1280 – Silencia no sertão a viola de Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, autor do álbum Urucuia, com Paulo Freire

Menos de uma semana depois de a música brasileira perder o pernambucano menino passarinho Luiz Vieira, que desencarnou aos 91 anos na cidade do Rio de Janeiro na quinta-feira, 16/1, também bateu asas e subiu ao Mundo Maior, na terça-feira, 21, Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, violeiro que nasceu e viveu em Urucuia, uma pequena cidade no Noroeste de Minas Gerais que inspirou Guimarães Rosa, a 600 quilômetros de Belo Horizonte.

Mestre Manelim estava com 86 anos . Em Brasília (DF), durante uma ida à casa da filha no mês de dezembro,  ele recebeu recebeu visita do também violeiro Paulo Freire, seu mais notório discípulo, que com ele conviveu longamente e aprendeu vários toques que estão fora dos manuais didáticos dedicados ao ensino do instrumento.

Freire, que também é escritor, pesquisador e contador de causos dos bons, mora em Campinas, no interior de São Paulo e em 2006 ajudou a trazer à luz o único álbum gravado pelo mestre, Urucuia, contribuindo desta maneira para não deixar relegado apenas ao seu pequeno e encantador universo um baluarte da cultura popular — assim como mais recentemente o fizeram o poeta e compositor mineiro Paulo César Nunes e os músicos Danilo Gonzaga Moura e Victor Mendes, do Trio José, de São José dos Campos (SP), que nos revelaram e nos apresentaram à extensa e plural obra  do sêo Juca da Angélica, poeta da oralidade que atravessava seus últimos dias em Lagoa Formosa (MG) e que o Brasil ignorava até então, mas que pelo esforço deles ganhou um mínimo de notoriedade e carinho antes de subir para o Plano Celestial, aos 97 anos; vale lembrar, ainda, que a pantaneira Dama da Viola, Helena Meirelles, só “explodiu” cá em Pindorama  após ser “descoberta” pela edição norte-americana da Revista Guitar Player, já octogenária, no final da década dos 80.  

Sobre a vida, a partida e a obra de Manoel de Oliveira, portanto, não há ninguém melhor do que  Paulo Freire para nos contar — embora fosse admirado, ainda, basta ver os comentários à mensagem de Paulinho, por muitos craques dos gêneros caipira e regional, como Roberto Corrêa. É de Freire o pungente, emocionado depoimento que abaixo reproduzimos e compartilharemos, publicado também pela Revista Fórum, e cujas palavras explicitam o tamanho da importância de preservarmos a qualquer custo a memória de nossos artistas — notadamente aqueles que estão fora do mainstream, quando se faz apologia aos pilares do nazifascismo como modelo de cultura a ser seguido — que nos legam obras essencialmente brasileiras, que preservam e difundem nossos mais caros e imprescindíveis valores fundantes.

Na sequência do depoimento de Freire nesta atualização, o amigo e seguidor lerá texto de apresentação do álbum Urucuia que acompanha no sítio Em Canto Sagrado da Terra os arquivos, em formato Mp3, das 16 faixas do disco.

Hoje, 21 de janeiro de 2020, faleceu seu Manoel de Oliveira, mestre Manelim. Meu mestre. Não vou falar “encantou-se”, como diria o Rosa, pois não consigo ver poesia em sua partida. Mesmo sendo o Rosa quem me fez conhecer o seu Manoel e o grande sertão. Uma palavra melhor, ou mais adequada, seria: devastação.
Mestre Manelim me ensinou a enxergar a viola na natureza. Foi um exemplo de pai. Um outro pai. Sou irmão de seus filhos, e filho também de dona Vicentina. A lembrança do café na beira do cerrado, amanhecendo, no frio do sertão, em volta da fogueira, com o mundo despertando, até ouvir o chamado do mestre para todos irmos trabalhar na roça. No final do dia, no terreiro tão bem cuidado de dona Vicentina, pontear a viola e grudar a atenção no que estava acontecendo. Para onde vai tudo isso? Como permanece dentro de mim e deles, sem o seu Manoel?
Acredito cada vez mais que não existe céu e inferno, quer dizer, não existe só isso. Tem muito mais assunto. A alma é um assunto. E existem vários caminhos para se trilhar. Dentro desse nosso couro que vai enrugando, e fora desse couro. Os toques de viola que ele me ensinou, como o sapo e o veado, o papagaio, lagartixa, mostravam como poderíamos ser estes bichos, como entrar no sentido deles e, assim, esticar nossas vidas. Tenho certeza que estes últimos dias, mesmo bem longe dele, o seu Manoel esteve aqui ao lado. E dentro. Senti fundo um chamado, como o dia que ele foi me buscar na roça adivinhando uma tristeza que baixou em mim. Como o seu Manoel percebia isso? Me senti ao seu lado, no silêncio que ele carregava, e o peito apertando…
Não conseguirei ir à despedida do seu Manoel, amanhã, no Urucuia. O seu Manoel sabe por quê. Meus irmãos urucuianos e dona Vicentina também. Já que não consigo, vou de outro jeito. Desligar do que não tô precisado e deixar ele me guiar para algum outro lugar em comum. Em dezembro estive com ele, dona Vicentina, e minhas irmãs Joaninha e Valdinea, em sua casa, em Brasília. Seu Manoel estava se recuperando de uma pneumonia, mas bem fraquinho. Pediu que eu tocasse o “rio abaixo”. Peguei a viola e toquei. Experimentei passar a viola pra ele. Mesmo sem forças, o Manelim mostrou que não estava certo o meu ponteado. Tentei de novo, pelejando com o detalhe. E ele enfim disse: “um dia você aprende”. Com seu jeito doce e sentimento firme. Como que dizendo: continua, não para, não esmorece, olha eu aqui! O Cacai Nunes tava bem do ladinho e viu tudo.

Santíssima trindade: O mestre Manelim (sentado), o instrumento que os unia e o discípulo violeiro Paulo Freire

Desde cedo eu senti que hoje era um dia no lugar errado. A respiração não sai nem entra direito. Olhava para o telefone a todo momento, já que estou desacostumado do caminho das almas. Até que veio a notícia. Saí para andar. Procurei um canto que pudesse entender o acontecido, ou buscar forças para enfrentar a devastação. Fui num lugar que nunca tinha ido e uma árvore me buscou. Uma paineira. Fiquei calado o dia inteiro. Só uma conversinha de trabalho. E as trocas de afetos com meus irmãos, filhos do Manelim. Sei que tem um bocado de amigo passeando por aqui, então vim esvaziar o peito.
Vão ouvindo, seu Manoel tá quieto aqui na rede, fazendo um pinicado na viola, uma besteirinha, como ele dizia, diamante puro, água fresca de vereda, capaz de ultrapassar qualquer explicação de amor e saudade.

Urucuia é a terra natal de Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. A cidadezinha de 11 mil habitantes fica no noroeste de Minas Gerais, na margem do rio homônimo, um dos afluentes do Rio São Francisco. Reza a lenda que o escritor Guimarães Rosa nunca esteve por lá, mas foi de pessoas de lá que ouviu, na venda do pai, diversas histórias da região que povoam sua fantástica literatura, cujo cinquentenário está sendo comemorado neste ano [2006, quando o álbum foi lançado].

É de lá também Manoel de Oliveira, o “Manelim”, um violeiro que dedilha pelo menos dois séculos de tradição foliã. É música que certamente Guimarães Rosa ouviu e que está registrada em disco pela primeira vez com ajuda do violeiro Paulo Freire. O disco Urucuia traz Mestre Manelim tocando e cantando 16 músicas, entre 11 criações próprias e cinco de domínio público que estão aquém do sertão de Minas. Atinge outros sertões como Caninha Verde, que toma diferentes feições por diversas regiões do País.

Criação própria e domínio público formam algo que se confunde na obra de Manelim, como na obra dos músicos anônimo do sertão, diz Paulo Freire, violonista já conhecido que foi aluno de Mestre Manelim. “Sempre quis gravar a música dele, mas como ele quase não sai de lá, aproveitei uma das raras visitas dele a São Paulo para trancá-lo num estúdio”, brinca Freire, que produziu o álbum convidando Adriano Busko (percussão), Zé Esmerindo (violão e voz) e Thomas Roher (rabeca) para o ornamento instrumental das músicas. Instigado pela leitura de Guimarães Rosa, Paulo Freire se embrenhou no sertão mineiro no final dos anos 70, quando descobriu e tornou-se seguidor do ponteio de Mestre Manelim, para ele, o mais importante violeiro da região.

Agricultor e marceneiro, Manoel de Oliveira aprendeu a pontear a viola com Onora Martins Alves, mulher que o criou. Onora era a fazendeira do lugar para quem os pais de Manelim trabalhavam e confiaram a criação do filho. O mestre tem 76 anos, por certo não conheceu Guimarães Rosa, mas já ouviu muitas histórias sobre o escritor famoso, conta Paulo Freire.

A música de Manelim é simples, ingênua até, de ponteado calcado nas folias de reis com temas que denotam a ancestralidade oral da cultura popular de sua terra (e brasileira, por extensão). Não há nem mesmo a influência de variações dadas ao gênero pelo pagode de Tião Carreiro ou a sofisticação de arpejos de Renato Andrade, por exemplo, o que aumenta o interesse histórico do álbum. De voz frágil, Manelim canta em apenas quatro faixas, concentrando-se no toque do instrumento que revela esmero igual ao dos artesãos urucuianos com o manejo da palmeira de buriti. Os temas versam sobre a natureza, o jeito de ser do sertanejo e as crendices que cercam a viola, como o pacto com o capeta. Aproveitando essa riqueza oral na obra do mestre, Paulo Freire aproveitou para registrar duas “conversas” no estúdio com Mestre Manelim. Numa delas, ele relata o causo d´A Corrida do Sapo e o Veado e noutra comenta o tal pacto em Laço do Capeta.

Várias músicas feitas no Brasil com incidência no imaginário criado por Guimarães Rosa são sugeridas sempre que se fala em Grande Sertão: Veredas. As mais frequentes são de medalhões da MPB, como Gilberto Gil (que fez Casinha Feliz no disco Dia Dorim Noite Neon, de 1985), Caetano Veloso (que fez com Milton Nascimento a canção A Terceira Margem do Rio, do disco Circuladô, 1991) e Chico Buarque de Assentamento, tema mais MST do que roseano, do álbum As Cidades (1998). Em que pese a beleza inegável destas composições, nenhuma delas, no entanto, são tão próximas e muito menos concernentes ao universo do escritor mineiro quanto este e outros violeiros brasileiros. Se Guimarães Rosa tiver que ter uma trilha sonora, esta deveria passar necessariamente por criadores como Mestre Manelim.

Para acessar o linque que dá acesso à cópia do disco Urucuia no site Em Canto Sagrado da Terra clique na palavra em destaque.

 

1275 – Edvaldo Santana, disco homônimo do cantor e compositor paulistano, completa 20 anos

Álbum tem 13 faixas, participações especiais de Titane, Bocato, Swami Júnior, Oswaldinho do Acordeon, entre outros, e parcerias com ou interpretações de poemas de Mauro Paes, Artenio Fonseca, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção, mais projeto gráfico de Elifas Andreato

Um dos melhores discos da carreira do cantor e compositor são-miguel-paulistanês, o bardo mouro tupiauiense Edvaldo Santana (entre os oito que ela já lançou na carreira solo, desde 1993, quem se atreveria a dizer qual deles seria o mais-mais?), batizado simplesmente com o nome do artista (veja o tamanho da responsa, na verdade, a confiança no próprio taco, já que, caçapa, a estocada foi de mestre!) está completando vinte anos de lançamento. Por conta desta importante marca, Edvaldo Santana (o disco) foi o escolhido para abrirmos aqui no boteco do Barulho d’água Música neste dia 11 do apressadinho janeiro (para aonde será que ele quer nos levar assim, passando tão veloz?) mais uma rodada das audições matinais que promovemos aos sábados.

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1271 -Samba-enredo da Mangueira exalta virtudes de Jesus Cristo, com contundente crítica a falso messias que governa o país

Segunda escola de samba com mais títulos no carnaval carioca, verde-e-rosa tentará diminuir distância para a Portela — que tem dois a mais — com criação da compositora autora do tema vencedor dos desfiles em 2019 que virou hino nacional contando a história não-oficial do Brasil

O texto que abaixo desta introdução vocês lerão está publicado, originalmente, na versão eletrônica da Revista Fórum, amigo e seguidor.

Assinado por Lucas Rocha, saiu em 13 de outubro de 2019, conforme o linque a seguir: https://revistaforum.com.br/cultura/em-busca-do-bi-mangueira-define-samba-para-2020-com-recado-para-jair-bolsonaro/

Com a devida autorização, vamos compartilho-la aqui no Barulho d’água Música apenas com o título modificado (o original é “Em busca do bi, Mangueira define samba para 2020 com recado para Bolsonaro”), mas o restante preservado, na íntegra, portanto.

A intenção não apenas é divulgar o que a campeoníssima e popular escola carioca levará à passarela da Marques de Sapucaí, na cidade do Rio de Janeiro, em 2020, mas, por oportuno que é para nossas reflexões, no momento em que celebramos o nascimento do Cristo exaltado na letra do samba-enredo, esperançosos de que com Ele venham para 2020 tempos mais equilibrados nos terrenos socioeconômico, da cultura, da política, das relações humanas em geral — em que pesem as mazelas que o clã e apoiadores do “messias” que se encontra no comando da nação arquitetam e já praticam, por meio de atitudes e palavras que desestabilizam qualquer possibilidade de futuro fraterno aqui em Pindorama!

Então, peguem a visão: que sem soltar a mão de ninguém, pois não é hora de se alienar, unamos-nos em torno deste Cristo e Nele encontremos a força e a coragem para seguirmos adiante, empreendendo as lutas que nos cabem e das quais não podemos, jamais, fugir! 

Este texto também é o primeiro de outros da Revista Fórum que trazem ou trarão conteúdos relativos à música que, doravante, pretendemos compartilhar!

Boa leitura a todos!

Obrigado Julinho Bittencourt.

Luz e paz, Feliz Natal e boas lutas em 2020!


Por Lucas Rocha

Campeã do carnaval da cidade do Rio de Janeiro de 2019 contando a história não oficial do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira apresentará em 2020 novo samba enredo crítico que exalta a figura solidária de Jesus Cristo e prega o olhar para os oprimidos. A canção que embalará o desfile assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira é composta pela mesma autora do samba que virou hino em 2019, Manuela Oiticica, a Manu da Cuíca.

Nós somos bicampeões e eu queria ressaltar o caráter democrático e revolucionário da disputa de samba, que colocou os compositores e compositoras em destaque. O grande homenageado da Mangueira é Jesus Cristo, que luta pela partilha e pela fraternidade. Com certeza, ele aprovaria uma disputa como essa, aprovaria uma escola espetacular que trate a favela como um ato de sobrevivência, especialmente com esse governo que mais mata favelados e o samba mostra que estamos vivos”, declarou Manu da Cuíca ao carnavalesco após a vitória. Ela assinou a composição em parceria com Luiz Carlos Máximo.

A composição destaca a força do samba, exalta a esperança contra a intolerância e relembra a origem pobre de Jesus de Nazaré. “Nasci de peito aberto, de punho cerrado/ Meu pai carpinteiro desempregado/ Minha mãe é Maria das Dores Brasil/ Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira/ Me encontro no amor que não encontra fronteira/ Procura por mim nas fileiras contra a opressão/E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão, diz uma das estrofes.

O samba-enredo de Manu da Cuíca que rendeu o título de 2019 à Mangueira levou à avenida o Brasil que está fora dos livros e entre outros heróis anônimos exaltou a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada ao lado do ex-motorista, Anderson Gomes, em março de 2018, por forças milicianas (Fotos: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro-RJ )

Em um dos trechos do samba há um menção indireta ao presidente Jair Bolsonaro, que tem Messias como sobrenome: “Favela, pega a visão/ Não tem futuro sem partilha/ Nem Messias de arma na mão”.

Para João Paulo Farelli, torcedor da Mangueira e publicitário, a canção resgata a voz da resistência por meio da figura social e política de Jesus e contrapõe o conservadorismo e o fundamentalismo religioso. “Certamente, hoje, por compaixão, Jesus renasceria ao lado daqueles que carregam diariamente a cruz do preconceito, da intolerância e injustiça social. Afinal, ele é Jesus da gente”, disse.

Talvez a escuridão que estamos atravessando dure mais do que pensamos, mas a esperança que reside no lado esquerdo do peito nos faz acreditar num futuro melhor. Um futuro com partilha e sem Messias de arma na mão”, declarou Farelli à Revista Fórum. “Espero um desfile marcante, no qual a verdade prevaleça, essa verdade que nos fará livre”, completou.

A verde-e-rosa possui 20 títulos do carnaval carioca e fica atrás apenas da Portela, que levantou o troféu 22 vezes.

A Mangueira desfilará na Marques de Sapucaí a partir das 23h30 do domingo de 23 de fevereiro.

Confira a letra completa do samba enredo da Mangueira e clique na palavra em destaque para ouvi-lo:

Senhor, tenha piedade!/Olhai para a Terra:/Veja quanta maldade! (2x)

Alô Mangueira/agora é a nossa vez:/ vem, vem comigo!

Mangueira/Samba que o samba é uma reza/Se alguém por acaso despreza/Teme a força que ele tem 

Mangueira/Vão te inventar mil pecados/Mas eu estou do seu lado/E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré/Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher/Moleque pelintra do Buraco Quente/Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado/Meu pai carpinteiro desempregado/Minha mãe é Maria das Dores Brasil/Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira/Me encontro no amor que não encontra fronteira/Procura por mim nas fileiras contra a opressão/E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado/Em cordéis e corcovados/Mas será que todo povo entendeu o meu recado?Porque de novo cravejaram o meu corpo/Os profetas da intolerância/Sem saber que a esperança/Brilha mais que a escuridão

Favela, pega a visão/Não tem futuro sem partilha/Nem Messias de arma na mão

Favela, pega a visão/Eu faço fé na minha gente/Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir/O desabafo sincopado da cidade/Quarei tambor, da cruz fiz esplendor/E num domingo verde-e-rosa/Ressurgi pro cordão da liberdade

Leia também no Barulho d’água Música:

https://barulhodeagua.com/2018/10/25/1121-samba-enredo-da-mangueira-vai-homenagear-marielle-franco-vereadora-carioca-morta-por-defender-minorias/

1260 – Em casa dedicada à cultura caipira, Francis Rosa (SP) encerra roda de violeiros em São José dos Campos (SP)*

Imagem do álbum Caminhada (2007) (Foto: Leonil Júnior)

Apresentação será em primeiro espaço do Brasil dedicado à divulgação da cultura caipira e músico que compartilha nas canções a paixão pela Serra da Mantiqueira lançará Entre Serras e Águas, seu nono álbum

*Com Jefferson Bellodi

O cantor e compositor Francis Rosa será uma das atrações neste sábado, 23 de novembro, da roda de viola que será promovida com entrada gratuita na Casa de Cultura Caipira Zé Mira, situada em São José dos Campos, cidade paulista da porção conhecida por Vale do Paraíba a, aproximadamente, 95 quilômetros da Capital (veja mais detalhes na guia Serviços). Acompanhado por sua banda, Rosa deverá assumir o palco por volta das 22 horas e, a partir de então, apresentará à plateia e aos amigos músicas de sua carreira que já conta com nove álbuns – o mais recente, Entre Serras e Águas, lançado em 21 de maio, dia do aniversário do violeiro, e que ele vem mostrando em sua turnê homônima. O repertório na Casa Caipira Zé Mira, além das faixas deste novo trabalho, deverá reunir outras músicas de sua autoria e de artistas consagrados da música brasileira como Almir Sater, Tonico e Tinoco e Zé Geraldo, entre outros.

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1231 – Thamires Tannous (MS/SP) gira pela Europa com Canto-Correnteza, seu segundo álbum autorala Europa

Álbum é uma mistura de influências desde às raízes sul-mato-grossenses até a porção árabe da cantora. De selo independente, sucede  Canto pra Aldebarã, de 2014, que rendeu a ela  o Prêmio Grão da Música

A cantora e compositora Thamires Tannous está girando por cidades da Europa como Liubliana, capital da Eslovênia, Coimbra e Lisboa, ambas em Portugal, e Linz, na Áustria, onde vem apresentando o seu mais novo álbum, Canto-Correnteza, o segundo de sua carreira, lançado oficialmente há pouco mais de um mês, em 8 de agosto, na unidade 24 e Maio do Sesc paulistano. Com 10 faixas, disponível nas plataformas virtuais e à venda nas boas lojas do gênero, com distribuição pela Tratore, Canto-Correnteza foi o disco escolhido para abrir neste 7 de setembro, Dia da Independência cá em Pindorama, as audiências matinais de todos os sábados que promovemos na redação do Barulho d’água Música.

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1210- Sérgio Santos (MG) lança disco interpretando clássicos da MPB, pela Kuarup

Músico premiado celebra novo disco, São Bonitas As Canções, com produção de André Mehmari e participações de Nailor Proveta, Rodolfo Stroeter e Tutty Moreno e repertório que traz Edu Lobo, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim e Moacir Santos

O cantor e compositor mineiro Sergio Santos está lançando o álbum São Bonitas As Canções, editado pela produtora e gravadora Kuarup, escolhido para abrirmos as audições matinais de sábado aqui no boteco do Barulho d’água Música neste dia 13 de julho em São Roque, aprazível cidade do Interior paulista de Pindorama, a popular República das Bananeiras, no ano I da dinastia Bozo. Compositor reconhecido, com uma obra consagrada com o poeta Paulo César Pinheiro, indicado ao Grammy Latino e com inúmeros prêmios por suas composições, Sergio Santos  nunca havia se aventurado a gravar nenhuma música que não fosse de sua autoria em seus oito anteriores discos. Agora, no entanto, Sergio Santos resolveu pela  se entregar a esta tarefa de interpretar o que não compôs, incentivado pelo músico André Mehmari, o idealizador e coprodutor deste sofisticado projeto que conta com os músicos Nailor Proveta, Rodolfo Stroeter e Tutty Moreno.

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1121- Samba-enredo da Mangueira vai homenagear Marielle Franco, vereadora carioca morta por defender minorias

Ativista corajosa e defensora de pobres e de negros, executada no auge da vida , ela é uma das personalidades citadas na composição que tira a poeira dos porões e revela o Brasil que não está mencionado nos livros de história*

*Com Agência Brasil (EBC)

A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira cantará na Marques de Sapucaí durante o desfile do Carnaval 2019 da cidade do Rio de Janeiro (RJ) o samba-enredo História para ninar gente grande, que entre outras personagens homenageará a ex-vereadora do PSOL Marielle Franco. A “Verde-e-Rosa” iniciará sua passagem na passarela por volta das 2h40 da segunda-feira, 4 de março, e terá até 3h15 para apresentar o enredo que deverá levantar as arquibancadas e ainda cita os cantores Leci Brandão e Jamelão. A composição de Deivid Domênico, em parceria com Tomaz Miranda, Mama, Márcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino, foi escrita para tirar as poeiras dos porões, reverenciar quem foi de aço nos anos de chumbo, resgatar a história que a história não conta de mulheres, tamoios e mulatos e de um país que não está no retrato. Ou seja: a ideia é revelar  o ‘lado B’ de Pindorama desde 1.500, com versões mais críticas a feitos atribuídos a Pedro Álvares Cabral, Princesa Isabel, Dom Pedro I e Marechal Deodoro, entre outros “heróis” do almanaque tupiniquim.

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1093 – Francesa Fabianne Magnant promove workshop e toca viola caipira em Curitiba (PR)

Repertório da compositora e intérprete passeia desde as feiras populares do Nordeste brasileiro aos elegantes concertos eruditos de casas europeias , passando por tradições ibérico-mouriscas e manifestações africanas
Marcelino Lima

A violonista e violeira francesa Fabienne Magnant, em turnê pelo Brasil, após passar pelas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, será atração em Curitiba neste sábado, 11 de agosto. Fabienne, primeiro, protagonizará das 14 às 17 horas um workshop durante o qual falará sobre suas formação musical e influências, seu encontro com a viola e também ministrará conselhos técnicos, mas apenas para previamente inscritos; mais tarde, a partir das 20 horas, promoverá para o público em geral um concerto solo. Ambos os eventos serão oferecidos pelo Sesc da Esquina, respectivamente no auditório e no teatro daquela unidade, com apoio de Fernando Deghi (Violeiro Andante) e Claudio Avanso (Viola & Cantoria).

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1013 – Composições instrumentais de Mark Knopfler embalam Altamira, longa do autor de Chariots of Fire*

O Barulho d’água Música abre os trabalhos de 2018 dedicando a primeira atualização do ano (e abrindo uma rara exceção) ao mais recente álbum da discografia de um ícone da guitarra internacional, autor de belas trilhas sonoras para cinema, cantor e compositor líder de uma das bandas mais cultuadas do rock entre 1977 e 1994. O escocês de Glasgow Mark Freuder Knopfler se destacou à frente do grupo ao longo dos 17 anos nos quais o Dire Straits pegou estradas, e, em 1996, inaugurando sua história solo, lançou Golden Heart. Mas ainda no auge do Dire Straits, em 1983, já estreara como compositor de trilhas assinando as canções instrumentais de Local Hero, 35 mm do britânico Bill Forsyth, produzido por David Puttnam. De lá para cá, alternando concertos e turnês mundo afora (que invariavelmente lotam salas de espetáculos, incluindo a majestosa Royal Albert Hall, de Londres) com a gravação de novos discos autorais ou em duplas (com Chat Atkins, por exemplo, Neck and Neck, ou com Emylou Harris, All the Roadrunning, ambos indicados e premiados pelo Grammy) sir Mark Knopfler também não deixou de atender às convocações de diretores dedicados à sétima arte.

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995 – Para além do boto-cor-de-rosa: conheça o Imbaúba, grupo fundado pelo poeta Celdo Braga que canta o universo da Amazônia

“O Brasil não conhece o Brasil”, em uma adaptação do refrão que remete às Querellas do Brasil,  na qual Aldir Blanc e Maurício Tapajós escreveram “O Brazil não conhece o Brasil” para a canção imortalizada por Elis Regina em Transversal do Tempo (1978), é um bordão difícil de contestar em qualquer campo ou assunto artístico-cultural que se ponha em debate na roda. Para ficar apenas no vasto terreiro da música de Pindorama, a se julgar pelas playlists da maioria das emissoras de rádio, ainda vale mais por estes trópicos a frase original de Blanc e Tapajós, aquela com “z”. Em um país que  embora apresente variedade de estilos e de ritmos – que vão do samba ao caipira, do baião ao chamamé, do fandango ao xaxado, do choro ao Clube da Esquina –, tem prevalecido a porcaria movida tanto a jabá, quanto pela preguiça de programadores — se ruins ou sonsos, mesmo, pouca diferença faz. Entretanto, desde que a internet passou a oferecer ferramentas não apenas para divulgar, mas também compartilhar obras e carreiras, os hábitos de consumo e de produção de música vêm mudando, possibilitando a criação de públicos mais críticos, pluralistas e exigentes. E nesta onda blogues e serviços de streaming conseguem democratizar e oferecer (a baixos ou totalmente sem custos) não apenas novidades e lançamentos que a mídia teima em desprezar, sobretudo os alegadamente “independentes”, deixando disponível na rede para serem baixados em tablets, computadores e celulares conteúdos dos mais diversificados, ecléticos e muito, muito bons.

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