Barulho d'Água Música

Veículo de divulgação de cantores, duplas, grupos, compositores, projetos, produtores culturais e apresentadores de música independente e de qualidade dos gêneros popular e de raiz. Colabore com nossas atividades: leia, compartilhe e anuncie!


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1028 – América 4 lança em Vila Velha (ES) álbum comemorativo aos 30 anos de estrada

O Grupo América 4 está com novo álbum concluído e convida admiradores e amigos para o lançamento que marcará 30 anos de trajetória independente em defesa de culturas de povos latino-americanos como os guaranis, os aymaras e os mapuches. O concerto de estreia, com entrada franca, está marcado para a sexta-feira, 9 de março, a partir das 20 horas, no Teatro de Vila Velha, uma das mais importantes cidades do Espírito Santo, distante cerca de 180 km da Capital, Vitória, para quem escolhe viajar pela BR 101.  O América 4 tem embriões tanto no Estado capixaba, quanto no vizinho Minas Gerais, onde viviam na década de 1980 os músicos já de larga experiência e trajetórias artísticas oriundos do Brasil , da Bolívia, da Argentina, do Peru, do Uruguai, de Honduras e da Venezuela, entre eles Jorge Tobi Gil, com o qual o Barulho d’água Música mantém estreito contato. É em Vila Velha que está estabelecido o trabalho de resistência musical que encanta o público combinando as sonoridades de instrumentos típicos — alguns artesanais — como  zampoña, toyo, quenacho, charango, casaca, bombo legüero, tambores de Congo e tambores de Maracatu, entre outros, que dão ao América 4 uma identidade própria no cenário da cultura latino-americana. Continuar lendo

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1014 – Piracicaba (SP) é contemplada com a estreia do ConSertão, novo projeto de Cláudio Lacerda, com Neymar Dias e Lula Barbosa*

* Com  NTZ Comunicação e Marketing

Um novo projeto do cantador e compositor Cláudio Lacerda, o ConSertão, começará a percorrer várias cidades do Interior de São Paulo na sexta-feira, 19 de janeiro, quando estreará em Piracicaba, a partir das 18 horas. Da forma como está concebido o ConSertão promoverá apresentações gratuitas ao ar livre embaladas por um bem selecionado repertório em homenagem a compositores renomados da música caipira. A abertura está programada para transcorrer no campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com entrada solidária equivalente à doação de 1 quilograma (1 kg) de alimento não perecível. Cláudio Lacerda estará acompanhado pelos músicos Neymar Dias e Lula Barbosa e a Orquestra Sinfônica de Piracicaba.

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1012- Título de melhor rabequeiro do Brasil é pouco para reconhecer a contribuição de Zé Gomes (RS) à música do país

Desde a mudança da redação do Solar da Lageado, em Sampa, para o Parque Miraflores, em Itapevi, a maior parte dos álbuns do acervo de discos do Barulho d’água Música estava encaixotada pela falta de espaço. Com a chegada a São Roque, enfim, começamos a organizá-los e a fazer um inventário: colocamos todos no piso da sala e assim acabamos encontrando — mais do que uma tarefa burocrática —  perolas que nem mais nos lembrávamos que existiam no baú do tesouro. Resolvemos que poríamos alguns para tocar (antes de prosseguir fique publicamente registrado: o primeiro a ser tocado na nova residência foi Casa, por muitas e simbólicas razões além do nosso amor e admiração por Consuelo de Paula!), escolhendo, em ordem alfabética, pelo menos um de cada cantor, dupla ou grupo brasileiros. O mais lógico éramos seguir o sentido A-Z, mas invertemos a mão, pois no final da fila se destacavam dois instrumentais raros, de um autor dos mais criativos que a nossa música de qualidade independente já teve: o compositor, arranjador, luthier, maestro e pesquisador gaúcho José Bonifácio Kruel Gomes, internacionalmente conhecido por Zé Gomes.

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870 – Orquestra Paulistana de Violas toca de clássicos a new age em unidades Osasco e Rio Claro (SP) do Sesi

Com entrada franca para todos os públicos, unidades do Sesi em Osasco e em Rio Claro, cidades de São Paulo, promoverão a partir das 20 horas, respectivamente nos dias 6 e 7, apresentações da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, com distribuição de ingresso a partir de uma hora antes do início da atração. Em ambas as rodadas, a plateia poderá ouvir ao som de violas caipiras de dez cordas clássicos tradicionais da canção do Interior brasileiro e será convidada a tomar lugar em uma viagem ao campo e ao mundo rural. Como ocorre em várias formações do gênero, a Orquestra Paulistana estimula a convivência entre gerações, pois é  constituída por pessoas de diversas faixas etárias e formações acadêmicas. Criada em 1997 pelo maestro Rui Torneze de Araújo, a Paulistana é considerada, hoje, uma das mais atuantes do gênero em território nacional e abraçou com talento e determinação a missão de formar público para melodias executadas em violas caipiras.

Esta tarefa vem sendo cumprida de forma elogiosa por meio de amplo repertório que além das incursões eruditas inusitadas e originais transita, ainda, pela MPB e por gêneros tais quais a chamada Música da Nova Era (new age). O aprimoramento ostensivo de seus integrantes, representados, em sua maioria, por instrumentistas amadores (18 violeiros e dois percussionistas), é o principal diferencial de sua perfeita execução. Em concertos de 60 minutos, o auditório ouvirá clássicos sertanejos como Rei dos Canoeiros, Pé de Ipê, Chalana e  até o Hino Nacional

O Sesi de Osasco fica na avenida Getúlio Vargas, 401, jardim Piratininga, ao lado da Policlínica da Zona Norte. Em Rio Claro o endereço é avenida M-29, 441.

Osasco é casa da primeira orquestra

O professor, compositor, pesquisador e violeiro Ivan Vilela (Itajubá/MG) é um entusiasta das orquestras de violeiros e ele próprio já regeu e fundou uma: a Filarmônica de Violas de Campinas, atualmente sob batuta de João Paulo Amaral, um de seus ex-pupilos. De acordo com Ivan Vilela, a viola vem angariando cada vez mais prestígio tanto no campo, quanto na cidade, como instrumento representativo da cultura popular brasileira e suas tradições e parte deste reconhecimento e afirmação se deve ao surgimento país afora, sobretudo no Interior paulista, de inúmeras formações congêneres. E Osasco, onde a Paulistana tocará nesta sexta-feira, 6, é justamente a cidade na qual de acordo com registros na imprensa e a palavra de vários músicos surgiu a pioneira.  

Corria 1969 quando por iniciativa do tenente Marino Cafundó de Moraes formou-se a Orquestra do Violeiro de Osasco. À época Cafundó estava à frente do Coral Santa Cecília e com vários amigos animou a celebração (em cujo altar  Monsenhor Camilo conduzia os rituais) executando a Missa do Violeiro do Brasil, considerada pelos fiéis que estavam na matriz que hoje é a Catedral da região episcopal de Osasco um espetáculo inesquecível. Em 10 de fevereiro de 1971,  o maestro fundou, oficialmente, a Casa do Violeiro do Brasil, permitindo a profissionalização dos músicos da incipiente Orquestra de Violeiros de Osasco.

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A Orquestra de Violeiros de Osasco (durante apresentação na Câmara Municipal da cidade) existe desde 1969 e é conhecida em vários países vizinhos e da Europa (Foto disponibilizada na internet, com crédito atribuído à Leandro Silva/PMO)

A Casa dos Violeiros do Brasil tem como objetivo desde o princípio o congraçamento dos artistas sertanejos e a defesa da música, da dança e do folclore brasileiros. Já é conhecida em países como Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Argentina, e Itália e algumas de suas gravações chegaram às mãos do Papa Paulo VI, entregues pelo cardeal Dom Agnelo Rossi.  Em caravana de 146 violeiros a Orquestra de Osasco promoveu a segunda Missa do Violeiro do Brasil da qual se tem notícia, agora em Aparecid (SP), sede do Santuário Nacional de Nossa Senhora  Aparecida e já teve como acompanhantes Sérgio Reis, Tonico e Tinoco e Cacique e Pajé, no palco do Teatro Municipal de São Paulo. Em julho de 1979 a execução de Ave Maria foi levada ao ar pelas TV Cultura e Rede Globo.

A Orquestra segue reunindo-se semanalmente na Casa do Violeiro, situada na Rua Libero Carnicelli, 459, Jardim Ipê. Às quartas-feiras tem ensaio aberto ao público, a partir das 20 horas, às sextas-feiras promove o Baile da Boa Idade, a partir das 19 horas. Já e na última segunda-feira de cada mês pode ser conhecida nas missas da Catedral de Santo Antônio. Para mais informações estão disponibilizados os telefones 55 (11) 3685-4558 e 55 (11) 99661-8874, além do endereço virtual contato@casadovioleirodobrasil.com.br

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841- Thadeu Romano (SP) finaliza gravações e marca lançamento de “Da Reza à Festa” para 20 de maio, em Sampa

O Barulho d’água Música acompanhou na terça-feira, 29 de março, a gravação da participação do carioca Carlos Malta em Baião pro Malta, música que abrirá o álbum Da Reza à Festa, do acordeonista Thadeu Romano (Campinas/SP). Carlos Malta tocou flauta em sol, pífano e sax soprano durante sua presença no estúdio 185, situado na Vila Romana, bairro da zona Oeste paulistana, acrescentando a cereja que faltava para deixar completo o saboroso repertório de 10 faixas instrumentais e uma vinheta, todas cinzeladas por Thadeu Romano. Com todas as faixas prontas, a produtora cultural Lu Lopes enviou a obra, já no dia seguinte, às etapas de mixagem e prensagem que antecedem o lançamento, marcado para 20 de maio como atração do teatro da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), situado na rua Oscar Freire, 2.500, em São Paulo, colado à estação Sumaré da linha 2 Verde do Metrô.

Da Reza à Festa remete tanto às manifestações religiosas coletivas, presentes em tradições brasileiras como Folias de Reis e em rituais afros, quanto à fé e às vivências espirituais de Thadeu Romano. A sabedoria de uma das avós, rezadeira, bem como a inquietude de um dos nonos, Albino, somadas à reverência e à saudade aos e dos entes queridos que já se foram, entre outros sentimentos e temperos, motivaram-no a começar a alinhavar o projeto do disco, há oito anos, com a permanente e cúmplice colaboração de Lu Lopes. Neste tempo, ele elaborou os arranjos para ritmos que mesclam chamamé, choro, valsa, baião, tango e até funk que ora se juntaram, ora substituíram escolhas anteriormente definidas, assim maturando e renovando a eclética sonoridade que constitui, por fim, a alma deste disco formidável: a obra casará, em profunda comunhão, a sanfona e o bandoneon de Thadeu Romano com instrumentos como piano, trombone, violão de aço, pandeiro, clarinete, zabumba, entre outros.

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O bandoneon, diga-se de passagem, já tem por si só um encantamento que confere ainda mais magia ao disco: fabricado em 1929, antes de ser adquirido por Romano, pertenceu a Astor Piazzolla, conforme comprovam os registros da fabricante Doble A.

O time que Thadeu Romano e Lu Lopes convidaram, além de Carlos Malta, topou a empreitada em nome da amizade, um dos valores sedimentadores do conceito de “festa” que o sanfoneiro e a produtora pretendem imprimir e valorizar no disco. Abriram mão do vil metal e entraram na roda pelo puro deleite expoentes como Laércio de Freitas, François de Lima, Toninhos Ferragutti e Porto, Rodrigo Sater, Guelo e Zé Pitoco, galera com quem ambos trocam figurinhas corriqueiramente.

E não pára por ai: Da Reza à Festa, embora seja predominantemente instrumental, terá ainda um coral feminino dos mais marcantes em Nié (apelido de Daniel Carizzato, padrinho de Flora, filha de Thadeu e de Lu Lopes) estrelado por Lilian Estela, Gabi Milino, Anaí Rosa, Bárbara Rodrix e Renata Pizi.

Flora, aliás, inspirou Florata, composição reservada ao bandoneon que guarda a aura de Piazzolla. O avo, Albino, incorporará, serelepe, em Araritanga do nono Albino.

Outra faixa que merecerá atenção, a valsa Rosa de Sal, juntará Garrincha e Vavá, também conhecidos por Romano e Ferragutti. O acordeon do anfitrião soara em musete, que ele alerta, é, na verdade, uma desafinação, e não uma afinação, francesa.

Em uma obra na qual o clássico e o popular se misturaram sem conflitos de ego e não exigiu malabarismos dos músicos nas rodadas nas quais se encontraram  para botar música na conversa no 185, será possível ao fã de Thadeu Romano distinguir, ainda, notas de melancolia em Sentimento — que ele dedica “a todas as pessoas que eu perdi”, num dos momentos mais introspectivos do álbum. Já alguns certamente sentirão um frêmito próprio de certos transes quando Na Zona do Zé Pilintra baixar no terreiro, enquanto outros, ainda, estranharão batidas mais conhecidas por animar lajes e não forrós. Mas com certeza ninguém ficará esquentando cadeira, seja em casa, seja durante o concerto.

O projeto foi premiado pelo ProAc, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo com verbas previstas em leis para gravação do disco e circulação em cinco shows, que Lu Lopes pretende ampliar na primeira turnê para ao menos seis. Depois da apresentação na Unibes, serão contempladas cidades do Interior paulista. Mas Lu Lopes sabe o tesouro que tem em mãos e planeja, inclusive, giros fora do país.

É para pensar alto, mesmo. Thadeu Romano, atualmente, integra a banda do projeto Amizade Sincera, capitaneado por Renato Teixeira e Sérgio Reis, além de acompanhar revelações do meio regional como Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP).Por quase dez anos, fez parte do staff de Roberta Miranda, inclusive a jornadas que o levaram a encantar, não duvidem, até elefantes em Angola. Além de muito querido pela simpatia que de cara vira empatia, a competência de sanfoneiro (sem destoar de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lulinha Alencar, Waldonys, Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon, entre outros) com formação clássica que começou a trajetória tocando em missas na capela do bucólico distrito de Joaquim Egídio (Campinas) completa-se pela tarimba de arranjador multi-instrumentista.

Esta intimidade com a música favorece rápida adaptação a repertórios dos mais ecléticos e abrangentes, permite transitar facilmente entre o ambiente de uma feira livre, um festival ou um concerto clássico.  Não é à toa, portanto, que Thadeu Romano  já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

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Thadeu Romano tocando com Rodrigo Zanc, com Ricieri Nascimento ao fundo, em recente apresentação de “Violas para Dominguinhos”, em São Carlos (Foto: Elisa Espíndola)

Para quem acha que esta lista é pouca bala na agulha, a de violeiros, de caipiras e de congêneres que Romano acompanhou também dá uma ideia de sua versatilidade e tem nomes como Levi Ramiro, Júlio Santin, Milton Araújo, Zeca Collares, Miltinho Edilberto, Arnaldo da Viola,  Yassir Chediak, Vidal França, Dominguinhos, e os grupos musicais Meia Dúzia de 3 ou 4, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Forrozão, Jorge e José, Trio Juazeiro, Choro de Ouro, Choro In Jazz e Tangata Quarteto. Thadeu Romano tem admiradores no Uruguai, e além de Angola, nos africanos Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela Europa, desembarcou na Itália, onde inclusive conheceu Camerano, cidade na qual se fabricam várias sanfonas, ofício que envolve várias famílias que são parentes, como a Scandalli e a Otavianelli.  Foi, portanto, beber na fonte, e, assim, em uma frase, amigos e seguidores… não estamos diante de um bule pequeno de café requentado!

O Barulho d’água Música divulgará a agenda de todas as apresentações, mas antes da estreia de Da Reza à Festa, quem ainda não conhece Thadeu Romano poderá conferir suas qualidades na sexta-feira, 15 de abril, quando a partir das 21 horas, ele estará no palco do Sesc Pompeia para participar do lançamento do álbum de Cláudio Lacerda Trilha Boiadeira. Também estão confirmados para a ocasião Neymar Dias (violas), Igor Pimenta (contrabaixo) e Kabé Pinheiro (percussão).

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818 – Xangai, Ednardo, Tom Zé, Amelinha, Chico César: trilha sonora de Velho Chico embala novela que estreia em março

Velho Chico, mais uma telenovela com temática regionalizada com o dedo brilhante de Benedito Ruy Barbosa, escola que ganhou força no início dos anos 1990 quando ele produziu Pantanal para a extinta TV Manchete, já está sendo anunciada pela Rede Globo para suceder a inverossímil trama que atualmente ocupa o horário nobre da emissora e já deu com tanto maniqueísmo de feira, clichês, pancadões e regravações de gosto duvidoso de baladas românticas. Apoiada pela mesma fórmula de sucesso das histórias anteriores que o escritor assinou (desta, na verdade, será supervisor, pois a autoria cabe a Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto, respectivamente de Benedito Ruy Barbosa) Velho Chico tem estreia prevista para março, quando na telinha passarão a comparecer atores consagrados do primeiro escalão da teledramaturgia de Pindorama contracenando com novatos (em sequências de tirar o fôlego, captadas em muitos planos abertos e apresentadas por fotografias dignas de Urso de Prata) e serão ouvidas músicas que compõem uma trilha sonora “recheada de brasilidade”, como indica o produtor musical Tim Rescala.

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Tarcísio Meira mais uma vez integra elencos convocados para as novelas que Benedito Ruy Barbosa escreve ou supervisiona e viverá Jacinto na trama que, em sua primeira fase, levará o telespectador para vários passeios pelo Rio São Francisco (Foto: Caiuá Franco/Globo; em destaque, imagem de Xangai, em uma das chamadas da emissora)

Os capítulos remontarão ao final da década dos anos 1960 e levarão o telespectador à cidade fictícia de Grotas de São Francisco, que se situaria em solo do Nordeste, às margens do majestoso e poético Rio São Francisco, desenrolando a novela em fases até a entrada nos dias atuais, outra das características do consagrado avohai. Para tanto, haverá compartilhamento de personagens, como Ruy Barbosa também já fez, por exemplo, na própria Pantanal e em O Rei do Gado. Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Rodrigo Santoro, Camila Pitanga, Selma Egrei, Christiane Torloni, Marcos Palmeira, Chico Diaz  atuarão ao lado de nomes menos tarimbados (o que não significa pouco talentosos em se tratando dos núcleos da Vênus Platinada!) tais como Julia Dalavia, Mariana Nery, Fabiula Nascimento e Pablo Morais, além do cantor e compositor baiano Xangai, que à pia batismal ganhou o nome de Eugênio Avelino.

Ao ser chamado para a trama, Xangai ganhou a mesma oportunidade (e reconhecimento) conferido a Almir Sater, Sérgio Reis, Yassír Chediak, Daniel, Rodrigo Sater e Gabriel Sater, por exemplo, que Ruy Barbosa já escalou em outras novelas de mesmo perfil. O parceiro, entre outros vates da música regional, de Elomar Figueira de Melo já protagoniza chamadas de Velho Chico (veja foto no destaque) e abrilhantará a trilha sonora para a qual a composição escolhida é Incelença pro amor retirante, que compôs com o mulungo criador de bodes de Vitória da Conquista (BA). O cearense Ednardo, que emplacou Pavão Misterioso (Pavão Mysteriozo) e decolou a partir da inclusão dela em Saramandaia (1976) ressurge com outro de seus grandes sucessos, Enquanto Engoma a Calça, que escreveu com Climério. O irreverente Tom Zé defenderá Senhor Cidadão dentro de um baú de joias que terá ainda pedras preciosas tais quais Amelinha, Marcelo Jeneci, Chico César, Renata Rosa, Alceu Valença, e Caetano Veloso cantando ou interpretando canções autorais ou de Robertinho do Recife, Capinam, Vital Farias, Thiago Pethit e Héli Flanders — dupla que contribuirá com L’Étranger (Forasteiro), com participação de Tiê, música que Cida Moreira gravou em seu álbum Soledade, de 2015.

“O Nordeste é o foco”, comentou Tim Rescala sobre o repertório, que, de acordo com ele, valoriza os toques de um sentimento nacional com características daquela região brasileira. A escolha das músicas coube a Luiz Fernando Carvalho – diretor da novela, “eu apenas dei uma assessoria”, complementou Rescala, que ainda assina o arranjo e a regência de Tropicália, canção gravada por Caetano Veloso e pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que fará parte da abertura da novela.

Também o figurino de Velho Chico busca retratar com fidelidade a identidade brasileira que será a tônica dos demais recursos artísticos empregados para realçar a cenografia. Para ter as roupas ao gosto do projeto, recorreu-se a um processo inteiramente artesanal que de acordo com a figurinista Thanara Schonardie exigiu descoloração de tecidos e tingimentos até ser alcançada a cor definida. Nas primeiras fases, predominarão, por exemplo, tons pastéis para os personagens sertanejos, enquanto matizes saturadas vestirão os que habitam o meio urbano.

Repertório do primeiro álbum de Velho Chico

Tropicália
Intérprete: Caetano Veloso
Autor: Caetano Veloso

Gemedeira
Intérprete: Amelinha
Autores: Robertinho do Recife e Capinam

Me leva
Intérprete: Renata Rosa
Autora: Renata Rosa

Flor de tangerina
Intérprete: Alceu Valença
Autor: Alceu Valença

Enquanto engoma a calça
Intérprete: Ednardo
Autores: Ednardo e Climério

Veja Margarida
Intérprete: Marcelo Jeneci
Autor: Vital Farias

Como 2 e 2
Intérprete: Gal Costa
Autor: Caetano Veloso

L’Étranger (Forasteiro)
Intérpretes: Thiago Pethit part. Tiê
Autores: Thiago Pethit e Héli Flanders/ Versão: Dominique Pinto e Rafael Barion

I-Margem
Intérprete: Paulo Araújo
Autores: Paulo Araújo e João Filho

Incelença pro amor retirante
Intérpretes: Xangai participação Elomar
Autor: Elomar

Serenata (Standchen)
Intérprete: Chico César
Autor: Franz Schubert, Ludwig Rellstab e Arthur Nestrovski

Pot-pourri Suíte Correnteza – Barcarola do São Francisco, Talismã e Caravana
Intérpretes: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai
Autores: Geraldo Azevedo e Carlos Fernando (Barcarola do São Francisco), Geraldo Azevedo e Alceu Valença (Talismã), Alceu Valença e Geraldo Azevedo (Caravana)

Triste Bahia
Intérprete: Caetano Veloso
Autores: Caetano Veloso e Gregório de Mattos

Senhor cidadão
Intérprete: Tom Zé
Autor: Tom Zé

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Tom Zé também está escalado para a trilha sonora de Velho Chico, álbum cujo repertório realça a brasilidade que os produtores da nova novela da Globo buscam imprimir à trama (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

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767 – Guilherme Argentão, músico do Grupo Violado (SP), comemora hoje mais um aniversário!

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Guilherme Argentão (de camisa azul) e os parceiros com os quais gravou o segundo álbum do Grupo Violado: Fernando Tal (de gravata), Bruno Paparoti (de chapéu) e Filipe Rozinelli (Foto: Divulgação Grupo Violado)

A folhinha do Barulho d’água Música registra que hoje é aniversário do produtor cultural Guilherme Argentão, músico de Santa Barbara d’Oeste (SP) que integra o Grupo Violado de Música Raiz, no qual toca bateria e percussão. Guilherme e os amigos Fernando Tal (vocais e violão), Bruno Paparoti (viola caipira, violão e vocais) e Filipe Rozinelli (baixolão e violão) compõem a formação que no começo deste ano gravou uma autêntica viagem ao universo caipira por meio das faixas de Viola Enfeitiçada, segundo álbum o Grupo Violado cujo repertório de treze composições traz seis autorais e participações especiais de Rodrigo Zanc (violeiro de São Carlos, autor em parceria com Isaías Andrade da faixa título) do cantor Milionário (Sonho de um Caminhoneiro), do acordeonista Gerson Douglas (Chão Pantaneiro) e de Os Favoritos da Catira (Gato de Três Cores). 

O Grupo Violado está na estrada desde 2006 e, em 2009, lançou o primeiro álbum independente em disco e em vídeo, ao vivo. O trabalho batizado como Espetáculo de Viola reúne clássicos da moda de viola raiz e na ocasião o time atuava com Antônio Amaral Freire (violão e segunda voz) e João Paulo Froner (viola caipira), além de Guilherme Argentão, Fernando Tal e Filipe Rozinelli; o atual violeiro, Bruno Paparoti, é regente da Orquestra de Violas de Americana, cidade vizinha à Santa Bárbara d’Oeste. Espetáculo da Vida projetou o Grupo Violado no cenário da autêntica música de raiz e chegaram os reiterados convites para apresentações nos circuitos do Sesc São Paulo, teatros, festas de cidades e Virada Cultural Paulista, entre outros palcos, sempre acompanhadas por lotações plenas dos auditórios e numeroso público. O Grupo Violado também tem no currículo gravações em programas de televisão como Caminhos da Roça, de Mazinho Quevedo; Arena do Som, na TV Século XXI, e Terra da Padroeira na TV Aparecida.

O Barulho d’água tem o primeiro disco em seu acervo e o DVD correspondente gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, em Santa Bárbara d’Oeste, autografado por  Filipe e Guilherme. Volta e meia o álbum rola no Solar da Lageado, pois recria a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, clássicos de raiz  como A Volta do boiadeiro, de Sulino e Marrueiro, — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual este blogueiro se reencontrou assistindo justamente ao vídeo, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

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A canção destacada é a #3 de 17 do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro e uma releitura  de Vide, Vida Marvada, de Rolando Boldrin; para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Sempre volto aos quintais da infância, revisito tempos distantes e já meio esmaecidos que, na verdade, não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida — tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda recém cagada de boi ou  de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja.

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As memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente. O maior mérito que trabalhos como os discos do Guilherme Argentão e dos seus amigos é justamente este: impedem que morram ou fiquem relegadas nossas tradições, abrem a porteira que as aprisiona para que corram a galope, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito. Ah, então, vamos deixar de prosa e parafraseando Paulo Freire … vai ouvindo, vai ouvindo (e assistindo) e não se contenha se, de uma hora para outra, a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar!

Feliz aniversário, Guilherme Argentão, e sucesso sempre!

Repertório do álbum Viola Enfeitiçada

Para quem ainda não os possui, os dois álbuns e o DVD mencionados neste texto podem ser encomendados diretamente com os músicos que, assim como o Grupo Violado, mantêm perfis em mídias sociais.

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1 -Viola Enfeitiçada (Participação especial Rodrigo Zanc)
2- Pego Pesado
3- Sonho De Um Caminhoneiro (Participação especial Milionário)
4- Caçador
5- Ponto Fraco
6- Amor e Saudade
7- Não Fale Mal Da Viola
8- Malandro Da Barra Funda
9- Gato De Três Cores (Participação especial Os Favoritos Da Catira)

10-Chão Pantaneiro (Instrumental)
11-Difícil Encontrar
12-Liguei Pra Dizer Que Te Amo
13-Peça Meu Mundo

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