1050 – Nova temporada de “Concertos para Pixinguinha” volta ao Sesc Bom Retiro (SP), ponto de partida do sucesso que já dura cinco anos

O espetáculo, que uniu no palco pela primeira vez a cantora Vânia Bastos e o baixista Marcos Paiva, ajudou a atualizar a obra do carioca Alfredo da Rocha Vianna Filho

Marcelino Lima, com Petterson Mello

O espetáculo que há cinco anos lota espaços, teatros e casas por onde passa abrirá sua sexta temporada na sexta-feira, 20 de abril, retornando ao local onde estreou e começou a fazer sucesso, em 2013. Concerto para Pixinguinha, aclamado por público e crítica e premiado em 2017, será novamente atração da unidade paulistana Bom Retiro, do Sesc, a partir das 21 horas — apenas três dias antes dos 121 anos de nascimento de Pixinguinha na cidade do Rio de Janeiro (RJ), data na qual também se comemora o Dia Nacional do Choro, conforme consta no calendário oficial do país. No palco, Vânia Bastos, a dona da impecável voz que tem emocionado a plateia com interpretações marcantes de sucessos do maestro, compositor e arranjador carioca, desta vez, excepcionalmente, estará acompanhada pelo baixista Gustavo Sato — que substituirá o  maestro, arranjador e diretor artístico Marcos Paiva que está em viagem fora do país  Jônatas Sansão (bateria), César Roversi (sopros) e Nelton Essi (vibrafone).

Continue Lendo “1050 – Nova temporada de “Concertos para Pixinguinha” volta ao Sesc Bom Retiro (SP), ponto de partida do sucesso que já dura cinco anos”

Anúncios

1030 – Consuelo de Paula homenageia Dia Internacional da Mulher com Bibianas, no Teatro da Rotina (SP)

A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula (MG) estará de volta ao aconchegante Teatro da Rotina em 9 de março, quando, a partir das 21 horas, apresentará Bibianas, show com o qual marcará a passagem do mês dedicado ao gênero e o Dia Internacional da Mulher, que transcorrerá na véspera, em 8 de março. Bibianas será, ainda, o terceiro concerto da série que Consuelo batizou como Movimentos do amor e de lutaO primeiro ato, Movimentos do amor e da luta, e o segundo, Chamamento, também tiveram como palco o teatro paulistano situado na rua Augusta, 912 (veja Serviço).

Bibianas é um encontro entre Consuelo de Paula e parceiras de composição, algumas das quais convidará para acompanhá-la. Voz, violão e instrumentos de percussão compõem a tríade mágica e completam o canto pleno, personalizado e profundo que possibilitam à mineira de Pratápolis envolver o público a cada nova canção. Neste show, além de canções autorais e algumas interpretações de outros autores que farão a ponte entre uma parceria e outra – incluindo a recente Valsa para Mathilde, com Adoniran Barbosa e Copinha — estarão em destaque muitos ritmos brasileiros.

Continue Lendo “1030 – Consuelo de Paula homenageia Dia Internacional da Mulher com Bibianas, no Teatro da Rotina (SP)”

983 – Prestigie Rodrigo Caçapa (PE), convidado de nova rodada do projeto Violada, na casa Mora Mundo

A casa Mora Mundo, de São Paulo, receberá na noite de sábado, 29 de julho, o violeiro pernambucano Rodrigo Caçapa, convidado de mais uma rodada do projeto Violada – circuito autoral das violas brasileiras. Caçapa será chamado ao palco pelo anfitrião Fábio Miranda (violeiro de Brasília radicado em São Paulo e autor dos álbuns Caravana Solidão e Chamamento) para o show que promoverá a partir das 21 horas, com contribuição solidária partindo de R$ 10,00, além da consumação. Ao final da apresentação, o microfone estará à disposição e os músicos e demais presentes que levarem os próprios instrumentos poderão também tocar e cantar.

Os concertos do projeto Violada promovem a circulação de violeiros de várias regiões do Brasil, favorecem o intercâmbio entre os participantes e estimulam a formação de admiradores para a nova produção musical de viola. Quem já conta com reconhecido trabalho ou aqueles que ainda estão começando a se projetar no cenário musical podem, assim, alcançar admiradores e simpatizantes, divulgando ao vivo suas respectivas obras, por enquanto movimentando nas cidades paulistas de São Paulo, São José dos Campos e Monteiro Lobato.

Vale a pena destacar, ainda, que o instrumento carrega vários elementos da identidade cultural do país. Ponteado em diversas afinações, pode ser denominado como viola caipira, viola nordestina, viola de cocho, viola de fandango, viola de machete, viola de buriti e viola de cabaça, mas independentemente de como é chamado é portador de forte expressão regional e de valiosa história, encantando sucessivas gerações desde o período colonial brasileiro. E esta trajetória, associada à preservação e à divulgação de memórias e de afetos, também enriquece movimentos de inovação, renovação e de resistência artísticos — sem contar que a viola simboliza, entre outras tradições, a lida rural e do homem do campo.

Para além da forte representação do universo caipira, onde se encaixou como instrumento solista por excelência, a viola, ao longo dos tempos, também vem sendo alçada à condição de protagonista de estilos e sonoridades que bebem em fontes da MPB e das canções nordestina, caiçara, fronteiriça, nativista e latina americana, chegando com personalidade, inclusive, ao território do rock e do blues, às rodas de choro, de rap e de samba e às sessões de jazz. Esta pluralidade e versatilidade dos vários tipos de viola só reforçam a importância do circuito Violada, iniciativa que tem curadoria de Fábio Miranda e Beto Sanches ampliadora dos espaços de atuação dos violeiros, notadamente os independentes, posto que esta parcela do segmento segue carente de locais para execução de sua obra.

As atrações convidadas por Miranda e Sanches conseguem encontrar a oportunidade de dialogar com estabelecimentos comerciais, parceiros, patrocinadores, apoiadores e o público, valorizando o artista visitante e o próprio circuito. Cada apresentação conta sempre com um anfitrião, o artista encarregado de receber o visitante da vez e abrir os concertos de, aproximadamente, 1h30. Ao final deste tempo a cantoria poderá ser sucedida por um bate-papo entre os músicos e as plateias. É possível ainda, pensar em outras atividades relacionadas ao espetáculo, tais quais oficinas, aulas, rodas de violas, palestras etc.

O circuito Violada não visa ao lucro de pequenos grupos: é um esforço coletivo que pretende facilitar a divulgação dos trabalhos autorais, custeando as despesas básicas. O mutirão cultural, entretanto, só pode ser mantido com a parceria de colaboradores, além da compreensão, apoio e benção dos violeiros.

A casa Mora Mundo fica na rua Barra Funda, 391, a uma caminhada leve da estação Marechal Deodoro da linha 3 Vermelha do Metrô. Em dias de espetáculos abre as portas às 19 horas.

 

Cordas eletrificadas*

Rodrigo Caçapa é compositor, arranjador e produtor musical, nascido na cidade do Recife (PE). Ao longo de 15 anos de atividade profissional, já colaborou com Alessandra Leão, Siba e a Fuloresta, Nação Zumbi, Biu Roque, Tiné, SaGrama, Renata Rosa, Iara Rennó, Kiko Dinucci, Florencia Bernales (Argentina), Maciel Salu, Chão e Chinelo, Mio Matsuda (Japão) e Orquestra à Base de Cordas de Curitiba. Em 2011 lançou Elefantes na Rua Nova, primeiro álbum autoral, composto de temas instrumentais para viola dinâmica, instrumento que ajudou a projetar Helena Meirelles, a Dama da Viola, e também é utilizado pelo conterrâneo de Caçapa, o violeiro Adelmo Arcoverde. Elefantes na Rua Nova tem participação de Alessandra Leão (percussões) e Hugo Linns (linhas de baixo). Por meio da eletrificação e afinações de violas de 12 e de 10 cordas criadas especialmente para as gravações, Caçapa produziu uma obra enxuta, acompanhada, ainda, por violões-baixo, pandeiro e ganzá, além de utilizar pedais de efeito como tremolo, reverb e delay.

* Com o blogue Eu Ovo

970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa

A pianista e compositora Patrícia Lopes protagoniza O Feminino em Pessoa, espetáculo que aborda a paixão amorosa por meio de músicas inspiradas em poemas do consagrado português Fernando Pessoa que poderá ser apreciado em 11 de julho, a partir das 21 horas, no palco do Jazz B, em São Paulo. Sem contar os próprios textos de um dos mais admirados poetas de todos os tempos, o autor que viveu entre 1888 e 1935 destaca-se na literatura universal pela construção de heterônimos aos quais deu vida tal qual o trio Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, dotados de personalidades e estilos distintos. A síntese da obra do lisboeta e deste conjunto de notáveis múltiplos dele é qualificada por rara sensibilidade e faz soarem vozes e modos diversos de percepção do mundo que trazem à tona o que pode haver de mais recôndito na alma humana — sentimentos, desejos, emoções e temas entre os quais o amor e as peculiaridades femininas são dos mais recorrentes. No show, Patrícia Lopes também mostrará composições inéditas, feitas especialmente para esta apresentação e contará com as participações da portuguesa Sofia Vitória (que vem ao Brasil para breve temporada, recitando poemas), de Ana Luiza (vocais), de Paula Pires (clarinete) e de Sebastian Ruiz (viola de arco).

Continue Lendo “970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa”

967 – Conheça o Ali na Esquina Sautner Rock, quinteto paulista com repertório próprio que mescla raízes brasileiras com rock sul norte-americano

O Ali Na Esquina Sautner Rock, grupo musical que mistura elementos, ritmos brasileiros e regionais ao rock tocado no Sul dos Estados Unidos, será atração da quarta-feira, 5 de julho, da Folk Rock Night que a casa paulistana Jazz nos Fundos  promoverá. A partir das 22h30, o público que frequenta o local poderá curtir criações autorais baseadas nesta inventiva interação que une a organicidade do rock de raiz caipira aos seus congêneres mais influentes como country, blues e jazz ao pagode de viola, cururu, vanerão, guarânia e até mesmo frevo e choro. André Batiston (viola e violão), Eduardo Moura (bateria), Gabriel Adorno (guitarra), Guadalupe Ayslan (teclado, sanfona e composição) e Léo Malagrino (baixo e composição), formados por Universidades e Conservatórios do Estado de São Paulo, fundaram o Ali na Esquina Sautner Rock em 2009 e desde que caíram na estrada  já circularam por cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Limeira, Sorocaba, Poços de Caldas, Bauru, Botucatu, entre outras. O primeiro disco, de 2014, saiu com apoio da Secretaria de Cultura de Campinas reunindo composições em que dialogam viola caipira com guitarras, sanfona com órgão Hammond, baixo e bateria, entre outros com os quais buscam afirmar uma nova estética instrumental. 

Continue Lendo “967 – Conheça o Ali na Esquina Sautner Rock, quinteto paulista com repertório próprio que mescla raízes brasileiras com rock sul norte-americano”

962 – Concerto para Pixinguinha, melhor disco de choro de 2016, será atração no Teatro Itália (SP)

O premiado Concerto para Pixinguinha, que põe em cena Vânia Bastos, uma das mais importantes intérpretes da música brasileira, chega ao palco do teatro Itália, situado em um dos mais majestosos e emblemáticos cartões postais de São Paulo, o Edifício Itália, situado no Centro paulistano. O tributo ao consagrado maestro carioca em apresentação única que a paulista de Ourinhos protagonizará será atração do projeto Terças Musicadas na noite de 20 de junho, a partir das 21 horas. A cantora que entre outras também já gravou marcantes releituras de sucessos de Caetano Veloso, Edu Lobo, Tom Jobim e do Clube da Esquina ao longo da carreira que despontou no áureo período da Vanguarda Paulistana estará acompanhada pelo quarteto do maestro, arranjador e diretor musical do espetáculo Marcos Paiva, formado por ele, Jônatas Sansão (bateria), César Roversi (sopros) e Nelton Essi (vibrafone).

Concerto para Pixinguinha foi idealizado em 2013 pelos produtores culturais Fran Carlo e Petterson Mello, hoje sócios do selo Conexão Musical. A morte do homenageado completava 40 anos quando eles vislumbraram a possibilidade de resgatar a grandeza da obra pixinguiniana e conseguiram o que se chama de “tiro na moeda”, tamanho foi o sucesso da ideia. Os shows foram se sucedendo em várias cidades brasileiras, sempre com lotações máximas, até chegar ao formato de álbum, em agosto de 2016, quando ocorreu o lançamento no teatro J.Safra, em São Paulo. Ao final do ano passado, o disco já era apontado entre os melhores da temporada por críticos variados, tanto na imprensa especializada, quanto na blogosfera, e em abril deste ano provou que os elogios eram merecidos: arrebatou em Brasília  (DF) o troféu de melhor álbum da categoria Choro do Prêmio Profissionais da Música, em festa celebrada no Cota Iate Clube.    

Vânia Bastos e o quarteto de Marcos Paiva envolvem a plateia ao relembrarem entre outras joias do repertório de Pixinguinha a valsa Rosa, o samba Urubu Malandro e o clássico Carinhoso  — chorinho que completa um século neste ano e faz parte da memória afetiva de diversas gerações. O público ainda tem a oportunidade de ouvir Mundo Melhor, Isso é que é Viver e Fala Baixinho, que embora menos conhecidas que aquelas, carregam a genialidade do músico cujo nome de batismo era Alfredo da Rocha Viana Filho.

“Ele é tratado popularmente como gênio, além de ser tema de estudos acadêmicos, mas tem mais valor hoje que no final de sua vida”, observou Marcos Paiva sobre Pixinguinha. “Apesar do grande prestígio, na década dos anos 1930 e e 1940, quando o entretenimento começou a ser mais valorizado, houve um ‘embranquecimento’ do mercado”, complementou o baixista. “E por fatores históricos, Pixinguinha e sua turma se tornaram ‘tradição da cultura nacional’, que necessitava se modernizar.”

“O Pixinguinha, musicalmente, é uma imensidão sonora que ganhei de presente”, disse Vânia Bastos ao O Estado de S. Paulo. A estrela acredita que, para interpretá-lo, seguiu o que Pixinguinha teria pensado. “Ele não fez nada em vão, então, se colocou certas notas ali, é para fazer isso, não é para ficar inventando muito”. E completou: “Acho legal ter esse respeito aos compositores, em geral. No mais, é se deliciar mesmo!”

Com produção impecável, da iluminação ao elegante figurino dos músicos, tudo no espetáculo é marcado pelo bom gosto e perfeito entrosamento dos músicos. “Os arranjos de Marcos Paiva são de uma delicadeza que, de fato, se encaixam com perfeição com a interpretação aveludada – e versátil – de Vânia Bastos ”, escreveu Adriana Del Ré, do O Estado de S. Paulo. Mauro Ferreira reforçou a declaração da jornalista: “Com o toque refinado do Marcos Paiva Quarteto, Vânia Bastos dá voz com segurança a Gavião Calçudo, Rosa e Fala baixinho. (…) A abordagem resulta classuda e jamais trai a obra de Pixinguinha”, afirmou o produtor do sítio G1/Música.

Sobre os artistas

Vânia Bastos decolou como estrela da banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou discos importantes como Tubarões Voadores (1984). Em 30 anos de carreira, firmou-se como uma das mais competentes vozes em âmbito nacional, como comprova a discografia que reúne títulos antológicos dedicados, entre outras, às obras de Tom Jobim, Caetano Veloso e ao Clube da Esquina. Na Boca do Lobo, um dos mais recentes, é dedicado à singular produção de Edu Lobo. Uma das referências da Vanguarda Paulistana, Vânia Bastos lançou também três discos no Japão e quatro na Europa.

Baixista, compositor e arranjador de Viçosa (MG), Marcos Paiva é referência em música instrumental e assina vários discos autorais, entre eles Meu Samba no Prato – Tributo a Edison Machado (2012). A homenagem ao carioca Edison Machado (1934 – 1990) rendeu críticas positivas na Folha de S. Paulo, n’O Globo e na Rolling Stone por destacar essa ‘lenda’ da bateria brasileira. Paiva atua também ao lado de artistas como Bibi Ferreira e Zizi Possi, além do cubano Fernando Ferrer e da portuguesa Teresa Salgueiro, com quem viajou pela América e Europa.

“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha.” A frase do crítico e historiador Ari Vasconcelos (1926-2003) sintetiza de forma clara e direta a importância de Alfredo da Rocha Viana Filho para a música brasileira.

Pixinguinha deu vida a clássicos que guardam lugar na memória afetiva e de qualquer gosto musical brasileiro e embalam sucessivas gerações, obra que completou com consagradas orquestrações para cinema e teatro e arranjos para intérpretes contemporâneos à época, como Carmem Miranda

Gênio incontestável, Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos e um dos grandes músicos de choro – a música instrumental brasileira.

Flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro, Pixinguinha fez parte do grupo Caxangá, cujos integrantes eram, também, Donga e João Pernambuco. Depois, o músico formou o conjunto Oito Batutas, na década dos anos 1920. Já na década seguinte, foi arranjador pela gravadora RCA Victor, e nos anos 1940, integrou o regional de Benedito Lacerda, tocando saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram feitas nessa época, quando deu vida a clássicos que guardam lugar na memória afetiva e de qualquer gosto musical brasileiro e embalam sucessivas gerações, obra que completou com consagradas orquestrações para cinema e teatro e arranjos para intérpretes contemporâneos à época, como Carmem Miranda.

Pixinguinha celebrizou parcerias ao lado de Braguinha, Vinícius de Moraes e Hermínio Bello de Carvalho. O grupo Oito Batutas tornou-se o primeiro regional brasileiro a excursionar para fora do país: a turnê pela Europa agradou tanto às plateias que se prolongou por seis meses, contra os inicialmente planejados 30 dias. Alguns biógrafos apontam que o apelido com o qual o músico ganhou o mundo derivaria do modo carinhoso como a avó Eurídice o tratava na infância, chamando-o de Pizindim (cujo significado seria “menino bom”). Pixinguinha pode ainda, ser a resultante de Pizindim com Bexiguinha, pois ainda na infância Alfredinho teve a face marcada pela varíola, doença popularmente conhecida como “bexiga”.

O Teatro Itália fica na rua Ipiranga, 344, subsolo, há poucos metros da estação República das linhas 3/Vermelha e 4/Amarela do Metrô de São Paulo. O telefone para mais informações e contatos tem os números 2122-2474. O ingresso do Concerto para Pixinguinha está cotado em R$ 50,00. Estudantes que apresentarem carteirinha e idosos acima de 60 anos pagam meia, R$ 25,00.

960 – Após seis anos afastado da música, Alexandre Grooves volta a gravar e aos palcos com álbum Multi

O paulistano Alexandre Grooves está com álbum novo, que lançou em maio, com direito a concorrida apresentação em uma das mais badaladas casas de espetáculos de São Paulo. Multi, nome que ele escolheu para o disco independente, é o segundo da carreira e chega mesclando influências do rock, do folk e do blues, mas sem perder a identidade pop e as referências da MPB em dez faixas das quais nove são autorais. A lista é completada pela releitura de Ska, do Paralamas do Sucesso, que ganhou versão vibrante e surpreendente.

Continue Lendo “960 – Após seis anos afastado da música, Alexandre Grooves volta a gravar e aos palcos com álbum Multi”

949 – Vânia Bastos e Marcos Paiva levam a Santos (SP) tributo a Pixinguinha consagrado com prêmio de Melhor álbum de Choro

O público que frequenta a unidade Santos do Sesc terá a oportunidade de ver e ouvir na noite de sábado, 13, a cantora Vânia Bastos e o maestro e baixista Marcos Paiva, dois dos protagonistas de Concerto para Pixinguinha, que acaba de arrebatar o Prêmio Profissionais da Música de melhor álbum da categoria Choro. A aclamação do projeto dos sócios  Fran Carlo e Petterson Mello que resultou no primeiro disco do selo Conexão Musical, em parceria com a Atração Fonográfica, ratifica avaliações de críticos especializados que já o consideravam um dos mais bem produzidos em 2016 e  foi alcançada na noite de 28 de abril, quando os organizadores do PPM anunciaram os nomes dos vencedores da edição 2017, no Cota Iate Clube, em Brasília (DF). A primeira apresentação após a concorrida premiação está marcada para começar na agradável cidade do litoral Sul paulista às 21 horas (veja a guia Serviços ao final do texto).

Continue Lendo “949 – Vânia Bastos e Marcos Paiva levam a Santos (SP) tributo a Pixinguinha consagrado com prêmio de Melhor álbum de Choro”

926 – Vânia Bastos retorna a São Paulo com “Concerto para Pixinguinha”, no Sesc Campo Limpo

A cantora Vânia Bastos, uma das mais fulgurantes musas da MPB, será atração do Sesc Campo Limpo no sábado, 8 de abril, quando protagonizará com entrada franca, a partir das 20 horas, mais uma apresentação do consagrado Concerto para Pixinguinha, baseado no disco homônimo considerado um dos melhores de 2016. Vânia Bastos subirá ao palco ao lado do quarteto liderado pelo baixista Marcos Paiva, diretor musical do projeto, para interpretar sucessos do compositor carioca entre os quais a valsa Rosa, o samba Urubu Malandro e o clássico Carinhoso, chorinho que completa um século neste ano. O programa do show terá, ainda, Mundo Melhor, Isso é que é Viver e Fala Baixinho, que embora menos conhecidas do público, carregam a genialidade do músico cujo nome de batismo era Alfredo da Rocha Viana Filho.

Continue Lendo “926 – Vânia Bastos retorna a São Paulo com “Concerto para Pixinguinha”, no Sesc Campo Limpo”

804 – Um ano depois de lançar “O Tempo e o Branco”, Consuelo de Paula encanta o público do Sesc São Caetano e chega ao Japão

consuelo arte 2_edited
Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, já aos 13 anos comandava bloco feminino de Carnaval e “inventava” peças de teatro, dando vazão à veia artística que herdou dos pais e que resulta de sua sensibilidade e inclinação às tradições da terra natal (Fotos acima e no destaque: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Musica)

 A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula está comemorando um ano de sucesso de O Tempo e o Branco. O sexto álbum da carreira desta mineira de Pratápolis que adotou São Paulo, mas hoje mora em vários peitos, foi lançado em 1º de fevereiro do ano passado  no Auditório do Ibirapuera (SP), com participações de Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola caipira), músicos que na ocasião substituíram, respectivamente, Toninho Ferraguti e Neymar Dias, que utilizando os mesmos instrumentos gravaram em estúdio com Consuelo de Paula, mas na ocasião atendiam outros compromissos profissionais. O disco, inspirado livremente nas poesias de Cecília Meireles,  apresenta composições próprias que unem aspectos da música erudita a uma essência e referências ligadas ao cancioneiro popular brasileiro do qual, no show que se tornou inesquecível, cantou, por exemplo, Cuitelinho, Mucuripe e Saudosa Maloca.

A escolha instrumental para os arranjos de O Tempo e o Branco, composta de acordeom e viola caipira, representa bem essa relação com as raízes musicais que levou Consuelo de Paula a homenagear no batismo da obra Dércio Marques, seu conterrâneo de Uberaba, e o sambista do Brás, do Bixiga, da Barra Funda, de Ermelino Matarazzo, da Penha, da Vila Ré, da Vila Matilde e adjacências Adoniran Barbosa. O tributo ao amigo do Arnesto foi por meio de uma composição que ela apresentou pela primeira vez após escrever a letra para melodia dele e de Copinha, de 1934, que ganhou o singelo título Valsa para Matilde — nome da esposa do mais famoso passageiro do trem das onze. Outro momento de emoção: por meio da projeção de um vídeo, o público pode ver e ouvir, também, Rubens Nogueira, o saudoso Rubão, um dos parceiros, compositores e arranjadores mais próximos da mais cintilante daquela noite que até então sucederia um dia chuvoso em Sampa, mas transformou-se em uma pintura de mil estrelas. 

Quase uma volta completa da Terra em torno do Sol depois deste evento que emplacou entre os dez mais destacados do Auditório do Ibirapuera em 2015, Consuelo de Paula de novo encantou e magnetizou o público, desta vez levando ao Sesc de São Caetano do Sul (SP), em 29 de janeiro, manifestações e ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo e Samba que escolhera para o repertório de  Tambor de Rainha, show com o qual encerrou o projeto Eu vi uma História. Para transmitir a emoção guardada de vários momentos de encantamento ao ver um cortejo popular passando (fascínio que aos 13 anos já a tomava e a estimulou a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar sua paixão por batucar), Consuelo de Paula cantou do começo ao fim (acompanhada em coro pela plateia) alternando tambores, violão e um pandeiro composições autorais inspiradas em tambor de crioula, baião e maracatu.

Os admiradores ouviram, assim, tanto canções dos vários álbuns solo (incluindo o novíssimo O Tempo e o Branco), quanto versos do poeta africano Craveirinha e trecho de Azul Provinciano (que ouviu na voz de Mercedes Sosa), enriquecidos por um trecho do livro A Poesia dos Descuidos, que escreveu e recebeu ilustrações de Lúcia Arrais Morales. A lista teve ainda parcerias dela com Rubens Nogueira, Vicente Barreto, Luiz Salgado, Socorro Lira, João Arruda e Rafael Altério que se juntaram a clássicos de Ataúlfo Alves, Alceu Valença e Luís Perequê, à uma adaptação de Villa Lobos para o cancioneiro nordestino e à interpretação bem particular, ao pandeiro, de Insensatez (Vinícius de Moraes e Tom Jobim). Depois de vários cantos de chegança que incluíram congadas que aprendeu na terra natal com Capitão Custódio, o “recoiê” homenageou Milton Nascimento por meio de Caicó.

Tantas tradições evocadas pelas canções e, em particular, entre os instrumentos, os tambores, são justamente o que caracterizam Consuelo de Paula. Sem querermos ceder concessão aos estereótipos, embora saibamos a força que os rótulos ainda exercem, dona de beleza cujos traços a assemelham a uma exuberante nórdica, a cantora estaria a priori mais para a formação erudita e se encaixaria, à priori, muitíssimo bem a uma banqueta de  piano (instrumento que ela queria aprender a tocar, ao seis anos de idade, mas não encontrou professor na cidade, o que a fez chorar). Consuelo, entretanto, mais do que seguir impulsos ou ceder a eventuais modelos, atendeu ao som interior de suas raízes e optou por se entender com as baquetas de tambores e as platinelas dos pandeiros, dando vazão a ritmos crioulos e tupis, pois independentemente do tom da pele e de estéticas, é, antes, filha das sagradas Alterosas, uai,  estado no qual confluem para o mesmo caldeirão ascendências diversas como a afro, a indígenas e a caipira.

Desta bendita conjunção, enfim, brotou uma açucena que se regou bebendo destas fontes universais e, mais do que se apropriar de manifestações do nosso multiétnico povo para traçar uma trajetória “alternativa”, as incorporou, tornando-se para além de lídima porta-voz uma referência para pesquisadores, novatos, olhos e ouvidos aos quais interessarem não a aparência, os badulaques e os apelos sedutores da arte, mas a essência que tempera e colore as tradições nas quais repousam a alma da nação. O gene do Brasil Profundo revela-se em sua obra e esta identidade também começou a se constituir dentro de casa.

Consuelo de Paula é filha de Luiz Gonzaga de Paula e Zélia Silva de Paula. O pai gosta de escrever versos, contar causos e é craque nos improvisos que um bom repentista sempre tem as manhas de produzir. A mãe responde pela segunda voz sempre que se reúne a família em cantorias (“foi o ritmo que uniu o casal nos bailes da cidade”, informou-nos Consuelo, lembrando que a avó paterna já cantava na igreja). A biografia de Consuelo de Paula registra, ainda, que ela “inventava” peças de teatro, tocava na fanfarra e fazia serenatas quando adolescente e, e em Ouro Preto, tocou repinique no Bloco do Caixão.

O talento e sensibilidade de Consuelo de Paula, portanto, além de virem do barro de sua aldeia e dos arredores, têm origem no sangue. É por meio deles que ela consegue enxergar entre o sol e o vento a poesia presente tanto em  pequenas flores ou no fluir e refluir “corriqueiro” de uma onda do mar, quanto na imponência de uma Mantiqueira e na grandiosidade dos oceanos. Consuelo de Paula é particular e, sem ser genérica, atlântica, humanista que em suas letras indica-nos caminhos pacíficos quando abre as retinas para entoar as singularidades e o que nos deveria  fazer a todos irmãos (quer sejamos palestinos ou judeus, cristãos ou ateus); guerreira, à medida que levanta a voz (sem esgarçar o tom) remando contra a maré do mercado do entretenimento e das tendências, vai descobrindo o seu lugar: em cada vez mais e mais numerosos corações. E  lá, em cada um deles, espera por nós, sempre com um sorriso espontâneo, uma declaração de amor!

Então, salve o santo, salve o samba, salve o maracatu, salve a moda, o cururu, a Folia, salve ela, êxtase que passa e (nos) perpassa, doce, mas forte, sutil, entretanto enfática, arrepio que depois do show em São Caetano do Sul agora roçará peles do outro lado do planeta: por meio de um programa especial da rádio Shiga, em 11 de fevereiro, os japoneses terão a honra e o prazer de conhecer o repertório de O Tempo e o Branco. Namastê!

paulo netho arte