1081 – Conheça a obra de Cícero Gonçalves, violeiro de Teófilo Otoni (MG) que está lançando Pintura

O novo disco é o terceiro da carreira que em seu início recebeu importante apoio de Victor Martins, parceiro de Ivan Lins em Bandeira do Divino
Marcelino Lima

O acervo do Barulho d’água Música recebeu novas contribuições, gentilmente cedidas pelo cantor e compositor Cícero Gonçalves, mineiro de Teófilo Otoni que cresceu em Francisco Badaró, cidade do Vale do Jequitinhonha, região onde absorveu a base de sua cultura e aflorou a sua vocação musical. Atualmente residente em Piedade, cidade da região de Sorocaba a cerca de 100 quilômetros da capital paulista,  Cícero Gonçalves,  lançou Pintura recentemente, um dos álbuns que repassou ao blogue, junto com Na Outra Margem do Rio, de 2004. A discografia de Gonçalves conta ainda com Oferenda, mas este se encontra esgotado.

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768 – 15º Caipirapuru (SP) está confirmado e terá rodas de viola, brincadeiras e oficinas de bonecas no final de dezembro

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Júlio Santin (imagem maior) será anfitrião no Caipirapuru entre outras atrações de Cláudio Lacerda, Zeca Collares, Luciano Queiroz, Minerim, Guê e Thadeu Romano (Fotos, exceto Luciano Queiroz: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música; Luciano Queiroz: Divulgação)

O tradicional festival de música caipira que anualmente mobiliza Irapuru (SP) e cidades da Alta Paulista vizinhas esteve ameaçado de não sair do papel neste ano por falta de verbas e de apoios, mas um dos promotores, o violeiro Júlio Santin, mobilizou-se, lançou vaquinha virtual, tirou grana do bolso e, com os demais membros da Associação Cultural Caipirapuru, após dar seus pulos, conseguiu condições para oferecer o Caipirapuru ao menos em duas datas entre as quatro que planejava. A programação já está definida e nesta edição, que será a 15ª, o público curtirá as atrações em 28 e 29 de dezembro, sempre na Praça Leite Ribeiro, com entrada franca. Natural de Irapuru, o próprio Júlio Santin estará em uma das rodas, no primeiro dia de cantorias, ao lado de Zeca Collares (Sorocaba/SP) e Luciano Queiroz (Assis/SP).

Segunda-feira, 28 de dezembro

Roda de viola com Jordão e Rio Sereno, Tião Viola e Zezinho
Guê e Minerim
Abertura oficial
Thadeu Romano
Roda de viola com Júlio Santin, Luciano Queiroz e Zeca Collares
Cláudio Lacerda
Edson Esteves e Fernando
Baile com Thadeu Romano e Eujácio Rocha, Marcos Azevedo, Paulinho do Pandeiro e Donisete Juvino

Terça-feira,  29 de dezembro

Brincadeiras Infantis e Oficina de Bonecas
Palco Aberto
Nardi e Narciso
Donisete Juvino
Jesus de Burarama
Grupo Toque de Viola/Irapuru, com participação especial de Mauro Silva e Oliveira
Trio Tamoyo
Zé Milson e Vicente Reinaldo (repentistas)
Juliana Andrade e Jucimara
Baile caipira com o Grupo Sol Nascente

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Zeca Collares lança Estação, álbum de rezas, folias e violas, no Sesc Campinas (SP)

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O compositor, cantor, e cineasta Zeca Collares, mineiro de Grão Mogol, estará em Campinas na manhã de domingo, 21, para animar mais uma rodada do projeto Folias de Junho/Viola&Café, programação que remete às memórias afetivas dos diversos festejos juninos com danças, música, crenças, aromas e sabores. Atualmente residente em Sorocaba (SP), Zeca Collares apresentará na Área de Convivência seu mais novo trabalho com composições inéditas assinadas por ele, em parceria com o compositor Valter Silva, somada ao cello e contrabaixo de Luiz Anthony, ao violão de Zé Marcos e a percussão de Cléber Almeida. O álbum, Estação, traz o universo regional das rezas, das folias e das violas, além de inovações nas propostas melódicas e harmônicas. 

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Marcos Azevedo, violonista de São Paulo, é o aniversariante do dia

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Quinze entre dez violeiros quando precisam de um top para acompanhá-los em uma apresentação marcada para qualquer parte do país não pensam nenhuma vez: já localizam o telefone ou pelo zap zap vão logo fazendo contato com ele, o músico perfeito para fazer base de violão. O músico ideal, de acordo com eles, existe, chama-se Marcos Azevedo e hoje, 2o de junho, está recebendo e atendendo aos inúmeros chamados por razão ainda mais nobre já que está comemorando aniversário. O Barulho d’água Música reforça a corrente de congratulações e em coro com todos eles também envia seu abraço ao Marcão, em nome dos muito amigos e seguidores!

Marcos Azevedo toca baixo com a mesma desenvoltura que demonstra ao violão e durante o recente projeto Viola dos 5 Cantos, com curadoria de Zeca Collares e acolhido pelo Sesc de Vila Mariana (SP), fez grande participação no show do violeiro de cocho Daniel de Paula, atração da noite de sexta-feira, 12 de junho, completando o trio de ases que tinha, ainda, Di Brandão. Dois dias antes, ao lado de André Rass (percussão) abrilhantou a mostra do Sudeste à esquerda de Júlio Santin. Levi Ramiro dificilmente divide sozinho os aplausos que recebe pois quase sempre Marcão Azevedo está junto ao mestre, como ocorreu na quinta-feira, 18, no Sesc Santo André. 

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Marcos Azevedo tocou com Daniel de Paula (MT) no projeto Viola dos 5 Cantos, no Sesc Vila Mariana, e, na antevéspera com Júlio Santin (SP) (Foto: Marcelino Lima)

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Daniel de Paula: epifânico e abrejeirado

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O Sesc Vila Mariana, em São Paulo, acolheu o projeto Viola dos 5 Cantos, com curadoria de Zeca Collares, mineiro de Grão Mogol atualmente residente em Sorocaba (SP), que pretende por meio desta iniciativa belíssima mostrar as particularidades e as semelhanças das várias afinações e modos de tocar a viola nas diferentes regiões do país. O primeiro convidado, Julio Santin, de Irapuru (SP), mostrou em 10 de junho, por meio de cururus, cateretês, pagodes, guarânia e até chamamés, falou um pouco sobre cada estilo e as sonoridades que a viola caipira tem no Estado de São Paulo. Santin estava acompanhado por Marcos Azevedo (violão) e Andre Rass (percussão).

Na sexta-feira, 12 de junho, Daniel de Paula, aniversariante, revelou ao público que ainda não conhecia o instrumento a magia e a singularidade da viola de cocho, presença obrigatória em festas religiosas há séculos no Centro-Oeste e diretamente vinculada a festas populares como  siriri e a cururu. É de impressionar a variedade melódica que ele consegue extrair das suas duas acompanhantes — que, para começo de conversa, na maior parte do tempo, toca de olhos fechados, como se estivesse em oração, no auge de uma epifania, ou saracoteando o corpo como se brejeiro fosse, em sutis bailados e movimentos como se a música fluísse por ele, ou dele estivesse se esvaindo em meio a uma celebração litúrgica cuja comunhão ele atinge com siriemas, araras e arancuãs, rios, peixes, poentes e luares, rituais pantaneiros nos quais ele parece estar imerso.

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Nativismo mato-grossense é destaque do novo álbum de viola de cocho de Daniel de Paula

 

O músico e compositor Daniel de Paula lançou no começo deste mês com shows no Mato Grosso e no vizinho Mato Grosso do Sul Viola e Sentimento, trabalho que sucede Lufada em viola de cocho. Nas apresentações do novo álbum, o cuiabano tocou com Marcos Azevedo e Di Brandão (violão) e Júlio Santin (viola caipira), em participações especiais. 

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Bambas da viola brasileira encontram-se na Galeria Olido, em São Paulo

Matuto e Indio
Matuto Moderno e Índio Cachoeira (Fotos: Marcelino Lima)

Entre os dias 27 e 29 de novembro quem esteve na Galeria Olido, situada no centro de São Paulo, teve a oportunidade de prestigiar mais uma edição do Encontro Nacional de Violeiros, que há oito anos não ocorria depois de ter sido organizado em Ribeirão Preto. O evento na Capital paulista foi promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e reuniu no palco do antigo cinema parte dos mais expressivos cantores, compositores e expoentes do país que se dedicam à transmissão, à preservação e à divulgação de valores vinculados à viola de dez cordas, seja por meio de sua vertente caipira ou regional, permitindo a plateia conhecer variados ritmos e toques numa verdadeira ode à cultura popular.

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Levi Ramiro e Marcos Azevedo encerram programação de julho do “Caldos com Sons Brasileiros”

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Levi Ramiro, em primeiro plano, e Marcos Azevedo, ao fundo, apresentaram no SESC de Osasco canções de autoria do violeiro, variando os estilos entre o baião e a moda caipira (Fotos: Marcelino Lima)

O violeiro Levi Ramiro é considerado pela crítica e pelos amigos do meio e do peito um dos mais versáteis e notáveis do cancioneiro caipira e regional. Quem o vê tocando e cantando pela primeira vez logo dá fé, assina embaixo e espalha. O público do SESC de Osasco que comparece todas às quintas-feiras ao Deck da Cafeteria, local escolhido pela unidade para a realização do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, entretanto, levou para casa no dia 31 de julho a certeza de ter conhecido alguém ainda mais completo que a primeira referência que ouviu ou leu dele. Acompanhado de Marcos Azevedo ao violão, Levi deu não apenas um show de interpretação e de maestria, mostrando que das cordas dos instrumentos que ele mesmo fabrica brotam outros ritmos da cultura popular que levam a plateia em excursão por vários lugares do Brasil, com escala em países vizinhos como Argentina, Peru e Bolívia.

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Levi Ramiro, nascido em 1o. de abril, é também artesão dos próprios instrumentos e ilustre contador de causos

De saída, ainda antes de começar a cantar e a tocar o repertório anotado à mão em uma folha de papel, Levi Ramiro fez loas à lua e a reverenciou com versos de Elomar Figueira de Mello, presentes na canção Arrumação”: Ponta d´unha, lua fina risca no céu/A onça prisunha, a cara de réu/O pai do chiquêro a gata comeu”, referindo-se ao formato do satélite. Na sequência, desfiou uma seleção que incluía além de faixas do seu mais recente álbum “Capiau” (2013) o baião “Boca de Espera”, a milonga “Madrugada Solita”, os sambas “Pé de abóbora, Viola, viola” e “Samba de Roda”, a folia “Encontro de Bandeiras”, e a zamba “Mais uma saudade”. Não faltaram ainda clássicos como “Saudades da minha terra”, de Goiá e Belmonte, e “Rancho Triste”, de Pena Branca e Xavantinho; “Tristeza do Jeca”, de Angelino de Oliveira, em versão instrumental, conquistou aplausos efusivos e foi um dos momentos nos quais mais se pode presenciar o virtuosismo dos músicos.

Levi Ramiro também passeou pelas obras de Paulo Freire, amigo e sumidade da viola paulista e curiosamente nascido como ele em 1º de abril. Ambos têm ainda como marcas registradas a capacidade de recolher e contar causos dos mais engraçados aos mais fantásticos, os quais juram como convém aos que nascem naquela data se tratarem da mais pura verdade! E tome entre uma colherada e outra da canja de galinha servida naquela noite pelo SESC relatos de fartas pescarias, anedotas do trabalho e de hábitos na roça (com o cuidado de não estereotipar as personagens, mas apenas de revelar suas características naturais e mais singelas, muitas vezes moldadas pelo meio nos quais habitam), narrativas de transformação de amigos em feras como lobisomens, e de caçadas e embates com onças mata adentro, sempre enfáticos e contados nos mínimos detalhes.

Marcos Azevedo

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Marcos Azevedo começou a carreira aos 14 anos, acompanhando Pedro Bento e Zé da Estrada

Marcos Azevedo já forma dupla com Levi Ramiro há algum tempo. Paulistano, Azevedo começou a tocar aos 14 anos em apresentações de Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léu, Zico e Zeca e integrou em várias temporadas o Regional de Robertinho do Acordeon, com o qual acompanhava os convidados do programa “Viola, minha Viola”, da TV Cultura.

Programação de agosto do “Caldos com Sons Brasileiros”, com início sempre às 19 horas e degustação de sopas que variam conforme o dia e vendidas a R$ 6,50.

7 – João Ormond/14 -Edson Duarte/21- Luiz Wilson/ 28 – Arnaldo Freitas

  

 

Sob a mesma “nuvem” raízes, pássaros e cantadores

Eita que dentro do novo disco do Levi Ramiro, “Capiau“, a frase “os dispostos se atraem”, do Fernando Anitelli, de “O Teatro Mágico”, consumou-se a mais pura verdade! Não é, moço, que na “alma” daquela esfera e no livreto do encarte couberam uma mata inteira de passarinhos variados, além de uma constelação de gente boa que transita no universo caipira e regional da música de raiz? Começa que as ilustrações do álbum em papel reciclado brotaram da pena da Katya Teixeira. E ela ainda solta aquela voz poderosa em duas das 15 faixas! Uma delas, “Encantado”, é dedicada a São Dércio Marques, cujo homem outrora encarnado já emplumou e, mais do que uma estrela, hoje se tornou imensa nuvem que arreúne muitos seguidores, envoltos em agradável sombra.cd-capiau

As letras de “Capiau”, quando não são do próprio Levi Ramiro (que enquanto canta e dedilha as próprias violas, próprias não por serem objetos dele, apenas, mas por ter sido ele mesmo quem as artesanou!) têm assinatura do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, ou, ainda, de ambos em combinação. Se falha uma o parceiro é Wilson Dias, mineiro que de vez em quando me enche os olhos de água e que no disco também nos encanta em duas cantorias.

Vamos adiante porque a prosa e as modas prosseguem com participações de Carlinhos Ferreira, Marcos Azevedo, Carlinhos Campos. E fecha com aquele irrequieto e criativo menino de Campinas, o pequeno notável João Arruda! E está achando que pára por ai? Ah, pois vai ouvindo, vai ouvindo: você ainda vai dar por ali com o mestre Paulo Freire, Adriano Rosa, Gustavo Guimarães, Júlio Santin, Luciano Queiroz, Bilora Violeiro, Rodrigo Delage, Thadeu Romano e o bom amigo que está sempre a festejar conosco, Cláudio Lacerda.

Olha, aqui, vamos combinar uma coisa, amigo (a)? Nesta lista ainda há um monte de nomes a serem mencionados e não quero deixar ninguém sem o reconhecimento do seu mérito. Então, faça assim, oh: entre em contato com o Levi Ramiro, encomende o seu exemplar do “Capiau”, e aguarde pelo carteiro. De posse da caixinha, dê umas esfregadas nas mãos, leve o poeta para um cantinho sossegado da sala, ou do quintal. Acomode-se em sua cadeira preferida debaixo daquela árvore que te dá sombra e frutos, munido de um recém-coado bule de café, ou de um pouco daquela boa que te trouxeram das Gerais, de Goiás, da Bahia, do Piauí e de onde quer que seja estava reservada para uma ocasião especial. Antes de por o disco para rodar, leia todas as informações, prestando bastante atenção ao alerta do Evangelista e nas ilustrações da Katya Teixeira; isto, assim mesmo, sem afobação, com o passo das águas de um regato que corta os fundos de um sítio ou chácara e não precisa de pressa para correr, como sabiá que pousou no galho da laranjeira e não quer mais bater asas dali. Então, simplesmente escute e ouça…

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O violeiro e compositor Levi Ramiro reúne pássaros de vários timbres no álbum “Capiau”, que tem encarte preparado por Katya Teixeira, letras de João Evangelista Rodrigues e homenagem a Dércio Marques (Marcelino Lima, Campinas, março de 2014)