1101- “Acabou Chorare”, melhor disco já gravado no Brasil, faz a fama dos Novos Baianos sob as bênçãos de João Gilberto

Segundo disco do grupo, tema de mais uma edição da série Clássico do Mês,
tem nome ‘sugerido’ pela então pequenina Bebel Gilberto, segue a cartilha da  transgressão dos músicos e é um grito de protesto em plenos “anos de chumbo” contra a caretice e a tristeza da música que imperavam no pais

O Barulho d’água Música retoma a série Clássico do Mês dedicando esta atualização ao álbum Acabou Chorare, que o grupo Novos Baianos lançou em 1972.  O conjunto de dez faixas deste disco, uma das quais instrumental,  produzido com a bênção de João Gilberto em um ambiente de completa descontração dentro de um sítio situado em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, sustentam simplesmente o primeiro lugar na lista dos 100 melhores já gravados no país desde 2007, de acordo com avaliações dos críticos da Rolling Stone BrasilAcabou Chorare saiu pelo selo Som Livre, dois anos depois do relativo sucesso do É Ferro na Boneca, carregando influência estrondosa do dândi da Bossa Nova, que expandiu todos os horizontes criativos do grupo.

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1086 – Brasil dá adeus a Amaraí, eternizado por “Saudade de Minha Terra”

Voz que gravou uma das joias do nosso cancioneiro foi parceiro de Belmonte, com quem legou à cultura caipira mais de 20 sucessos de todos os tempos
Marcelino Lima

O corpo de Domingos Sabino da Cunha, o Amaraí, foi sepultado no domingo, 22, em Alfenas, cidade mineira na qual também descansa Índio Cachoeira, que morreu em abril. Amaraí não resistiu a um infarto sofrido na véspera e deixou quatro filhos, entre os quais Francis Júnior, cantor que aparece no vídeo abaixo, compositor, músico, produtor e intérprete atual do antigo parceiro mais afamado do pai, Belmonte — que se chamava Pascoal Zanetti Todarelli e partiu tragicamente bem antes do combinado em 1972, vítima de um acidente automobilístico no interior paulista, prestes a completar 35 anos. Ao lado de Belmonte, Amaraí ganhou fama como um dos intérpretes da canção Saudade da Minha Terra, considerada o hino do meio caipira.

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1021 – Cinco álbuns da rica discografia de Roberto Corrêa (MG/DF) já podem ser ouvidos em plataformas digitais

O som sertanejo antes do dilúvio

“Para fechar o arco interiorano, o mineiro de Campina Verde, Roberto Corrêa (…), ponteia com erudição sua assumida viola caipira no CD independente Uróboro, na pele de um Guimarães Rosa encordoado.”
Tárik de Souza, Jornal do Brasil, 10/10/1995

Cinco dos álbuns autorais de Roberto Corrêa, um dos mais conceituados violeiros da atualidade, agora estão disponíveis e podem ser ouvidos, integralmente, em plataformas digitais. Uróboro (1994); Crisálida (1996); Extremosa-Rosa (2002); Temperança (2009); e Viola de Arame (2012), que o mineiro de Campina Verde radicado em Brasília (DF) chama de “filhos muito queridos” é apenas uma amostra da valiosa discografia de Corrêa, respeitado no meio da cultura popular e erudita como instrumentista, arranjador, compositor, pesquisador e professor. Apenas a produção autoral dele conta, ainda, com mais sete títulos e, além destes doze que incluem os cinco disponíveis na internet, ele assina mais uma dúzia, todos dedicados à pesquisas (Chapada dos Veadeiros, 2008; Cantos de Festa e Fé, 2002, por exemplo) e toca e canta como parceiro em outros onze (Violas de Bronze, com Siba, que saiu em 2009; e Esbrangente, com Paulo Freire e Badia Medeiros, de 2003, estão nesta lista). As participações em coletâneas e obras de outros artistas somam 22 (Mestres do Rasqueado, com a Orquestra do Estado do Mato Grosso, sob direção artística de Leandro Carvalho, no qual atua como solista de viola caipira e viola de cocho, 2010; e Meu Céu, de Zé Mulato & Cassiano, 1997)

 

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1019 – Com mais de 40 anos, A Tábua de Esmeralda ainda é a joia da coroa de Jorge Ben (Jor) e um dos melhores discos do país*

*Com Matheus Pimentel, do blogue Sala 33, e Vinícius Castro, do blogue Fita Bruta

O Barulho d’água Música retoma a série Clássico do Mês que, nesta edição, a terceira desde dezembro do ano passado, será dedicada à A Tabua de Esmeralda, considerado até hoje a joia da coroa do carioquíssimo à época do lançamento ainda Jorge Ben, passados mais de quatro décadas da gravação, em 1974. A Tábua de Esmeralda, de acordo com Matheus Pimentel, do blogue Sala 33, é um dos discos mais impressionantes e originais de que a música brasileira já teve notícia. Pimentel destaca em artigo publicado em novembro de 2014 que a estranheza e o encanto começavam logo no título [do álbum] e crava, que, para muitos, o cantor e compositor atingiu seu ápice com esse vinil, classificado como o sexto melhor na famosa lista da revista Rolling Stones Brasil Os 100 maiores discos da música brasileira.

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979- Jucilene Buosi recorda sucessos de Elis e de Mercedes Sosa como atração do Julho Fest, em Poços de Caldas (MG)

Cantora e atriz, Jucilene Buosiexpoente dos mais representativos da música sul mineira e do Estado, protagonizará neste domingo, 23, apresentação em Poços de Caldas durante a qual o público poderá matar saudades de Elis Regina e de Mercedes Sosa — duas consagradas expressões latinoamericanas. O show previsto para começar às 20 horas, na Casa de Cultura do Instituto Moreira Salles (IMS), intregra a programação do JulhoFest e brindará o público com canções imortalizadas tanto pela gaúcha Elis Regina, quanto pela argentina Mercedes Sosa, cujas vivências, atitudes e histórias construíram as biografias de duas mulheres que direcionaram fundamentais conquistas femininas em seus países, utilizando o canto como instrumento. Acompanhada por Albano Sales (piano) e Eduardo Sueitt (percussões), Jucilene Buosi interpretará com sua performance vocal sempre expressiva Volver a los 17, Gracias a la vida, Casa no campo, O bêbado e a equilibrista e Yo vengo a oferecer mi corazón, entre algumas das mais aclamadas músicas do repertório tanto da Pimentinha, quanto da La Negra, como carinhosamente os fãs e admiradores tratavam as homenageadas.

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974 – Cole no Sesc Pompeia (SP) e conheça Rebento, novo álbum instrumental do violeiro Ricardo Vignini!

Um dos violeiros mais atuantes do país, Ricardo Vignini, é o convidado do projeto Plataforma para a apresentação da quinta-feira, 20, no palco do teatro da unidade Pompeia do Sesc de Sampa. A partir das 21 horas, o cantor e compositor lançará o mais novo álbum da carreira solo, Rebento, que reúne 13 músicas instrumentais, das quais 10 de autoria própria. Para o show de lançamento, o violeiro chamará para a roda André Rass (percussão), Ricardo Carneiro (violão e guitarra), Sergio Duarte (gaita), Ari Borger (piano) e Bruno Serroni (violoncelo).

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933 – Forte Piano do Sesc Ipiranga recebe o renomado arranjador e compositor Laércio de Freitas

O consagrado pianista, compositor e arranjador Laércio de Freitas está escalado para abrilhantar a segunda rodada do projeto Forte Piano, que a unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo inaugurou em 9 de abril, com a apresentação de Bailado, espetáculo que reuniu o pianista Daniel Grajew e o contrabaixista Marcos Paiva. A rara oportunidade de ver e ouvir Laércio de Freitas, pianista da lendária Orquestra Tabajara, do Sexteto de Radamés Gnatalli e autor de cinco discos solos lançados, sem contar dezenas de arranjos executados por grandes intérpretes e orquestras, está programada para começar às 18 horas do domingo de Páscoa, 16 de abril (veja a guia Serviços).

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919 – Morre em Paris o cantor e compositor Ángel Parra, filho de Violeta Parra

A música chilena sempre foi respeitada e conhecida dentro e fora do país e do continente como um bastião de resistência política e de engajamento em várias lutas sociais, notadamente nos anos em que se combateu a feroz ditadura de Augusto Pinochet, general que em 11 de setembro de 1973 liderou o golpe que destituiu e matou o presidente democraticamente eleito Salvador Allende. Ángel Parra, uma das vozes que se levantou contra o estado de exceção urdido e estabelecido com apoios dos Estados Unidos e de grupos terroristas de direita logo se viu detido no campo de concentração de Chacabuco, de onde apenas saiu para o exílio, forçado por Pinochet.  Àquela época com 30 anos, o cantor e compositor filho da icônica Violeta Parra, primeiramente, estabeleceu-se no México, que o acolheu por três anos. Em 1976, Ángel se transferiu para França, lá permanecendo até sábado, 11, quando um câncer que se espalhou a partir dos pulmões o calou em Paris, aos 73 anos.

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874 – Mauri de Noronha (PE) grava programa Sr.Brasil em edição que homenageia Cornélio Pires e recebe trombonista Raul de Souza

O apresentador Rolando Boldrin recebeu no palco do Sesc Pompeia para novas gravações do Sr. Brasil o cantador e poeta Mauri de Noronha (PE), que lançou em outubro com participação de Chico Pedro o álbum acústico De Repente, Cantador, o terceiro da carreira. Mauri de Noronha atualmente reside em Aracaju (SE), mas vem edificando sua trajetória com sessões musicais e declamações ao violão das mais aplaudidas em São Paulo junto ao flautista chileno integrante do grupo de música latino-americana Raíces de América. Na noite de 11 de maio, quando Boldrin o apresentou ao público brasileiro que sintoniza a TV Cultura, Mauri de Noronha ganhou de imediato a aprovação e a simpatia da plateia cantando a cappela Sereia de Aruanda, com marcante acompanhamento do percussionista Afonsinho Menino. Depois, com Chico Pedro, cantou Gameleira, seguida pela declamação de Face e por Proezas, cujas letras e versos carregam fortes mensagens de protesto contra a exploração do homem pelo homem.

raul de souza

Antes de receber Mauri de Noronha, Rolando Boldrin gravara com o trombonista Raul de Souza. O músico carioca que atualmente reside no sudoeste da França (“em uma cidade medieval próxima de Toulouse, numa casa que data de 1628 e está intacta”) tocara na véspera em Salvador (BA), durante festival de música instrumental. Tem 60 anos de carreira e 81 de idade, mas se chama de pia batismal João José Pereira de Souza. 

“Raul” é escolha de Ary Barroso, ocorrida durante programa de calouros da Rádio Nacional, na década dos anos 1940. O apresentador queria homenagear Raulzão, o então consagrado mestre do trombone Raul de Barros. E ainda acrescentou ao garoto que obtinha as notas máximas do juri: “João José não é nome para artista!” Como talento independe do nome… Raul de Souza virou referência do instrumento nos melhores palcos do jazz puro malte, incluindo temporadas das mais concorridas em Boston (Estados Unidos) onde morou e estudou na Berklee Music College, depois de um período de residência entre tacos e tequilas. E até no castelo do Principado Soberano de Mônaco, em festa de aniversário da princesa Greice Kelly, ele deixou nobres, súditos e plebeus de queixos caídos!

Entre seus muitos parceiros a biografia menciona Frank Rosolino, lenda do trombone nascida em Detroit, mais Johnson, Cannonball Adderley, Airto Moreira, Flora Purim e João Donato — um time no qual não haveria reservas, que não se resume a apenas 11 camisas e para ninguém botar defeito já que jamais pisaria na bola ou judiaria da donzela como compraz aos beques de fazenda. Ao lado de Glauco Solter (contrabaixo acústico) e Sandro Haick (violão), Raul de Souza, por sinal, elogiou com uma das composições que tocou no Sesc Pompeia o amigo Rosolino, Saudades do Frank. Em determinado ponto da gravação, didático, passou a explicar e a mencionar minúcias sobre os vários tipos de trombones que existem, explanação que concluiu antes de  Rio Novo com a seguinte exclamação: “Para falar a verdade, para mim, não importa muito de que tipo é um trombone, mas sim a sonoridade que ele toca. O meu, por exemplo, tem sonoridade azul. E não é um azul escuro, carregado, não! É um azul de céu, bem mais calmo!”.

pedromassa

Pamonha na conversa

A dupla de Tietê (SP) formada pelo violeiro Pedro Massa e Fábio Tomazela também se sentou no banco no qual está pousado o canário da terra de Boldrin para, tendo como porta-voz o primeiro, falar sobre a vida e a inestimável obra de Cornélio Pires, conterrâneo de ambos os convidados da região de Piracicaba.

Cornélio Pires é considerado o “Pai da Música Caipira” por ter aberto portas para os primeiros artistas do campo dedicados à viola, ainda na década de 1920, chegando ao primor de fundar um selo próprio (vermelho, para se diferenciar das demais gravadoras) e a pagar repetidas prensagens de discos que ele mesmo saia a vender pelo Estado, ajudando desta forma a consagrar o gênero. É de Cornélio Pires, por exemplo, Jorginho do Sertão, a primeira música caipira sulcada em 78 rpms no país, em maio de 1929, na voz de Mariano e Caçula, este pai do músico Caçulinha. Massa e Tomazela relembraram a pérola do empreendedor pioneiro que Boldrin trata por “guru” e ao qual sempre se refere com destacada reverência.  

chico santeiro

A gravação do Sr.Brasil da noite de 11 de maio abriu espaço, ainda, para a participação do artesão Chico Santeiro (Barbalha/CE), atualmente residindo em Votorantim, município da região de Sorocaba. Chico Santeiro é Francisco Vieira dos Santos, já esculpiu de acordo com os próprios cálculos mais de 1.600 imagens e trabalha também com decoração e restauração de artes sacras. Após a entrevista, entregou ao Sr. Brasil escultura de São Joaquim, em alusão à terra natal de Boldrin, São Joaquim da Barra (SP).  

As gravações com Raul de Souza, Mauri de Noronha, Paulo Massa e acompanhantes para o Sr. Brasil, além da entrevista de Boldrin com Chico Santeiro, ainda não têm datas definidas para serem levadas ao ar pela TV Cultura e, necessariamente, serão apresentadas em um único programa, acopladas como na noite que foram captadas. Enquanto aguardamos, quem quiser curtir um pouco mais ou conhecer a obra do cantador de Garanhuns poderá comparecer em 20 de maio ao Espaço da Rosa Latino-Americana (ERLA), situado na rua Santo Antônio,  1025-A, Bixiga, tradicional bairro paulistano. Mauri de Noronha assumirá o microfone a partir das 20 horas novamente em companhia de Afonsinho Menino e Chico Pedro, com o reforço de Narcirio Pinheiro à guitarra. Para mais informações há o telefone 11 3129-4374.

ninguém está vendo

759 – Após 38 atrações, entre as quais o Conversa Ribeira, projeto Imagens do Brasil Profundo (SP) entra em recesso

cribeira

O Conversa Ribeira, trio formado  desde 2002 por Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeom) e João Paulo Amaral (voz e viola caipira) foi atração de encerramento da segunda temporada do Projeto Imagens do Brasil Profundo e se apresentou na quarta-feira, 9, no palco do auditório Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Iniciativa do professor de Sociologia Jair Marcatti, o projeto Imagens do Brasil Profundo estará de volta em 13 abril, e as rodadas em 2016 ocorrerão sempre às quartas-feiras, às 20 horas, com entrada franca.

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