1532 – Samba de Bumbo, tradição nascida em Pirapora do Bom Jesus (SP), será destaque durante III Festival Cidade Musical

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Berço do Samba de Bumbo entre outras manifestações populares e da fé, a cidade de Pirapora do Bom Jesus, situada na Grande São Paulo a cerca de 60 quilômetros da Capital paulista, está gradativamente retomando suas atividades após o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Fundada em 6 de agosto de 1725, hoje sob administração desde o começo do ano passado do prefeito Dany Floresti (PSD), Pirapora do Bom Jesus é conhecida, ainda, por atrativos naturais, o que leva ao município não apenas romeiros de várias partes do país que lá pagam promessas e renovam suas crenças em um ambiente de elevada espiritualidade, mas turistas e amantes de esportes de aventura ou radicais, de um modo geral. Floresti tem divulgado que em seu mandato desenvolverá uma gestão que não apenas possibilite atender às reais necessidades dos moradores, mas, para além desta meta, resgatar e potencializar eventos que tanto atendam aos costumes e às demandas locais, quanto integrem e encantem o visitante, oferecendo-lhes eventos e festejos dentro ou fora do calendário oficial municipal que revelem os potenciais que a cidade guarda – estratégia que deverá possibilitar, por exemplo, ao romeiro e aos seus acompanhantes ou mesmo àqueles só de passagem para uma saudável pedalada, desfrutarem por mais tempo (além do compromisso religioso ou de um rápido passeio) da hospitalidade com ares de Interior e das diversas tradições piraporanos nos mais diversos setores, do religioso ao gastronômico e aos esportivos e/ou culturais.

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1517 – Morte de Elifas Andreato tira da luta contra o desmonte cultural e os ataques à democracia um dos nossos mais respeitados combatentes

# MPB #ArtesPlásticas #DesignGráfico #HistóriadoBrasil #CulturaPopular

Entrei nesses movimentos todos, nessas publicações, porque passei a fazer parte de um seleto time que tinha coragem para realizar aquilo. Muita gente hoje lê a história, mas não imagina o que era de fato (…) Nós éramos todos guerrilheiros, militantes, e toda vez que me chamaram para desenhar alguma coisa com a qual eu concordava, sempre fiz.”

Elifas Andreato, em entrevista para a revista Comunicação e Educação (2006)

O desenho maior,  ao centro da imagem acima entre algumas das capas de disco que Elifas Andreato criou, é do ilustrador, compositor e violeiro paulistano Yuri Garfunkel, feito a pedido do Barulho d’água Música seguindo os traços do artista plástico paranaense. Obrigado, Yuri, sucesso sempre para você!

 

 

O Brasil amargou no dia 29 de março a perda em suas fileiras de resistência político-cultural do artista plástico, jornalista, escultor e militante de esquerda Elifas Andreato. Aos 76 anos, o mais consagrado ilustrador dos recentes tempos, incluindo os bicudos anos de chumbo, morreu na cidade de São Paulo, de complicações pós infarto que sofrera dias antes. Reconhecido na história do país como autor de mais de 350 capas produzidas desde a era dos elepês em vinil (suporte no qual ficaram mais conhecidos seus peculiares traços), Elifas Andreato também colaborou com vários jornais da imprensa alternativa de enfrentamento ao regime militar, que se estendeu entre 1964 e 1985.

Dias antes de precisar ser internado, Elifas ainda enviou, graciosamente, como era também de sua índole humanitária, uma de suas mais antigas ilustrações ao Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, situada na Grande São Paulo, para ser capa do livro Rosca Sem Fim, publicação na qual a entidade denunciará o descaso histórico nas empresas do setor quanto às normas de prevenção e de indenização às vítimas de acidentes de trabalho. Ainda na área da música, recentemente Elifas criara o troféu e todos os elementos gráficos do Prêmio Grão de Música, iniciativa da cantora e compositora Socorro Lira (PB) que, já há oito anos, com o apoio de vários colaboradores, distingue revelações do cenário nacional, contemplando nomes de praticamente todos os estados nacionais.

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1505 – Sai de cena Maria da Paixão Jesus (MG), cantora e multiativista que fez história em Osasco (SP)

#MPB #Teatro #Cinema #Televisão #EducaçãoArtística #MovimentoNegro #EmpoderamentoFeminino #Osasco 

Ainda menina, deixando o interior mineiro no começo dos anos 1960, a artista cresceu em Osasco, onde a cena cultural desafiava a ditadura militar. Com personalidade forte e marcante conquistou seu espaço nos palcos e nas telas a partir de um anuncio de jornal, tornando-se ainda professora e combativa mulher que se autodenominava anarquista  e não fazia concessões aos modismos

A atriz e cantora Maria da Paixão Jesus morreu na sexta-feira, 18 de fevereiro, na cidade de Osasco, situada na Região Metropolitana da Grande São Paulo, distante 15 quilômetros da Capital, São Paulo.

Mineira de Bocaiúva, Maria da Paixão de Jesus desenvolveu carreira artística e de ativista cultural a partir de 1967. Quando tinha ainda apenas 16 anos, em 1969, a jovem recortou do Diário da Noite um anúncio sobre a procura de atores para a montagem de versão brasileira do musical Hair (protagonizada, entre outros, por Sônia Braga, Araci Balabanian, Antônio Fagundes, Ney Latorraca, Armando Bógus). Foi aprovada nos testes promovidos e com sua presença na montagem dirigida por Ademar Guerra e Altair Lima que ficou em cartaz por nove meses no Teatro Bela Vista, no badalado bairro Bixiga, Maria da Paixão (que já tinha intensa atuação em Osasco) abriu de vez as cortinas para novas atuações e passou a realizar uma série de trabalhos. A lista inclui Morte e Vida Severina, A Moreninha, Jesus Cristo Superstar, Ópera do Malandro

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1439 – Orquestra de Sopros de Osasco (SP) faz apresentação única no Teatro Aspro*

*Com Natália Moraes

O Teatro Aspro está gradativamente retomando as atividades presenciais e reservou seu palco a partir das 19 horas do domingo, 19 de setembro, para a apresentação da Orquestra de Sopros de Osasco (OSO), cidade da região Oeste da Grande São Paulo na qual a casa cultural está situada, no bairro da Vila dos Remédios. Atualmente regida pelo maestro José Roberto Fabiano, a OSO é vinculada à Corporação Musical Santo Antônio e foi criada há quatro anos para aproximar o público e disseminar a cultura dos grupos de sopros, seu aprendizado, aprimoramento de conjunto e execução de arranjos de repertório inusitados que flertam entre a cultura da MPB e a cultura pop. O concerto em Osasco é livre para todos os públicos e em 50 minutos deverá fazer homenagem ao município oferecendo um repertório que inclui composições de Richard Wagner (Tannhäuser Overture), Ludwig van Beethoven (Beethoven in Samba), Luiz Gonzaga (Coisas que o Lua Canta), Jack (Caminheiro), Paul Simon (Bridge Over Troubled Water) e Aldir Blanc e João Bosco (O bêbado e a equilibrista), entre outras. Fabiano regerá doze clarinetistas, sete flautistas, dois oboístas, três fagotistas, quatro trompistas, cinco saxofonistas, cinco trompetistas, quatro trombonistas, três bombardinistas, quatro tubistas e dois percussionistas e terá sob sua batuta a Orquestra completa.

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1425 -Tavinho Limma (PE/SP) celebra ritmos brasileiros em segundo álbum pela Kuarup

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O Canto dos Arrecifes traz canções autorais, parcerias e as participações especiais de Zé Alexanddre, Eudes Fraga e Veridiana Nascimento

O cantor e compositor pernambucano Tavinho Limma lançou em todas as plataformas digitais pela produtora e gravadora Kuarup no começo de agosto O Canto dos Arrecifes, seu segundo projeto lançado pela gravadora, que em 2020 disponibilizou O Mundo de Raimundo Homenagem a Fagner. O Canto dos Arrecifes é uma obra autoral composta por 11 faixas e traz em sua essência ritmos brasileiros como frevo, maracatu, baião e ciranda. O álbum tem direção musical de Elton Ribeiro e arranjos de Omar Campos, Oswaldinho do Acordeon e Walmir Gil, da Banda Mantiqueira.

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1400 – Tavinho Limma (PE/SP) mergulha na obra de Fagner e lança homenagem em treze faixas ao cearense

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Com participação de Paulinho Pedra Azul, treze perolas do repertório do controvertido músico nordestino fazem parte do nono álbum do ex-integrante da Banda Pau e Corda

As audições matinais aos sábados aqui no Solar do Barulho, onde fica a redação do Barulho d’água Música, na Estância Turística de São Roque (SP), começaram neste dia 5 de junho com O Mundo de Raimundo, disco lançado em 2020 por Tavinho Limma e disponibilizado em plataformas digitais pela produtora e gravadora Kuarup. O álbum em homenagem ao cantor e compositor cearense que com voz rascante e timbre árabe tanto embalou este jornalista na juventude (e até hoje o admira) traz 13 canções do eclético repertório de Raimundo Fagner. Se hoje muitos na crítica torcem o nariz para Fagner e o riscaram do caderninho por conta de posições artísticas e políticas mais recentes, outros tantos zeram tais observações e, deixando de lado a patrulha ideológica, reconhecem com justiça — como este blogueiro — a inegável qualidade da sua contribuição à música e à cultura populares brasileiras, fazendo dele um dos mais luminosos astros entre os quais podem se citar, ainda, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e, para ficarmos apenas nas vozes masculinas, já fora deste plano Gonzaguinha, Dominguinhos e Belchior.

Desde 1971 até 2020, Fagner já brindou os inúmeros fãs de ao menos três gerações com cerca de 40 álbuns solo — sem contar aqueles nos quais participa, por exemplo, ao lado de outras referências luminares como Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga, Zeca Baleiro e até o craque Zico, entre outros trabalhos que mesclam em uma primeira e inventiva fase desde a poesia e composições de Ferreira Gullar, Garcia Lorca, Pablo Milañes, Antonio Machado, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré e Florbela Espanca ao rock rural e ritmos latinos e mouros às raízes nordestinas; duetos icônicos com Mercedes Sosa, Joan Manoel Serrat e Rafael Alberti, por exemplo, antes da bem sucedida guinada na década dos anos 1980, quando, para agradar um público menos intelectual e exigente, plateia pouco afeita a estéticas e linguagens inovadoras, assumiu perfil romântico, até explodir em trilhas sonoras de novelas da Rede Globo.  Muito mais do que uma borbulha de sabão que o vento dissolve como espuma, continua firme e dentro do seu atual estilo, formando o time daqueles que já emplacaram a casa dos 70 anos de vida nesta estrada que, atualmente, ninguém sabe onde nos levará, seja pela perseguição e pelo esvaziamento da cultura, seja pelo negacionismo da pandemia da Covid-19 em meio a retrocessos  de todas as ordens que, como cebola cortada, tanto nos fazem chorar.   

Nesta esteira que já chega aos 50 anos de história, Fagner perdeu a unanimidade entre quem lá atrás foi bicho-grilo, mas os “bregaldos” os amam e consagrou compositores como Abel Silva, Petrúcio Maia, Manassés, Sueli Costa, Clodo, Climério & Clésio e Fausto Nilo, mostrando que somos um celeiro inesgotável quando o assunto é música. E parte de seus álbuns arrebataram sucessivamente discos de ouro (vendas acima de 100 mil cópias) e platina (acima de 500 mil), superando em 1987, com Romance no Deserto (“eu tenho a boca que arde como sol, o rosto e a cabeça quente”…) mais de 1 milhão!. Joia rara, seu primeiro filho solo, Manera Fru Fru Manera (1973), incluiu em sua primeira versão Canteiros, sucesso baseado no poema A Marcha, de Cecilia Meireles, com música de Fagner, até hoje cantado em rodas de violões depois de ecoar por todo o Brasil — um verdadeiro “balaço” que vem riscando o tempo saído do disco produzido por Roberto Menescal e pelo próprio cantor, com arranjos de Ivan Lins e participações especiais de Nara Leão, Naná Vasconcelos e Bruce Henry. Dois anos depois, Fagner foi eleito por jornalistas paulistas o Cantor do Ano. Em 1990, o Prêmio Sharp de Música Popular o reconheceu como Melhor Cantor, autor do Melhor álbum (O Quinze), da Melhor canção (Amor Escondido, parceria com Abel Silva) e, de quebra, o quarto troféu: Melhor disco regional (Gonzagão e Fagner Vol. 2.)

Tavinho Limma pinçou cuidadosamente deste baú as pedras que resolveu polir e, apesar de um disco sintético/enxuto diante de tão copioso tesouro, conseguiu alinhavar as duas facetas do polêmico Fagner, deixando na boca de quem ouve um gosto de quero mais. Zeca Baleiro, junto com o mineiro Chico Lobo, tornou-se um dos padrinhos de O Mundo de Raimundo: ambos demonstraram que ao mirar, sabiam no que apostavam, que não errariam, que seria mesmo um tiro bem dado. O projeto que Tavinho Limma primeiro concretizou por meio de uma concorrida vaquinha virtual para produção dos discos físicos não deu nem para o cheiro: virou ouro em pó! Por sorte, a Kuarup topou disponibilizá-lo em versão eletrônica, já que as tiragens do cedê se esgotaram rapidamente e acessando ao linque logo abaixo desta linha será possível ouvir o disco na íntegra.

As 13 faixas começam com A canção brasileira, com participação do mineiro Paulinho Pedra Azul, depois rememoram clássicos como Mucuripe, parceria entre Fagner e o conterrâneo Belchior, que Roberto Carlos, Elis Regina e Amelinha também interpretam; Noturno e Pedras que Cantam, temas das novelas Coração Alado (1980) e Pedra Sobre Pedra (1992); Guerreiro Menino, de Gonzaguinha, também tocada em Voltei Pra Você (1983), todas da Rede Globo; mais perolas tais como Espumas ao Vento, Astro Vagabundo, Cebola Cortada, Ave Coração e Revelação.

Natural de Recife (PE), radicado em Ilha Solteira (SP), Tavinho Limma é cantor, compositor e produtor de eventos. Ex-integrante da Banda de Pau e Corda, apresentou-se em vários eventos tradicionais pernambucanos como carnavais (em O Galo da Madrugada) e Festas Juninas de Caruaru e Recife. Sua discografia possui nove discos solos, lançados desde o primeiro elepê em 1989 — Intenções, da Gravadora Continental/Colibri, em cujas faixas Tavinho Limma interpreta canções de Oswaldo Montenegro, Fátima Guedes e Beto Mi. Entre os parceiros musicais e artísticos ao longo da carreira, destacam-se nomes como Jane Duboc, Tetê Espíndola, Antonio Calonni, Martha Medeiros, Paulinho Pedra Azul, Chico Lobo, Oswaldinho do Acordeon e Ivan Vilela. Como produtor de shows, esteve também com Tetê Espíndola, além de Dani Black e Grupo Voz.

Por diversas vezes, Tavinho Limma se apresentou na Capital bandeirante, cidades da Grande São Paulo e do Interior paulista, seja como atração de edições da Virada Cultural, festivais, projetos culturais ou em concertos solo, passando por Osasco, Cunha (Festa do Pinhão), Concurso de Marchinhas de São Luiz do Paraitinga, Festival de Música de Avaré (Fampop), Festival de Música de Tatuí, Festival de MPB de Ilha Solteira, entre outros eventos. Em 2012, participou da trilha sonora da novela Carrossel, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), com a canção Malfeito, dele e de Rita Altério, tema do personagem Firmino. Também esteve no palco do Bar Brahma para o Projeto Talento MPB, dirigido por Lenir Boldrin.