1305 – Luiz Gonzaga ganha homenagem em disco dos músicos Nino Karvan e Alberto Silveira

Cantor e violonista sergipanos resgatam clássicos do Rei do Baião em álbum com dez faixas lançado pela gravadora e produtora Kuarup

De Lua, Canções de Luiz Gonzaga é o título do projeto do cantor e compositor Nino Karvan e do violonista Alberto Silveira, artistas sergipanos com carreias consagradas, que fazem uma tocante homenagem ao Rei do Baião, O repertório escolhido reúne canções das décadas dos anos 1940/50/60, período de ouro do baião e de maior sucesso de Luiz Gonzaga. O disco é intimista, gravado e apresentado para salas de concerto: a voz e o violão dão destaque às melodias, tão presentes na memória afetiva do brasileiro e na rica poética das letras. O álbum é mais um belíssimo lançamento da gravadora e produtora Kuarup, que, gentilmente, enviou um exemplar à redação do Barulho d’água Música, pelo qual agradecemos ao diretor artístico Rodolfo Zanke e toda sua equipe.

Continue Lendo “1305 – Luiz Gonzaga ganha homenagem em disco dos músicos Nino Karvan e Alberto Silveira”

1281 – Disco Canteiro de Alumiá revisita o Movimento Armorial, com elogios de Antonio Madureira e Ivan Vilela

Dez canções de arranjos artesanais e sonoridade armorial compõem o álbum Canteiro de Alumiá, de Ricardo Dutra e Quinteto Aralume, lançado em agosto de 2019, no Teatro Martins Pena, na cidade de São Paulo, com participação da cantora Letícia Torança e apresentação do violeiro, pesquisador e compositor Ivan Vilela, professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). O disco, disponível nas plataformas digitais, foi o escolhido para abrirmos neste dia 25 de janeiro mais uma rodada das audições matinais que promovemos aos sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música. Chamado de “trovador contemporâneo”, o compositor, cantador e instrumentista Ricardo Dutra, com o Quinteto Aralume, de maneira poética e imbuídos de lirismo melódico, abordam nas faixas do álbum histórias do povo brasileiro e a natureza que os rodeia, unidas ao refinamento artesanal dos arranjos que bebem nas fontes do Quinteto Armorial.

Continue Lendo “1281 – Disco Canteiro de Alumiá revisita o Movimento Armorial, com elogios de Antonio Madureira e Ivan Vilela”

1076 – Xaxado Novo (SP) lança segundo álbum com registros de show promovido no Auditório Ibirapuera

O Xaxado Novo, formado em 2013 e, atualmente, integrado por cinco músicos paulistas, está lançando o segundo álbum, Xaxado Novo ao Vivo, registro sonoro com 13 faixas da apresentação promovida em 10 de dezembro de 2016, no Auditório Oscar Niemeyer do Ibirapuera, em São Paulo, experiência que o grupo relata como “noite mágica e encantada, que marcou nossas vidas e apresentou um espetáculo único e inédito, que sempre sonhávamos fazer”. Para ser gravado, o disco finalizado em maio de 2017 utilizou recursos dos próprios músicos somados à vaquinha virtual (crowdfunding) pela plataforma Catarse e conta com as participações de Gabriel Levy (sanfona), Ricardo Herz (violino popular) e Orkestra Bandida (coletivo dedicado à difusão de música oriental) que dividiram o palco do Ibirapuera com o Xaxado Novo.

Continue Lendo “1076 – Xaxado Novo (SP) lança segundo álbum com registros de show promovido no Auditório Ibirapuera”

697 – Flávia Bittencourt lança em Sampa DVD que traz Florbela Espanca, Alcione, Ednardo, João do Vale…

 

A cantora e compositora maranhense Flávia Bittencourt fará show para lançamento do DVD Leve neste sábado, 24 de outubro, no Sesc Belenzinho. O espetáculo começará às 21 horas e contará com participação especial do multiartista potiguar Antúlio Madureira, que contribuiu com a composição Assum Preto para o DVD.

O novo trabalho marca os 10 anos de carreira de Flávia Bittencourt. Gravado em setembro de 2014, no Teatro Arthur Azevedo, localizado em São Luís, cidade natal da artista, o DVD tem ainda outros convidados como Alcione e Bloco Tradicional Os Feras (em O Surdo), Luiz Melodia (em Congênito), as coreiras Josélia Santos e Ivone Barros (em Franqueza) e a bailarina Ana Botafogo (em Rèconfort)​. Os arranjos são coletivos e a direção musical é assinada pelo guitarrista e produtor Aquiles Faneco. Entre as faixas há composições inéditas tais quais Rèconfort (versão em francês de Clélia Morali para De Volta Pro Aconchego, de Dominguinhos e Nando Cordel), Maracá Curumim (Carlinhos Veloz),Um Teu Segundo e Leve (Flávia Bittencourt) e Solidão (Sérgio Habibe).

Continue Lendo “697 – Flávia Bittencourt lança em Sampa DVD que traz Florbela Espanca, Alcione, Ednardo, João do Vale…”

Dia de Reis fecha período das folias que celebram a chegada dos magos orientais ao estábulo onde estava Cristo*

Foliae
Tela de José Coimbra Sobrinho (MG), de 1978, retrata a chegada a uma casa de um grupo de foliões
O  Dia de Reis  é uma festa popular católica de origem portuguesa relacionada  à comemoração do Natal, celebrada desde o século XIX, e encerra o período conhecido por Folia ou Terno de Reis. As folias começam a partir da meia-noite de 24 de dezembro, e em 6 de janeiro atinge sua data mais importante, pois é neste dia, fixado o nascimento de Jesus, que os reis  orientais Gaspar, Baltasar e Melchior, que seguiam a Estrela de Belém, teriam chegado ao estábulo no qual o menino estava abrigado, na Judéia, hoje situada 10 quilômetros ao Sul de Jerusalém e em território palestino.

Os reis levaram ao recém-nascido ouro, incenso e mirra, que, respectivamente, simbolizam a realeza,a essência divina a natureza humana de Cristo. Em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, para alguns estudiosos e historiadores até mais, inclusive, que o próprio Natal. No Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até 20 de janeiro, dia de  louvores ao padroeiro São Sebastião.

reis _magos_editora Muqui (ES) sedia desde 1950 o maior encontro nacional de folia de reis, que, em 2014, no entanto, ocorreu em agosto. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura, contam-se perto de 90 grupos de foliões fluminenses, paulistas e mineiros. Em outros estados várias cidades do Interior mobilizam-se para que os foliões visitem casas que os acolhem e fazem doações , cantando e tocando músicas de louvor a Jesus e aos Santos Reis , em volta do presépio, com muita alegria. Em São Paulo, por exemplo, a lista inclui  Araraquara, Barretos, Bebedouro, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Franca.

 
Ao chegar às casas que os recebem, a primeira a entrar é a Bandeira, que fica hasteada e todos então cantam a canção de chegada. Entre as músicas, o destaque é  a “riquita”, a voz que marca os agudos nas cantigas para espantar os maus espíritos e permitir que o Natal transcorra em paz. Em seguida , promovem-se as paradas para os almoços e jantares, oferecidos pelos anfitriões e que são agradecidos pelos foliões com modas de viola e danças como o cateretê e catira.

Liderados pelo Capitão da Folia, todos  reverenciam a Bandeira, carregada pelo BandeireiroÉ a bandeira que carrega o símbolo da folia. Decorada com figuras que remetem ao menino Jesus, feita geralmente de tecido, é enfeitada com fitas e flores de plástico, tecido ou papel, sempre costuradas ou presas com alfinete, nunca amarradas com nós cegos, para segundo a crença não “amarrar” os foliões ou atrapalhar a caminhada.

Ao Mestre cabe iniciar os cânticos, pois ele é o responsável pelo andamento dos cantos, da colocação das vozes: é o maestro que, além de conhecer a origem do grupo, domina seus fundamentos e a história da trajetória. Com seu apito, comanda as toadas e tira os desafios. A capacidade de liderança de que geralmente é dotado garante ao Mestre o respeito de todos, além de ser considerado detentor do conhecimento das profecias bíblicas. 

O aspecto bizarro dos Palhaços ou Bastiões, com vestimenta colorida e máscara de couro de animal, assusta e diverte a todos: cantando versos de improviso para a assistência e movimentando-se com desembaraço entre os foliões, tornam-se, quase sempre, a grande atração da Folia.  Algumas tradições consideram que estas figuras seriam representações de soldados do rei Herodes.

O Novo Testamento narra que, Herodes, ao descobrir que estava para nascer o Rei dos Reis, ordenou aos seus homens que invadissem todas as casas e matassem todos os meninos recém-nascidos. O soberano ainda teria solicitado que, se vissem passar três reis magos bastaria segui-los, pois eles procuravam pelo Cristo que deviam assassinar para que não ameaçasse o seu reinado. Outra  leitura define os soldados como convertidos a Jesus. Assim, ao invés de perseguir Gaspar, Baltasar e Melchior, os militares começaram a pular e cantar para atrair as pessoas e assim evitar que outros soldados percebessem a passagem do trio, preservando a vida do filho de Maria e de José.

Em cada casa há um festeiro, encarregado de preparar a festa da chegada da Bandeira. Ao sair, os foliões entoam a despedida e agradecem os donativos que recebem para fins filantrópicos  antes de partirem para outro imóvel.Com versos improvisados de agradecimento pela acolhida, os demais participantes, cada qual na sua voz e vez, repetem os versos acompanhados pelos seus instrumentos. As fitas coloridas, simbolicamente, representam Maria (rosa, amarela ou azul) e a branca o Divino Espírito Santo.

A Rádio Educativa do Paraná apresentará a partir das 21 horas da quarta-feira, 7, dentro do programa Poemoda, a canção em verso e prosa, o poema Os Reis Magos, do escritor português Gomes Leal (século XIX), antes de levar ao ar um rico repertório inspirado na tradição das folias. Serão tocados sucessos relativos ao tema dos compositores, grupos e intérpretes Arnaud Rodrigues, Ascenço Ferreira, Baiano e Os Novos Caetanos, Café Com Blues, Chico Anísio, Consuelo de Paula, Diro Oliveira, Egildo Vieira do Nascimento, Elomar, Fernando Brant, Fernando Guimarães, Gomes Leal, Júlio Caldas, Katya Teixeira, Lourenço Baeta, Luiz Gonzaga de Paula, Luiz Salgado, Moçambiqueiros de Pratápolis (MG), Marcelo Melo, Márcio Lott, Martinho da Vila, Ney Couteiro, Nivaldo Ornellas, Paula Santoro, Paulo Cesar Pinheiro, Quinteto Armorial, Quinteto Violado, Sergio Santos, Tavinho Moura, Tim Maia, Toinho Alves, Xico Chaves, Yuri Popoff.

O Poemoda é um programa de Alan Romero e Etel Frota, com trabalhos técnicos de Abílio Henrique

Em Curitiba pode ser sintonizado pela FM 97.1, com reapresentação aos domingos, a partir das 24 horas. Na internet o acesso é possível pelo endereço www.e-parana.pr.gov.br/modules/programacao/radiofm_ao_vivo.php.  Quem está ou reside em Portugal pode curti-lo pela  Rádio Zero às 18 horas das sextas-feiras, ou às 6 horas das segundas-feiras. Para mais informações  visite http://www.radiozero.pt ou http://janelaurbana.com/radio/

 

Sobre José Coimbra, extraído do portal Galeria Estação (ww.galeriaestacao.com .br/artista/38):

Nascido em São Sebastião do Paraíso (MG) em 1916 e criado na roça, José Coimbra Sobrinho faleceu em Mococa (SP), aos 70 anos, em 1986, cidade na qual trabalhou em um grupo escolar. Ao final das aulas, treinava seu desenho fazendo grandes cenas com giz, na lousa. É um pintor da escola expressionista cuja obra é voltada para o homem, seu trabalho, a luta pela vida e as dificuldades sociais da gente pobre.

“(…)Grande e surpreendente colorista, esse parente caipira dos ´fauves´ já mereceria, por essa característica, um lugar de destaque numa revisão pra valer de nossa pintura. Mas o Coimbra chega muito além. Ele capta uma brasilidade mística, rural e clássica que, em minha opinião, é um dos mais altos instantes da pintura expressionista nacional das últimas décadas. (…)”. Roberto Rugiero

Fonte: Galeria Brasiliana

* Texto editado por Marcelino Lima com base em matérias e informações alusivas ao tema recolhidos na internet

Quarteto Pererê e Letícia Torança apresentam “Tocata Armorial” com clássico de Villa Lobos em SP

Geralw
Tchelo Nunes, Edson Tadeu, Francisco Andrade, Alessandro Ferreira e Letícia Torança tocaram e cantaram peças do grupo, de Antônio Madureira e Villa-Lobos (Fotos: Marcelino Lima)

Alessandro Ferreira (violão 7 cordas), Edson Tadeu (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão) e Tchelo Nunes (violino) integram o “Quarteto Pererê”, que se dedica à interpretação da música instrumental brasileira por meio de uma inusitada combinação de timbres e escolhas estéticas que colocam a tradição sertaneja em diálogo com a música de câmara de recorte erudito, resultando numa busca sonora imaginativa e alegórica cuja proposta permite a interação entre música e a poesia popular de múltiplos Brasis. Formado em comemoração aos 80 anos da Semana de Arte Moderna, o grupo paulistano abriu no sábado, 23, a programação do projeto “Um baile das quatro artes”, proposta da Fundação Theatro Municipal de São Paulo e da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo. Com a participação da cantora Letícia Torança, o Quarteto Pererê apresentou “Tocata Armorial”, por meio do qual vem celebrando a primeira década da marcante trajetória.

Tchelow

GaitawViolasw

O show ocorreu na Praça das Artes, espaço situado na avenida São João, 281, no Centro paulistano. O repertório reuniu composições dos dois discos do Quarteto Pererê (“Ebulição”, lançado na Holanda, em 2004, e no Brasil, em 2005; e “Balaio”, de 2009), além de músicas do próximo ao qual os quatro integrantes já estão se dedicando. “Saci Armorial”, título do novo trabalho, dialogará com a obra do Quinteto Armorial, um dos expoentes no campo da música que mais representaram o Movimento Armorial, liderado pelo escritor Ariano Suassuna na década dos anos 1970. As faixas evocam múltiplas sonoridades e manifestações populares, num movimento musical antropofágico entre tradição e modernidade, entre o local e o universal.

Publicow

Uma das faixas que estará em “Saci Armorial” é “Canto da Yara”, de Alessandro Ferreira. O autor, Edson Tadeu, Francisco Andrade e Tchelo Nunes, ao tocá-la, contaram com o vocal de Letícia Torança. A cantora também dançou ao longo da sua apresentação e ainda se destacou em “Saga de Tropeiro, de Francisco Andrade, e “Baião para quando eu quiser” (Heitor Dantas), durante a qual utilizou um chocalho. Dos dois discos, o “Quarteto Pererê” trouxe entre outras “Istampita Palamento”, primeira música do gênero instrumental, de autoria anônima, surgida na Europa, no século XIII, presente no “Balaio”. Já “Suíte Sacizística”, dos quatro, figura em “Ebulição”. A plateia ouviu ainda “Estrada Mágica” (Tchelo Nunes), “Stravinsky no sertão” (Alessandro Ferreira) e “Maracatu de uma perna só” (Sérgio Leal). Para o encerramento, Revoada”, de Antônio Madureira, do disco “Do galope ao sertão nordestino”, do Quinteto Armorial. O “bis”, com arranjos especiais do grupo, cantada por Letícia, foi a famosa “Trenzinho Caipira”, de Heitor Villa-Lobos.

Legenda para as fotos:

Tchelo Nunes (violino), Alessandro Ferreira (violão), Edson Bastos (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão), Letícia Toranza e um ouvinte com a filha

Para conhecer o trabalho do Quinteto Armorial e baixar a discografia do grupo acesse:

http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/04/quinteto-armorial-discografia-completa.html

????????

Quinteto Armorial e Ariano Suassuna: somos todos filhos da mesma raiz, banhados no mesmo grande rio

o-SUASSUNA-facebook
A obra de Ariano Suassuna é essencialmente centrada na busca da valorização da cultura brasileira, notadamente a popular, mas traz elementos de outros povos e períodos que a universaliza
Amigos e seguidores: o Barulho d’Água Música baixou no armário de CDs e tirou para ouvir os quatro do Quinteto Armorial, grupo que em meados da década de 1970 incorporou-se ao e o Movimento Armorial, idealizado pelo genial Ariano Suassuna, que hoje Deus resolveu recolher ao andar de cima, um ano após a passagem de Dominguinhos e na mesma semana das porretadas que levamos com as partidas do João Ubaldo e do Rubem Braga.

capa-quinteto-armorial-1974
Capa do disco “Do romance ao galope nordestino”, do Quinteto Armorial, gravado em 1974 pela Marcus Pereira

Em um destes brilhantes trabalhos, “Do Romance ao Galope Nordestino”, há uma apresentação do grupo que se desmanchou na década dos anos 1980 e no qual despontara o brincante Antônio Nóbrega, feita pelo próprio Suassuna. O escritor e idealizador paraibano aproveitou o recado na contracapa do “bolachão” mais tarde remasterizado para elencar os propósitos do Movimento Armorial, que à época da gravação do disco (1974)  já estava presente na cerâmica, na tapeçaria, no teatro, na escultura, no romance, na poesia (incluindo a literatura de cordel), e na música, aproximando-se do cinema e da arquitetura, com elementos que davam suportes e valorizavam a cultura dos povos do sertão e das regiões jamais alcançadas pelos divulgadores e formadores de opinião.

As músicas do Quinteto Armorial são obras primas de rica execução melódica que a gravadora Marcus Pereira registrou. Elas são executadas por meio de pífanos, marimbas, violas (incluindo a nordestina e a sertaneja), instrumentos de percussão, gaitas, foles, rabecas, clarinete, trompetes, violinos, ganzás, matracas, caixas e uma porção de outros instrumentos, alguns rudimentares de fabricação anônima, os quais nos levam a um passeio que revisita a Idade Média. De lá,  a viagem vai nos trazendo agradavelmente aos dias atuais em composições trovadorescas, romanescas, provençais, ibéricas, com forte presença, ainda, de ritmos e sons do Cancioneiro Nordestino. Quer dizer: tudo entrelaçado e devidamente harmonizado, comprovando que o berço da nossa cultura popular é o mesmo da de outros povos, que há um universo para o qual tudo converge e no qual todos somos filhos de um mesmo embrião.
Há nesta fusão, portanto, uma evidente e clara cosmogonia, mesmo que através dos tempos cada povo, tribo ou nação tenha incorporado aos seus valores novos critérios de ver e de se relacionar, marcar sua presença no mundo e por meio dela transmitir seus legados. A arte e a cultura, por este ponto de vista, se universalizam, nos atam à mesma fonte, quer sejamos barrocos, pretos, brancos, índios, mouros, caipiras; ainda que prevaleça um tipo brasileiro entre tantos, ele traz em seu DNA está gênese.
Ariano Suassuna esta imerso neste caldo e, portanto, pelo alcance de sua obra ao mesmo tempo realista e visionária, tende a ser atemporal; se o homem desencarnou, o legado dos que como ele abrigavam espíritos evoluídos se pereniza, e, assim seu ciclo jamais se esgota, o próprio ser renasce e fica. É preciso um parênteses para observar que os tempos são outros, a velocidade de transmissão de ideias e de cânones diante da tecnologia que dispomos para a comunicação de massas tende a esvaziar e a pulverizar o que não servir às ideologias do consumo, da produção e da própria sobrevivência dos estados e seus estamentos. Mas o que tem raízes profundas, ainda que se modifique ou se adapte, jamais perde o conteúdo ou se contamina, segue incólume e sem cair na secularização; desperta novos seguidores mundo afora, novos marques, nóbregas, teixeiras, arrudas, ramiros, trancosos, ferreiras e assim o grande rio jamais seca. 

N.R.: Os discos do Quinteto Armorial são além do já citado “Do Galope ao Romance Nordestino” “Aralume”, “Sete Flechas” e “Quinteto Armorial”. O grupo era formado por Antônio José Madureira, Egildo Vieira do Nascimento, Antônio Nóbrega, Fernando Torres Barbosa e Edison Eulálio Cabral.