Um momento de idílio, por um filho de Olhos d’Água

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No programa com Wilson Dias levado ao ar em fevereiro Rolando Boldrin contou causos e divertiu a plateia com sua irreverência

Ah, o Brasil, historicamente conhecido por tantas mazelas. Ah, mas por este imenso território de tortezas e torpezas afora, também há sutilezas, manifestações e pessoas muito ricas, cujos seus talentos e simplicidade ainda nos permitem saborear algum idílio. E um momento de rara poesia e de comunhão curtiu quem sintonizou Sr. Brasil e conferiu a apresentação do violeiro Wilson Dias no programa de Rolando Boldrin. Para começar muito bem a conversa e a cantoria, Boldrin declamou em um púlpito da Catedral da Sé (colocado no ar por meio de uma imagem recuperada dos arquivos da TV Cultura) poema em homenagem aos 460 anos da cidade de São Paulo. Wilson Dias é nativo de Olhos d’Água, cidade mineira que já chamou-se Miradouro e Mãe d’Água, cantor e compositor que tive a honra de conhecer e encheu meus olhos de água cantando “Deus é violeiro”. A obra prima é dele e do amigo, mestre, jornalista, poeta e fotógrafo João Evangelista Rodrigues.

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O mineiro de Olhos D’Água apresentou músicas em parceria com Evangelista Rodrigues e homenageou Cesaria Évora, cantora do Mindelo, em Cabo Verde

E não foi só! Afora os causos, aqueles temperos que o Boldrin e os convidados sempre acrescentam para deixar o Sr.Brasil ainda mais maneiro, com aquele gostinho de que precisamos urgentemente voltar a nos dedicar ao que é simples, ao que é mais humano (uma vida na roça, eu diria, em pegada carpe diem, não de correria e de sufoco no trânsito, empacado no túnel sob a Faria Lima; e a volta ao prosaico antes que a corredeira, o abismo água abaixo da vida surja à proa!), Wilson Dias ainda cantou “Anjo Negro”, dele e de Miguel Canguçu, e “Canção do Além Mar”. A letra desta é dele e de Evangelista Rodrigues, grata homenagem à cabo-verdiana Cesaria Evora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011). As três músicas integram “Lume”, mais recente disco de Wilson Dias, o sexto da carreira.

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Rolando Boldrin apresenta “Lume”, sexto disco da carreira do violeiro autor da canção “Deus é Violeiro”, com letra de Evangelista

O programa foi ai ar em 23 de fevereiro. Com Wilson Dias tocaram Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão) e Rodrigo Salvador (rabeca e bandolim). Para os que não tiveram a oportunidade de assistir e ouvir, basta clicar nos linques abaixo!

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/deus-e-violeiro-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/anjo-negro-por-wilson-dias-e-miguel-cangussu-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/cancao-de-alem-mar-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

Lume de Olhos d’ Água, pedra de encanto e de belezas

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Exemplar de “Lume”, lançado em BH, em novembro de 2013, autografado com carinho pelo querido Wilson Dias

 

Resgato do meu Facebook este texto de novembro de 2013:

Olha ai, galera, o que me esperava em casa quando cheguei do trabalho hoje: O novo álbum do violeiro Wilson Dias,Lume“, o sexto da carreira! O disco, que estou curtindo agora, foi feito em parceria com a querida Déa Trancoso, o talentoso e multinstrumentista André Siqueira e ainda tem a participação de Ná Ozetti, entre outros músicos de primeira. Muitas das letras são de autoria do Wilson com o João Evangelista Rodrigues, com o qual o mineiro de Miradouro (antiga Olhos d’Água) já trabalhou em “Pote“, ainda com o acréscimo do Pereira da Viola para deixar aquela obra mais bela! Wilson Dias está, atualmente, em Belo Horizonte, onde lançará “Lume”, oficialmente, na noite de quarta-feira, 20 de novembro, no Sesc Palladium. Toda esta gente boa citada nas linhas acima lá estará. Eu também estaria caso não tivesse por aqui minhas obrigações profissionais, que pena!

Meu exemplar de “Lume” baixou aqui autografado, e não veio só, não! No mesmo pacotim que os Correios entregaram acompanhavam-no um exemplar de “Outras Estórias” e de “Pequenas Histórias“, primeiros trabalhos do Wilson Dias, para completar minha coleção dele que já tinha “Mucuta” e “Picuá“, além de “Pote” e o “Viva Viola” — este reunindo timaço no qual ele compartilha o palco com Pereira da Viola, Bilora, Joaci Ornelas, Gustavo Guimarães e ainda Chico Lobo, uau, uai!

Bom, agora, se os amigos me dão licença, vou curtir estas preciosidades, ouvi-las até enjoar, se isto, claro, for possível. Obrigado Wilson Dias, Déa Trancoso, André Siqueira, Pedro Henrique Gomes, Nilce e pessoal da Picuá Produções! Parabéns a todos por mais esta pedra preciosa, repleta de luz e belezas, de lume, propriamente dito. Casa cheia os aguarde e os aplauda na quarta-feira, em BH, queridos. E que este “Lume” alumie por aqui, e por acolá também!

Nota: “Deus é violeiro”, de Wilson Dias e do João Evangelista Rodrigues, abre o Lume: assista aqui a apresentação dela ao programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin:

Marcelino Lima, Wilson Dias e Katya Teixeira, após show dele no SESC Consolação (agosto 2013). Na plateia estiveram ainda Levi Ramiro e Julio Santin.

Sob a mesma “nuvem” raízes, pássaros e cantadores

Eita que dentro do novo disco do Levi Ramiro, “Capiau“, a frase “os dispostos se atraem”, do Fernando Anitelli, de “O Teatro Mágico”, consumou-se a mais pura verdade! Não é, moço, que na “alma” daquela esfera e no livreto do encarte couberam uma mata inteira de passarinhos variados, além de uma constelação de gente boa que transita no universo caipira e regional da música de raiz? Começa que as ilustrações do álbum em papel reciclado brotaram da pena da Katya Teixeira. E ela ainda solta aquela voz poderosa em duas das 15 faixas! Uma delas, “Encantado”, é dedicada a São Dércio Marques, cujo homem outrora encarnado já emplumou e, mais do que uma estrela, hoje se tornou imensa nuvem que arreúne muitos seguidores, envoltos em agradável sombra.cd-capiau

As letras de “Capiau”, quando não são do próprio Levi Ramiro (que enquanto canta e dedilha as próprias violas, próprias não por serem objetos dele, apenas, mas por ter sido ele mesmo quem as artesanou!) têm assinatura do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, ou, ainda, de ambos em combinação. Se falha uma o parceiro é Wilson Dias, mineiro que de vez em quando me enche os olhos de água e que no disco também nos encanta em duas cantorias.

Vamos adiante porque a prosa e as modas prosseguem com participações de Carlinhos Ferreira, Marcos Azevedo, Carlinhos Campos. E fecha com aquele irrequieto e criativo menino de Campinas, o pequeno notável João Arruda! E está achando que pára por ai? Ah, pois vai ouvindo, vai ouvindo: você ainda vai dar por ali com o mestre Paulo Freire, Adriano Rosa, Gustavo Guimarães, Júlio Santin, Luciano Queiroz, Bilora Violeiro, Rodrigo Delage, Thadeu Romano e o bom amigo que está sempre a festejar conosco, Cláudio Lacerda.

Olha, aqui, vamos combinar uma coisa, amigo (a)? Nesta lista ainda há um monte de nomes a serem mencionados e não quero deixar ninguém sem o reconhecimento do seu mérito. Então, faça assim, oh: entre em contato com o Levi Ramiro, encomende o seu exemplar do “Capiau”, e aguarde pelo carteiro. De posse da caixinha, dê umas esfregadas nas mãos, leve o poeta para um cantinho sossegado da sala, ou do quintal. Acomode-se em sua cadeira preferida debaixo daquela árvore que te dá sombra e frutos, munido de um recém-coado bule de café, ou de um pouco daquela boa que te trouxeram das Gerais, de Goiás, da Bahia, do Piauí e de onde quer que seja estava reservada para uma ocasião especial. Antes de por o disco para rodar, leia todas as informações, prestando bastante atenção ao alerta do Evangelista e nas ilustrações da Katya Teixeira; isto, assim mesmo, sem afobação, com o passo das águas de um regato que corta os fundos de um sítio ou chácara e não precisa de pressa para correr, como sabiá que pousou no galho da laranjeira e não quer mais bater asas dali. Então, simplesmente escute e ouça…

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O violeiro e compositor Levi Ramiro reúne pássaros de vários timbres no álbum “Capiau”, que tem encarte preparado por Katya Teixeira, letras de João Evangelista Rodrigues e homenagem a Dércio Marques (Marcelino Lima, Campinas, março de 2014)