1521 – Colabore com a campanha para gravação de Alpendre, sexto álbum de Cláudio Lacerda (SP)

#MPB #MúsicaCaipira #ModaDeViola #Botucatu #ArtesGráficas

Disco terá 10 faixas que celebram parcerias do cantor e compositor e poderá ser ouvido no aconchego da própria casa ou empresa dos colaboradores a partir de setembro

Amigo e seguidor, vai ouvindo…

A campanha do cantautor de Botucatu (SP) Cláudio Lacerda, disparada na plataforma Catarse para gravar o Alpendre, seu 6º álbum de estúdio, está fluindo até que bem: já tinha alcançado 52% do objetivo quando começamos a escrever esta atualização, em 14 de abril. Mas vamos combinar? Dá para melhorar e muito este trem, gente! Com 25 dias ainda restando para novas colaborações, vamos fazer como as 99 pessoas que já tinham levado a mão ao bolso e apoiado este projeto lindo, cuja primeira etapa é esta, captar recursos por meio de depósitos de amigos e fãs até às 23h59m59s de 09 de maio. Sim, tem a tal da crise econômica, da inflação que faz o caraminguá evaporar, mas se você for ver, os recursos, cujo total está lá na página aberta para o financiamento (https://local.catarse.me/cd_alpendre_4d86?ref=ctrse_explore_featured), conforme o Cláudio explica direitinho, é para pagar de maneira bem apertada arranjadores e músicos, assessoria de imprensa, a arte gráfica do álbum, a prensagem (de apenas 500 unidades!), confecção e postagem das recompensas, sobre as quais informaremos mais abaixo.

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1509 – Ibys Maceioh (AL) completa 45 anos de carreira, 70 de vida e lança novo disco na Sala Guiomar Novaes, em Sampa*

#MPB #MúsicaNordestina #CulturaPopular #Alagoas #Maceió #PortoCalvo

*Com Guta Guerrero e Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Íbis é uma ave adorada pelos deuses do Egito que traz sorte a quem a avista, segundo o músico. E Maceió é uma homenagem a  Alagoas, terra que ele classifica como “maravilhosa”.

Cantor e compositor que conviveu com Ze Keti na cidade do Rio de Janeiro trafega com desenvoltura por ritmos nordestinos, pelo samba e pelo choro e, ao violão que aprendeu na escola de Dilermando Reis e Turíbio Santos, toca, ainda, blues e jazz

O compositor, cantor e violonista Ibys Maceioh completará 70 anos de idade em julho e, simultaneamente, está emplacando 45 anos de carreira artística, marcos que começará a festejar com o lançamento do álbum Ibys Maceioh – 70 anos, em 26 de março, a a partir das 17h30. A apresentação está programada para a Sala Guiomar Novaes da Funarte, localizada na cidade de São Paulo, no bairro dos Campos Elíseos. Durante cerca de 70 minutos, o público poderá ouvir as cinco composições do novo disco mescladas a sucessos da trajetória do alagoano de Porto Calvo, atualmente “cativo” no bairro paulistano da Lapa. Ao violão, Ibys Maceioh será acompanhado por Sérgio Turcão (direção musical, voz e contrabaixo), Maiethe Barros (voz e percussão), Edu Salmaso (bateria) e Jaime Pratinha (flauta e bandolim). A produção contará com o caprichoso trabalho da produtora cultural Guta Guerrero, da Bodoque Produções.

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1479 Renato Teixeira (SP) e Fagner (CE) gravam Naturezas, disco inédito registrado em estúdio inaugurado pela Kuarup

#MPB #Ceará #Ubatuba #Santos #SãoPauloSP #GravadoraKuarup #CulturaPopular

Artistas celebram  amizade de anos com lançamento de álbum e parceria de músicas captadas no porão onde fica o endereço atual da gravadora que, por coincidência, foi residência de Renato nos anos 1970.

A amizade entre Renato Teixeira e Raimundo Fagner vem de longa data. Os músicos compõem juntos há alguns anos e resolveram colocar como prioridade o desejo de lançar um álbum em dupla, ideia que surgiu com a troca de mensagens (e-mails) e tomou forma com o surgimento dos aplicativos de áudios e de textos que permitem e facilitam a troca de músicas e de letras. O projeto ganhou vida na Kuarup, gravadora com mais de 40 anos de estrada, que tem seis álbuns de Renato Teixeira em seu catálogo e que ele costuma chamar com carinho de sua casa fonográfica e sua antiga casa por uma inexplicável coincidência de endereços. Outro evento que tornou possível a realização de Naturezas, as gravações, ensaios e o lançamento do trabalho foi a inauguração do estúdio da Kuarup, espaço para atender artistas contratados e parceiros da gravadora.

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1452 – Consuelo de Paula (MG), com Adriana Holtz, canta ao vivo em transmissão virtual do Estúdio 185 Apodi, em São Paulo*

#MPB #CulturaPopular #Poesia #Moçambique #Congada #Pratápolis

* Com Eliane Verbena, Verbena Comunicação

Canções de vários álbuns e parcerias de Consuelo de Paula, de expoentes da Música Popular Brasileira e duas inéditas, ambas integrantes de um novo álbum em gestação, estarão no repertório que a cantora, compositora e poetisa apresentará no sábado, 16 de outubro, a partir das 21 horas, com transmissão ao vivo do Estúdio 185 Apodi, situado na cidade de São Paulo. Os fãs e amigos de Consuelo de Paula poderão sintonizar Consuelo Maryákoré de Paula pelo canal Youtube da mineira de Pratápolis que neste ano se dedicou intensamente ao trabalho de criação e vivenciou novidades e alegrias a começar por Maria Bethânia lançando Sete Trovas, canção dela com Rubens Nogueira e Etel Frota.

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1388 – Está a caminho o terceiro álbum de Rodrigo Zanc (SP). Três primeiras músicas chegam dia 21!

#MúsicaCaipira #MPB #ViolaCaipira #CulturaPopular #SãoCarlosSP

Alento, que sucederá Fruto da Lida, já conta com Sementes, Alento e Dona Pombinha. Todas parcerias com Isaías Andrade e com participações de nomes como Neymar Dias, Thadeu Romano, Emílio Martins e Daniel Pires, faixas já podem ser pré-salvas

O cantor e compositor Rodrigo Zanc, de São Carlos (SP), vai antecipar três novidades do álbum no qual ele está trabalhando, Alento, que já podem ser pré-salvas pelo linque informado ao final desta atualização e poderão ser ouvidas a partir de 21 de maio, quando o epê estará disponível nas plataformas digitais. Além da parceria com o poeta Isaías de Andrade, de Americana (SP), nas três músicas, incluindo a faixa título, para este trabalho que sucederá Pendenga (2005) e Fruto da Lida (2013), Zanc revelou, agradecido, que teve “a honra e a felicidade de ter ao meu lado amigos artistas que admiro profundamente e que, apesar das dificuldades que esse momento estranho impõe, abrilhantaram as canções com a sensibilidade que a circunstância pede”.

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1348 – Burro Morto, Zabé da Loca, Jackson Envenenado, Flávio José: conheça, ouça e curta conterrâneos de Genival Lacerda no blogue Música da Paraíba

Álbuns de ritmos e gêneros tradicionalmente nordestinos ou resultantes de fusões aparentemente incongruentes  compõem o  eclético cardápio de músicos e  de grupos conterrâneos de Zé Ramalho, Chico César e Socorro Lira disponíveis para serem baixados na faixa

“Nós somos irmãos por afinidade/já que a humanidade ergueu-se do pó/a mãe Natureza não tem preconceito/nem separa o peito para um filho só…” Otacílio Batista

A Covid-19 levou, recentemente, Genival Lacerda, um dos ícones da nossa cultura popular, que deixou como legado uma copiosa obra de valorização de ritmos nordestinos como o forró, o xote e o coco.

O Rei da Munganga conquistou várias gerações e sua majestade de quase sete décadas se espraiou para além do Nordeste a partir de sua cidade natal, Campina Grande (PB), contagiando o Brasil inteiro. Seu legado, certamente, ainda terá força e representatividade por muitos mais anos; o mercado comercial da música pode, logo menos, até começar a interferir e se mexer para que seja imposto ao gosto popular um novo ídolo, à feição do mainstream, contudo, assim como as contribuições de Luiz Gonzaga e outros nordestinos, será muito difícil, mesmo que a indústria do entretenimento force a barra, desidratar a marca do criador de Severina Xique Xique e todo o conteúdo cultural que seu nome carrega!

Mas, por outro lado, a internet tem amantes e críticos e tanto pode entrar na roda para promover, quanto para denegrir e esvaziar talentos, ajustando seus holofotes para incensar A ou B segundo conveniências de emissoras, mídias e empresas do mercado fonográfico. Vendo pelo lado bom, trata-se uma ferramenta capaz de integrar e ampliar boas ofertas de entretenimento e trabalhos culturais dos mais interessantes, reduzindo por meio do compartilhamento as distâncias e tornando mais democrático o contato entre o artista e os fãs, ajudando a formar novos públicos; fazendo aquilo que o Sr.Brasil, Rolando Brasil, chama de “tirar o Brasil da gaveta”. E os blogues cumprem bem este papel à medida a qual seus idealizadores e mantenedores (geralmente idealistas e um pouco desparafusados) se esforçam para garimpar e trazer à luz obras escondidas ou esquecidas pelo Brasil profundo à dentro.

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1294 – Conheça Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, premiado disco que remete às nossas origens

Gaúcho Martim César, um dos autores do álbum em parceria com Marco Aurélio Vasconcellos, tem mais de 80 prêmios pelo conjunto da prolífica obra musical e literária

Em 14 de março publicamos matéria especial sobre Além das cercas de pedra, um belo trabalho de registro e de divulgação da música nativista gaúcha, destacando um dos três músicos que gravaram o álbum –, o cantor e compositor Marco Aurélio Vasconcellos, que se juntou ao também cantor e compositor, poeta e escritor, Martim César, e ao violeiro, produtor artístico e arranjador do álbum, Marcello Caminha.

Vasconcellos, que fez parte do grupo Os Posteiros e é uma das vozes mais conhecidas e admiradas do Sul do país pelas emocionadas interpretações do que canta, foi quem enviou à redação do Barulho d’água Música um exemplar do Além das cerca de pedra, que a nós chegou acompanhado de Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, sucesso anterior dele com César, mais as participações de Caminha (arranjos, contrabaixo e percussão). Elias Barbosa (bandolim) e Rafael Ferrari (bandolim em Sobre os telhados de Lisboa), gravado de março de 2015 a maio de 2016.

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1287- Ao completar 80 anos e 50 de carreira, Marco Aurélio Vasconcellos (RS) lança Além das cercas de pedra

Disco gravado com Marcello Caminha e Martim César e destaque no programa Sr;Brasil foi apresentado pela primeira vez no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, com a participação d’Os Posteiros

O ano de 2019 foi especial para uma das vozes mais expressivas e admiradas do nativismo gaúcho: o cantor e compositor Marco Aurélio Vasconcellos, natural de Santa Maria, cidade situada a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre, a capital do estado do Rio Grande do Sul. Em novembro, ao completar 80 primaveras, Vasconcellos ainda comemorava o sucesso que vem fazendo, de lá para cá, o valioso presente que deu ao seu público em 2 de julho, quando, em noite de gala promovida no icônico Theatro São Pedro, ele lançou ao lado dos seus parceiros Marcello Caminha e Martim César Além das cercas de pedra. Com 14 faixas, das quais apenas a que fecha o trabalho (Torquato Flores, Senhores) é instrumental, Além das cercas de pedra marca, também, 50 anos de carreira do fundador do grupo regional Os Posteiros e foi atração especial do programa Sr. Brasil em 29 de dezembro, quando o apresentador, Rolando Boldrin, recebeu o trio, acompanhado pelo violonista Fábio Costa.

O disco, sétimo da trajetória premiada de Marco Aurélio Vasconcellos, está sendo distribuído pela Tratore, pode ser apreciado nas principais plataformas digitais e com ele abrimos neste 14 de março as audições matinais que promovemos aos sábados aqui na redação do Barulho d’água Música, na cidade de São Roque, Interior paulista. O exemplar que ouvimos nos foi gentilmente enviado de Porto Alegre, onde hoje reside Marco Aurélio, que nos dedicou as seguintes palavras e ao qual somos gratos, estendendo os agradecimentos aos parceiros Martim César e Marcello Caminha:

“Prezado Marcelino: Ai estão canções do nativismo gaúcho, com expressivo conteúdo literário, melodias adequadas, arranjos ao mesmo tempo econômicos e magistrais e um encarte de primeira linha. Tenha boas audições, Grande abraço.”

Veículos de comunicação gaúchos o receberam com gratos elogios, como a versão eletrônica do Jornal do Comércio, que embora dedicado à economia e aos negócios no Rio Grande do Sul, destacou em sua versão eletrônica que Além das cercas de pedra é “dedicado ao povo humilde trabalhador do campo”, conforme observou a autora da matéria, Caroline da Silva.

A articulista ainda lembrou que antes da nova obra Vasconcellos, César e Caminha já haviam encantado amigos e seguidores com Doze cantos ibéricos & Uma canção brasileira (2017).  E no Theatro São Pedro também subiram ao palco os músicos da atual formação de Os Posteiros, o que possibilitou à plateia a oportunidade de ouvir novamente Marco Aurélio cantar melodias que marcaram a história da música nativista — algumas clássicas em parceria com o escritor Luiz Coronel e que brilharam em diferentes edições do festival Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, como Gaudêncio Sete LuasAscensão e Queda de um Ginete, Cordas de Espinho e Guitarreio para um Guitarrista.

Marco Aurélio, durante a conversa com Boldrin e em entrevista que gentilmente concedeu ao Barulho d’água Música contou que seu jubileu de ouro remonta ao começo da década dos anos 1970. Antes, entretanto, ainda jovem, quando estava na casa dos 17 anos, frequentava uma república de estudantes na qual havia uma sacada e donde gostava de cantar canções mexicanas. Em uma destas ocasiões, da rua o acompanhou o radialista Sady Nunes, que por ali transitava e, ao final da canção, convidou-o para um teste na Rádio Difusora.

“Fui louco de medo, desandei em todos os sentidos e não passei no teste”, recordou-se o então candidato. “Só vim a deslanchar quando me integrei ao nativismo, em 1972, na edição daquele ano do festival Califórnia da Canção Nativa³. Estreei com uma canção letrada pelo Coronel e tirei o segundo lugar.”

Sucessivamente, a cada nova edição do Califórnia e demais festivais (“no Rio Grande tem mais festivais que finais de semana”, brinca), alternando sempre as primeiras colocações, Vasconcellos foi abrindo e trilhando sua estrada nativista — não sem antes, inclusive, flertar até com a Bossa Nova. Hoje, além de expoente deste gênero cujos temas interpreta sempre com muita entrega e emoção, em letras ricas do típico linguajar gaúcho e pilchado com lenço colorado, tornou-se célebre, também, por incluir em suas apresentações e gravações músicas com pegada MPB e canções castelhanas, inserindo-se assim na cultura geral brasileira ao mesmo tempo em que faz valer as influências da cultura fronteiriça que se mistura à gaúcha, vindas da Argentina e do Uruguai. “O meu repertório sempre tem músicas destes dois países, e não apenas as consideradas campeiras, pois elas têm identificação muito grande conosco e não só pela lida no campo, mas também pela indumentária, entre outros costumes”.

Marco Aurélio, ao centro, entre Fábio Costa, Marcello Caminha (de boina vermelha), Martim César e o Senhor Brasil Rolando Boldrin (Foto: Daniel Kersys)

(Como integrante d’Os Posteiros , grupo que ajudou a fundar em 1977, acompanhou até 1986 e com o qual depois do reencontro no São Pedro voltou a subir ao palcos e já excursiona pelo Interior gaúcho, algumas músicas que ele interpretou — como Gaudêncio Sete Luas e Cordas de Espinho — conseguiram romper a barreira geográfica e cultural dos pampas e, chegando por exemplo ao Norte, foram gravadas pela novata Fafá de Belém em Tamba-Tajá, de 1976, e Água, de 1977; Tamba-Tajá contém, ainda, Haragana, de Quico Castro Neves, gravada pelos Almôndegas¹ . Apesar desta projeção, Marco Aurélio ainda considera ser difícil a música nativista ultrapassar aquelas fronteiras, chegando com alguma força e expressão, por exemplo, ao Mato Grosso do Sul, ao Paraná, ao São Paulo e ao Rio de Janeiro, embora, lamenta-se, “ao Nordeste não vá de jeito nenhum”. O quarteto Os Posteiros reunia em sua formação original Marco Aurélio, Doly Carlos da Costa, Celso Campos e Guilherme Loureiro de Souza. Francisco “Chico” Koller entrou posteriormente, com a saída de Gulherme.)

Além das cercas de pedra é o quinto disco que une Vasconcellos e César (natural de Jaguarão), e o quarto que conta com os arranjos e o terceiro com a  produção do violonista Caminha, filho de Bagé. Suas 14 faixas reúnem retratos das pessoas do campo e não das estâncias em si, revelando histórias — algumas inspiradas em fatos reais –, paisagens, homens e mulheres que ali viveram e que ainda parecem estar vivos, olhando para o tempo atual desde os retratos amarelados de velhos álbuns, desde os quadros dependurados nas paredes da infância. As poesias falam do avô carreteiro de Martim, da avó fiandeira, do peão de estância, do caseiro, do posteiro² de algum campo de fundo, dos tropeiros, do capataz, de um bolicheiro (dono de bolicho, bar à beira de estrada).

O disco, logo, apresenta em músicas a herança e os costumes sendo preservados para mostrar aos que virão as origens gaúchas. “A intenção é não deixar que se apaguem das mentes do mundo atual os rastros de identidade que deixaram em nosso sangue e em nosso olhar aqueles que nos antecederam, passando de geração para geração, até chegar a quem somos hoje, os que recebem a responsabilidade de não deixar que se perca o legado de seus valores e de seus saberes”, declarou Martim César.

Martim César, ao falar sobre Além das cercas de pedra, frisou que como boa parte da sua infância e adolescência viveu na Campanha, a ideia era retratar a figura do “gaúcho a pé” em suas composições. Para tanto, selecionou trechos de grandes autores gaúchos sobre o tema (como Cyro Martins, Alcides Maya, João Simões Lopes Neto, Érico Veríssimo, Darcy Azambuja) para completar o encarte do álbum. A fotografia, que ilustra a parte externa do disco, foi produzida em uma fazenda na fronteira entre os municípios gaúchos de Herval do Sul e Jaguarão. “É a Estância São Pedro – mesmo nome do teatro – que tem as ruínas mais bem preservadas de toda a região. Como no CD anterior, Doze cantos ibéricos & Uma canção brasileira, fomos a Portugal e Espanha para termos as imagens para o álbum; aqui houve todo um trabalho na zona rural do Norte do Uruguai e Sul do Estado. Fomos a lugares bem interessantes, como próximo a Melo, no país vizinho, e essas imagens estão no interior do encarte”, detalhou o compositor, que esclarece: essas estâncias, todas no entorno de onde cresceu, serviram de inspiração para escrever.

“Martim César, como letrista, é um fenômeno”, definiu Vasconcellos, recordando que o conheceu em um encontro em Pelotas (RS), há 15 anos, onde recebeu dele três álbuns que os ouviu viajando até Porto Alegre. “Fiquei encantado com o trabalho dele com Paulo Timm e Alesandro Gonçalves, seu irmão. No caso específico do Martim, é difícil encontrar um letrista com tanta categoria, porque as letras dele têm início, meio e fim, conteúdo e, na maior parte das vezes, há mensagem também. Aí eu fiquei louco, comecei a musicar e já temos perto de 100 canções juntos.”

Autor de seis livros de poesia e contos, Martim César deverá lançar em breve Náufragos urbanos-Relógios de areia, com financiamento do fundo cultural de Pelotas. Recentemente, publicou a coletânea de contos Sangradouro. O primeiro volume da trilogia, em poema épico, Cimarrones-Três séculos gaúchos, já está finalizado e também deverá chegar ao público no primeiro semestre do ano que vem. Em Além da cerca de pedra, Cesar recita os versos da faixa 7, Canto de adeus aos velhos gaúchos, que também declamou no Sr. Brasil, ao lado de O Compromisso do Cantor. “Na gravação do CD, contamos com a grande participação do maravilhoso Glênio Fagundes neste tema que recupera um tipo de gaúcho que não existe mais, porque por aqui agora só há plantações de soja”, completou o jaguarense.

Marcello Caminha, o arranjador, que Vasconcellos cultua como “um dos monstros sagrados do nativismo” e do qual “não me separo”, é músico e professor e participa do Movimento Nativista desde 1985. De lá para cá já obteve prêmios como instrumentista e compositor em vários festivais de música; em 1998 gravou o primeiro disco, Estrada do Sonho. A partir deste, já conta com o total de 14 gravados, entre eles Sucessos de Ouro, primeira coletânea de músicas de violão lançada no Rio Grande do Sul, e Influência, vencedor do Prêmio Açorianos de Música 2008, em três categorias.

Caminha já tocou em quase todo o país e em casas da Argentina, Uruguai, Portugal, Alemanha e Inglaterra. Em sua obra constam, ainda, o DVD Vídeo Aula Violão Gaúcho, primeiro curso de violão em DVD lançado no Rio Grande do Sul, o livro 14 Estudos para Violão Gaúcho e o DVD Influência ao vivo, primeiro DVD de violão da Música Nativista. Em 2016, lançou Com violão também se Dança, vencedor do Prêmio Açorianos de Música. Atualmente, dedica-se a shows e workshops e dirige a Academia do Violão Gaúcho, empresa especializada em cursos de violão online..


¹Almôndegas foi uma das bandas pioneiras em criar uma linguagem particular para a música popular gaúcha. Oriundos da cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, os membros misturavam velhas canções do folclore gaúcho, mpb e rock. Eles eram os irmãos Kleiton e Kledir, Quico Castro Neves Gilnei Silveira, Pery Souza, João Baptista e Zé Flávio

² Posteiro: substantivo masculino que significa empregado que reside junto ao limite de uma fazenda e é responsável pelas cercas, cuidando para que não haja invasão dos campos por gado alheio.

³O festival Califórnia da Canção Nativa é um evento artístico musical que ocorre no Rio Grande do Sul desde 1971, considerado patrimônio cultural do Estado e modelo de divulgação da música regional gaúcha. Durante o ano são promovidas provas eliminatórias em diversas cidades gaúchas, e por fim, após a triagem de mais de 500 músicas, as finais movimentam a cidade de Uruguaiana, na fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde, conforme o grau de vitórias, é concebido o prêmio máximo: a Calhandra de Ouro. Em plenos anos de chumbo, passou a reunir as mais diversas variações musicais nativas do Rio Grande do Sul, organizada pelo Centro de Tradições Gaúchas Sinuelo do Pago e Prefeitura, ambos de Uruguaiana. A primeira edição não teve tanta repercussão, porém as seguintes tiveram até mais de 60 mil pessoas e atualmente é o maior evento cultural regional do Brasil.

Conforme Cícero Galeno Lopes, em artigo publicado no livro RS índio: cartografia sobre a produção do conhecimentoLeopoldo Rassier conseguiu pela censura prévia e cantar a música Tema de marcação, (poema de Luiz Coronel musicado por Marco Aurélio Vasconcellos), no festival de 1975, por meio de uma ambiguidade entre dois personagens históricos: o lunar de Sepé Tiaraju e a estrela de Che Guevara, já que ambos lutaram por liberdade, tinham “uma estrela na testa” e foram “pra baixo desse chão”

Também participam de Além das cercas de pedra, gravado com supervisão técnica de Erlon Péricles no estúdio Guaiaca Records de março de 2016 a agosto de 2017 Clarissa Ferreira (violino), Marcello Caminha Filho (contrabaixo, percussão, piano), Glènio Faundes (recitado na faixa 7). As fotografias do riquíssimo encarte são de Elis Vasconcelos; a foto da capa mostra a Estância São Pedro (divisa Jaguarão-Herval do Sul), em projeto gráfico e direção de arte de Valder Valeirão (nativu design)  

Leia mais sobre a música do Rio Grande do Sul ou conteúdos relacionados a ela e seus expoentes aqui no Barulho d’água Música visitando o linque abaixo:

https://barulhodeagua.com/tag/rio-grande-do-sul/

1274 – Com Bruno Sanches e seu belo disco Do Barroco às Barrancas do Rio, abrimos os trabalhos em 2020

Solista inventivo, cantor e arranjador, violeiro recentemente vencedor do Prêmio Mimo é considerado pelo professor e pesquisador Ivan Vilela, seu mestre na USP, um músico completo, “aquele que pensa, toca, cria e recria”, elevando a viola um universo sonoro cada vez mais amplo. 

O Barulho d’água Música retoma os trabalhos após a passagem das festas do final de 2019 e nesta primeira atualização de 2020 apresenta aos amigos e seguidores o premiado violeiro paulista Bruno Sanches, nascido em Regente Feijó, “Cidade Pérola da Alta Sorocabana”, situada na região de Presidente Prudente, a cerca de 550 quilômetros a Oeste da Capital do Estado, a cidade de São Paulo. Compositor, cantor, pesquisador e arranjador que se dedica à música desde os 12 anos de idade, Sanches foi destaque em outubro de 2019 e em agosto de 2018 dos programas Sr.Brasil e Revoredo, na TV Cultura e na Rádio USP FM (de São Paulo e de Ribeirão Preto), respectivamente convidado por Rolando Boldrin e pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, e, em ambas as ocasiões, falou sobre a carreira, os projetos e o álbum Do Barroco às Barrancas do Rio. Com 11 faixas instrumentais que mesclam composições próprias com obras de Gaspar Sanz, J.S. Bach, Carreirinho, Dorival Caymmi, Paulo Cesar Pinheiro e Guinga e Augustin Barrios, o disco tem direção artística do professor, pesquisador e compositor violeiro Ivan Vilela, do qual Sanches foi aluno na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

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1261 – Baiano por afeição, Walter Lajes é mais uma joia da ditosa galeria dos cantores e compositores da Boa Terra

Paranaense de berço, depois de passar pela cidade do Rio de Janeiro e também morar em Pernambuco, músico  que já lançou oito álbuns fixou-se em Vitória da Conquista, município onde um dos vereadores acaba de homenageá-lo por mais uma exitosa participação em festival, na cidade paulista de Barueri

A Bahia é generosa com o país e a cultura popular quando o assunto é a contribuição para a boa música e o enriquecimento do nosso cancioneiro. Partindo de Dorival Caymmi e toda a sua família, passando por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Pepeu Gomes — para ficar apenas em algumas consagradas joias do estilo popular –, passamos por Elomar, Xangai, Roque Ferreira, Gereba e seu parceiro Capinam — mais dedicados ao que o mercado gosta de classificar como “regional” — entre tantos outros exemplos, chega-se sem surpresas à conclusão que o estado de Castro Alves nada deixa a dever aos que consideram como referencial apenas o Sudeste maravilha — premissa que, por sinal, vale ainda para outros da região Nordeste, sem exceção de nenhuma de suas unidades federativas.

E colocando mais dendê na conversa, ainda que paranaense de nascimento “por um acidente de percurso”, conforme ele mesmo declarou ao Barulho d’água Música, o compositor, poeta, cordelista e como o próprio também se define, cantador Walter Lajes, joga fácil nesta seleção de baianos e tem feito por merecer que holofotes e emissoras, produtores e agentes de espetáculos e programas, bem como a indústria fonográfica, sejam mais generosos e o escalem sem medo de caneladas e de tomar gols contra.

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