1121- Samba-enredo da Mangueira vai homenagear Marielle Franco, vereadora carioca morta por defender minorias

Ativista corajosa e defensora de pobres e de negros, executada no auge da vida , ela é uma das personalidades citadas na composição que tira a poeira dos porões e revela o Brasil que não está mencionado nos livros de história*

*Com Agência Brasil (EBC)

A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira cantará na Marques de Sapucaí durante o desfile do Carnaval 2019 da cidade do Rio de Janeiro (RJ) o samba-enredo História para ninar gente grande, que entre outras personagens homenageará a ex-vereadora do PSOL Marielle Franco. A “Verde-e-Rosa” iniciará sua passagem na passarela por volta das 2h40 da segunda-feira, 4 de março, e terá até 3h15 para apresentar o enredo que deverá levantar as arquibancadas e ainda cita os cantores Leci Brandão e Jamelão. A composição de Deivid Domênico, em parceria com Tomaz Miranda, Mama, Márcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino, foi escrita para tirar as poeiras dos porões, reverenciar quem foi de aço nos anos de chumbo, resgatar a história que a história não conta de mulheres, tamoios e mulatos e de um país que não está no retrato. Ou seja: a ideia é revelar  o ‘lado B’ de Pindorama desde 1.500, com versões mais críticas a feitos atribuídos a Pedro Álvares Cabral, Princesa Isabel, Dom Pedro I e Marechal Deodoro, entre outros “heróis” do almanaque tupiniquim.

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1093 – Francesa Fabianne Magnant promove workshop e toca viola caipira em Curitiba (PR)

Repertório da compositora e intérprete passeia desde as feiras populares do Nordeste brasileiro aos elegantes concertos eruditos de casas europeias , passando por tradições ibérico-mouriscas e manifestações africanas
Marcelino Lima

A violonista e violeira francesa Fabienne Magnant, em turnê pelo Brasil, após passar pelas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, será atração em Curitiba neste sábado, 11 de agosto. Fabienne, primeiro, protagonizará das 14 às 17 horas um workshop durante o qual falará sobre suas formação musical e influências, seu encontro com a viola e também ministrará conselhos técnicos, mas apenas para previamente inscritos; mais tarde, a partir das 20 horas, promoverá para o público em geral um concerto solo. Ambos os eventos serão oferecidos pelo Sesc da Esquina, respectivamente no auditório e no teatro daquela unidade, com apoio de Fernando Deghi (Violeiro Andante) e Claudio Avanso (Viola & Cantoria).

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1013 – Composições instrumentais de Mark Knopfler embalam Altamira, longa do autor de Chariots of Fire*

O Barulho d’água Música abre os trabalhos de 2018 dedicando a primeira atualização do ano (e abrindo uma rara exceção) ao mais recente álbum da discografia de um ícone da guitarra internacional, autor de belas trilhas sonoras para cinema, cantor e compositor líder de uma das bandas mais cultuadas do rock entre 1977 e 1994. O escocês de Glasgow Mark Freuder Knopfler se destacou à frente do grupo ao longo dos 17 anos nos quais o Dire Straits pegou estradas, e, em 1996, inaugurando sua história solo, lançou Golden Heart. Mas ainda no auge do Dire Straits, em 1983, já estreara como compositor de trilhas assinando as canções instrumentais de Local Hero, 35 mm do britânico Bill Forsyth, produzido por David Puttnam. De lá para cá, alternando concertos e turnês mundo afora (que invariavelmente lotam salas de espetáculos, incluindo a majestosa Royal Albert Hall, de Londres) com a gravação de novos discos autorais ou em duplas (com Chat Atkins, por exemplo, Neck and Neck, ou com Emylou Harris, All the Roadrunning, ambos indicados e premiados pelo Grammy) sir Mark Knopfler também não deixou de atender às convocações de diretores dedicados à sétima arte.

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995 – Para além do boto-cor-de-rosa: conheça o Imbaúba, grupo fundado pelo poeta Celdo Braga que canta o universo da Amazônia

“O Brasil não conhece o Brasil”, em uma adaptação do refrão que remete às Querellas do Brasil,  na qual Aldir Blanc e Maurício Tapajós escreveram “O Brazil não conhece o Brasil” para a canção imortalizada por Elis Regina em Transversal do Tempo (1978), é um bordão difícil de contestar em qualquer campo ou assunto artístico-cultural que se ponha em debate na roda. Para ficar apenas no vasto terreiro da música de Pindorama, a se julgar pelas playlists da maioria das emissoras de rádio, ainda vale mais por estes trópicos a frase original de Blanc e Tapajós, aquela com “z”. Em um país que  embora apresente variedade de estilos e de ritmos – que vão do samba ao caipira, do baião ao chamamé, do fandango ao xaxado, do choro ao Clube da Esquina –, tem prevalecido a porcaria movida tanto a jabá, quanto pela preguiça de programadores — se ruins ou sonsos, mesmo, pouca diferença faz. Entretanto, desde que a internet passou a oferecer ferramentas não apenas para divulgar, mas também compartilhar obras e carreiras, os hábitos de consumo e de produção de música vêm mudando, possibilitando a criação de públicos mais críticos, pluralistas e exigentes. E nesta onda blogues e serviços de streaming conseguem democratizar e oferecer (a baixos ou totalmente sem custos) não apenas novidades e lançamentos que a mídia teima em desprezar, sobretudo os alegadamente “independentes”, deixando disponível na rede para serem baixados em tablets, computadores e celulares conteúdos dos mais diversificados, ecléticos e muito, muito bons.

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792 – Parabéns, Paulo Matricó (PE), poeta do Pajeú que faz aniversário hoje

Paulo MatricóO cantor e compositor Paulo Matricó (PE) é o destaque de hoje da folhinha de aniversários do Barulho d’água MúsicaPaulo Matricó é um dos mais conceituados cantores  e compositores do Nordeste e relançou em maio de 2015 para comemorar 20 anos da primeira prensagem o álbum Outro Verso, esgotada completamente após a projeção do artista no cenário da música brasileira. O disco, agora remasterizado, ganhou também uma releitura visual da capa e do encarte por meio de primoroso trabalho assinado por Paulo Rocha, constituindo-se em uma autêntica joia para colecionadores. 

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692 – Ah, nenhuma palavra: Diana Pequeno!

diana pequeno 2

Há um haicai no qual o autor demonstra o entusiasmo que o assalta e o leva quase ao transe de tão extasiado que fica ao se deparar com flores de cerejeiras enfeitando as trilhas que percorre rumo ao Monte Fuji, no Japão.  A exuberância e a delicadeza das sakuras ao longo da senda o alegram tanto que ele apenas consegue (em uma tradução minha muito, muito livre e com apelo ao estatuto da licença poética!) balbuciar algo parecido com “Ah, nenhuma palavra: Monte Fuji em flor!”. Na noite da sexta-feira, 16, o Barulho d’água Música acompanhou a apresentação de Diana Pequeno no Sesc Belenzinho (SP) e desde então — portanto já há dois dias! –, tal qual o haijin que percorria as trilhas que o levaram à montanha não encontra palavras que possam descrever e relatar o que presenciou e curtiu por quase duas mágicas horas. E tamanha é a exultação e o prazer por tê-la (re) visto que quase 48 horas depois, a memória, esta bandida ainda banhada pelas lembranças dela no palco, nem o nome do autor do poema consegue nos trazer à tona.

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662 – Paulo Matricó (PE), poeta que entoa a essência do Sertão, é atração do I Congresso Nacional de Pequenos Agricultores, em São Bernardo (SP)

“Eu viajei pra muito longe atrás do mundo novo e me realizar/quanto mais distante eu fui mais perto eu me encontrei aqui do meu lugar/ (…) Inconscientemente o povo corre atrás do novo e perde o endereço/ninguém trará de volta a feira, a roça e a cachoeira/tudo tem seu preço”

Apreço ao meu lugar, faixa 10 de Junho Também, de 1997, segundo álbum de Paulo Matricó

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O cantor e compositor Paulo Matricó (PE) estará em São Bernardo do Campo, em 15 de outubro, como atração do 1º Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (que começará no dia 12 e prosseguirá até o dia 16). Paulo Matricó é um dos mais conceituados cantores  e compositores do Nordeste e relançou em maio para comemorar 20 anos da primeira prensagem o álbum Outro Verso, esgotada completamente após a projeção do artista no cenário da música brasileira. O disco, agora remasterizado, ganhou também uma releitura visual da capa e do encarte por meio de primoroso trabalho assinado por Paulo Rocha, constituindo-se em uma autêntica joia para colecionadores. A versão original, de 1995, bem como vários outros títulos da carreira de Paulo Matricó, pode ser baixada do blogue Quadrada dos Canturis, em Mp3. 

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640 – Paulo Mourão (MG) protagoniza com Adriana Lopes e Sal Ribeiro “Pedra de Luz”, show vibrante e marcado por poéticas evocações ao sagrado

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O Barulho d’Água Música está em Belo Horizonte e na quarta-feira 9, acompanhou no Cine Teatro Brasil Vallouréc o show do violeiro, cantor e compositor Paulo Mourão, atração de mais uma rodada do projeto Canto & Viola, coordenado por Luiz Tropia e Tadeu Martins. Paulo Mourão recebeu no palco Adriana Lopes (voz) e com Sal Ribeiro ministrando masterclass de percussão apresentou o novo espetáculo dele, Pedra de Luz, que reúne composições dos seis álbuns autorais e tem direção artística de Regina Milagres.

As músicas de Paulo Mourão falam diretamente a quem as ouve, saúdam o povo; mais do que luz, têm altas cargas de energia e de espiritualidade, evocam e reverenciam o sagrado, o amor e a fraternidade com muita poesia e nada de prosa vazia. Os versos ora cultuam as águas de mares e de rios — para além de fontes de vida, como elementos que também são de experimentação, de descoberta e de vivência da fé, e de religação com o Divino e com divindades –, ora dedicam a mensagem de seus cantos a causas humanitárias (como um alerta em nome do bem estar e da acolhida aos refugiados sírios e o respeito à infância, por exemplo) ou à lembrança de amigos já desencarnados que marcaram e ajudaram-no a traçar sua trajetória.

Paulo Mourão e driana

E a estrada de Paulo Mourão passa por Olindas, Angolas, Arábias, Venezuelas, viaja pra outras bandas, alcança Portugal, atravessa o Atlântico e de volta a Pindorama entra pelo Rio Grande do Norte em direção à caatinga. Escala, ainda, o Oeste baiano, corta Goiáses, embrenha-se com Goytacazes, toma, por fim cafezinho em Minas. Este caminhar é também peregrinação desde a juventude encarando anos de e chumbo para moldar um perfil que não faz concessões, jeito de ser que não se acomoda em jeitinhos e inclusive, custou e custa, de certa forma, até hoje, o preço de sua independência, pela qual até da liberdade já foi privado.

Tudo isso Paulo Mourão extravasa e traz de longe com sensibilidade das mais aguçadas ao som de violas de dez cordas, das quais mais do que a boa e tradicional sonoridade caipira, extrai com autoridade ritmos diversos como samba, coco, rock, afoxé e até blues, com direito a pitadas de flamenco. Durante Pedra de Luz a plateia, a e a companheira Adriana, ao som das cordas duetadas em harmonia com as batidas de Sal, giraram, balançaram, bateram as solas do pés ou das palmas das mãos como quem marcava o ritmo em rodas de terreiros, como quem bailava docemente à linha do mar e ao sabor do vento; sentia-se no ambiente a força de orixás que certamente ali também dançavam e abençoavam e o próprio canoeiro também balouçou; de quebra os remos levaram para outros universos quem recolheu os toldos e se encantou com a lírica instrumental Rubi. Como não embarcar também nesta canoa se o timoneiro canta, convincente, “comigo num tem tristeza não (…) eu tenho Deus no coração”?

Adriana Lopes

sal ribeiro

“Trata-se de um momento de catarse nos meus 18 anos de carreira”, relata o artista, acrescentando que a união com Adriana Lopes fez crescer em muito as interpretações e que a direção de Regina Milagres é fantástica, precisa: “Até o silêncio faz parte do show!” E Adriana Lopes é corresponsável pelo sucesso e pela bateria de aplausos e pedidos de não um, mas de cinco bis! Pode-se afirmar que, sem ela, sequer show haveria: preparadora vocal de Paulo Mourão, ela também criou os arranjos de vozes, sem contar que ao cenário teve o cuidado de acrescentar um delicado vaso de flores. Poderia ser apenas um detalhe, um objeto a mais se o olor das pétalas não tivesse acrescido ainda mais magia ao ambiente.

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Paulo Mourão doou ao Barulho d’água Música exemplares dos álbuns Flores e Feridas e Sete Segredos, este gravado com Sergio Di Ramos e produzido com muito esmero e competência pelo jovem IsmeraRock, que ainda toca violão e guitarra nesta ode de Mourão a ídolos como Joe Cocker, Janis Joplin, Hendrix e tantos outros cabeludos que também amavam os The Beatles e os Rolling Stones, Dylan e Joan Baez! Luiz Tropia e Tadeu Martins disponibilizaram um exemplar da antologia do projeto Canto & Viola, gravado em 2011. Obrigado aos músicos e amigos!

Adquira os álbuns de Paulo Mourão pelo endereço virtual violeiropaulomourao@gmail.com

A próxima edição do Canto & Viola está marcada para 14 de outubro e será com Bilora Violeiro, a partir de 19h30. 

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