Barulho d'Água Música

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974 – Cole no Sesc Pompeia (SP) e conheça Rebento, novo álbum instrumental do violeiro Ricardo Vignini!

Um dos violeiros mais atuantes do país, Ricardo Vignini, é o convidado do projeto Plataforma para a apresentação da quinta-feira, 20, no palco do teatro da unidade Pompeia do Sesc de Sampa. A partir das 21 horas, o cantor e compositor lançará o mais novo álbum da carreira solo, Rebento, que reúne 13 músicas instrumentais, das quais 10 de autoria própria. Para o show de lançamento, o violeiro chamará para a roda André Rass (percussão), Ricardo Carneiro (violão e guitarra), Sergio Duarte (gaita), Ari Borger (piano) e Bruno Serroni (violoncelo).

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796 – Moda de Rock II vai ralar as botas no Interior paulista e pega a estrada depois do concerto de estreia no Sesc Pinheiros

moda de rock arte

Assim que as luzes se acenderam para iluminar o palco do Sesc Pinheiros no domingo, 17, no qual começavam a tomar postos Ricardo Vignini e Zé Helder, um gaiato da plateia gritou, certamente fazendo troça: “toca Raul!”. Os músicos com certeza ouviram (em outras ocasiões durante a mesma apresentação nas quais foram chamados ou escutaram gracejos interagiram bem humorados com o público), mas cornetada ou não, frustraram o pedido. Obviamente, ambos nada têm contra o Maluco Beleza, que até poderia ter ganhado, sim, uma releitura de algum dos seus muitos sucessos na obra que os dois astros da noite ali iriam começar a mostrar, oferecendo um eclético repertório que mesclou desde Black Sabbath a Ozzy Osbourne, The Ramones (do tempo em que Zé Helder “era o único punk de Cachoeira de Minas”) e Pink Floyd (do período durante o qual Ricardo Vignini “passava a semana inteira em São Tomé das Letras tomando apenas cafezinho e comendo pão com mortadela e estava tudo lindo”). O concerto número 1 do álbum Moda de Rock II, entretanto, acabou sendo tão variado que até mesmo Raulzito o aplaudiria de pé  (se é que não estava no pedaço, vai saber!) fazendo o característico gesto de esticar apenas os fura-bolos e os mindinhos das duas mãos, sem se queixar, portanto, da compreensível omissão, yeah!.

O banquete proposto pelo cardápio, enfim, foi farto, uai, satisfez missourianos e piracicabanos: além dos já citados astros e grupos, o show de lançamento do segundo álbum da série iniciada em 2011, agora com mais 12 versões instrumentais de clássicos do rock para viola caipira (no Sesc foram sete, incluindo duas dinâmicas, com afinações em Cebolão D e E e Rio Abaixo, por exemplo) teve ainda Tião Carreiro, Matuto Moderno, Mozart e AC/DC, com direito até mesmo a Chico Mineiro (Francisco Ribeiro/Tonico), consagrado hino do sertão que Vignini e Zé Helder fundiram a Why Worry (do “caboclinho Mark Knopfler”, líder do Dire Straits) a passagens que fizeram lembrar e por na roda, ainda, os magistrais Ravi Shankar e Luiz Gonzaga quando Vignini e Zé Helder recebiam o ilustre convidado Robertinho do Recife!

O ícone da guitarra brasileira mundialmente conhecido tomou parte também em Bachianas Brasileiras (Villa Lobos), Gemedeira (parceria dele com Capiba)/Natureza (Ruy Maurity) e Paint in Black (The Rolling Stones). Já os característicos riffs de Robertinho do Recife soaram brilhantemente em Ghost Riders In The Sky, a famosa canção de  Stan Jones popularizada por Johnny Cash e Elvis Presley que relata  a visão do estouro de uma boiada de olhos avermelhados e patas de aço sendo perseguida por vaqueiros  amaldiçoados e que por aqui ganhou uma versão de Carlos Gonzaga, interpretada por Milton Nascimento. Pois é, viagem pura, mano!

O Moda de Rock II chegou às lojas e à internet em 6 de janeiro amparado em prêmio previsto em lei por meio do ProAC, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, para a produção do disco e circulação dos shows pelo Estado. Assim, a dupla pretende revisitar agora todos os lugares onde foi recebida por plateias entusiasmadas que lotaram as casas de espetáculos para curtir o primeiro Moda de Rock & Viola Extrema, gastando ainda mais a sola das botas, ou dos pares de tênis que calçarem para compor o visual da roupa preta sob camisa xadrez. Após a apresentação em São Paulo, Moda de Rock II será levado a várias cidades do interior e região metropolitana paulistas, com a primeira escala já neste sábado, 23, no distrito de São Francisco Xavier, localizado em São José dos Campos, movimentando mais uma rodada do festival São Chico das Violas (largo São Sebastião, 105), a partir das 21h30 (mais informações e reservas pelo telefone 12 3926-1406

O primeiro Moda de Rock & Viola Extrema contabilizou mais de 300 concertos,  saiu em DVD com as participações dos guitarristas Pepeu Gomes e Kiko Loureiro e do tradicional grupo Os Favoritos da Catira e colocou a dupla em palcos ao lado dos guitarristas Andreas Kisser (Sepultura), Lúcio Maia (Nação Zumbi), além de Renato Teixeira. Tocou em todo o Brasil, Estados Unidos e Argentina, um fenômeno de mídia e de vendas para um projeto nascido quase como brincadeira e que, em tese, seria arriscado por unir duas tendências dispares. A intenção era mostrar aos alunos o potencial da viola (Ricardo e Zé atuam também como professores do instrumento) e reviver a trilha sonora da adolescência. Foi assim que no espírito da viola caipira In the Flesh (Pink Floyd), por exemplo, tornou-se uma singela valsinha, Aces High (Iron Maiden) e Master of Puppets (Metallica) ganharam levadas de pagodes de Tião Carreiro e a viola bombou em templos até então inéditos para mostrar com o virtuosismo do ousado duo que há muitas semelhanças entre os jeitos de tocar Chora, Viola! e peças como Norwegian Wood (This Bird Has Flown), entre outras. Um brinde regado ao melhor 12 anos aos roqueiros que usam chapéu de palha e esgravatam os dentes com um ramo de capim gordura depois de apreciar um bom naco de pamonha!

Agenda de shows do Moda de Rock II

23 de janeiro, 21 horas, São Francisco Xavier/SP
12 de fevereiro, 20 horas, Assis/SP
13 de fevereiro, 20 horas, Guarulhos/SP
19 de fevereiro, 20h30, Santa Barbara D’Oeste/SP
25 de fevereiro, 20 horas, Tatuí/SP
27 de fevereiro, 20 horas, Brotas/SP
3 de março, 20 horas, Bragança Paulista/SP
9 de março, 20 horas, Botucatu/SP
10 de março, Patrocínio Paulista
12 de março, São Bernardo do Campo

 


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780 – Primeira boa notícia de 2016: Ricardo Vignini e Zé Helder lançam Moda de Rock II em Sampa

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Em 6 de janeiro chegará às lojas e à internet, portanto em formato físico e em arquivos digitalizados, Moda de Rock II, álbum dos violeiros Ricardo Vignini (SP) e Zé Helder (MG), membros da banda paulistana Matuto Moderno. Moda de Rock II recebeu prêmio previsto em lei por meio do ProAC, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, para a produção do disco e circulação pelo Estado. Assim, em 2016, a dupla pretende revisitar todos os lugares onde foi recebida por plateias entusiasmadas que lotaram as casas de espetáculos para curtirem o primeiro álbum da série Moda de Rock & Viola Extrema e realizar uma turnê ainda maior já a partir de 17 de janeiro, quando será atração do, com a participação de Robertinho do Recife.

O novo trabalho segue a mesma fórmula do Moda de Rock & Viola Extrema (2011) anterior, apresentando versões instrumentais de clássicos do rock adaptados para a viola caipira. O público que há tempos já esperava pela boa notícia curtirá nesta nova edição sucessos de bandas como Metallica, Iron Maiden, Pink Floyd, Sepultura e novidades como Queen, Dire Straits, Slayer e Ramones.

Quase cinco anos após o lançamento do primeiro Moda de Rock & Viola Extrema (feito via financiamento coletivo, ou crowdfunding), a dupla contabiliza mais de 300 concertos, um DVD com as participações dos guitarristas Pepeu Gomes e Kiko Loureiro e do tradicional grupo Os Favoritos da Catira. A dupla também teve como convidados os guitarristas Andreas Kisser (Sepultura), Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Renato Teixeira levando a vários palcos por todo o Brasil, Estados Unidos e Argentina um projeto nascido quase como brincadeira: a intenção era mostrar aos alunos o potencial da viola, posto que Ricardo e Zé atuam também como professores do instrumento, e reviver a trilha sonora da adolescência. O lançamento do CD Moda de Rock – Viola Extrema virou fenômeno de mídia e de vendas: no espírito da viola caipira, In the Flesh (Pink Floyd), por exemplo, tornou-se uma singela valsinha, Aces High (Iron Maiden) e Master of Puppets (Metallica) ganharam levadas de pagodes de Tião Carreiro e assim a viola chegou para amantes do rock pisando em templos até então inéditos.

Além da demanda de shows, outros projetos paralelos do duo contribuíram para a “demora” em lançar o volume II. Nesse meio tempo, os violeiros lançaram Matuto Moderno 5 (2012);  Ricardo Vignini trouxe Viola Caipira Duas Gerações, com o mestre violeiro Índio Cachoeira, e o power trio de rock pesado Mano Sinistra (2014). Fora isso Vignini produz e participa de inúmeros shows e álbuns, dentro e fora do país, entre os quais se destaca Carbono, que acabou rendendo um convite para ele tocar com o pernambucano quando Lenine protagonizou show no Rock in Rio, em setembro. Zé Helder lançou em 2015 Assopra o Borralho, terceiro volume de sua discografia.

Agenda de shows do Moda de Rock II

17 de janeiro, 18 horas: Lançamento do Moda de Rock II no Sesc Pinheiros, São Paulo, com participação de Robertinho de Recife
23 de janeiro, 21 horas, São Francisco Xavier/SP
12 de fevereiro, 20 horas, Assis/SP
13 de fevereiro, 20 horas, Guarulhos/SP
19 de fevereiro, 20h30, Santa Barbara D’Oeste/SP
25 de fevereiro, 20 horas, Tatuí/SP
27 de fevereiro, 20 horas, Brotas/SP
4 de março, 20 horas, Bragança Paulista/SP
9 de março, 20 horas, Botucatu/SP

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632 – Ricardo Vignini (SP), camarada top das cordas caipiras e elétricas, recebe hoje abraços de matutos e roqueiros

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O Barulho d’água Música registra e espalha que hoje, terceiro dia do mês em que chegará a Primavera, completa mais um aniversário o embaixador da viola caipira nos Estados Unidos; guitarrista que faz Tião Carreiro e Jimmy Page falarem a mesma língua; personagem de matéria especial na destacada revista Guitar Player, em março;  e que será atração do Rock in Rio trintão, em 18 de setembro, no palco Sunset, com Lenine, com o qual gravou em disco o projeto Carbono. Já sabem a quem estamos nos referindo, certo, amigos e seguidores do blogue e fãs deste paulistano sempre bem humorado? Bom, então vamos cumprimentar o competentíssimo músico Ricardo Vignini, que, entre outras credenciais inquestionáveis, é um dos pioneiros na utilização do tradicional instrumento da cultura brasileira no gênero caracterizado pelo uso da guitarra elétrica e mistura ponteados da música caipira com riffs e fraseados de rock, conforme definição da Guitar Player.

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Guitar Player destaca pioneirismo e talento do violeiro roqueiro Ricardo Vignini, de São Paulo

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Viola caipira no rock é algo que remete a Ricardo Vignini, define a Guitar Player. Vignini é um dos pioneiros na utilização do tradicional instrumento da cultura brasileira no gênero caracterizado pelo uso da guitarra elétrica e mistura ponteados da música caipira com riffs e fraseados de rock

 

A  revista Guitar Player de março já está nas bancas e em suas páginas traz entre outras matérias sobre o universo do rock entrevista com o  paulistano Ricardo Vignini. Integrante do grupo Matuto Moderno, um dos trabalhos no qual está envolvido e que no ano passado comemorou 15 anos de estrada, Ricardo Vignini vem se destacado no cenário nacional e  no exterior pela excelência e maestria no trato com a viola de 10 cordas, talento  que o tornou parceiro do mestre Índio Cachoeira e também do amigo Zé Helder em dois projetos bastante cultuados tanto pelos fãs da autêntica música caipira, quanto pelos amantes do heavy metal.  

Viola caipira no rock é algo que remete a Ricardo Vignini, define Fábio Carrilho, autor do texto na Guitar Player. Vignini é um dos pioneiros na utilização do tradicional instrumento da cultura brasileira no gênero caracterizado pelo uso da guitarra elétrica. Ao dedilhar  as cordas, ele mistura ponteados da música caipira com riffs e fraseados de rock — fusão que serve de base para o repertório dos cinco álbuns já gravados pelo Matuto Moderno e dos shows que regularmente a banda leva pelo Brasil. Em 2014, o violeiro mostrou ao público outras facetas de sua “viola guitarra”, recorda Carrilho, ao lançar o primeiro disco da banda Mano Sinistra, power trio formado por ele, o baterista Paulo Thomaz e o baixista Marcos Lucke.

Foi no ano passado que Ricardo Vignini gravou também Viola Caipira Duas Gerações, em duo com  Índio Cachoeira. Já com Zé Helder, em 2011 saiu o fantástico Moda de Rock – Viola Extrema. Sucesso de vendas e de shows tanto no Brasil, quanto no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, o álbum arrebatou um dos troféus do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, entregue em noite de gala no Memorial da América Latina, em junho de 2013.

A razão para tamanha repercussão é a adaptação de clássicos do rock para as cordas de duas violas, entre as quais In the Flesh, faixa de The Wall, do Pink Floyd, que nos dedos da dupla transformou-se em uma singela valsinha. Para quem não consegue conceber a ideia de Pink Floyd tocado assim, procure imaginar Aces High, do Iron Maiden, e Master of Puppets, do Metallica, levadas em ritmo de pagode de viola.

Além de músicas destas bandas, o Moda de Rock traz Led Zeppelin; The Beatles; Jimi Hendrix; Megadeth; Sepultura; Nirvana; Jethro Tull; e Ozzy Osbourne. Participam ainda o também violeiro Renato Caetano e Edson Fontes, este integrante dos grupos Favoritos da Catira e ainda do Matuto Moderno; na versão ao vivo e em DVD, Ricardo Vignini  e Zé Helder contam com a participação do baiano Pepeu Gomes.

Rock do anos 1980 em Santo André

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Ricardo Vignini e Zé Helder vão tocar na viola Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, entre outros sons, para o público do Sesc Santo André (Foto: Marcelino Lima)

 

Quem mora em Santo André e cidades da região do ABCD, na Grande São Paulo, poderá conferir no dia 26 de março a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder em ação. A partir das 21 horas, eles apresentarão na Comedoria do Sesc daquele município show do projeto Quintas Musicais – Movimentos Musicais. O repertório terá clássicos do rock brasileiro da década dos anos 1980, executados com novos arranjos especialmente elaborados para a viola caipira. O público curtirá, por exemplo, sons do Legião Urbana, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso, entre outras bandas que marcaram o período. 

O Sesc Santo André fica na Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar.

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Mano Sinistra toca em bar de Moema (SP) no dia 26; Ricardo Vignini, Zé Helder e Índio Cachoeira em Pinheiros, no dia 30

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A banda Mano Sinistra, formada pelo violeiro Ricardo Vignini (Matuto Moderno e Moda de Rock), o baterista Paulo Thomaz (ex-Centúrias e Firebox, atual Baranga e Kamboja) e o baixista e cantor Lucke Marcos (ex-Frank Elvis e Los Sinatras, Houdinis e Malaco Soulestará no Ao Vivo Music Bar nesta quarta-feira, 28, a partir das 21h30.  A casa fica na Rua Inhambú, 229, Moema, bairro da zona Sul paulistana e cobrará R$ 20,00 por cabeça.

O trio está prestes a comemorar o primeiro aniversário do álbum homônimo que lançou em 2014, no dia 16 de fevereiro, no Sesc Belenzinho (SP). O trabalho conta com 11 faixas de genuíno rock pauleira cantado em língua portuguesa, mas que também agrada em cheio pela maestria de Vignini, professor, produtor musical e violeiro canhoto — o que explica a escolha do nome da banda: mão esquerda, em italiano. O som heavy com pitadas até de punk soa diferente e se destaca quando Vignini entra em cena para a sessão heavy empunhando não uma potente guitarra, e sim uma viola caipira, eletrificada, mas plenamente adaptada aos manos cabeludos da cidade que, como o próprio figurino dos três sugere, estão mais para Sepultura do que para um trio de música raiz.

Outra característica do Mano Sinistra é a voz de Lucke Marcos e suas interpretações. No disco, sete das onze faixas são do poeta e escritor Paulo Nunes, que pôs no papel uma temática ácida e urbana.

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Ricardo Vignini, Índio Cachoeira e Zé Helder tocam no dia 26, na Casa do Núcleo (SP), antes de iniciarem mais um curso de viola caipira (Foto: Marcelino Lima)

Show e curso

O violeiro Ricardo Vignini, ao lado de Zé Helder e de Índio Cachoeira, também vai se apresentar na sexta-feira, 30, a partir das 21 horas, na Casa do Núcleo (rua Padre Cerda, 25,  Alto de Pinheiros, bairro da zona Sul de São Paulo). Juntos, os três começarão no dia seguinte mais um curso de viola caipira. Zé Helder é um dos matutos modernos e com Vignini gravou Moda de Rock – Viola Extrema, em 2011, um sucesso  de mídia,  de vendas e de shows realizados em diversas regiões do Brasil e nos Estados Unidos pela adaptação de clássicos do rock para a viola caipira. O dvd do “Moda de Rock- ao Vivo”, com as participações de Pepeu Gomes, Kiko Loureiro e Os Favoritos da Catira, agora está chegando à Argentina.

Índio Cachoeira, um antigo motorista de ônibus na cidade de Guarulhos (SP), reside em Alfenas (MG), mas é nascido em Junqueirópolis (SP), divisa com Mato Grosso do Sul. Um dos mais gabaritados no pontear da viola de dez cordas, Índio Cachoeira ocupa lugar de destaque no cenário de raiz ao lado de Ivan Vilela, Rui Torneze, Paulo Freire, Almir Sater, Roberto Corrêa e Levi Ramiro. Entre 1995 e 2000, como Pajé, fez parte da famosa dupla com Cacique . É fabricante dos próprios instrumentos e em 2014 lançou Duas Gerações-Viola Caipira, com Ricardo Vignini.

 

 

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Indio Cachoeira e Ricardo Vignini, duas gerações da mesma tribo

 

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Ricardo Vignini e Indio Cachoeira na apresentação que ambos fizeram no SESC Campo Limpo, em roda que ainda reuniu Levi Ramiro, Paulo Freire e Rodrigo Zanc (Foto: Marcelino Lima)

Os violeiros Índio Cachoeira e Ricardo Vignini, juntos, já realizaram dezenas de apresentações pelo país e no exterior. A dupla, que recentemente lançou o álbum “Viola Caipira, Duas Gerações”, conseguiu desde o primeiro contato sintonia mais do que fina, perfeita. Índio Cachoeira é considerado um dos maiores violeiros do Brasil, mas nem sempre se dedicou a tocar o instrumento. Quando conheceu Vignini, era motorista de ônibus em Guarulhos, recém-saído da dupla Cacique e Pajé, e apresenta traços morenos de um caboclo da mais genuína estirpe, de um típico morador de cidades do sertão, um mineiro que levaria a vida sossegada em Alfenas, mais dedicada a pescarias e a cultivar uma roçinha do que a construir violas e outros instrumentos de cordas dos mais refinados, além, claro, de ponteá-las.

Foi Vignini quem produziu três discos e um DVD de Índio Cachoeira. Olhando para ambos, entretanto, a primeira impressão é que entre os dois não haveria qualquer possibilidade de entrosamento, ainda mais em vertentes tão aparentemente dispares. Ricardo Vignini tem pinta de roqueiro, de alguém completamente avesso às modas caipiras ou de se deixar levar pela influencia da cultura latino-americana que, por exemplo, permeia composições do parceiro. Quem pensar desta forma estará parcialmente certo, mas não poderá se quedar à primeira impressão. O cabeludo de óculos de aro redondo integra, sim, uma banda de rock, a Mano Sinistra (Mão Esquerda, em italiano), e, em parceria com Zé Helder, gravou um dos melhores trabalhos do gênero na atualidade, em 2011.

A ressalva é que “Moda de Rock, Viola Extrema”, é uma bem elaborada fusão do mais puro rock, por meio de clássicos de Pink Floyd, Iron Maiden, Sepultura, Led Zepellin, com a viola que ponteia em muitas festas, bailes de roça e celebrações religiosas em cujo ambiente o divino (portanto, o não profano!), fala mais alto. Um crítico bem humorado e certeiro já classificou o trabalho de “Woodstock Rural”, o que por sinal é a perfeita descrição do que Vignini e Zé Helder colocaram no primeiro volume do disco que, em breve, ganhará o irmão, agora com novas versões para sucessos do Dire Straits, dos Rolling Stones, e do Ramones para serem tocadas tanto em quermesses quanto no “Rock in Rio” — isto claro, se Sangalos e Leites não agradarem mais ao padre e ao executivo.

Vignini e Zé Helder ainda tocam juntos no Matuto Moderno”, outra banda que é capaz de tocar “Rio de Lágrimas” como se estivesse em um porão ou garagem. Ou composições com arranjos pauleiras que remetem ao prosaico e calmo meio rural, marcadas ainda pelo bom humor típico de um capiau e contador de causos, mas que, na verdade, são cinco moços que usam por debaixo das camisas xadrezes camisetas pretas de Jethro Trull, Ozzy Osborne, Hendrix e Mettalica.

Vignini e Índio Cachoeira, portanto, são da mesma tribo, e até no exterior já impressionaram por falarem a mesma língua quando a conversa flui pelos arames de uma viola. Em 2012, durante um giro pela França, o público pediu um disco que consolidasse a parceria. O trabalho saiu, já andou um bom trecho, mas ainda está tinindo e cheirando a novidade, reunindo faixas que evidenciam a maestria de ambos.

“Viola Capira, Duas Gerações” foi lançado em 1º de junho, no SESC Belenzinho. O disco tem a marca de Índio Cachoeira em “Bailado Andino”, “Suindara”, “Visitando o Oriente”, “Pagode de Gibão” ou “Prelúdio Caboclo”, em que ele transita do popular ao clássico com claras referências ao Nordeste, aos países ibero-americanos, aos povos mouros e orientais. Vignini responde assinando a faixa tupiniquim-erudita Suite Queiroz”, dividida em duas partes (A, “Guaiçara”, e B, “Caviuna”), e, “De butuca”. Ambos ainda trazem uma nova leitura para “La Paloma”, de Sebastian Iradier e Salaverri, e “Moliendo Café”, do folclore venezuelano legado por Hugo Blanco e José Manzo Perroni.

“Viola de Chumbo”, composição de ambos, fecha “Viola Caipira, Duas Gerações”, que ainda acrescentou ao repertório “Galope Beira Corgo”, do mestre e amigo Levi Ramiro. Os três estiveram juntos em 9 de julho, no SESC Campo Limpo, onde formaram uma roda de viola com Paulo Freire e Rodrigo Zanc. Nesta oportunidade, devido ao curto tempo que tiveram para se apresentar, tocaram apenas “La Paloma”. Já na noite de segunda-feira, 14, Índio Cachoeira e Ricardo Vignini chegaram ao palco do Teatro Anchieta, no SESC Consolação. Com a participação dos matutos modernos André Rass (percussão) e Marcelo Berzotti (baixo) eles foram destaques de mais uma edição do projeto Instrumental SESC Brasil, coordenado por Patrícia Palumbo, e a maioria das faixas do recente álbum pode ser mostrada. Ainda não há data definida, mas em breve o linque da apresentação estará disponível e será disponibilizado aos seguidores e amigos deste Barulho d’Água.