1121- Samba-enredo da Mangueira vai homenagear Marielle Franco, vereadora carioca morta por defender minorias

Ativista corajosa e defensora de pobres e de negros, executada no auge da vida , ela é uma das personalidades citadas na composição que tira a poeira dos porões e revela o Brasil que não está mencionado nos livros de história*

*Com Agência Brasil (EBC)

A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira cantará na Marques de Sapucaí durante o desfile do Carnaval 2019 da cidade do Rio de Janeiro (RJ) o samba-enredo História para ninar gente grande, que entre outras personagens homenageará a ex-vereadora do PSOL Marielle Franco. A “Verde-e-Rosa” iniciará sua passagem na passarela por volta das 2h40 da segunda-feira, 4 de março, e terá até 3h15 para apresentar o enredo que deverá levantar as arquibancadas e ainda cita os cantores Leci Brandão e Jamelão. A composição de Deivid Domênico, em parceria com Tomaz Miranda, Mama, Márcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino, foi escrita para tirar as poeiras dos porões, reverenciar quem foi de aço nos anos de chumbo, resgatar a história que a história não conta de mulheres, tamoios e mulatos e de um país que não está no retrato. Ou seja: a ideia é revelar  o ‘lado B’ de Pindorama desde 1.500, com versões mais críticas a feitos atribuídos a Pedro Álvares Cabral, Princesa Isabel, Dom Pedro I e Marechal Deodoro, entre outros “heróis” do almanaque tupiniquim.

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1109 – Matuto Moderno (SP) faz show para comemorar 20 anos de trajetória e convida André Abujamra

Apresentações da banda que divulga a música caipira com pegada de rock serão na Caixa Cultural São Paulo, com ingressos gratuitos*

A tradição musical do Sudeste brasileiro, ao som da viola caipira, parecia não ter nada em comum com o rock, até que cinco músicos se uniram para formar o Matuto Moderno no final da década dos anos 1990 e derrubaram a crença de que música de raiz atrai apenas tiozinhos. Desde então, a banda formada por Ricardo Vignini (viola caipira), Zé Helder (viola caipira e vocal), Edson Fontes (vocal e catira), Marcelo Berzotti (baixo e vocal), André Rass e Carlinhos Ferreira (percussão) tem se apresentado nos palcos mais nobres de São Paulo, em outras regiões do país e até no Exterior, com participações especiais de diversos artistas brasileiros. Agora, para comemorar 20 anos de trajetória, os matutos convidaram André Abujamra para tocar e cantar com eles, entre a quinta-feira, 20, e o domingo, 23 de setembro, no palco do teatro da Caixa Cultural São Paulo (veja a guia Serviços).

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1104 – Música do Brasil perde Zé Béttio, comunicador popular que está na raiz e na alma deste blogue

Apresentador que fez fama acordando o país com bordões e personagens que estão na memória do povo morreu, ironicamente, dormindo, em São Paulo

Já há quase uma semana, na segunda-feira, 27 de agosto, foi-se embora para o Plano Celestial Zé Béttio,  que alguns grafam também como Zé Bettio, considerado por muitos “o maior comunicador popular de todos os tempos”. Se pode gerar dúvidas  o jeito como se deve escrever o nome do apresentador dos programas de rádio que marcaram a minha vida, ainda na tenra infância, e são responsáveis, hoje, por eu estar à frente deste blogue, o título entre aspas, com certeza, é mais do que merecido e indiscutível.

Vou ficar com a opção Zé Béttio, ao qual e à cuja família envio meu respeito e reverências e transmito meus votos de pesar, para recordar que minha paixão por modas de viola (primeira razão do Barulho d’água Música existir) começou e se desenvolveu ouvindo clássicos como Poeira, com Duo Glacial; Chitãozinho e Xororó e “Sessenta dias apaixonado”, com a dupla homônima; Velha Porteira, com Lourenço e Lourival; Saudades de Minha Terra, com Belmonte e Amaraí; Flor do Cafezal ou Índia, com Cascatinha e Inhana; vários dos pagodes de Tião Carreiro e Pardinho; Moça do carro de boi, com Carlos Cezar e Cristiano; As Andorinhas, com o Trio Parada Dura; Menino da Porteira, com Sérgio Reis; A Gaivota, com Léo Canhoto e Robertinho; Berrante de Ouro, com Duduca & Dalvan; Estrada da Vida, com Milionário e José Rico, entre tantas outras que ajudaram a formar meu gosto; “a música quando é boa, e não bandalheira, faz bem pra gente”, ele dizia, tocando exclusivamente música sertaneja de raiz.

Eu era um garoto medroso, às vezes de madrugada ou no começo da manhã acordava assustado (até hoje não sei por que motivo!)  e para me acalmar me aboletava aos pés da cama de meus pais, Geraldo Caetano e Catarina Anjos de Lima, que ainda não haviam se levantado, mas estavam despertos, fazendo uma “horinha”.  O “velho”, sempre ligado a um rádio à pilhas Everedy (a do “gato” ou as “amarelinhas”) que mais chiava do que “proseava”, invariavelmente estava ouvindo o Zé Béttio, na Rádio Record de São Paulo (AM 1.000 KHz), apresentador que sempre “com seu carisma e alto astral” não apenas tocava músicas de um repertório valioso, como ainda divertia muita gente com bordões e quadros com personagens memoráveis (o Gordo, o Guerino, a Fortuna — a vaca que era corintiana, “preta da cara branca; a “Gatona”) que àquela  época todos curtiam, mas que hoje, como algumas coisas ficaram chatas,  poderiam até ser tachadas de “politicamente incorretos”, sem contar o “carnaval” que promovia com cucos, buzinas, campainhas  e sons os mais estridentes para acordar todo mundo, se fosse preciso “jogando água” e mais “água” nos “cabra da muléstia”.

Zé Bettio partiu aos 92 anos. Curiosamente — para quem tirava da cama “o maridão que pensa estar com  o burro na sombra” e nossos pais e avós fazendo tanto barulho  ao ponto de, entre outros títulos, colecionar também o de “despertador do Brasil” –, morreu enquanto dormia, em casa, no bairro Horto Florestal, na Zona Norte da Capital paulista.

Era funcionário da Rádio Difusora de Guarulhos quando, ao assumir o microfone para ler um texto publicitário, acabou se tornando locutor por acaso, pois o titular do horário havia faltado. O jeito de ele transmitir o “reclame”  não passou despercebido pela direção da emissora, que acabou o efetivando, valorizando seu modo irreverente e simples de dar os recados na “latinha” .

Zé Béttio (ao volante) entre amigos, em uma rara imagem pública, às portas da Rádio Cometa, em São Paulo

Da Difusora,  Zé Béttio se transferiu para a Rádio Cometa, mas sua enorme popularidade, entretanto, ganhou corpo na Rádio Record, na década dos anos 1970, estúdio no qual seus bordões ficaram eternizados na memória de seus ouvintes e lançou diversos artistas que se tornaram consagrados, como a dupla Milionário e José Rico; ele fez parte, ainda, dos quadros da Rádio Capital.  A revista Vejinha, no dia se sua morte, observou que Zé Béttio fora  “uma espécie de Silvio Santos do rádio”, um comunicador respeitado e imitado que, com sua simplicidade, cativava a todos.

Sapateiro e jogador de futebol

Zé Béttio se aposentou apenas em 2009, encerrando a carreira na Rádio Record, aos 81 anos. Há pouco mais de dois anos sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), do qual se recuperou bem, mas vinha vivendo desde então com algumas limitações e recluso, entre a casa do Horto Florestal e fazendas que possuía em Garça e  Rinópolis, ambas no  estado de São Paulo, organizando memórias para lançar um livro que, quiçá, apareçam  editoras interessadas em publicar; é notório, ainda, que era avesso à mídia e à aparições públicas, dizem que por ter sofrido uma doença rara, a qual teria deixado marcas em sua face.

Zé Béttio era natural de Promissão, onde veio à luz em 2 de janeiro de 1926. Antes de abraçar a música, foi sapateiro e até jogou futebol no Clube Atlético Linense. Em sua carreira percorreu o interior de São Paulo e do Paraná com o trio Sertanejos Alegres (junto com Antonio Moraes e Afonso) e, após o término do grupo, passou a tocar sanfona em um concurso de calouros da Rádio Tupi, quando conheceu alguns outros músicos e formou o Zé Béttio e seu Conjunto, que se apresentou algumas vezes na Rádio Cometa e gravou seu primeiro disco, em 1958.

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1100 – Cláudio Lacerda lança “Canções para acordar o Sol” e, mais uma vez, lava nossa alma!

Disco com arranjos de  Neymar Dias, Toninho Ferragutti e Levi Ramiro, com participações especiais de Mônica Salmaso e Rolando Boldrin encontra o caipira que existe em compositores como Chico Buarque, Tom Jobim e Gonzaguinha

O cantor, compositor e intérprete paulistano Cláudio Lacerda, hoje radicado num ranchinho beira-chão naquela serra mágica que abriga  Botucatu, no interior de São Paulo, possui não é de hoje o dom de nos deixar de alma lavada! Desde o primeiro dos seus agora cinco álbuns autorais, à frente de projetos solos ou em parcerias com expoentes e companheiros de estrada como Rodrigo Zanc, Luiz Salgado, Wilson Teixeira, Lula Barbosa, Zé Paulo Medeiros, Juca Novaes, Neymar Dias, Thadeu Romano, Alzira E., Daniel Franciscão, Pinho, Paulo Simões, Rodrigo Delage, Júlio Bellodi, Turcão, André Rass, Leonardo Padovani,  Amelinha, Renato Teixeira, sem contar dezenas de participações (sempre especiais) em trabalhos de outros artistas, Cláudio Lacerda nos embevece cantando com a voz que, nele, reside no coração, como um poeta ao narrar todas as cores e sensações de um amanhecer ou entardecer na roça; como um peão que acaba de apear com sua comitiva e narra magnetizando a plateia a longa jornada, tangendo bois e atravessando rios pelo sertão afora; ou como um miguilim com as manhas de contar um causo (verdadeiro!), de pescar sem demora um dourado ou jaú dos “bitelos”, que véve do milho ou feijão que planta e, ainda, conta com os acalantos de uma doce e apaixonada morena, sempre a sua espera em uma palhoça — na qual por mais humilde que seja, para os compadres e amigos, nunca faltam um pedaço de queijo, de bolo de fubá e um gole de café, ou, claro… daquela mais marvada.

Em toda a obra de Cláudio Lacerda é a pluralidade das histórias deste universo e são estes personagens, reais e imaginários, que saltam das notas musicais, ganham vida nas cordas de suas violas ou do violão Gibson e em arranjos que incluem até a participação de orquestras: tudo para (en) cantar e contar, com aguda devoção e quase em louvor, as belezas de um mundo e de uma vida que muitos de nós sonhamos ou um dia sonhávamos ter, mas desgraçadamente, por razões das mais variadas, deixamos ou deixaremos pelo caminho.

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1096 – “Mestiçaria”, álbum de Lula Barbosa e Luciano Thel, celebra a miscigenação e o ecletismo que formam o brasileiro

O álbum, 14ª da carreira do paulistano que despontou com o vice-campeonato do Festival dos festivais é uma homenagem às nossas gentes,  sem a pretensão de ser panfletária, mas  autenticamente brasileiro
Marcelino Lima, com Osni Diaz e Luciano Thel

A audição matinal do sábado, 18 de agosto,  no boteco do Barulho d’água Música começou com Mestiçaria, um disco dos mais agradáveis de serem ouvidos não apenas pela voz cativante de Lula Barbosa, mas também pela sua proposta. O 14º álbum de Lula Barbosa saiu pelo selo independente Galeão dando alma a um projeto dele e do letrista Luciano Thel, coautor das músicas e produtor executivo da obra. Além da eclética base instrumental da gravação, Mestiçaria traz canções que celebram a brasilidade e repercutem o mito formador da amálgama chamada Brasil – sem perder de vista a perspectiva universalista das muitas matizes étnicas e culturais de nossas gentes. O álbum chegou até à redação enviado pelo amigo jornalista do Correio de Atibaia e professor de Jornalismo da Faculdade de Atibaia (SP), Osni Dias, a pedido de Thel, aos quais agradecemos.

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1095 – Lírica, engajada e cáustica, obra de Gonzaguinha ganha brandura e delicadeza na voz de Mirianês Zabot (RS)

“A voz suave de Mirianês Zabot desliza com segurança pelas canções de Gonzaguinha. A delicadeza dos arranjos ressalta um estilo próprio e é mais do que um convite para se deliciar com os dois: Mirianês e Gonzaguinha”.
Regina Echeverria. Jornalista e biógrafa, autora de Gonzaguinha e Gonzagão Uma História Brasileira, em que se baseou o filme Gonzaga De Pai pra Filho.
Marcelino Lima, com  texto de Oscar Pilagallo, jornalista e escritor

No ano em que o país lembrou um 25 anos do adeus prematuro a Gonzaguinha (2016), a cantora Mirianês Zabot “com voz distinta, suave e límpida” renovou entre nós,  amigos e fãs da obra do filho do Velho Lua, a certeza da eterna presença do compositor carioca, conforme observou à época o jornalista e escritor Oscar Pilagallo. Marianês acabar de gravar o álbum que recentemente enviou para o Barulho d’água Música em tributo ao cantor e compositor de Sangrando,  “com um poder balsâmico capaz de ao cantar transformar aspereza em brandura, rascância em delicadeza, derramamento em contenção”, ainda conforme o texto de Pilagallo — que, abaixo, a partir do segundo parágrafo, seguirá na integra. “E tudo isso enquanto, mais do que preservar a essência do cancioneiro do homenageado, empresta-lhe novas e insuspeitadas possibilidades de interpretação.”

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1094 – Rio Abaixo e Viola de 9 Cordas: lançamentos de Valdir Verona (RS) chegam ao Barulho d’água

A obra do músico de Caxias do Sul é uma das mais ricas do país e reinsere a viola caipira na cultura gaúcha por meio de shows, livros técnicos e discos nos quais toca ritmos nativos como Rancheira, Chamamé, Milonga, Xote e Toada

 

Marcelino Lima

O Barulho d’água Música recebeu recentemente duas novas contribuições para o acervo de álbuns e livros que vimos montando, paralelamente ao trabalho de divulgação da boa música de diversos gêneros e ritmos que é produzida no país. Desta vez a gentileza veio de Caxias do Sul, uma das mais importantes cidades do Rio Grande do Sul, onde vive e produz extensa e valiosa obra o violeiro Valdir Verona. São dois novos discos instrumentais,  Rio Abaixo e Viola de 9 Cordas.

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1012- Título de melhor rabequeiro do Brasil é pouco para reconhecer a contribuição de Zé Gomes (RS) à música do país

Desde a mudança da redação do Solar da Lageado, em Sampa, para o Parque Miraflores, em Itapevi, a maior parte dos álbuns do acervo de discos do Barulho d’água Música estava encaixotada pela falta de espaço. Com a chegada a São Roque, enfim, começamos a organizá-los e a fazer um inventário: colocamos todos no piso da sala e assim acabamos encontrando — mais do que uma tarefa burocrática —  perolas que nem mais nos lembrávamos que existiam no baú do tesouro. Resolvemos que poríamos alguns para tocar (antes de prosseguir fique publicamente registrado: o primeiro a ser tocado na nova residência foi Casa, por muitas e simbólicas razões além do nosso amor e admiração por Consuelo de Paula!), escolhendo, em ordem alfabética, pelo menos um de cada cantor, dupla ou grupo brasileiros. O mais lógico éramos seguir o sentido A-Z, mas invertemos a mão, pois no final da fila se destacavam dois instrumentais raros, de um autor dos mais criativos que a nossa música de qualidade independente já teve: o compositor, arranjador, luthier, maestro e pesquisador gaúcho José Bonifácio Kruel Gomes, internacionalmente conhecido por Zé Gomes.

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752 – Conversa Ribeira encerra em São Paulo segunda temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo

Daniel, João Paulo e Andrea estão juntos e formam o Conversa Ribeira desde 2002

Daniel, João Paulo e Andrea estão juntos e formam o Conversa Ribeira desde 2002 (Foto: Mariana Chama)

O grupo Conversa Ribeiro, de São Paulo, encerrará nesta quarta-feira, 9,  partir das 20 horas, as atividades do projeto Imagens do Brasil Profundo, que tem curadoria do professor de Sociologia Jair Marcatti. Com entrada franca, o público que comparecer à Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, conhecerá João Paulo Amaral (viola caipira e voz); Daniel Muller (piano e acordeão); e Andrea dos Guimarães (voz), juntos desde 2002. Ao longo da trajetória do trio, o Conversa Ribeira tem procurado elaborar músicas que encantem pela riqueza e pela profundidade que vislumbram no repertório caipira, tanto no que se refere aos conteúdos musicais, quanto à experiência humana, aos saberes e às sensibilidades que se revelam nessa escolha. Neste semear, demonstrando o profundo respeito que cultivam com relação aos antepassados caipiras, promovem um encontro criativo entre essa fonte abundante de inspiração e outros estilos aos quais também se dedicam,  tais quais a canção popular brasileira e a música instrumental.

De acordo com o texto de apresentação disponível na página eletrônica do Conversa Ribeira, as interpretações do trio são sínteses cuidadosamente elaboradas em que ao modo caipira de cantar e tocar se sobrepõem novas concepções de arranjo, de harmonia, de improvisação, das interpretações instrumentais e vocais. Assim, quando mergulha na particularidade de cada canção que escolhe recriar, traz à tona, sob um novo ponto de vista, sua expressividade. O resultado é uma música que transborda fronteiras dos gêneros musicais e um repertório que abrange desde melodias folclóricas e modas compostas ou gravadas por grandes artistas da música caipira de raiz, até novas composições de autores contemporâneos, conscientes de seus enraizamentos culturais e interessados em transformá-los em frutos.

O projeto do Conversa Ribeira inclui também canções de artistas consagrados da música brasileira que não são propriamente caipiras, mas que se mostram sensíveis às profundezas ancestrais das culturas do interior do Brasil. Nos dois álbuns que lançaram, Conversa Ribeira e Águas Memoriais, há obras de grandes compositores e intérpretes caipiras como João Pacífico, Raul Torres, Alvarenga, Ranchinho, Tião Carreiro e Almir Sater, entre outros, lado a lado com criações próprias e também e de artistas universais como Villa Lobos, Milton Nascimento e Dori Caymmi.

João Paulo Amaral rege a Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas e é ex integrante do Trio Carapiá

Daniel Muller é bacharel e mestre em Música pela Unicamp, arranjador e instrumentista do Quatro a Zero, grupo que propõe uma releitura do choro e de sua tradição, utilizando instrumentos como guitarra, contrabaixo elétrico, piano e bateria

Andrea dos Guimarães é arranjadora e compositora, bacharel em Música Popular e Mestre em Música pela Unicamp, integrante do Garimpo Quarteto, grupo com conceito fundamentado na música instrumental que apresenta a voz como instrumento por meio da utilização de vocalizações sem palavras. Em fevereiro lançou Desvelo, seu primeiro trabalho autoral.

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O jornalista Vitor Nuzzi autografa exemplar do livro que escreveu sobre Geraldo Vandré durante o lançamento da obra na BMA (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

O cantor e compositor Geraldo Vandré foi tema da rodada anterior do projeto Imagens do Brasil Profundo, na quarta-feira, 2, quando Marcatti recebeu o jornalista Vitor Nuzzi , autor do livro Geraldo Vandré — Uma Canção Interrompida, que saiu pela Kuarup. Jair Marcatti o desenvolveu em 2014 com o intuito de por em debate por meio de músicas, de filmes, de manifestações populares e de objetos o Brasil por dentro — aquele país que nas palavras de Ariano Suassuna, escondido em rincões considerados profundos, é muito vivo.  Para a primeira temporada foram convidados violeiros que falaram sobre as ligações de sua música com a cultura caipira. Em 2015, com a ampliação do programa, passaram a ser abordados outros aspectos das diversas culturas regionais do Brasil, agora desvendados em diferentes formatos: shows, bate-papos musicais, debates e palestras.

Ao invés de promover abordagens tradicionais, Marcatti prefere convidar músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o Brasil e promovem  trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições. Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

Serviço

Projeto Imagens do Brasil Profundo recebe Conversa Ribeira

Quarta-feira, 9 de dezembro, 20 horas, entrada franca

Biblioteca Mário de Andrade 

Rua da Consolação, 94, Centro, a menos de 1.000 metros das estações República e Anhangabaú da linha 3-Vermelha do Metrô

 

doe sangue

 

744 – Próxima rodada do Imagens do Brasil Profundo terá bate-papo e lançamento de livro sobre Geraldo Vandré (PB)

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O livro de Vitor Nuzzi é um cuidadoso retrato de uma das personagens mais controversas da nossa música brasileira (Foto: Antonio Teixeira/CPDoc JB)

O Projeto Imagens do Brasil Profundo terá sequência em São Paulo nesta quarta-feira, 2 de dezembro, a partir das 20 horas, com um bate-papo na Biblioteca Mário de Andrade entre o mediador e curador do evento, professor Jair Marcatti, e o jornalista e escritor Vitor Nuzzi sobre a história do músico Geraldo Vandré, apoiado em exibição de fotos e de vídeos com o cantor, compositor e violonista brasileiro nascido em João Pessoa (PB). Em seguida, ocorrerá o lançamento do livro Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida, com Vitor Nuzzi à disposição para autografar exemplares que estarão à venda.

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