1126- Joyce Moreno e Alfredo Del-Penho lançam em Sampa álbum em homenagem a Sidney Miller *

Disco do selo Kuarup celebra a obra do compositor carioca de clássicos como A Estrada e o Violeiro, O Circo e É Isso Aí  e dupla que interpreta as faixas protagoniza  pocket show com entrada franca no Conjunto Nacional, em Sampa
*Com Renato Vieira, da assessoria de imprensa da Kuarup

A audição matinal deste sábado, 10, aqui na redação do Barulho d’água Música começou tocando as 16 belas faixas do álbum Argumento (Canções de Sidney Miller), com Joyce Moreno e Alfredo Del Penho, uma das joias do catálogo da gravadora Kuarup, gentilmente nos cedido pelo amigo Rodolfo Zanke e que será lançado nesta terça-feira, 13, em São Paulo (ver guia Serviço). Amiga de Sidney Miller (1945 — 1980), Joyce foi convidada pelo Instituto Moreira Salles para revisitar as doze músicas do primeiro álbum do compositor, em apresentação da série Grandes Discos, em abril de 2012. O LP original saíra pelo selo Elenco, em 1967, após o cantor e compositor carioca participar do III Festival de Música Popular Brasileira, defendendo A Estrada e o Violeiro, ao lado de Nara LeãoComo o dueto era um dos grandes momentos da estreia fonográfica de Miller, Joyce chamou Alfredo Del-Penho para acompanhá-la no show que deu origem ao Argumento….

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1122 – “O Banquete dos Mendigos”: disco duplo de Jards Macalé e um coletivo de artistas que peitaram a ditadura completa 45 anos

Bolachão foi gravado ao vivo na cidade do Rio de Janeiro,  em clima tenso, com tropas dentro e fora do MAM e ficou seis anos “recolhido” até finalmente ser lançado em 1979, intercalando músicas e os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, naquele dia, completava 25 anos

Com o blogue Criatura de Sebo e Jornal GGN

O Barulho d’água Música retoma a série Clássico do Mês para nesta mais nova atualização antecipar a comemoração do aniversário de 45 anos, que ocorrerá em 10 de dezembro, do álbum O Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo, em 1973, no Museu de Arte Moderna (MAM), na cidade do Rio de Janeiro. E por que antecipar a matéria sobre este emblemático disco? Para recordar  nestes tempos em que há nuvens sombrias pairando sobre os valores e as instituições que promovem a democracia, o respeito e amor ao próximo, que o show que resultou na gravação do projeto dirigido por Jards Macalé comemorava, naquela ocasião, os 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também tinha a função de chamar a atenção da população brasileira para a violação, em larga escala e sob aplicação de intensa violência, de direitos civis pelos militares que estavam no poder. Após a Comissão Nacional da Verdade, recentemente, entregar seu relatório oficial sobre as barbaridades cometidas em nome do Estado nos anos de chumbo, cobrou-se a punição aos crimes da ditadura, o fim de seus “entulhos” — resquícios como os “autos de resistência”, que ceifam a vida da juventude negra nas periferias do país, a perseguição às minorias que formam o segmento LGBT,  aos partidários de setores mais à esquerda do espectro político — que candidatos durante as mais recentes eleições voltaram a demonizar, atribuindo a adversários socialistas, por exemplo, pechas e rótulos que não só os desumanizam, como os transformam em “monstros”, trazendo das trevas, por exemplo, a ridícula crença de que “comunistas” são por si só homens maus e que estes “comem criancinhas”, como se dizia naquela época na qual as “fake news” já estavam por ai.   Continue Lendo “1122 – “O Banquete dos Mendigos”: disco duplo de Jards Macalé e um coletivo de artistas que peitaram a ditadura completa 45 anos”

1117 – Elifas Andreato estreia na literatura infantil com livro musicado por Tom Zé

Fábula escrita há quase 40 anos, que estava na gaveta do consagrado capista,  é lançada por editora premiada no segmento de obras didáticas;  antes de chegar às prateleiras das livrarias virou disco na voz do baiano tropicalista

O jornalista, artista gráfico e cenógrafo paranaense de Rolândia radicado em São Paulo Elifas Andreato, conhecido por conceber algumas das mais belas capas de discos de todos os tempos da música brasileira, muitas premiadas e expostas em mostras até fora do país ¹, acaba de estrear na literatura também como escritor de histórias infantis. Em 6 de outubro, em uma concorrida livraria da rua Fradique Coutinho, em São Paulo, seus amigos e fãs mais uma vez o prestigiaram, desta vez para o lançamento de A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética, que conta com 56 páginas ilustradas por Fê, considerado uma dos mais criativos ilustradores da atualidade.

A Maior Palavra do Mundo… é o abre-alas da nova fase da Palavras Projetos Editorias, liderada pelo editor Cândido Grangeiro e formada no segmento de didáticos, destacada por inúmeros títulos aprovados pelo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD), e que, agora, aposta fichas também no segmento infanto-juvenil. Para Elifas Andreato levar o livro ao prelo, entretanto, demorou 37 anos, tempo no qual os originais ficaram na gaveta do autor. O trabalho teve origem a partir de uma das muitas histórias que Elifas contava para seus filhos quando eram pequenos: contos envolvendo as letras do abecedário.

Depois de pronta, Elifas Andreato enviou a obra para que um amigo especial a musicasse: Tom Zé. “Para mim, uma boa narrativa sempre vem acompanhada de música”, explicou o artista gráfico. Na época, Andreato gravou as composições feitas por Tom Zé em uma fita cassete, que os filhos acabaram levando à escola, fazendo com que toda a turma decorasse as canções e “cansassem” de brincar com as cantigas.

Capa e contracapa do disco de Tom Zé sobre as fábulas de Elifas Andreato

O projeto da fábula musical foi retomado no ano passado, dando origem, primeiramente, ao álbum para o público infantil Sem você não A, que Tom Zé lançou na semana do Dia das Crianças, em outubro de 2017. O livro e o CD, portanto, estão prontos, mas o projeto poderá ganhar, ainda um novo formato, agora como musical.

A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética envolve um mistério, que se inicia quando o ressentido Silêncio, habitante mais antigo daquelas terras, resolve sequestrar a Curiosidade, a regente de todas as letras. Para libertá-la, Silêncio propõe um enigma: descobrir qual a maior palavra do mundo: “Ela começa com E, tem pelo meio Amor, Alegria, Vontade, Amizade, Felicidade, Solidariedade, Respeito e acaba com as últimas das vogais”.

Antes de gravar o álbum Sem Você não A, Tom Zé ainda estava às voltas com a repercussão do disco de 2016, com temática sexual, Canções Eróticas de Ninar (2016). Guinou de um universo ao outro mostrando o quanto é eclético e sua obra abrangente em apenas 30 dias, após receber um convite do Sesc para apresentar algo novo como parte da programação da entidade para o Dia das Crianças de 2017, da qual ele seria atração. O baiano tropicalista tinha em seus armários a fita cassete que Elifas enviar e sacou que chegara a hora de , enfim, musicá-la. Recorreu a alguns amigos e na empreitada que arremataram em 30 dias buscou colocar elementos que são marcantes para a petizada, deixando  com cara de gente miúda o disco que tem participações de 
Leandro Paccagnella (bateria), Daniel Maia (violões), Paulo Lepetit (baixo, guitarras), Jarbas Mariz (percussões), Adriano Magoo (sanfona, teclados), Luanda, Andreia Dias, Daniel Maia e Jarbas Mariz (coro).

“As repetições, por exemplo. Crianças gostam muito de repetições, por isso eu fiz algumas poucas alterações nas letras do Elifas para colocar um pouco mais desse recurso, disse Tom, complementando: as letras seguiram a ideia central da fábula criada por Elifas Andreato, explicada minuciosamente no encarte. “Esta fábula não começa com ‘era uma vez…’ porque acontece no abecedário, terra onde vivem os habitantes do alfabeto”, explicou Elifas. A história em que “não há reis nem rainhas, nem princesas, sapos ou fadas” tem as letras como protagonistas. As maiúsculas precisam das minúsculas e as vogais, das consoantes. “Elas bem entendem que letra nenhuma escreve nada de fundamental sozinha.”

A música de Tom Zé para o episódio do enigma proposto pelo Silêncio (lembram dele?) mata a charada: “A maior palavra do mundo é eu / Eu, eu, eu, eu, digo eu / Simplesmente Eu / Eu, eu, eu, eu digo eu / Simplesmente eu.”  A música continua: “O Eu é tão gorduchão / É tão gigante grandão / Que o mundo é um pigmeu / Diante de um simples Eu / E como, não se sabe como”.

Tom Zé recordou que em shows de lançamento do disco no ano passado, no Sesc Pinheiros, e a reação das crianças a músicas como esta foi das mais gratas, conforme disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. “Resolvemos usar elementos que usamos em shows, mas trocando símbolos para o universo infantil”, contou Tom. O capacete dos integrantes da banda, um artifício incorporado em outros shows de Tom Zé, era golpeado por um martelo. “Mas, se eu colocasse isso no show de agora e elas fizessem isso em casa, iriam parar no hospital. Trocamos então o martelo por frutas”.

Mas e o Silêncio, esse esperto que cria o conflito na história ao sequestrar a Curiosidade? Tom Zé fala sobre ele na música A Praga do Silêncio, valendo-se à vontade das repetições. “Eu vou te rogar uma praga / Praga, praga / Abracadabra te pega / pega, pega / Assim como flor arrancada do chão / Murcha, murcha, ah ah ah / Estrela tirada do céu / Apaga, apaga, apaga, apaga, apaga.” “Isso (no show) foi uma grande felicidade. As crianças subiram no palco, contra a orientação do próprio Sesc. Olha, quando eu fui fazer esse disco, pedi ao espírito que ele fizesse uma música interessante, e ele respondeu. As crianças, como escreveu alguém, são o mundo a começar de novo.”

Curiosidade fica presa para sempre, mas as letras começam a se solidarizar. Elas se juntam e começam a pensar no enigma, até que o A se desespera e foge para tentar resolver o caso sozinho. E quem se desespera agora são as outras letras, que sentem a falta que um A faz no alfabeto. O mágico G dá uma solução para o problema, quando faz descer do céu algumas de suas amigas estrelas. Elas ocupam as lacunas deixadas pelo A e fazem a leitura ainda possível. Alivia, mas não cura. “Sem você não haverá luas / Nem teremos o azul do mar pra navegar / Ai ai, hum hum / Sem você não A / Sem você não haverá canção”, canta Tom Zé na faixa-título Sem Você Não A.

As letras e as palavras passam por uma  revolução desde a chegada das novas tecnologias. Ao mesmo tempo em que as pessoas começaram a escrever mais, o tempo todo, nunca a língua portuguesa foi tão maltratada em abreviações de postagens em Twitter, Facebook e WhatsApp. Tom Zé acredita que o buraco é mais fundo. “Há mais de 20 anos que a universidade forma pessoas que não sabem ler, nem escrever. Antes da internet, a língua portuguesa já estava depreciada pelas autoridades públicas.”

O traço das ilustrações de Elifas Andreato não é conhecido apenas das capas de discos, como a antológica de Bebadosamba, de Paulinho da Viola: ele também é autor de cartazes que marcaram época como o da imagem central

¹Elifas Andreato nasceu em 1946. É jornalista, artista gráfico, capista e cenógrafo com carreira  permeada de trabalhos artísticos e jornalísticos; às vezes, simultâneos. Como mostra do reconhecimento pela qualidade de sua obra, recebeu diversos prêmios, entre eles:  em 1997, o Prêmio Sharp de Música pela capa do CD Bebadosambade Paulinho da Viola; em 1999, o Prêmio Aberje (Nacional e Regional) pela exposição itinerante O Brasil Encantado de Monteiro Lobato; em 2011, o Prêmio Especial Vladimir Herzog, concedido pelo Instituto Vladimir Herzog e outras entidades a pessoas que se destacam na defesa de valores éticos e democráticos e na luta pelos direitos humanos. Entre seus trabalhos mais conhecidos, vale mencionar o musical infantil Canção dos Direitos da Criançaem parceria com Toquinho, que ganhou os palcos em 2017.

Clique no linque abaixo para ler o livro de Elifas Andreato:

A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética

Leia também no Barulho d’água Música:

809 – Correios promovem em Brasília exposição que retrata 50 anos de carreira do artista plástico Elifas Andreato

 

1110 – Solano Ribeiro relança “Prepare seu coração” em noites de autógrafos em Sampa e no Leblon

Reedição da Kuarup atualiza os caminhos da MPB dos festivais à era digital,   revisada pelo autor à luz do cenário cultural do Brasil e do mundo em 2018

 

Responsável pela existência da sigla MPB (Música Popular Brasileira) e revelação do elenco, resultado de sua iniciativa, o ex-ator, ex-roqueiro, diretor, produtor e realizador Solano Ribeiro atualizou a pedido da Editora Kuarup o livro Prepare seu Coração — Histórias da MPB,  já à venda nas melhores livrarias e que terá noite de autógrafos  na loja do Shopping Leblon da Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro,  em 2 de outubro, depois de ser lançado com a presença do autor em 18 de setembro na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo (veja guia Serviços)

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1080 – Pereira da Viola revisita a África e apresenta novo show, “Brasil Bonito”, em BH

Músico e violeiro apresenta-se ao lado de nova banda, na qual estão três jovens da nova safra  instrumental mineira e que forma o trio que abrirá a apresentação

Marcelino Lima

Com uma nova formação de banda, o cantor e compositor Pereira da Viola vai se apresentar na quinta-feira, 12, no palco da casa A Autêntica, em Belo Horizonte (MG).  A cantoria com abertura do grupo Trivial está marcada para começar às 22 horas e marcará a estreia do show Brasil Bonito, no qual o violeiro subirá ao palco com o baixista Pedro Gomes (que também assina arranjos e direção musical), Paulo Fróis (bateria), Augusto Cordeiro (guitarra e cavaquinho), Dito Rodrigues (violão e vocais), Débora Costa (percussão) e Lucas de Moro (piano).

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1017 – Débora Leite reverencia Clara Nunes no Centro Cultural Cine São José, em São Roque (SP)*

* Com matéria publicada na revista Retrospectiva 2017 do jornal O Democrata

Clara Nunes, uma das mais consagradas cantoras e intérpretes da música brasileira de todos os tempos, será homenageada pela cantora Débora Leite  na noite de 27 de janeiro, a partir das 20h30, no palco do Centro Cultural Cine São José, situado em São Roque, aprazível cidade do Interior paulista a menos de 60 quilômetros da Capital. Clara Guerreira, que partiu bem antes do combinado, com 41 anos incompletos e no auge do sucesso, deixou para o público que a estimava uma obra composta por ritmos como afoxés e sambas, com fartas referências aos orixás e aos elementos da natureza, além de tributos à Portela, de compositores do naipe de Paulo César Pinheiro, João Bosco, Aldir Blanc e Chico Buarque, entre outros “bambas”. Deste cativante repertório, Débora escolheu canções como Conto de Areia e Canto das Três Raças, que apresentará acompanhada por Rodrigo Ferreira, ao violão, e o percussionista Manu Neto.

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1011 – “Sidney Miller”, de 1982, lançado pela Funarte, é o novo destaque da série “Clássicos do Mês”

Em 1982, nos últimos dias de novembro, a Funarte concluiu a gravação para o Discos Projeto Almirante do álbum Sidney Miller, disponível para audição, com apresentação de Hermínio Bello de Carvalho, no portal Brasil Memória das Artes. De acordo com Bello de Carvalho, o compromisso da Fundação era resgatar algumas das ideias que Miller esboçara antes de cometer suicídio, em 16 de julho de 1980, na cidade onde nasceu, Rio de Janeiro. Miller, filho legítimo do boêmio bairro carioca de Santa Teresa, estudou e  publicou os primeiros versos ainda menino, estampando-os na revista da escola, o Colégio Santo Inácio. Prodigioso, com apenas 12 anos, escreveu um romance e o ilustrou com recortes de revista e, irrequieto, já compunha tocando violão “de ouvido”. Ao sair de cena antes do combinado, já contava com três álbuns gravados e planejava, após um breve hiato, lançar Longo Circuito.

Aquele que seria o quarto disco da curta discografia iria para as estantes dos amigos e fãs com selo independente, uma vez que, novamente conforme Bello de Carvalho, “o circuito comercial fizeram-lhe ouvidos moucos”. Para a produção do álbum póstumo, tema deste mês da série Clássicos do Mês do Barulho d’água Música, a Funarte convocou parceiros e amigos de Miller como Maurício Tapajós, a quem confiou o paciente trabalho de recuperação de áudios de apresentações do carioca na Sala Funarte de Brasília e no programa de Bello de Carvalho, Água Viva, na TVE; Paulo Afonso Grisolli, por sua vez, colaborou com fitas que guardavam temas inéditos.

Com este tesouro em mãos, Tapajós montou o que seria um disco-documento. O material, no entanto, foi considerado insuficiente pelos produtores, que, então, escalaram Antonio Adolfo (que produziria o Longo Circuito), encarregando-o de dar corpo à ideia de forma que ficasse bem traçado o retrato de Sidney Miller. “O disco como Sidney o idealizara só ele poderia fazê-lo”, ponderou Bello de Carvalho. “Mas o carinho e obstinação que despejamos neste trabalho é a melhor prova do respeito que guardamos ao seu imenso talento e enorme integridade artística, reservas indestrutíveis que seu desaparecimento não apagou.”

Zezé Gonzaga, Zé Luiz Mazzioti e Alaíde Costa também participaram do tributo da Funarte a Sidney Miller, cujo talento como compositor despontara durante os festivais da década dos anos 1960, caminho comum a outros artistas em busca de consagração à época. Neste período, assim que começou a se destacar em âmbito nacional, muitos o comparavam ao igualmente estreante Chico Buarque, notadamente por conta da timidez de ambos, da escolha por temas urbanos e esmero na construção das letras.

Além destes três fatores, tanto Miller, quanto Buarque, sensibilizaram Nara Leão, cantora famosa por revelar novos compositores e que teve grande importância na estreia dos dois – inclusive gravando, em 1967, Vento de Maio, disco no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. Queixa, em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro (Formigão), tirou o quarto lugar no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Excelsior (SP). Queixa não consta em nenhum dos três discos que Miller lançou a partir de 1967, quando pelo selo Elenco, de Aloysio de Oliveira, assinou o primeiro disco, também batizado Sidney Miller e que apresentava temas populares e cantigas de roda como O Circo, Passa Passa Gavião, Marré-de-Cy e Menina da Agulha. Neste mesmo ano, Sidney Miller juntou-se a Théo de BarrosCaetano Veloso e Gilberto Gil  para escrever a trilha sonora da peça Arena contra Tiradentes, de  Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, além de, ao lado de Nara, interpretar A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando com esta música que abre o primeiro bolachão o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pela Elenco, saiu Do Guarani ao Guaraná, com pegada tropicalista e as participações especiais de Paulinho da ViolaGal Costa, Nara LeãoMPB-4Gracinha Leporace Jards Macalé, entre outros bambas. Pois é, Pra Quê, mais tarde escolhida para o repertório do MPB-4, a joia deste trabalho, levou Miller (que já abandonara a Sociologia e a Economia) a intensificar a carreira na área de produção. Assim, juntamente com  Paulo Afonso Grisolli, ele organizou no Teatro Casa Grande (RJ) o espetáculo Yes, Nós Temos Braguinha, com o compositor João de Barro. E, também com Grisolli, relançou a cantora  Marlene, estrela do concorrido show Carnavália. No ano seguinte, produziu e criou os arranjos de Coisas do Mundo, de Nara Leão, e ainda teve fôlego para, ao lado de Grisolli, Tite de LemosLuís Carlos MacielSueli CostaMarcos Flaksmann e Marlene organizar o espetáculo Alice no País do Divino Maravilhoso, além de compor a trilha sonora do filme Os Senhores da Terra, do cineasta Paulo Thiago.

Nara Leão ajudou a impulsionar a carreira de Sidney Miller e com ele faturou com a canção A Estrada e o Violeiro o prêmio de melhor letra do Festival de 1967

(Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Importantes peças teatrais  contaram com trilhas sonoras assinadas por ele, entre as quais Por mares nunca dantes navegados (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo.)

O último disco de Sidney Miller, considerado pelos críticos o mais transgressor e com sonoridade que remete ao Clube da Esquina e ao Som Imaginário, coube à Som Livre e se chama Línguas de Fogo. É de 1974. Depois deste trabalho, rompido com as gravadoras, o cantor e compositor protagonizou raras apresentações pois, conforme confidenciava aos mais chegados, tinha aversão aos palcos. Tecia planos para sair do refúgio com o lançamento de Longo Circuito (chegou a entregar a Miltinho, do MPB 4, uma fita com cinco músicas inéditas), mas o encontraram morto em seu apartamento situado no bairro Laranjeiras naquele fatídico mês de julho de 1980. A sala em que trabalhava, na Funarte, no Departamento de Projetos Especiais, passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro.

* Parte desta matéria foi produzida a partir de textos sobre Sidney Miller disponíveis na internet escritos por Hermínio Bello de Carvalho e Mara L. Baraúna 

Para ouvir Sidney Miller, da Funarte (1982), visite:

http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/discos-projeto-almirante/sidney-miller-1982/

Para baixar Do Guaraná ao Guarani visite:

http://sonsquecurto.blogspot.com.br/2015/08/sidney-miller-brasil-do-guarani-ao.html

Leia também no Barulho d’água Música:

1006 – “Extra”, homenagem de Thomas Roth (RJ) ao parceiro Luiz Guedes (MG), abre nova série do Barulho d’água Música — 

1010 – Consulado da Portela (SP) recolhe composições históricas para registro em seu Acervo Musical

“Se for falar da Portela, hoje não vou terminar!” (Monarco)

O Acervo Musical, projeto do Consulado da Portela de São Paulo, está requisitando a amigos, aos admiradores, aos compositores portelenses e seus parceiros o envio de composições históricas que possuam para registro em uma única plataforma. O objetivo da campanha é garantir o acesso à perpetuação da memória da Águia Altaneira e da enorme comunidade que representa a atual campeã do Carnaval de 2017 (o título foi dividido com a Mocidade Independente de Padre Miguel) tanto no Rio de Janeiro, quanto no Brasil e no resto do mundo.  Para participar basta fazer o cadastro visitando o linque http://www.consuladodaportelasp.com.br/acervo/logar.php

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863 – Morre Fernando Faro, timoneiro e criador do “Ensaio”, programa intimista dedicado à música brasileira

O programa Ensaio ficou sem seu timoneiro e idealizador Fernando Faro, que morreu na noite de domingo, 24 de abril, vítima de infecção pulmonar, aos 88 anos, em São Paulo. Jornalista, produtor musical e diretor também conhecido por Baixo, Fernando Faro dera entrada há três meses acometido por desidratação no hospital onde veio a óbito. O velório se estenderá até por volta das 17 horas quando o corpo deverá ser sepultado no Cemitério do Araçá. De acordo com nota publicada em redes sociais assinada pela produção do programa, o Ensaio começou em 1969, na extinta TV Tupi. Entre 1972 e 1975, virou MPB Especial e passou a preencher a grade da TV Cultura. Ainda nesta canal da Fundação Padre Anchieta, em 1990, retomou o nome original e desde então pôs no ar pelo menos 700 edições. 

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812 – Em meio a várias homenagens, Passoca, Alzira Espíndola e Gereba relembram sucessos do Vozes e Viola, que apresentavam no Lira Paulistana (SP)

Os cantores e compositores Passoca, Alzira Espíndola e Gereba se encontraram na noite de domingo, 14 de fevereiro, para protagonizarem acompanhados por Noel Bastos (percussão) e Peri Pane (violão e violoncelo) mais um show do projeto Lira Paulistana: 30 anos. E depois? que vem sendo promovido desde janeiro no teatro da unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo. Mais do que recordarem canções que os consagraram quando integravam a Vanguarda Paulista, o trio homenageou vários expoentes da música regional e popular brasileira, um dos quais Geraldo Roca. Com voz embargada, Alzira Espíndola (que tem como nome artístico, atualmente, Alzira E.) conseguiu conter o choro, mas não represou a emoção ao interpretar, ao violão, Trem do Pantanal, que Roca compôs com o conterrâneo Paulo Simões e que se tornou um hino oficioso do Mato Grosso do Sul. Geraldo Roca foi encontrado morto em seu apartamento situado em Campo Grande (MS), na manhã do mais recente Natal.

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