1025 – Centenário de Jacob do Bandolim reúne ases do instrumento no Teatro Paulo Autran*

*Com o Portal Vermelho, por Julinho Bittencourt (Revista Fórum)

Plêiade de bandolinistas formada por Hamilton de Holanda, Danilo Brito, Fábio Peron, Milton Mori e Izaías Almeida vai se encontrar ao lado de Gian Correa (violão de 7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Rafael Toledo (percussão) e Carmen Queiroz (voz) no palco do Teatro Paulo Autran da unidade Pinheiros do Sesc de São Paulo neste sábado, 17, e no domingo, 18 (leia Serviço). Reunidos pela produtora cultural Lu Lopes (Rubra Rosa), os músicos tocarão juntos pela primeira vez em homenagem ao carioca Jacob do Bandolim, até hoje um dos maiores nomes do Choro do país, que na quarta-feira, 14, completaria 100 anos.

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841- Thadeu Romano (SP) finaliza gravações e marca lançamento de “Da Reza à Festa” para 20 de maio, em Sampa

O Barulho d’água Música acompanhou na terça-feira, 29 de março, a gravação da participação do carioca Carlos Malta em Baião pro Malta, música que abrirá o álbum Da Reza à Festa, do acordeonista Thadeu Romano (Campinas/SP). Carlos Malta tocou flauta em sol, pífano e sax soprano durante sua presença no estúdio 185, situado na Vila Romana, bairro da zona Oeste paulistana, acrescentando a cereja que faltava para deixar completo o saboroso repertório de 10 faixas instrumentais e uma vinheta, todas cinzeladas por Thadeu Romano. Com todas as faixas prontas, a produtora cultural Lu Lopes enviou a obra, já no dia seguinte, às etapas de mixagem e prensagem que antecedem o lançamento, marcado para 20 de maio como atração do teatro da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), situado na rua Oscar Freire, 2.500, em São Paulo, colado à estação Sumaré da linha 2 Verde do Metrô.

Da Reza à Festa remete tanto às manifestações religiosas coletivas, presentes em tradições brasileiras como Folias de Reis e em rituais afros, quanto à fé e às vivências espirituais de Thadeu Romano. A sabedoria de uma das avós, rezadeira, bem como a inquietude de um dos nonos, Albino, somadas à reverência e à saudade aos e dos entes queridos que já se foram, entre outros sentimentos e temperos, motivaram-no a começar a alinhavar o projeto do disco, há oito anos, com a permanente e cúmplice colaboração de Lu Lopes. Neste tempo, ele elaborou os arranjos para ritmos que mesclam chamamé, choro, valsa, baião, tango e até funk que ora se juntaram, ora substituíram escolhas anteriormente definidas, assim maturando e renovando a eclética sonoridade que constitui, por fim, a alma deste disco formidável: a obra casará, em profunda comunhão, a sanfona e o bandoneon de Thadeu Romano com instrumentos como piano, trombone, violão de aço, pandeiro, clarinete, zabumba, entre outros.

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O bandoneon, diga-se de passagem, já tem por si só um encantamento que confere ainda mais magia ao disco: fabricado em 1929, antes de ser adquirido por Romano, pertenceu a Astor Piazzolla, conforme comprovam os registros da fabricante Doble A.

O time que Thadeu Romano e Lu Lopes convidaram, além de Carlos Malta, topou a empreitada em nome da amizade, um dos valores sedimentadores do conceito de “festa” que o sanfoneiro e a produtora pretendem imprimir e valorizar no disco. Abriram mão do vil metal e entraram na roda pelo puro deleite expoentes como Laércio de Freitas, François de Lima, Toninhos Ferragutti e Porto, Rodrigo Sater, Guelo e Zé Pitoco, galera com quem ambos trocam figurinhas corriqueiramente.

E não pára por ai: Da Reza à Festa, embora seja predominantemente instrumental, terá ainda um coral feminino dos mais marcantes em Nié (apelido de Daniel Carizzato, padrinho de Flora, filha de Thadeu e de Lu Lopes) estrelado por Lilian Estela, Gabi Milino, Anaí Rosa, Bárbara Rodrix e Renata Pizi.

Flora, aliás, inspirou Florata, composição reservada ao bandoneon que guarda a aura de Piazzolla. O avo, Albino, incorporará, serelepe, em Araritanga do nono Albino.

Outra faixa que merecerá atenção, a valsa Rosa de Sal, juntará Garrincha e Vavá, também conhecidos por Romano e Ferragutti. O acordeon do anfitrião soara em musete, que ele alerta, é, na verdade, uma desafinação, e não uma afinação, francesa.

Em uma obra na qual o clássico e o popular se misturaram sem conflitos de ego e não exigiu malabarismos dos músicos nas rodadas nas quais se encontraram  para botar música na conversa no 185, será possível ao fã de Thadeu Romano distinguir, ainda, notas de melancolia em Sentimento — que ele dedica “a todas as pessoas que eu perdi”, num dos momentos mais introspectivos do álbum. Já alguns certamente sentirão um frêmito próprio de certos transes quando Na Zona do Zé Pilintra baixar no terreiro, enquanto outros, ainda, estranharão batidas mais conhecidas por animar lajes e não forrós. Mas com certeza ninguém ficará esquentando cadeira, seja em casa, seja durante o concerto.

O projeto foi premiado pelo ProAc, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo com verbas previstas em leis para gravação do disco e circulação em cinco shows, que Lu Lopes pretende ampliar na primeira turnê para ao menos seis. Depois da apresentação na Unibes, serão contempladas cidades do Interior paulista. Mas Lu Lopes sabe o tesouro que tem em mãos e planeja, inclusive, giros fora do país.

É para pensar alto, mesmo. Thadeu Romano, atualmente, integra a banda do projeto Amizade Sincera, capitaneado por Renato Teixeira e Sérgio Reis, além de acompanhar revelações do meio regional como Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP).Por quase dez anos, fez parte do staff de Roberta Miranda, inclusive a jornadas que o levaram a encantar, não duvidem, até elefantes em Angola. Além de muito querido pela simpatia que de cara vira empatia, a competência de sanfoneiro (sem destoar de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lulinha Alencar, Waldonys, Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon, entre outros) com formação clássica que começou a trajetória tocando em missas na capela do bucólico distrito de Joaquim Egídio (Campinas) completa-se pela tarimba de arranjador multi-instrumentista.

Esta intimidade com a música favorece rápida adaptação a repertórios dos mais ecléticos e abrangentes, permite transitar facilmente entre o ambiente de uma feira livre, um festival ou um concerto clássico.  Não é à toa, portanto, que Thadeu Romano  já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

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Thadeu Romano tocando com Rodrigo Zanc, com Ricieri Nascimento ao fundo, em recente apresentação de “Violas para Dominguinhos”, em São Carlos (Foto: Elisa Espíndola)

Para quem acha que esta lista é pouca bala na agulha, a de violeiros, de caipiras e de congêneres que Romano acompanhou também dá uma ideia de sua versatilidade e tem nomes como Levi Ramiro, Júlio Santin, Milton Araújo, Zeca Collares, Miltinho Edilberto, Arnaldo da Viola,  Yassir Chediak, Vidal França, Dominguinhos, e os grupos musicais Meia Dúzia de 3 ou 4, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Forrozão, Jorge e José, Trio Juazeiro, Choro de Ouro, Choro In Jazz e Tangata Quarteto. Thadeu Romano tem admiradores no Uruguai, e além de Angola, nos africanos Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela Europa, desembarcou na Itália, onde inclusive conheceu Camerano, cidade na qual se fabricam várias sanfonas, ofício que envolve várias famílias que são parentes, como a Scandalli e a Otavianelli.  Foi, portanto, beber na fonte, e, assim, em uma frase, amigos e seguidores… não estamos diante de um bule pequeno de café requentado!

O Barulho d’água Música divulgará a agenda de todas as apresentações, mas antes da estreia de Da Reza à Festa, quem ainda não conhece Thadeu Romano poderá conferir suas qualidades na sexta-feira, 15 de abril, quando a partir das 21 horas, ele estará no palco do Sesc Pompeia para participar do lançamento do álbum de Cláudio Lacerda Trilha Boiadeira. Também estão confirmados para a ocasião Neymar Dias (violas), Igor Pimenta (contrabaixo) e Kabé Pinheiro (percussão).

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