1069 – “O Grande Encontro”, com Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, e Lucy Alves: atrações do Arraiá de Barueri

A Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri, cidade da região Oeste da Grande São Paulo situada a 26 quilômetros da Capital, está anunciando dois shows musicais de peso para entreter o público que espera levar no próximo final de semana ao Arraiá de Barueri. Com entrada franca, as apresentações estão programadas para rolar no estacionamento do Ginásio Poliesportivo José Corrêa, no Centro, onde, em ambas as ocasiões, barracas de comidas e de bebidas típicas, brincadeiras, dança de quadrilha e forró estarão abertas e começarão a partir das 15 horas como “esquenta” para a entrada em cena das atrações.

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1016 – Ajude com o seu voto o Barulho d’água a avançar à segunda etapa de votação do Prêmio Profissionais da Música, em Brasília (DF)

A organização do  Prêmio Profissionais da Música (PPM) abriu no sábado, 20 de janeiro, o processo de votação para indicar quem avançará às etapas seguintes entre os 921 inscritos aptos a concorrer na primeira fase de votação da quarta edição em 54 categorias das modalidades Criação, Produção e Convergência. Pela primeira vez, em quase quatro anos de atividades, o Barulho d’água Música está no páreo como candidato em Convergência/Canais de Divulgação. Caso chegue à final, visitará Brasília (DF) em abril de 2018, cidade na qual os vencedores deste ano serão anunciados. De formato inédito e concebido pelo músico e produtor brasiliense Gustavo Ribeiro de Vasconcellos, o PPM foi idealizado para expor e reconhecer a contribuição de diversos profissionais envolvidos em criação, produção e circulação de obras e produções musicais e audiovisuais. A proposta é colaborar para o desenvolvimento de oportunidades e novos negócios do setor da música, a partir da convergência com outros segmentos. “Assim podemos expandir fronteiras ao promover intercâmbios e disseminar legados ao compartilhar experiências e emoções”, observou Gustavo.

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828 – País lamenta perda de Naná Vasconcelos (PE), eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo

Pernambuco vive desde o fim da manhã de hoje, 9 de março, luto oficial de três dias em respeito ao percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em decorrência de complicações de um câncer de pulmão, no hospital de Recife onde convalescia desde 29 de fevereiro. Naná Vasconcelos sofreu parada respiratória por volta das s 7h40. Amigos e familiares velarão o corpo na Assembleia Legislativa de Pernambuco antes do sepultamento, marcado para as 10 horas da quinta-feira, 10, no Cemitério de Santo Amaro.

Assim que o esquife chegou ao prédio da Casa Legislativa foi recepcionado por amigos e familiares, entre os quais se encontravam a viúva, Patrícia Vasconcelos, e a filha do casal, Luz Morena. O grupo Maracatu Nação Porto Rico protagonizou homenagem ao percursionista, considerado símbolo da união dos maracatus de Pernambuco. ‘‘Toque o tambor que Naná chegou/ Todas as nações vêm saudar nesse carnaval”, ouvia-se entre outros versos entoados pelo grupo, liderado por Chacon Viana. “Naná deixava bem claro que não tem mestre, nem ninguém melhor, o mestre é só o do céu. Com seu papo pé no chão, conseguia que as nações do estado se unificassem e se tornassem uma só. Ele tinha uma coisa que Deus que deu. Ele não precisava se sacrificar tanto, ele já tinha nome”, disse Chacon Viana.

“Naná Vasconcelos partiu fazendo música no quarto do hospital nos últimos dias de vida”, afirmou Patrícia Vasconcelos. “Ele vivia a música, respirava a música”, complementou a ex-mulher. “Todo momento que falava sobre isso se sentia melhor”.  A viúva ainda observou que o ex-marido “espalhou muito amor e muita música pelo mundo todo”. Assim, para ela, “essa é uma perda material, mas a música e a humildade dele como lição, além de respeito ao próximo, ficarão”.

 A mulher de Naná Vasconcelos ainda enfatizou a obra dele em prol de crianças, mas que beneficia também outras faixas etárias. “Como músico, o trabalho que ele fazia com crianças se transporta para todas as idades. Era uma missão de vida se preocupar com o futuro de crianças que moravam na rua e que tinham problemas de deficiência.” 

Uma das coroas de flores destacou a inscrição “Amém e amem”, que, de acordo com o contrarregra de Naná Vasconcelos, Edelvan Barreto, era a mensagem que o músico gostaria de ver postergada. “Amém e amem ele compôs da primeira vez que se internou, no ano passado”, afirmou o amigo. “Essa música deve se propagar em toda a humanidade nesse mundo perturbado que vivemos hoje.”

Além de decretar o luto oficial, o governador Paulo Câmara divulgou a seguinte nota:

“Pernambuco acordou triste. O silêncio causado pelo desaparecimento de Naná Vasconcelos em nada combina com a força da sua música, dos ritmos brasileiros que ele, como poucos, conseguiu levar a todos os continentes. Naná era um gênio, um autodidata que com sua percussão inventiva e contagiante conquistou as ruas, os teatros, as academias”

A morte de Naná Vasconcelos também consternou parceiros de estrada, tais quais os conterrâneos  Lenine e Alceu Valença, e Gilberto Gil. Marcelo Melo, da banda Quinteto Violado, declarou que convivia com Naná Vasconcelos desde a década dos anos 1960. “Tínhamos um quarteto vocal, o Bossa Norte. Naná era uma pessoa muito querida, muito amiga. Eu assumi o Quinteto e ele, a vida dele. Eu tinha muito carinho por ele e era um talento muito grande”.

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Naná Vasconcelos abriu durante 15 anos o Carnaval do Recife, mantinha projetos sociais nos quais a música é veículo de inserção e no mundo inteiro era aclamado como mestre percussionista, inclusive por B.B.King (Foto: Prefeitura do Recife)

Apelido é herança de avó

Naná Vasconcelos passara quase um mês no mesmo hospital de Recife, em 2015, quando o câncer que o acometeu foi diagnosticado, apenas um ano após exames gerais que nada haviam detectado em seu organismo. Quando recebeu alta, em agosto, discorreu sobre o desafio de enfrentar a doença, demonstrando fé. ‘Tenho de enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que vou chegar lá”.

Assim, mesmo em tratamento que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias, manteve a agenda e não largou dos tambores e dos berimbaus Entre os compromissos que honrou abrilhantou a abertura do Carnaval do Recife, no Marco Zero, neste ano, puxando cordão formado por mais de 400 batuqueiros. Ainda durante a folia, dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.

Naná era apelido, perpetuado por uma das avós do então menino Juvenal de Holanda Vasconcelos, desde muito cedo apaixonado pela vibração das batidas que o levaram a adotar o ofício de percursionista. Na década dos anos 1960,  transferiu-se do Recife para o Rio de Janeiro e na Cidade Maravilhosa gravou, de saída, dois discos com Milton Nascimento. Depois, com o amigo Geraldo Azevedo, em São Paulo, participou do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no Festival da Canção.

A obra de Naná Vasconcelos disseminou-se fora e dentro do Brasil e trouxe, gradativamente, respeito e fama. Integrante do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos, chegou a gravar com B.B. King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento new wave. Por aqui, além de Milton Nascimento, seguia a bater bola com Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros expoentes com os quais mantinha parcerias. A marca de Naná de Vasconcelos também está em trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos e, por oito vezes! revistas especializadas em música nos Estados Unidos o elegeram “o melhor percussionista do mundo”.

A fama não o envaideceu, pois Naná Vasconcelos acreditava que por meio da música poderia transformar e melhorar a vidas. Assim pensava, assim agia: encabeçava projetos sociais como o Língua Mãe, acolhendo crianças da América do Sul, da Europa e da África, ao passo que, paulatinamente, inseria a música no cotidiano das comunidades carentes do Recife como forma de incentivo à educação e cultura.

Como mestre carnavalesco, a contribuição de Naná Vasconcelos perdurou por pelo menos 15 anos, período no qual o primeiro grito sempre era dele, colocando em marcha  doze maracatus, 600 batuqueiros e o coral Voz Nagô, com ponto alto sempre às sexta-feiras. O que sempre se vê nestes dias nas ruas de Recife é o público rendendo-se à beleza e à euforia para acompanhar um dos mais coloridos e vigorosos espetáculos populares que o Brasil oferece. Em 2017, quem puxará os foliões?

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784 – Músico da Boa Terra, Sergio Di Ramos lança álbum de jazz tupiniquim e defende a música como elemento de reflexão e devoção

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Sérgio Di Ramos, cantor e compositor baiano nascido em Itabuna e atualmente radicado em Ilhéus está comemorando o sucesso de Tupynamjazz, álbum que lançou ao final de 2014, com participações de Chico Lobo, Quinteto Violado e Bárbara Leite e já se encontra esgotado na maioria das lojas virtuais para as quais foi distribuído. O álbum de 15 canções que precisa ser encomendado por vários dos sites do gênero pela falta dele no estoque é o quinto da carreira que Sérgio Di Ramos iniciou já maduro, em 2008, embora tenha inclinação para a música desde criança: aos 9 anos já ensaiava composições com influências inclusive do rock progressivo do Pink Floyd, aos 12 ganhou o primeiro violão, um presente da mãe, e com 17 baixou no Rio de Janeiro levando na mala fitas cassetes nas quais gravara o que classificava de “garatujas musicais”, conforme contou à jornalista Raquel Rocha, durante entrevista ao programa Bem Viver, da TV Itabuna, em novembro de 2014.  A ideia era apresentá-las aos produtores culturais lotados na Cidade Maravilhosa, mas o plano não vingou.

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767 – Guilherme Argentão, músico do Grupo Violado (SP), comemora hoje mais um aniversário!

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Guilherme Argentão (de camisa azul) e os parceiros com os quais gravou o segundo álbum do Grupo Violado: Fernando Tal (de gravata), Bruno Paparoti (de chapéu) e Filipe Rozinelli (Foto: Divulgação Grupo Violado)

A folhinha do Barulho d’água Música registra que hoje é aniversário do produtor cultural Guilherme Argentão, músico de Santa Barbara d’Oeste (SP) que integra o Grupo Violado de Música Raiz, no qual toca bateria e percussão. Guilherme e os amigos Fernando Tal (vocais e violão), Bruno Paparoti (viola caipira, violão e vocais) e Filipe Rozinelli (baixolão e violão) compõem a formação que no começo deste ano gravou uma autêntica viagem ao universo caipira por meio das faixas de Viola Enfeitiçada, segundo álbum o Grupo Violado cujo repertório de treze composições traz seis autorais e participações especiais de Rodrigo Zanc (violeiro de São Carlos, autor em parceria com Isaías Andrade da faixa título) do cantor Milionário (Sonho de um Caminhoneiro), do acordeonista Gerson Douglas (Chão Pantaneiro) e de Os Favoritos da Catira (Gato de Três Cores). 

O Grupo Violado está na estrada desde 2006 e, em 2009, lançou o primeiro álbum independente em disco e em vídeo, ao vivo. O trabalho batizado como Espetáculo de Viola reúne clássicos da moda de viola raiz e na ocasião o time atuava com Antônio Amaral Freire (violão e segunda voz) e João Paulo Froner (viola caipira), além de Guilherme Argentão, Fernando Tal e Filipe Rozinelli; o atual violeiro, Bruno Paparoti, é regente da Orquestra de Violas de Americana, cidade vizinha à Santa Bárbara d’Oeste. Espetáculo da Vida projetou o Grupo Violado no cenário da autêntica música de raiz e chegaram os reiterados convites para apresentações nos circuitos do Sesc São Paulo, teatros, festas de cidades e Virada Cultural Paulista, entre outros palcos, sempre acompanhadas por lotações plenas dos auditórios e numeroso público. O Grupo Violado também tem no currículo gravações em programas de televisão como Caminhos da Roça, de Mazinho Quevedo; Arena do Som, na TV Século XXI, e Terra da Padroeira na TV Aparecida.

O Barulho d’água tem o primeiro disco em seu acervo e o DVD correspondente gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, em Santa Bárbara d’Oeste, autografado por  Filipe e Guilherme. Volta e meia o álbum rola no Solar da Lageado, pois recria a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, clássicos de raiz  como A Volta do boiadeiro, de Sulino e Marrueiro, — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual este blogueiro se reencontrou assistindo justamente ao vídeo, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

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A canção destacada é a #3 de 17 do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro e uma releitura  de Vide, Vida Marvada, de Rolando Boldrin; para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Sempre volto aos quintais da infância, revisito tempos distantes e já meio esmaecidos que, na verdade, não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida — tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda recém cagada de boi ou  de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja.

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As memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente. O maior mérito que trabalhos como os discos do Guilherme Argentão e dos seus amigos é justamente este: impedem que morram ou fiquem relegadas nossas tradições, abrem a porteira que as aprisiona para que corram a galope, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito. Ah, então, vamos deixar de prosa e parafraseando Paulo Freire … vai ouvindo, vai ouvindo (e assistindo) e não se contenha se, de uma hora para outra, a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar!

Feliz aniversário, Guilherme Argentão, e sucesso sempre!

Repertório do álbum Viola Enfeitiçada

Para quem ainda não os possui, os dois álbuns e o DVD mencionados neste texto podem ser encomendados diretamente com os músicos que, assim como o Grupo Violado, mantêm perfis em mídias sociais.

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1 -Viola Enfeitiçada (Participação especial Rodrigo Zanc)
2- Pego Pesado
3- Sonho De Um Caminhoneiro (Participação especial Milionário)
4- Caçador
5- Ponto Fraco
6- Amor e Saudade
7- Não Fale Mal Da Viola
8- Malandro Da Barra Funda
9- Gato De Três Cores (Participação especial Os Favoritos Da Catira)

10-Chão Pantaneiro (Instrumental)
11-Difícil Encontrar
12-Liguei Pra Dizer Que Te Amo
13-Peça Meu Mundo

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719 – MinC confere a Rolando Boldrin grau de Comendador da Ordem do Mérito Cultural

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A presidenta Dilma Rousseff homenageou na segunda-feira, 9 de novembro, em Brasília (DF), artistas brasileiros agraciados com a Ordem do Mérito Cultural de 2015, concedida pelo Ministério da Cultura (MinC) nos graus Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro a personalidades, grupos ou instituições como reconhecimento por suas contribuições ao país. Com direito a show com Caetano Veloso, que entre outros dos seus sucessos cantou Alegria, Alegria, a edição deste ano teve como maior homenageado o poeta paulista Augusto de Campos – criador, ao lado do irmão, Haroldo de Campos, e de Décio Pignatari, do movimento nacional de poesia concreta, na década de 1950. Entre os laureados vinculados à musica estiveram Daniela Mercury e as Ceguinhas de Campina Grande (Grã-Cruz), Arnaldo Antunes e Rolando Boldrin (Comendador), além de Humberto Teixeira, cearense reconhecido Cavaleiro póstumo por entre outras obras ser o coautor de clássicos em parceria com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga (PE).

Rolando Boldrin dispensa qualquer tipo de apresentação. Cantor, compositor, ator de cinema, de teatro, de televisão e escritor, tornou-se o querido Sr. Brasil, deferência pela qual seus fãs e amigos passaram a tratá-lo e que faz referência ao programa que já está há 35 anos no ar, dos quais a década mais recente com gravações no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, acolhidas pela TV Cultura.

Em 20 de julho, Boldrin pode sentir todo o carinho que merece do público nacional — que alcançou por ser um defensor e promotor dos valores tradicionais da cultura popular — durante o programa especial que a emissora da Fundação Padre Anchieta gravou na Sala São Paulo, com a presença de expoentes como Vital Farias, Saulo Laranjeira, Arismar do Espírito Santo, Jane Duboc, Casuariana, Quinteto Violado e os membros do grupo Pau-Brasil, entre os quais Mônica Salmaso, Léa Freire, Paulo Bellinati, Teco Cardoso e Nélson Ayres. Em 25 de setembro, um pouco menos  de um mês antes de completar 78 anos, Rolando Boldrin recebeu o título de Cidadão Guairense, conferido pela Câmara Municipal de Guaíra, cidade do Interior paulista no qual iniciou a carreira aos doze anos e que integra a região da terra natal, São Joaquim da Barra.

Da lavoura ao cinema, hoje esquecidas

As irmãs Indaiá, Maroca e Poroca são as Ceguinhas de Campina Grande, alusão à cidade paraibana em cujas ruas Francisca Conceição Barbosa (Indaiá), Maria das Neves Barbosa (Maroca) e Regina Barbosa (Poroca) começaram a cantar, antes dos sete anos. O reconhecimento do trio veio em 1999, ano do lançamento do documentário A pessoa é para o que nasce, que conta a vida delas, mas as três vêm se queixando de terem sido esquecidas após o sucesso do filme, conforme relataram em programa da qual foram destaque, levado ao ar pela TV Record, em rede nacional, no dia 4 de outubro, e gravado na residência de uma amiga onde há um ano vivem de favor após perderem tudo que ganharam na carreira por má administração dos gestores dos seus bens.

 As Ceguinhas de Campina Grande já se apresentaram com Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso. Cegas de nascença, as três trabalharam na lavoura desde crianças.  E chegaram a ser alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra. O pai morreu quando Indaiá tinha sete anos e elas passaram a se apresentar nas ruas de Campina Grande, cantando emboladas e tocando ganzá. Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes.

O repertório do trio, aos poucos, passou a incluir cantigas, cocos e outros ritmos do cancioneiro nordestino que as irmãs reprocessaram com acréscimo de improvisos. Em 1997, foram levadas pelo cineasta Roberto Berliner para uma participação no programa Som da Rua, da TVE. Em seguida, Berliner utilizou as gravações feitas para o programa e montou o documentário de curta-metragem A pessoa é para o que nasce.

O sucesso do curta levou a um convite para participar do festival de percussão Percpan de 2000, em Salvador (BA). O grupo recebeu elogios de Naná Vasconcelos e de Otto, além de ser homenageado numa composição de Gilberto Gil. Em 2004, Berliner lançou a versão em longa-metragem do seu documentário. No mesmo ano as três irmãs receberam pela primeira vez a Ordem do Mérito Cultural.

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O amigo do Rei

Humberto Teixeira, nascido em Iguatu (CE) em 1915, é um dos mais representativos e produtivos compositores da música popular brasileira. Músico e poeta, criou com Luiz Gonzaga clássicos como Asa Branca. Teixeira exerceu mandato de deputado federal e criou lei que leva seu nome para divulgar a arte e a cultura brasileira pelo mundo por meio das Caravanas de Música Popular Brasileira. Conhecido como “O Doutor do Baião” e como “O Grande Poeta da Seca”, faleceu em 3 de outubro de 1979, no Rio de Janeiro.

 

Homenagem ao Sr. Brasil pelos 10 anos na TV Cultura deixa lotada a Sala São Paulo

O Barulho d’Água Música acompanhou, ontem, 20 de julho, a gravação do programa especial que marca os 10 anos do Sr. Brasil, com Rolando Boldrin, na TV Cultura. O apresentador recebeu no palco da Sala São Paulo Mônica Salmaso e o grupo Pau Brasil, Vital Farias, Saulo Laranjeira, Luís Carlos Borges, Arismar do Espírito Santo e Jane Duboc, Casuarina, Luca Bulgarini e o Quinteto Violado, entre outros músicos. E também cantou e declamou, além de contar pitorescos e curiosos causos, uma das marcas do programa. Na plateia que ocupou praticamente todas as cadeiras, Boldrin contou com o prestígio dos músicos que formam o Projeto 4 Cantos Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc, Wilson Teixeira, mais Zé Geraldo, Fábio PorteConsuelo de Paula, Osni Ribeiro, Jaime Alem e esposa Nair Cândia, Daniela Lasalvia, Lucas Ventania, Danilo Gonzaga Moura, do Trio José, e Socorro Lira e vários outros cantadores e artistas de diversos segmentos.

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Dia de Reis fecha período das folias que celebram a chegada dos magos orientais ao estábulo onde estava Cristo*

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Tela de José Coimbra Sobrinho (MG), de 1978, retrata a chegada a uma casa de um grupo de foliões
O  Dia de Reis  é uma festa popular católica de origem portuguesa relacionada  à comemoração do Natal, celebrada desde o século XIX, e encerra o período conhecido por Folia ou Terno de Reis. As folias começam a partir da meia-noite de 24 de dezembro, e em 6 de janeiro atinge sua data mais importante, pois é neste dia, fixado o nascimento de Jesus, que os reis  orientais Gaspar, Baltasar e Melchior, que seguiam a Estrela de Belém, teriam chegado ao estábulo no qual o menino estava abrigado, na Judéia, hoje situada 10 quilômetros ao Sul de Jerusalém e em território palestino.

Os reis levaram ao recém-nascido ouro, incenso e mirra, que, respectivamente, simbolizam a realeza,a essência divina a natureza humana de Cristo. Em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, para alguns estudiosos e historiadores até mais, inclusive, que o próprio Natal. No Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até 20 de janeiro, dia de  louvores ao padroeiro São Sebastião.

reis _magos_editora Muqui (ES) sedia desde 1950 o maior encontro nacional de folia de reis, que, em 2014, no entanto, ocorreu em agosto. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura, contam-se perto de 90 grupos de foliões fluminenses, paulistas e mineiros. Em outros estados várias cidades do Interior mobilizam-se para que os foliões visitem casas que os acolhem e fazem doações , cantando e tocando músicas de louvor a Jesus e aos Santos Reis , em volta do presépio, com muita alegria. Em São Paulo, por exemplo, a lista inclui  Araraquara, Barretos, Bebedouro, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Franca.

 
Ao chegar às casas que os recebem, a primeira a entrar é a Bandeira, que fica hasteada e todos então cantam a canção de chegada. Entre as músicas, o destaque é  a “riquita”, a voz que marca os agudos nas cantigas para espantar os maus espíritos e permitir que o Natal transcorra em paz. Em seguida , promovem-se as paradas para os almoços e jantares, oferecidos pelos anfitriões e que são agradecidos pelos foliões com modas de viola e danças como o cateretê e catira.

Liderados pelo Capitão da Folia, todos  reverenciam a Bandeira, carregada pelo BandeireiroÉ a bandeira que carrega o símbolo da folia. Decorada com figuras que remetem ao menino Jesus, feita geralmente de tecido, é enfeitada com fitas e flores de plástico, tecido ou papel, sempre costuradas ou presas com alfinete, nunca amarradas com nós cegos, para segundo a crença não “amarrar” os foliões ou atrapalhar a caminhada.

Ao Mestre cabe iniciar os cânticos, pois ele é o responsável pelo andamento dos cantos, da colocação das vozes: é o maestro que, além de conhecer a origem do grupo, domina seus fundamentos e a história da trajetória. Com seu apito, comanda as toadas e tira os desafios. A capacidade de liderança de que geralmente é dotado garante ao Mestre o respeito de todos, além de ser considerado detentor do conhecimento das profecias bíblicas. 

O aspecto bizarro dos Palhaços ou Bastiões, com vestimenta colorida e máscara de couro de animal, assusta e diverte a todos: cantando versos de improviso para a assistência e movimentando-se com desembaraço entre os foliões, tornam-se, quase sempre, a grande atração da Folia.  Algumas tradições consideram que estas figuras seriam representações de soldados do rei Herodes.

O Novo Testamento narra que, Herodes, ao descobrir que estava para nascer o Rei dos Reis, ordenou aos seus homens que invadissem todas as casas e matassem todos os meninos recém-nascidos. O soberano ainda teria solicitado que, se vissem passar três reis magos bastaria segui-los, pois eles procuravam pelo Cristo que deviam assassinar para que não ameaçasse o seu reinado. Outra  leitura define os soldados como convertidos a Jesus. Assim, ao invés de perseguir Gaspar, Baltasar e Melchior, os militares começaram a pular e cantar para atrair as pessoas e assim evitar que outros soldados percebessem a passagem do trio, preservando a vida do filho de Maria e de José.

Em cada casa há um festeiro, encarregado de preparar a festa da chegada da Bandeira. Ao sair, os foliões entoam a despedida e agradecem os donativos que recebem para fins filantrópicos  antes de partirem para outro imóvel.Com versos improvisados de agradecimento pela acolhida, os demais participantes, cada qual na sua voz e vez, repetem os versos acompanhados pelos seus instrumentos. As fitas coloridas, simbolicamente, representam Maria (rosa, amarela ou azul) e a branca o Divino Espírito Santo.

A Rádio Educativa do Paraná apresentará a partir das 21 horas da quarta-feira, 7, dentro do programa Poemoda, a canção em verso e prosa, o poema Os Reis Magos, do escritor português Gomes Leal (século XIX), antes de levar ao ar um rico repertório inspirado na tradição das folias. Serão tocados sucessos relativos ao tema dos compositores, grupos e intérpretes Arnaud Rodrigues, Ascenço Ferreira, Baiano e Os Novos Caetanos, Café Com Blues, Chico Anísio, Consuelo de Paula, Diro Oliveira, Egildo Vieira do Nascimento, Elomar, Fernando Brant, Fernando Guimarães, Gomes Leal, Júlio Caldas, Katya Teixeira, Lourenço Baeta, Luiz Gonzaga de Paula, Luiz Salgado, Moçambiqueiros de Pratápolis (MG), Marcelo Melo, Márcio Lott, Martinho da Vila, Ney Couteiro, Nivaldo Ornellas, Paula Santoro, Paulo Cesar Pinheiro, Quinteto Armorial, Quinteto Violado, Sergio Santos, Tavinho Moura, Tim Maia, Toinho Alves, Xico Chaves, Yuri Popoff.

O Poemoda é um programa de Alan Romero e Etel Frota, com trabalhos técnicos de Abílio Henrique

Em Curitiba pode ser sintonizado pela FM 97.1, com reapresentação aos domingos, a partir das 24 horas. Na internet o acesso é possível pelo endereço www.e-parana.pr.gov.br/modules/programacao/radiofm_ao_vivo.php.  Quem está ou reside em Portugal pode curti-lo pela  Rádio Zero às 18 horas das sextas-feiras, ou às 6 horas das segundas-feiras. Para mais informações  visite http://www.radiozero.pt ou http://janelaurbana.com/radio/

 

Sobre José Coimbra, extraído do portal Galeria Estação (ww.galeriaestacao.com .br/artista/38):

Nascido em São Sebastião do Paraíso (MG) em 1916 e criado na roça, José Coimbra Sobrinho faleceu em Mococa (SP), aos 70 anos, em 1986, cidade na qual trabalhou em um grupo escolar. Ao final das aulas, treinava seu desenho fazendo grandes cenas com giz, na lousa. É um pintor da escola expressionista cuja obra é voltada para o homem, seu trabalho, a luta pela vida e as dificuldades sociais da gente pobre.

“(…)Grande e surpreendente colorista, esse parente caipira dos ´fauves´ já mereceria, por essa característica, um lugar de destaque numa revisão pra valer de nossa pintura. Mas o Coimbra chega muito além. Ele capta uma brasilidade mística, rural e clássica que, em minha opinião, é um dos mais altos instantes da pintura expressionista nacional das últimas décadas. (…)”. Roberto Rugiero

Fonte: Galeria Brasiliana

* Texto editado por Marcelino Lima com base em matérias e informações alusivas ao tema recolhidos na internet

Falamansa arrebata em Las Vegas o 15º Grammy Latino com álbum Amigo Velho

Dezinho, Tato, Alemão e Valdir do Acordeon estão juntos desde o encerramento de um festival realizado em SP, em 1998, e já gravaram dez álbuns; o primeiro ganhou em 2000 Disco de Diamante

O álbum Amigo Velho, do Falamansa, arrebatou o prêmio de melhor álbum de música de raízes brasileiras do 15º. Grammy Latino entregue hoje, 20 de novembro, no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. O grupo, que faz sucesso em todo o país desde  1998, quando surgiu no Ceará, é integrado por Tato (voz e violão), Alemão (zabumba), Dezinho (triângulo e percussão) e Valdir do Acordeon e além do álbum agora consagrado, já gravou outros nove. O primeiro, Deixa Entrar (2000), vendeu mais de 1 milhão de cópias, o que rendeu ao quarteto a certificação de Disco de Ouro. 

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Tavinho Moura volta a gravar e fãs ganham “Minhas Canções Inacabadas”

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Tavinho Moura é uma das principais referências da música brasileira e um dos expoentes do Clube da Esquina, conhecido tanto pelas suas qualidades como violeiro, quanto como compositor. Após um tempo sem entrar em estúdio, Tavinho Moura voltou à cena musical apresentando o álbum Minhas Canções Inacabadas”, que acaba de ser indicado ao Grammy Latino. Assim, o mineiro de Juiz de Fora estará em novembro, em Las Vegas, concorrendo a mais um valioso prêmio para sua bela carreira, na categoria “Melhor disco de música brasileira de raiz”. Além dele estarão no páreo Alceu Valença, Falamansa, Neymar Dias e Toninho Ferraguti (ver matéria abaixo), Quinteto Violado e Téo Azevedo (matéria dois textos abaixo).

Barulho d'Água Música

DSC03442 Na apresentação de novembro de 2013 Tavinho Moura relembrou ao violão clássicos da carreira ponteada por sucessos como “Paixão e Fé” e “Peixinhos do Mar” (Fotos Marcelino Lima)

Para deleite de muitos admiradores e daqueles que gostam de música de qualidade, o cantor e compositor Tavinho Moura encerrou um período de três anos sem gravar, voltou ao estúdio e lançou neste ano “Minhas Canções Inacabadas”. O mineiro de Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata, atendeu ao pedido de Henrique Santana, dono da “Poleiro D’Angola Estúdio e Escola” e brindou o público com 13 faixas, entre as quais “Como Vai Minha Aldeia”, dele e de Márcio Borges, que integra também o “bolachão” homônimo de 1978, e “Confidências do Itabirano”, parceria com Carlos Drummond de Andrade baseada no célebre poema do conterrâneo “Itabira é apenas uma fotografia na parede./Mas como dói!” A amizade com Fernando Brant

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