1448 – Mestre Luiz da Paixão (PE) completa 60 anos de carreira e com Forró de Rabeca, álbum lançado pelo selo Sesc

#MPB #Manguebeat #Rabeca #CocodeRoda #Samba #Ciranda #Forró #Cavalo-Marinho #MusicaInstrumental #RevistaSesc #Pernambuco

*Com Revista E do Sesc de São Paulo, edição número 298, de 30/07/2021

Álbum com participações de Siba e Renata Rosa traz em 14 faixas sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos do instrumentista virtuoso e inventivo

O Selo Sesc lançou em junho Forró de Rabeca, segundo álbum do rabequeiro pernambucano Mestre Luiz Paixão, com 14 faixas que poderão ser ouvidas na íntegra pelo linque disponível ao final desta atualização e com o qual abrimos mais uma sessão de audições matinais neste sábado, 2 de outubro, aqui na redação do Barulho d’água Música, em São Roque (SP). Aos 72 anos de idade, Paixão está completando 60 anos de carreira como habitante e símbolo da arte da rabeca do município de Condado (PE), berço de vários mestres e mestras, localizado nas belezas da Mata Norte, a 60 quilômetros da capital pernambucana, a cidade do Recife. No disco também disponível nas plataformas virtuais, o mestre brinda os ouvidos mais afeitos à música de qualidade com uma seleta de sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos tradicionais, escolhidos a dedo, mesclados à composições de autoria do próprio instrumentista, além de parcerias com aprendizes que contribuíram para o reconhecimento de sua musicalidade para além dos limites de seu estado, como Renata Rosa, Siba e João Selva.

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1445- Conheça Felipe Radicetti (RJ), premiado cantor e compositor autor de declaração de amor aos latinos e homenagem a Eduardo Galeano em America

MPB #MúsicaLatinoAmericana #AméricaDoSul #Uruguai #Peru  #CulturaPopular

Neste trabalho, a canção cumpre um papel ora teatral, emprestando dinâmica a diálogos, construindo imagens, ora atuando como crônica do cotidiano; letras e músicas evocam o processo civilizatório sofrido pela colonização e as lutas por libertação; a história recente desses países ainda convalescentes de cruéis ditaduras militares

As tradicionais audições matinais que promovemos aos sábados aqui em São Roque, Interior de São Paulo, onde fica o Solar do Barulho e a redação do Barulho d’água Música, começaram neste dia 25 de setembro com America (assim mesmo, grafado sem o acento), do cantor e compositor carioca Felipe Radicetti, atualmente residente em Francisco Beltrão (PR). Lançado em 2015, America, 13º álbum autoral de Radicetti, é dedicado ao escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano e uma declaração de amor à América do Sul e ao seu povo. O ciclo de 13 canções, das quais 11 inéditas no ato da gravação, busca traduzir em poesia e música os laços identitários que nos unem como latino-americanos, num processo de reconhecimento mútuo entre assemelhados na luta e na construção da cidadania sempre em curso na América Latina.

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1437 -Wolf Borges (MG), cantor e compositor, lança oitavo álbum e comemora 40 anos de carreira

#MPB #PoçosdeCaldas #MinasGerais #MúsicaIndependente #CulturaPopular

Wolf Borges, por Simone Guimarães

­O cantor e compositor Wolf Borges (MG) reuniu um time de respeitados músicos para gravar o oitavo álbum de sua carreira, em comemoração aos 40 anos de estrada: Canto Para Manter Viva a Nossa Arte. O título não poderia ser mais sugestivo diante não apenas da pandemia de Covid-19,  flagelo que tomou conta do mundo e vem causando dor, desespero, empobrecimento crônico, o aumento de mazelas sociais e mortes mundo afora, mas também face à destruição gradativa da cultura e da arte que vem sendo posta em prática como política pelo governo de Jair Bolsonaro. O disco de Borges, com 12 faixas, enviado de Poços de Caldas (MG) pelo autor ao Barulho d’água Música, abriu as audições matinais deste sábado, 11/9, aqui no Solar do Barulho, onde está a redação do blogue, em São Roque, interior de São Paulo.

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1433 – Cantor, compositor, violeiro ativista de causas ambientais e humanistas: Josino Medina (MG) é sertanejo plural com alma de vaqueiro roseano

#MPB #MúsicaBrasileira #MinasGerais #LiteraturaBrasileira #ViolaCaipira #ViolaBrasileira #ViolaCaipira #Araçuari #CarlosChagas #GuimarãesRosa #Sertão #Aboio #Coco #ValedoMucuri

O disco Quadras do Sertão – A história do vaqueiro Sebastião Eugênio foi recentemente enviado à redação do Barulho d’água Música, aqui em São Roque, Interior paulista, pelo seu autor, o mineiro nascido em Carlos Chagas Josino Medina. O álbum constitui um trabalho essencial à memória cultural brasileira para dele se dizer o mínimo. Lançado em 2016 após uma bem-sucedida vaquinha virtual, com pesquisa, adaptação e gravação do próprio Medina — que toca viola caipira nas 16 “faixas”, apresentadas como “Cenas” –, Quadras do Sertão… reúnem quadrinhas recolhidas da obra de João Guimarães Rosa e parte de vaqueiros dos vales do Rio São Francisco como Manoel Ferreira, Seo Erotides (da Vila dos Gaúchos, Grande Sertão Veredas) e Manoelzão, na região do município de São Francisco (MG), e por Valdomiro Francisco Medina, pai do Josino. Aboios, contradanças, ABC e coco voltado compõem o repertório cantado entre narrativas, tudo masterizado no Estúdio Lira por Bilora e gravado por Gustavo Guimarães, dois dos mais proeminentes violeiros e produtores culturais conterrâneos de Medina. Guimarães também assina o encarte, ilustrado por desenhos de Clarissa Magalhães.

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1432 – Paulo Sérgio Santos lança pela Kuarup terceiro trabalho solo ao comemorar 45 anos de carreira

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Peguei a reta passeia por canções próprias, do filho e clássicos de Ernesto Nazareth, Radamés Gnattali, Severino Araújo, Aldir Blanc, K-Ximbinho, Sivuca, Pixinguinha e Abel Ferreira, entre outros

A escrita musical tradicional foi uma das grandes invenções da humanidade. Se não houvesse a escrita musical, como aprenderíamos uma ópera de Wagner com quatro atos e quatro horas ou mais de duração? Mas se alguém acha que vai interpretar algo baseado apenas na habilidade de ler música e utilizá-la de uma forma absolutamente racional, vai se deparar com um grande equívoco. Tocar as notas de uma forma precisa e correta, matemático Newtoniana falando, pode não retratar a obra original em termos de estilo e suingue.

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1424 – Zé Paulo Medeiros (MG/SP) prepara LARAS, álbum com faixas já disponíveis nas plataformas digitais

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*Com dados informados pelo artista, por Denil Nogueira, extraídos do blogue Em Canto Sagrado da Terra e do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira

As tradicionais audições aos sábados pela manhã aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música em São Roque (SP), começaram neste dia 14 de agosto com LARAS, título do álbum que está sendo preparado pelo cantor e compositor mineiro Zé Paulo Medeiros. O disco, em cujo título o autor presta homenagem às netas Clara e Lara, terá ao todo 10 faixas, 6 das quais já estão disponíveis em seu canal do Youtube, plataformas digitais e também podem ser ouvidas durante a programação da Rádio Sudeste FM, pilotada por Denil Nogueira, emissora que fica 24 horas no ar via satélite com acessos pelo site e aplicativos gratuitos. Em LARAS, Zé Paulo Medeiros celebra novas parcerias que incluem o produtor e maestro goiano Eliel Carvalho e o radialista Nogueira, ambos respectivamente compositores de Esqueci de te esquecer e Terapia Rural. Carvalho ainda responde pelos arranjos, violões e ukulelê. Outra parceria terá Sergio Turcão, da dupla Jica y Turcão, e uma das faixas na voz de Zé Paulo será Estradeiro, por enquanto gravada apenas por Cláudio Lacerda em seu álbum Cantador

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1414 – Ouça SerTão Andante, quarto disco de Aldy Carvalho (PE), e viaje ao NE com xote, baião, coco, xaxado, galope e martelo

#MúsicaBrasileira #MúsicadoNordeste #CulturaPopular #PetrolinaPE #Petrolina #Xote # #Baião #Coco #Xaxado #Galope #Martelo #Balada #Cordel #LiteraturadeCordel

Álbum de 2018 traz 12 faixas, entre as quais duas instrumentais, e é o quarto da trajetória do cantador, compositor e cordelista que aprendeu ainda na infância a valorizar as raízes artísticas da família pernambucana

A música de Aldy é diferente do chamado forró — quase sempre vulgar e barulhento demais. Seu canto é sereno, sua voz é limpa, bonita, melodiosa, agradável”.

Dirceu Soares, Jornal da Tarde

selo papo retoO álbum SerTão Andante, do cantador, compositor, escritor e poeta Aldy Carvalho, foi o escolhido para abrirmos neste dia 17 já do mês de julho as tradicionais audições dos sábados pela manhã aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música, em São Roque, cidade do Interior paulista. SerTão Andante é de 2018 e traz 12 faixas nas quais o pernambucano de Petrolina mapeia o universo afetivo e a natureza que traduzem as belezas de um sertão real e imensurável, universo onde nasceu e do qual, mesmo vivendo desde os anos 1980 na cidade de São Paulo, não se distanciou, pois jamais deixou o frenético ritmo e os hábitos cosmopolitas matarem suas raízes nordestinas. A sensibilidade e a resiliência de Aldy Carvalho vêm da infância, período no qual começou a se maravilhar com as cantorias e a poética cordelista, ensinadas pelo saudoso pai, João Joaquim de Carvalho.

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1412 – Festival Malungo, da Pôr do Som, prossegue com mais quatro atrações até 12 de julho*

#MúsicaAfro #CulturaPopular

*Com Eliane Verbena, Verbena Comunicações

Entre amanhã, 9, e segunda-feira, 12 de julho, terá prosseguimento o Festival Malungo, que apresenta desde o dia 5 pelos canais virtuais da  Produtora, Gravadora e Selo Pôr do Som, sempre começando às 21 horas e com acesso gratuito, atrações que reverenciam a diversidade da música popular brasileira, feita por artistas que ressaltam nossa matriz africana em estilos como samba, jongo, capoeira, samba de roda, samba-rock, choro, afro, batuque de umbigada, samba de bumbo e partido-alto. Já passaram pelo palco Adriana Moreira (samba raiz), Henrique Araújo (choro), A Quatro Vozes (música popular) e Zé Eduardo (soul e MPB) e, agora, chegou a vez do Grupo Paranapanema (samba raiz, jongo e batuques); Luana Bayô (vissungos, jongo e samba raiz); Mestre Plinio & Angoleiro Sim Sinhô (capoeira); e Fanta Konatê (música africana). Todos os espetáculos foram gravados em vídeo no Estúdio 185 Apodi, situado em São Paulo (alô, Beto Mendonça!), com rigorosa obediência aos protocolos sanitários para evitar novos contágios pelo coronavírus (Covid-19) .

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1409 – Mestiça, múltipla: Helena Badari (SP) chega sem medo, avisa que merece mais e reivindica com Orí Gem sua afirmação*

#MPB #CulturaPopular 

*Com Osni Dias

Em parceria com Luiz Waack, este é um disco para abrir olhos: celebra novos compositores e revela um repertório diversificado e renovador, com participações de Zélia Duncan e Zeca Baleiro

As tradicionais audições que promovemos aos sábados pela manhã aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), começaram neste dia 3 com Orí Gem, primeiro álbum de Helena Badari, cantora, compositora e violonista natural de Joanópolis (SP). Distribuída pela Tratore, com 12 faixas, Orí Gem chegou ontem, 2, às plataformas digitais de todo o país e revela a parceria entre Helena e o músico e produtor musical Luiz Waack, um dos integrantes da superbanda de Edvaldo Santana (ave, Lobo Solitário!).

Este ótimo trabalho em dupla, produzido em Piracaia (SP), resultou em um repertório diversificado e renovador que permitiu a Helena desenvolver como quem emite uma opinião ativa toda sua versatilidade de intérprete e compositora de linha de frente, que, para ficar em uma expressão popular comumente mal empregada, mas que resumirá seus múltiplos dons, verte o (santo) balacobaco dos capazes de nos provocar arrepios; como diz seus versos, Helena Badari é flecha certeira que leva na ponta chama para emocionar, surpreender, conquistar almas, corações e mentes e se afirmar no concorrido universo da MPB vamos combinar, sem tentar mudar de assunto: nem sempre generoso com talentos como o dela e que prefere badalar quem vende antigases e telefones, por mais que ser garota propaganda que canta também possa ser legítimo neste mercado.

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1400 – Tavinho Limma (PE/SP) mergulha na obra de Fagner e lança homenagem em treze faixas ao cearense

#MPB #MúsicaBrasileira #Fagner #RaimundoFagner #CulturaPopular #MúsicaNordestina

Com participação de Paulinho Pedra Azul, treze perolas do repertório do controvertido músico nordestino fazem parte do nono álbum do ex-integrante da Banda Pau e Corda

As audições matinais aos sábados aqui no Solar do Barulho, onde fica a redação do Barulho d’água Música, na Estância Turística de São Roque (SP), começaram neste dia 5 de junho com O Mundo de Raimundo, disco lançado em 2020 por Tavinho Limma e disponibilizado em plataformas digitais pela produtora e gravadora Kuarup. O álbum em homenagem ao cantor e compositor cearense que com voz rascante e timbre árabe tanto embalou este jornalista na juventude (e até hoje o admira) traz 13 canções do eclético repertório de Raimundo Fagner. Se hoje muitos na crítica torcem o nariz para Fagner e o riscaram do caderninho por conta de posições artísticas e políticas mais recentes, outros tantos zeram tais observações e, deixando de lado a patrulha ideológica, reconhecem com justiça — como este blogueiro — a inegável qualidade da sua contribuição à música e à cultura populares brasileiras, fazendo dele um dos mais luminosos astros entre os quais podem se citar, ainda, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e, para ficarmos apenas nas vozes masculinas, já fora deste plano Gonzaguinha, Dominguinhos e Belchior.

Desde 1971 até 2020, Fagner já brindou os inúmeros fãs de ao menos três gerações com cerca de 40 álbuns solo — sem contar aqueles nos quais participa, por exemplo, ao lado de outras referências luminares como Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga, Zeca Baleiro e até o craque Zico, entre outros trabalhos que mesclam em uma primeira e inventiva fase desde a poesia e composições de Ferreira Gullar, Garcia Lorca, Pablo Milañes, Antonio Machado, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré e Florbela Espanca ao rock rural e ritmos latinos e mouros às raízes nordestinas; duetos icônicos com Mercedes Sosa, Joan Manoel Serrat e Rafael Alberti, por exemplo, antes da bem sucedida guinada na década dos anos 1980, quando, para agradar um público menos intelectual e exigente, plateia pouco afeita a estéticas e linguagens inovadoras, assumiu perfil romântico, até explodir em trilhas sonoras de novelas da Rede Globo.  Muito mais do que uma borbulha de sabão que o vento dissolve como espuma, continua firme e dentro do seu atual estilo, formando o time daqueles que já emplacaram a casa dos 70 anos de vida nesta estrada que, atualmente, ninguém sabe onde nos levará, seja pela perseguição e pelo esvaziamento da cultura, seja pelo negacionismo da pandemia da Covid-19 em meio a retrocessos  de todas as ordens que, como cebola cortada, tanto nos fazem chorar.   

Nesta esteira que já chega aos 50 anos de história, Fagner perdeu a unanimidade entre quem lá atrás foi bicho-grilo, mas os “bregaldos” os amam e consagrou compositores como Abel Silva, Petrúcio Maia, Manassés, Sueli Costa, Clodo, Climério & Clésio e Fausto Nilo, mostrando que somos um celeiro inesgotável quando o assunto é música. E parte de seus álbuns arrebataram sucessivamente discos de ouro (vendas acima de 100 mil cópias) e platina (acima de 500 mil), superando em 1987, com Romance no Deserto (“eu tenho a boca que arde como sol, o rosto e a cabeça quente”…) mais de 1 milhão!. Joia rara, seu primeiro filho solo, Manera Fru Fru Manera (1973), incluiu em sua primeira versão Canteiros, sucesso baseado no poema A Marcha, de Cecilia Meireles, com música de Fagner, até hoje cantado em rodas de violões depois de ecoar por todo o Brasil — um verdadeiro “balaço” que vem riscando o tempo saído do disco produzido por Roberto Menescal e pelo próprio cantor, com arranjos de Ivan Lins e participações especiais de Nara Leão, Naná Vasconcelos e Bruce Henry. Dois anos depois, Fagner foi eleito por jornalistas paulistas o Cantor do Ano. Em 1990, o Prêmio Sharp de Música Popular o reconheceu como Melhor Cantor, autor do Melhor álbum (O Quinze), da Melhor canção (Amor Escondido, parceria com Abel Silva) e, de quebra, o quarto troféu: Melhor disco regional (Gonzagão e Fagner Vol. 2.)

Tavinho Limma pinçou cuidadosamente deste baú as pedras que resolveu polir e, apesar de um disco sintético/enxuto diante de tão copioso tesouro, conseguiu alinhavar as duas facetas do polêmico Fagner, deixando na boca de quem ouve um gosto de quero mais. Zeca Baleiro, junto com o mineiro Chico Lobo, tornou-se um dos padrinhos de O Mundo de Raimundo: ambos demonstraram que ao mirar, sabiam no que apostavam, que não errariam, que seria mesmo um tiro bem dado. O projeto que Tavinho Limma primeiro concretizou por meio de uma concorrida vaquinha virtual para produção dos discos físicos não deu nem para o cheiro: virou ouro em pó! Por sorte, a Kuarup topou disponibilizá-lo em versão eletrônica, já que as tiragens do cedê se esgotaram rapidamente e acessando ao linque logo abaixo desta linha será possível ouvir o disco na íntegra.

As 13 faixas começam com A canção brasileira, com participação do mineiro Paulinho Pedra Azul, depois rememoram clássicos como Mucuripe, parceria entre Fagner e o conterrâneo Belchior, que Roberto Carlos, Elis Regina e Amelinha também interpretam; Noturno e Pedras que Cantam, temas das novelas Coração Alado (1980) e Pedra Sobre Pedra (1992); Guerreiro Menino, de Gonzaguinha, também tocada em Voltei Pra Você (1983), todas da Rede Globo; mais perolas tais como Espumas ao Vento, Astro Vagabundo, Cebola Cortada, Ave Coração e Revelação.

Natural de Recife (PE), radicado em Ilha Solteira (SP), Tavinho Limma é cantor, compositor e produtor de eventos. Ex-integrante da Banda de Pau e Corda, apresentou-se em vários eventos tradicionais pernambucanos como carnavais (em O Galo da Madrugada) e Festas Juninas de Caruaru e Recife. Sua discografia possui nove discos solos, lançados desde o primeiro elepê em 1989 — Intenções, da Gravadora Continental/Colibri, em cujas faixas Tavinho Limma interpreta canções de Oswaldo Montenegro, Fátima Guedes e Beto Mi. Entre os parceiros musicais e artísticos ao longo da carreira, destacam-se nomes como Jane Duboc, Tetê Espíndola, Antonio Calonni, Martha Medeiros, Paulinho Pedra Azul, Chico Lobo, Oswaldinho do Acordeon e Ivan Vilela. Como produtor de shows, esteve também com Tetê Espíndola, além de Dani Black e Grupo Voz.

Por diversas vezes, Tavinho Limma se apresentou na Capital bandeirante, cidades da Grande São Paulo e do Interior paulista, seja como atração de edições da Virada Cultural, festivais, projetos culturais ou em concertos solo, passando por Osasco, Cunha (Festa do Pinhão), Concurso de Marchinhas de São Luiz do Paraitinga, Festival de Música de Avaré (Fampop), Festival de Música de Tatuí, Festival de MPB de Ilha Solteira, entre outros eventos. Em 2012, participou da trilha sonora da novela Carrossel, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), com a canção Malfeito, dele e de Rita Altério, tema do personagem Firmino. Também esteve no palco do Bar Brahma para o Projeto Talento MPB, dirigido por Lenir Boldrin.