1158 – Barulho d’água Música volta a concorrer ao Prêmio Profissionais da Música; vote até dia 28/2

Edição de 2019, a quinta promovida pela GRV e parceiros, recebeu mais de 1400 inscrições e nesta primeira fase de votação, apenas para profissionais cadastrados, terá 849 artistas e agentes de 67 categorias diferentes

Os organizadores do 5º Prêmio Profissionais da Música (PPM) já estão promovendo a primeira etapa de votação para a indicação dos semifinalistas, que, posteriormente, poderão se tornar finalistas do evento que mais uma vez deverá ser promovido em Brasília (DF), em abril. Nesta etapa, que será encerrada às 23h59minutos de 28 de fevereiro de 2019, estão aptos a votar apenas os 849 profissionais de 67 categorias da música que se cadastraram previamente e tiveram as inscrições confirmadas pelo sistema do PPM, conforme está descrito no regulamento disponível em http://ppm.art.br/regulamento/. O anúncio dos semifinalistas está previsto para 10 de março de 2019, quando, então, novas regras para votação serão informadas, a princípio a partir de 12 de março.

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1154 – Sutileza e contundência, sem firulas, marcam novo disco de Ayrton Montarroyos (PE)

Pernambucano que vem recebendo diversos elogios da crítica pelo trabalho de pesquisa e interpretação da canção popular brasileira lança seu segundo disco, em parceria com o violonista do Sr. Brasil Edmilson Capelupi

A gravadora Kuarup está lançando Um mergulho no nada, segundo álbum do cantor de Recife (PE) Ayrton Montarroyos (Ayrton José Montarroyos de Oliveira Pires), no qual acompanhado pelo violonista Edmilson Capelupi interpreta por meio de um bem elaborado repertório clássicos da MPB e de contemporâneos como Ylana e Yuru Queiroga. E que ninguém se perca pelo nome escolhido por Ayrtinho — como é chamado por familiares como a avó Célia o jovem pernambucano nascido em 1995 – para batizar o álbum gravado em uma única apresentação no glamouroso Teatro Itália em 1º de abril de 2018, na cidade de São Paulo: pare o mundo por meros 35 minutos, menos que um dos dois tempos de pelada, e faça o julgamento apenas após terminar a última das 10 faixas — se é que pelo meio da audição o amigo ou seguidor já não estiver tomado por um “magnetismo inescapável”, como escreveu o crítico e jornalista Lucas Nobilo, que ouviu Um mergulho no nada “quatro vezes de enfiada” e também estamos fazendo desde que o disco chegou à redação, gentilmente cedido ao Barulho d’água Música por Rodolfo Zanke, a quem mais uma vez somos gratos.

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719 – MinC confere a Rolando Boldrin grau de Comendador da Ordem do Mérito Cultural

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A presidenta Dilma Rousseff homenageou na segunda-feira, 9 de novembro, em Brasília (DF), artistas brasileiros agraciados com a Ordem do Mérito Cultural de 2015, concedida pelo Ministério da Cultura (MinC) nos graus Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro a personalidades, grupos ou instituições como reconhecimento por suas contribuições ao país. Com direito a show com Caetano Veloso, que entre outros dos seus sucessos cantou Alegria, Alegria, a edição deste ano teve como maior homenageado o poeta paulista Augusto de Campos – criador, ao lado do irmão, Haroldo de Campos, e de Décio Pignatari, do movimento nacional de poesia concreta, na década de 1950. Entre os laureados vinculados à musica estiveram Daniela Mercury e as Ceguinhas de Campina Grande (Grã-Cruz), Arnaldo Antunes e Rolando Boldrin (Comendador), além de Humberto Teixeira, cearense reconhecido Cavaleiro póstumo por entre outras obras ser o coautor de clássicos em parceria com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga (PE).

Rolando Boldrin dispensa qualquer tipo de apresentação. Cantor, compositor, ator de cinema, de teatro, de televisão e escritor, tornou-se o querido Sr. Brasil, deferência pela qual seus fãs e amigos passaram a tratá-lo e que faz referência ao programa que já está há 35 anos no ar, dos quais a década mais recente com gravações no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, acolhidas pela TV Cultura.

Em 20 de julho, Boldrin pode sentir todo o carinho que merece do público nacional — que alcançou por ser um defensor e promotor dos valores tradicionais da cultura popular — durante o programa especial que a emissora da Fundação Padre Anchieta gravou na Sala São Paulo, com a presença de expoentes como Vital Farias, Saulo Laranjeira, Arismar do Espírito Santo, Jane Duboc, Casuariana, Quinteto Violado e os membros do grupo Pau-Brasil, entre os quais Mônica Salmaso, Léa Freire, Paulo Bellinati, Teco Cardoso e Nélson Ayres. Em 25 de setembro, um pouco menos  de um mês antes de completar 78 anos, Rolando Boldrin recebeu o título de Cidadão Guairense, conferido pela Câmara Municipal de Guaíra, cidade do Interior paulista no qual iniciou a carreira aos doze anos e que integra a região da terra natal, São Joaquim da Barra.

Da lavoura ao cinema, hoje esquecidas

As irmãs Indaiá, Maroca e Poroca são as Ceguinhas de Campina Grande, alusão à cidade paraibana em cujas ruas Francisca Conceição Barbosa (Indaiá), Maria das Neves Barbosa (Maroca) e Regina Barbosa (Poroca) começaram a cantar, antes dos sete anos. O reconhecimento do trio veio em 1999, ano do lançamento do documentário A pessoa é para o que nasce, que conta a vida delas, mas as três vêm se queixando de terem sido esquecidas após o sucesso do filme, conforme relataram em programa da qual foram destaque, levado ao ar pela TV Record, em rede nacional, no dia 4 de outubro, e gravado na residência de uma amiga onde há um ano vivem de favor após perderem tudo que ganharam na carreira por má administração dos gestores dos seus bens.

 As Ceguinhas de Campina Grande já se apresentaram com Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso. Cegas de nascença, as três trabalharam na lavoura desde crianças.  E chegaram a ser alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra. O pai morreu quando Indaiá tinha sete anos e elas passaram a se apresentar nas ruas de Campina Grande, cantando emboladas e tocando ganzá. Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes.

O repertório do trio, aos poucos, passou a incluir cantigas, cocos e outros ritmos do cancioneiro nordestino que as irmãs reprocessaram com acréscimo de improvisos. Em 1997, foram levadas pelo cineasta Roberto Berliner para uma participação no programa Som da Rua, da TVE. Em seguida, Berliner utilizou as gravações feitas para o programa e montou o documentário de curta-metragem A pessoa é para o que nasce.

O sucesso do curta levou a um convite para participar do festival de percussão Percpan de 2000, em Salvador (BA). O grupo recebeu elogios de Naná Vasconcelos e de Otto, além de ser homenageado numa composição de Gilberto Gil. Em 2004, Berliner lançou a versão em longa-metragem do seu documentário. No mesmo ano as três irmãs receberam pela primeira vez a Ordem do Mérito Cultural.

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O amigo do Rei

Humberto Teixeira, nascido em Iguatu (CE) em 1915, é um dos mais representativos e produtivos compositores da música popular brasileira. Músico e poeta, criou com Luiz Gonzaga clássicos como Asa Branca. Teixeira exerceu mandato de deputado federal e criou lei que leva seu nome para divulgar a arte e a cultura brasileira pelo mundo por meio das Caravanas de Música Popular Brasileira. Conhecido como “O Doutor do Baião” e como “O Grande Poeta da Seca”, faleceu em 3 de outubro de 1979, no Rio de Janeiro.

 

Homenagem ao Sr. Brasil pelos 10 anos na TV Cultura deixa lotada a Sala São Paulo

O Barulho d’Água Música acompanhou, ontem, 20 de julho, a gravação do programa especial que marca os 10 anos do Sr. Brasil, com Rolando Boldrin, na TV Cultura. O apresentador recebeu no palco da Sala São Paulo Mônica Salmaso e o grupo Pau Brasil, Vital Farias, Saulo Laranjeira, Luís Carlos Borges, Arismar do Espírito Santo e Jane Duboc, Casuarina, Luca Bulgarini e o Quinteto Violado, entre outros músicos. E também cantou e declamou, além de contar pitorescos e curiosos causos, uma das marcas do programa. Na plateia que ocupou praticamente todas as cadeiras, Boldrin contou com o prestígio dos músicos que formam o Projeto 4 Cantos Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc, Wilson Teixeira, mais Zé Geraldo, Fábio PorteConsuelo de Paula, Osni Ribeiro, Jaime Alem e esposa Nair Cândia, Daniela Lasalvia, Lucas Ventania, Danilo Gonzaga Moura, do Trio José, e Socorro Lira e vários outros cantadores e artistas de diversos segmentos.

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Almoce no Mercado Municipal de São Paulo ao som da viola do mineiro Wilson Dias (MG)

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O violeiro e compositor Wilson Dias estará nesta quinta-feira, 18, no Mercado Municipal de São Paulo, ponto turístico da Capital paulistana, como convidado do Sesc do Carmo para apresentar entre 13 e 14 horas as músicas do álbum Lume, o sexto de sua carreira. Neste e em outros de seus trabalhos, Wilson Dias  reforça uma característica que historicamente se verifica em Minas Gerais: o de ser um estado fértil e terra inesgotável da qual já brotaram nomes consagrados em vários setores da arte e da cultura.

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Festejos de 155 anos de Mar de Espanha incluem show de Lula Barbosa na Praça da Matriz

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Mar de Espanha, situada na Zona da Mata, abrangida pela microrregião de Juiz de Fora (MG), está completando 155 anos de elevação a município e para marcar a ocasião o governo local programou mais uma edição do “Setembro Festivo”, série de eventos culturais, esportivos, e cívicos que vem sendo cumprida desde o sábado, 6, com uma apresentação de Folia de Reis. As comemorações também incluem um show com o cantor mineiro-paulistano Lula Barbosa, cuja família tem representantes entre os ilustres filhos da cidade aniversariante. Lula Barbosa ocupará o palco defronte à Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês a partir das 22 horas do sábado, 13.

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Juca Novaes recebe Bruna Caram, Pedro Alterio e Lucila Novaes em “Canções de Primeira 1” no Bourbon Street

10384676_10204292717981881_3413557378419162669_nCompositor, cantor, produtor, Juca Novaes integra desde 2000 o grupo Trovadores Urbanos tem dezenas de músicas gravadas, algumas delas por nomes importantes da MPB como Jane Duboc e Alaíde Costa, e por novos artistas como Bruna Caram, Dani Lasalvia, Lucila Novaes, Daisy Cordeiro e Cláudio Lacerda. Com seu parceiro Edu Santhana lançou quatro discos autorais: Encontro das águas (1991 ), Lua do Brasil (1995), Kathmandú (2000) e 10 anos (2001).

Como produtor, liderou a criação do Festival de Avaré (SP) e a produção dos quatorze discos resultantes do evento; coordenou a produção do Festival Carrefour de MPB (1991/ 1993), e em 2000 atuou como consultor da Rede Globo de Televisão na realização do Festival da Música Popular Brasileira.

Dentre outras atividades ligadas à música, editou o jornal “Tambores”; produziu e apresentou o programa de rádio “Feira Brasil”, e é signatário da criação do Fórum Nacional de Música, em Brasília, em 2005.

Também é advogado, especializado em direitos autorais.

Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira no SESC da Vila Mariana

 

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 Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira, mineiros e duas das maiores expressões da música brasileira, estão completando 50 anos de idade. Para comemorar, ambos resolveram juntar talentos, vozes e instrumentos para brindar o público com a turnê “Concerto nu para voz e percussão”. As apresentações começaram em março por Diamantina, e depois de passar por outras cidades próximas, chegou a São Paulo. A acolhida, com direito a lotação esgotada e vários músicos na plateia, foi proporcionada pelo SESC da Vila Mariana, na noite de quarta-feira, 16. Aplaudiram e pediram bis, por exemplo, Tita Parra, neta de Violeta Parra, Sarah Abreu e os violeiros Júlio Santin e Ricardo Vignini.

As flautas de PVC são usadas na abertura das apresentações. Os ouvintes já mergulham no ambiente do concerto, que busca despertar a espiritualidade e a atenção para valores ancestrais

Fiz propositadamente a menção ao fato de Déa e Ferreira serem frutos das Alterosas, respectivamente nascidos e Almenara e de Governador Valadares. Terra fértil e inesgotável da qual já brotaram nomes consagrados em vários setores da arte e da cultura, o Estado parece ter um bendito compromisso de só revelar à nação gente muito boa seja fazendo música, literatura, pintura, escultura, jogando bola, trem bão pelo qual o mundo inteiro acaba agradecido, uai! Drummonds e Cacasos, como expressa a joia “Ó, Minas Gerais”, de Sérvulo Augusto e Eduardo Santana, canção que Augusto gravou em “Coletivo” com a participação de Jane Duboc; “minas de ouro, minas de rimas, de tantos tesouros”, Tavinhos e Brants que parecem florescer em cada clube ou esquina; Rosas e Tostões que são patrimônios culturais como o pão de queijo, a broa de milho ou as estátuas de Aleijadinho; santuários de pretos em ruas de pé de moleque, montanhas douradas de verde ou veredas que conduzem a sertões e jequitinhonhas, berços de folias ancestrais, batuques e congadas.

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A cantora Déa Trancoso é natural de Almenara, das Minas Gerais que revelam talentos em vários setores da cultura nacional…

Deste múltiplo universo abençoado e sagrado também pela intervenção de orixás e de santos, das águas pelas quais correm marianas e franciscos e às margens cantam tropeiros e lavadeiras, Déa e Ferreira recolheram temas e cantigas de domínio público para costurar o repertório do concerto que inclui entre as músicas “Saudação aos orixás”, “Mandei caiar o meu sobrado” e “Eu sou bem pequenininho”. Apenas com voz e instrumentos bastante peculiares de percussão, de cordas ou de sopro como tumbi, pandeirão, flautas de PVC, cabaças, rabeca de duas cordas (Fá e Dó) cuja caixa de ressonância é uma lata de sardinha, alguns confeccionados por Ferreira os dois apresentam ainda novos arranjos e interpretações para vários sucessos populares. Isto sem contar tambores, bongô chinês e berimbau, que muitos acreditam ser da Bahia, mas que apenas foi abrasileirado.

Na Vila Mariana, por exemplo, eles acrescentaram à lista “Cara de índio” (Djavan), “Cio da terra” (Chico Buarque e Milton Nascimento), “Cego com cego” (Tom Zé e Zé Miguel Wisnik) e canções escritas pela artista, como “Cósmica” e “Ogum de frente”, além do ainda inédito “Eu também faço samba”. Estes concertos padrão A de arrebatadores, alegóricos, alcandorados também têm sido de reverência e tributos a Dércio Marques, cantor e compositor que morreu há dois anos e que além de Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira influenciou Katya Teixeira, João Arruda e Wilson Dias entre vários expoentes da atual geração das músicas de raiz e regional. Do conterrâneo de Uberaba, a dupla lembrou, por exemplo, “Natureza Oculta”, faixa que está em “Segredos Vegetais” (1988) e que Déa cantou à capela em um dos momentos mais marcantes do espetáculo.

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… e canta com devoção, respeito e intensidade tanto as composições de parceiros consagrados, entre os quais Dércio Marques, quanto cantigas de lavadeiras do Vale do Jequitinhonha

Em São Paulo, ambos também fizeram homenagens a percussionistas que ajudaram-nos a abrir os caminhos tais quais Naná Vasconcelos, Dinho Nascimento e Papete; Ferreira inclui ao lado de Marques no panteão dos maiores representantes na América Latina da vertente que classificou como música de protesto Violeta Parra, explicando que o “protesto não é apenas ou necessariamente expresso no sentido político, mas ainda enquanto proposta de fortalecer a cultura popular e de ser a fonte de diversos ritmos”.

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Carlinhos Ferreira, de Governador Valadares, é luthier e muitos dos instrumentos que toca ele mesmo é quem confecciona ou adapta para retirar dele sons mais identificados com a brasilidade

“Fazer parte deste concerto é um trabalho de muita responsabilidade”, disse Carlinhos Ferreira”. “Eu e Déa estamos apresentando o canto chão, um tipo de música que traz em sua essência a mais profunda espiritualidade e religiosidade dos povos”.

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Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira atraíram ao SESC da Vila Mariana público e admiradores dos mais qualificados e atentos, entre os quais a cantora Sarah Abreu (Fotos de Marcelino Lima)