Barulho d'Água Música

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861- Conheça Soledad Bravo, espanhola radicada na Venezuela cuja voz ecoa contra governos tiranos, exalta a democracia e a liberdade

O Barulho d’água Música apresenta hoje, baseado em biografia escrita pela jornalista Ivonne Attas, Soledad Bravo, cantora e compositora que nasceu em Logroño, capital da província e comunidade autônoma de La Rioja (Espanha) e que junto com os pais, perseguidos pela ditadura de Francisco Franco, precisou pedir asilo político à Venezuela, em 1943, adotando, então, o país sul-americano como sua pátria.  A condição de filha de imigrantes com toda bagagem de sonhos e esperanças deixados para trás devido ao exílio configurou sua postura frente à vida e a vocação social que manifesta por meio de sua poética e do seu canto. Escolheu cantar por compromisso social e se entrega com paixão à defesa de causas que considera justas pela melhor convivência e liberdade em sociedade.

 

Acolhida na nova terra, estudou Arquitetura na Universidad Central de Venezuela (UCV). Durante o período como estudante, revelou-se revolucionária de ideário esquerdista, perfil que marca suas primeiras canções, impregnadas do sentimento de busca por justiça social que, à época, acreditava que se poderia instituir apenas por um processo socialista. Por esta forma de pensar, ganhou a simpatia do líder da revolução de Cuba (1959) Fidel Castro e a admiração de cantores cubanos como Silvio Rodríguez e Pablo Milanés, dos quais se aproximou; simultaneamente, na Venezuela, cercou-se de artistas como Alí Primera que professavam seu credo ideológico, no plano interno e em âmbito internacional. Sofía Imber a descobriu e a convidou para o programa de televisão que apresentava: no ar, ao violão, Soledad Bravo causou imediatamente impactos favoráveis e conseguiu abrir as portas para uma carreira de sucesso já solidificada pelo lançamento desde então de cerca de 40 discos.

Com a queda do general que dominava a Espanha (1976), regressou ao país europeu e assumiu o papel de cantora mais famosa e engajada do processo de transição, chegando a gravar um álbum com o poeta Rafael Alberti. De volta à Venezuela, mantém-se comprometida com causas justas, porém como tantos intelectuais para os quais o projeto ideológico abraçado anteriormente resultou em utopia, coloca-se abertamente contra o modelo socialista inaugurado na Venezuela por Hugo Chávez,  depois de morto sucedido por Nicolás Maduro. Soledad continua a cantar canções de Pablo Milanés e Silvio Rodríguez, por exemplo, como fez ao brindar recentemente estudantes em Aula Magna da UCV defendendo a própria autonomia e os presos políticos hoje em cárceres venezuelanos sem acesso ao processo e sem direito à digna defesa.

Comenta-se que o atual modo de pensar de Soledad Bravo derivaria do seu casamento com Antonio Sánchez García, formado em História e Filosofia na Universidad de Chile, país onde ele nasceu. Antonio é autor de livros considerados importantes sobre a ditadura e a democracia. Em entrevistas para emissoras de rádio e de televisão, costuma rechaçar todo regime autocrático, ditatorial e de corte esquerdista e militarista. Soledad Bravo, entretanto, segue amada na Venezuela e comovendo públicos de várias gerações,  que a aplaudem quando canta músicas de protesto e por ter sabido como trocar o discurso político sem rasgar o ideário de valores que empunhou quando jovem e já contestadora.

soledad

Um dos álbuns mais marcantes nesta linha de pensamento e de atividades de Soledad Bravo é a coletânea de músicas do período entre 1968 a 1975, Cantos Revolucionários da America Latina. Naqueles anos quase todos os países da América do Sul estavam sob as botas de atrozes governos, apoiados por interesses sobretudo ianques, mergulhados em regimes de tirania e exceção e que no Brasil, por exemplo, ficou conhecido por “anos de chumbo”. A adoção de ferrenha censura e a perseguição aos opositores eram das mais rígidas medidas de controle das massas, mas Soledad Bravo, com sua poderosa voz e associando cantos folclóricos a letras de protestos, alcançou popularidade em todo o continente ao encarar as ditaduras latino-americanas. Entre as faixas de Cantos Revolucionários, por exemplo, há homenagens aos poetas Federico Garcia Lorca e a Pablo Neruda, ao presidente Salvador Allénde, (deposto por golpe no Chile, em 1973); encontra-se Hasta Siempre (dedicada a Che Guevara, de Carlos Puebla); Su Nombre pode ponerse em versos (de Félix Pita Rodríguez e Pablo Milanés, para Ho Chi Minh, revolucionário e estadista vietnamita); Porqué los pobres no tienen (Violeta Parra); Parabién a La Paloma (que o Tarancón gravou em seu disco Gracias a la vida); Pobre del cantor (Pablo Milanés); e Santiago del Chile (Silvio Rodriguez). Outro destaque é  Grilheiro vem, pedra vai (Rafael de Carvalho), que ela canta em português.

Baixe Cantos Revolucionários de http://nomadesemfronteira.blogspot.com.br/2016/04/soledad-bravo-cantos-revolucionarios-de.html

Mirian Mirah

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836 – Cala-se a marcante voz de Mariana Avena, intérprete de Mercedes Sosa, estrela do Raíces de América e do Tarancón

O Barulho d’água Música registra, com pesar, que hoje, 25 de março, a música latino-americana perdeu Mariana Avena. A morte da cantora, para muitos dos seus fãs e amigos que publicaram manifestações em páginas de redes sociais após a divulgação do óbito, foi recebida “como um soco no estômago” e autores de algumas mensagens chegaram a demonstrar total incredulidade, recusando-se a acreditar na notícia e até afirmando que poderia se tratar de mentira, pois Mariana Avena nem ao menos estaria adoecida. No entanto, conforme informações de pessoas mais próximas, Mariana Avena sucumbiu na Argentina à luta que travava contra um câncer, no fígado.  

Nascida em Palermo, Buenos Aires, Maria Avena cresceu no seio de uma família de músicos e compositores de tango, em um dia 4 de agosto. O nome dela, no Brasil, está diretamente associado tanto ao Raíces de América, quanto ao Tarancón, dois dos mais conceituados grupos de divulgação e de preservação da música latino-americana, conhecidos em todo o continente sul-americano e em vários países.

 

A vida musical de Marina Avena, portanto, começou ainda em sua terra natal, inspirada e motivada pelo avô paterno, bandoneonista da orquestra de Juan Maglio “Pacho” e Osvaldo Fresedo.  O tio Osvaldo Avena é considerado até hoje um dos maiores guitarristas e compositores da música argentina. Na casa onde ela passou a infância, conviveu com artistas, poetas e compositores como Mercedes Sosa, Susana Rinaldi, Pablo Milanés, Silvio Rodriguez, Chabuca Granda, José Angel Trelles, Armando Tejada Gomez, Hamblet Lima Quintana, Osvaldo Piro, Facundo Cabral e muitos outros. 

A influência desses amigos fez com que Mariana Avena integrasse ao seu repertório tanto o tango, quanto o folclore nacional e latino-americano, influências que se tornaram marcantes já em seu primeiro trabalho profissional, em parceria com o poeta Héctor Negro, com o qual promoveu vários shows de tango e poesia. A entrada para o Raíces de América, um convite do empresário argentino Enrique Berguenfeld, que estava morando no Brasil, ocorreu em 1980. A partir de então,  foi a cantora com a qual o grupo se apresentou nos maiores teatros de São Paulo e de capitais de vários estados.  

O Raíces de América no  primeiro ano de atuação de Mariana Avena atraiu mais de 40.000 pessoas aos seus espetáculos, ganhou festivais e ficou reconhecido como um verdadeiro fenômeno da música latino-americana. Como parte da história da rica musica latino-americana no Brasil, o Raíces de América surgiu durante o regime militar no Brasil e logo conquistou o público estudantil, segmento que na época se caracterizava pelo engajamento na luta pela democracia. O grupo gravou onze álbuns, e em 1982 obteve o segundo lugar no Festival MPB Shell, com a música Fruto do Suor.mercedes

Mercedes Sosa tornou-se a madrinha artística do grupo, possibilitando a Mariana Avena cantar em diversos palcos com a conterrânea de San Miguel de Tucumán. Mercedes teve Mariana ao seu lado em diferentes momentos de sua brilhante e imorredoura carreira artística, inclusive nos últimos shows que a Grande Negra realizou em São Paulo.

Mariana Avena protagonizou vários tributos a Mercedes Sosa em teatros paulistanos e casas como as unidades do Sesc, assim ajudando a manter no coração dos fãs o carinho pela madrinha à medida em que se consolidava como artista de fulgurante carreira, elogiada pelo público brasileiro na maneira de cantar e de interpretar. Em alguns dos seus shows, desenvolvia após cantar projeto que unia música e educação, com o intuito de divulgar a música latino-americana, suas raízes culturais, suas semelhanças e diferenças. Ela abordava nestes bate-papos características culturais dos povos latino-americanos e seus instrumentos. com participação dos músicos. Assim, o público absorvia dados da história e origem de cada instrumento, como foram construídos, em que época e como chegaram até o continente americano.

Mariana Avena deixa ampla discografia, a maioria editada em São Paulo. Como solista, conquistou plateias em países como França, Equador, Argentina, Chile, Espanha e Finlândia, onde representou seu país natal  no show Buenos Aires, todo tango, acompanhada pelo Sexteto Tango. Na França, foi escolhida como representante da canção latino-americana pela Ecole D’Orly de Dijon apresentando-se junto ao músico francês Patrick Berthelon em Paris, Nice e Lyon. Na Finlândia, participou do Festival de Tango Markinat, na cidade de Seinajoki, prestigiado por 150.000 pessoas.

Homenagens de amigos a Mariana Avena

“A nossa querida Mariana Avena  foi seguir sua viagem!  Muito triste!! Vá com Deus amiga, e muito obrigada por ter-me mostrado tanta beleza!”, por Dandara Costa Souto

“Gracias a la vida! Hoje perdemos uma importante e grandiosa artista latino-americana. Perdemos a presença forte da cantora argentina Mariana Avena. Sua voz grave é imortal. Gracias, Mariana! A humanidade segue empobrecida…”, por Verônica Valério

“Vá em paz, Mariana! Faça parte de um coral de anjos!”, por Fernando Alves Chagas

“Obrigada pela sua amizade, carinho e atenção. Graças por sua vida, que nos deu tanto amor”, ‎por Denise Almeida

Parte da obra de Mariana Avena pode ser conhecida e ouvida por meio do linque http://www.marianaavenacantora.com/#!discografia-/c1xrz


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Mariana Avena, voz marcante da música latino-americana, afilhada de Mercedes Sosa, faz aniversário hoje

avena

O Barulho d’água Música registra o aniversário de Mariana Avena, argentina de Buenos Aires, onde nasceu em Palermo, no seio de uma uma família de músicos e compositores de tango, em um dia 4 de agosto. No Brasil o nome de Mariana Avena está mais diretamente associado tanto ao Raíces de América, quanto ao Tarancón, dois dos mais conceituados grupos de divulgação e preservação da música latino-americana, conhecidos em todo o continente sul-americano e e em vários países, do qual ela foi integrante. A vida musical de Marina Avena, entretanto, começa bem antes da chegada dela ao país, ainda em Buenos Aires, inspirada e motivada pelo avô paterno, bandoneonista da orquestra de Juan Maglio “Pacho” e Osvaldo Fresedo.  Osvaldo Avena, tio, é considerado até hoje um dos maiores guitarristas e compositores da música argentina, e, na casa onde crescia, reuniam-se artistas, poetas e compositores como Mercedes Sosa, Susana Rinaldi, Pablo Milanés, Silvio Rodriguez, Chabuca Granda, José Angel Trelles, Armando Tejada Gomez, Hamblet Lima Quintana, Osvaldo Piro, Facundo Cabral e muitos outros. 

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