Pereira da Viola abre “Com a Corda Toda”, do SESC de São Carlos

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Pereira da Viola é um dos talentosos violeiros que representam a cultura popular e os costumes de Minas Gerais (Foto: Marcelino Lima)

Pereira da Viola, um dos cantores e compositores mais destacados de Minas Gerais, será a atração nesta sexta-feira, 8 de agosto, do projeto “Com a Corda Toda”, que o SESC de São Carlos promoverá como uma das atividades do “Mês da Cultura Popular”, com ênfase no Dia do Folclore, comemorado em 22 de agosto.

A apresentação está marcada para começar às 20 horas, sem cobrança de entrada. Em 22 de agosto, o palco estará reservado a Paulo Freire, de Campinas. Já para o dia 29 o público terá a oportunidade de ouvir Rodrigo Zanc, que reside em São Carlos.

A obra de Pereira da Viola está registrada em álbuns como Tawanará, Viola Étnica, Apkalô e Pote, este gravado em parceria com o conterrâneo de Olhos d’Água, Wilson Dias. Os trabalhos autorais conservam as características marcantes da história pessoal vivida na comunidade Vale do Mucuri (MG)*, local no qual cresceu e onde assentam suas raízes. Suas composições são permeadas pela riqueza poética, melódica e diversidade rítmica da música regional e da cultura popular, com traços marcantes de religiosidade e de elementos presentes em festejos tradicionais.

De São Carlos, Pereira da Viola viajará até Campinas, onde encontrará Wilson Dias para mais uma edição do projeto “Arreuni”, que João Arruda organiza mensalmente no Centro Cultural Casarão do Barão, distrito de Barão Geraldo. Ao lado do anfitrião, e contando ainda com participação de Tião Mineiro, a dupla cantará e tocará seus instrumentos neste domingo, 10, a partir das 19 horas. Ao final do show, a plateia contribui com o valor que puder dispor, depositado em um chapéu.

 Programação do projeto “Com a Corda Toda”, sempre às sextas-feiras, às 20 horas

8 de agosto, Pereira da Viola/22 de agosto, Paulo Freire/29 de agosto, Rodrigo Zanc

*O Vale do Mucuri abrange uma área de 23.221,40 km² e é composto por 27 municípios: Águas Formosas, Carlos Chagas, Crisólita, Franciscópolis, Machacalis, Malacacheta, Nanuque, Novo Oriente de Minas, Pavão, Poté, Serra dos Aimorés, Umburatiba, Teófilo Otoni, Ataléia, Bertópolis, Campanário, Caraí, Catuji, Frei Gaspar, Fronteira dos Vales, Itaipé, Itambacuri, Ladainha, Ouro Verde de Minas, Pescador, Santa Helena de Minas e Setubinha.

“Arreuni” de agosto promove encontro de três violeiros de MG com João Arruda

Arreuni Agosto

O Barulho d’Água Música voltará mais uma vez a Campinas (SP) para bater em seu cartão de ponto o acompanhamento de mais esta edição do “Arreuni”, desta vez juntando no palco do Centro Cultural Casarão do Barão, em Barão Geraldo, os violeiros Wilson Dias e Pereira da Viola. Ambos serão recebidos pelo anfitrião João Arruda, que ainda chamou para a roda Tião Mineiro, cuja carreira recentemente alcançou meio século. 

Dia de Pachamama, festa milenar do norte argentino, berço de Maryta de Humahuaca

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Representação de Pachamama, ou Pacha Mama, divindade que gera a riqueza, a sabedoria e tudo o que nutre os povos andinos do Chile, da Bolívia, do Peru e da Argentina, celebrada há mais de 10 mil anos

A sexta-feira, 1º de agosto, para alguns irmãos de países vizinhos da América do Sul, foi dia de celebrar “Pacha Mama” ou “Pachamama” (do quíchua Pacha, “universo”, “mundo”, “tempo”, “lugar”, e Mama, “mãe”, “Mãe Terra”), deidade máxima dos andes peruanos, bolivianos, do norte e do noroeste argentino e do extremo norte do Chile. A deusa é aquela que produz, gera. Reza a tradição que sua morada está no Cerro Blanco (Nevado de Cachi), em cujo cume há um lago que rodeia uma ilha habitada por um touro de chifres dourados. 

Este animal, ao mugir, expele nuvens de tormenta pela boca, mas deste arroubo não se sucedem desgraças. Nesse dia, em retribuição, enterra-se em lugares próximo da casa panelas de barro com comida cozida. Também se põe coca, yicta, álcool, vinho, cigarros e chicha para alimentar Pacha Mama. Os nativos adornam-se com cordões de fio branco e preto, confeccionados com lã de lhama, enrolando-os à esquerda. Esses cordões se atam nos tornozelos, nos pulsos e no pescoço.

O Dia de Pachamama nos remete à cantora Maryta de Humahuaca, da cidade de Humahuaca, encravada na província de Jujuy, Argentina, situada a 1.500 km de Buenos Aires, próxima à fronteira com a Bolívia e o Chile. O blog conheceu Maryta em 16 de março, quando o cantor e multinstrumentista João Arruda a convidou para ser uma das atrações da primeira edição deste ano do projeto “Arreuni” ao lado do violeiro Levi Ramiro e o grupo de música folclórica andina Chasky.

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Maryta de Humahuaca durante show em Campinas/SP (Foto: Marcelino Lima, março de 2014)

Em sua apresentação no Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP), ela deixou-nos hipnotizados ao entoar com devoção de quem liberta do âmago um canto índigena uma das músicas de seu álbum, justamente chamada “Pachamama”. Por quase cinco minutos, o hino ancestral apoiado pelas ritmadas batidas dela em um tambor argentino do período pré-incaico ecoou forte pelo recinto. Brilhava apenas o facho do holofote dirigido a ela. Criou-se uma atmosfera de misticismo e comunhão com o sagrado em que muitos rostos mantiveram-se estáticos e fixos na intérprete, como se estivessem suspensos ou em transe, incluindo o do anfitrião, João Arruda. Apenas a lembrança desta experiência já é suficientemente forte para até hoje arrepiar a pele.

Sempre de forma efusiva e vibrante, o que é uma característica dos cantores das correntes ibero e latino-americanos, naquela ocasião em Campinas Maryta ainda tocou violão e bailou, tanto sozinha, quanto acompanhada por integrantes do Chasky, e enfeitou os pesçocos dos músicos com colares de flores. Em 29 e 30 de julho, ela esteve de volta ao país, desta vez para participar do XIV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (GO). Felizes os que puderam compartilhar e comungar com ela mais estes instantes.

Humahuaca e suas festas

A Quebrada de Humahuaca tem mais de 10 mil anos e é declarada pela UNESCO Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria Paisagem Cultural. Neste longo período tem sobrevivido intactas no vale entre montanhas expressões culturais que são refúgio de tradições originárias, de costumes ancestrais, de celebrações religiosas e de ritos pagãos.

Nesta terra milenária, o culto às divindades ancestrais como a Pachamama convivem com as celebrações do santoral católico em autênticas festas populares: carnavais agitados, alegres encontros de artistas, emotivas peregrinações. Em uma celebração permanente da vida em si mesma, crianças, adultos e anciãos se reúnem ao pé dos cerros coloridos e percorrem as ruas entre música, sabores, bailes e orações.

Os pequenos dançam entre fitas coloridas nas esquinas do povoado adorando o Niño Jesús (Menino Jesus) durante as comemorações do Natal. Em janeiro a música e o canto enchem de cor as ruazinhas de Tilcara para viver uma das mais tradicionais festividades folclóricas do Norte da Argentina: “O Janeiro Tilcarenho”. No mês de fevereiro, as máscaras representem um antigo ritual do Carnaval. Ao longo da Semana Santa, a música dos sikuris chega como em procissão, baixando desde os cerros. Do interior das igrejas são levadas às ruas imagens das santas padroeiras, virgens que os povos originários veneram. Torna-se impossível não aderir ao aplauso popular.

Quando o inverno começa, o Deus Sol também ganha festas, “O Inti Raymi”, pois chegará logo um novo tempo de colheita; será, então, o momento de render graças à “Madre Tierra”. No mês de agosto, a “Virgem da Assunção” terá sua festividade em Casabindo, na região da Puna, com o particular “Toreo da Vincha”.

Assim, durante o ano todo, Jujuy, agradecido, é pura festa. Na Quebrada de Humahuaca, como em todo Estado, um nutrido calendário de festividades religiosas marca o enraizamento da fé católica no povo do lugar. A adoração da divindade milenária Pachamama é acompanhada de comidas e bebidas em evento ancestral cuja presidência cabe ao mais ancião dos moradores de cada povoado.

A cerimônia se realiza ao amanhecer, antes que caiam os primeiros raios de sol. Nas beiras dos caminhos, no alto dos cerros e nos jardins das casas se confeccionam com pedras ‘apachetas’ em cujo interior se enterram as oferendas à Madre Tierra. Este culto é um dos mais sentidos, tradicionais e respeitados de toda a região Norte argentina, mas não é um espetáculo: para participar da cerimônia à Pachamama, o turista deve ser muito respeitoso.

Circuito Dandô chega em Araguari e em Uberlândia com Katya Teixeira, João Arruda, Erick Castanho e André Salomão

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As cidades mineiras de Uberlândia e de Araguari entraram no roteiro de apresentações do “Dandô, Circuito de Música Dércio Marques”, projeto idealizado por Katya Teixeira, cujo patrono é um dos mais significativos artistas populares que o Brasil já viu brotar em todos os tempos. Para as edições deste mês, Katya convidou João Arruda, de Campinas, e dividirá o palco com ele em ambos os municípios, a partir das 20 horas.

Em Uberlândia, a cantoria terá Erick Castanho como anfitrião na sexta-feira, 25, e está marcada para o Átrio, localizado na avenida Afonso Pena, 3538. Araguari vai recepcionar Katya e Arruda no dia seguinte, quando o anfitrião será André Salomão, na Casa de Cultura Abdalla Memeri (rua Coronel José Ferreira Alves, 1098).

Katya Teixeira é cantora, compositora e instrumentista que cresceu no seio de uma família de músicos. Empreende a carreira em perfeita sintonia com a energia telúrica, fortemente influenciada pelo folclore e pela música latina, trabalho que gera uma síntese ecológica e consegue promover admirável encontro com a riqueza musical oculta ou esquecida em várias regiões do país. Seguindo sem concessões a trilha de uma proposta musical definida, que é a de pesquisar e mesclar a cultura dos povos de todo o mundo como um reflexo do Brasil, Katya Teixeira guarda um repertório variado, harmonizando voz, violão e rabeca acompanhados de violões, bandolins e percussão, obtendo assim timbres e nuances de grande beleza.

A discografia em vinte anos de estrada registra os álbuns Katxerê, Feito de Cordas e Cantigas, Lira do Povo e 2 Mares, este em parceria com araguarino Luiz Salgado. A voz e arte dela também enriquecem os discos de diversos amigos cantores, seja por meio do seu canto, seja pelos desenhos e projetos gráficos dos encartes que assina.

Ao idealizar o “Dandô – Circuito de Música Dércio Marques”, Katya Teixeira pensava em fomentar a circulação de música por todo o país, reunindo artistas de várias regiões para criar um intercâmbio e gerar novas plateias. Quem já se apresentou desde 2013 possui trabalhos reconhecidos, mas poderia ter uma melhor projeção no panorama nacional e proporcionar às pessoas o acesso a música de qualidade produzida fora da “grande mídia” nacional.

Um artista saindo de cada cidade e passando por todos os pontos do circuito em uma caravana contínua. Cada edição conta sempre com um artista do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente 1h30. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

JOÃO ARRUDA

Músico, violeiro e produtor fonográfico, João Arruda é considerado um dos jovens promissores músicos da linha da viola brasileira. Nascido em Campinas (SP), comprometeu-se com a valorização e a recriação de temas e canções da cultura popular brasileira, bem como de outros países. Seu trabalho está presente em mais de 15 álbuns nos quais atuou como artista convidado.

Arruda participou da IV Mostra da Canção Brasileira Independente (Centro Cultural Banco do Nordeste) e em sua trajetória constam ainda turnês pelo Brasil e exterior. Com o grupo de Pífanos Flautins Matuá, por exemplo, integrou o projeto “Samarro´s Brazil” realizando shows na França e Itália. Em trabalho solo, percorreu a Argentina com seu show “Entre violas e couros”. É, ainda. idealizador e curador do projeto musical “Arreuní”, que promove encontros mensais com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros, entre os quais a argentina Maryta de Humahuaca. Em 2007 gravou “Celebrasonhos” e seu mais novo trabalho é “Venta Moinho”, lançado em 2013.

Katya Teixeira e João Arruda também vão cantar no domingo, 27, desta vez na Catedral das Artes, em Goiânia, a partir das 17 horas, com participação de Vitor Batista. O endereço é Rua Campo Verde, 15, Bairro Santa Genoveva.

João Arruda: aniversário de um brincante no Dia do Trovador

 

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João Arruda com a cantora Carol Ladeira, durante o “Arreuni” de julho, projeto que ele mensalmente coordena no Centro Cultural Casarão do Barão, em Campinas (Foto: Marcelino Lima)

João Arruda é cantor, compositor, multi-instrumentista, uma pessoa encantadora, um homem irrequieto que traz em si um menino notavelmente inspirado e criativo. Ontem, 18, Dia do Trovador, personagem que ele poderia ser, além de festeiro e brincante, completou mais um ano de vida! Que muitos venham ainda, amigo, e que sejam repletos de alegrias e sorrisos, os mesmos que você nos transmite e irradia, sucesso e paz! Inté dia 10 em mais um Arreuni ai na bela Campinas!

“Arreuni” de julho: energia, luz e diversão ao som de violas, chocalos e tambores

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O ensaio do “Arreuni” já foi uma mostra da qualidade do espetáculo que o público veria nesta edição que teve congada, batuques de terreiro, reizado e modinhas populares (Fotos Marcelino Lima)
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Lilian Fulô

O Centro Cultural Casarão do Barão, em determinado momento, já se aproximando o final da edição do projeto “Arreuni” promovida no domingo, 6 de julho, ficou quase às escuras. Ouviu-se dois ou três estrondos, mas as cinco estrelas que estavam no palco seguiram pulsando cantoria e  batucada, agora em pé, colocando o salão quase em transe, a plateia marcando o ritmo de um sagrado terreiro nas palmas da mão. A energia elétrica não chegou a faltar, mas se o apagão momentâneo atingisse toda a gigante Campinas, daquele canto do bairro Barão Geraldo a luz que emanava seria mais do que suficiente para ninguém, em imóvel algum,  ter de ficar à mercê de velas, lanternas ou lamparinas para prosseguir com suas atividades.

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João Arruda e Carol Ladeira

Já  durante os ensaios, o versátil e irrequieto promotor João Arruda e os convidados Katya Teixeira, o casal Luiz Salgado e Lilian Fulô e a convidada Carol Ladeira deram mostras de que o encontro seria dos mais marcantes, memorável para quem acompanhasse, mais tarde, a apresentação. Alegria, descontração, bom humor e muita afinidade seguiram em alta na hora do show e serviram de apoio para o rico e poético repertório ser desfiado ao som de viola caipira, violões, rabeca,  instrumentos trazidos da França por Arruda (uma vielle a roue, batizada de mourinha, que soa à manivela, mais um kaiomb, chocalho das Ilhas Reunião), guizos que reproduzem inclusive o correr de uma cascata e os tambores manejados por Lilian Fulô.

Entre as músicas, Katya e Luiz Salgado escalaram do recente álbum lançado por ambos, o 2 Mares, “Tema Incidental Duas Ventarolas”,  “São Gonçalinho”, “São Gonçalo do Brasil”, e “Deusa da Lua”. Katya ainda prestou homenagem à Cesária Évora com “Sodade”, Violeta Parra, com “La Jardinera”, e fez lembrar a rainha Inezita Barroso com “Marcolino”, cuja letra também tem a chama de Pena Branca. Salgado reverenciou Dércio Marques com “Leilão de Jardim”, um poema de Cecilia Meirelles, e entre um causo e outro, além de troca de anedotas com Arruda, cantou com devoção “Décima de Reis”, folia de reis que faz referência ao poder atribuído à cor de cada uma das fitas que enfeitam o cabo de sua requintada viola.

Katya Teixeira

 

Sempre com o acompanhamento de Lilian Fulô na percussão, João Arruda também entrou na roda e soltou a voz. Em duo com Katya e Salgado apresentou “Pega pega”, de Paulo Gomes, mais faixas do recente álbum Venta Moinho. Carol Ladeira completou a festa trazendo logo de saída “Deus me proteja”, de Chico César. Outro Chico, o Saraiva, é autor com Makely Ká de “Do meio do mundo”, que interpretou acompanhada pelas cordas de Arruda. Todos juntos, antes da despedida, entoaram músicas de ponto reverenciando Ogum e congadas.

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Luiz Salgado

O “Arreuni” tem apoio do Governo do Estado, por meio do PROAC, vinculado à Secretaria Estadual de Cultura, entidades, empresas e órgãos municipais de Campinas. Em 10 de agosto, João Arruda receberá os violeiros de Minas Gerais Wilson Dias e Pereira da Viola.

 

 

   

   

 

 

   

João Arruda recebe Luiz Salgado, Katya Teixeira e Carol Ladeira em mais um “Arreuni”

O Barulho d’Água já está selando o cavalo e preparando a mucuta que levará no embornal para à tardezinha pegar as sendas rumo a Campinas. Vamos apear no Centro Cultural Casarão do Barão (Rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número) para prestigiar mais uma edição do “Arreuni”, agradável encontro que  João Arruda promove todos os meses. A partir das 19 horas, de hoje,  as atrações serão Carol Ladeira, Luiz Salgado, Katya Teixeira . É um pulinho só, logo a gente pega a estrada de volta e conta tudinho, como foi a prosa e a cantoria! 

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Luiz Salgado empunha a bandeira de defesa das belezas e fé dos povos do Cerrado

Luiz Salgado canta as belezas do cerrado e as tradições de um povo cuja fé torna as pessoas mais fortes (Fotos de Nalu Fernandes)

“Eu sou salgado como o mar, calmo como rio em dia de cheia/sou forte como o carcará, eu sou jequitibá que não titubeia”

Luiz Salgado, em“Raízes”, do álbum Trem Bão

Luiz Salgado é cantor e compositor nascido em Pato de Minas, atualmente residente em Araguari (MG). De acordo com a própria forma de se apresentar, procura revelar a alma simples do povo ao tocar e cantar  suas modas. Para tanto, costura seus estandartes com elementos simples e ao mesmo tempo relevantes, característica que se soma à irreverência pessoal, ao bom humor e a profícua capacidade de recolher e contar causos. A preservação do bioma cerrado e de toda fauna e flora, assim como das culturas mineira e brasileira, é outra meta deste expoente da viola caipira que integra o Projeto 4 Cantos ao lado de Cláudio Lacerda, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira. O mais recente trabalho, em parceria com Katya Teixeira, o álbum “2 Mares”, esteve cotado para receber o troféu de melhor da música neste ano na categoria regional.

“A cultura é um canal transformador e criador”, declara Luiz Salgado. “Meu trabalho é fincado na expressão musical arraigada no Brasil profundo, eleva a música que emana das tradições e das festas populares, da Folia de Reis, do Congado e da viola caipira”. Com acordes, ponteados e versos que ilustram poeticamente as belezas do cerrado, as criações dele acabam por se constituir em uma atitude protagonista e militante, uma ferramenta e um brado de resistência e de combate — como é, por sinal, bravo e obstinado o próprio meio que ele retrata.

“O cerrado tem uma particularidade encantadora: mesmo em uma região que aparentemente está totalmente árida, sempre há uma flor vicejando, por menor que seja”, conta. “O mais fantástico é presenciar como, em pouco tempo, da aparente desolação é brota o verde de novo, colocando diante dos olhos lugares de pura exuberância”.

O folclore de Minas Gerais e todo o fervor religioso dos povos do sertão também encontram na obra de Salgado um pujante defensor e estão presentes em sua discografia. A lista começa por “Trem Bão”, tem “Sina de Cantadô”, o dvd “Noite e Viola” e “Navegantes”, este dedicado ao público infantil, além do “2 Mares”. Entre as faixas desta profícua e doce cesta de frutos dos mais variados, há parcerias dele com Consuelo de Paula, Cátia de França, Orquestra de Viola Caipira do Cerrado, Viola de Nóis, Trem das Gerais, Pena Branca & Manuvéi, Levi Ramiro e João Bá.

Recentemente, Salgado apresentou-se no SESC de Araraquara. Em 6 de julho, ao lado de Katya Teixeira e Carol Ladeira ele será atração de mais uma edição do “Arreuni”, projeto de João Arruda realizado sempre no Centro Cultural Casarão, em Campinas. O show está marcado para começar às 19 horas. Ao lado dos companheiros do 4 Cantos, em agosto de 2013, gravou participação no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin, quando cantou “Carcará, guardião do cerrado”. É um dos ganhadores do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira, entregue em junho de 2013 pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira , no Memorial da América Latina (SP).

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Com Katya Teixeira, o cantor mineiro produziu 2 Mares, que tem canções e cantigas das culturas do Brasil e de Portugal (Marcelino Lima)

Às margens do Ipiranga, a viola plácida de Levi Ramiro

Puxe a cadeira, estique as pernas, acomode-se: quando Levi Ramiro toca ele é orgânico, os sentidos se aguçam. É possível ouvir o correr sereno de um regato, traz o cheiro do mato nas cordas da viola e se sente na pele o arrepio do vento cortando invernadas.

Levi Ramiro, SESC Ipiranga,  Roberto Correa, Ricardo Vignini e Zé Helder,Orquestra Paulistana de Viola Caipira, Wilson Dias, Paulo Freire, João Arruda, Luciano Queiróz e Katya Teixeira.