1299 – João Mulato, parceiro de Bambico e de Pardinho, deixa de luto música de raiz

Mineiro que vivia em Bauru, no Interior paulista, fez história como primeiro violeiro canhoto e integrante de várias duplas, cujo acompanhante sempre se chamou Douradinho, e era admirado pelo rigor estilístico

O cantor e compositor mineiro João Mulato, que se tornou célebre no meio sertanejo de raiz ao lado de vários parceiros com os quais formou sucessivas duplas batizadas sempre como João Mulato e Douradinho — a primeira delas iniciada no começo dos anos 1970, ao lado de Bambico (Domingos Miguel dos Santos, violeiro de fundamental importância na criação do ritmo do pagode de viola)– morreu na segunda-feira, 20, em Bauru, cidade do Interior de São Paulo, onde residia há 12 anos. Mulato, desde há cerca de um ano, combatia um câncer que se expandiu por vários órgãos e não mais respondia às sessões de quimioterapia, levando o seu estado clínico a piorar e a obrigar na sexta-feira, 17, a sua internação no Hospital Estadual de Bauru. Aos 69 anos, ele não mais resistiu. A filha, Daniella da Silva Leôncio de Melo, confirmou a passagem e comentou que o pai foi um ídolo que admirou até o último dia, apesar de admitir “diferenças” sobre as quais não entrou em detalhes, pois “o respeito foi mútuo”. O que importou mais para Daniella frisar é que Mulato “era artista e seus únicos e grandes amores foram a viola e a música, as quais ele se dedicou. Não admitiu erros. Por isso, suas músicas foram marcantes e seus arranjos, inesquecíveis“.

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848 – Violeiro Anderson Baptista não resiste à gripe H1N1 e morre em Campinas (SP)

O Barulho d’água Música lamenta informar que ocorreu na manhã de hoje, 8 de abril, a morte do músico e violeiro Anderson Baptista de Jezus, que ao lado de Rodrigo Nali formava o Duo Catrumano, de Campinas, além da dupla Anderson e Rodrigo Nali.

Ainda jovem, Anderson completaria 28 anos em 7 de junho, mas após uma semana internando no hospital da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucc) perdeu a batalha que travava para resistir às complicações da Influenza H1N1, a temida gripe suína, conforme notícia confirmada pelo produtor cultural José Carlos da Silva, da Juá Cultural Produção e Eventos. O velório começará às 16h30 no Cemitério Parque das Flores, situado na avenida Deputado Luis Eduardo Magalhães, 1505, que fica no bairro de Campinas Cidade Satélite Íris. O sepultamento do corpo ocorrerá amanhã, durante a manhã.

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767 – Guilherme Argentão, músico do Grupo Violado (SP), comemora hoje mais um aniversário!

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Guilherme Argentão (de camisa azul) e os parceiros com os quais gravou o segundo álbum do Grupo Violado: Fernando Tal (de gravata), Bruno Paparoti (de chapéu) e Filipe Rozinelli (Foto: Divulgação Grupo Violado)

A folhinha do Barulho d’água Música registra que hoje é aniversário do produtor cultural Guilherme Argentão, músico de Santa Barbara d’Oeste (SP) que integra o Grupo Violado de Música Raiz, no qual toca bateria e percussão. Guilherme e os amigos Fernando Tal (vocais e violão), Bruno Paparoti (viola caipira, violão e vocais) e Filipe Rozinelli (baixolão e violão) compõem a formação que no começo deste ano gravou uma autêntica viagem ao universo caipira por meio das faixas de Viola Enfeitiçada, segundo álbum o Grupo Violado cujo repertório de treze composições traz seis autorais e participações especiais de Rodrigo Zanc (violeiro de São Carlos, autor em parceria com Isaías Andrade da faixa título) do cantor Milionário (Sonho de um Caminhoneiro), do acordeonista Gerson Douglas (Chão Pantaneiro) e de Os Favoritos da Catira (Gato de Três Cores). 

O Grupo Violado está na estrada desde 2006 e, em 2009, lançou o primeiro álbum independente em disco e em vídeo, ao vivo. O trabalho batizado como Espetáculo de Viola reúne clássicos da moda de viola raiz e na ocasião o time atuava com Antônio Amaral Freire (violão e segunda voz) e João Paulo Froner (viola caipira), além de Guilherme Argentão, Fernando Tal e Filipe Rozinelli; o atual violeiro, Bruno Paparoti, é regente da Orquestra de Violas de Americana, cidade vizinha à Santa Bárbara d’Oeste. Espetáculo da Vida projetou o Grupo Violado no cenário da autêntica música de raiz e chegaram os reiterados convites para apresentações nos circuitos do Sesc São Paulo, teatros, festas de cidades e Virada Cultural Paulista, entre outros palcos, sempre acompanhadas por lotações plenas dos auditórios e numeroso público. O Grupo Violado também tem no currículo gravações em programas de televisão como Caminhos da Roça, de Mazinho Quevedo; Arena do Som, na TV Século XXI, e Terra da Padroeira na TV Aparecida.

O Barulho d’água tem o primeiro disco em seu acervo e o DVD correspondente gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, em Santa Bárbara d’Oeste, autografado por  Filipe e Guilherme. Volta e meia o álbum rola no Solar da Lageado, pois recria a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, clássicos de raiz  como A Volta do boiadeiro, de Sulino e Marrueiro, — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual este blogueiro se reencontrou assistindo justamente ao vídeo, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

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A canção destacada é a #3 de 17 do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro e uma releitura  de Vide, Vida Marvada, de Rolando Boldrin; para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Sempre volto aos quintais da infância, revisito tempos distantes e já meio esmaecidos que, na verdade, não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida — tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda recém cagada de boi ou  de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja.

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As memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente. O maior mérito que trabalhos como os discos do Guilherme Argentão e dos seus amigos é justamente este: impedem que morram ou fiquem relegadas nossas tradições, abrem a porteira que as aprisiona para que corram a galope, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito. Ah, então, vamos deixar de prosa e parafraseando Paulo Freire … vai ouvindo, vai ouvindo (e assistindo) e não se contenha se, de uma hora para outra, a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar!

Feliz aniversário, Guilherme Argentão, e sucesso sempre!

Repertório do álbum Viola Enfeitiçada

Para quem ainda não os possui, os dois álbuns e o DVD mencionados neste texto podem ser encomendados diretamente com os músicos que, assim como o Grupo Violado, mantêm perfis em mídias sociais.

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1 -Viola Enfeitiçada (Participação especial Rodrigo Zanc)
2- Pego Pesado
3- Sonho De Um Caminhoneiro (Participação especial Milionário)
4- Caçador
5- Ponto Fraco
6- Amor e Saudade
7- Não Fale Mal Da Viola
8- Malandro Da Barra Funda
9- Gato De Três Cores (Participação especial Os Favoritos Da Catira)

10-Chão Pantaneiro (Instrumental)
11-Difícil Encontrar
12-Liguei Pra Dizer Que Te Amo
13-Peça Meu Mundo

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Grupo Violado comemora cinco anos de gravação do primeiro DVD

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A partir da dir. Guilherme, Amaral, Fernando Tal, João Paulo e Filipe, do Grupo Violado, de SBO (Fotos: Azael Bild e Valter Guarnieri)

 

Já estou atrasado há quase um mês, mas acredito que, ainda assim, dá para enviar aqui pelo Barulho d’água (que nasceu bem depois e há apenas alguns dias) um abraço e desejar parabéns aos rapazes do Grupo Violado de Música Raiz, de Santa Barbara d’Oeste, cidade do Interior paulista. Em 22 de Guilherme, Filipe, Amaral, João Paulo e Fernando Tal, amigos e fãs comemoraram cinco anos de lançamento do primeiro DVD, gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, naquela cidade. Tenho o disco autografado por dois deles, Filipe e Guilherme, e desde abril, quando os conheci em Piracicaba, volta e meia o ponho para rolar e voltar a ter a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, o clássico de raiz “A Volta do boiadeiro”, de Sulino e Marrueiro — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual me reencontrei assistindo justamente ao DVD, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

A canção que destaquei é a #3 de 17 sucessos do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro. Entre os clássicos dos craques acima citados, o Grupo Violado apresenta “Pé de ipê”, “Amargurado”, “Moreninha linda”, “Chico Mineiro”, “Boiada Cuiabana”, “Empreitada Perigosa”, “Pagode de Brasília”, “Chora Viola”. A abertura é “Vide, Vida Marvada”, de Rolando Boldrin.

Para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Eu, por exemplo, voltei aos quintais da infância, revisitei tempos distantes e já meio esmaecidos que na verdade não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar as horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja. Acredito que as memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente, só esperando a hora de a porteira que as aprisiona se abrir ou ser aberta a modo de correrem a galope por campinas, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha, com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito.

Ah, então, vamos deixar de prosa. E parafraseando Paulo Freire, vai ouvindo, vai ouvindo e assistindo; não se contenha se de uma hora para outra a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar…

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Primeiro DVD do grupo, gravado em 22 de março de 2009, tem sucessos como “Menino da Porteira” e o pagode “Nove Nove”, de Tião Carreiro