1320 – Negro, destemido e forte, Nelson Sargento, autor de sambas clássicos e até conto erótico, chega aos 96 anos

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A vida do músico carioca, ex-operário de uma fábrica de vidros, confunde-se com a própria história da Estação Primeira da Mangueira

Do original publicado no portal Brasil de Fato, em 2 de agosto, por Luiz Ricardo Leitão

Ilustração: MAM

Quando o menino Nelson Mattos nasceu, na Santa Casa do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1924, os negros já estavam “livres do açoite da senzala”, mas viviam presos “na miséria da favela”, como advertiram os versos [para o samba-enredo da Mangueira] de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho no desfile carioca de 1988 (Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?). Àquela época, lutando contra o preconceito das elites e a repressão do regime oligárquico da Primeira República, o samba, sem renegar seu passado rural, buscava se afirmar como expressão musical dos negros humildes que habitavam os morros e cortiços da cidade.

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1246 – Áurea Martins e Gonzaga Leal homenageiam em disco centenário de Dalva de Oliveira

Álbum tem participação de Cida Moreira, Isadora Melo e Maestro Spok e traz falas da própria homenageada, considerada “O Rouxinol do Brasil”  e que em 2017 completaria um século de vida

*Com Tambores Comunicações

Um repertório considerado uma espécie de dramaturgia — na qual há amor, prazer, desassossego e que deverá agradar quem admira a música brasileira e reconhece o valor dos seus ídolos históricos – compõe o magnífico Olhando o Céu viu uma Estrela, em que Áurea Martins e Gonzaga Leal interpretam músicas inicialmente eternizadas por Dalva de Oliveira, conhecida por “O Rouxinol do Brasil”. O álbum sai em homenagem aos cem anos de uma das eternas divas do nosso cancioneiro, completados em 2017, e, ainda, aos 80 da carioca Áurea, e é o registro de uma turnê que percorreu cidades do Brasil emocionando plateias de várias gerações.

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1150 – “Flor do Morro”, matéria da Revista E, destaca vida e obra de Cartola (RJ)

Amigos e seguidores, boas novas!

Barulho d’água Música reproduzirá na íntegra, a partir de hoje, matérias de conteúdos relacionados à músicas publicadas pela Revista E (em versões impressa e digital). o que desde já agradecemos à equipe que a produz em nome de Adriana Reis, que nos ajudo u a articular esta parceria.  

A revista é mantida pelo SESC para divulgação da agenda cultural e de eventos de recreação e de lazer programados a cada mês nas unidades que a entidade mantém tanto na Capital, quanto em diversas cidades do estado de São Paulo. As matérias das variadas sessões trazem pautas relativas a temas do universo das artes e de suas personagens, agentes e autores — do cinema ao grafite, da literatura ao teatro –,  uma sessão de poesias, crônicas e muito mais para uma agradável e enriquecedora leitura.

A cada novo número, os leitores podem encontrar pelo menos duas matérias relacionadas à música.

Nesta primeira atualização a escolhida pela nossa redação foi Flor do Morro, postada em 21/12/2018 para a edição de janeiro da Revista E. Flor do Morro aborda um pouco da história e da contribuição de Angenor de Oliveira, o fantástico cantor e compositor carioca Cartola! Confira toda a edição de janeiro da Revista E, números anteriores e dentro de alguns dias a de fevereiro em sescsp.org.br/revistae

Texto originalmente publicado na Revista E do Sesc São Paulo, edição de janeiro/2019

Flor do Morro

Cartola driblou adversidades, caiu e se levantou mais de uma vez para compor um roteiro de vida repleto de canções que atravessam o tempo

 

Histórias de redenção não faltam na cultura brasileira. Artistas geniais que comem o pão que o diabo amassou com os pés (como diria Elza Soares em sua biografia) até alcançarem o reconhecimento do público e uma trajetória bem-sucedida em vida se misturam com gênios que caem no gosto popular apenas após a morte.

Angenor de Oliveira, o Cartola, não está no último grupo, mas, usando a máxima do “tarda mas não falha”, comparava sua vida ao filme de faroeste no qual ele, o mocinho, só venceria no final. O fato é que a obra do sambista segue atravessando o tempo, como exemplifica o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa (2013): “Se você chegar num grupo e cantar: ‘Bate outra vez com esperanças o meu coração…’, imediatamente as pessoas vão te acompanhar. Minha sobrinha tem 19 anos, e desde os 13 tem em seu perfil nas redes sociais vídeos do Cartola ou as letras das suas músicas”. No entanto, para entender a dimensão da vitória de Cartola, vale voltar no tempo.

Meu novo chapéu

O menino Angenor nasceu em 1908, na cidade do Rio de Janeiro. A família numerosa vivia sob os cuidados do pai, operário. Para escapar das dificuldades financeiras, moravam um pouco em cada morro carioca. Quando se mudaram para o Morro da Mangueira, a vida de Cartola se transformou. Aos 11 anos, conheceu seu grande amigo e principal parceiro, Carlos Cachaça, este beirando a maioridade, com 17 anos.

A amizade foi cenário para inserção no mundo do samba e da boemia. Os estudos deixaram de fazer parte de sua vida logo cedo, dando lugar ao trabalho árido em diferentes funções. O apelido de Cartola surgiu graças à temporada como servente de pedreiro. Incomodado com os resíduos da obra que caíam no cabelo e na testa, improvisou um chapéu-coco – de formato arredondado –, que logo virou sua cartola. Diferentemente do uso geral atrelado ao chapéu, presente em ocasiões de pompa, o sambista logo fez da dificuldade poesia.

Aos 15 anos, perdeu o pai e a mãe – uma morte em seguida da outra. A mãe morre e o pai se muda do morro da Mangueira, descontente com a situação e com a vida boêmia do filho. Cartola resiste e continua por ali, vagando pelas noites de samba até que uma moradora local, dona Deolinda,  abriga-o. Desempregado, usa o tempo para compor e se apresentar nos bares, além de integrar a fundação de blocos de Carnaval. Em 1928, sugere as cores, o nome e é responsável pelo samba tema do desfile inaugural da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Chega de Demanda.

Tempo de florescer

A trajetória de Cartola apenas se iniciava: no ano seguinte à fundação da escola, teve um samba de sua autoria gravado por Francisco Alves (Que Infeliz Sorte). O compositor recebeu uma boa quantia nessa transação, o que significou sua validação no meio artístico da época. Francisco Alves também gravou Não Faz Amor Qual Foi o Mal Que Te Fiz, escritas pela dupla de bambas Cartola e Noel Rosa. Os anos 1930 foram palco das composições do sambista em outras vozes: Carmem Miranda, Silvio Caldas e Aracy de Almeida.

Cartola, Nara Leão, Zé Keti e Nelson Cavaquinho, em 1965 (Reprodução Revista E)

Nos anos 1940, Cartola se uniu a Paulo Portela e a Heitor dos Prazeres no conjunto Os Cariocas. Do Rio de Janeiro para São Paulo, o grupo chegou a tocar na rádio Cosmos, responsável por grandes sucessos na capital paulista.

Das qualidades musicais, o maestro e produtor musical Rildo Hora diz que Cartola é um artesão sonoro. “Suas melodias são perfeitas e não são redundantes. Não têm nota repetida ou nota não boa, como chamava o [violonista carioca] Guerra Peixe. Ele sempre vai na nota boa”, afirma Rildo Hora.

Ventania

Em 1944, Cartola tornou-se presidente de honra da ala dos compositores da Mangueira. Porém, em 1946, a maré revidou, afastando-o da escola. Primeiro, um golpe da saúde. Teve meningite, ficou sem condições de dar sequência às atividades e viveu sob os cuidados de sua esposa na época, dona Deolinda. Ao golpe da saúde seguiu-se o golpe do destino. Pouco tempo depois de se recuperar, Deolinda morreu, deixando o compositor mergulhado na tristeza.

Ainda sob o efeito da perda, envolveu-se com uma nova companheira, chamada Donária. No entanto, a nova relação o afastou da música e do morro onde sempre viveu. Deixou as criações musicais de lado e foi morar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, de Nilópolis ao bairro do Caju. Os anos 1950 representaram o ostracismo de Cartola. Havia até quem pensasse que ele tinha morrido.

O bom filho à casa torna

Cartola voltou ao Morro da Mangueira e à música pelas mãos de dona Zica, irmã da esposa de seu grande amigo Carlos Cachaça. O amor de dona Zica e Cartola o ajudou a se reerguer. De cara, por seu intermédio, arrumou um novo emprego como lavador de carros no bairro do Pirajá. Depois, foi a hora de levá-lo para a Mangueira e para o samba. Mas não foi a bênção de dona Zica, e sim uma nova onda do destino, que o reencaminhou. Durante uma pausa no trabalho para o café, Cartola encontrou o jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que se desdobrou para conduzir o compositor de volta aos seus. A iniciativa o levou a um emprego de fôlego curto no rádio. A experiência durou pouco, mas rendeu o contato de amigos e parceiros, que não o abandonariam.

Daí em diante

Em 1963, foi inaugurado o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que também foi a casa dos dois. O sucesso foi tanto que o local começou a funcionar nos dois períodos, de manhã e à noite. O samba rolava solto às quartas e às sextas. Valorizava a cultura do samba e seus compositores. Em quase dois anos de existência, foi onde se reuniram Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton Medeiros, Nelson Sargento, o jornalista Sérgio Cabral, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna e Armando Costa.

 Dona Zica (Eusebia Silva do Nascimento) e Cartola  (Foto: Folhapress)

Dona Zica e Cartola casaram-se em 1964, depois de Cartola ser operado para se ver livre de uma rosácea no nariz. A cirurgia foi financiada pelos amigos. Dificuldades financeiras motivaram a mudança do casal para o bairro de Bento Ribeiro, onde vivia o pai de Cartola. Os dois se aproximaram e retomaram a boa relação de pai e filho, estremecida desde a adolescência do compositor.

Mangueira querida

Em 1968, Cartola e dona Zica receberam um terreno para que construíssem sua casa no Morro da Mangueira. A construção, na rua Visconde de Niterói, nº 896, abrigou a foto do Cartola II, disco de 1976.

Em um roteiro com tantas reviravoltas, a vida de Cartola foi cheia de tragédias e momentos líricos, como suas canções. O câncer acabou levando o compositor em 1980, mas sua obra continua presente na história da música brasileira. Em meio a tantos momentos intensos, o biógrafo Denilson Monteiro salienta a importância da fundação da Estação Primeira de Mangueira. Além desse episódio, outros foram destacados pelo especialista: “Cartola teve a rixa com a Mangueira e chegou inclusive a ser dado como morto; depois, foi viver com Zica, que o resgatou do alcoolismo, praticamente salvando sua vida. Também houve a redescoberta pelo jornalista Sérgio Porto e o empenho de nomes como Lúcio Cardoso, Jota Efegê e Nuno Veloso, a criação do Zicartola e a gravação do primeiro LP em 1974, uma grande luta do produtor João Carlos Botezelli, o Pelão, que tornou Cartola sucesso em todo o país”.

Companheiros de viagem

Amigos e parceiros falam sobre sua relação com um dos maiores sambistas brasileiros

Foto: Manfred Pollert

Guinga, compositor e violonista

“Conheci o Cartola no show chamado Vem Quem TemVem Quem Não Tem (1975). Esse show era de João Nogueira, Roberto Nascimento e Cartola. Eu era um músico que acompanhava o João. Cartola utilizou o grupo do João para acompanhá-lo também. Eu acompanhava o Cartola no samba Acontece. E aí o Cartola se amarrou no acompanhamento e ficamos amigos naquela convivência. Depois ele me convidou para outros shows e isso culminou com a minha participação na gravação de O Mundo É um Moinho”.

Martinho da Vila, compositor e cantor

Foto: Philippe Dutoit

“Todo mundo vê o Cartola como um sonho, uma coisa diferente. Por exemplo, ele é um compositor de morro, fundador da Mangueira, mas não existe um sambão do Cartola, no estilo das escolas de samba. Ele é um poeta doce. Até o samba enredo mais famoso (Vale do São Francisco), feito em parceria com Carlos Cachaça, é um samba doce”.

Foto: Silvana Marques

Elton Medeiros, compositor

“O meu maior sucesso foi o O Sol Nascerá, que fiz junto com Cartola, que também disse que foi o maior sucesso dele. Costumo dizer que o conheci em 1930, uma brincadeira que faço, pois ouvi falar dele quando criança.

O Heitor dos Prazeres, que frequentava muito a minha casa, disse uma vez que iria encontrar o Cartola. Eu era bem pequeno e disse para minhas irmãs que achei estranho ele falar que iria encontrar uma cartola. Elas riram e me explicaram, mas fiquei com aquele nome na cabeça. Então, em 1965, o Zé Keti disse que o Cartola formaria um conjunto integrado por compositores de escolas de samba. Como na época eu já compunha para a Aprendizes de Lucas, ele perguntou se eu queria participar, e eu, que já era fã do Cartola, disse ‘claro’. Então, o Zé Keti me apresentou a ele e digo que, naquele dia, apertei a mão do Cartola e não larguei mais”.

Foto: Ubirajara Dettmar (Folhapress)

Reverendo do samba

Entre as inúmeras homenagens a Cartola ao longo dos últimos anos
estão discos, shows e a recente celebração do Dia Nacional do Samba [2 de dezembro]

Em dezembro de 2018, Elton Medeiros, Monarco, Adriana Moreira, Yvison Pessoa e Moisés da Rocha comandaram a festa para Cartola no Sesc Pompeia. O show, que celebrou o Dia Nacional do Samba, foi realizado na comedoria da unidade e apresentou obras do compositor carioca, como O Sol Nascerá, Peito Vazio, Preconceito e Alegria.

A programação do Sesc se rendeu a Cartola em outras ocasiões. O CD Cartola foi relançado pelo Selo Sesc em comemoração ao centenário de Angenor de Oliveira, em 2008. Já na comemoração dos 90 anos do compositor, em outubro de 1998, um time especial de músicos reuniu-se para a homenagem num show no Sesc Pompeia: na direção e arranjos, o maestro Théo de Barros; no cavaquinho, Henrique Cazes; e vozes de Márcia e Elton Medeiros. Esse lendário show teve como resultado um disco. Em 2016, Emicida levou a releitura do disco Cartola para a unidade Belenzinho.

Adquira pelo Selo Sesc:


Em 1998, quando era lembrado o 90º aniversário do genial Angenor de Oliveira, Mestre Cartola (1908-1980), o Sesc de São Paulo lançou uma biografia do compositor, feita pelo saudoso jornalista e pesquisador Arley Pereira, e um CD gravado ao vivo no Sesc Pompéia, reunindo Márcia e Elton Medeiros interpretando clássicos do mangueirense com direção musical, arranjos e regência do maestro Théo de Barros.

No centenário de nascimento de Cartola, biografia e CD ganharam reedições. O disco, primoroso, traz Márcia e Elton Medeiros revivendo sambas como Tive Sim, AconteceAutonomiaO Mundo é Um MoinhoCordas de AçoNão Quero Mais Amar a Ninguém e Alvorada. As interpretações, belíssimas, ganham qualidade ainda maior graças aos arranjos primorosos de Théo de Barros. Reedição mais que oportuna.

Como adquirir o CD: www.sescsp.org.br ou em qualquer unidade do Sesc

Imagem da capa

A imagem de capa da edição de janeiro da Revista E é do curso Estamparia bogolan e adinkra: símbolos e narrativas da África Ocidental, que propõe apresentar ao público o estudo dos acervos gráficos dos bogolans e das estampas impressas do povo Ashanti, do Gana. Durante os encontros, a partir dos estudos teóricos em aula, os participantes construirão estampas para impressão sobre algodão, por meio da técnica de serigrafia manual. Com o artista e educador Celso Lima, de 17 a 31 de janeiro, no Sesc Vila Mariana.

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957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming
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1019 – Com mais de 40 anos, A Tábua de Esmeralda ainda é a joia da coroa de Jorge Ben (Jor) e um dos melhores discos do país*

*Com Matheus Pimentel, do blogue Sala 33, e Vinícius Castro, do blogue Fita Bruta

O Barulho d’água Música retoma a série Clássico do Mês que, nesta edição, a terceira desde dezembro do ano passado, será dedicada à A Tabua de Esmeralda, considerado até hoje a joia da coroa do carioquíssimo à época do lançamento ainda Jorge Ben, passados mais de quatro décadas da gravação, em 1974. A Tábua de Esmeralda, de acordo com Matheus Pimentel, do blogue Sala 33, é um dos discos mais impressionantes e originais de que a música brasileira já teve notícia. Pimentel destaca em artigo publicado em novembro de 2014 que a estranheza e o encanto começavam logo no título [do álbum] e crava, que, para muitos, o cantor e compositor atingiu seu ápice com esse vinil, classificado como o sexto melhor na famosa lista da revista Rolling Stones Brasil Os 100 maiores discos da música brasileira.

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1017 – Débora Leite reverencia Clara Nunes no Centro Cultural Cine São José, em São Roque (SP)*

* Com matéria publicada na revista Retrospectiva 2017 do jornal O Democrata

Clara Nunes, uma das mais consagradas cantoras e intérpretes da música brasileira de todos os tempos, será homenageada pela cantora Débora Leite  na noite de 27 de janeiro, a partir das 20h30, no palco do Centro Cultural Cine São José, situado em São Roque, aprazível cidade do Interior paulista a menos de 60 quilômetros da Capital. Clara Guerreira, que partiu bem antes do combinado, com 41 anos incompletos e no auge do sucesso, deixou para o público que a estimava uma obra composta por ritmos como afoxés e sambas, com fartas referências aos orixás e aos elementos da natureza, além de tributos à Portela, de compositores do naipe de Paulo César Pinheiro, João Bosco, Aldir Blanc e Chico Buarque, entre outros “bambas”. Deste cativante repertório, Débora escolheu canções como Conto de Areia e Canto das Três Raças, que apresentará acompanhada por Rodrigo Ferreira, ao violão, e o percussionista Manu Neto.

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890 – Karine Telles (MG) recebe Luizinho 7 Cordas e Renato Braz para cantar “Flor do Samba”, em Sampa

A mineira Karine Telles cantará nesta sexta-feira, 24, musicas de Flor do Samba, a partir das 21 horas, na unidade Pompeia do Sesc de São Paulo. Durante a apresentação, a uberlandense radicada em São Paulo pretende universalizar temas do estado natal, Minas Gerais, mesclando às canções do primeiro álbum sucessos consagradas da MPB. Flor do Samba, segundo Karine Telles, consumou em 2011 o projeto de ser ponte para novos mercados da produção de compositores da região do Triângulo Mineiro, por meio de uma leitura de músicos paulistas que não conheciam aqueles compositores. Participam do disco Virgílio Azevedo, Sueli Telles, Paulo Cesar Nunes, Renato Braz, Wagner Dias, João do Vale, Consuelo de Paula, Monalisa Lins, Mauro Mendes e Carlin de Almeida. Morro Velho e Canção Amiga, de Milton Nascimento, e Por que Razão, composta por Eduardo Gudin e Toquinho, além  da composição autoral, Criança da Rua, também integrarão o repertório preparado para o Sesc Pompeia.

Flor do Samba contará com as participações no palco dos músicos Luizinho 7 Cordas (violão 7 Cordas e direção musical), Renato Braz (violão 6 cordas), João Poleto (flauta e sax), Ricardo Valverde (percussão) e Bré (percussão). O disco saiu com recursos da Lei de Incentivo à Cultura por meio da empresa Sankhya, com participações especiais de Luizinho 7 Cordas, Oswaldinho do Acordeon e Coral de Crianças da Casa do Caminho do bairro Joana Darc, entre outros ilustres convidados. Em show de lançamento em sua cidade natal no dia 1 de dezembro de 2011, véspera do Dia do Samba, Karine Telles contou com direção do diretor teatral Elias Andreato, timoneiro de muitos mares navegados e que já conduziu palcos estrelados por Maria Bethânia, Paulo Autran e Marília Pera.

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Em Sampa, entre outros eventos e atividades, Karine Telles já se  apresentou ao lado de Adriana Moreira, Ilana Volcov, e Karina Ninni em show de tributo ao compositor Nelson Cavaquinho, cujo nascimento completava 100 anos, no Centro Cultural São Paulo. Em Notícias dum Brasil 4,  de Eduardo Gudin,  interpreta Tempo de Espera mostrando, enfim, ao público o samba que Gudin e Paulo César Pinheiro tinham na gaveta desde a década de 1980 e era inédito em disco. Karine Telles forma Notícias dum Brasil com Cezinha Oliveira, Ilana Volcov, Karine Telles, Mauríciso Sant’Anna, Ewerton de Almeida, Jorginho Cebion, Osvaldo Reis e Raphael Moreira, além de cantar com Renato Braz, outro egresso das fileiras de Gudin, Água de Minha Sede (Dudu Nobre/ Roque Ferreira), entre outras.

826 – Lê Coelho vai do rock progressivo ao samba tradicional em “Tuvalu”, disco de estreia que lançará em Sampa

O palco do auditório da unidade Vila Mariana do Sesc de São Paulo estará reservado a partir das 20h30 da quinta-feira, 10, para o lançamento de Tuvalu –Uma História Oral do Nosso Tempo, primeiro álbum solo do compositor, cantor e violonista Lê Coelho. Durante a apresentação, além de faixas deste trabalho, o púbico ouvirá canções inéditas do cantor e compositor, além de releituras dos repertórios da Banda de Argila e do grupo Urubus Malandros, entre as quais Gota por Gota, gravada recentemente pelo cantor Lineker e para o single Equivocado, com a banda Meia Dúzia de 3 ou 4.

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772 – Graça Braga reverencia Candeia e Maria Alcina relembra sucessos de Luiz Gonzaga no Sesc Campo Limpo (SP)

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A irreverente Maria Alcina protagonizará espetáculo em homenagem ao Rei do Baião (Foto: Vinícius Campos e arte da xilogravura em destaque de Ariovaldo Leite)

A unidade do Sesc Campo Limpo programou ótimas atrações musicais para os dias seguintes ao Natal e à entrada do Ano Novo para quem mora em São Paulo e não vai pegar a estrada em viagem de férias ou estiver na cidade ou região metropolitana a passeio. Uma das apresentações dará ao público a oportunidade de curtir Maria Alcina, um dos ícones da cultura brasileira, que levará à plateia em 3 de janeiro uma releitura da obra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, com entrada franca, a partir das 18h30!

Júnior Meirelles, compositor e multi-instrumentista, abrirá a lista das boas opções no sábado, 26 de dezembro, a partir das 20 horas. A apresentação integra a turnê do projeto Pra Quem Tem Coragem de lançamento do álbum homônimo. O repertório é dos mais vibrantes, combina gêneros tradicionais como o samba e pop com timbres e arranjos contemporâneos de metais possibilitando um encontro que promete curar quem por acaso ainda estiver com ressaca de panetone, de peru e de champanha ou amarrando bode por não ter curtido o presente do amigo-oculto.

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A apresentação de Júnior Meirelles dará sequência à turnê do projeto Pra Quem Tem Coragem de lançamento do álbum homônimo (Foto: Divulgação)

A Poesia Samba Soul, banda liderada por seu fundador, multi-instrumentista e produtor musical Cláudio Miranda, ocupará o palco no domingo, 27, a partir das 18h30. O repertório destacará músicas próprias com pegada dançante dos álbuns Antes Soul do que Mal Acompanhado e Favela da Paz. Claudinho Miranda, Fabio Bass, Pikeno, Paulinho e Hellem Fernandes começaram o projeto em 1988, no extremo sul da cidade de São Paulo, desde então já produziram seis discos e agora estão lançando o terceiro DVD (comemorativo aos 25 anos de estrada) com composições cujas letras transmitem mensagens de incentivo e histórias do cotidiano. A banda já tocou em países como Portugal, Espanha, França, Alemanha e Suíça, muito por conta da música e dos projetos que desenvolve em São Paulo por meio do Instituto Favela da Paz e o Estúdio Áudio Visual, localizado no Jardim Ângela, bairro da zona Sul da cidade.

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Graça Braga: potente voz em reverência a mestres como Candeia, Nelson Cavaquinho, Herivelto Martins e Adoniran Barbosa (Foto: Divulgação)

Graça Braga, que estará no Sesc Campo Limpo  quando os ponteiros cravarem 20 horas do sábado, 2 de janeiro, é intérprete e compositora dona de voz potente. Egressa do Samba da Vela, Graça Braga celebra o compositor Candeia (1935 – 1978), um dos papas do samba carioca, autor de canções como Réu Confesso e Preciso Me Encontrar e participa de vários projetos musicais em São Paulo nos quais presta tributos a Adoniran Barbosa, a Nelson Cavaquinho, e a Herivelto Martins. Eu Sou Brasil, primeiro álbum autoral, lançado em 2007, faturou o Troféu Catavento, reconhecido pela Rádio Cultura como melhor produção independente de samba e melhor música (Dona do Samba, dela em parceria com Paquera). Em 2011, saiu o segundo disco, Dia de Graça – Samba de Candeia, produzido por Thiago Marques Luiz com direção musical de Everson Pessoa, participação de Leci Brandão e Marcos Sacramento. Graça Braga participa também dos CDs 100 Anos de Adoniran Barbosa, 100 Anos de Nelson Cavaquinho e 100 anos de Herivelto Martins.

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Maria Alcina será a estrela de Asa Branca, em tributo ao Velho Lua, que promete interpretar com o merecido respeito, mas sem abrir mão de sua conhecida irreverência para trazer ao público entre mais de 20 sucessos do Rei do Baião clássicos como Paraíba Mulher Macho, Baião, Sabiá e Qui Nem Jiló, com acompanhamento de Olívio Filho (percussão/bateria, violão e o acordeon). A direção artística de Asa Branca será de Fran Carlo,  que também  está à frente de projeto no qual Vânia Bastos reedita o repertório que ela gravara em 1992 Vânia Bastos Cantando Caetano [Veloso].

Natural de Cataguases (MG), Maria Alcina começou a brilhar ainda naquele município antes de se estabelecer na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os primeiros trabalhos marcaram o chamado “Teatro de Revista”, no qual conviveu e atuou com a atriz Leila Diniz, e em casas de espetáculos. A  projeção nacional veio a partir de 1972 quando gravou Fio Maravilha (Jorge Ben Jor), seguida de interpretações de sucessos de artistas consagrados como Rita Lee, João Bosco e Aldir Blanc e Eduardo Dusek. Em 2003,  Maria Alcina voltou a surpreender fãs e críticos ao gravar Agora com o grupo de música eletrônica Bojo, com direito a participação durante a Feira de Música Popkomn, em Berlim.  Em 2009, a mineira ganhou o Prêmio da Música Brasileira nas categorias de melhor cantora, melhor álbum e melhor produção com Confete e Serpentina.

O Sesc Campo Limpo fica na rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, a 500 metros da estação Campo Limpo da Linha 5 Lilás do Metrô e do terminal de ônibus do bairro. Para mais informações há o telefone 11 5510-2700.

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647 – Flor do Samba, de Karine Telles (MG), chega ao acervo do Barulho d’água Música

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Imagens do álbum de Karine Telles e, no destaque, foto de Daniel Kersys/SP

O Barulho d’água Música recebeu da própria cantora uma joia, lapidada com sambas da melhor qualidade e interpretação, todos de autores do Triângulo Mineiro, região na qual estão Uberlândia e Uberaba, cidades mais afamadas pelas criações dos seus violeiros e expoentes da música de raiz e regional, entre os quais São Dércio Marques. Pois é, mas naquelas bandas a cuíca também ronca, uai! Graças a Deus, e mescladas com outros instrumentos que fazem balançar as cadeiras e colocam na roda de bambas Karine Telles, uberlandense que gravou, em 2011, Flor do Samba, seu primeiro disco autoral. 

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614 – Fred Martins lança na Sala Funarte (RJ) “Para Além do Muro do Meu Quintal”, gravado em Portugal

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A Sala Funarte Sidney Miller, localizada no Centro do Rio de Janeiro, será o palco para o cantor e compositor Fred Martins lançar Para Além do Muro do Meu Quintal, em show marcado para a quinta-feira, 20 de agosto, a partir das  19 horas, com ingressos a preços populares. Fred Martins vai se apresentar acompanhado pelo violoncelista Lui Coimbra, além do saxofonista Marcelo Martins. Para Além do Muro do Meu Quintal foi  gravado em Lisboa, Portugal, com produção musical do pianista e arranjador açoriano Paulo Borges e participações especial dos cantores Renato Braz e da cabo-verdiana Nancy Vieira . O título remete a um verso de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, extraído do poema  Noite de São João

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