1229 – Instituto Cultural Abrapalavra promove Mostra Internacional de Violão em Beagá (MG)

De acordo com o cronograma do evento, plateia apreciará concertos de violão e poderá trocar ideias e experiências com Elodie Bouny, André Siqueira, Diego Salvetti, Lucas Telles, Conrado Paulino, Celso Faria, Alessandro Soares, Letícia Leal e José Lucena Vaz.

O Conservatório da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sediará entre amanhã, 4, e a sexta-feira, 6 de setembro, o evento musical que proporá o encontro entre a tradição e a pluralidade Sons da cidade: Mostra Internacional de Violão de Belo Horizonte, que deverá levar à Capital mineira importantes violonistas da música brasileira e internacional como protagonistas de recitais, além de rodadas de bate-papos para potencializar relações de convivência. Os participantes receberão certificados e poderão acompanhar as sessões de conversas com a ajuda de tradutores especializados em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais).

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1218 -Luiz Vieira (PE) ganha tributo aos 90 anos em espetáculo gravado e disco pela Kuarup 

Álbum celebra a obra do consagrado compositor através de intérpretes de diferentes gerações em novas gravações 

Um dos maiores e mais autênticos compositores da música brasileira, o músico cantador pernambucano Luiz Vieira, carinhosamente tratado no meio artístico por Menino Passarinho, completou 90 anos em 12 outubro do ano passado e para celebrar esta data especial, um notável elenco subiu ao palco do Teatro Itália, na cidade de São Paulo, dez dias antes, em 2 de outubro. O objetivo era celebrar a música e a poesia de Vieira na gravação do espetáculo que se transformou em um álbum de 20 faixas e rendeu um programa especial para o Canal Brasil, levado ao ar em 26 de janeiro, Um exemplar do disco, lançado recentemente pela produtora e gravadora Kuarup, está sendo tocado no momento em que redigimos esta atualização, gentilmente enviado à redação do Barulho d’água Música pelo diretor da Kuarup Musica, Rodolfo Zanke, ao qual e à cuja equipe agradecemos.

A gravação das 20 faixas levou ao Itália nomes de diferentes estilos e gerações da música brasileira como Daniel, Renato Teixeira, Zeca Baleiro, Maria Alcina, As Galvão, Claudette Soares, Alaíde Costa, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Moacyr Franco, Ayrton Montarroyos, Socorro Lira, Graça Braga, Anastácia, Verônica Ferriani e Zeca Baleiro, Altemar Dutra Júnior, Célia & Celma, Sérgio Reis, Claudette Soares e Eliana Pittman. A direção musical e os arranjos couberam ao pianista Alexandre Vianna e  a direção artística e a produção a Thiago Marques Luiz.

À época se recuperando de uma pneumonia, Luiz Vieira, por recomendações médicas, não pode comparecer. A ele caberia interpretar ao lado dos filhos mais novos (os gêmeos de 11 anos, Jorge e Luiz) Ponteio (Edu Lobo). Outra ausência sentida foi a de Ângela Maria, inicialmente escalada para coordenar a festa e receber os demais convidados, mas a Rainha do Rádio partiu dias antes, em 29 de setembro. Ela também se tornaria nonagenária em 13 de maio deste ano e também acabou homenageada no show.

O álbum da Kuarup é mais uma obra prima da gravadora que ressurgiu das cinzas, agora nas mãos da competente equipe de Zanke. Resgata e ajuda a tornar ainda mais admirados sucessos de Vieira que já atravessam décadas e estão na memória afetiva de várias gerações como Menino de Braçanã, Prelúdio Pra Ninar Gente Grande (em cuja letra há os versos que renderam ao homenageado o apelido “Menino Passarinho”), Paz do Meu Amor, Inteirinha, Na Asa do VentoGuarânia da Lua Nova. Algumas das vozes que as interpretam agora são contemporâneas de Luiz Vieira e gravaram canções dele nos anos 1950 e 1960, como os Agnaldos e Moacyr Franco,  E o texto de apresentação do álbum é de outro ícone da cultura nacional, o Sr. Brasil Rolando Boldrin, que se inspirou na carreira de Luiz Vieira nos anos 1960 para se tornar o famoso apresentador de causos e canções da televisão brasileira, hoje na TV Cultura. 

Luiz Vieira, natural de Caruaru (PE), tem profícuos 70 anos de carreira. Nesta rica trajetória gravou dezenas de discos, foi apresentador de rádio, de televisão de importantes emissoras e teve músicas gravadas por mais de 100 expoentes da MPB incluindo Maria Bethânia, Rita Lee, Caetano Veloso, Ivan Lins, Zizi Possi, Paulinho da Viola, Fagner, Alceu Valença, Nara Leão, Luiz Gonzaga, Evinha, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Marlene, Inezita Barroso, Amelinha, Taiguara e Elba Ramalho, entre outros.

Luiz Rattes Vieira Filho de batismo, recebeu o nome de um dos avôs. Ainda aos dois anos, ficou órfão da mãe, e, antes dos dez se mudou para o estado do Rio de Janeiro para ser criado pelo avô, em Alcântara, município de São Gonçalo. Na ex-capital federal, a cidade do Rio de Janeiro àquela época, exerceu diversas atividades antes de ingressar na vida artística: chofer de caminhão, motorista de táxi, guia de cego, engraxate e lapidário. Ainda criança, cantou em circos e em parques de diversão e somava oito anos ao produzir sua primeira composição.

No início da carreira, Luiz Vieira preferia músicas românticas, valsas e samba-canções. Em uma rodada do programa de Renato Murce, na cidade do Rio de Janeiro, imitou Vicente Celestino, apresentou-se como crooner de orquestra num cabaré do bairro carioca da Lapa e assim conseguiu ser contratado pela Rádio Tupi, por intermédio de Paulo de Grammont. Em 1950, já integrava o cast das rádios Tupi e Record, de São Paulo, que pertenciam às Emissoras Associadas.

A canção Menino de Braçanã, composta em 1953 (em parceria com Arnaldo Passos), tornou-se seu primeiro sucesso, na voz de Roberto Paiva e, em seguida, o cantor Ivon Curi a gravou. No disco dos 90 anos, a interpretação coube a Renato Teixeira, acompanhado, entre outros, músicos pelo acordeonista do momento, Thadeu Romano. (Também participam do álbum  Ronaldo Rayol, ao violão, João Benjamin, ao baixo acústico e  o baterista Rafael Lourenço,)  

Entre 1954 e 1961, além de cantor da rádio e televisão Record paulista, Viera passou, ainda, pela Rádio Nacional (CBN). O programa Encontro com Luiz Vieira, levado ao pela extinta TV Excelsior, no canal 9, de São Paulo, estreou em 1962 e neste mesmo ano Vieira ganharia as paradas de sucesso com a canção Prelúdio Pra Ninar Gente Grande — que no álbum da Kuarup ganhou as vozes da trinca Timóteo, Rayol e Franco. Em 1963, emplacou outro grande sucesso, Paz do Meu Amor (Prelúdio nº 2), que Daniel reinterpretou, abrindo os trabalhos no Teatro Itália.

Luiz Vieira chegou a fazer diversas viagens aéreas por semana para cumprir agendas em cinco programas de televisão, cruzando o país, do Ceará ao Rio Grande do Sul. Também se tornou locutor da Rádio Manchete e é estudioso das músicas de cordel.

Faixas do álbum: 1. Paz do Meu Amor (Daniel)/ 2. O Menino de Braçanã (Renato Teixeira)/ 3. Guarânia da Lua Nova (As Galvão) / 4. Guarânia da Saudade (Ayrton Montarroyos) / 5. Os Olhinhos do Menino (Altemar Dutra Júnior) / 6. Estrada da Saudade (Célia&Celma) / 7. Inteirinha (Claudette Soares) / 8. Na Asa do Vento (Verônica Ferriani e Zeca Baleiro) / 9. Estrada do Colubandê (Maria Alcina e Edy Star) / 10. Pagando o Pato (Raimundo José) / 11. Maria Filó/O Danado do Trem (Anastácia) / 12. Corridinhos da Saudade (Socorro Lira) / 13. Balada do Amor Sublime (Moacyr Franco) / 14. Cativo (Sérgio Reis) / 15. Resto de Quem Parte (Agnaldo Rayol) / 16. Estrela Miúda (Graça Braga) / 17. Nossos Destinos (Eliana Pittman) / 18. Estrela de Veludo (Márcio Gomes) / 19. Poema de Um Bruto (Agnaldo Timóteo) / 20. Prelúdio Pra Ninar Gente Grande/Menino Passarinho (Agnaldo Timóteo, Agnaldo Rayol e Moacyr Franco).

https://music.apple.com/br/album/luiz-vieira-90-anos-ao-vivo/1461566990

Querido amigo e amado poeta LUIZ VIEIRA 

Ao ver você “dobrar” a “Esquina da Vida” (90), cercado de discípulos maravilhosos. numa comemoração tão “arretada”, tive Inevitavelmente que “voar” com o pensamento pra mentalizar os anos quando você apresentava o seu programa de TV. na Excelsior.

Ali. ao VIVO e em preto e branco, você “desfilava” suas obras, contava e declamava belíssimas histórias nordestinas

Foi ali, vendo e assistido emocionado as suas declamações. (Zé da Luz – “Brasil Caboclo”) e vendo a sua impecável Interpretação no seu eterno “MENINO PASSARINHO” que senti passar o meu ANJO bom (que me acompanha até hoje). pra sentenciar-me – Está aí. ROLANDO BOLDRIN Este deve ser e será o seu “caminho”. É Isso que você deve APRENDER a fazer: emocionar as pessoas. contando e cantando um BRASIL de verdade 

Foi ali, assistindo emocionado você, que escolhi o meu “DESTINO” de artista brasileiro. Por Isso, amado Poeta, LUIZ VIEIRA, você foi, ainda é e continuará sendo, eternamente, o meu maior MESTRE. 

Um grande beijo deste seu ETERNO admirador. que por motivos de “Viagem” não estava presente em CARNE-E-OSSO na sua FESTA.

PARABÉNS MESTRE LUIZ VIEIRA

Rolando Boldrin, outubro de 2018 

Braços curtos

A música Menino de Braçanã foi o primeiro sucesso de Luiz Vieira, que a gravou, em 1954, pela gravadora Todamérica, apontou o articulista Paulo Peres, autor em 28 de maio de 2017 do texto Um menino de Braçanã, que trazia Jesus Cristo no seu coração, publicado no portal Tribuna da Internet.

Peres observou:“Braçanã é um lugar situado no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, onde Luiz Vieira morou algum tempo. Antigamente, as terras para serem vendidas eram medidas através de braçadas, isto é, a pessoa abria os braços e, consequentemente, contava uma, duas, cem, mil braçadas etc.  Entretanto, se alguém desconfiasse que a medida não estava correta, dizia que a terra parecia ter sido medida pelos braços de uma anã, surgindo, daí, o nome Braçanã”.

Sobre a Kuarup 

Especializada em música brasileira de alta qualidade, o seu acervo concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros. 

Kuarup Música, Rádio e TV: http://www.kuarup.com.br 

Telefones: (11) 2389-8920 e (11) 99136-0577/ Rodolfo Zanke rodolfo@kuarup.com.br/

 

1185 – Renato Teixeira faz apresentação única em teatro de Osasco (SP) de “Um poeta e um violão”

Consagrado cantor e compositor santista, inclusive de premiado jingle, rememora maiores sucessos da carreira em espetáculo minimalista que valoriza a poesia das letras do repertório, permeado por causos que ele conta entre as músicas, registradas em mais de 20 álbuns

O cantor e compositor Renato Teixeira será atração na sexta-feira, 24 de maio, do Teatro Municipal Glória Giglio, situado em Osasco, cidade da região Oeste Metropolitana de São Paulo a 18 quilômetros da Capital, com acessos pelas rodovias Castello Branco e Raposo Tavares e pelo Rodoanel Mário Covas. O consagrado autor de Romaria cantará a partir das 21h30 este e outros sucessos da carreira que já chega aos 50 anos de estrada e está registrada em mais de 20 álbuns solo ou em parceria (ver guia Serviços e o quadro Discografia ao final desta atualização).

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1169 – Marcos Zam, compositor paulista radicado em MG, tem disco em homenagem ao Paraopeba

Rio que banha cidades de vários estados a partir da nascente em Minas Gerais, afetado gravemente pela lama da barragem de Brumadinho, dá nome ao primeiro álbum do violeiro que tem mais de 500 composições próprias

As tradicionais audições aos sábados pela manhã aqui na redação do Barulho d’água Música neste dia 23/3 começaram com uma coletânea de músicas de Marcos Zam,  paulista de Santo André radicado na cidade de Betim, localizada na Grande Belo Horizonte, a 26 quilômetros da Capital de Minas Gerais.

A seleção de 20 trilhas foi disponibilizada pelo blogue Em Cantos Sagrado da Terra em junho de 2018 e destaca faixas de Paraopeba, disco gravado em 2008 beneficiado pela lei municipal de incentivo à cultura de Betim, o primeiro de Zam. Paraopeba  traz 13 faixas ao som de belas violas e instrumentos típicos do cancioneiro caipira, todas composições próprias em parcerias com amigos das mais poéticas que pedem parar um tempo a correria da vida para ouvi-lo, curtindo o balanço de uma rede ou um pedaço de broa de milho com café, ao pé do fogão de lenha. As trilhas são tocadas em ritmos dos mais diversos, da moda ao pagode de viola; entre as outras faixas pinçadas para a coletânea estão as clássicas Cuitelinho e Marcolino (Pena Branca) e  instrumental Mato Grosso; mas o destaque deste repertório é a faixa título, a número 7, que dá nome ao álbum, Paraopeba uma bela homenagem ao rio que hoje agoniza sofrendo os efeitos colaterais da lama que escorreu após o rompimento em 25 de janeiro da barragem de Brumadinho.

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1165- Kuarup lança “Canta Inezita”, álbum que homenageia Rainha da Música Caipira

Consuelo de Paula, Maria Alcina, As Galvão e Cláudio Lacerda interpretam 15 clássicos eternizados na voz da dama da viola,  a imortal Inezita Barroso

Ontem, 8 de março, data dedicada ao Dia Internacional da Mulher, completaram-se quatro anos da morte de Inezita Barroso — apenas quatro dias depois de ela ter completado 90 anos de vida.  Em homenagem à data global e para reverenciar a memória e a obra da Rainha da Música Caipira, o selo Kuarup lançou nas plataformas digitais e nas lojas Canta Inezita, aproveitando o espetáculo gravado ao vivo reunindo intérpretes de diferentes estilos e gerações no teatro do SESC Santo André, em São Paulo, nos dias 17 e 18 de agosto de 2018, com sucessos da apresentadora do programa Viola Minha Viola, cantora, atriz, violonista, professora e folclorista, uma das principais personagens da história da música popular brasileira. O álbum, gentilmente enviado à redação pela Kuarup, pelo qual mais uma vez agradecemos ao amigo Rodolfo Zanke e equipe, foi o escolhido para as tradicionais audições aos sábados pela manhã neste dia 9 de março aqui no Barulho d’água Música.

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1104 – Música do Brasil perde Zé Béttio, comunicador popular que está na raiz e na alma deste blogue

Apresentador que fez fama acordando o país com bordões e personagens que estão na memória do povo morreu, ironicamente, dormindo, em São Paulo

Já há quase uma semana, na segunda-feira, 27 de agosto, foi-se embora para o Plano Celestial Zé Béttio,  que alguns grafam também como Zé Bettio, considerado por muitos “o maior comunicador popular de todos os tempos”. Se pode gerar dúvidas  o jeito como se deve escrever o nome do apresentador dos programas de rádio que marcaram a minha vida, ainda na tenra infância, e são responsáveis, hoje, por eu estar à frente deste blogue, o título entre aspas, com certeza, é mais do que merecido e indiscutível.

Vou ficar com a opção Zé Béttio, ao qual e à cuja família envio meu respeito e reverências e transmito meus votos de pesar, para recordar que minha paixão por modas de viola (primeira razão do Barulho d’água Música existir) começou e se desenvolveu ouvindo clássicos como Poeira, com Duo Glacial; Chitãozinho e Xororó e “Sessenta dias apaixonado”, com a dupla homônima; Velha Porteira, com Lourenço e Lourival; Saudades de Minha Terra, com Belmonte e Amaraí; Flor do Cafezal ou Índia, com Cascatinha e Inhana; vários dos pagodes de Tião Carreiro e Pardinho; Moça do carro de boi, com Carlos Cezar e Cristiano; As Andorinhas, com o Trio Parada Dura; Menino da Porteira, com Sérgio Reis; A Gaivota, com Léo Canhoto e Robertinho; Berrante de Ouro, com Duduca & Dalvan; Estrada da Vida, com Milionário e José Rico, entre tantas outras que ajudaram a formar meu gosto; “a música quando é boa, e não bandalheira, faz bem pra gente”, ele dizia, tocando exclusivamente música sertaneja de raiz.

Eu era um garoto medroso, às vezes de madrugada ou no começo da manhã acordava assustado (até hoje não sei por que motivo!)  e para me acalmar me aboletava aos pés da cama de meus pais, Geraldo Caetano e Catarina Anjos de Lima, que ainda não haviam se levantado, mas estavam despertos, fazendo uma “horinha”.  O “velho”, sempre ligado a um rádio à pilhas Everedy (a do “gato” ou as “amarelinhas”) que mais chiava do que “proseava”, invariavelmente estava ouvindo o Zé Béttio, na Rádio Record de São Paulo (AM 1.000 KHz), apresentador que sempre “com seu carisma e alto astral” não apenas tocava músicas de um repertório valioso, como ainda divertia muita gente com bordões e quadros com personagens memoráveis (o Gordo, o Guerino, a Fortuna — a vaca que era corintiana, “preta da cara branca; a “Gatona”) que àquela  época todos curtiam, mas que hoje, como algumas coisas ficaram chatas,  poderiam até ser tachadas de “politicamente incorretos”, sem contar o “carnaval” que promovia com cucos, buzinas, campainhas  e sons os mais estridentes para acordar todo mundo, se fosse preciso “jogando água” e mais “água” nos “cabra da muléstia”.

Zé Bettio partiu aos 92 anos. Curiosamente — para quem tirava da cama “o maridão que pensa estar com  o burro na sombra” e nossos pais e avós fazendo tanto barulho  ao ponto de, entre outros títulos, colecionar também o de “despertador do Brasil” –, morreu enquanto dormia, em casa, no bairro Horto Florestal, na Zona Norte da Capital paulista.

Era funcionário da Rádio Difusora de Guarulhos quando, ao assumir o microfone para ler um texto publicitário, acabou se tornando locutor por acaso, pois o titular do horário havia faltado. O jeito de ele transmitir o “reclame”  não passou despercebido pela direção da emissora, que acabou o efetivando, valorizando seu modo irreverente e simples de dar os recados na “latinha” .

Zé Béttio (ao volante) entre amigos, em uma rara imagem pública, às portas da Rádio Cometa, em São Paulo

Da Difusora,  Zé Béttio se transferiu para a Rádio Cometa, mas sua enorme popularidade, entretanto, ganhou corpo na Rádio Record, na década dos anos 1970, estúdio no qual seus bordões ficaram eternizados na memória de seus ouvintes e lançou diversos artistas que se tornaram consagrados, como a dupla Milionário e José Rico; ele fez parte, ainda, dos quadros da Rádio Capital.  A revista Vejinha, no dia se sua morte, observou que Zé Béttio fora  “uma espécie de Silvio Santos do rádio”, um comunicador respeitado e imitado que, com sua simplicidade, cativava a todos.

Sapateiro e jogador de futebol

Zé Béttio se aposentou apenas em 2009, encerrando a carreira na Rádio Record, aos 81 anos. Há pouco mais de dois anos sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), do qual se recuperou bem, mas vinha vivendo desde então com algumas limitações e recluso, entre a casa do Horto Florestal e fazendas que possuía em Garça e  Rinópolis, ambas no  estado de São Paulo, organizando memórias para lançar um livro que, quiçá, apareçam  editoras interessadas em publicar; é notório, ainda, que era avesso à mídia e à aparições públicas, dizem que por ter sofrido uma doença rara, a qual teria deixado marcas em sua face.

Zé Béttio era natural de Promissão, onde veio à luz em 2 de janeiro de 1926. Antes de abraçar a música, foi sapateiro e até jogou futebol no Clube Atlético Linense. Em sua carreira percorreu o interior de São Paulo e do Paraná com o trio Sertanejos Alegres (junto com Antonio Moraes e Afonso) e, após o término do grupo, passou a tocar sanfona em um concurso de calouros da Rádio Tupi, quando conheceu alguns outros músicos e formou o Zé Béttio e seu Conjunto, que se apresentou algumas vezes na Rádio Cometa e gravou seu primeiro disco, em 1958.

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1086 – Brasil dá adeus a Amaraí, eternizado por “Saudade de Minha Terra”
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1098 – Conheça Rodrigo Procknov (SP), violonista elogiado por Baden Powell e arranjador de Renato Teixeira e Sérgio Reis

Com dois álbuns já gravados e mais dois a caminho, músico paulistano surpreende por composições que ecoam sua formação erudita, estudos de jazz e a paixão pela música latino-americana

 

O Barulho d’água Música apresenta aos amigos e seguidores Rodrigo Procknov, paulistano bacharel em violão, compositor e intérprete atualmente radicado em Belo Horizonte (MG), autor dos álbuns instrumentais Serra Pontiada (solo) e Ostinato Nordestino, este em parceria com Gerson Silva Júnior (saxofone alto), com o qual forma o Batuta DuoCom uma produção própria e uma trajetória como arranjador — que tem no currículo a assinatura de trabalhos que incluem arranjos do show de Sérgio Reis e Renato Teixeira, 50 anos de amizade –, Procknov atua como múltiplo artista, desempenhando trabalhos nos campos da orquestração, arranjo, acompanhamento e interpretação como violonista.

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1096 – “Mestiçaria”, álbum de Lula Barbosa e Luciano Thel, celebra a miscigenação e o ecletismo que formam o brasileiro

O álbum, 14ª da carreira do paulistano que despontou com o vice-campeonato do Festival dos festivais é uma homenagem às nossas gentes,  sem a pretensão de ser panfletária, mas  autenticamente brasileiro
Marcelino Lima, com Osni Diaz e Luciano Thel

A audição matinal do sábado, 18 de agosto,  no boteco do Barulho d’água Música começou com Mestiçaria, um disco dos mais agradáveis de serem ouvidos não apenas pela voz cativante de Lula Barbosa, mas também pela sua proposta. O 14º álbum de Lula Barbosa saiu pelo selo independente Galeão dando alma a um projeto dele e do letrista Luciano Thel, coautor das músicas e produtor executivo da obra. Além da eclética base instrumental da gravação, Mestiçaria traz canções que celebram a brasilidade e repercutem o mito formador da amálgama chamada Brasil – sem perder de vista a perspectiva universalista das muitas matizes étnicas e culturais de nossas gentes. O álbum chegou até à redação enviado pelo amigo jornalista do Correio de Atibaia e professor de Jornalismo da Faculdade de Atibaia (SP), Osni Dias, a pedido de Thel, aos quais agradecemos.

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1086 – Brasil dá adeus a Amaraí, eternizado por “Saudade de Minha Terra”

Voz que gravou uma das joias do nosso cancioneiro foi parceiro de Belmonte, com quem legou à cultura caipira mais de 20 sucessos de todos os tempos
Marcelino Lima

O corpo de Domingos Sabino da Cunha, o Amaraí, foi sepultado no domingo, 22, em Alfenas, cidade mineira na qual também descansa Índio Cachoeira, que morreu em abril. Amaraí não resistiu a um infarto sofrido na véspera e deixou quatro filhos, entre os quais Francis Júnior, cantor que aparece no vídeo abaixo, compositor, músico, produtor e intérprete atual do antigo parceiro mais afamado do pai, Belmonte — que se chamava Pascoal Zanetti Todarelli e partiu tragicamente bem antes do combinado em 1972, vítima de um acidente automobilístico no interior paulista, prestes a completar 35 anos. Ao lado de Belmonte, Amaraí ganhou fama como um dos intérpretes da canção Saudade da Minha Terra, considerada o hino do meio caipira.

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1028 – América 4 lança em Vila Velha (ES) álbum comemorativo aos 30 anos de estrada

O Grupo América 4 está com novo álbum concluído e convida admiradores e amigos para o lançamento que marcará 30 anos de trajetória independente em defesa de culturas de povos latino-americanos como os guaranis, os aymaras e os mapuches. O concerto de estreia, com entrada franca, está marcado para a sexta-feira, 9 de março, a partir das 20 horas, no Teatro de Vila Velha, uma das mais importantes cidades do Espírito Santo, distante cerca de 180 km da Capital, Vitória, para quem escolhe viajar pela BR 101.  O América 4 tem embriões tanto no Estado capixaba, quanto no vizinho Minas Gerais, onde viviam na década de 1980 os músicos já de larga experiência e trajetórias artísticas oriundos do Brasil , da Bolívia, da Argentina, do Peru, do Uruguai, de Honduras e da Venezuela, entre eles Jorge Tobi Gil, com o qual o Barulho d’água Música mantém estreito contato. É em Vila Velha que está estabelecido o trabalho de resistência musical que encanta o público combinando as sonoridades de instrumentos típicos — alguns artesanais — como  zampoña, toyo, quenacho, charango, casaca, bombo legüero, tambores de Congo e tambores de Maracatu, entre outros, que dão ao América 4 uma identidade própria no cenário da cultura latino-americana. Continue Lendo “1028 – América 4 lança em Vila Velha (ES) álbum comemorativo aos 30 anos de estrada”