Barulho d'Água Música

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1002 – Culto à Padroeira do Brasil, consagrada em “Romaria”, remonta à pescaria milagrosa no Vale do Paraíba (SP)

PadroePapel

Origami de Emilson Santos (www.coisasdepapel.com.br)

A estupidez e a intolerância religiosa já a tornaram entre outros episódios condenáveis vítima de ensandecidos pontapés, ao vivo, desferidos pelo pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Sergio Von Helde em uma emissora de televisão, em 12 de outubro de 1995. A devoção e a fé nos prodígios e bênçãos dela, entretanto, em grandeza exponencialmente inversa àquele ódio, transformam-na em amuleto e em amparo nos quais há séculos se apegam, entre outros, inúmeros artistas populares como a confraria quase completa de violeiros. Em suas cantorias, eles costumam entoar seu amor, suas súplicas, seus agradecimentos e, ainda, pedem proteção e iluminação à Santa que por decreto oficial do Papa Pio XI, desde 16 de junho de 1930, é a Padroeira do Brasil. Juntamente com o Dia das Crianças, é à Nossa Senhora (da Conceição) Aparecida que se dedica o feriado desta quinta-feira, 12 de outubro, que deverá atrair à Basílica de Nossa Senhora Aparecida milhares de peregrinos de diversas partes do território nacional e do exterior.

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633 – João Arruda fala sobre a carreira, cultura popular e canta em nova rodada do Imagens do Brasil Profundo (SP)

arrudinha

O compositor, pesquisador e multi-instrumentista João Arruda, de Campinas (SP), animou mais uma rodada do projeto Imagens do Brasil Profundo, realizado a cada quinze dias, sempre às quartas-feiras, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Abrindo a programação de setembro, João Arruda conversou com o curador Jair Marcatti sobre temas e ritmos relacionados à cultura brasileira e que influenciam sua carreira que, neste ano, completa 10 anos. O bate-papo transcorreu entremeado por músicas dos álbuns Celebra Sonhos e Venta Moinho, além de um terceiro, ao vivo, com músicas do show Entre Violas e Cordas (que está gravando), e as canções Minha História (João do Vale/MA) e Tapera (Vitor Ramil/RS). Para acompanhá-lo, Arruda chamou ao palco o violinista Antônio Galba e a cantora Katya Teixeira.

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Coreto de praça no Centro de Campinas será palco para Arreuní especial de Natal

Arreuni Natal

Fotos: João Arruda e Katya Teixeira (Marcelino Lima), Levi Ramiro (Nalu Fernandes) e Consuelo de Paula (Divulgação)

Quem pensou que a rodada de outubro do projeto Arreuní teria sido a última do ano e já está contando os dias para que comece a temporada de 2015, comemorará esta boa notícia: o curadoJoão Arruda chamou Consuelo de Paula, Katya Teixeira, Levi Ramiro para serem os convidados da edição extra de Natal. O evento, desta vez, está marcado para o sábado, 20, no coreto da Praça Carlos Gomes, situada no Centro de Campinas (SP), e começará às 20 horas, com participação especial de Tião Mineiro.

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Dia de Pachamama, festa milenar do norte argentino, berço de Maryta de Humahuaca

Pachamana

Representação de Pachamama, ou Pacha Mama, divindade que gera a riqueza, a sabedoria e tudo o que nutre os povos andinos do Chile, da Bolívia, do Peru e da Argentina, celebrada há mais de 10 mil anos

A sexta-feira, 1º de agosto, para alguns irmãos de países vizinhos da América do Sul, foi dia de celebrar “Pacha Mama” ou “Pachamama” (do quíchua Pacha, “universo”, “mundo”, “tempo”, “lugar”, e Mama, “mãe”, “Mãe Terra”), deidade máxima dos andes peruanos, bolivianos, do norte e do noroeste argentino e do extremo norte do Chile. A deusa é aquela que produz, gera. Reza a tradição que sua morada está no Cerro Blanco (Nevado de Cachi), em cujo cume há um lago que rodeia uma ilha habitada por um touro de chifres dourados. 

Este animal, ao mugir, expele nuvens de tormenta pela boca, mas deste arroubo não se sucedem desgraças. Nesse dia, em retribuição, enterra-se em lugares próximo da casa panelas de barro com comida cozida. Também se põe coca, yicta, álcool, vinho, cigarros e chicha para alimentar Pacha Mama. Os nativos adornam-se com cordões de fio branco e preto, confeccionados com lã de lhama, enrolando-os à esquerda. Esses cordões se atam nos tornozelos, nos pulsos e no pescoço.

O Dia de Pachamama nos remete à cantora Maryta de Humahuaca, da cidade de Humahuaca, encravada na província de Jujuy, Argentina, situada a 1.500 km de Buenos Aires, próxima à fronteira com a Bolívia e o Chile. O blog conheceu Maryta em 16 de março, quando o cantor e multinstrumentista João Arruda a convidou para ser uma das atrações da primeira edição deste ano do projeto “Arreuni” ao lado do violeiro Levi Ramiro e o grupo de música folclórica andina Chasky.

Maryta

Maryta de Humahuaca durante show em Campinas/SP (Foto: Marcelino Lima, março de 2014)

Em sua apresentação no Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP), ela deixou-nos hipnotizados ao entoar com devoção de quem liberta do âmago um canto índigena uma das músicas de seu álbum, justamente chamada “Pachamama”. Por quase cinco minutos, o hino ancestral apoiado pelas ritmadas batidas dela em um tambor argentino do período pré-incaico ecoou forte pelo recinto. Brilhava apenas o facho do holofote dirigido a ela. Criou-se uma atmosfera de misticismo e comunhão com o sagrado em que muitos rostos mantiveram-se estáticos e fixos na intérprete, como se estivessem suspensos ou em transe, incluindo o do anfitrião, João Arruda. Apenas a lembrança desta experiência já é suficientemente forte para até hoje arrepiar a pele.

Sempre de forma efusiva e vibrante, o que é uma característica dos cantores das correntes ibero e latino-americanos, naquela ocasião em Campinas Maryta ainda tocou violão e bailou, tanto sozinha, quanto acompanhada por integrantes do Chasky, e enfeitou os pesçocos dos músicos com colares de flores. Em 29 e 30 de julho, ela esteve de volta ao país, desta vez para participar do XIV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (GO). Felizes os que puderam compartilhar e comungar com ela mais estes instantes.

Humahuaca e suas festas

A Quebrada de Humahuaca tem mais de 10 mil anos e é declarada pela UNESCO Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria Paisagem Cultural. Neste longo período tem sobrevivido intactas no vale entre montanhas expressões culturais que são refúgio de tradições originárias, de costumes ancestrais, de celebrações religiosas e de ritos pagãos.

Nesta terra milenária, o culto às divindades ancestrais como a Pachamama convivem com as celebrações do santoral católico em autênticas festas populares: carnavais agitados, alegres encontros de artistas, emotivas peregrinações. Em uma celebração permanente da vida em si mesma, crianças, adultos e anciãos se reúnem ao pé dos cerros coloridos e percorrem as ruas entre música, sabores, bailes e orações.

Os pequenos dançam entre fitas coloridas nas esquinas do povoado adorando o Niño Jesús (Menino Jesus) durante as comemorações do Natal. Em janeiro a música e o canto enchem de cor as ruazinhas de Tilcara para viver uma das mais tradicionais festividades folclóricas do Norte da Argentina: “O Janeiro Tilcarenho”. No mês de fevereiro, as máscaras representem um antigo ritual do Carnaval. Ao longo da Semana Santa, a música dos sikuris chega como em procissão, baixando desde os cerros. Do interior das igrejas são levadas às ruas imagens das santas padroeiras, virgens que os povos originários veneram. Torna-se impossível não aderir ao aplauso popular.

Quando o inverno começa, o Deus Sol também ganha festas, “O Inti Raymi”, pois chegará logo um novo tempo de colheita; será, então, o momento de render graças à “Madre Tierra”. No mês de agosto, a “Virgem da Assunção” terá sua festividade em Casabindo, na região da Puna, com o particular “Toreo da Vincha”.

Assim, durante o ano todo, Jujuy, agradecido, é pura festa. Na Quebrada de Humahuaca, como em todo Estado, um nutrido calendário de festividades religiosas marca o enraizamento da fé católica no povo do lugar. A adoração da divindade milenária Pachamama é acompanhada de comidas e bebidas em evento ancestral cuja presidência cabe ao mais ancião dos moradores de cada povoado.

A cerimônia se realiza ao amanhecer, antes que caiam os primeiros raios de sol. Nas beiras dos caminhos, no alto dos cerros e nos jardins das casas se confeccionam com pedras ‘apachetas’ em cujo interior se enterram as oferendas à Madre Tierra. Este culto é um dos mais sentidos, tradicionais e respeitados de toda a região Norte argentina, mas não é um espetáculo: para participar da cerimônia à Pachamama, o turista deve ser muito respeitoso.


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Circuito Dandô chega em Araguari e em Uberlândia com Katya Teixeira, João Arruda, Erick Castanho e André Salomão

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As cidades mineiras de Uberlândia e de Araguari entraram no roteiro de apresentações do “Dandô, Circuito de Música Dércio Marques”, projeto idealizado por Katya Teixeira, cujo patrono é um dos mais significativos artistas populares que o Brasil já viu brotar em todos os tempos. Para as edições deste mês, Katya convidou João Arruda, de Campinas, e dividirá o palco com ele em ambos os municípios, a partir das 20 horas.

Em Uberlândia, a cantoria terá Erick Castanho como anfitrião na sexta-feira, 25, e está marcada para o Átrio, localizado na avenida Afonso Pena, 3538. Araguari vai recepcionar Katya e Arruda no dia seguinte, quando o anfitrião será André Salomão, na Casa de Cultura Abdalla Memeri (rua Coronel José Ferreira Alves, 1098).

Katya Teixeira é cantora, compositora e instrumentista que cresceu no seio de uma família de músicos. Empreende a carreira em perfeita sintonia com a energia telúrica, fortemente influenciada pelo folclore e pela música latina, trabalho que gera uma síntese ecológica e consegue promover admirável encontro com a riqueza musical oculta ou esquecida em várias regiões do país. Seguindo sem concessões a trilha de uma proposta musical definida, que é a de pesquisar e mesclar a cultura dos povos de todo o mundo como um reflexo do Brasil, Katya Teixeira guarda um repertório variado, harmonizando voz, violão e rabeca acompanhados de violões, bandolins e percussão, obtendo assim timbres e nuances de grande beleza.

A discografia em vinte anos de estrada registra os álbuns Katxerê, Feito de Cordas e Cantigas, Lira do Povo e 2 Mares, este em parceria com araguarino Luiz Salgado. A voz e arte dela também enriquecem os discos de diversos amigos cantores, seja por meio do seu canto, seja pelos desenhos e projetos gráficos dos encartes que assina.

Ao idealizar o “Dandô – Circuito de Música Dércio Marques”, Katya Teixeira pensava em fomentar a circulação de música por todo o país, reunindo artistas de várias regiões para criar um intercâmbio e gerar novas plateias. Quem já se apresentou desde 2013 possui trabalhos reconhecidos, mas poderia ter uma melhor projeção no panorama nacional e proporcionar às pessoas o acesso a música de qualidade produzida fora da “grande mídia” nacional.

Um artista saindo de cada cidade e passando por todos os pontos do circuito em uma caravana contínua. Cada edição conta sempre com um artista do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente 1h30. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

JOÃO ARRUDA

Músico, violeiro e produtor fonográfico, João Arruda é considerado um dos jovens promissores músicos da linha da viola brasileira. Nascido em Campinas (SP), comprometeu-se com a valorização e a recriação de temas e canções da cultura popular brasileira, bem como de outros países. Seu trabalho está presente em mais de 15 álbuns nos quais atuou como artista convidado.

Arruda participou da IV Mostra da Canção Brasileira Independente (Centro Cultural Banco do Nordeste) e em sua trajetória constam ainda turnês pelo Brasil e exterior. Com o grupo de Pífanos Flautins Matuá, por exemplo, integrou o projeto “Samarro´s Brazil” realizando shows na França e Itália. Em trabalho solo, percorreu a Argentina com seu show “Entre violas e couros”. É, ainda. idealizador e curador do projeto musical “Arreuní”, que promove encontros mensais com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros, entre os quais a argentina Maryta de Humahuaca. Em 2007 gravou “Celebrasonhos” e seu mais novo trabalho é “Venta Moinho”, lançado em 2013.

Katya Teixeira e João Arruda também vão cantar no domingo, 27, desta vez na Catedral das Artes, em Goiânia, a partir das 17 horas, com participação de Vitor Batista. O endereço é Rua Campo Verde, 15, Bairro Santa Genoveva.