Barulho d'Água Música

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1012- Título de melhor rabequeiro do Brasil é pouco para reconhecer a contribuição de Zé Gomes (RS) à música do país

Desde a mudança da redação do Solar da Lageado, em Sampa, para o Parque Miraflores, em Itapevi, a maior parte dos álbuns do acervo de discos do Barulho d’água Música estava encaixotada pela falta de espaço. Com a chegada a São Roque, enfim, começamos a organizá-los e a fazer um inventário: colocamos todos no piso da sala e assim acabamos encontrando — mais do que uma tarefa burocrática —  perolas que nem mais nos lembrávamos que existiam no baú do tesouro. Resolvemos que poríamos alguns para tocar (antes de prosseguir fique publicamente registrado: o primeiro a ser tocado na nova residência foi Casa, por muitas e simbólicas razões além do nosso amor e admiração por Consuelo de Paula!), escolhendo, em ordem alfabética, pelo menos um de cada cantor, dupla ou grupo brasileiros. O mais lógico éramos seguir o sentido A-Z, mas invertemos a mão, pois no final da fila se destacavam dois instrumentais raros, de um autor dos mais criativos que a nossa música de qualidade independente já teve: o compositor, arranjador, luthier, maestro e pesquisador gaúcho José Bonifácio Kruel Gomes, internacionalmente conhecido por Zé Gomes.

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797 – Shows com Gilberto Gil e Maria Gadú, concertos, trio elétrico e musical infantil são destaques dos 462 anos de Sampa

Gilberto Gil

O cantor e compositor Gilberto Gil estará no bairro Luz para show em homenagem a São Paulo, com entrada franca e abertura dos Demônios da Garoa (Foto: Vagner Campos/MSilva Online – 12/09/2014)

Maior cidade do Brasil, São Paulo completará 462 anos de fundação na segunda-feira, 25, e para marcar a data já estão sendo promovidos eventos e atrações para todos os públicos, das mais variadas formas de manifestação artística e cultural, além de atividades esportivas e de lazer em vários bairros. Boa parte das opções é gratuita e algumas permitirão ao público interagir com figuras de proa em seus segmentos de atuação. Quem curte boa música, por exemplo, poderá assistir com um pulinho ao Centro Esportivo e de Lazer Tietê (avenida Santos Dumont, 843, Luz) Gilberto Gil cantando os sucessos da carreira precedido pelos Demônios da Garoa, a partir das 16 horas. Por volta das 10h30, quem estiver nas imediações da Catedral da Sé terá a chance de prestigiar o maestro João Carlos Martins regendo a orquestra Bachiana Filarmônica do Sesi. Entre as composições clássicas que os paulistanos e os turistas ouvirão o repertório destacará obras de Beethoven, Bach e Mozart, além de uma versão de Trem das Onze, uma das mais emblemáticas canções sobre São Paulo, de Adoniran Barbosa.

Notória filha da Boa Terra assim como o conterrâneo Gilberto Gil, Daniela Mercury puxará trio elétrico por vias da zona Sul de São Paulo à véspera do feriado, a partir das 15h30. Quem ainda não morreu e gosta de botar para quebrar encontrará o início do cordão na avenida Faria Lima, 1635. Maria Gadú também reforçará o coro de parabéns a São Paulo durante apresentação do mais recente álbum, Guelã, a partir das 20 horas do sábado, 22. O palco estará na Casa de Cultura Palhaço Carequinha (rua Professor Oscar Barreto Filho, 252, Grajaú). Duas horas antes, Criolo animará a galera que pintar no Palco Parelheiros.

Bichos de Cá e Fabiana Cozza

As festividades pelos 462 anos de Sampa incluem, ainda, a abertura do Theatro Municipal (Centro) na segunda-feira, 25, para concertos com a Orquestra Experimental de Repertório (OER), com participações do Coro Lírico Municipal de São Paulo (sob regências de Carlos Moreno, OER, e Bruno Greco Facio, Coral) e Fabiana Cozza, na Escadaria Interna; o Salão Nobre, simultaneamente, estará reservado ao Quarteto da Cidade. A distribuição de ingresso começará às 8 horas. A programação estará sujeita a mudanças mesmo após a publicação deste texto.

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Os frequentadores do Theatro Municipal ouvirão Fabiana Cozza cantando para acompanhar concerto com participações da Orquestra Experimental de Repertório e do Coro Lírico Municipal de São Paulo (Foto: Daniel Kersys/Conversa com Verso)

Para a garotada, a dica do Barulho d’água Música é colar no Sesc Vila Mariana e a partir das 15h30 passear por várias regiões do Brasil levada pelo musical Bichos de Cá, do grupo paulistano Nhambuzim.  Durante a viagem, os guris e os marmanjos conhecerão diversas espécies que ocorrem na fauna brasileira e os locais nos quais é mais comum elas serem encontradas, todas muito bem caracterizadas por um figurino e adereços impecáveis  de Cibele Jardim.

Além do habitat de tatus, jabutis, tamanduás, jacarés, araras e sucuris, as letras trazem informações e mensagens de conscientização ecológica. Cada canção segue um ritmo diferente — do coco à guarânia, passando por congada, chamamé e jongo, além de carimbó — escolhido de acordo com a região no qual o animal vive. O Nhambuzim, desta forma, une mensagens que reforçam a luta contra a extinção e de quebra ainda revela ao público a riqueza da nossa cultura popular expressa tanto por meio da música, como por meio da dança e esquetes teatrais, entre outros elementos presentes em cada manifestação. Integram o Nhambuzim a cantora Sarah Abreu, André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) e Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais).

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787 – Projeto Escambo celebra encontro entre sonoridades do Brasil e da França em álbum e oficinas de dança

Com a proposta de interação estético-musical entre duas culturas musicais distintas, o projeto Escambo, idealizado pelos irmãos, músicos e pesquisadores João Arruda e Carlos Valverde, apresenta um trabalho que exprime diferentes sonoridades musicais que se harmonizam no encontro das culturas tradicionais do Brasil e da França. “Escambo” significa tanto no Brasil quanto no dialeto Occitan do sul da França troca, permuta e intercâmbio e é neste sentido que o presente projeto se fundamenta. Para comemorar o lançamento do álbum homônimo, um grupo de músicos franco-brasileiros pretende promover turnê pelo estado de São Paulo entre fevereiro e março para oferecer apresentações musicais e oficinas de danças tradicionais francesas, com músicas ao vivo, e lançá-lo ainda no primeiro semestre de 2016, na França. No álbum a utilização de instrumentos rústicos e tradicionais da França e do Brasil permite mostrar a força da cultura popular que existe nos dois países.

A sonoridade da viola caipira associada à vielle à roue, do pífano e do fifre e da rabeca e das gaitas de fole (Boha e Craba) originam melodias, timbres e ritmos específicos, que juntos, geram músicas inusitadas, festivas e alegres. Assim, o Escambo traz em sua composição a atmosfera das festas populares típicas dos dois países; o encontro de diferentes artistas, instrumentos, culturas, hábitos, sotaques e saberes fazem deste álbum um importante, inédito e ousado registro dançante que integra qualidade, tradições e autenticidade.

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Carlos Valverde é um dos idealizadores do projeto Escambo


 

Instrumentos utilizados

A vielle à roue é um instrumento tipicamente europeu e seu primeiro registro foi feito na França, no século IX, graças às esculturas esculpidas em igrejas. É um instrumento de variável reputação, já foi tocado por artistas que interpretavam Mozart e símbolo da mendicidade da rua. O som é produzido por uma roda curvada de madeira que está ligada com uma manivela rústica. Algumas sequências podem tocar uma melodia, enquanto outros sons se assemelham a abelhas voando.

O pandeiro é um instrumento de percussão que consiste numa pele esticada em uma armação circular e estreita. Ao redor do aro existem platinelas duplas de metal. O pandeiro se toca com a palma da mão e os dedos. No Brasil, o pandeiro é muito usado no samba e no pagode, mas não se limitando a esses ritmos, sendo encontrado ainda no baião, coco, maracatu, entre outros.

A viola caipira, também conhecida como viola sertaneja, viola nordestina, viola cabocla e viola brasileira, é um instrumento musical de dez cordas, no que se diferencia do violão, que tem doze. A viola é um dos símbolos da música popular, principalmente no Interior do Brasil. As violas brasileiras têm origens em Portugal, oriundas de instrumentos árabes como o alaúde e chegaram ao Brasil com os jesuítas que catequisaram indígenas. Mais tarde, os primeiros caboclos começaram a construir violas com madeiras toscas da terra e foi ai o início da viola caipira.
A rabeca é um instrumento musical parecido com o violino, mas tocado de forma diferente. Em São Paulo é usada nas manifestações populares do fandango, em Folias do Divino, moçambique, congadas, dança de São Gonçalo e Folia de Reis. No Nordeste, foi popularizada por diversas bandas.

O atabaque é um instrumento musical de percussão, cilíndrico ou ligeiramente cônico, com uma das bocas coberta por couro de boi, veado ou bode. É tocado com as mãos, com duas baquetas, ou por vezes com uma mão e uma baqueta, dependendo do ritmo que está sendo tocado. O atabaque é muito utilizado nos rituais das religiões Umbanda e Candomblé, o que faz dele um instrumento muito utilizado no Brasil.

O berimbau é um instrumento de corda de origem angolana, trazido pelos escravos angolanos para o Brasil, onde é utilizado para acompanhar a dança/luta acrobática chamada capoeira. A sonoridade do berimbau é rústica e mais percussiva que melódica.

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João Arruda (à mesa, utilizando o notebook), irmão de Valverde e um dos músicos do grupo franco-brasileiro

O acordeon, também chamado sanfona, é um instrumento musical aerofone de origem alemã, composto por um fole, um diapasão e duas caixas harmônicas de madeira. No Brasil, é comum em bailes de forró e na música tradicional do Sul do país. Já na França, é bastante utilizado nos bailes tradicionais.

Gaita de fole, também chamada de cornamusa, museta, musette ou simplesmente gaita, é um instrumento da família dos aerofones, composto de pelo menos um tubo melódico (chamado ponteiro ou cantadeira, pelo qual se digita a música) e de um insuflador mediado por uma válvula (chamado soprete ou assoprador), ambos ligados a um reservatório de ar (chamado fole ou bolsa); na maioria dos casos há pelo menos mais um tubo melódico pelo qual se emite uma nota pedal constante em harmonia com o tubo melódico (chamado bordão ou ronco). No presente projeto, serão utilizadas as gaitas do tipo Boha e Craba.
Músicos do projeto Escambo

Carlos Valverde (Pífano, flauta transversal, fifres e ganzá, berimbau, triangulo e pequenas percussões) é músico, fabricante de instrumentos em bambu e realiza pesquisas no campo da cultura popular brasileira. Desde 2000 ele ministra oficinas de iniciação musical e de fabricação de pífanos em escolas, universidades e outros eventos culturais. Nesta linguagem, da transmissão oral, já criou diversas bandas de pífanos, no Brasil e no exterior, conectando pessoas, projetos e saberes.

Em 2011, Carlos Valverde recebeu da Embaixada da França o visto de “Competência e Talento” que teve como objetivo desenvolver um projeto de intercâmbio entre as culturas tradicionais do Brasil e da França. Em 2012, recebeu o diploma em músicas tradicionais no conservatório de Toulouse, fez um mestrado em Musicologia Université Toulouse – Jean Jaurès  e criou duas novas bandas de pífanos na França, as quais integram a música brasileira e francesa. Hoje é professor de pífano no conservatório Occitan (COMDT) e realiza diversos projetos pedagógicos com crianças (de 3 a 10 anos), adolescentes, pessoas com necessidades especiais e músicos de conservatórios que não são habituados com a linguagem da transmissão oral.

João Arruda (viola de cabaça, viola de dez cordas, rabeca de bambu, violão, zabumba e atabaques) é músico, cantor, percussionista, violeiro e produtor fonográfico considerado um dos jovens promissores da música brasileira. Nascido em Campinas (SP), o artista é comprometido com a valorização e recriação de temas e canções da cultura popular brasileira, bem como de outros países. Seu trabalho está presente em mais de 15 álbuns nos quais atuou como artista convidado e produtor. Com dois autorais gravados (Celebrasonhos e Venta Moinho), já participou de mostras, festivais e programas de rádio e TV além de compor diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários, mostras e filmes.

Cris Monteiro (percussões) é pesquisador dos ritmos brasileiros, foi integrante do grupo musical-cênico Gandaiá, onde tocava percussão, dançava e interpretava. Do espetáculo nasceu o álbum Brasilusões, em 1997, no qual assina os arranjos de percussão. Com o Grupo Zauwli, estudou os ritmos do Sul da África voltados para o djembe, instrumento típico africano. Com este grupo participou de espetáculos de teatro, ministrou oficinas de percussão e gravou o álbum que leva o mesmo nome do grupo.

Participou como músico e dançarino do grupo de dança brasileira Saia Rodada, de Tião Carvalho e com o grupo viajou com o espetáculo Bloco do Baralho, em turnê no estado de São Paulo. Mudou-se para Europa em 2006, tocando na França, Espanha e Portugal. Em Toulouse, onde fixou residência, trabalhou com estágios de percussão em associações, companhias de teatro e escolas primárias, além de ter participado de concertos em festivais por todo o território francês com vários grupos de música brasileira e fusion. De volta ao Brasil, hoje é diretor musical da banda Bate Lata, ministra oficinas de percussão na Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais (APAE) Campinas. Desenvolve seu projeto percussivo Murungundum, e atua nas bandas Nega Madame e Black Dog Funk.

Xavier Vidal (violino, rabeca, boha/gaita de fole da Gasconha, crabo/gaita de fole da Montanha Negra, graille (oboé occitan, charamelas e bandolim) começou a estudar música quando criança e com a idade de 10 anos integrou a Harmonia de Tournefeuille (Haute Garonne). Xavier Vidal descobriu a música Occitan tradicional no ano de 1976, por meio da companhia de Ballets de Occitans de Toulouse, onde realizou diversas turnês. A partir de 1977, junto com o Occitan Conservatório Toulouse, participou do movimento Folk que tinha como objetivo recuperar, recriar e revalorizar as tradições populares da França.

Ele é formado em etnologia na l’EHESS no ano de 1983 e realizou seminários de etno musicologia no Museu da ATP e do Museu do Homem sobre os instrumentos da tradição popular de Lauragais. Recebeu o diploma D.E.A. Civilização Occitan e sabe falar esse dialeto correntemente. Em 1989, produziu um trabalho sobre as tradições populares da França com o apoio e financiamento do ministério da Cultura. Em 1983 se instalou na região do Lot (Sul da França), onde em 1985 fundou a Associação de Música de Tradições em Quercy. Nessa associação, Xavier Vidal começou um trabalho de pesquisa e registro de diversas músicas populares do Lot. Ele fundou a associação La Granja, que é um lugar dedicado à pesquisa, ensino e divulgação da cultura Occitan, música folk e world music.

Em 1987, tornou-se professor de música tradicional do conservatório do Lot. Ele também ensina os alunos de DEM (Diplôme d’Etudes Musicales) do conservatório de l’Aveyron desde setembro de 2011. Hoje ele é o coordenador do departamento de música tradicional no conservatório de Toulouse, que abrange o ensino de áreas de música: Occitan, flamenco e oriental. Toca mais de doze instrumentos tradicionais, além de cantar em diversas línguas. Ele é autor de várias composições musicais e conhece um imenso repertório de músicas tradicionais da França, o que faz dele uma referência da música tradicional da França.  

Bastien Fontanille (vielle à roue, accordeon) é diplomado em música tradicional pelo conservatório de l’Aveyron Departamental. É licenciado em Jazz e em Antropologia pela Universidade Mirail de Toulouse. Atualmente é aluno de mestrado em Musicologia também pela Universidade do Mirail.  É multi-instrumentista, tendo experiência de mais de dez anos com a vielle a roue, oito anos em piano e cinco anos em sanfona. Ele aprecia a mistura entre músicas, pois gosta de experimentar diferentes ambientes sonoros. Seu gosto eclético e amplo faz com que traga em sua bagagem musical um repertório que integra a música barroca, tradicional francesa, reggae, brasileira, entre outras.  

Lola Calvet (rabeca, violino e canto) é nascida em 1990 em Saint-Cere e segue desde pequena uma formação musical completa em escolas de música e conservatórios. Ela descobriu a música tradicional ao estudar violino com o professor Xavier Vidal e a partir de deste momento começou a tocar em bailes e festas locais tradicionais. Seus estudos avançaram integrando sucessivamente a escola Atla em Paris e Music’Halle em Toulouse. Durante os últimos 15 anos, Lola pratica o canto, violino e percussão brasileiros e participa ativamente do grupo Samba Ti’Fol. Desde o início de 2012 integra o grupo Bomb de Bal, cantando, tocando violino e a rabeca brasileiros.

Elisa Treboauville (bandolim, banjo, canto, fifre e pífanos)  começou a sua formação musical em 1999 pelo violão clássico, instrumento que permitiu um primeiro encontro com o universo da música popular brasileira, incluindo o choro. Em 2013 recebeu o diploma em musicologia na Université Toulouse – Jean Jaurès onde dedica-se ao estudo do cavaquinho e do pífano brasileiros. Desde 2014 estuda Mestrado em Etnomusicologia e participa de diferentes formações musicais como o grupo de Choro Assim Assado, La Pifada e Forró de Fora. No inicio de 2015 comeou a estudar no DEM de Música Tradicional no Conservatório de Toulouse, onde desenvolve estudos com a musica tradicional occitana.

Oficinas culturais 

O projeto Escambo propõe oficinas e estágios de danças tradicionais francesas, com ou sem música ao vivo, opcionais e complementares aos shows. Para mais informações contate Raphael Valverde (raphael@raphaelvalverde.com.br) l : (19) 98420-1212 ou Carlos Valverde (flutebresil@gmail.com)

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