Dupla de Mirassol (SP) é campeã de Festival Sertanejo de Raiz de Botucatu

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Renato Teixeira e as integrantes do Paranga foram atrações da noite de encerramento do Festival, em Botucatu

 

Tony Garcia e Divanei, dupla de Mirassol (SP), faturaram o título do XXV Festival da Música Sertaneja Raiz de Botucatu e Região, encerrado na noite de domingo, 15. “Milagres de Aparecida” é o nome da composição classificada em primeiro lugar.

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Cláudio Lacerda canta no Memorial da América Latina e abre festival em Piacatuba

CL MaO cantor e compositor Cláudio Lacerda vai se apresentar neste sábado, 26, no Memorial da América Latina. O show começará às 15 horas, com entrada franca. Paulistano, Lacerda tem três discos gravados, além de várias parcerias ao longo da carreira, participando de cantorias ou de gravações com Lula Barbosa, Renato Teixeira, Dominguinhos, Alzira Espíndola, Pena Branca e Paulo Simões. Ele também integra o projeto “4 Cantos” com os amigos Luiz Salgado (Patos de Minas/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (Avaré/SP), grupo que se apresentou no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin, em outubro de 2013. Com Zanc promove desde 2011 tributos à Pena Branca & Xavantinho.

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Após a passagem pelo Memorial da América Latina, situado no bairro paulistano da Barra Funda, Cláudio Lacerda viajará para Leopoldina, cidade mineira da Zona da Mata, onde fica o distrito de Piacatuba. Na noite de 30 de julho, abrirá a partir das 20h30 a programação de shows do 12º Festival de Viola e Gastronomia. Nas demais noites até 3 de agosto, Piacatuba receberá no mesmo palco Lô Borges, João Ormond, Pereira da Viola, Fernando Sodré, Celia e Celma, Wilson Dias, Ramon e Rozado e Oswaldo Montenegro.

 

Prêmio Sharp duas vezes, Guilherme Rondon reforça acervo do blog com três álbuns

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Guilherme Rondon é paulista, mas em 40 anos de carreira destaca-se no país como representante da música pantaneira, identificação que já rendeu dois Prêmios Sharp (Foto: Cláudia Medeiros)

O Barulho d’Água acaba de receber três álbuns da discografia do cantor e compositor Guilherme Rondon. Ele próprio enviou ao blog exemplares de “Três” (2007), “Claro que sim” (2001) e “Made in Pantanal”, que, agora, ficarão sempre à mão ao lado de “Piratininga” (1994), que já fazia parte do acervo e é primeiro da carreira. Com este disco, lançado também no Japão, em 2005, o paulista que adotou Corumbá (MS) para viver à beira do Paiaguás ganhou o Prêmio Sharp de 1995 da categoria “Revelação”.

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Capa do álbum mais recente, de 2007, dedicado aos filhos e aos netos

Guilherme Rondon é do núcleo pantaneiro da música brasileira, parceiro entre outros de Almir Sater, Paulo Simões, da talentosa família de Tetê, Alzira, Celito e Geraldo Espíndola, entre outros nomes consagrados da região Centro-Oeste. Em “Três”, Alexandre Lemos é coautor da maioria das faixas; Zé Edu Camargo assina “Hora Contada” e “Vazante do Castelo”. Entre os convidados, destaque para o saudoso Zé Rodrix em arranjos e vocais, além dos teclados e sanfona de Adriano Magoo e a guitarra de Luiz Waack, inseparável companheiro do paulistano Edvaldo Santana. O disco, todo em compasso ternário, é uma celebração aos três filhos e aos três netos na época do lançamento.

“Claro que sim” também reúne um timaço: Almir Sater (viola), Danilo Caymmi (flauta e voz), Jaques Morelenbaum (cello), Proveta (sax), Pedro Ivo (bateria) e, novamente, Waack. Caymmi canta a obra prima do pai, “Maracangalha”. Murilo Antunes e Paulo Simões dividem com Rondon oito faixas, Iso Fischer outras duas e Danilo, uma.

Alexandre Lemos, Zé Edu Camargo, Paulo Simões, Consuelo de Paula, Tavito e Celito Espíndola gravaram com Rondon ou têm participação em “Made in Pantanal”. Lançado para marcar quatro décadas de carreira, o trabalho traz uma faixa bônus em vídeo com imagens do Pantanal. “La Negra” escrita com Consuelo de Paula homenageia Mercedes Sosa, enquanto “Tabuiaiá é dedicada a Ivan Lins.

 A estante de Guilherme Rondon guarda também o Prêmio Sharp de 1992, ano em que o disco “Rondon e Figar” teve 4 indicações e venceu na categoria “Música Regional” com a faixa “Paiaguás”, dele e de Paulo Simões. “Rondon e Figar” tem participações de Almir Sater, Papete (percussão), Mário Lúcio (flauta e sax), Dino Rocha (sanfona) e de Zé Gomes (cujo violino subiu com ele em 2009 para o Plano Superior) além de Renato Teixeira, que canta “Noturno de Prata”. Já com Celito Espíndola, Dino Rocha e Paulo Simões, Guilherme Rondon produziu dois títulos com a banda “Chalana de Prata”, respectivamente em 1996 e 2004. Em ambos, os parceiros buscaram promover um resgate da música pantaneira tradicional, como polca e chamamé, com todas as suas influências da Bacia do Prata.

 

Cláudio Lacerda: a arte de cultivar orquídeas e colher poesias para a viola e o violão

Foto: Adriano Rosa

Especial para o blog da Rádio UOL, publicado em 15 de julho de 2007

O cantor Cláudio Lacerda, paulistano filho de mineiros, tem um currículo de composições próprias e de participações em álbuns de vários companheiros de estrada que o qualifica como um dos mais criativos e genuínos nomes da atual safra das músicas regional brasileira e de raiz. Entrevistado recentemente pelo violeiro Yassir Chediak, que apresenta o programa “Bom Dia Campo”, no Canal Rural, Lacerda revelou durante um agradável bate-papo entremeado por músicas da carreira parte de suas potencialidades e desta identidade ao cantar o clássico “Boiadeiro Errante”, de Teddy Vieira.

Autor de “Canto brasileiro”, em parceria com o trovador urbano Eduardo Santhana e com participação do saudoso Dominguinhos durante a gravação do álbum “Cantador” (terceiro e mais recente da carreira, lançado em 2010), Cláudio Lacerda revelou a Chediak peculiaridades de uma vida atenta à natureza e regrada com modos simples, como cultivar orquídeas no sítio em que mora com a família, paciente trabalho conjunto que desenvolve com a esposa, agrônoma. Aproveitando a ocasião, também prestou tributo a baluartes da moda caipira ao lembrar que dedicou à memória de José Fortuna, Nonô Basílio, Angelino de Oliveira, Serrinha, Tonico, Cornélio Pires, e Capitão Furtado as faixas do segundo disco, “Alma Caipira”, de 2007.

Neste trabalho, o músico tornou públicas composições menos consagradas dos mestres revisitados, “aquelas que estão meio escondidinhas” dentro do amplo repertório de cada um deles. Ou seja: embora tenha o dom de compor as próprias obras com muita singularidade, sensibilidade e arte, Cláudio Lacerda inclina-se e vai às fontes mais cristalinas e doces do nosso cancioneiro de raiz não apenas buscar referências e inspiração, mas reverenciá-las, a elas levar nosso agradecimento. Se revelações tais quais ajudam a explicar de onde vem a riqueza e a poesia presente nas letras das suas canções, também evidenciam humildade.

Cláudio Lacerda, filho de mineiros, traz em sua formação raízes caipiras, mas suas composições também se inspiram em bambas da MPB e têm parcerias com Renato Teixeira (Marcelino Lima)

Citamos Dominguinhos como parceiros que Cláudio Lacerda já encontrou na estrada e com os quais subiu ao palco, entretanto a lista é grande. Renato Teixeira, Lula Barbosa, Pinho, Levi Ramiro, Wilson Teixeira, Rodrigo Zanc, Luiz Salgado, Miriam Mirah, Turcão, Paulo Simões, Pena Branca, Rodrigo Delage, Alzira Espíndola, Noel Andrade são alguns exemplos presentes em sua discografia, ou com os quais compartilhou trabalhos assinados pelos amigos. Ao optar por deixar de lado a carreira em Zootecnia, Cláudio Lacerda entrou de corpo e de alma para o time de cantadores das belezas do país, e, no silêncio de seu retiro, procura trabalhar tenazmente para formatar novos projetos, tarefa que põe de lado apenas para atender contratos de shows — por sinal, vários, em centros como a Capital, Presidente Prudente, Taubaté, Araraquara, Franca, Marília, Bauru, Guarulhos e Brasília, passando por lugarejos como a acolhedora Clementina, distante mais de 500 km de São Paulo.

Um destes projetos ainda inéditos, intitulado “Olhos d’Água”, levanta a bandeira em defesa dos rios brasileiros, alguns inspiradores de músicas que se aninharam no inconsciente popular com força de hinos e que no dia a dia servem não apenas de meio de subsistência às populações ribeirinhas, de equilíbrio para o meio-ambiente e os biomas nacionais, mas ainda de vias pelas quais circulam fatos e lendas que constituem a alma dos povos; que em subidas ou descidas das embarcações por suas correntes já trouxeram ou levaram personagens que alegraram ou feriram muitos corações.

É uma forte mensagem de apoio e de preservação à natureza, em síntese, tendo como suporte um elemento que outrora corria mais farto e límpido e servia ao homem sem riscos, que as rodas do progresso pelo progresso ameaçam de extinção. O projeto foi apresentado a uma empresa de comercialização de cosméticos produzidos de forma sustentável, desenvolvidos a partir de plantas encontradas em nossas ricas e variadas espécies de vegetação. “Olhos d’Água” poderá colocar Cláudio Lacerda lado a lado novamente com grandes cantores e compositores, entre os quais Paulo Simões, Paulo Freire, Levi Ramiro, Rodrigo Delage e Luiz Salgado. E prevê, da maneira como está formatado, apresentações em Belo Horizonte, Bonito (MS) e Piracicaba, com um fecho de ouro em Campinas para gravação do material audiovisual. Lacerda conta com uma resposta positiva e o videoclipe inserido em redes sociais já despertou o interesse de organizações como o SESC: um show sobre o tema está garantido para outubro, em Campinas.

Crédito: Adriano Rosa
Um dos projetos de Cláudio Lacerda o uniu aos amigos Rodrigo Zanc, Wilson Teixeira e Luiz Salgado. “Olhos d’Água”, ainda inédito, abordará rios brasileiros (Foto: Adriano Rosa)

As violas e violões de Cláudio Lacerda têm percorrido várias cidades do Interior paulista e fora do Estado de São Paulo, clubes, auditórios de teatros como Cacilda Becker e Crowne Plaza, palcos, estúdios de televisão — para entrevistas com Hebe Camargo e Ana Maria Braga, por exemplo –, e de emissoras de rádio. Além da recente entrevista para Yassir Chediak, Lacerda esteve com Rodrigo Zanc no programa “Dia Dia Rural”, levado ao ar em 13 de junho pelo canal de agronegócios “Terra Viva”, com apresentação de Tavinho Ceschi. Ao vivo, ambos comentaram como surgiu e vêm levando adiante projeto de tributo à Pena Branca e Xavantinho, o qual já completou quatro anos. Os primeiros programas e atividades deste resultaram em gravações no SESC Pompeia com a presença e o consentimento do próprio Pena Branca, que, infelizmente, morreria semanas depois.

Lacerda e Zanc também encantam plateias quando constituem o projeto “4 Cantos”, com o reforço de Luiz Salgado e Wilson Teixeira. Em suas apresentações, todos cantam exclusivamente músicas autorais que vão abrindo as suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, estes caminhos evidenciam talentos prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas vertentes mais expressivas. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações, atados não exatamente por fios condutores, e sim pelos arames utilizados nas cordas das respectivas violas caipiras, sempre bem entrosadas e temperadinhas no capricho, com o cuidado de quem alisa os cabelos da cabrocha, acabou de vir do pomar onde colheu uma fruta de delicada tez e sabor para ofertá-la à plateia.

Por onde o quarteto passa, há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora, escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons; o rol de fãs, amigos e seguidores aumenta. Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais.

Discografia de Cláudio Lacerda

Alma Lavada”, de 2003, “Alma Caipira”, de 2007 e “Cantador”, de 2010 são os discos lançados por Cláudio Lacerda, agraciado por três vezes consecutivas pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, promotor das respectivas edições do Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira (2005, 2010 e 2013).

A discografia e as láureas comprovam que ele traz no peito raízes estreitas com as músicas regional e caipira, elo que se estreitou com a graduação em Zootecnia na cidade de Botucatu, encravada na região onde se localiza um dos berços da cultura caipira paulista. Botucatu é para quem não se recorda ou conhece terra lavrada por Angelino de Oliveira, que lá viveu e constituiu família, legando para a cultura nacional a legendária “Tristeza do Jeca”. Neste solo frutificou outra expressiva voz do universo de raiz, Osni Ribeiro, com quem Lacerda articula tabelinhas perfeitas.

Crédito: Marcelino Lima
Cláudio Lacerda já fez apresentações em cidades como Franca e Ribeirão Preto, além de Brasília, e em teatros como o Crowne Plaza, sempre empunhando a viola e o violão (Marcelino Lima)

Então vai ouvindo, vai ouvindo, pois até os gringos da revista “Rolling Stones” já elogiaram as composições de Cláudio Lacerda. No mesmo diapasão soaram críticas elogiosas de veículos como o “Estado de São Paulo”, “Estado de Minas” e “Correio Brasiliense”, jornais de circulação nacional e de público eclético. Os três álbuns merecem ser ouvidos sem pressa como sugere a dica de Aquiles Riques Reis, músico e vocalista do MPB 4, para o qual se deve “deixar o tempo de lado, ao menos por alguns minutos” na hora de rodá-los na vitrola, curtindo sua voz forte e marcante, o seu macio e virtuoso toque nas cordas.

Por todas estas virtudes, o futuro quarto disco da carreira já nos imerge em curiosidades e expectativas. Cláudio Lacerda informou que já está debruçado em sua feitura e produção, mas prefere guardar comentários e revelações sobre quando o lançará e a temática que gravará, se manterá o perfil caipira, se trará contribuições sobre a preservação do meio-ambiente, ou se ecoará outros gêneros. Lacerda, já sabemos, é antenado no amplo sentido definido por Ezra Pound, e também admira compositores e cantores tais quais Tom Jobim e Rita Lee. Como também não é ruim de cabeça, tem interesses e cultua obras para além do universo regional, transita entre outras vertentes musicais das terras onde tem palmeiras e cantam aves de matizes diversas, do tico-tico que espalha fubá e o sabiá que perfura as laranjeiras ao cuitelinho da beira do porto; bom matuto sabedor que todos somos um tanto quanto macunaímas, pode extrair dos versos de Chico Buarque sotaques do interior, encontrar guardados de Caetano Veloso uma composição nascida à beira de um fogão de lenha cuja letra tenha o condão de nos conduzir às belezas dos grandes sertões e veredas, abrir uma porteira no Mato Grosso, animar uma roda de mate nos pampas.

Então, vai ouvindo, vai ouvindo, siga-nos, caboclo. E seja qual for a novidade que Cláudio Lacerda venha lavrando, uma bandeja bem servida do melhor café coado em pano, com direito a um bom naco de bolo de broa de milho e outras brevidades será posta à mesa, isto topo e aposto em qualquer parada!

Noel Andrade toca e canta faixas de “Charrua” no “Dia Dia Rural”

 

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Noel Andrade, de Patrocínio Paulista, fixou moradia na Capital. No dia 27 de julho, ao lado de Renato Teixeira, ele se apresentará no SESC do Belenzinho

Noel Andrade, violeiro de Patrocínio Paulista (SP) residente na cidade de São Paulo foi o convidado da sexta-feira, 4 de julho, do quadro “Diversão e Arte”, do programa “Dia a Dia Rural”, apresentado por Tavinho Ceschi no canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes. Andrade estava acompanhado por Leandro Brito e, para abrir sua participação ao vivo, tocou com o amigo a instrumental “Magdala”, parceria dele com o matuto moderno Ricardo Vignini. Na sequência, de Rosinha Valença, cantou “Usina de Prata”, faixa que abre o álbum “Charrua”.

05766Ainda da mesma obra, Noel e Brito mostraram no estúdio situado no bairro paulistano do Morumbi o cururu “Ferreirinha na Viola”, terminando a cantoria com “Mãe Lua”, todas do “Charrua”. Um  segundo disco já está sendo produzido para lançamento em breve. Antes de o trabalho ser concluído, no entanto, o público terá a chance de prestigiar as virtudes de Noel Andrade durante o show que fará no dia 27 de julho, a partir das 18h30, ocasião em que receberá Renato Teixeira e o grupo Os Favoritos da Cátira, no SESC Belenzinho (rua Padre Adelino, 1000, a 500 metros do Metrô).

Clique no linque abaixo e assista a apresentação de Noel Andrade e Leandro Brito no “Dia a Dia Rural”

http://tvterraviva.band.uol.com.br/noticia.aspx?n=719981

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Com o amigo Leandro Brito, Noel Andrade apresentou do álbum Charrua “Magdala”, “Usina de Prata”, “Ferreirinha na Viola” e “Mãe Lua” (Fotos: Reproduções do “Dia Dia Rural)

 

 

Noel Andrade encontra Renato Teixeira no Belenzinho

 

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Noel Andrade com Katya Teixeira durante o show em que eram convidados de Luís Perequê, realizado em São Paulo (Fotos de Marcelino Lima)

Divulgação com mais de um mês de antecedência, gente, para ninguém dar bobeira: Noel Andrade vai cantar e tocar no palco do SESC Belenzinho em 27 de julho, a partir das 18h30. O violeiro de Patrocínio Paulista (SP), residente na Capital, na ocasião, receberá o autor de “Romaria” Renato Teixeira.

 

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Capa do álbum do violeiro

Noel Andrade é um dos mais ativos violeiros da atual geração e já lançou o disco independente Charrua”distribuído pelo selo Tratore. O álbum tem participação de Renato Teixeira e do saudoso Dércio Marques, além de composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Luís Perequê, Chico Lobo e Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes. Em junho de 2013, Charrua rendeu ao autor um dos troféus do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, na categoria “CD”.

 

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Renato Teixeira estará com o autor de “Charrua” no Belenzinho

 

Renato Teixeira, filho e banda relembram seus clássicos em Barueri

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Em sua passagem por Barueri, Renato Teixeira apresentou composições consagradas, entre as quais “Romaria” (Fotos de Marcelino Lima)

Texto recuperado do Facebook, de outubro de 2013

O cantor e compositor Renato Teixeira, acompanhado de uma banda que entre outros reunia o filho Chico Teixeira e Natan Marques, esteve em Barueri, cidade da região Oeste da Grande São Paulo na tarde de 27 de outubro, domingo frio e de garoa. Um público dos mais ecléticos prestigiou no Parque Municipal Dom José a apresentação do autor da consagrada “Romaria”, sucesso do começo dos anos 1.980 que projetou Renato Teixeira de vez no cenário nacional, sempre transitando entre a MPB e a música de raiz. Talvez por saber que seria emocionante demais, Teixeira deixou-a para o final do show. Mal começou a tocar os primeiros acordes, assim que a plateia identificou que a canção em homenagem à Padroeira soaria das cordas e na voz do astro, os aplausos irromperam. Ninguém mais ficou sentado.

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Renato Teixeira também contou causos ao público, revezando-os com a cantoria
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A alça do violão de Renato Teixeira tem um trecho da letra de “Tocando em Frente”

O que não faltou na passagem de Renato Teixeira por Barueri, aliás, foram sucessos da carreira deste paulista que as biografias grafam que teria nascido em Santos, mas que no palco revelou ser de Ubatuba. De saída, “Amanheceu, peguei a viola”, abrindo a estrada para “Frete”, duas composições sucessivas com Almir Sater, (“Um violeiro toca” e “Tocando em frente”), “Plantinhas do Mato” e “Você vai gostar/Casinha Branca”. Antes de “Plantinhas do Mato”, Teixeira, batucando em um agogô fez um “ritual” para tirar a “ziquizira” do ambiente e ainda o “limpou” com um galhinho de arruda com o qual mandou tudo o que era ruim embora. Em  “Você vai gostar”, ele mencionou com reverência o autor, Elpídio dos Santos, de São Luís do Paraitinga (SP). “Estas crianças que hoje são netos, quando forem avós, ainda ouvirão falar em Elpídio dos Santos, um homem simples, mas genial, que nos deixou muitas músicas e coisas boas”. Deus te ouça, Renato Teixeira, Deus de ouça!

(Por falar em Elpídio dos Santos, a família do maestro de Paraitinga entregou a Chico Teixeira uma letra inédita, “Saudade danada”. Chico a gravou e a incluiu entre as faixas de seu álbum de estreia, “Mais que o viajante”. E a apresentou em Barueri, na primeira oportunidade em que cantou em parceria com o pai. O momento mais marcante da vinda dos Teixeira a Barueri, entretanto, ocorreu quando ambos cantaram, olhando um ao outro nos olhos, com respeito, admiração e carinho mútuos, a versão que escreveram para Father and Son”, uma das mais belas canções de Cat Stevens. O show foi gratuito, mas apenas por este momento teria já valido o ingresso.)

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Chico Teixeira e o pai Renato cantaram, juntos, um clássico de Cat Stevens, Father Son, cuja versão está gravada no álbum do jovem cantor

Renato Teixeira também fez homenagens a Pena Branca & Xavantinho, com “Cálix Bento” em ritmo de rock rural, e a Paulo Vanzolini, que morreu em São Paulo no dia 28 de abril de 2013, três dias depois de completar 89 anos. Vanzolini é o autor de “Ronda” e de “Volta por cima”, entre outras canções consagradas. Renato e Chico Teixeira ainda relembraram “Cuitelinho”, o outro nome do beija-flor, música do folclore do Pantanal de Mato Grosso que Vanzolini recolheu e que a dupla José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva, como eram chamados Pena Branca e Xavantinho, também eternizaram, acrescentando à letra o verso “eu vou pegar teu retratinho e colocar numa medalha, com um vestidinho branco e um lenço de cambraia, colocar junto do peito, onde o coração trabalha”. Para a despedida, com o público concentrado junto ao palco, Renato Teixeira e banda reservaram “Amizade sincera”, “Cabecinha no ombro” (Paulo Borges) e “Beijinho Doce” (Nhô Pai).

N.A.: Renato Teixeira e banda, realmente, encantaram com o repertório que trouxeram a Barueri. Havia algumas imperfeições no sistema de som, tanto que Renato, gentilmente, por duas vezes, pediu à mesa que as corrigissem; quando Chico Teixeira cantou “Saudade danada” quase não se ouvia a voz dele, pois a música estava alta. O show seguiu e apesar disso atingiu seus objetivos. Mas duro, mesmo, foi ter de aguentar a apresentação começar, depois da passagem das músicas, ouvindo melodramas ditos “sertaneja” e pagodinhos de gostos e letras duvidosos. Pois é, é como diz o ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau…

 

Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/