Barulho d'Água Música

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978 – Rota Lunar (RS) volta às atividades com álbum que rememora sucessos do Musical Vertente

Vertente: o que fica na memória,  disco do momento aqui na redação do Barulho d’água Música, do grupo gaúcho Rota Lunar, é um grato presente que enriquece o acervo do blogue, enviado de Caxias do Sul pelo “correspondente” Valdir Verona. O violeiro — que nas horas de folga, quando não está afinando as cordas dos instrumentos, tem se empenhado em ‘secar’ o Corinthians, posto que é gremista dos quatro costados e não se conformara em vir a terminar a temporada, no máximo, apenas como vice-campeão brasileiro! –, produziu o segundo álbum dos conterrâneos que integram a Rota Lunar: Selestino Oliveira (voz e violão), Vasco Machado (violão, viola, charango e vocais), João Geraldo Silveira (bateria e percussão) e Jonas Reis (baixo, teclado, violão e vocais) –, nova denominação do antigo Musical Vertente, nascido a partir de encontros proporcionados pelos festivais estudantis, em 1978, e que atuou com essa denominação até reestrear, após um período de recesso, em 1994.

Capa do disco gravado em 2016/Grupo Musical Vertente, 1987: Selestino Oliveira, José Carlos e Vasco Machado (em pé), Gioconda Menegazzo, Lauro Biassio e João Geraldo Silveira/Apresentação do Musical Vertente na III Balada da Composição do Estudante Caxiense, em 1976, com Vasco Machado, Selestino Oliveira e José Costa

Produzindo shows e participando de festivais e dos eventos estudantis artísticos, o Musical Vertente, conforme João Geraldo nos conta, chegou a ser considerado o conjunto independente de maior constância da aprazível cidade da serra gaúcha. Durante o estradar,  o grupo já alternou várias formações, conservando em suas fileiras, do time original, Selestino Oliveira, Vasco Machado e João Geraldo Silveira. Sob o financiamento da Lei de Incentivo à Cultura, em 2004, lançou Sobre a Cidade, disco cujas musicas reunem  poemas de escritores de Caxias do Sul e região. Em um dos mais concorridos daqueles citados festivais, o da Balada da Composição do Estudante Caxiense, ao lado das canções de Selestino Oliveira, tocando em dupla com seu irmão Vasconcelos Machado de Oliveira (Vasco Machado), integraram-se cantores e instrumentistas com afinidades sonoras e de pensamento. A quinta edição da Balada, em 1978, especialmente pela premiação máxima para a canção Reza de Viola, pode ser considerada o ponto de partida para o surgimento da banda. E as reuniões informais, para troca de ideias e de conhecimentos musicais entre amigos, logo se transformaram em ensaios, com pretensões artísticas sérias.

O idealismo e a paixão pela música alimentaram o estímulo dos rapazes provenientes das classes trabalhadora e universitária para ir construindo, aos poucos, o sonho de se expressarem culturalmente. Com o impulso dos festivais, o Musical Vertente ingressou numa etapa caracterizada pelo desenvolvimento de trabalhos de maior fôlego, sempre encontrando receptividade e sucesso junto às plateias — seja em Caxias do Sul ou no roteiro por outros importantes pontos do Rio Grande do Sul. Isso aconteceu durante o Roda Moinho, em 1981; Caminhos Novos, em 1982; O que fica na memória, em 1983 ; Xote do Osso, em 1984;  Novelo, em 1985 e 1986; e A Beleza está nos Olhos, em 1988. As composições do Musical Vertente começaram a cair no gosto de amigos e admiradores (sobretudo por jamais se renderem àquelas de rotulação fácil), misturando nativismo, balada, toada, rock, MPB e blues, com levadas essencialmente acústicas. As letras, assinadas por Selestino Oliveira, não permitem concessões e revelam cuidado especial com a mensagem da poesia, tematizando questões que inquietavam uma geração: crítica social e política, discussão ética, sentimentos humanos, preocupação com a ecologia, e cultura regional, marcadas por lirismo refinado como pode ser verificado em Roda moinho, faixa 5 do álbum aqui divulgado:

Como sorrir se vejo o povo/Clamando pão, clamando abrigo/Como ter fé nos grandes homens/Gordos, vestidos, cheios de promessas/E o povo que beba lama/Que coma grama/E durma no chão

E o povo que dê o troco/Que seja louco e solte o cão/Que crave os dentes da viração/Tomem ruas e praças/Todas as raças num coro só/É água que move a pedra/Tritura o grão e tira o pó/Faz a farinha/Move moinhos

É assim, com este jeito próprio, que a agora Rota Lunar apresentava uma visão questionadora ao momento vivenciado. Para quem estiver sentindo saudades ou às novas plateias interessadas, o grupo comunica que está em fase de ensaios e, ainda neste semestre, deverá conforme João Geraldo protagonizar compromissos para lançamento do álbum O que fica na memória — que conta com participações de Rafael de Boni (acordeon), Marcelo Taynara (efeitos vocais), Marco de Ros (guitarra) e André Tamanini (guitarra). Este Barulho d’água Música desde já se coloca à espera da agenda e compromissado fica de “espaiá” a notícia assim que ela for anunciada! Boa sorte nesta empreitada Selestino Oliveira,Vasco Machado, João Geraldo Silveira e Jonas Reis, mas que nosso parceiro Verona possa compreender lá pelos primeiros dias de dezembro vindouro que, no futebol, assim como nos festivais de canções… nem sempre vencem os melhores!

Integrantes do Musical Vertente por ordem de chegada: Selestino Machado de Oliveira/Vasconcelos Machado de Oliveira/José Costa/Airton Martins/Laucir Erlo De Alexandre/José de Oliveira Ramos Neto/Clóvis Moacir Matana Ramos/José Geraldo Chaves Silveira/Lauro Biassio/Gioconda Menegazzo/João Francisco Matana Ramos/Rodrigo Cadorim/Luiz Marchetto/Marcos Roberto Santos da Silva 

Contatos com a Rota Lunar para encomenda de discos, mais informações e contratação de shows e eventos poderão ser feitos por meio dos números de telefone 54 3221-2599 e endereço postal virtual rotalunar@gmail.com


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976 -Festival de Inverno de Garanhuns (PE) homenageia Belchior e terá Geraldo Azevedo, Baby do Brasil e Chico César*

* Com o portal Zimel 

O cantor Belchior será o principal homenageado do 27° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que levará à cidade do Agreste de Pernambuco entre 20 e 29 de julho atrações de vários estados brasileiros com destaque para Baby do Brasil, Fernanda Abreu, Geraldo Azevedo, Lucy Alves, Chico César, Tom Zé, Marina Lima e a banda Mundo Livre S/A, além de representantes locais. A decoração do FIG terá letras do compositor de Apenas um rapaz latino americano e Divina Comédia Humana e Belchior merecerá, ainda, um concerto na Catedral de Santo Antônio com participações de Ednardo, Vanusa, Lira, Cida Moreira, Tulipa Ruiz, Isaar, Fernando Catatau, Juvenil Silva, Renata Arruda e Gabi da Pele Preta na sexta-feira, 21, após os shows da noite. Isadora Melo, Maurício Tizumba, Lui Coimbra e Mona Gadelha estão escalados para abrirem o festival, cuja cerimônia transcorrerá na véspera do concerto, no teatro Luiz Solto Dourado do Centro Cultural Alfredo Leite, situado na estação ferroviária, a partir das 21 horas.

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974 – Cole no Sesc Pompeia (SP) e conheça Rebento, novo álbum instrumental do violeiro Ricardo Vignini!

Um dos violeiros mais atuantes do país, Ricardo Vignini, é o convidado do projeto Plataforma para a apresentação da quinta-feira, 20, no palco do teatro da unidade Pompeia do Sesc de Sampa. A partir das 21 horas, o cantor e compositor lançará o mais novo álbum da carreira solo, Rebento, que reúne 13 músicas instrumentais, das quais 10 de autoria própria. Para o show de lançamento, o violeiro chamará para a roda André Rass (percussão), Ricardo Carneiro (violão e guitarra), Sergio Duarte (gaita), Ari Borger (piano) e Bruno Serroni (violoncelo).

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959 – Expoentes paulistas da viola caipira se encontram no Casarão Cultural de Barão Geraldo (SP)

O Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo reservou quatro datas do comecinho do mês de junho para promover o I Casarão das Violas, apresentações que levarão ao local expoentes paulistas de variadas vertentes do instrumento de dez cordas. A primeira atração também será mais uma rodada do premiado projeto Dandô Circuito de Música Dércio Marques, que neste ano atravessa a quinta temporada. Em 8 de junho, o anfitrião João Arruda receberá Rodrigo Zanc, cantador de Araraquara residente na vizinha São Carlos. No dia seguinte, 9, o contador de causos radicado em Campinas Paulo Freire levará ao público o show O Violeiro descoberto. Para o sábado, 10, está escalado o grupo sul-mineiro Vento Viola que, na bagagem, trará para lançamento o segundo álbum da trajetória, Em Nome do Vento. Nestes três dias, as apresentações começarão às 20 horas. Já no domingo, 11, o grupo Catira de São Gonçalo abrirá os trabalhos às 18 horas. Uma hora depois, Levi Ramiro e Jackson Ricarte, de Pirajuí e São José dos Campos, vão se revezar ao microfone para encerramento do projeto.

O Centro Cultural Casarão está localizado na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número, na altura do KM 15 da Estrada da Rhodia (sentido Paulínia). Não há cobrança de entrada e a colaboração para o “chapéu” que ajuda a manter as atividades do Casarão, passado sempre ao final dos espetáculos, é espontânea.

Sobre as atrações

Rodrigo Zanc além de tocar gosta de pesquisar a viola brasileira e suas influências, há mais de 20 anos vem lutando incansavelmente e sem concessões pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. Em nome desta bandeira, já participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007. Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Pelo segundo ano no Dandô, Rodrigo Zanc também está à frente do projeto Viola para Dominguinhos (que retomará no segundo semestre) e integra o projeto 4 Cantos,  que ele e Cláudio Lacerda (Botucatu/SP) mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda, natural de Campinas (SP), possui destacado talento para tocar violas e instrumentos de percussão. Declara-se trovador apaixonado pela cultura e tradições populares e vem ganhando elogios como artista comprometido com a valorização e a criação de temas e canções da cultura popular brasileira e da América Latina. Além de músico, é produtor fonográfico. Sua obra pode ser encontrada em mais de 15 álbuns nos quais aparece como artista, convidado ou produtor. É constantemente requisitados para festivais, programas de rádio e emissoras de televisão e assina diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários e filmes. A trajetória musical inclui turnês por Brasil e exterior; com o grupo de Pífanos Flautins Matuá integrou o projeto Samarro’s Brazil realizando concertos na França e na Itália; já percorreu Argentina, Bélgica, Inglaterra e o País Basco com seu concerto Entre Violas e Couros. É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007 lançou Celebrasonhos. Seu mais recente disco solo é Venta Moinho (2013), mas já está preparando o terceiro “filho”, Entre Violas e Couros, apenas com canções autorais gravadas ao vivo.

Paulo Freire é de São Paulo, mas fixou-se em Campinas. A surpreendente e inesgotável capacidade de contar causos, bem como o modo peculiar de tocar viola (este blogue já testemunhou ocasiões em que, inclusive, colocou-a com o tampo inferior voltado para o público, tocando as cordas, portanto, com os dedos invertidos, ou de costas) são resultantes de sua incursão ao sertão de Urucuia, região situada no noroeste de Minas Gerais, onde teve contato com valores da tradição rural e bebeu nas fontes onde Guimarães Rosa ambientou o consagrado romance Grande Sertão: Veredas. Além de músico com viagens a vários centros da Europa carimbadas no passaporte, é escritor e entre outros já dividiu trabalhos com Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Luiz Tatit, Isa Taube, Cida Moreira e Ivan Vilela.

O  grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, reúne Clayton Roma César DameireLúcio Lorena e Aidê Fernandes. Em nome do Vento chegou em dezembro de 2016 e sucede Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro).”

Nascido do encontro de violeiros, catireiros e foliões de reis durante encontro casual no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular de Campinas, o grupo Catira de São Gonçalo completou o primeiro aniversário em 21 de maio.

Levi Ramiro brotou em Uru, situada na mesorregião de Bauru, e atualmente reside e em Pirajuí. Neste recanto, quando não está percorrendo a estrada ou pescando (hábito que por anos manteve em companhia do inseparável cão Pitoco, que recentemente partiu antes do combinado) também desempenha o ofício de luthier. Violeiros como Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG) e João Arruda (Campinas/SP) tocam instrumentos feitos por Levi Ramiro, mas ele começou a carreira, inicialmente, dedicando-se ao violão popular. Somente na década dos anos 1990 quedou-se pela viola caipira. Passou, então, a absorver e a trazer em suas dez cordas todo o universo cultural que forma suas raízes. Com base em valores da cultura caipira e misturando elementos que formam a música brasileira, Levi Ramiro compõe poeticamente a simplicidade da vida interiorana e já gravou nove álbuns, o mais recente intitulado Purunga.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade de Senador Pompeu (CE) para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e o xará Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade. O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão. Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral. Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde teve contato com rico acervo musical e dedicou-se a pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional. Neste ano lançou o primeiro álbum, Estrada Afora

Sobre o Circuito Dandô

Ao idealizar o Dandô Circuito de Música Dércio Marquesa cantora, compositora e pesquisadora paulistana de cultura popular Katya Teixeira pretendia fomentar a circulação de música de qualidade inquestionável por todo o Brasil, reunindo artistas de várias regiões, e, assim, além de criar intercâmbios, gerar novas plateias. Quem já se apresentou possui trabalhos reconhecidos e merece melhor projeção no panorama nacional, o que proporcionaria às pessoas acesso a outras linguagens e propostas produzidas fora da “grande mídia”.  Um artista sai de cada cidade e passa por todos os pontos do circuito, girando a roda de forma contínua. Cada edição conta sempre com uma atração do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente noventa minutos. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

O público de várias cidades de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás, de Pernambuco e do Distrito Federal já prestigiou shows da caravana, que neste ano chegará a Portugal, Argentina, Chile e Uruguai.

O objetivo de Katya Teixeira é, ainda, tornar popular o nome de Dércio Marques e seu inestimável legado não apenas para a música, mas para toda a cultura brasileira. Mineiro de Uberaba, Dércio Marques morreu em julho de 2012, em Salvador (BA), deixando como maior legado uma grande escola que transcende a composição musical e poética e propõe, ainda, uma postura mais íntegra e solidária de viver, voltada tanto para a preservação da natureza, quanto para o aprimoramento espiritual de cada indivíduo, sem deixar de lado o engajamento político e social. 

O Dandô recebeu em dezembro de 2014 o Prêmio Brasil Criativo na categoria Artes de Espetáculo/Música, no Auditório Ibirapuera (SP). Promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Hub e pela 3M, o Brasil Criativo contemplou 22 projetos  perante um público de mais de 800 pessoas. 


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954 – Sol Bueno é atração do Cine Teatro Brasil para lançamento do álbum autoral Poeira Dançante

A cantora e compositora Sol Bueno (Pitangui/MG) trará a público em 30 de maio o recém-gravado Poeira Dançante durante apresentação programada para o  Cine Theatro Brasil Vallourec, situado em Belo Horizonte (MG). Sol Bueno ocupará o palco a partir das 21 horas para retratar de forma apurada em 13 músicas deste primeiro trabalho autoral sutilezas e memórias do universo da cultura popular, vivências, sentimentos e um olhar acurado dela para a terra; simultaneamente, a plateia experimentará um poético passeio ao Cerrado, à Bacia do São Francisco, a muitos cenários do Sertão Roseano  e às sonoridades marcantes que ocorrem nestas paisagens. Vinda de uma família de músicos e cantadores populares, Sol Bueno resgata com voz suave a força dos ancestrais e ilustra os múltiplos retratos interiores dos Brasis que Minas Gerais carrega. O show de lançamento contará com Gladson Braga (percussão), Letícia Leal (violas), Ricardo Rodrigues (violões) e Rodrigo Salvador (rabecas), mais as participações especiais de Sérgio Pererê, Meninas de Sinhá, Tambores de Luta, Erick Castanho, Marcelo Taynara, Ana F. e Lud Benquerer.

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944 – Medo: Belchior morreu. O que será de nós?*

A morte de Belchior ocorrida ontem, 29 de abril, em Santa Cruz do Sul (RS) , pegou-nos todos de surpresa! Escrevemos todos porque nos últimos dez anos não havia uma só pessoa a qual ouvimos, ama música popular brasileira e o conhecera que não rezava, não torcia, não via a hora de o compositor e cantor dos mais poéticos, criativos e contestadores do país voltar a dar o ar da graça, retornado aos palcos dos quais misteriosamente e polemicamente desapareceu. Semana passada se fora Jerry Adriani, no ano passado Naná Vasconcelos, Papete; há alguns anos entre tantos outros Dércio Marques, Jair Rodrigues, Renato Russo, Cássia Eller, Cazuza — gente que quando morre deixa um buraco enorme, sobretudo para os mais jovens, que perdem importantes referências de caráter e talento. Sobre a passagem do cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes a mídia se encarregará de encher páginas e mais páginas, apresentar programas especiais, entre outras abordagens. Nós, do Barulho d’água Música, consternados, vamos registrá-la (e homenageá-lo) com uma pequena crônica que dialoga com alguns dos maiores sucessos do autor de Apenas um rapaz latino americano, Coração Selvagem, Paralelas e Divina Comédia Humana! A benção, Belchior! 

Pois é, meu caro rapaz latino americano: você profetizou que talvez morreria jovem e antes do combinado encontrou a curva do seu caminho! Você foi divino, maravilhoso; brasileiramente lindo, esforçou-se muito para nos ensinar todos a rejuvenescer, deixando de lado o vil metal. Mas como a morte não sai do nosso caminho, mais um sinal está fechado para nós que, apesar de ainda sermos como nossos pais, ainda somos sonhadores e insistimos em cantar enquanto houver espaço, corpo. Estamos com a carne e os corações cortados a palo seco — quer sejamos pretos, velhos, estudantes, pessoas cinzas –, mais angustiados do que o sujeito do escritório que quanto mais multiplica, mais diminui o seu amor! Se agora vai ser ainda mais duro suportar a alucinação do dia a dia, que ao menos a terra lhe seja leve! E que o Cara do Corcovado abra os braços para te receber, com seu blusão de couro e a camisa toda manchada com o batom dos nossos saudosos abraços! Ficaremos por aqui com nossos medos, seja em Fortaleza, em Goiânia, Goiás, no Piauí, com um monte de fantasmas  — que, parece, resolveram deixar os porões –, quase já perdidos, sem uma mísera placa torta que nos aponte de que lado ainda nasce o sol…

Marcelino Lima e Andréia Beillo

* Clique no linque e acesse a atualização 846 do Barulho d’água Música, de 6 de abril de 2016, sobre os 40 anos de um dos álbuns mais famosos de Belchior, Alucinação.

https://barulhodeagua.com/2016/04/06/846-alucinacao-album-que-fez-de-belchior-mais-do-que-apenas-um-rapaz-latino-americano-completa-40-anos/


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939 – Gaúchos Valdir Verona e Juarez Machado de Farias celebram parceria com “O violeiro e o poeta”

Parceiros de estrada já há longa data, Valdir Verona (Caxias do Sul/RS) e Juarez Machado de Farias (Piratini/RS) levaram à amizade ao estúdio e brindaram amigos e fãs com O Violeiro e o Poeta, álbum independente que traz no repertório poemas de Juarez Machado musicados por Valdir Verona e as canções inéditas A Bomba da Paz, Luas e LançasTapera. O disco já faz parte do acervo do Barulho d’água Música e também recorda a criação mais conhecida da dupla, Avisooriginalmente gravada como faixa de Tons da Terra – Acit (2000), mais a Toada de Reis Um Outro Natal, selecionada para a Tafona da Canção Nativa de Osório (RS), em 2016. Completam a obra Estradas e Tardes, O Andarilho e a Estrada e Parem as Rodas dos Carros (poesias escritas e recitadas por Machado, com trilha musical de Verona) e os temas instrumentais Zamba del Violero OlvidadizoMilonga Pra Don Coletti, em homenagem póstuma à Eugênio Coletti; e Catavento, adaptada para viola de nove cordas, originalmente composta para violão e também integrante do Tons da Terra-2000.

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