659 – Ivan Vilela e José Hamilton Ribeiro, mediados por Sérgio Martins, falam sobre música caipira em festival literário de Santos (SP)

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O Barulho d’água Música acompanhou no Teatro Guarany, em Santos (SP), na noite de sexta-feira, 25 de setembro, As Raízes da Música Caipira, rodada do 7º Tarrafa Literária mediada pelo jornalista Sérgio Martins com o violeiro escritor, compositor e pesquisador Ivan Vilela (Itajubá/MG) e o jornalista José Hamilton Ribeiro (Santa Rosa do Viterbo/SP). Os convidados abordaram o tema da mesa contando fatos, causos e comentando aspectos históricos e atuais relacionados à música caipira — uma das mais ricas e duradouras expressões das tradições populares do Brasil, presente com grande força no Interior de São Paulo e em estados como MG, PR, GO.

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Barulho d’água Música junta-se à corrente contra o fim do programa Viola, Minha Viola

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Sem muito o que dizer, mas muito, muito, a lamentar: o Barulho d’água Música se engaja à campanha “Digo não ao fim do Viola Minha Viola”, que mobiliza artistas, jornalistas e blogueiros na tentativa de reverter a suposta decisão da TV Cultura, da Fundação Padre Anchieta (SP), de tirar do ar o programa que Inezita Barroso comandou por 35 anos. O mais curioso e irônico é que o anúncio do fim do Viola, Minha Viola, embora ainda não oficialmente confirmado, ganha status de notícia e forte indício de não ser apenas potoca por conta da demissão dos 52 funcionários que o produziam, há pouco mais de um mês depois de a emissora prestar homenagens das mais emocionantes e justas, em 8 de junho, à rainha da música caipira, com uma festa belíssima na Sala São Paulo, com direito à presença do presidente da emissora e uma gama de artistas como Ivan Lins, Renato Teixeira, Paulo Freire, Roberto Corrêa, Renato Borgheti, Neymar Dias, Pereira da Viola, Mococa e Paraíso, mais o CoralUsp e o Regional do Joãozinho. Naquela noite, três meses após a morte de Inezita, o que mais se comentava e se desejava, tanto entre a plateia, como nos bastidores, até mesmo em respeito à memória e à vontade dela, era quando o programa voltaria ao ar. E já se especulava que poderia assumi-lo tanto Lima Duarte, quanto Sérgio Reis, entre os nomes que corriam à boca pequena.

Eu, Marcelino Lima, cresci assistindo ao programa ao lado de meus pais, nos primórdios apresentado pela Inezita e pelo Moraes Sarmento, e considero inadmissível como fã e blogueiro que um patrimônio nacional como o Viola, Minha Viola acabe reduzido a um produto qualquer, que pudesse ser descartado como se fosse um mero enlatado ou série boboca — sobretudo quando esta postura, como sugerem os critérios ou falta deles conforme  se pode ler lá e acolá, parece atender a uma… pauta política! O Viola, Minha Viola chegaria ao fim tragado pela “reestruturação” da emissora — eufemismo para o verdade sucateamento e chegada às instâncias de decisão de uma direção com visão retrógrada, comercial e nada técnica — no qual constaria até gente que teria defendido o mesmo regime que matou um dos seus mais incontestáveis baluartes, o jornalista Vladimir Herzog –, aliada às dificuldades impostas por uma tal “crise econômica” que assolaria o país. São Pedro, desta vez, pelo menos, não ganhou culpa!

Nico Prado, o ex-diretor do programa, publicou o seguinte comunicado, que tem força de um desabafo:

“Gente, deixo claro que minha demissão não representa um por cento da minha tristeza se comparada aos 52 colegas também demitidos e ao fim do Viola, Minha Viola. Centenas de artistas, músicos e uma imensa legião de fãs da música caipira também foram demitidos. Isso sim é irreparável!”

Há tempos também já se lamentava a mesma destruição na programação da Rádio Cultura — que passou a ter playlists mecanizadas e de gosto duvidoso. A comunidade artística se mobilizou contra isso, sem sucesso,  e até agora não se ouviu nenhuma palavra, comentário, explicação, satisfação de autoridades como o próprio governador presidenciável do Estado Geraldo Alckmin (que reduziu as verbas para a emissora em pelo menos 20%, comenta-se) contra estes atentados ao patrimônio cultural não apenas de São Paulo, mas do Brasil.

Haja indignação, ou melhor, não haja! Nesta segunda-feira, 20, novamente na Sala São Paulo, haverá homenagem da Cultura a Rolando Boldrin pelos 10 anos no ar do Sr. Brasil na mesma emissora. Estaremos lá e, esperamos, que não seja esta a última vez que teremos o Boldrin gravando em um palco.  Já estamos, no entanto, com um incomodo bichinho nos fustigando atrás da orelha, os nós dos dedos inchados de bater três vezes na madeira e temendo que apenas a vela que acendemos para São Gonçalo não seja suficiente!

Vamos botar a boca no trombone, gente!? Compartilhe o jogo da velha e a imagem abaixo! E se for ter barulho, chame-nos para engrossar o caldo!

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Inezita Barroso ganha emocionante tributo em histórica noite na Sala São Paulo (SP)

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A homenagem a Inezita Barroso, assim retratada no painel principal que decorava a Sala São Paulo, reuniu mais de 50 artistas, além de autoridades e familiares da eterna rainha da música caipira, nascida em um domingo de Carnaval e que se tornou imortal em outro, Dia Internacional da Mulher (Fotos Marcelino Lima)
A Sala São Paulo, um dos mais clássicos espaços da música em Sampa, acolheu na noite de segunda-feira, 8 de junho,  homenagem comovente preparada pela TV Cultura, amigos e familiares a Inezita Barroso, folclorista que encantou o país como cantora, atriz de cinema e apresentadora por 34 anos do programa Viola, Minha Viola. A eterna rainha da música caipira, entre outros merecidos títulos que a eternizam, morreu exatos três meses antes, no Dia Internacional da Mulher, quatro dias depois de chegar aos 90 anos. A emissora já pretendia na ocasião promover o tributo, mas Inezita já se encontrava internada no Hospital Sírio Libanês, conforme lembrou Marcos Mendonça,  presidente da Fundação Cultura, detentora dos direitos da emissora.

O especial Inezita – Quanta Saudade Você Me Traz foi apresentado por Adriana Couto, do programa Metrópolis, e reuniu mais de 50 artistas. A intenção era contemplar as diversas facetas do legado de Inezita Barroso, que nasceu Ignez Magdalena Aranha de Lima em um domingo de Carnaval, na rua Lopes Chaves, logradouro do bairro paulistano Barra Funda no qual morou também o modernista Mário de Andrade. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas ao crescer em fazendas, nas quais teve contato com o universo caipira em várias rodas de viola.  

Para assumir a paixão pela viola e pelo violão, entretanto, teve de bater de frente com as tradições que impediam mulheres de tocar outro instrumento que não fosse o recatado piano — restrito ao ambiente familiar ou de grandes salas, a salvo do universo profano e boêmio evocado por ambos. Inezita ainda remou contra a maré escolhendo ser porta-bandeira da e valorizar a música caipira quando o Brasil vivia os anos desenvolvimentistas e dava as costas para o secular modelo agrário, em detrimento da industrialização que modificou o perfil da sociedade nacional de rural para urbana.

 
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Bia Góes, acompanhada por Léa Freire (flauta) e Arismar do Espírito Santo (violão) abriu o tributo com Azulão
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Neymar Dias, Ivan Lins e Rafael Altério relembraram A Bandeira do Divino
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Roberto Corrêa, Pereira da Viola, Neymar Dias
 
Inezita, além da carreira musical, formou-se em Biblioteconomia pela Universidade de São Paulo e fez cinema. Como pesquisadora do gênero musical, por conta própria, sua maior identidade, percorreu o Brasil resgatando histórias e canções. Uma destas etapas a fez musa da música folclórica, na década de 1950 e 1960, período no qual ainda precisou atuar como professora de canto e de violão para fazer frente ao ostracismo que a música caipira começou a amargar com a ascensão da bossa nova e da Tropicália. Inezita, entretanto, era daquelas que, antes de tudo,  tem o DNA dos fortes: bancou sua  persistência em gravar a música raiz de todas as regiões brasileiras, sobretudo a do caipira paulista, mas com dedicado olhar, ainda, para os ritmos da dança gaúcha, influenciada pelo amigo Barbosa Lessa, entre outras.

Plateia participativa

Na lista de artistas que a homenagearam na Sala São Paulo (onde a animada plateia parecia se sentir no auditório do Sesc do Bom Retiro, um dos palcos local onde Inezita esteve à frente do Viola, Minha Viola) estiveram Ivan Lins, Renato Teixeira, Renato Borghetti, Rick Sollo, Mococa e Paraíso, Lourenço e Lourival, Irmãs Barbosa, Divino e Donizeti, João Mulato e Douradinho, Léo, Pereira da Viola, Roberto Corrêa, Braz da Viola, Paulo Freire, Neymar Dias, Toninho Ferragutti, Bia Goes, Arismar Espírito Santo, Léa Freire e o CoralUSP, além do regional Viola, Minha Viola, integrado por Joãozinho (violão), Arnaldo Freitas (viola caipira), Leandro Madeira (baixo), Escurinho (percussão). O CoralUSP tinha entre seus membros a cantora Sarah Abreu.

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Paulo Freire, autor da vinheta “eta programa que eu gosto”, que é uma das marcas do Viola, Minha Viola
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Regional Viola, Minha Viola
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Mococa e Paraíso interpretaram O ipê e o prisioneiro

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O tributo, inteiramente gravado pela emissora, irá ao ar em breve, mas a data ainda não foi divulgada. O repertório reflete a vasta obra de Inezita Barroso, canções que ela considerava prediletas ou clássicos do cancioneiro. Ivan Lins, por exemplo,  interpretou com o parceiro Rafael Altério Bandeira do Divino (Ivan Lins/Vitor Martins), usada como referência por Inezita em suas aulas de violão e canto. Renato Teixeira relembrou De Papo Pro Ar (Joubert de Carvalho/Olegário Mariano), enquanto o cantor Rick  João de Barro (Teddy Vieira/Muybo Cury), um clássico gravado pela musa.  A dupla Mococa e Paraíso fizeram emocionada interpretação de O ipê e o prisioneiro (Liu e Léo) e Roberto Corrêa de Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense). 

As pesquisas para a produção do espetáculo junto ao acervo de Inezita Barroso permitiram recuperar e digitalizar documentos manuscritos por ela mesma para ajuda a contar sua história. O material, animado com recursos de computação gráfica, foi projetado no telão da Sala São Paulo com a narração da voz da neta de Inezita, Paula Maia, ajudando a dar ainda mais brilho à celebração que enfocou um conteúdo que deverá (assim esperamos) tornar-se indispensável, imperecível e sempre acessível para a compreensão da cultura popular do país, uma das espinhas dorsais da música brasileira, folclórica, de raiz e regional. A estrela de Inezita Barroso está mais cintilante do que nunca.

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Neymar Dias e Toninho Ferraguti
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Léo, da dupla com o irmão Liu

Inezita Barroso recebe homenagens de mais de 50 artistas na Sala São Paulo, e de filha de Mario Zan em São Carlos (SP)

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A folclorista Inezita Barroso esteve 34 anos à frente do programa Viola, Minha Viola e por sua contribuição à cultura popular, como rainha da música caipira, vai receber homenagem de mais de 50 artistas em São Paulo (Foto: Cleones Ribeiro-Arquivo-Portal SESCSP-Fotos Públicas)

 

O Barulho d’água Música vai acompanhar nesta segunda-feira, 8, na Sala São Paulo, situada no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo, o tributo a rainha da música caipira e folclorista Inezita Barroso, que morreu em 8 de março, apenas quatro dias após completar 90 anos.  Ivan Lins, Renato Teixeira, Renato Borghetti e o CoralUSP estão entre as mais de 50 atrações confirmadas para o especial Inezita – Quanta Saudade Você Me Traz,  com gravação da TV Cultura, emissora na qual Inezita se destacou como apresentadora do programa Viola Minha Viola, um dos mais admirados do gênero,  do qual esteve à frente por 34 anos, o que faz dele o mais antigo programa de música da TV brasileira. 

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Curta o Especial de Ano Novo do Viola Minha Viola, com doze músicos relembrando clássicos como ‘Chico Mineiro’

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O Viola Minha Viola, exibido pela TV Cultura e comandado por Inezita Barroso todos os domingos, a partir das 9 horas, gravou um programa especial para comemorar a chegada do Ano Novo e que será levado ao ar neste dia 28 de dezembro, com reapresentação em 3 de janeiro, para todo o país.

O palco do Sesc Bom Retiro (SP) parecia pequeno para a empreitada, mas abrigou doze músicos, dentre os quais oito violeiros de renome no cenário nacional: Mococa e Paraíso, Zé Garoto, Levi Ramiro, Bárbara Viola e Sandra Reis e Michele e Karoline. Como o final de ano traz a vontade de reunir parentes e amigos para tocar, ouvir viola e cantarolar esta é a oportunidade ideal. Na roda, os convidados interpretarão algumas das mais belas obras nacionais acompanhados pelo Regional do programa, formado por Joãozinho, Arnaldo, Leandro e Escurinho.

Inezita está de licença em casa, mas gravou uma mensagem especial para a plateia e os telespectadores. O líder do regional, Joãozinho, também terá um recado para brindar o final de 2014 e a chegada de 2015. 

Só para dar mais água na boca, na abertura da cantoria, o regional do Viola, Minha Viola puxará o clássico Chico Mineiro (Teddy Vieira/Biguá), acompanhado por todos os convidados e auditório. Depois cada um deles apresentará uma de suas músicas ou interpretara clássicos de autores como José Fortuna, Fernandes, Cacique e Carreirinho, Caetano Erba, Mário Zan, Arlindo Pinto e Xavantinho. O encerramento, novamente com todos, promete ser um momento de grande devoção ao som de um dos maiores sucessos do cancioneiro caipira e regional, de domínio público, consagrado pela voz de Milton Nascimento. 

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