1034 – Tavinho Moura recebe amigos e lança no Clube da Esquina (MG) O Anjo na Varanda

O 18° álbum do mineiro de Juiz de Fora traz safra singular de canções de um dos mais originais e sofisticados compositores do Brasil

Marcelino Lima, com Dubas Música

O cantor, compositor, escritor e fotógrafo Tavinho Moura, um dos mais aclamados violonistas e violeiros do país, lançou no dia 10 de março o décimo-oitavo álbum da carreira em apresentação concorrida que levou amigos e fãs ao templo sagrado da música mineira, o Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte (MG). O Anjo na Varanda, lançado pelo selo Dubasdá sequência à premiada carreira iniciada com Como Vai Minha Aldeia, há 40 anos.

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857 – Galeria do Sr. Brasil entroniza Dércio Marques (MG) ao lado de músicos notáveis como Noel Rosa e Tom Jobim

Estandarte com a imagem de Dércio Marques foi entronizado ao lado de outros de expoentes da música brasileira de qualidade que decoram as paredes laterais à plateia e ao palco do teatro do Sesc Pompeia, situado em São Paulo, no qual transcorrem as gravações do programa Sr. Brasil, capitaneado por Rolando Boldrin. O querido apresentador sempre gosta de contar ao público antes de começar a receber os convidados a razão pela qual — em trabalho conjunto com sua produção, que tem à frente a esposa, Patrícia Maia, e ainda o sobrinho, Lenir Boldrin — decora o ambiente com as bandeirolas remissivas às congêneres de festas santificadas e relembra fatos e dados sobre a biografia dos homenageado. Boldrin comenta que alguns daqueles artistas que formam o altar póstumo “partiram antes do combinado”, salienta que todos deixaram lacunas e que todos, independentemente do estilo ou vertente musical que representavam, contribuíram de forma irrefutável à cultura popular e à preservação de tradições brasileiras. E antes de dar o “ok” para que entre a primeira atração da noite, pede humildemente aos ídolos que abençoe os trabalhos e todos os envolvidos.

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Colabore com a campanha para gravação do DVD com Susana Travassos dos quarenta anos de carreira de Ana Terra (RJ)

susana e ana

A compositora e escritora Ana Terra  (RJ) comemora 40 anos de carreira como letrista em 2015 e o marco será celebrado com a intérprete portuguesa Susana Travassos, por meio de um especial de televisão, gravado pelo Canal Brasil em estúdio no Rio de Janeiro, com posterior lançamento em DVD em parceria com uma gravadora/distribuidora. A captação de áudio e de vídeo, bem como a produção do programa especial, serão inteiramente de responsabilidade do Canal Brasil. Os fãs de ambas, além de músicas conhecidas de Ana Terra como Amor meu grande amor, Essa Mulher, Meu Menino e Da cor brasileira, ouvirá inéditas como Água, que nasceu da parceria com Roberto Menescal. Susana interpretará canções de Ana Terra em parceria com Milton Nascimento, Francis Hime, Cristóvão Bastos, Sergio Ricardo, Fred Martins, Elton Medeiros, Gibran Helayel, Eudes Fraga, Cláudio Nucci, Chiquinha Gonzada, Lucina e Sueli Costa. Já Ana Terra participará apresentando textos poéticos pontuando os temas musicais do roteiro de sua autoria, por cinco vertentes: arte, masculino, feminino, amor e mundo.

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Violões do Pará celebra encontro de Salomão Habib e Sebastião Tapajós com Nêgo Nelson e revelações da música do estado

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Do Pará, enviados pelo cantor e compositor amigo deste Barulho d’água Música Jorge Andrade, tem chegado para o acervo do blog ótimos álbuns, de diversos estilos, proporcionando-nos conhecer a variedade de estilos e o talento dos músicos do Norte do país. Além do Bélem Cheio de Bossa 2, entre outros títulos, já enriquece nossa coleção um belo trabalho gravado em dois discos intitulado Violões do Pará, produzido pelo Sesc daquele estado para o selo Violões da Amazônia e que surgiu dos ideais de Carlos Marx Tonini, homem da cultura paraense que sempre se esmerou pela divulgação e valorização da arte de seu povo

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Uma vez estrela, sempre estrela, seja na terra, seja no ar

A querida cantora Katya Teixeira compartilhou com seu público e amigos um registro em vídeo de Dércio Marques cantando no programa Brasil Caboclo “Serra da Boa Esperança”, composição de Lamartine Babo, autor de sucessos populares e famosas marchinhas de Carnaval como “O teu cabelo não nega” e dos hinos dos cinco principais clubes do futebol carioca, incluindo o alvirrubro América FC, entre outros. Lamartine Babo, que se casou com Maria José, irmã de Dércio, hoje é aclamado como uma das estrelas de mais intenso fulgor entre os compositores brasileiros de todos os tempos. A constelação, por sinal, é a mesma na qual agora pulsa também toda a magnificência do cunhado, astro de grandeza e brilho não menos cintilante que aquele, cuja voz há dois anos se calou em um fatídico 26 de junho de 2012.

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As canções de Dércio Marques se notabilizam pela defesa da natureza e de valores dos povos mais simples, presentes em congadas e folias de reis

Sempre acompanhei a carreira do mineiro de Uberaba Dércio Marques, mas não tive a honra de conhecê-lo pessoalmente. Poucos dias depois da morte em um hospital de Salvador, decorrente de complicações após uma cirurgia de retirada de três órgãos vitais, é que soube do ocorrido. E, acreditem, foi por acaso, já que procurava informações sobre outro assunto na internet quando visualizei um linque para a lacônica nota a respeito do óbito. Pasmei: a perda de um ícone como Dércio Marques quase não repercutiu além do círculo mais íntimo de amigos, admiradores, parceiros e familiares; foi tratada como uma pauta menor, corriqueira, sem atenção alguma fora das páginas, dos blogs especializados e dos programas que cultivam o cancioneiro de raiz e iberoamericano, duas das vertentes ao qual ele mais se dedicava na hora de escrever suas obras.

A trajetória marcante e luminosa de Dércio Marques, por sinal, começou a ser traçada em plenos “Anos de Chumbo”, na década dos anos 1970, o que já faz dele alguém cuja biografia merece todo o respeito, assim como se cultua Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Taiguara, por exemplo. Filho de uruguaio, despontou no circuito universitário e independente de shows cantando para os companheiros e para o público canções de Violeta Parra e Atahualpa Yupanqui, entre outros nomes da música do continente. Era um período turbulento demais para letras com cunho libertário e avesso ao poder estabelecido por meio de fuzis, tanques, baionetas e torturas, a ideologização imperava na música popular, mas Dércio assim como Geraldo Vandré e Sérgio Ricardo escolheu marchar pela contramão, sustentando com coragem bandeiras proibidas entre as quais reivindicações políticas e ligadas à ecologia e à valorização da diversidade da cultura nacional, sem jamais fazer concessões.

E assim seguiu até expirar, sempre com a irmã Dorothy Marques ao seu lado, parceiros como a mencionada Katya Teixeira, João Bá, João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Pereira da Viola, Dani Lasalvia, Xangai, Hilton Accioly, Carlos Pita, Milton Edilberto, Luiz Perequê, Diana Pequeno, Elomar, presentes em shows ou assinando com ele letras de conteúdo crítico e identidade. Dércio participou de vários projetos ligados às manifestações do nosso folclore como congado e folia de reis, além de promover entre outros benefícios e bons serviços à sociedade oficinas para crianças e jovens em várias regiões do Brasil. Os álbuns da carreira, como “Fulejo”, “Terra, Vento, Caminho”, “Monjolear”, “Segredos Vegetais”, “Cantigas de Abraçar I e II” não têm ao menos uma faixa em que possa ser acusado de fazer média para afagar meios de comunicação e empresários, nada desvia de seus valores e da sensibilidade de seu modo de olhar desde os pequenos seres até a grandeza de uma floresta que precisa ser preservada; sim, ah, Dércio: tomara que seja verdade, que exista mesmo disco voador que traga até nós um povo inteligente, que valorize a paz e o amor, quiçá tenha lições e soluções a curto prazo para um sistema global de produção e de vida coletiva que já começam a dar sinais de colapso evidenciados por eventos extremos e de proporções calamitosas. Vai ver deriva desta postura engajada o motivo de sua partida ter sido relegada, ofuscada; vai ver tratou-se de uma espécie de troco de emissoras, gravadoras e produtoras que não conseguiram tirar dele compromissos com seus lucros, não conseguiram banalizar seu profícuo trabalho e esvaziar suas mensagens de amor à natureza, aos bichos, aos homens, à vida.

Mas quem nasceu para ser estrela jamais perde o encanto, o viço, a capacidade de orientar, de despertar admiração, de alimentar a poesia, os sonhos. Tal qual os próprios astros que se espalham pelo firmamento, haverá de brilhar ainda por muito tempo. Mesmo que seu corpo já tenha se desintegrado e seja apenas a sua luz que viaje pelo espaço até nossos olhos e corações.