1283 – Em Achados & Perdidos, Luiz Millan (SP) faz “acerto de contas” com a carreira

Disco tem participação de Giana Viscardi e parcerias com Michel Freidenson, Moacyr Zwarg, Plínio Cutait, Marília Millan e Ivan Miziara. Além de músicas próprias, traz novos arranjos para ‘Brazil com S’, de Rita Lee, e Outro Cais, de Eduardo Gudin, entre outras 

O cantor e compositor paulistano Luiz Millan, escolheu o nome do seu quinto disco, Achados & Perdidos, como uma espécie de acerto de contas que ele faz com sua carreira, reunindo músicas novas, outras há muito tempo feitas, além de gravar, pela primeira vez, canções de outros compositores como Rita Lee e Marcos Valle. Nessa empreitada, contou com arranjos do pianista Michel Freidenson, com a cantora Giana Viscardi, e com verdadeiros mestres da música instrumental de São Paulo, como Sylvinho Mazzucca (baixo), Léa Freire (flauta), Edu Ribeiro (bateria), Camilo Carrara (violão) e Adriana Holtz (violoncelo). Na capa, uma foto de Millan em uma das “Reuniões Musicais”, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1976.

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1235 -Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro voltam a Sampa com Tons de Minas

Repertório que passeia pelos clássicos de compositores consagrados e novos será apresentado na unidade Carmo do Sesc paulistano

Pérolas como Cais (Milton Nascimento/Ronaldo Bastos), Nascente (Flávio Venturini/Murilo Antunes) e Choveu (Beto Guedes), passando pelas contemporâneas Resposta (Samuel Rosa), Românticos (Wander Lee) e Fronteira , do jovem compositor Rafa Castro, compõem a refinada lista de sucessos presentes em Tons de Minas  para a cantora Vânia Bastos interpretar neste 30 de setembro. Em apresentação única, Vânia subirá ao palco do Sesc do Carmo, na cidade de São Paulo, a partir das 19h30, muitíssimo bem acompanhada pelos pianistas Rafa Castro e Túlio Mourão, ambos mineiros, em um novo espetáculo talhado por Fran Carlo e Petterson Mello à altura da voz singular de uma das divas da música nacional e para o qual os produtores culturais reservam muitas surpresas. Algumas músicas de Tons de Minas estão gravadas em Vânia Bastos Canta Clube da Esquina, mas agora ganharam releitura sob a ótica dos arranjadores Mourão e Castro para execução a quatro mãos, constituindo um desafio para os dois pianistas que, embora de gerações diferentes, possuem talentos únicos e certeiros. 

Tons de Minas estreou em janeiro de 2019, com duas apresentações no Sesc de Santo André, em São Paulo. É espetáculo sensível em que a canção fica em primeiro plano num roteiro que busca desvendar um pouco dos mistérios que abarcam o repertório popular da música mineira”. escreveu a jornalista Bruna Cavalcanti, do portal Anna Ramalho.

Vânia Bastos começou a carreira profissional no início da década dos anos 1980 ao lado de Arrigo Barnabé, como solista de Clara Crocodilo – o disco marcante da chamada Vanguarda Paulista. Com Arrigo também foi a solista de Tubarões Voadores. Durante dois anos, cantou com Itamar Assumpção na Banda Isca de Polícia, nomes que pontificavam  ao lado de Arrigo em um circuito que girava em torno de templos da música contemporânea como o Teatro Lira Paulistana, na cidade de São Paulo.

Com mais de 30 anos de carreira, Vânia Bastos é considerada uma das mais importantes vozes da MPB,  dona de timbre raro que permite interpretação singular e que encanta em 12 discos, todos com ótimas respostas de crítica e público.  A discografia de Vânia Bastos, nascida em Ourinhos (SP), destaca obras marcantes do nosso cancioneiro de Tom Jobim e Caetano Veloso, por exemplo.

Pelos seus muitos atributos artísticos, Vânia Bastos recebeu convite para protagonizar o concerto inaugural da Orquestra Jazz Sinfônica e, ao longo de sua trajetória, teve participações especiais em seus discos de Ivan Lins, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Edu Lobo. Recentemente, reabriu o Memorial da América Latina com a Jazz Sinfônica cantando com Elza Soares e Baby do Brasil, em 2017. Suas gravações fizeram parte de trilhas sonoras de novelas da TV Globo e do SBT. Em 2017, ganhou o Prêmio Profissionais da Música 2017 pelo consagrado álbum Concerto para Pixinguinha, um marco na MPB que gravou com o Marcos Paiva Quarteto.

A música instrumental de Túlio Mourão se apoia numa consistente construção melódica. O exercício e a vivência como premiado autor de trilhas sonoras lhe permite criar temas que estão muito longe de meros pretextos para improvisação.  Mourão busca um perfil pessoal e original dentro da música instrumental brasileira, metabolizando elementos que vão da música erudita aos cânticos religiosos da tradição sacra e popular de Minas Gerais. O pianista exercita um perfil mais brasileiro e rítmico por meio de uma estimulante dinâmica entre a mão esquerda e direita, resultando numa síntese batizada de jazz mineiro.

Mineiro de Divinópolis, Túlio Mourão é protagonista de uma rica história dentro da música brasileira: integrou a banda Os Mutantes na fase do rock progressivo e, em seguida, banda de artistas como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, entre outros.

Pianista, compositor e cantor, Rafa Castro é mineiro de São João Nepomuceno  radicado em São Paulo desde 2017.  Em julho lançou o terceiro álbum, Fronteira (Tratore), que reúne Mônica Salmaso, Teco Cardoso, Léa Freire, Neymar Dias, entre outros, mostrando que está em casa na capital paulista.  Rafa tem traçado um caminho de exploração do piano em todas as suas possibilidades, prezando pela liberdade de criação e consolidado sua forma abrangente de compor, com forte influência da música instrumental mineira. 

Apesar de ter menos de 10 anos de carreira, Rafa Castro reúne considerável  bagagem. Autor de trilhas sonoras para cinema (Cacos de vitral, 2015, e Modorra, 2016) e teatro, em 2011 recebeu o prêmio BDMG, em Belo Horizonte (MG), na categoria Jovem Instrumentista. Mais tarde, em 2015, gravou o primeiro álbum solo, Casulo, além de ter realizado uma turnê europeia que passou pela Alemanha, Rússia, Noruega, Portugal e França. Um fato significativo na sua carreira foi a parceria com o Mourão — com quem lançou o DVD/CD Teias (selo Delira Música/2014). Recentemente fez concerto na Sala Palestrina em Roma.

Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro – Tons de Minas

Dia: 30 de setembro, segunda-feira, às 19h30.
Local: SESC Carmo  
Endereço: Rua do Carmo, 147, Sé, São Paulo,  SP
Ingressos*:  R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia-entrada) / R$ 6,00 (comerciário) * Venda limitada a seis ingressos por pessoa/CPF
Informações:    (11) 3111-7000
Vendas online:  https://www.sescsp.org.br/programacao/203076_VANIA+BASTOS ( Venda online a partir de 24/09/2019, às 12:00)

1227 – Grazi Nervegna recebe convidados para lançamento do disco de estreia, na Unibes Cultural (SP)

Anambé’, nome do álbum, é palavra de origem tupi-guarani que significa “aqueles que caminham em parceria e permanecem unidos” e será apresentado com as presenças de Consuelo de Paula, Katya Teixeira, João Arruda, Carlinhos Ferreira, Francisco Prandi e Grupo EntreLatinos

Em 31 de agosto, sábado, a cantora e compositora Grazi Nervegna realizará no palco da Unibes Cultural concerto de lançamento de seu primeiro disco, intitulado Anambé, em cantoria que deverá transcorrer entres 20 e 22 horas e que contará com as participações de Consuelo de Paula, Katya Teixeira, do grupo EntreLatinos e dos músicos João Arruda, Francisco Prandi e Carlinhos Ferreira. Um marco na carreira de Nervegna, Anambé é palavra de origem tupi-guarani que significa “aqueles que caminham em parceria e permanecem unidos” e foi gravado após campanha de financiamento coletivo. “É um voo que a voz de Grazi Nervegna faz ao som da viola e das flautas feitas com tubos rústicos. Um voo ora rasante e rascante, ora amplo e lírico”, afirmou Consuelo de Paula, que também é diretora artística do disco gravado no estúdio VentaMoinho, de João Arruda, em Campinas.

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1173 – Flautista Maiara Moraes (SC) homenageia Copinha, parceiro de Adoniran e de Pixinguinha, com show no MCB

Música é autora do álbum Nós, que além da obra do paulistano, aborda também a criação de expoentes contemporâneos como Léa Freire, Toninho Carrasqueira e Eduardo Neves e explora as múltiplas possibilidades do instrumento de sopro na cena nacional

A flautista Maiara Moraes, catarinense radicada na cidade de São Paulo, será neste  7 de abri, a atração do projeto Música no MCB, que o Museu da Casa Brasileira promove aos domingos, a partir das 11 horas, com entrada franca. O repertório destacará as faixas do álbum Nós, que Maiara lançou em 2018 a partir de estudo sobre a obra de Nicolino Cópia (1910-1984), o Copinha, um dos mais consagrados nomes do instrumento no Brasil. A música estendeu a pesquisa para os trabalhos de contemporâneos como Eduardo Neves, Léa Freire e Toninho Carrasqueira, entre outros, e alinhavou no disco composições próprias e criações deles.

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1143 – Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro estreiam “Tons de Minas” no SESC Santo André (SP)

Nova produção de Fran Carlo e Petterson Mello, ganhadores do Prêmio Profissionais da Música com Concerto Para Pixinguinha, reúne a voz que encanta desde a Vanguarda Paulista e dois dos nossos mais aclamados pianistas num passeio pelas composições da terra do Clube da Esquina 

Ainda degustando o merecido sucesso de Concerto para Pixinguinha, que rendeu ao disco que ambos produziram a partir do show com Vânia Bastos e o Marcos Paiva Quarteto um dos troféus do 3º Prêmio Profissionais da Música (2017), os produtores culturais Fran Carlo e Petterson Mello anunciam para 11 e 12 de janeiro a estreia de um novo espetáculo. As duas primeiras apresentações de Tons de Minas, ambas marcadas para o palco da unidade Santo André do Sesc paulista, terá como atração mais uma vez a consagrada cantora de Ourinhos (SP), desta vez acompanhada pelos pianistas Túlio Mourão e Rafa Castro (ver a guia Serviços). Tons de Minas passeia pelos clássicos de grandes compositores, consagrados e novos, da música mineira, promovendo um desfile de canções que não só se tornaram populares no estado de origem do Clube da Esquina, mas no Brasil e no mundo.

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1142 – “Dois por Dois Ao Vivo” apresenta composições de Luiz Millan e Moacyr Zwarg

Álbum e DVD distribuído pela Tratore reúne o pianista Michel Freidenson, o saxofonista e flautista Teco Cardoso e a cantora Anna Setton interpretando 17 composições da dupla em apresentação na Sala São Luiz, em São Paulo

Um  luxuoso estojo, distribuído pela Tratore, e gentilmente enviado ao Barulho d’água Música pelos jornalistas Moisés Santana e Beto Priviero  (Tambores Comunicações), guarda o álbum e o DVD Dois por Dois Ao Vivo, lançados em novembro pelos compositores Luiz Millan e Moacyr Zwarg , com músicas de ambos interpretadas pelo pianista Michel Freidenson e pelo saxofonista e flautista Teco Cardoso, mais a participação especial da cantora Anna Setton. Dirigido por Thales Menezes e gravado a partir do show promovido na Sala São Luiz, no Espaço Promon, em São Paulo, em agosto de 2016, Dois por Dois Ao Vivo  traz um repertório que explora pela linguagem jazzística ritmos brasileiros como samba, baião e frevo.

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889 – Jean e Joana Garfunkel cantam e interpretam poemas de Mário de Andrade no Imagens do Brasil Profundo (SP)

Em nova rodada da terceira temporada do  Imagens do Brasil Profundo, o curador Jair Marcatti receberá nesta quarta-feira, 15 de junho, a partir das 20 horas, Jean e Joana Garfunkel. Pai e filha conduzirão a plateia por uma viagem pela obra do patrono do projeto, o poeta e escritor Mário de Andrade a partir do palco do auditório Rubens Borba de Moraes da da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A ida pelo universo do modernista se dará por meio da declamação e interpretação de poemas como Eu sou trezentos e outros textos  consagrados do autor de Paulicéia Desvairada.

 

Jean e Joana Garfunkel juntos coordenam o projeto Canto Livro desde 2006. Ele é poeta, escritor. letrista e compositor com obras gravadas por intérpretes como Elis Regina, Zizi Possi, Margareth Menezes e Maria Rita – foi convidado a cantar num projeto dedicado a Guimarães Rosa por conta de sua pesquisa e visitas à cidade Morro da Garça, próxima à terra natal do escritor, Cordisburgo (MG). Paralelamente ao trabalho com o Canto Livro, Jean Garfunkel tem quatro discos gravados em dupla com o irmão Paul, mais 13 Pares e Um Fado Solitário, no qual homenageia treze parceiros com os quais vem traçando sua trajetória musical.  Joana Garfunkel é narradora de histórias e psicóloga, autora de uma pesquisa acadêmica premiada sobre a obra Grande Sertão: Veredas. Trabalha desde 2005 com música e literatura, apresentando-se ao lado de artistas como Tavinho Moura, Natan Marques, Grupo Miguilins e Emiliano Castro.

Mergulho no Brasil de dentro

Dedos de prosa, boa conversa, música, imagens, artesanato e cultura popular. Essa é a receita de Imagens do Brasil Profundo projeto que desde 2014 oferece ao público da Biblioteca Mário de Andrade shows, debates, bate papos musicais e ações para crianças sempre às quartas-feiras, com entrada franca sob a batuta do historiador e sociólogo Jair Marcatti. A ideia é mostrar e trazer à luz manifestações populares e objetos que revelam o Brasil por dentro, aquele país que nas palavras do mestre Ariano Suassuna vive escondido em rincões considerados profundos, mas é muito vivo. Ao invés de promover abordagens tradicionais, Marcatti prefere convidar músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o país e trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural e musical  brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que, sem nenhuma pretensão definidora, poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

A Biblioteca Mário de Andrade fica na Rua da Consolação, 94, entre as estações República e Anhangabaú da linha 3 Vermelha do Metrô e para mais informações disponibiliza o número de telefone 11 3775-0002.

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719 – MinC confere a Rolando Boldrin grau de Comendador da Ordem do Mérito Cultural

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A presidenta Dilma Rousseff homenageou na segunda-feira, 9 de novembro, em Brasília (DF), artistas brasileiros agraciados com a Ordem do Mérito Cultural de 2015, concedida pelo Ministério da Cultura (MinC) nos graus Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro a personalidades, grupos ou instituições como reconhecimento por suas contribuições ao país. Com direito a show com Caetano Veloso, que entre outros dos seus sucessos cantou Alegria, Alegria, a edição deste ano teve como maior homenageado o poeta paulista Augusto de Campos – criador, ao lado do irmão, Haroldo de Campos, e de Décio Pignatari, do movimento nacional de poesia concreta, na década de 1950. Entre os laureados vinculados à musica estiveram Daniela Mercury e as Ceguinhas de Campina Grande (Grã-Cruz), Arnaldo Antunes e Rolando Boldrin (Comendador), além de Humberto Teixeira, cearense reconhecido Cavaleiro póstumo por entre outras obras ser o coautor de clássicos em parceria com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga (PE).

Rolando Boldrin dispensa qualquer tipo de apresentação. Cantor, compositor, ator de cinema, de teatro, de televisão e escritor, tornou-se o querido Sr. Brasil, deferência pela qual seus fãs e amigos passaram a tratá-lo e que faz referência ao programa que já está há 35 anos no ar, dos quais a década mais recente com gravações no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, acolhidas pela TV Cultura.

Em 20 de julho, Boldrin pode sentir todo o carinho que merece do público nacional — que alcançou por ser um defensor e promotor dos valores tradicionais da cultura popular — durante o programa especial que a emissora da Fundação Padre Anchieta gravou na Sala São Paulo, com a presença de expoentes como Vital Farias, Saulo Laranjeira, Arismar do Espírito Santo, Jane Duboc, Casuariana, Quinteto Violado e os membros do grupo Pau-Brasil, entre os quais Mônica Salmaso, Léa Freire, Paulo Bellinati, Teco Cardoso e Nélson Ayres. Em 25 de setembro, um pouco menos  de um mês antes de completar 78 anos, Rolando Boldrin recebeu o título de Cidadão Guairense, conferido pela Câmara Municipal de Guaíra, cidade do Interior paulista no qual iniciou a carreira aos doze anos e que integra a região da terra natal, São Joaquim da Barra.

Da lavoura ao cinema, hoje esquecidas

As irmãs Indaiá, Maroca e Poroca são as Ceguinhas de Campina Grande, alusão à cidade paraibana em cujas ruas Francisca Conceição Barbosa (Indaiá), Maria das Neves Barbosa (Maroca) e Regina Barbosa (Poroca) começaram a cantar, antes dos sete anos. O reconhecimento do trio veio em 1999, ano do lançamento do documentário A pessoa é para o que nasce, que conta a vida delas, mas as três vêm se queixando de terem sido esquecidas após o sucesso do filme, conforme relataram em programa da qual foram destaque, levado ao ar pela TV Record, em rede nacional, no dia 4 de outubro, e gravado na residência de uma amiga onde há um ano vivem de favor após perderem tudo que ganharam na carreira por má administração dos gestores dos seus bens.

 As Ceguinhas de Campina Grande já se apresentaram com Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso. Cegas de nascença, as três trabalharam na lavoura desde crianças.  E chegaram a ser alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra. O pai morreu quando Indaiá tinha sete anos e elas passaram a se apresentar nas ruas de Campina Grande, cantando emboladas e tocando ganzá. Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes.

O repertório do trio, aos poucos, passou a incluir cantigas, cocos e outros ritmos do cancioneiro nordestino que as irmãs reprocessaram com acréscimo de improvisos. Em 1997, foram levadas pelo cineasta Roberto Berliner para uma participação no programa Som da Rua, da TVE. Em seguida, Berliner utilizou as gravações feitas para o programa e montou o documentário de curta-metragem A pessoa é para o que nasce.

O sucesso do curta levou a um convite para participar do festival de percussão Percpan de 2000, em Salvador (BA). O grupo recebeu elogios de Naná Vasconcelos e de Otto, além de ser homenageado numa composição de Gilberto Gil. Em 2004, Berliner lançou a versão em longa-metragem do seu documentário. No mesmo ano as três irmãs receberam pela primeira vez a Ordem do Mérito Cultural.

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O amigo do Rei

Humberto Teixeira, nascido em Iguatu (CE) em 1915, é um dos mais representativos e produtivos compositores da música popular brasileira. Músico e poeta, criou com Luiz Gonzaga clássicos como Asa Branca. Teixeira exerceu mandato de deputado federal e criou lei que leva seu nome para divulgar a arte e a cultura brasileira pelo mundo por meio das Caravanas de Música Popular Brasileira. Conhecido como “O Doutor do Baião” e como “O Grande Poeta da Seca”, faleceu em 3 de outubro de 1979, no Rio de Janeiro.

 

701 -Embarque na Biblioteca Mário de Andrade (SP) e viaje com o Canto Livro para o mundo de Riobaldo e Diadorim

 

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Foto de Guimarães Rosa no destaque: Acervo Fundo João Guimarães Rosa – IEB/USP

Em nova rodada do projeto Imagens do Brasil Profundo, o curador Jair Marcatti receberá nesta quarta-feira, 28, a partir das 20 horas, Jean e Joana Garfunkel. Pai e filha conduzirão a plateia por uma viagem pelo sertão de Guimarães Rosa a partir do palco do auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A ida pelo universo roseano se dará por meio dos atalhos da oralidade e da canção brasileira, conforme a proposta do grupo Canto Livro, protagonista do show O Sertão na Canção, baseado no romance Grande Sertão:Veredas, do escritor mineiro de Cordisburgo.

Idealizado pelos  Garfunkel, o Canto Livro propõe aproximar literatura e música para encurtar a distância entre o livro e o público, promovendo num contraponto dinâmico e divertido. Os convidados de Marcatti estarão acompanhados por Pratinha Saraiva (flautas e bandolim) e tocarão canções como Avenida São João, Cotumaz, Primeiro Encontro, São Gregório, Mar de Cavalos, Batalha Final, todas compostas por Jean (violão) em parceria com o irmão, Paul Garfunkel, com arranjos de Natan Marques e permeadas por narração de trechos da obra que apresenta Riobaldo e Diadorim.

O projeto Canto Livro existe desde 2006, quando Jean Garfunkel – poeta, escritor e compositor com obras gravadas por intérpretes como Elis Regina, Zizi Possi, Margareth Menezes e Maria Rita – foi convidado a cantar num projeto dedicado a Guimarães Rosa por conta de sua pesquisa e visitas à cidade Morro da Garça, próxima à terra natal do escritor. Joana também já nutria grande admiração pela obra do autor mineiro: em 2002, escrevera pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo a tese Sentido e Significado em Grande Sertão Veredas. Juntos, ambos teceram a ponte entre a saga do jagunço Riobaldo e canções compostas pelos irmãos, transportando a joia da nossa literatura para o palco. Hoje, o Canto Livro oferece cerca de 30 espetáculos que enfocam as obras de Manuel Bandeira, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cora Coralina, Vinícius de Moraes, Manoel de Barros, Fernando Pessoa e Mia Couto, entre outros.

Paralelamente ao trabalho com o Canto Livro, Jean Garfunkel tem quatro discos gravados em dupla com Paul, mais 13 Pares e Um Fado Solitário, no qual homenageia treze parceiros com os quais vem traçando sua trajetória musical.  É poeta, ator, cantor, compositor e publicitário e durante mais de dez anos trabalhou como assistente de direção da atriz e diretora Myriam Muniz, além de compor trilhas para teatro. Integrante o grupo de estudos sobre a obra de Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e realiza oficinas e palestras sobre música e literatura em bibliotecas, livrarias e espaços culturais. Como letrista tem parceiros ilustres como, Léa Freire, Sizão Machado, Mozart Terra, maestro Moacyr Santos, maestro Júlio Medáglia e o violonista Yamandú Costa.

Joana Garfunkel é narradora de histórias e psicóloga, autora de uma pesquisa acadêmica premiada sobre a obra Grande Sertão: Veredas. Trabalha desde 2005 com música e literatura, apresentando-se ao lado de artistas como Tavinho Moura, Natan Marques, Grupo Miguilins e Emiliano Castro.

Mergulho no Brasil de dentro

Dedos de prosa, boa conversa, música, imagens, artesanato e cultura popular. Essa é a receita de Imagens do Brasil Profundo – Um Olhar sobre a Diversidade Brasileira, projeto que envolve shows, debates, bate papos musicais e ações para crianças iniciado em abril e que se estenderá até dezembro, acolhido pela Biblioteca Mário de Andrade,  que ocorre quinzenalmente, sempre às quartas-feiras, sob a batuta do historiador e sociólogo Jair Marcatti, professor de Relações Internacionais e de Sociologia.

A ideia é mostrar e discutir por meio de músicas, filmes, manifestações populares e objetos o Brasil por dentro, aquele país que nas palavras do mestre Ariano Suassuna, escondido em rincões considerados profundos, é muito vivo. Ao invés de promover abordagens tradicionais, entretanto, Marcatti prefere convidar músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o Brasil e trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural e musical  brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que, sem nenhuma pretensão definidora, poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

As rodadas do Brasil Profundo começam sempre às 20 horas e não há cobrança de ingressos. Marcatti já recebeu neste ano Renata Mattar, da Companhia Cabelos de Maria, Magda Pucci, do grupo musical  e de pesquisas étnicas Mawaca, Cláudio Lacerda, Katya Teixeira e Cássia Maria, Benjamin Taubkin, Luiz Salgado, Paulo Dias, Galileu Garcia Júnior, Ivan Vilela, José Miguel Wisnick e João Arruda. Até dezembro haverá ainda sessões com Sidnei de Oliveira, em 4 de novembro, Consuelo de Paula, Trio José, Antônio Nóbrega e Conversa Ribeira.

A Biblioteca Mário de Andrade fica na Rua da Consolação, 94, e para mais informações disponibiliza o número de telefone 3775-0002.

 

Jean Garfunkel, cantor e poeta paulistano, celebra aniversário

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A folhinha do Barulho d’água Música registra que hoje, 28, está comemorando aniversário o cantor, compositor e poeta paulistano Jean Garfunkel,  também ator e publicitário que forma célebre dupla com o irmão, Paulo Garfunkel. Neste ano, entre outros projetos Jean Garfunkel lançou em fevereiro o álbum 13 Pares e Um fado Solitário, novo disco da carreira que já soma trinta anos. Neste trabalho treze parceiros de estrada receberão homenagens, e ora como letrista, ora como melodista, ou ainda desempenhando ambas as funções, o autor mostra um repertório variado, concebido com o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, a flautista Léa Freire, o cantor Lula Barbosa, o guitarrista Natan Marques, o contrabaixista Sizão Machado, o compositor Théo de Barros e o maestro Júlio Medaglia.  

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