Barulho d'Água Música

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998 – Roberto Seresteiro é a próxima atração do Projeto Retratos do Brasil-Prosa e Música, na BMA (SP)

Serestas e Serenatas Brasileiras será o tema da edição de setembro do Projeto Retratos do Brasil – Prosa e Música, marcada para a quinta-feira, 21, quando o curador Jair Marcatti receberá o músico e pesquisador Roberto Seresteiro para um bate-papo com entrada franca, à partir das 19 horas, no palco da Biblioteca Mário de Andrade (BMA). Roberto Saglietti Mahn, nome de batismo do convidado de Marcatti, é jornalista, cantor, professor e ministra palestras sobre a História da Música Popular Brasileira, trabalhando desde 2010 em cursos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Unisant’anna, Anhembi Morumbi e em algumas unidades do Sesc. Seresteiro estará acompanhado do violonista Júnior Pitta.

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875 – Bamba de São Paulo para quem Nelson Sargento tira o chapéu, Tuco Pellegrino lança “Na contramão do progresso”

Na contramão do progresso, mais do que sugestivo nome para um disco que é doce de abóbora com coco, bota ordem em certa bagunça que anda a enjoar mais que sacolejo de bonde conduzido por motorneiro ruim da cabeça ou doente do pé quando o assunto é samba. Segundo disco do paulistano da Casa Verde Tuco Pellegrino (Fernando Pellegrino Rodrigues), ainda em fase de lançamento e que recebeu recursos do ProacSP, as faixas gravadas com ou referendadas por expoentes da Velha Guarda da Portela como Monarco nos transportam ao seio dos antigos barracões, colocando-nos em fileiras de blocos como aqueles nos quais desfilavam tios e avós de escolas ou cordões pioneiros, convida-nos para que tomemos parte e comunguemos em animada roda cuja excelência e maestria dos timoneiros remonta à poesia dos morros ou dos quintais. E com humildade que jamais desafina, não atira pedras em nossos pobres ouvidos, ao passo que reverencia bambas de todos os tempos como Paulo Benjamim de Oliveira, Ismael Silva, Cartola, Mano Edgar, Wilson Baptista e Nelson Sargento, honrando e sem cuspir no prato em que comem estes nomes que são patrimônios não apenas do Brasil.

Os arranjos, afinações e harmonias desta raridade que une vários instrumentos costuram composições próprias de Tuco Pellegrino e parceiros tais como Janderson Santos, Daniel Pato Rouco, Daniel Capu, Paulo Mathias, Waldir 59, acompanhados por amigos e expoentes como Roberto Seresteiro e um coro com destaque para Francineth — do famoso As gatas, grupo vocal que se tornou referência em gravações dos mais diversos artistas nacionais e até internacionais, incluindo de hip-hop, e que participou de todos os álbuns de samba-enredo lançados entre 1967 e 2003. Pellegrino teve a moral de produzir um disco sorrindo, para gargalhar e ao mesmo tempo acalmar o coração, tão bem levado que até o quarteto Leopoldo Rogério, Pablo Neruda, Abigail Regina e Maria Júlia já balança pelo chatô da Lageado em um ziriguidum diferente, alheios ao bem-te-vi que teimosamente há tempos adquiriu o hábito de, sem noção, posar ao alcance de um salto deles. Mas vai que o pássaro, agora, mais do que distraído, esteja apenas atraído por tanta beleza que anda ouvindo ecoar pela casa? ainda mais que o primoroso quadro se completa com  canção na qual o autor e o mano Lo Ré se inspiraram justamente… em um bem-te-vi! “Este me representa”, deve pensar o amigo emplumado mesmo correndo o risco de vira almoço!

Na contramão do progresso, enfim, valoriza uma receita de fazer samba cuja página, se ainda não foi arrancada do antigo caderno, vem amarelando limada pela mídia e pela indústria do entretenimento, que optam por muito choro sem vontade e por nos servir quentinhas mal cozidas, requentadas, cujas misturas são dramas ou tolices. E prova que o gênero mesmo sem necessariamente pertencer a este ou aquele reduto tem gema, seja produzido na carioca Praça Onze (RJ) ou na Praça Mauá, em Santos (SP); mesmo que não tenha cor, samba precisa ter raça e alma que arrepie nossa tez miscigenada, comprometimento com nosso sincretismo; deve guardar nossas ricas histórias dos morros e favelas, a  malandragem e a boemia à medida em que resgata tempos felizes e lembranças, além de, claro, proporcionar novos rasgos de alegria.

nelson sargento arte

Passo a palavra ao ilustre Nelson Sargento, que versa assim na apresentação deste novo trabalho de Tuco Pellegrino, entrevistado pelo saudoso Fernando Faro para o Ensaio de 20 de julho de 2014 quando ainda sentíamos no couro e na auto-estima a humilhação de termos virado tamborim nas mão dos alemães “cintura-duras”:

Existem compositores que interpretam as suas composições com respeito, amor, dignidade e sabedoria. O Tuco  é um compositor com todas estas qualidades que podemos conferir neste disco intitulado Na contramão do progresso.

O disco, que começa com Ordem na bagunça música em homenagem ao bloco “Pega o lenço e vai”, de Mauá/SP, conta também com uma faixa em parceria com Monarco e participação da Velha Guarda da Portela. Temos ainda uma homenagem a dois bambas: o primeiro, Paulo Benjamin, o fabuloso Paulo da Portela; o segundo, Mano Edgar, bamba do Estácio. Na faixa 7, uma ode primorosa ao violão amigo do sambista, das serestas e dos apaixonados. 

Tenho orgulho de ter uma música de parceria com mestre Tuco, com quem já dividi o palco várias vezes. Também tenho a felicidade de ter um samba de minha autoria em parceria como o finado compositor Marreta gravado por Tuco em seu primeiro disco, Peso é Peso.

 Para o jornalista e pesquisador Téo Souto Maior

Desde o lançamento do disco Peso é Peso que Tuco Pellegrino vem se consolidando como grande cantor de samba de sua geração. Isso se dá não só pelo timbre de sua voz, afinações e demais questões técnicas que envolvem seu ofício, mas também  pelas escolhas que tem feito em sua trajetória na hora de selecionar o repertório e seus parceiros musicais. 

Com na contramão do progresso Tuco abre o baú de seus sambas autorais e se revela um compositor perspicaz que na companhia de grandes amigos tem produzido sambas novos como há muito não se ouve, sem deixar de exaltar em suas letras antigos mestres como Paulo da Portela, Mano Edgar, Bide e Wilson Baptista.  E que fique claro: reverenciar os sambistas do passado não significa que o disco tem a nostalgia como fator principal. Trata-se de um disco extremamente moderno e a contradição está no fato de a novidade estar baseada justamente no trabalho dos músicos que conseguiram trazer à luz os modos de batucar coroados lá atrás, pelos pioneiros desta arte, e que foram deixados de lado pelas gerações seguintes de instrumentistas.

 

Ao ouvir o disco de cabo a rabo, na ordem das faixas, é possível notar que mesmo tendo uma variação no arranjos no decorrer dos sambas há uma unidade melódica impressionante do começo ao fim. Impossível não se surpreender com os tamborins estacianos, a levada do violão de ataque, os metais apurados, as palhetadas do cavaquinho, a cuíca e os pandeiros, na mais legítima levada portelense. Aliás, como não poderia deixar de ser, a Portela está muito presente no registro que traz como um dos destaques a parceria de Tuco com o Mestre Monarco em Madalena, gravada com a participação da Velha Guarda da Portela. Outro compositor com sangue azul e branco presente no disco é o Seu Waldir 59, parceiro de Tuco em Volta, que canta na gravação com desenvoltura no alto dos seus 88 anos de idade.

 A voz divinal de Francineth em Antigo barracão e Pássaro sem ninho, o cantar elegante do grande Daniel Pato Rouco em Mano Paulo e a suavidade vocal de Roberto Seresteiro em Tens que cumprir com  a palavra completam o time de convidados especiais.

Ao iniciar o disco com Bota ordem na Bagunça e fechar com excepcional Pobre Bem Te Vi, Tuco presta bela homenagem ao bloco Pega o Lenço e Vai, de Mauá-SP, que de forma única e orgânica tem reverenciado as velhas escolas e seus expoentes do passado, com sambas novos todos os anos, antes do Carnaval. 

Todos estes aspectos, somados à harmonia impecável, com doses de sujeira e amadorismo no coro e na batucada, fazem com que Tuco cristalize de forma responsável sua posição como voz de um movimento de exaltação ao samba de terreiro que se espalha pelo Brasil, criando uma verdadeira corrente na contramão do progresso, correndo pelo certo, pelo samba verdadeiro.

 Tuco Pellegrino toca e canta religiosamente às quartas-feiras, a partir das 22 horas, no Bar do Samba, casa que oferece programação especial com foco no samba em ambiente inspirado nos botecos mais tradicionais. A decoração inclui dezenas de fotos de sambistas emolduradas e um painel de 16 metros de comprimento com caricaturas de cantores como Noel Rosa, Pixinguinha e Cartola. O endereço é rua Fidalga, 308, Pinheiros, São Paulo. Para mais informações há o número de telefone 11 3819-4619.

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Concepção geral: Tuco Pellegrino
Direção Musical: João Camarero
Técnico de gravação: Lindenberg
Gravação: Estúdio 185/SP
(Exceto Coro Feminino, da Velha Guarda da Portela e voz de Monarco na faixa Madalena, Estúdio do Gavião/RJ)
Mixagem: Beto Mendonça e Pedro Romão
Masterização: Homero Lolito
Coordenador de Projeto: Douglas Couto
Gerência de produto: Pedro Paulo “Pepê”
Produção Executiva: Noeli Pellegrino
Produtor Fonográfico: Pedro Romão
Projeto Gráfico: Daniel Capu
Fotografia: Vinícius Terror, exceto imagens do Bloco Pega o Lenço e Vai, de Jana Inocêncio; da Bandeira do Bloco de Osmar Dias; da MG, da Portela na faixa Madalena de Thiago Belisario; da contra-capa de Daniel Capu; da capa do encarte de cartão postal da coleção Werner Vana, de São Paulo/SP.


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802 – Maria Alcina e Roberto Seresteiro são atrações da folia no Sesc de São Caetano do Sul (SP)

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Maria Alcina: em mais de quarenta anos de carreira a irreverência sempre foi a marca principal da cantora que interpreta gênios como Luiz Gonzaga e Pixinguinha e que no Sesc cantará Carmem Miranda (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Para quem mora em Sampa e região metropolitana e está a fim de folia, mas não gasta paciência incrustado em uma poltrona assistindo aos desfiles de escolas de samba, nem alimenta disposição para encarar a muvuca do Anhembi ou de um bloco de rua, o Barulho d’água Música tem duas dicas relacionadas a conteúdos de Carnaval, ambas a serem promovidas pelo Sesc São Caetano, situado em São Caetano do Sul. A primeira, já na sexta-feira, 5, é curtir Maria Alcina interpretando sucessos consagrados por Carmem Miranda, a partir das 20 horas, na área de convivência, com entrada entre R$ 5 e R$ 17. No mesmo espaço, mas no dia seguinte, e mais cedo, a partir das 15 horas, estará Roberto Seresteiro relembrando marchinhas e músicas tradicionais que marcaram época na festa mais popular do Brasil. De graça!

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