1537 -Reitor da Univali (SC) publica livro sobre Zé Geraldo, um dos mais queridos poetas e cantores populares do Brasil

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Mineiro de Rodeiro, o autor da clássica canção Cidadão, entre tantos outros sucessos, tornou-se amigo pessoal de Valdir Cechinel Filho, que lhe dedicou a obra de 250 páginas, com prefácio de Renato Teixeira

O reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), situada em Santa Catarina, Valdir Cechinel Filho, lançou em março Cidadão Zé Geraldo: 40 e Poucos Anos de História e Estradas, livro no qual narra a trajetória de um dos principais nomes da Música Popular Brasileira, o mineiro Zé Geraldo. A obra, repleta de fotos e ilustrações, tem prefácio assinado por Renato Teixeira e um dos seus exemplares Cechinel enviou, gentilmente, à redação do Barulho d’água Música, situada no Solar do Barulho, na Estância Turística de São Roque (SP). Dividida em 11 capítulos, revela história e causos sobre Zé Geraldo desde a infância na cidade natal de Rodeiro (MG), alguns narrados pelo próprio biografado e compartilhados na vivência com o autor.

A rica discografia também pode ser encontrada nas 250 páginas do livro, relacionada pelos álbuns próprios e dos quais Zé Geraldo participa (com as respectivas capas, incluindo-se as coletâneas) e nelas há depoimentos de amigos, fãs e músicos como João Carreiro, Zeca Baleiro, Kleiton Ramil, Chico Teixeira, Chico Lobo e Luiz Vicentini. O leitor ainda encontrará 20 músicas de Zé Geraldo cifradas pelo cantor e compositor capixaba Max Gasperazzo, mais a transcrição de entrevista para a comunicadora Katyanne Krull ao programa Violas, Versos & Prosas, da Rádio Educativa Univali FM e TV Univali.

Este era um projeto que eu já acalentava há alguns anos e que foi possível tirar da gaveta durante a pandemia [de Covid-19]”, contou Cechinel. “Escrevi essa obra com o aval do próprio Zé Geraldo, de quem virei fã imediatamente após escutar pela primeira vez a canção Cidadão, em 1979. Durante muito tempo sonhei em conhecê-lo e a vida permitiu que pudéssemos ser amigos pessoais e até compor músicas em parceria”, emendou. “O livro traz causos, histórias e destaca a generosidade de Zé Geraldo como artista e como ser humano único que ele é”, frisou Cechinel.

Carinhosamente conhecido por Biá, além das atividades acadêmicas, Valdir Cechinel é compositor e assina parcerias com o próprio Zé Geraldo e diversos outros autores como o cantor e compositor itajaiense Luiz Vicentini. Uma das facetas de Zé Geraldo que Cechinel destacou, a generosidade, é descrita como característica peculiar do Zé pois o mineiro sempre procura “dar ênfase aos novos talentos e difundir seus versos e prosas, emprestando seu nome e voz aos cantores e compositores de nosso imenso país”. O próprio reitor é um desses compositores parceiros em Enquanto a Cidade Dorme, que ganhou clipe gravado em Itajaí, com autoria e interpretação de Gasperazzo.

O livro está disponível para venda na Editora da Univali e pelo portal da Amazon.

De rica trajetória acadêmica e científica, Cechinel atualmente é Reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), professor do mestrado e doutorado em Ciências Farmacêuticas e pesquisador 1C do CNPq, além do pé que de longa data mantém na arte e na cultura, ligação acentuada a partir ­de 2002, quando ficou responsável pela área cultural na Univali, como Pró-Reitor de pesquisas, pós-graduação, extensão e cultura, atuando por 16 anos à frente de ações culturais na instituição. Essa função possibilitou contato direto e mais intenso com muitos artistas, incluindo seus ídolos Zé Geraldo e Renato Teixeira, entre outros. Organizou inúmeros shows no Teatro da Univali com artistas nacionais e foi responsável pela seleção do repertório dos álbuns e DVD do Coral da Univali, Simplesmente Simples 1 (2011) e Simplesmente Simples 2 (2014). Escreveu sua primeira composição musical em 2008, Vida Rural, com Luiz Vicentini, que gravou a canção.

 

O reitor Valdir Cechinel Filho também é compositor. Tem três discos lançados e organizou inúmeros shows no Teatro da Univali com artistas nacionais.

 

Até o presente, Cechinel possui mais de 60 canções em parceria e lançou três álbuns: Valdir Cechinel Filho e Amigos: Pedaço de Mim (2018); Urbano e Rural (2019); e Eu Nunca Chegarei Só (2021), todos disponíveis nas plataformas digitais Nessa sua segunda incursão literária (a primeira foi escrever três versões do livro Casos, Causos e Algumas Mentirinhas), aborda os passos do ídolo, amigo e parceiro musical José Geraldo Juste, o Zé Geraldo, cuja importância ele resume na apresentação: “Quando Deus interrompeu a carreira de jogador de futebol do Zé Geraldo, certamente o Brasil já estava repleto de moleques bons de bola, mas carecia de cantores e compositores de canções que dissessem a verdade sobre a vida e atingissem os corações dos cidadãos!

O livro Cidadão Zé Geraldo: 40 e Poucos Anos de História e Estradas que Cechinel enviou ao blogue chegou acompanhado pelos álbuns Simplesmente Simples e Eu Nunca Chegarei Só; a faixa 7, Simplicidade, do segundo disco, ele compôs com Vicentini, cantor que a interpreta acompanhado por Renato Teixeira. Já ultrapassou 86 mil visualizações em postagens e se tornou trilha sonora de mais de 17 mil vídeos rápidos nas redes sociais, conhecidos como Reels.Nos surpreendemos, Valdir e eu, quando soubemos que Simplicidade vem sendo postada mais de 150 vezes por dia nos Reels do Instagram, aparecendo em mais de 17 mil postagens de vídeos usando a música, com média de 5 mil visualizações em cada postagem, somando 86 milhões de visualizações”, celebrou Vicentini. “Considerando que não fizemos nenhum impulsionamento pago, vemos isso como uma possível viralização da canção, o que nos deixa muito felizes.”

Simplicidade também faz parte do álbum de Vicentini Os Passos do Poeta (2019), que tem a participação de Renato Teixeira. Em Eu Nunca Chegarei Só ela integra uma seleta lista que inclui interpretações e parcerias de Cechinel com Cleiton Marques de Oliveira, Francis Rosa, Luciano Guarise, Zé Geraldo, Zé Grande, Samuel & Grace, Chico Lobo, Carlos Magrão, Carlos Bona, Sunny Dolga, Carol Hands e Gasperazzo. Francis Rosa, Zé Geraldo e Chico Lobo também cantam na canção O Homem de Taubaté, que Cechinel recentemente compôs para homenagear Renato Teixeira.

O mato-grossense de Arenápolis radicado em Jundiaí (SP), João Ormond também é parceiro de estradas de Zé Geraldo. Ambos já têm músicas gravadas e agora programaram lançar em 27 de maio um novo single, Revivendo, que além da dupla conta com a participação de Clemente Manoel. Esta canção retrata a vida interiorana que os três que criaram a letra tiveram, promovendo a junção das experiências vividas individualmente e que culminou na bela história.

Essa foi a primeira composição com parceria selada com Zé Geraldo, pois gravamos anteriormente Eu Nasci com Asas e gostamos muito dessa mistura da viola com a música Folk”, disse Ormond. “O Zé Geraldo é de uma simplicidade enorme, veio aqui para casa para botar a voz na música, e o Clemente veio para nos rever e prosearmos após a gravação”, prosseguiu Ormond. “Passamos um dia agradável. Além do trabalho, emplacamos um bom bate papo. Eu assino a produção da música e contei com apoio dos amigos e músicos Paulinho de Jesus, Cássio Soares, Rafael Virgulino.” Zé Geraldo

SÓ ENTRA NA MISSA DE AZUL E AMARELO

Zé Geraldo, todo fã sabe, é apaixonado por futebol e um dos beneméritos do Spartano Futebol Clube, equipe amadora de Rodeiro com mais de 90 anos e muito tradicional na Zona da Mata Mineira. Veste azul e amarelo, tem estádio próprio, o Alfredo Nicolato, e uma torcida entusiasmada entre os, com muito esforço na contagem, 8 mil habitantes; aos domingos, contam, se houver jogo do Spartano na cidade, o padre não deixa fiel entrar na igreja se não estiver vestindo roupas com as cores da equipe. O nome do clube é uma referência aos guerreiros de uma das cidades mais antigas da humanidade Esparta, da Grécia. O Spartano também tem expressiva carteira de sócios e dependendo de quem enfrenta em casa, o público supera as médias de todos os times do interior do Campeonato Mineiro.

Quando escrevíamos esta atualização, o Spartano estava disputando a 8ª Copa dos Campeões Regionais (Champions LEC) e ocupava a segunda colocação do grupo C, com 6 pontos ganhos, metade dos 12 do líder, Pombense, tricolor de Rio Pomba, após quatro rodadas. O onze rodeirense vinha de vitória fora de casa por 2×0 sobre o União Esporte Clube, de Piraúba (MG); na classificação geral aparecia em sétimo.

A Champions LEC é rivalizada e acirrada competição que reúne 16 times da Zona da Mata mineira e da porção Noroeste do estado do Rio de Janeiro, divididas em quatro grupos de 4. É  promovida pela Liga Esportiva de Cataguases (LEC), munícipio a cerca de 40 quilômetros do berço de Zé Geraldo. A sequência do torneio para o Spartano marcava para o domingo, 22 de maio, um jogo no qual o bicho deverá pegar: o clássico contra o Pombense, a partir das 16 horas, no alçapão do Alfredo Nicolato. Detalhe: o ingresso custava 15 paus, antecipado (20 pilas para o dia do duelo). E a carga de cerca de 3 mil entradas já estava quase esgotada!

CAMPEÃO BRASILEIRO, SEM GOLEIRO

O futebol também é tema do causo que o Barulho d’água Música pinçou do livro e que, pedindo licença do espoiler ao autor, compartilharemos abaixo:

Numa das idas à casa do Zé Geraldo, na Serra da Cantareira [em São Paulo], levei como presente um quadro que preparei com muito carinho, do Santos Futebol Clube, seu time do coração, campeão brasileiro de 1962”, escreveu Cechinel em “3. Meu presente ao Zé bateu na trave”. “Inseri sua foto entre a dos jogadores e ficou um quadro muito bacana, conforme a foto abaixo. O Zé olhou e disse: ‘Bicho, gostei, mas você inventou um time novo. Sem goleiro, uai…’”

O arqueiro esquecido por Cechinel era ninguém menos que Gylmar dos Santos Neves, o Gilmar, campeão mundial de 1958 e 1962 pelo Brasil.

O fac-símile do quadro que Cechinel criou para Zé Geraldo (página 69 do livro) não está lá estas coisas, mas dá para ver que o camisa 7 santista foi companheiro de Zito, Coutinho, Pelé e Pepé na volta olímpica..

Ouça entrevista de Valdir Cechinel Filho sobre o livro:

https://radiomarconi.net/2022/02/14/livro-narra-a-trajetoria-do-cantor-e-compositor-ze-geraldo/

Leia mais sobre Zé Geraldo ou conteúdos a ele relacionados aqui no Barulho d’água Música ao clicar no link abaixo:

https://barulhodeagua.com/tag/ze-geraldo/

1534- Giancarlo (RS/MG) lança em Brumadinho Por Onde Vamos, segundo álbum da carreira, já disponível no formato digital

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O músico e cantautor Giancarlo Borba está lançando hoje, 14 de maio, o segundo álbum autoral da carreira, Por Onde Vamos, com canções que propõe reflexões sobre as crises sociais, políticas e ambientais. A apresentação está marcada para a cidade de Brumadinho (MG) e coincide com a chegada do disco às plataformas digitais pela distribuidora QUAE. Giancarlo Borba terá a companhia de músicos convidados e líderes indígenas e a renda da bilheteria será revertida para o apoio às retomadas indígenas Kamakã Mongoió e Xucuru Kariri na região. Com produção musical assinada pelo cantautor e direção artística de Sol Bueno, Por Onde Vamos traz provocações de um lugar no presente que reflete sobre quais caminhos a humanidade quer prosseguir. Se ainda não sabemos de um mapa ou ponto de chegada que contemple o pleno respeito à vida, no perguntar-se para onde ir pode habitar a poética de sonhar utopias que caminham. E talvez aí more o sonho do cantador: cantar utopias que caminham pode ser força e movimento para que corpos e vidas possam ser bom de bem viver e esperançar.

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1515 – Antes de atravessar o rio, Joaci Ornelas (MG) deixa pronto o inédito disco Líricas

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Violeiro autodidata deixa o plano terreno consagrado entre amigos e fãs como autor de composições que retratam paisagens do sertão mineiro e discorrem sobre temas universais, relativos aos sentimentos humanos, suas diversas formas de expressão e existência.

O ritual das audições matinais de todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), antes de ser retomado, ainda a pulso, neste dia 2 de abril, em meio a uma sucessão de mortes de parentes e amigos no período de pouco mais de trinta dias, foi antecedido por um minuto de silêncio, uma prece e o acendimento de uma vela em intenção de dois expoentes dos mais elevados de nossa cultura popular: Joaci Ornelas e Elifas Andreato, que nos deixaram nos últimos dias de março.

Conterrâneos de Minas Gerais e do Paraná, Ornelas e Andreato em suas vidas se dedicaram à sublime missão de nos encorajar a sermos o que somos: brasileiros, gente que forma um povo sofrido e que, em sua maioria, sempre haverá de trabalhar (o que é salutar e honrado!) para ter o mínimo de dignidade e conforto, sem, no entanto, nunca ficar completamente livre daqueles que usurpam nossos mais caros direitos fundamentais, aviltando-nos e nos esculachando, dai a necessidade do encorajamento.

Por meio de cada palavra e nota que um cantou e tocou ou cada traço que o outro desenhou, corajosos, teimosos, o violeiro e o artista gráfico acreditaram e nos fizeram ainda acreditar que, mesmo sofrendo revezes e amargando retrocessos, pela arte todos podemos encontrar um caminho para a plena redenção… inclusive desta triste sina que, para alguns, é ser, justamente, brasileiro! Em memória e em tributo a ambos, resgato um bordão que fez sucesso há alguns anos antes da pandemia da Covid-19: apesar de eles não estarem mais em campo, ao menos, fisicamente, que ninguém solte a mão de ninguém e quem soltou, reate o laço. Nossos sonhos ainda são possíveis, mas há muita luta pela frente, a começar por apear do Palácio do Planalto a súcia que lá se instalou e, no tempo certo, dentro dos rigores da lei, dar a cada um o troco que estão a merecer…

Feita a reza, acesa a vela, guardado o silêncio, um dos dois discos escolhidos para a audição é No Dizer do Sertão, que Ornelas lançou em 2016 para evocar tradições e hábitos do lugar onde o dia chega mais cedo e o céu quase nunca escurece, conforme ele mesmo observou. O outro disco é Líricas, ainda inédito: Joaci mantinha um canal no Youtube e, antes de virar Luz, registrou nesta plataforma as oito canções daquele que será seu terceiro disco autoral, realizado com recursos da Lei Aldir Blanc e com composições dele ou em parceria com Felipe Bedetti e Lima Júnior. A pedido de Joaci, o trabalho com participações de Lígia Jaques, Leopoldina e Bedetti (que lançou, recentemente, Afluentesdo qual vamos falar em breve aqui) deverá ser finalizado ainda em 2022 por amigos aos quais confiou o projeto.

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1504- Cultura popular do Brasil perde mestre Vidal França, cantor, compositor e maestro baiano

#MPB #Aporá #Bahia #CulturaPopular

Na minha terra, as estradas são tortuosas e tristes/Como o destino de seu povo errante/

Viajou?/Se ardes em sede/Bate sem susto ao primeiro pouso e terás/Água fresca para a tua sede/Rede cheirosa e branca para teu sono/

Na minha terra o cangaceiro é leal e valente/Jura que vai matar e mata/Jura que morre por alguém e morre/

Nasci nos tabuleiros mansos do Quixadá/Me criei nos canaviais do Cariri/Entre caboclos belicosos e ágeis/

Eu sou o seringueiro que foi destravar a selva virgem do Amazonas/

Eu sou o sertanejo que planta de sol a sol o algodão para vestir o Brasil/

Brasil onde mais energia?/Nas águas de um só destino do teu Salto de Sete Quedas/Ou na vida de mil destinos do teu jagunço?/Aventureiro e nômade/Filho de gleba/Fruto em sazão ao sol dos trópicos!/

Eu sou o índice de um povo:/Se o homem é bom, eu o respeito/Se gostar de mim, morro por ele/Se no entanto, por ser forte, entender de humilhar-me:/Ai, sertão, viverei o teu drama selvagem/Te acordarei ao tropel de meu cavalo errante/Como antes te acordava/Ao choro de minha viola.

Terra Bárbara, faixa do álbum Fazenda, de Vidal França, que interpreta texto de Jader de Carvalho

Da minha parte, continuo com o meu compromisso com a arte, e os meus parceiros têm essa mesma visão: de não se deixar levar pelo sistema, pela falsa democracia, lutando contra a correnteza, preservando a cultura e o povo (Vidal França)

O cantor, compositor e instrumentista Vidal França morreu de causas naturais no sábado, 12 de fevereiro, na cidade de São Paulo, onde foi velado e sepultado no Cemitério de Vila Alpina no dia seguinte. Filho do cantor, compositor e repentista Venâncio (da dupla Venâncio e Corumba), o pai há 76 anos o batizara como José Calixto de Souza, após nascer em Aporá, no sertão da Bahia, em 7 de outubro de 1946. Venâncio queria seguir a carreira artística e com o garoto ainda com 7 anos veio com a família para a cidade de São Paulo, em 1953. Na terra que o acolheu e onde dezenas de pessoas entre familiares e amigos durante a despedida prestaram a Vidal França as últimas homenagens cantando sucessos de sua discografia, o músico cursou a Faculdade Superior de Música São Paulo, onde se formou maestro arranjador, outra de suas habilidades.

Composições do mestre maestro Vidal França são tocadas em meus aparelhos de som desde o começo da juventude, em sua própria voz, por João Bá e Dércio Marques (estes dois dos seus principais parceiros, também já chamados ao Plano Maior) ou Diana Pequeno e Katya Teixeira, por exemplo. Em maio de 2015, muito honrado, estive com ele em um dos saraus que o Instituto Juca de Cultura (IJC) costumava promover, no bairro paulistano Sumarezinho, sob a batuta do anfitrião poeta e compositor Paulo Nunes, suspensos há já quase dois anos por conta do flagelo da Covid-19.

A morte de Vidal França nos pegou todos de surpresa e ocorreu no mesmo dia em que partiu – bem antes do combinado – também minha ex-esposa, Rosa Barna, fechando uma semana em que já haviam nos deixado outro amigo querido, aqui de São Roque (SP), e um tio de minha atual companheira, Andreia Beillo. Quatro pauladas para  lutos que ainda me abatem, fases para as quais jamais estaremos totalmente prontos para experienciar e compreender, ainda mais quando nos privam de pessoas que se dedicaram ao bem comum e promoveram a cultura do amor e da paz entre seus valores.

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1501 – Júlio Santin (SP) lança livro de partituras dos dois primeiros álbuns e anuncia: o terceiro vem ai… i

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Com Capim Dourado chiando na agulha da vitrola, disco do compositor paulista Júlio Santin, composto por onze faixas instrumentais de viola caipira e gravado em 2013, abrimos mais uma audição matinal aos sábados, neste dia 29 de janeiro, aqui no Solar do Barulho, onde fica a redação do Barulho dágua Música, em São Roque (SP). Capim Dourado é o segundo álbum de Santin, que estreara em 2006 com Sentimento Matuto. Os dois discos têm distribuição pela Tratore, estão disponíveis para audição em www.juliosantin.com e nas principais plataformas digitais, além de poderem ser encomendados diretamente com o autor em sua página social.

Capim Dourado e Sentimento Matuto também podem ser ouvidos por meio dos selos (QR Codes) disponíveis nas páginas 10 e 70 do luxuoso livro A viola e um caipira: Júlio Santin Partituras e Tablaturas, que ele lançou ao final de 2021. Um timaço com violeiros e artistas o ajudou na confecção do volume de 140 páginas, cujo projeto e editoração gráfica couberam ser realizados pelo selo Onde Mora a Viola, a partir de textos do próprio Santin e de Domingos de Salvi e fotografias de Adriano Rosa.

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1488 – Makely Ka (PI) lança novo disco, instrumental de viola, com homenagem aos rios e ao meio ambiente

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Rio Aberto integra a Trilogia dos Sertões iniciada com o projeto Cavalo Motor e que deverá ser finalizada com Triste Entrópico

O novo trabalho de Makely Ka, o disco instrumental Rio Aberto, surgiu da curiosidade e do interesse do músico piauiense pela sonoridade e pelas possibilidades da viola de 10 cordas a partir de uma viagem que ele fez pelo Vale do Urucuia, região do Noroeste do estado de Minas Gerais, onde aprendeu afinações alternativas como a que chamam “rio abaixo”, utilizada pelos violeiros locais. Essa afinação, também chamada de “sol aberto”, deu origem ao nome do disco de doze faixas autorais de um total de treze que formam o repertório e levam nomes de rios, cursos d’água que costuram elementos da geografia, da história e da literatura brasileira. As trilhas ainda ligam o sertão de Guimarães Rosa aos sertões de Euclides da Cunha, passam pelo universo mítico do cantor Elomar Figueira de Melo e relembram profundas feridas que não se fecham, abertas pelas tragédias dos rompimentos de barragens que atingiram milhares de vidas, causaram centenas de mortes e devastaram o meio ambiente e rios, provocados por atividades de mineração, sob responsabilidade da Vale do Rio Doce, a partir de Mariana (MG) e Brumadinho (MG), em 2015 e em 2018, mas que se estendeu até o Espírito Santo, além de comprometer mares e praias. As músicas são experimentais, dialogam com a tradição popular, mas incorporam referências contemporâneas como a microtonalidade, a polirritmia e a pesquisa de timbres.

Encontro das Águas, clássico de Tavinho Moura, fecha o álbum de Makely Ka que está sendo lançado pela gravadora e produtora Kuarup, da cidade de São Paulo, já disponível nas plataformas digitais e que neste dia 11 abriu as audições matinais que promovemos aos sábados no Solar do Barulho, onde fica a redação do Barulho d’água Música, em São Roque (SP). Entre as doze faixas autorais, dez remetem a afluentes do São Francisco, outras duas são referências a rios que deságuam direto no mar — Doce, também chamado Watu pelos Krenak — e o Vaza-Barris, que banha Canudos, no sertão baiano, e frequenta o imaginário popular desde a publicação do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, no início do século passado. “Tento simular o movimento desses rios, os sons de suas corredeiras, quedas d’água, seus poços profundos, remansos, a barra ou a foz, onde eles encontram o grande rio, os animais que frequentam suas margens e dependem dele para viver”, declarou Makely.

Há também algumas relações entre as faixas. O Rio do Sono, por exemplo, que banha o vilarejo do Paredão de Minas, local onde transcorre a batalha épica entre o bando dos Hermógenes e os Ramiro comandados por Riobaldo Tatarana descrita no romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, deságua no Paracatu. A harmonia de um entra nas águas do outro, alguns movimentos se repetem, o ritmo fluente das corredeiras rápidas do rio de Morfeu se torna mais arrastado quando se encontra com o Paracatu. Um incorpora o outro, mas assume algumas das suas características. A síncope simula o encontro, a força das correntes contrárias medindo forças para, afinal, confluírem no mesmo fluxo. Nas músicas Makely toca viola de 10 cordas, também chamada caipira; viola dinâmica, conhecida também como nordestina; craviola, instrumento criado pelo músico brasileiro Paulinho Nogueira, produzido em escala industrial pela empresa Giannini a partir da década dos anos 1970 e que a cantora, compositora e multi-instrumentista sul-mato-grossense Tetê Espíndola também toca.

A viola vem do alaúde árabe, que se popularizou na Península Ibérica a partir da invasão dos mouros. Em algumas localidades de Portugal, ainda é possível encontrar a viola de arame, ancestral da viola atual. Vinda nas caravelas, o instrumento de madeira com pares de cordas ganhou nos trópicos outras formas de construção, com madeiras, afinações e maneiras de tocar diferentes. Uma das primeiras violas construídas em série no Brasil foi a de Queluz de Minas, apreciada na corte, inclusive por Dom Pedro I. Ela, provavelmente, impôs o padrão de corpo delgado e acinturado replicado em todo o país. A longa tradição da viola no Brasil está intimamente relacionada às folias de reis, aos folguedos e brincadeiras da cultura popular. “Toco nesse álbum com uma violinha de bigode construída em cedro brasileiro pelo luthier Wagner França, de Jaboticatubas [MG], em 2012 e uma viola modelo clássico construída em jacarandá e cedro pelo luthier Lúcio Jacob de Viçosa [MG] em 2020”, informou Makely.

A viola dinâmica tem cinco pares de cordas, a estrutura do corpo é semelhante à de um violão, mas ela possui um ressonador metálico, que projeta o som por meio de pequenas bocas dispostas no tampo. Foi muito utilizada pelos repentistas e cantadores em feiras populares em todo o Nordeste brasileiro. “A que uso é um modelo de sete bocas, fabricada pela Del Vecchio, em 1975”, explicou o músico. “A craviola foi desenhada pelo violonista e compositor campineiro Paulinho Nogueira. Ele queria aliar a sonoridade do cravo e da viola de dez. Ela foi patenteada pela Giannini, que começou a produzi-las em 1970. O músico Jimmy Page toca uma dessas no disco III do Led Zeppelin. A que tenho é um modelo Giannini de 1974”, prosseguiu o autor de Rio Aberto.

Nesse trabalho Makely Ka presta tributo a expoentes como Manoel de Oliveira, Renato Andrade, Tavinho Moura, Almir Sater, Heraldo do Monte, Paulo Freire e Ivan Vilela, que considera suas principais referências no universo da viola. A regravação de Encontro das Águas, de Tavinho Moura, que Makely conheceu apresentado por Almir Sater, ganha aqui um sentido ampliado, tornando-se a confluência de todas essas águas num grande rio aberto a todas as influências. Num momento em que estamos na iminência de uma nova crise hídrica, com os aquíferos e mananciais ameaçados por mineradoras e empreendimentos imobiliários, o trabalho ganha também um caráter de alerta e de denúncia pela necessidade de preservação das nossas bacias.

Rio Aberto é o quinto álbum de carreira de Makely, o sétimo se considerar os álbuns em colaboração com outros artistas.

SONS QUE ESCORREM PELOS DEDOS

Ivan Vilela (Foto: Adriano Rosa)

Por Ivan Vilela, professor da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador, compositor e violeiro de Itajubá (MG)

O disco que você tem em mãos é, na realidade, um mapa sonoro-afetivo onde Makely verte impressões obtidas em viagens que empreendeu pelo sertão mineiro e baiano. Ele próprio nos diz: “As músicas levam nomes de rios que eu passei, cursos d’água que costuram elementos da geografia, da história e da literatura brasileira ligando, por exemplo, o sertão de Guimarães Rosa aos sertões de Euclides da Cunha (Vaza-Barris) além da tragédia dos rios devastados pela mineração (Doce e Paraopeba).”

Makely é mais um grande músico brasileiro que se encantou com a sonoridade da viola e viu nela um canal para exprimir a maneira como vê e sente o mundo. Seu toque é vigoroso e denso. As filigranas que afloram de seus dedos impõem às suas composições – todas vertidas em águas nos nomes dos rios – paisagens que nos fazem conhecer de perto cada um desses locais, mesmo sem lá termos ido. Makely compõe com a propriedade de quem já andou muito no caminho da música. A viola de Makely sugere caminhos que nos trazem a ideia de loopings dada a reafirmação das ideias musicais que, diga-se de passagem, nada têm de repetitivas. Evocam mais a ideia do espelho d’água do rio que na sua serenidade guarda um “sem fim” de movimentos dentro de seu leito. Qual fazemos com a visão quando queremos ver mais de perto, o ouvinte desavisado precisará focar sua audição para perceber que por detrás de uma prosódia quase constante descortina-se um universo de toques, ideias rítmico-melódicas amparadas por caminhos harmônicos novos. Estes diluídos no fraseado das melodias que evocam as sonoridades das violas do norte mineiro já desfiadas por Zé Coco do Riachão, Minervino da Viola, Manelim, Renato Andrade e Tavinho Moura. Nesse disco líquido, um Rio Aberto, Makely nos deixa claro que o músico criador, adiante de qualquer juízo que se possa ser feito sobre ele, está além como um observador do mundo que o cerca, da natureza da terra e de todas as contradições que possam aflorar na relação do homem com o espaço que o circunda. Mais uma grande aula sobre cultura brasileira em seus vários aspectos vertida em sons que além de nos embalarem, nos trazem a consciência de que nada conseguiremos ser sem a estrutura do mundo que nos ampara e envolve.

SOBRE MAKELY KA

Natural de Valença do Piauí, município que fica a 216 quilômetros de Teresina, a capital do Piauí, Makely Ka é hoje um dos mais requisitados compositores de sua geração e pode ser ouvido na voz de Lô Borges, Samuel Rosa, Titane, Ná Ozzetti e José Miguel Wisnik. entre dezenas de outros intérpretes. Lançou o disco coletivo A Outra Cidade, em 2003, e Danaide, em 2006 com a cantora Maísa Moura. O primeiro trabalho solo veio em 2008 com Autófago, considerado pela crítica um dos melhores discos de “roque brasileiro”. Em 2014 compôs, ao lado de Rafael Martini, a peça sinfônica em cinco movimentos Suíte Onírica, gravada com a Orquestra Sinfônica da Venezuela, o Coral do Teatro Teresa Carreño e sexteto sob regência do maestro português Osvaldo Ferreira. 

Em 2015, lançou o álbum Cavalo Motor, resultado de uma longa viagem realizada pela região Noroeste de Minas Gerais, na divisa entre Bahia e Goiás, o primeiro da trilogia que prossegue com este Rio Aberto e terá ainda Triste Entrópico; Cavalo Motor tem participação de Arto Lindsay, Susana Salles, Décio Ramos (grupo Uakti) e O Grivo, entre outros, e foi transformado também em DVD. O trabalho foi considerado um dos melhores lançamentos do ano e recebeu vários prêmios, entre eles o Grão da Música de melhor álbum de Música Brasileira. Em 2018, emplacou o prêmio Simparc de Artes Cênicas de melhor trilha sonora original para o espetáculo de dança Espelho da Lua, da Companha Mário Nascimento.

Letrista inspirado e versátil, Makely acumula parcerias com diversos compositores em todo o país, com destaque para o álbum Dínamo, inteiramente composto com Lô Borges e lançado em 2020. Como intérprete de suas próprias canções destaca-se pela sua voz grave e rascante e pelo violão vigoroso tocado de forma muito peculiar. O humor, a ironia e o sarcasmo estão sempre presentes nas apresentações ao vivo, que podem ser em formato solo ou com banda. Já tocou em alguns dos principais palcos do Brasil e excursionou por Portugal, Espanha, Dinamarca, Lituânia, Turquia, Grécia e México.

Grande interlocutor da cena musical em Minas Gerais, Makely organizou mostras e festivais, participou de curadorias, produziu discos de outros artistas, fez direção artística de shows, criou trilhas para cinema, dança e teatro, realizou documentários, compôs textos para peças sinfônicas e camerísticas, participou de conselhos estaduais e federais de cultura, fundou cooperativas e fóruns de música e escreveu diversos textos sobre política cultural, música, literatura e cinema que foram publicados em jornais, revistas e sites. Também publicou três livros de poemas e atuou como editor de revistas de poesia. No momento, prepara o lançamento do livro Música Orgânica e está compondo a trilha sonora do balé Rios Voadores, da coreógrafa Rosa Antuña.

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Makely Ka publicou a seguinte nota em uma de suas mídias sociais:

“Chegaram as caixas com o álbum Rio Aberto. Pessoal sempre me pergunta porque eu ainda faço discos físicos na era das plataformas e eu vou responder mais uma vez. Em primeiro lugar é preciso entender que a música disponibilizada nas plataformas de streaming em geral têm a qualidade muito pior do que aquela que ouvimos nos CDs. Ela é compactada para reduzir o tamanho do arquivo e suas frequências são cortadas. O que ouvimos nos plataformas geralmente é uma versão muito piorada da música original.

Em segundo vem a questão da remuneração. As plataformas são ótimas para divulgar nossa música mas péssimas pra remunerar pela execução das mesmas. O valor pago pela execução das músicas no Spotify por exemplo é tão irrisório que mesmo músicas com milhões de visualizações recolhem míseros reais para seus autores. Além disso as plataformas não pagam os direitos conexos, que são os direitos dos músicos e intérpretes que tocam nas faixas.

Depois vem a falta de informações técnicas, importante para músicos, técnicos e produtores, pois é o trabalho deles. Nas plataformas em geral você não tem como saber quem tocou na faixa, na maioria das vezes nem o nome do autor é disponibilizado nos créditos.

Isso sem contar a questão da arte dos encartes, que se reduz a uma mera capinha de tamanho reduzido e em baixa resolução. A arte da Gisele Moura para esse disco está belíssima por sinal.

Outro problema é o catálogo reduzido, superficial e desorganizado oferecido pelas plataformas. Falta critério, falta vontade e falta interesse para preencher as imensas lacunas discográficas.

Ainda tem a questão das plataformas serem empresas privadas, estrangeiras e muitas não possuírem sequer um escritório de representação no país. Você coloca seu disco lá e não tem mais controle. Se um dia eles fecharem, acabarem com a plataforma, resolverem por um motivo qualquer tirar suas músicas do ar, onde vamos encontrar o disco do artista que queremos ouvir?

Por fim tem a questão dos equipamentos. Já pensou por que os computadores e os carros não vem mais com tocadores de CD? Porque não há demanda. E por que não já demanda? É claramente uma imposição da indústria. Se as pessoas começam a usar um determinado equipamento a indústria produz. Isso aconteceu com o vinil por exemplo, que reativou a produção de vitrolas.

Tudo isso para dizer que habemus CD e quem quiser pode encomendar por aqui, pelo meu site, pelo site da Kuarup ou procurar nas melhores lojas do ramo. Para comprar basta fazer um PIX no valor de R$ 30,00 para esse número de CPF (028526366-89) e enviar o comprovante para (31 988639531) informando o endereço que enviamos o álbum pelo correio para qualquer lugar do Brasil com um brinde surpresa.

SOBRE A KUARUP

Especializada em música brasileira de alta qualidade, o seu acervo concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros.

Kuarup Música, Rádio e TV/www.kuarup.com.brTelefones: (11) 2389-8920 e (11) 99136-0577 Rodolfo Zanke rodolfo@kuarup.com.br

Leia entrevista de Makely Ka  concedida ao jornalista Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, da Revista Ritmo Melodia, ao clicar no linque abaixo:

https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/makely-ka/

1482 -Violeira vencedora do 6º PPM, Laís de Assis (PE) lança primeiro disco, Ressemântica

MPB #ViolaInstrumental #ViolaBrasileira #MúsicaDeViola #MúsicaNordestina #Recife #Pernambuco #CulturaPopular

Álbum da pernambucana, com participações de Graça Nascimento, Renata Rosa e Adelmo Arcoverde, está nas plataformas e, em breve, ganhará versão física

A vencedora do 6° Prêmio Profissionais da Música (PPM) da categoria Violas e Violeiros deste ano, a pernambucana Laís de Assis lançou no final de novembro o primeiro disco da carreira, Ressemântica, disponível nas principais plataformas digitais e com o qual abrimos neste dia 4 as tradicionais audições matinais dos sábados aqui no Solar do Barulho, em São Roque (SP). Tema na quinta-feira, 2 de dezembro, do programa Revoredo, apresentado na Rádio USP FM pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, Ressemântica é envolvido pela essência do feminino ancestral em suas 13 faixas dedicadas à exploração de novas sonoridades da viola nordestina, mas cuidadosas ao preservar o singular sotaque dessa linguagem. A maioria das composições foi composta e arranjada pela própria Laís de Assis, cujo perfil foi tema da recente atualização 1430, publicada em 24 de agosto aqui no Barulho d’água.

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1457 – Antonio Adolfo(RJ) lança “Jobim Forever”, uma reverência à obra do nosso “maestro soberano”

#MPB #CulturaPopular #Piano

Álbum ocupa há quatro semanas o topo na parada da revista Jazz Week e traz no repertório The Girl From Ipanema, A Felicidade e Wave

Um exemplar do novo álbum de Antonio Adolfo foi enviado à redação do Barulho d’água Música pela Tambores Comunicações, dos amigos Beto Previero e Moisés Santana, aos quais agradecemos. O pianista, compositor e arranjador carioca Antonio Adolfo, com mais de cinco décadas de carreira, reconhecido internacionalmente como uma personalidade do jazz latino americano, lançou Jobim Forever (do selo AAM Music), no qual apresenta sua versão da obra de Tom Jobim (1927-1994) e privilegia composições da década dos anos 1960, um importante momento da música no Brasil, quando as inovações de Jobim ajudaram a tornar o Rio de Janeiro e todo o país o centro de uma cultura musical mundial impulsionada pelo surgimento da Bossa Nova. O álbum, que abriu mais uma audição matinal aqui no Solar do Barulho, em São Roque (SP), está disponível nas plataformas digitais e em https://antonioadolfomusic.com/, 

Leia mais sobre a Tambores Comunicações ou conteúdos a ela relacionados ao visitar os linques abaixo: 

Moisés Santana  Beto Priviero

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1448 – Mestre Luiz da Paixão (PE) completa 60 anos de carreira e com Forró de Rabeca, álbum lançado pelo selo Sesc

#MPB #Manguebeat #Rabeca #CocodeRoda #Samba #Ciranda #Forró #Cavalo-Marinho #MusicaInstrumental #RevistaSesc #Pernambuco

*Com Revista E do Sesc de São Paulo, edição número 298, de 30/07/2021

Álbum com participações de Siba e Renata Rosa traz em 14 faixas sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos do instrumentista virtuoso e inventivo

O Selo Sesc lançou em junho Forró de Rabeca, segundo álbum do rabequeiro pernambucano Mestre Luiz Paixão, com 14 faixas que poderão ser ouvidas na íntegra pelo linque disponível ao final desta atualização e com o qual abrimos mais uma sessão de audições matinais neste sábado, 2 de outubro, aqui na redação do Barulho d’água Música, em São Roque (SP). Aos 72 anos de idade, Paixão está completando 60 anos de carreira como habitante e símbolo da arte da rabeca do município de Condado (PE), berço de vários mestres e mestras, localizado nas belezas da Mata Norte, a 60 quilômetros da capital pernambucana, a cidade do Recife. No disco também disponível nas plataformas virtuais, o mestre brinda os ouvidos mais afeitos à música de qualidade com uma seleta de sambas, forrós, cocos, cirandas e cavalos-marinhos tradicionais, escolhidos a dedo, mesclados à composições de autoria do próprio instrumentista, além de parcerias com aprendizes que contribuíram para o reconhecimento de sua musicalidade para além dos limites de seu estado, como Renata Rosa, Siba e João Selva.

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1445- Conheça Felipe Radicetti (RJ), premiado cantor e compositor autor de declaração de amor aos latinos e homenagem a Eduardo Galeano em America

MPB #MúsicaLatinoAmericana #AméricaDoSul #Uruguai #Peru  #CulturaPopular

Neste trabalho, a canção cumpre um papel ora teatral, emprestando dinâmica a diálogos, construindo imagens, ora atuando como crônica do cotidiano; letras e músicas evocam o processo civilizatório sofrido pela colonização e as lutas por libertação; a história recente desses países ainda convalescentes de cruéis ditaduras militares

As tradicionais audições matinais que promovemos aos sábados aqui em São Roque, Interior de São Paulo, onde fica o Solar do Barulho e a redação do Barulho d’água Música, começaram neste dia 25 de setembro com America (assim mesmo, grafado sem o acento), do cantor e compositor carioca Felipe Radicetti, atualmente residente em Francisco Beltrão (PR). Lançado em 2015, America, 13º álbum autoral de Radicetti, é dedicado ao escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano e uma declaração de amor à América do Sul e ao seu povo. O ciclo de 13 canções, das quais 11 inéditas no ato da gravação, busca traduzir em poesia e música os laços identitários que nos unem como latino-americanos, num processo de reconhecimento mútuo entre assemelhados na luta e na construção da cidadania sempre em curso na América Latina.

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