Barulho d'Água Música

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959 – Expoentes paulistas da viola caipira se encontram no Casarão Cultural de Barão Geraldo (SP)

O Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo reservou quatro datas do comecinho do mês de junho para promover o I Casarão das Violas, apresentações que levarão ao local expoentes paulistas de variadas vertentes do instrumento de dez cordas. A primeira atração também será mais uma rodada do premiado projeto Dandô Circuito de Música Dércio Marques, que neste ano atravessa a quinta temporada. Em 8 de junho, o anfitrião João Arruda receberá Rodrigo Zanc, cantador de Araraquara residente na vizinha São Carlos. No dia seguinte, 9, o contador de causos radicado em Campinas Paulo Freire levará ao público o show O Violeiro descoberto. Para o sábado, 10, está escalado o grupo sul-mineiro Vento Viola que, na bagagem, trará para lançamento o segundo álbum da trajetória, Em Nome do Vento. Nestes três dias, as apresentações começarão às 20 horas. Já no domingo, 11, o grupo Catira de São Gonçalo abrirá os trabalhos às 18 horas. Uma hora depois, Levi Ramiro e Jackson Ricarte, de Pirajuí e São José dos Campos, vão se revezar ao microfone para encerramento do projeto.

O Centro Cultural Casarão está localizado na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número, na altura do KM 15 da Estrada da Rhodia (sentido Paulínia). Não há cobrança de entrada e a colaboração para o “chapéu” que ajuda a manter as atividades do Casarão, passado sempre ao final dos espetáculos, é espontânea.

Sobre as atrações

Rodrigo Zanc além de tocar gosta de pesquisar a viola brasileira e suas influências, há mais de 20 anos vem lutando incansavelmente e sem concessões pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. Em nome desta bandeira, já participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007. Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Pelo segundo ano no Dandô, Rodrigo Zanc também está à frente do projeto Viola para Dominguinhos (que retomará no segundo semestre) e integra o projeto 4 Cantos,  que ele e Cláudio Lacerda (Botucatu/SP) mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda, natural de Campinas (SP), possui destacado talento para tocar violas e instrumentos de percussão. Declara-se trovador apaixonado pela cultura e tradições populares e vem ganhando elogios como artista comprometido com a valorização e a criação de temas e canções da cultura popular brasileira e da América Latina. Além de músico, é produtor fonográfico. Sua obra pode ser encontrada em mais de 15 álbuns nos quais aparece como artista, convidado ou produtor. É constantemente requisitados para festivais, programas de rádio e emissoras de televisão e assina diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários e filmes. A trajetória musical inclui turnês por Brasil e exterior; com o grupo de Pífanos Flautins Matuá integrou o projeto Samarro’s Brazil realizando concertos na França e na Itália; já percorreu Argentina, Bélgica, Inglaterra e o País Basco com seu concerto Entre Violas e Couros. É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007 lançou Celebrasonhos. Seu mais recente disco solo é Venta Moinho (2013), mas já está preparando o terceiro “filho”, Entre Violas e Couros, apenas com canções autorais gravadas ao vivo.

Paulo Freire é de São Paulo, mas fixou-se em Campinas. A surpreendente e inesgotável capacidade de contar causos, bem como o modo peculiar de tocar viola (este blogue já testemunhou ocasiões em que, inclusive, colocou-a com o tampo inferior voltado para o público, tocando as cordas, portanto, com os dedos invertidos, ou de costas) são resultantes de sua incursão ao sertão de Urucuia, região situada no noroeste de Minas Gerais, onde teve contato com valores da tradição rural e bebeu nas fontes onde Guimarães Rosa ambientou o consagrado romance Grande Sertão: Veredas. Além de músico com viagens a vários centros da Europa carimbadas no passaporte, é escritor e entre outros já dividiu trabalhos com Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Luiz Tatit, Isa Taube, Cida Moreira e Ivan Vilela.

O  grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, reúne Clayton Roma César DameireLúcio Lorena e Aidê Fernandes. Em nome do Vento chegou em dezembro de 2016 e sucede Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro).”

Nascido do encontro de violeiros, catireiros e foliões de reis durante encontro casual no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular de Campinas, o grupo Catira de São Gonçalo completou o primeiro aniversário em 21 de maio.

Levi Ramiro brotou em Uru, situada na mesorregião de Bauru, e atualmente reside e em Pirajuí. Neste recanto, quando não está percorrendo a estrada ou pescando (hábito que por anos manteve em companhia do inseparável cão Pitoco, que recentemente partiu antes do combinado) também desempenha o ofício de luthier. Violeiros como Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG) e João Arruda (Campinas/SP) tocam instrumentos feitos por Levi Ramiro, mas ele começou a carreira, inicialmente, dedicando-se ao violão popular. Somente na década dos anos 1990 quedou-se pela viola caipira. Passou, então, a absorver e a trazer em suas dez cordas todo o universo cultural que forma suas raízes. Com base em valores da cultura caipira e misturando elementos que formam a música brasileira, Levi Ramiro compõe poeticamente a simplicidade da vida interiorana e já gravou nove álbuns, o mais recente intitulado Purunga.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade de Senador Pompeu (CE) para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e o xará Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade. O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão. Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral. Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde teve contato com rico acervo musical e dedicou-se a pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional. Neste ano lançou o primeiro álbum, Estrada Afora

Sobre o Circuito Dandô

Ao idealizar o Dandô Circuito de Música Dércio Marquesa cantora, compositora e pesquisadora paulistana de cultura popular Katya Teixeira pretendia fomentar a circulação de música de qualidade inquestionável por todo o Brasil, reunindo artistas de várias regiões, e, assim, além de criar intercâmbios, gerar novas plateias. Quem já se apresentou possui trabalhos reconhecidos e merece melhor projeção no panorama nacional, o que proporcionaria às pessoas acesso a outras linguagens e propostas produzidas fora da “grande mídia”.  Um artista sai de cada cidade e passa por todos os pontos do circuito, girando a roda de forma contínua. Cada edição conta sempre com uma atração do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente noventa minutos. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

O público de várias cidades de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás, de Pernambuco e do Distrito Federal já prestigiou shows da caravana, que neste ano chegará a Portugal, Argentina, Chile e Uruguai.

O objetivo de Katya Teixeira é, ainda, tornar popular o nome de Dércio Marques e seu inestimável legado não apenas para a música, mas para toda a cultura brasileira. Mineiro de Uberaba, Dércio Marques morreu em julho de 2012, em Salvador (BA), deixando como maior legado uma grande escola que transcende a composição musical e poética e propõe, ainda, uma postura mais íntegra e solidária de viver, voltada tanto para a preservação da natureza, quanto para o aprimoramento espiritual de cada indivíduo, sem deixar de lado o engajamento político e social. 

O Dandô recebeu em dezembro de 2014 o Prêmio Brasil Criativo na categoria Artes de Espetáculo/Música, no Auditório Ibirapuera (SP). Promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Hub e pela 3M, o Brasil Criativo contemplou 22 projetos  perante um público de mais de 800 pessoas. 

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952 – Sesc São José dos Campos promove estreia do álbum Estrada Afora, de Jackson Ricarte

O violeiro, cantor e compositor Jackson Ricarte agradou em cheio amigos e quem curte boa música com Estrada Afora, álbum de estreia da carreira acolhido para distribuição pela Tratore e em crescente projeção com os sucessivos convites para shows de lançamento que o cearense de Senador Pompeu (há duas décadas em São Paulo) vem recebendo. Uma destas apresentações transcorrerá  a partir das 18 horas do sábado, 20 de maio, quando Jackson Ricarte visitará o Sesc de São José dos Campos, cidade da porção paulista do Vale do Paraíba, logo após passagem, na véspera, por Cajati. Na Área de Convivência, o público poderá curtir gratuitamente as 13 faixas de Estrada Afora — entre elas, a instrumental Cearando na Viola,  que assim como as demais transitam entre a cultura do sertanejo nordestino e a do caipira paulista, sem deixar de expressar influências sonoras contemporâneas, marcantes nos arranjos. Do cururu ao baião, Jackson Ricarte desenha um mapa sonoro por vertentes e ritmos nacionais à medida que desfia composições de autoria própria ou de amigos tais quais Aidê Fernandes, Braga, Cícero Gonçalves, Luís Avelima, Levi Ramiro e João Evangelista Rodrigues. Repleto de elementos da brasilidade, o repertório que no disco fica ainda mais mestiço com as participações especiais de Dani Lasalvia, Cícero Gonçalves, Katya Teixeira, Ruthe Glória e Socorro Lira. O cedê conta com direção musical dos compadres Levi Ramiro e Ricardo Vignini e pode ser ouvido nas plataformas digital da Napster e Tidal.

O Sesc de São José dos Campos fica na Avenida Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas, e disponibiliza para mais informações o número de telefone (12) 3904-2000.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade do sertão do Ceará para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade . O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão.

Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante,(Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral.

Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde pôde ter contato com o rico acervo musical e dedicar-se à pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional.

Atualmente participando da Orquestra de Viola Caipira de São José dos Campos como assistente de regência do diretor musical Ivan Vilela, Ricarte também se dedica à arte de ensinar viola caipira na Casa de Cultura Rancho Tropeiro pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, situada em São José dos Campos. Como educador musical, já lecionou viola caipira no Instituto São Gonçalo, violão popular no Projeto Fábricas de Cultura, Iniciação Musical no projeto Vivencias Musicais na Escola SESI da cidade paulista de Salto, desenvolveu diversas oficinas e palestras de Viola Caipira nas Oficinas Culturais do Estado de São Paulo e em Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo.


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923 – Consuelo de Paula estreia projetos em Sampa e leva o Tempo e o Branco ao Rio

A primeira de três apresentação está marcada para 1º de abril, quando dividirá o palco do Centro Cultural Casarão, situado no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, com o violeiro João Arruda

O público que prestigia e admira a cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula (Pratápolis/MG) terá no próximo mês três oportunidades para vê-la tocar e (en) cantar. As apresentações em Campinas (SP), Rio de Janeiro e São Paulo promoverão espetáculos diferentes, um dos quais marcará, em 1º de abril, a estreia de Arvoredo – Os primeiros gestos da obra na Beira da Folha, projeto que Consuelo de Paula dividirá com o parceiro de estrada, violeiro, compositor e multi-instrumentista João Arruda. Ela e o anfitrião puxarão a cantoria a partir das 20 horas e prometem embalar amigos e admiradores da plateia do Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo com o resultado do processo criativo que ambos estão vivenciando, construído pelo diálogo entre diferentes linguagens – imagem, texto, e melodia – em um movimento por meio do qual fotografias e vídeos despertaram poemas, que despertaram melodias, que despertaram canções.

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894 – Juliana Amaral (SP) lança o quarto disco da carreira, Açoite, com direção de João Paulo Amaral

A coexistência do antigo e do novo pode ser entendida como um emblema brasileiro. O moderno brasileiro não extingue o arcaico, mas alimenta-se dele; herança colonial, açoite contemporâneo – tudo desigual e combinado. Deste casamento, nascem e persistem as tradições culturais brasileiras em toda sua complexidade, entre elas o samba e a música caipira. O encontro das pesquisas de Juliana Amaral e do irmão, João Paulo Amaral, que buscam, de diferentes modos, entender essas tradições desde um prisma reflexivo, é o mote para o projeto Açoite

Com direção musical e arranjos de João Paulo Amaral, compositor, pesquisador e um dos grandes nomes da viola caipira no país, o disco de Juliana Amaral traz canções inéditas, composições próprias e regravações, juntando um repertório que busca tensionar as relações entre tradição e modernidade, campo e cidade, tanto do ponto de vista poético quanto musical. Assim, são enfocados os diversos “açoites” do nosso tempo, de todos os tempos – solidão, abandono, violência, desamor, não-pertencimento.

Entre as releituras um dos grandes desafios foi gravar a monumental Matita Perê (Tom Jobim/ Paulo César Pinheiro), cuja orquestração original parecia indissociável da composição, mas que ganhou novo colorido com arranjo conduzido pela viola caipira de João Paulo Amaral. Para reverenciar o repertório caipira, estão Rio de Lágrimas, uma joia de raro lirismo composta por Tião Carreiro, Piraci e Lourival Santos, e Padecimento, moda de viola de Carreirinho, feita de modo tradicional em dueto com João Paulo. De Tom Zé veio Carta, canção que versa sobre as distâncias, os abandonos, aquilo que não podemos ou conseguimos dizer. Um Trem para as Estrelas, de Gilberto Gil e Cazuza, recebeu arranjo que combina ijexá e funk para que não esqueçamos dos navios negreiros que ainda estão por aqui. Há ainda Léo, rara parceria de Milton Nascimento, uma das principais referências da cantora, com Chico Buarque, e Vassalo do Samba, samba de beleza extraordinária de Ataulfo Alves.

Um dos grandes compositores do nosso tempo, Douglas Germano está presente com três inéditas: Cosme, um samba rápido que empresta de Mário de Andrade o cenário de Pauliceia Desvairada; Marcha do Homem Bala, que fala sobre o carnaval, nosso açoite primordial;  e Pra Rua, letra oportuna que Douglas escreveu para Juliana Amaral musicar, inaugurando a parceria dos dois. Há ainda Desvão, música de Juliana para poema de Humberto Pio, seu parceiro de música e vida, Gases Puro, canção de Lincoln Antonio para fala de Stela do Patrocínio que está no espetáculo Entrevista com Stela do Patrocínio – no qual Juliana atua há mais de dez anos – e Brado Aberto, tema instrumental composto por João Paulo Amaral.

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Em oposição ao disco anterior, SM, XLS (sigla para Samba Mínimo, Extra Luxo Super), em que cantava acompanhada apenas de um instrumentista em cada faixa, Açoite apresenta uma sonoridade intensa, quase extrema, explorando os limites de cada instrumento, com uma formação musical que inclui, além das vozes e da viola caipira, violão, guitarra, bateria, contrabaixo e teclados. Para isso, Juliana contou com a colaboração de grandes músicos da cena instrumental paulista: Alberto Luccas (contrabaixo acústico), Gustavo Bugni (teclados), Rodrigo Digão Braz (bateria), além do próprio João Paulo Amaral (viola caipira, violão e guitarra).

Sobre Juliana Amaral

Cantora, compositora, escritora e atriz, Juliana Amaral canta profissionalmente há 23 anos. Tem três discos autorais lançados: Águas Daqui (2002, Lua Music), Juliana Samba (2007, Lua Music) e SM, XLS (2012, Selo Sesc), além de participações em inúmeros espetáculos, discos e DVDs de músicos, compositores e orquestras, no Brasil e exterior.

Açoite, seu quarto álbum, nasceu após show realizado com João Paulo Amaral, seu irmão violeiro, em junho de 2013. “Depois de mergulhar na poética do samba, e chegar muito perto do silêncio, sinto que é hora de sangrar. Por isso, o disco se chama Açoite. Porque o mundo não está fácil. E é preciso falar sobre ele, sobre nossas dores, escancarar o peito, rasgar a pele, mostrar as feridas, pra tentar transformar toda essa violência em beleza. Encantar pra subir, fazer do açoite, bálsamo. Devir”, explica.

Multiartista, a cantora se apresentou durante 12 anos no Ó do Borogodó, tradicional reduto do samba e do choro em São Paulo. No teatro, atua na peça Entrevista com Stela do Patrocínio,  espetáculo encenado e dirigido por Georgette Fadel e Lincoln Antonio, sobre Stela do Patrocínio (1941-1997), interna psiquiátrica da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, cujo talento foi descoberto durante os trabalhos terapêuticos da psicóloga Nise da Silveira.

Juliana também é escritora, com dois livros lançados – Transitivos”, 2011 e Samba Mínimo, Extra Luxo Super, 2012 – e artista gráfica sócia do Estúdio Risco, coletivo de artistas de trajetórias variadas e múltiplas que presta serviços de arquitetura, cenografia, expografia, desenho de produto, desenho gráfico e videografia.

 


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870 – Orquestra Paulistana de Violas toca de clássicos a new age em unidades Osasco e Rio Claro (SP) do Sesi

Com entrada franca para todos os públicos, unidades do Sesi em Osasco e em Rio Claro, cidades de São Paulo, promoverão a partir das 20 horas, respectivamente nos dias 6 e 7, apresentações da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, com distribuição de ingresso a partir de uma hora antes do início da atração. Em ambas as rodadas, a plateia poderá ouvir ao som de violas caipiras de dez cordas clássicos tradicionais da canção do Interior brasileiro e será convidada a tomar lugar em uma viagem ao campo e ao mundo rural. Como ocorre em várias formações do gênero, a Orquestra Paulistana estimula a convivência entre gerações, pois é  constituída por pessoas de diversas faixas etárias e formações acadêmicas. Criada em 1997 pelo maestro Rui Torneze de Araújo, a Paulistana é considerada, hoje, uma das mais atuantes do gênero em território nacional e abraçou com talento e determinação a missão de formar público para melodias executadas em violas caipiras.

Esta tarefa vem sendo cumprida de forma elogiosa por meio de amplo repertório que além das incursões eruditas inusitadas e originais transita, ainda, pela MPB e por gêneros tais quais a chamada Música da Nova Era (new age). O aprimoramento ostensivo de seus integrantes, representados, em sua maioria, por instrumentistas amadores (18 violeiros e dois percussionistas), é o principal diferencial de sua perfeita execução. Em concertos de 60 minutos, o auditório ouvirá clássicos sertanejos como Rei dos Canoeiros, Pé de Ipê, Chalana e  até o Hino Nacional

O Sesi de Osasco fica na avenida Getúlio Vargas, 401, jardim Piratininga, ao lado da Policlínica da Zona Norte. Em Rio Claro o endereço é avenida M-29, 441.

Osasco é casa da primeira orquestra

O professor, compositor, pesquisador e violeiro Ivan Vilela (Itajubá/MG) é um entusiasta das orquestras de violeiros e ele próprio já regeu e fundou uma: a Filarmônica de Violas de Campinas, atualmente sob batuta de João Paulo Amaral, um de seus ex-pupilos. De acordo com Ivan Vilela, a viola vem angariando cada vez mais prestígio tanto no campo, quanto na cidade, como instrumento representativo da cultura popular brasileira e suas tradições e parte deste reconhecimento e afirmação se deve ao surgimento país afora, sobretudo no Interior paulista, de inúmeras formações congêneres. E Osasco, onde a Paulistana tocará nesta sexta-feira, 6, é justamente a cidade na qual de acordo com registros na imprensa e a palavra de vários músicos surgiu a pioneira.  

Corria 1969 quando por iniciativa do tenente Marino Cafundó de Moraes formou-se a Orquestra do Violeiro de Osasco. À época Cafundó estava à frente do Coral Santa Cecília e com vários amigos animou a celebração (em cujo altar  Monsenhor Camilo conduzia os rituais) executando a Missa do Violeiro do Brasil, considerada pelos fiéis que estavam na matriz que hoje é a Catedral da região episcopal de Osasco um espetáculo inesquecível. Em 10 de fevereiro de 1971,  o maestro fundou, oficialmente, a Casa do Violeiro do Brasil, permitindo a profissionalização dos músicos da incipiente Orquestra de Violeiros de Osasco.

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A Orquestra de Violeiros de Osasco (durante apresentação na Câmara Municipal da cidade) existe desde 1969 e é conhecida em vários países vizinhos e da Europa (Foto disponibilizada na internet, com crédito atribuído à Leandro Silva/PMO)

A Casa dos Violeiros do Brasil tem como objetivo desde o princípio o congraçamento dos artistas sertanejos e a defesa da música, da dança e do folclore brasileiros. Já é conhecida em países como Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Argentina, e Itália e algumas de suas gravações chegaram às mãos do Papa Paulo VI, entregues pelo cardeal Dom Agnelo Rossi.  Em caravana de 146 violeiros a Orquestra de Osasco promoveu a segunda Missa do Violeiro do Brasil da qual se tem notícia, agora em Aparecid (SP), sede do Santuário Nacional de Nossa Senhora  Aparecida e já teve como acompanhantes Sérgio Reis, Tonico e Tinoco e Cacique e Pajé, no palco do Teatro Municipal de São Paulo. Em julho de 1979 a execução de Ave Maria foi levada ao ar pelas TV Cultura e Rede Globo.

A Orquestra segue reunindo-se semanalmente na Casa do Violeiro, situada na Rua Libero Carnicelli, 459, Jardim Ipê. Às quartas-feiras tem ensaio aberto ao público, a partir das 20 horas, às sextas-feiras promove o Baile da Boa Idade, a partir das 19 horas. Já e na última segunda-feira de cada mês pode ser conhecida nas missas da Catedral de Santo Antônio. Para mais informações estão disponibilizados os telefones 55 (11) 3685-4558 e 55 (11) 99661-8874, além do endereço virtual contato@casadovioleirodobrasil.com.br

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862 – Ao tambor e ao violão, Consuelo de Paula anuncia: começa nova temporada do Imagens do Brasil Profundo em São Paulo

Para quem estava com saudade o reencontro com o projeto Imagens do Brasil Profundo transcorrerá a partir da quarta-feira, 4 de maio, e enseja que ficará entre os mais marcantes de todos os espetáculos congêneres já promovidos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. A cantora, poetisa e compositora Consuelo de Paula, aclamada pelo público que prestigia e cultua música de qualidade, é a primeira convidada do curador professor de Sociologia Jair Marcatti para a temporada. Mineira de Pratápolis radicada em Sampa, Consuelo de Paula ocupará o palco Rubens Borba de Moraes a partir das 20 horas. Não haverá cobrança de entrada para vê-la e ouvi-la tocando manifestações e os ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo, Samba, Baião e Maracatu que compõem o repertório de Tambor de Rainha, por meio do qual transmite com a emoção que a caracteriza memórias de vários momentos de encantamento e fascínio que guarda e a inspira desde os 13 anos quando, por exemplo, seguindo cortejos populares, sentiu-se estimulada a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar a paixão por batucar. Durante a apresentação, Consuelo de Paula alternará tambores e violão e até mesmo um pandeiro poderá entrar em cena para que ela desfile composições clássicas e autorais dos seis álbuns da discografia, entre os quais o mais recente, O Tempo e o Branco.

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855 – Noel Andrade e Blues Etílicos homenageiam Tião Carreiro, Rei do Pagode, no palco do Sesc Belenzinho (SP)

A Charrua Produções Artísticas convocou um dos mais premiados e conceituados violeiros da atual safra paulista, Noel Andrade, e a banda com mais anos de estrada do blues nacional, a Blues Etílicos, para um tributo ao ícone da música brasileira e da cultura popular, Tião Carreiro. A homenagem ao Rei do Pagode, por meio do blues, do rock, e da música caipira, está programada para começar às 21h30 deste sábado, 16 de abril, na Comedoria da unidade Belenzinho do Sesc de São Paulo. O ingresso já está à venda e custa entre R$ 6 e R$ 20. O endereço é rua Padre Adelino, 1.000, a uma caminhada leve da estação Belenzinho da linha 3 Vermelha do Metrô.

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