851 – Paulo Netho e Dráusio Silva (SP) comemoram 30 anos de projeto concebido para provocar festas e “desmilitarizar” pensamentos

O recitador Paulo Netho e o cantor e compositor Dráusio Silva vão se reencontrar no sábado, 16 de abril, a partir das 21h30, no Espaço Versátil Multi Eventos, situado em Osasco, para celebrarem 30 anos da realização do primeiro Poemashow, parceria que promoviam na cidade declamando e cantando sucessos da MPB e do rock em meados da década de 1980, embrião da carreira que ambos passaram a desenvolver como poeta, essencialmente, no caso de Paulo Netho, e músico, no caso de Dráusio, um dos integrantes da banda Subtotal. A apresentação terá a participação do também cantor e compositor Salatiel Silva, que ao lado de Paulo Netho forma a Cara de Pavio Produções Artísticas e desenvolve os projetos Balaio de Doi2, Drops Urbano, e Ciranda de Cantigas.

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823 – Caixa Cultural (SP) programa shows com Tetê Espíndola e Alzira E em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

As irmãs Tetê Espíndola e Alzira E (Campo Grande/MS) estarão juntas entre 8 e 11 de março, em todos os dias a partir das 19h15, para apresentações gratuitas que a Caixa Cultural São Paulo programou para marcar mais uma passagem do Dia Internacional da Mulher. Tetê Espíndola (craviola) e Alzira E (violão) têm timbres de vozes diferentes e trajetórias singulares, mas uma íntima sintonia que permitirá ao público ouvi-las relembrando músicas de autorias próprias mescladas a clássicos do cancioneiro regional, ora em solo e, em outros momentos, protagonizando belos duetos.

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812 – Em meio a várias homenagens, Passoca, Alzira Espíndola e Gereba relembram sucessos do Vozes e Viola, que apresentavam no Lira Paulistana (SP)

Os cantores e compositores Passoca, Alzira Espíndola e Gereba se encontraram na noite de domingo, 14 de fevereiro, para protagonizarem acompanhados por Noel Bastos (percussão) e Peri Pane (violão e violoncelo) mais um show do projeto Lira Paulistana: 30 anos. E depois? que vem sendo promovido desde janeiro no teatro da unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo. Mais do que recordarem canções que os consagraram quando integravam a Vanguarda Paulista, o trio homenageou vários expoentes da música regional e popular brasileira, um dos quais Geraldo Roca. Com voz embargada, Alzira Espíndola (que tem como nome artístico, atualmente, Alzira E.) conseguiu conter o choro, mas não represou a emoção ao interpretar, ao violão, Trem do Pantanal, que Roca compôs com o conterrâneo Paulo Simões e que se tornou um hino oficioso do Mato Grosso do Sul. Geraldo Roca foi encontrado morto em seu apartamento situado em Campo Grande (MS), na manhã do mais recente Natal.

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810- Osasco (SP) celebra 54 anos de autonomia com “Forró Lunar”, show de Alceu Valença, aberto por Bernadete e Ministério do Samba

O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença subirá ao palco da Concha Acústica da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (Fito) para promover em 20 de fevereiro apresentação gratuita, programada pela unidade local do Sesc, que integra os eventos em comemoração ao 54º aniversário da cidade situada a 18 quilômetros da Praça da Sé, na Capital. As honras da casa a Alceu Valença, a partir das 18 horas, caberão a Bernadete e Ministério do Samba, artistas do município que se tornou emancipado de São Paulo aos 19 de fevereiro de 1962, e que, embora ainda padeça de um acentuado ranço de provincianismo, reiteradas vezes coloque a escanteio sua classe artística e a eclética produção cultural ao considerá-las (quando muito!) meras coadjuvantes, tem sido celeiro de várias revelações, gente muito boa que consegue dar seus pulos e se destaca fazendo música, jogando bola, protagonizando espetáculos teatrais, tramas em telinhas ou telonas, transformando o branco das telas e das páginas em obras de vários estilos.  

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809 – Correios promovem em Brasília exposição que retrata 50 anos de carreira do artista plástico Elifas Andreato

O Museu Correios, situado em Brasília (DF), abriga desde 4 de fevereiro Elifas Andreato, 50 Anos, exposição que possibilita ao público contato com parte significativa da obra do artista plástico autodidata que é referência das mais importantes de resistência cultural e política do país. O nome de Elifas Andreato ganhou força e respeito no auge da ditadura militar, época na qual o paranaense já radicado em São Paulo encampou e reforçou lutas em várias frentes, não apenas para a restituição do regime democrático, mas também pela afirmação da identidade cultural brasileira. Os Correios patrocinam a mostra que poderá ser vista até 3 de abril no Planalto Central e depois será trazida ao público paulistano e das cidades da região metropolitana de São Paulo, que poderá contemplá-la no Centro Cultural Correios.

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808 – Chico César (PB) promove em Sampa duas apresentações de “Estado de Poesia”, disco que une ritmos brasileiros à sonoridades universais

O cantor e compositor Chico César (Catolé da Rocha/PB) apresentará na unidade Bom Retiro do Sesc da cidade de São Paulo nos dias 13 e 14 de fevereiro as músicas de Estado de Poesia, lançado em junho de 2015 e com o qual encerrou hiato de oito anos longe do estúdio. Neste período, Chico César atuou como gestor cultural e também, entre 2010 e 2014, como secretário estadual de Cultura da Paraíba, berço natal que em seu retorno à estrada resolveu homenagear dedicando ao estado que também concebeu Socorro Lira, Zé Ramalho e Ariano Suassuna o novo álbum cujas faixas unem a riqueza dos ritmos brasileiros à sonoridade universal mesclando samba, forró, frevo, toada e reggae. A turnê já passou por João Pessoa (PB), Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e também no Uruguai.

Estado de Poesia, contemplado pelo projeto Natura Musical tem produção do próprio artista, em parceria com Michi Ruzitscha, e envolve ainda os músicos Xisto Medeiros (baixo), Helinho Medeiros (piano, teclados e sanfona) e Gledson Meira (bateria), sem contar as participações especiais de conterrâneos tais quais Escurinho, Luizinho Calixto e Seu Pereira. “Ter passado os últimos seis anos de minha vida como gestor público de cultura na Paraíba, lugar onde nasci e vivi os meus primeiros 20 anos, aguçou minha percepção das contradições tão presentes entre a pujança criativa e a relativa pobreza de meios de produção”, afirma Chico César. “Mas também aguçou os meus sentidos do afeto e da criação. Reencontrei-me aí com o meu lugar de nascença, inclusive com as minhas representações amorosas dele, as mesmas de sempre e outras transformadas.”

A carreira artística de Chico César, conforme ele ressalta em sua página virtual, tem repercussão internacional, apoiada e admirada por canções poéticas de alto poder de encanto linguístico. Ainda naquele portal, o cantor relembra um fato divisor de águas que ocorreu em 1991: já residente em São Paulo, recebeu convite para fazer uma turnê pela Alemanha, onde fez sucesso e amadureceu a decisão de abandonar as redações nas quais atuava como jornalista e é a profissão na qual se formou para dedicar-se aos palcos. Como um dos mentores da  banda Cuscuz Clã (que seria o nome de seu segundo álbum), passou, então, a se apresentar em uma badalada casa noturna paulistana.  Até que, em 1995 lançou Aos Vivos, álbum acústico que tem as participações de Lenine e Lany Gordin (guitarrista e compositor que nasceu em Xangai, na China, é filho de poloneses, mas que adotou o Brasil como pátria). Entre o primogênito  disco e Estado de Poesia, os admiradores e amigos ganharam Cuscuz Clã (1996), Beleza Mano (1997), Mama Mundi (2006), Respeitem Meus Cabelos, Brancos  (de 2002 e assim mesmo, com vírgula!), De uns tempos pra cá (2005) e Francisco Forró y Frevo (2008). Em dezembro de 2007, no Auditório do Ibirapuera, gravou o DVD Cantos e Encontros. A discografia ainda inclui dois trabalhos para o público infantil para os quais assinou as trilhas sonoras: Amidalas (2000) e Marias do Brasil – A nossa história transformada em fábulas (2003).

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O ingresso para conferir os espetáculos com Chico César no Sesc Bom Retiro custam entre R$ 9 e R$ 30,00, já estão esgotados pelo sistema de compra on-line e serão limitados a 4 por pessoa. Em ambas as datas começarão às 18 horas. O Sesc Bom Retiro fica na Alameda Nothmann, 185, nas imediações da estação Júlio Prestes da CPTM e para mais informações disponibiliza o telefone 11 3332-3600.

 

 

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806 – Tributo à Dominguinhos, na viola caipira de Rodrigo Zanc (SP), estreia em São Carlos neste mês

O violeiro Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) estreará em 26 de fevereiro, com uma apresentação marcada para começar às 20 horas, no Sesc daquela cidade, um novo projeto por meio do qual promete aos admiradores e amigos interpretar com a mesma emoção e sensibilidade que o caracterizam clássicos do repertório de um dos maiores sanfoneiros do Brasil. Em Violas para Dominguinhos, Rodrigo Zanc promoverá a releitura de sucessos que considera “perenes da MPB” legados à cultura popular pelo conterrâneo de Luiz Gonzaga (PE) tais quais Eu só quero um xodó, De volta pro aconchego, Gostoso demais, Isso aqui tá bom demais e Lamento sertanejo. Para tornar o show ainda mais memorável, o autor do tributo contará com acompanhamento de músicos tarimbados e já acostumados com seu modo de cantar: Ricieri Nascimento (baixo e vocal); Bruno Bernini (bateria); Thiago Carreri (violão, guitarra e vocal); Gustavo Camilo (teclado e vocal); e Thadeu Romano (acordeon). 

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805- Trio Gato com Fome (SP) grava álbum que reafirma o papel de Raul Torres na história do samba paulista

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Gregory Andreas, Renato Enoki e Cadu Ribeiro formam o Trio Gato com Fome, que mergulhou no aquário, ou melhor, o baú de Raul Torres e trouxe à tona dez sambas do percussor ao lado de Cornélio Pires da música caipira (Foto: Divulgação)

Quem  gosta de música caipira sabe da importância de Raul Torres para a aceitação e o progresso dela como uma das mais autênticas manifestações da cultura popular e das nossas tradições. Mas, como bom brasileiro, Raul Torres também era partidário do samba e o paulistano Trio Gato com Fome mergulhou em uma pesquisa que incluiu viagens a Botucatu, no Interior paulista, terra natal do “Bico Doce”, e desta tarefa resgatou dez obras deste gênero do autor, incluindo a famosa Mineirinha, sucesso gravado entre outros por Doroty Marques, que tantas gerações vêm cantando e que o Trio Gato com Fome resgatou com flauta, cavaquinho e pandeiro, numa levada que mescla choro e marchinha de Carnaval que ficou deliciosa de ouvir!

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804 – Um ano depois de lançar “O Tempo e o Branco”, Consuelo de Paula encanta o público do Sesc São Caetano e chega ao Japão

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Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, já aos 13 anos comandava bloco feminino de Carnaval e “inventava” peças de teatro, dando vazão à veia artística que herdou dos pais e que resulta de sua sensibilidade e inclinação às tradições da terra natal (Fotos acima e no destaque: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Musica)

 A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula está comemorando um ano de sucesso de O Tempo e o Branco. O sexto álbum da carreira desta mineira de Pratápolis que adotou São Paulo, mas hoje mora em vários peitos, foi lançado em 1º de fevereiro do ano passado  no Auditório do Ibirapuera (SP), com participações de Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola caipira), músicos que na ocasião substituíram, respectivamente, Toninho Ferraguti e Neymar Dias, que utilizando os mesmos instrumentos gravaram em estúdio com Consuelo de Paula, mas na ocasião atendiam outros compromissos profissionais. O disco, inspirado livremente nas poesias de Cecília Meireles,  apresenta composições próprias que unem aspectos da música erudita a uma essência e referências ligadas ao cancioneiro popular brasileiro do qual, no show que se tornou inesquecível, cantou, por exemplo, Cuitelinho, Mucuripe e Saudosa Maloca.

A escolha instrumental para os arranjos de O Tempo e o Branco, composta de acordeom e viola caipira, representa bem essa relação com as raízes musicais que levou Consuelo de Paula a homenagear no batismo da obra Dércio Marques, seu conterrâneo de Uberaba, e o sambista do Brás, do Bixiga, da Barra Funda, de Ermelino Matarazzo, da Penha, da Vila Ré, da Vila Matilde e adjacências Adoniran Barbosa. O tributo ao amigo do Arnesto foi por meio de uma composição que ela apresentou pela primeira vez após escrever a letra para melodia dele e de Copinha, de 1934, que ganhou o singelo título Valsa para Matilde — nome da esposa do mais famoso passageiro do trem das onze. Outro momento de emoção: por meio da projeção de um vídeo, o público pode ver e ouvir, também, Rubens Nogueira, o saudoso Rubão, um dos parceiros, compositores e arranjadores mais próximos da mais cintilante daquela noite que até então sucederia um dia chuvoso em Sampa, mas transformou-se em uma pintura de mil estrelas. 

Quase uma volta completa da Terra em torno do Sol depois deste evento que emplacou entre os dez mais destacados do Auditório do Ibirapuera em 2015, Consuelo de Paula de novo encantou e magnetizou o público, desta vez levando ao Sesc de São Caetano do Sul (SP), em 29 de janeiro, manifestações e ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo e Samba que escolhera para o repertório de  Tambor de Rainha, show com o qual encerrou o projeto Eu vi uma História. Para transmitir a emoção guardada de vários momentos de encantamento ao ver um cortejo popular passando (fascínio que aos 13 anos já a tomava e a estimulou a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar sua paixão por batucar), Consuelo de Paula cantou do começo ao fim (acompanhada em coro pela plateia) alternando tambores, violão e um pandeiro composições autorais inspiradas em tambor de crioula, baião e maracatu.

Os admiradores ouviram, assim, tanto canções dos vários álbuns solo (incluindo o novíssimo O Tempo e o Branco), quanto versos do poeta africano Craveirinha e trecho de Azul Provinciano (que ouviu na voz de Mercedes Sosa), enriquecidos por um trecho do livro A Poesia dos Descuidos, que escreveu e recebeu ilustrações de Lúcia Arrais Morales. A lista teve ainda parcerias dela com Rubens Nogueira, Vicente Barreto, Luiz Salgado, Socorro Lira, João Arruda e Rafael Altério que se juntaram a clássicos de Ataúlfo Alves, Alceu Valença e Luís Perequê, à uma adaptação de Villa Lobos para o cancioneiro nordestino e à interpretação bem particular, ao pandeiro, de Insensatez (Vinícius de Moraes e Tom Jobim). Depois de vários cantos de chegança que incluíram congadas que aprendeu na terra natal com Capitão Custódio, o “recoiê” homenageou Milton Nascimento por meio de Caicó.

Tantas tradições evocadas pelas canções e, em particular, entre os instrumentos, os tambores, são justamente o que caracterizam Consuelo de Paula. Sem querermos ceder concessão aos estereótipos, embora saibamos a força que os rótulos ainda exercem, dona de beleza cujos traços a assemelham a uma exuberante nórdica, a cantora estaria a priori mais para a formação erudita e se encaixaria, à priori, muitíssimo bem a uma banqueta de  piano (instrumento que ela queria aprender a tocar, ao seis anos de idade, mas não encontrou professor na cidade, o que a fez chorar). Consuelo, entretanto, mais do que seguir impulsos ou ceder a eventuais modelos, atendeu ao som interior de suas raízes e optou por se entender com as baquetas de tambores e as platinelas dos pandeiros, dando vazão a ritmos crioulos e tupis, pois independentemente do tom da pele e de estéticas, é, antes, filha das sagradas Alterosas, uai,  estado no qual confluem para o mesmo caldeirão ascendências diversas como a afro, a indígenas e a caipira.

Desta bendita conjunção, enfim, brotou uma açucena que se regou bebendo destas fontes universais e, mais do que se apropriar de manifestações do nosso multiétnico povo para traçar uma trajetória “alternativa”, as incorporou, tornando-se para além de lídima porta-voz uma referência para pesquisadores, novatos, olhos e ouvidos aos quais interessarem não a aparência, os badulaques e os apelos sedutores da arte, mas a essência que tempera e colore as tradições nas quais repousam a alma da nação. O gene do Brasil Profundo revela-se em sua obra e esta identidade também começou a se constituir dentro de casa.

Consuelo de Paula é filha de Luiz Gonzaga de Paula e Zélia Silva de Paula. O pai gosta de escrever versos, contar causos e é craque nos improvisos que um bom repentista sempre tem as manhas de produzir. A mãe responde pela segunda voz sempre que se reúne a família em cantorias (“foi o ritmo que uniu o casal nos bailes da cidade”, informou-nos Consuelo, lembrando que a avó paterna já cantava na igreja). A biografia de Consuelo de Paula registra, ainda, que ela “inventava” peças de teatro, tocava na fanfarra e fazia serenatas quando adolescente e, e em Ouro Preto, tocou repinique no Bloco do Caixão.

O talento e sensibilidade de Consuelo de Paula, portanto, além de virem do barro de sua aldeia e dos arredores, têm origem no sangue. É por meio deles que ela consegue enxergar entre o sol e o vento a poesia presente tanto em  pequenas flores ou no fluir e refluir “corriqueiro” de uma onda do mar, quanto na imponência de uma Mantiqueira e na grandiosidade dos oceanos. Consuelo de Paula é particular e, sem ser genérica, atlântica, humanista que em suas letras indica-nos caminhos pacíficos quando abre as retinas para entoar as singularidades e o que nos deveria  fazer a todos irmãos (quer sejamos palestinos ou judeus, cristãos ou ateus); guerreira, à medida que levanta a voz (sem esgarçar o tom) remando contra a maré do mercado do entretenimento e das tendências, vai descobrindo o seu lugar: em cada vez mais e mais numerosos corações. E  lá, em cada um deles, espera por nós, sempre com um sorriso espontâneo, uma declaração de amor!

Então, salve o santo, salve o samba, salve o maracatu, salve a moda, o cururu, a Folia, salve ela, êxtase que passa e (nos) perpassa, doce, mas forte, sutil, entretanto enfática, arrepio que depois do show em São Caetano do Sul agora roçará peles do outro lado do planeta: por meio de um programa especial da rádio Shiga, em 11 de fevereiro, os japoneses terão a honra e o prazer de conhecer o repertório de O Tempo e o Branco. Namastê!

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765 – Casa Aberta, segundo álbum de Wilson Teixeira: entre, puxe sua cadeira, aprecie sem moderação e fique o quanto quiser….

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Junto ao portão, o violeiro Wilson Teixeira espera amigos e admiradores para os quais tem a Casa Aberta e uma vez lá dentro conduzirá a um pomar repleto de goiabeiras, laranjeiras e outras árvores carregadas de frutos, incluindo uma buriti, os que aceitarem o agradável convite para ouvir as 10 faixas do seu novo álbum, o segundo da carreira e que acabou de sair do forno – conforme ele mesmo, à lenha, já que não foi assado com pressa para assim ser melhor degustado, de forma que guardasse todos os sabores de uma autêntica iguaria de roça à qual se incluiu pitadas de baunilha urbana em doses certas para não macular o equilíbrio da receita elaborada para transitar entre o campo e a cidade.

Casa Aberta é uma mescla de música caipira, MPB e folk dedicada ao parceiro de estrada Salatiel Silva (São Paulo), mas todos os que já integram a lista que forma o público sempre crescente de Wilson Teixeira e os eventuais que se juntarem no caminho com certeza nela vão querer passar temporadas: o cantor e compositor de Avaré (SP), além da tradicional viola de dez cordas, sentou-se ao piano e, entre outros instrumentos, também toca na roda violão aço, ganzá e ukulelê.

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