acurados e sério modo de promover jornalismo, espontâneo e isento, em jornadas praticamente integrais todos os dias da semana, neste ano que se despede nos levou a 90 países (fora do Brasil os topos são Estados Unidos e Portugal) e foi visto por cerca de 45.000 vezes. Os administradores da Word Press.com destacaram: este último item corresponderia a 17 vezes a lotação máxima da Opera House, casa de espetáculos de Sidney, na Austrália, que tem capacidade de abrigar 2.700 pessoas.

O resumo completo das estatísticas poderá ser visualizado ao se clicar neste linque. Orgulhamo-nos deste relatório, cujos números reanimam a disposição de seguirmos adiante apesar das inúmeras dificuldades que já muitas vezes nos levaram a pensar em baixar, de vez, as portas do boteco! Nesta caminhada cada dia mais estamos precisando de pessoas ou empresas que possam nos ajudar e estejam dispostas a investir para a manutenção do blogue, pois sonhamos ainda alcançar várias metas que, gradativamente, permitirão não apenas melhorar esta prestação de serviço à cultura popular e à difusão da música de qualidade, bem como a oferecer outros produtos com estes mesmos propósitos. Para tanto queremos continuar contando com a companhia de todos os que já nos ajudaram a chegar até aqui e de quem mais conseguirmos juntar nesta corrente, não apenas como leitores e seguidores, mas como parceiros indispensáveis!

Para o professor de Sociologia Jair Marcatti (curador do projeto Imagens do Brasil Profundo, acolhido já em duas temporadas e que em 2016 seguirá como uma das atrações da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo) “o Barulho d’água Música é uma espécie de radar que nos informa onde existem artistas, atores e manifestações culturais que não apenas revelam, bem como ajudam a resgatar e preservar as belezas daquele Brasil profundo que Ariano Suassuna nos orientou a buscar e a tirar do limbo”. E existem várias maneiras de colaborar conosco nesta tarefa, uma das quais é anunciando conosco, pois, afinal, o blogue é um veículo de comunicação, autônomo, independente, com firma aberta, mas que tem consideráveis despesas e não vem conseguindo se pagar sozinho.

Outra forma de colaboração é tornar-se assinante do nosso Clube do CD: se você é cantor ou produtor, disponibilize-nos exemplares de álbuns (que podem ser em formato DVD) ou livros; se você é leitor, amigo, ou seguidor, deposite a partir de R$ 30 em nossa conta-corrente e para cada cota mínima creditada receba em endereço que indicar um dos discos do Clube do CD, sem despesas de Correios, no Brasil ou no exterior. É possível, ainda, apoiar o  Barulho d’água Música nos contratando para prestação de serviços de assessoria de imprensa, em caráter fixo ou em regime de frila (veja como acessando a guia Contato).  

Isto posto, desejamos a todos Feliz Ano Novo, Happy new year; Guten Rutsch ins Neue Jahr; Zhù xīnnián kuàilè; Feliz Año Nuevo; Bonne nouvelle année; Vintshn mzl niu yar; Shin nen Akemashite Omedetô Gozaimasu; Felice anno nuovo; Fe dun odun titun; Śubha nababarṣa cāna; Baqıttı Jaña jıl tileymin; Bonan Novjaron; хотите Новым Годом; Nuwe jaar wil; εύχομαι ευτυχισμένο το Νέο Έτος; מאחל שנה טובה; Santōṣakaramaina n’yū iyar anukuṇṭunnārā; Posakuvame sreḱna Nova Godina; 祝新年快樂; Nahi urte berri; ပျြောရှငျတဲ့ နှစ်သစ်ကူး ဆန္ဒရှိ; Felix Novus Annus; खुसी नयाँ वर्ष इच्छा

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759 – Após 38 atrações, entre as quais o Conversa Ribeira, projeto Imagens do Brasil Profundo (SP) entra em recesso

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O Conversa Ribeira, trio formado  desde 2002 por Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeom) e João Paulo Amaral (voz e viola caipira) foi atração de encerramento da segunda temporada do Projeto Imagens do Brasil Profundo e se apresentou na quarta-feira, 9, no palco do auditório Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Iniciativa do professor de Sociologia Jair Marcatti, o projeto Imagens do Brasil Profundo estará de volta em 13 abril, e as rodadas em 2016 ocorrerão sempre às quartas-feiras, às 20 horas, com entrada franca.

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752 – Conversa Ribeira encerra em São Paulo segunda temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo

Daniel, João Paulo e Andrea estão juntos e formam o Conversa Ribeira desde 2002

Daniel, João Paulo e Andrea estão juntos e formam o Conversa Ribeira desde 2002 (Foto: Mariana Chama)

O grupo Conversa Ribeiro, de São Paulo, encerrará nesta quarta-feira, 9,  partir das 20 horas, as atividades do projeto Imagens do Brasil Profundo, que tem curadoria do professor de Sociologia Jair Marcatti. Com entrada franca, o público que comparecer à Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, conhecerá João Paulo Amaral (viola caipira e voz); Daniel Muller (piano e acordeão); e Andrea dos Guimarães (voz), juntos desde 2002. Ao longo da trajetória do trio, o Conversa Ribeira tem procurado elaborar músicas que encantem pela riqueza e pela profundidade que vislumbram no repertório caipira, tanto no que se refere aos conteúdos musicais, quanto à experiência humana, aos saberes e às sensibilidades que se revelam nessa escolha. Neste semear, demonstrando o profundo respeito que cultivam com relação aos antepassados caipiras, promovem um encontro criativo entre essa fonte abundante de inspiração e outros estilos aos quais também se dedicam,  tais quais a canção popular brasileira e a música instrumental.

De acordo com o texto de apresentação disponível na página eletrônica do Conversa Ribeira, as interpretações do trio são sínteses cuidadosamente elaboradas em que ao modo caipira de cantar e tocar se sobrepõem novas concepções de arranjo, de harmonia, de improvisação, das interpretações instrumentais e vocais. Assim, quando mergulha na particularidade de cada canção que escolhe recriar, traz à tona, sob um novo ponto de vista, sua expressividade. O resultado é uma música que transborda fronteiras dos gêneros musicais e um repertório que abrange desde melodias folclóricas e modas compostas ou gravadas por grandes artistas da música caipira de raiz, até novas composições de autores contemporâneos, conscientes de seus enraizamentos culturais e interessados em transformá-los em frutos.

O projeto do Conversa Ribeira inclui também canções de artistas consagrados da música brasileira que não são propriamente caipiras, mas que se mostram sensíveis às profundezas ancestrais das culturas do interior do Brasil. Nos dois álbuns que lançaram, Conversa Ribeira e Águas Memoriais, há obras de grandes compositores e intérpretes caipiras como João Pacífico, Raul Torres, Alvarenga, Ranchinho, Tião Carreiro e Almir Sater, entre outros, lado a lado com criações próprias e também e de artistas universais como Villa Lobos, Milton Nascimento e Dori Caymmi.

João Paulo Amaral rege a Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas e é ex integrante do Trio Carapiá

Daniel Muller é bacharel e mestre em Música pela Unicamp, arranjador e instrumentista do Quatro a Zero, grupo que propõe uma releitura do choro e de sua tradição, utilizando instrumentos como guitarra, contrabaixo elétrico, piano e bateria

Andrea dos Guimarães é arranjadora e compositora, bacharel em Música Popular e Mestre em Música pela Unicamp, integrante do Garimpo Quarteto, grupo com conceito fundamentado na música instrumental que apresenta a voz como instrumento por meio da utilização de vocalizações sem palavras. Em fevereiro lançou Desvelo, seu primeiro trabalho autoral.

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O jornalista Vitor Nuzzi autografa exemplar do livro que escreveu sobre Geraldo Vandré durante o lançamento da obra na BMA (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

O cantor e compositor Geraldo Vandré foi tema da rodada anterior do projeto Imagens do Brasil Profundo, na quarta-feira, 2, quando Marcatti recebeu o jornalista Vitor Nuzzi , autor do livro Geraldo Vandré — Uma Canção Interrompida, que saiu pela Kuarup. Jair Marcatti o desenvolveu em 2014 com o intuito de por em debate por meio de músicas, de filmes, de manifestações populares e de objetos o Brasil por dentro — aquele país que nas palavras de Ariano Suassuna, escondido em rincões considerados profundos, é muito vivo.  Para a primeira temporada foram convidados violeiros que falaram sobre as ligações de sua música com a cultura caipira. Em 2015, com a ampliação do programa, passaram a ser abordados outros aspectos das diversas culturas regionais do Brasil, agora desvendados em diferentes formatos: shows, bate-papos musicais, debates e palestras.

Ao invés de promover abordagens tradicionais, Marcatti prefere convidar músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o Brasil e promovem  trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições. Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

Serviço

Projeto Imagens do Brasil Profundo recebe Conversa Ribeira

Quarta-feira, 9 de dezembro, 20 horas, entrada franca

Biblioteca Mário de Andrade 

Rua da Consolação, 94, Centro, a menos de 1.000 metros das estações República e Anhangabaú da linha 3-Vermelha do Metrô

 

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744 – Próxima rodada do Imagens do Brasil Profundo terá bate-papo e lançamento de livro sobre Geraldo Vandré (PB)

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O livro de Vitor Nuzzi é um cuidadoso retrato de uma das personagens mais controversas da nossa música brasileira (Foto: Antonio Teixeira/CPDoc JB)

O Projeto Imagens do Brasil Profundo terá sequência em São Paulo nesta quarta-feira, 2 de dezembro, a partir das 20 horas, com um bate-papo na Biblioteca Mário de Andrade entre o mediador e curador do evento, professor Jair Marcatti, e o jornalista e escritor Vitor Nuzzi sobre a história do músico Geraldo Vandré, apoiado em exibição de fotos e de vídeos com o cantor, compositor e violonista brasileiro nascido em João Pessoa (PB). Em seguida, ocorrerá o lançamento do livro Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida, com Vitor Nuzzi à disposição para autografar exemplares que estarão à venda.

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736 – Juca da Angélica, poeta de Lagoa Formosa (MG), por Trio José e Paulo Cesar Nunes, no Imagens do Brasil Profundo

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Danilo Gonzaga Moura (violão), Victor Mendes (viola) e Paulo Cesar Nunes, tocando e declamando, apresentaram na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, um pouco da valiosa obra do poeta Juca da Angélica (Lagoa Formosa/MG), ajudando a tornar mais conhecido do público este mestre da oralidade — “seo” Juca da Angélica completou 97 anos em julho. Os músicos e o poeta convidados movimentaram mais uma rodada do projeto Imagens do Brasil Profundo, que tem curadoria do professor de Sociologia Jair Marcatti. Danilo e Victor integram o Trio José, de São José dos Campos (SP).

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725 – Poeta Juca da Angélica (MG) é tema de apresentação do Trio José (SP) em nova rodada do Imagens do Brasil Profundo

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Juca da Angélica,  hoje aos 97 anos, só não está esquecido em sua casa na cidade de Lagoa Formosa porque ganhou um livro, um documentário e um álbum, já apresentado no Sr. Brasil, produzidos por amigos e admiradores (Foto: Maria Rita Pires do Rio/Divulgação)

A atração da quarta-feira, 18, de mais uma rodada do projeto Imagens do Brasil Profundo, será especial: Jair Marcatti, curador do projeto, receberá no palco da Biblioteca Mário de Andrade, os músicos de São José dos Campos Victor Mendes (viola e voz) e Danilo Moura (violão e voz), que formam o Trio José e na ocasião terão a companhia do poeta Paulo Nunes (leitura/recitação). Os convidados promoverão a partir das 20 horas concerto e recital gratuitos para apresentação das músicas do disco Puisia, compostas a partir dos versos do poeta Juca da Angélica. A plateia poderá assistir, ainda, à exibição do documentário Meu canto é saudade: a poesia de Juca da Angélica, dirigido por Diógenes S. Miranda, que também estará presente.

Juca da Angélica, residente em Lagoa Formosa, um antigo distrito de Patos de Minas (MG), completou 97 anos em 7 de junho. De acordo com o batismo, é José Joaquim de Souza, talentoso poeta e mister da oralidade que pode ser colocado sem descontos na mesma escala de grandeza de Manuel de Barros, mas que estaria tão perdido e ignorado quanto tantos nos rincões dos Brasis não fossem a sensibilidade e a abnegação de outros artistas. Resolvendo encarar o desinteresse geral,  aos poucos, eles veem conseguindo vencer a resistência do mercado de produção cultural, tirando Juca da Angélica do limbo para dedicar a sua obra páginas de livros e um belo álbum de música lançado em 2014, entre outras louváveis e, destaque-se, independentes iniciativas. Entre estas pessoas, deem os devidos créditos à agente cultural e artista plástica Marialda de Amorim Coury Martins, a Paulo César Nunes, ao violeiro Victor Mendes, ao violonista Danilo Moura, e ao cineasta Miranda.

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