1241 – Do eclético planeta Brasília (DF), Guardavento traz para a cena nacional”Apesar de tudo”, primeiro disco da banda

Álbum de dez faixas tem produção independente e aborda temas como angústia, solidão e melancolia em forma de confissões pessoais, imersas numa sonoridade brasileiro-urbana e contemporânea

O disco Apesar de Tudo, recentemente lançado pela banda Guardavento, abriu neste dia 5 de outubro as audições matinais aqui no boteco do Barulho d’água Música, situado em São Roque, cidade a 60 quilômetros da Capital paulista.

Constituída por Naiça Mel (vocal), Lídia Moreira (teclados), Anderson Freitas (guitarra/teclados), Humberto Florim (baixo) e Yan Britto (bateria), a Guardavento é de Brasília (DF), planeta sempre fértil para novas experiências e afirmação de grupos musicais, do Aborto Elétrico (um dos fundadores da Turma da Colina¹), formação da qual despontou o irrequieto e saudoso Renato Russo pré Legião Urbana, à Plebe Rude, passando pelo Capital Inicial e Os Raimundos e chegando a O Tarot (a “banda-caravana”, que mistura música cigana, misticismo e ritmos brasileiros), entre outras revelações que conseguiram se (nos) salvar detonando ou se colocando acima e apesar das mazelas institucionais próprias da capital federal — notadamente nestes tempos de retrocessos, queimadas e fakes que atingem a todos os tupiniquins -, promovendo ritmos e sonoridades que vão do punk ao rock e ao blues (como mandam bem a Brazilian Blues Band e a Procurados Blues Band!), ao reggae, especialidade da Natiruts, ao rap nervoso da Tribos da Periferia, da Viela 17 e da Câmbio Negro, e ao indie rock, pós-punk, garage rock, ska e música típica brasileira da Móveis Coloniais de Acaju.

O bom desta mescla é que não só a já sexagenária senhora consegue envelhecer mais leve e eclética, como acabam representados à altura integrantes de todas as tribos e trips, seja o Jeremias ou a filha nerd do recém-chegado senador do PSL (que incorporou cafonamente a patente militar ao nome de guerra) e que, apesar de nem ser candanga da gema, já não mais cai de paraquedas no Planalto Central e flana como se estivesse em casa pelos pubs, festivais e raves que se espalham como satélites à sombra da Praça dos Três Poderes e da Esplanada, espaços alternativos de contestação onde a vida rola sem chapa branca, livre, bela e solta, entre fumaças, risos, drinques e camaradagem pura, sem as sacanagens e conchavos dos palácios.

Apesar de tudo, gravado e produzido por André Zinelli e Diego Poloni, mixado e masterizado por Poloni, tenta dar um novo tempero ao guisado que já cozinha neste caldeirão brasileiríssimo de independência e resistência, trazendo pitadas da MPB, da world music e do pop internacional ao projeto derivado da parceria Florim e Freitas, A dupla, partir de 2017, compôs as músicas e encontraram Naiça para dar voz às suas inquietações e recados. Produtores experientes inclinados a experimentar e trazer novos “pratos” à mesa, Zinelli e Poloni colocaram suas colheres nesta sopa e Britto e Lídia, de aventais cingidos à cintura, também adicionaram irresistíveis ingredientes para deixar a receita dando água na boca.

Desta maneira, conta-nos Florim, é que as composições foram sendo “desconstruídas” no estúdio, “pensadas de dentro para fora, buscando consolidar uma identidade nova para o som” e apurar o conceito desejado para o álbum, sutil iguaria cujo sabor trata da influência do tempo sobre a percepção das emoções e o valor da memória. Temas como angústia, solidão, melancolia e devaneios borbulham em forma de confissões pessoais, imersas numa sonoridade brasileiro-urbana e contemporânea.

A banda Natiruts representa a capital federal entre as tribos do reggae (Foto: Lara Valença)

O disco da Guardavento tem dez faixas (clique aqui e o ouça ). O exemplar de Apesar de tudo que aqui ouvimos nos foi gentilmente enviado por Florim, a quem agradecemos em nome do grupo, e chama a atenção, ainda, pela apresentação quase minimalista do encarte em cuja capa há um único item: um aparentemente indecifrável bloco de alvenaria. A figura, contudo, permite pelo menos duas interpretações dentro da proposta da rapaziada: tanto poderia representar o que sobra depois de um processo de desconstrução como o que Florim mencionou, quanto o mínimo necessário para empreender o primeiro passo rumo ao objetivo inverso– juntando peça por peça da pilha até que num desenho mágico um todo se consolide e dê consistência à identidade com a qual o quinteto planeja fazer a cabeça de amigos e de fãs, dando seu recado ao universo, sem ser apenas mais um tijolo no muro.


¹A ditadura ainda era o regime brasileiro quando surgiu a  Turma da Colina , que reunia jovens filhos de diplomatas e de professores, entre o final da década de 1970 e o começo da década dos anos 1980, na Colina, um conjunto de prédios habitacionais na Universidade Nacional de Brasília (UnB), no Distrito Federal. A galera que não ficava atrás da mesa com o cú-na-mão curtia punk e rock e era constituída por futuros expoentes do rock brasileiro; nela despontavam Renato RussoFê Lemos e Flávio LemosAndré Pretorius, e Philippe Seabra entre outros. Desses encontros surgiram a Plebe Rude, a Aborto Elétrico, que se desmembrou gerando a Legião Urbana, e a Capital Inicial.

Nesse contexto, ainda, o punk foi, literalmente, um dos combustíveis daqueles jovens. Por volta de 1978, Pretorius, filho do embaixador da África do Sul, que trazia consigo uma vasta bagagem cultural e política, entrou para a patota, trazendo de uma de suas viagens à Europa vários vinis de punk rock . Como naquela época o material era muito difícil de ser achado, virou logo referência da turma que tinha como guru Renato Russo. Pretorius foi um dos primeiros parceiros musicais de Russo. Em 1978 ele, Renato, Fê e Flavio Lemos criaram a Aborto Elétrico, banda que revolucionou o rock brasileiro.

Os fãs de Legião Urbana, Plebe Rude e Capital podem saber mais sobre a Turma da Colina se descolarem o documentário de 2011 Rock Brasília, dirigido por Vladimir Carvalho, premiado como melhor documentário no Festival de Paulínia (SP) daquele ano.

Leia mais sobre as bandas de rock em Brasília e ouça uma playlist irada clicando nos linques abaixo:

https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/rock-e-brasilia-e-uma-parceria-que-durara-para-sempre


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1155 -Após sucessos em novelas, Rosa Marya Colin volta aos estúdios e grava ‘Rosa’

Novo disco traz, ainda, as faixas de ‘Vagando’, lançado pela Eldorado em 1980, que está fora de catálogo,  no qual a atriz interprete gravara canções inéditas de Djavan, Fátima Guedes, Vicente Barreto e Péricles Cavalcanti

A cantora Rosa Marya Colin, apesar de há um longo tempo morando no Rio de Janeiro, não perdeu o jeito discreto, mineiro de ser. Trabalhou quase em silêncio no novo álbum que está lançado pelo selo Eldorado/Nova Estação, mas que já chega fazendo barulho. Em uma das faixas, a balada É por você que eu vivo, revive sua parceria com Tim Maia. De Arlindo Cruz, mais conhecido pelos sambas de sucesso, ganhou o blues Eu canto esse blues. E o repertório segue com uma nova versão de Giz, da banda Legião Urbana; uma homenagem ao cantor Blecaute (1919/83) com General da Banda, além de músicas de Taiguara e de Itamar Assumpção (com Alzira E). O disco foi enviado à redação por Moisés Santana e Beto Priviero, sócios da Tambores Comunicações, aos quais somos gratos.

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782 – Embarque no Ônibus Fantasma (MG) e viaje ao som da trilha do Batman e de instrumentais que mesclam pamonha e sacolé, Nova Orleans e Sevilha

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Os parças Igor Jannotti (guitarra) e Thiago Zíngaro (violão) juntaram talento e influências e tocam composições como a trilha do herói de Gotham City pilotando o Ônibus Fantasma por casas de espetáculos de Beagá (Foto: Divulgação)

Thiago Zíngaro (violão) e Igor Jannotti (guitarra), dois amigos de Belo Horizonte (MG), disponibilizaram cinco músicas em formato mp3 no sítio Palco que de acordo com o jornalista Ricardo Guimarães levará o ouvinte a uma “inusitada viagem musical”. O autor do press-release de apresentação das canções destaca que os jovens mineiros fundiram ritmos como flamenco, jazz, bossa nova e caipira e com as demos vêm cativando admiradores (embora a intenção seja mesmo assustá-los!) executando um mix autoral de composições instrumentais “com releituras certeiras de Santana, Tim Maia, Tom Jobim, além de temas inusitados como o original da antiga série televisiva Batman”, sempre de acordo com Guimarães “com extremas competência, técnica, emoção e originalidade”. O Ônibus Fantasma, nome que a dupla iniciada como trio (teve um percussionista que desembarcou alguns pontos depois de pegarem a estrada)* adotou em 2005 já tocou em diversos pontos culturais da cidade (bares, cafés e restaurantes) surpreendendo ouvintes com esta proposta instrumental. Os dois músicos assinam também os arranjos e produção do álbum do Ônibus Fantasma que, brevemente, pretendem reproduzir em rádios.

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Depois de passar por Bauru (SP), Ricardo Vignini e Zé Helder tocam Moda de Rock na língua do tchê e em uai

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Ricardo Vignini (ao alto) e Zé Helder (Fotos: Marcelino Lima/Barulho d’água Música)

A dupla de violeiros formada por Ricardo Vignini e Zé Helder apresentará em cidades de quatro estados até o final de julho repertório composto por clássicos do rock brasileiro e internacional executados com novos arranjos especialmente elaborados para a viola caipira e reunidos no projeto Moda de Rock. A seleção inclui Legião Urbana, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, e bandas como  Iron Maiden,  Metallica, Led Zeppelin, Beatles, Sepultura, Nirvana e Megadeth, além de Jimi Hendrix. A primeira parada será neste sábado, 11, na área de convivência do Sesc Bauru,  a partir das 20 horas, e com entrada franca.  

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Guitar Player destaca pioneirismo e talento do violeiro roqueiro Ricardo Vignini, de São Paulo

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Viola caipira no rock é algo que remete a Ricardo Vignini, define a Guitar Player. Vignini é um dos pioneiros na utilização do tradicional instrumento da cultura brasileira no gênero caracterizado pelo uso da guitarra elétrica e mistura ponteados da música caipira com riffs e fraseados de rock

 

A  revista Guitar Player de março já está nas bancas e em suas páginas traz entre outras matérias sobre o universo do rock entrevista com o  paulistano Ricardo Vignini. Integrante do grupo Matuto Moderno, um dos trabalhos no qual está envolvido e que no ano passado comemorou 15 anos de estrada, Ricardo Vignini vem se destacado no cenário nacional e  no exterior pela excelência e maestria no trato com a viola de 10 cordas, talento  que o tornou parceiro do mestre Índio Cachoeira e também do amigo Zé Helder em dois projetos bastante cultuados tanto pelos fãs da autêntica música caipira, quanto pelos amantes do heavy metal.  

Viola caipira no rock é algo que remete a Ricardo Vignini, define Fábio Carrilho, autor do texto na Guitar Player. Vignini é um dos pioneiros na utilização do tradicional instrumento da cultura brasileira no gênero caracterizado pelo uso da guitarra elétrica. Ao dedilhar  as cordas, ele mistura ponteados da música caipira com riffs e fraseados de rock — fusão que serve de base para o repertório dos cinco álbuns já gravados pelo Matuto Moderno e dos shows que regularmente a banda leva pelo Brasil. Em 2014, o violeiro mostrou ao público outras facetas de sua “viola guitarra”, recorda Carrilho, ao lançar o primeiro disco da banda Mano Sinistra, power trio formado por ele, o baterista Paulo Thomaz e o baixista Marcos Lucke.

Foi no ano passado que Ricardo Vignini gravou também Viola Caipira Duas Gerações, em duo com  Índio Cachoeira. Já com Zé Helder, em 2011 saiu o fantástico Moda de Rock – Viola Extrema. Sucesso de vendas e de shows tanto no Brasil, quanto no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, o álbum arrebatou um dos troféus do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, entregue em noite de gala no Memorial da América Latina, em junho de 2013.

A razão para tamanha repercussão é a adaptação de clássicos do rock para as cordas de duas violas, entre as quais In the Flesh, faixa de The Wall, do Pink Floyd, que nos dedos da dupla transformou-se em uma singela valsinha. Para quem não consegue conceber a ideia de Pink Floyd tocado assim, procure imaginar Aces High, do Iron Maiden, e Master of Puppets, do Metallica, levadas em ritmo de pagode de viola.

Além de músicas destas bandas, o Moda de Rock traz Led Zeppelin; The Beatles; Jimi Hendrix; Megadeth; Sepultura; Nirvana; Jethro Tull; e Ozzy Osbourne. Participam ainda o também violeiro Renato Caetano e Edson Fontes, este integrante dos grupos Favoritos da Catira e ainda do Matuto Moderno; na versão ao vivo e em DVD, Ricardo Vignini  e Zé Helder contam com a participação do baiano Pepeu Gomes.

Rock do anos 1980 em Santo André

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Ricardo Vignini e Zé Helder vão tocar na viola Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, entre outros sons, para o público do Sesc Santo André (Foto: Marcelino Lima)

 

Quem mora em Santo André e cidades da região do ABCD, na Grande São Paulo, poderá conferir no dia 26 de março a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder em ação. A partir das 21 horas, eles apresentarão na Comedoria do Sesc daquele município show do projeto Quintas Musicais – Movimentos Musicais. O repertório terá clássicos do rock brasileiro da década dos anos 1980, executados com novos arranjos especialmente elaborados para a viola caipira. O público curtirá, por exemplo, sons do Legião Urbana, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso, entre outras bandas que marcaram o período. 

O Sesc Santo André fica na Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar.

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