Boldrin canta sucesso de João Pacífico e Edmundo Souto e público curte Airô Barros no “Sr.Brasil”

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Airô Barros é de Capoeiras (PE) e cantará em mais uma edição do Sr. Brasil

O Sr.Brasil deste domingo, 17, estará imperdível! Rolando Boldrin, para começo de prosa, vai cantar “Alpendre da saudade”, de Edmundo Souto e João Pacífico, acompanhado por Neymar Dias (viola), Edmilson Capelupi (violão 7 cordas) e Guello (percussão). O público também poderá curtir a reapresentação de Luiz Vieira, comemorando os nove anos do programa na TV Cultura. Outra atração será a cantora Airô Barros (Capoeiras – PE), cujo repertório terá “Terra em transe” (Gladir Cabral), “Cruzeiro do Sul” e “Mazzaropi” (Jean Garfunkel / Paulo Garfunkel). Airô terá a companhia de Barbosa Albuquerque (percussão), Cézar do Acordeon (acordeom), Clauber Ramos (violão), Robson Russo (violão) e Roberto Diamanso (percussão). Assista a partir das 10 horas, e, se perder, curta a reprise na quarta-feira 20, a partir das 22 horas.

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Boldrin vai cantar “Alpendre da Saudade” e os fãs do Sr.Brasil ainda vão rever Luiz Vieira, autor de “Prelúdio para ninar gente grande” (Foto: Pierre Yves Rufolo)

Educador e violeiro autodidata, Victor Batista recebe abraços por mais um aniversário

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Mineiro que se instalou em Goiás, Victor Batista já gravou dois álbuns e concilia a carreira de violeiro autodidata com a de educador de jovens e crianças (Foto: Lúcia Costa)

5 de agosto é data do aniversário de Victor Batista, cantor, compositor, arte-educador e violeiro autodidata que trabalha pela formação de crianças, jovens e adultos na região de Pirenópolis (GO), onde reside atualmente. Mineiro de nascença, cultiva raízes culturais que brotaram no seio da família em cantorias à beira do fogão. Já fez parte de grupos folclóricos Congá e Sarandeiros, ambos da Universidade Federal de MG, Orquestra Mineira de Violas e do Grupo Minadouro. Autor dos álbuns “Além da Serra do Curral” e “Manchete do Tico-Tico”, que valeu ao autor a indicação de Melhor Cantor Regional pelo Prêmio da Música Brasileira 2014.

Victor Batista esteve recentemente no palco do “Sr.Brasil”, ao lado de Rolando Boldrin. A gravação, cujos vídeos estão reproduzidos abaixo, foi ao ar pela TV Cultura em 17 de julho e já está disponível nas redes sociais. Parabéns, Victor Batista!

Clique nos linques abaixo e assista aos vídeos da participação de Victor Batista no Sr.Brasil:

www.youtube.com/watch?v=meGa_yfvA7U

www.youtube.com/watch?v=CTytWXsG2fM

Romeu

 

Rodrigo Zanc conquista fãs com viola e voz afinadas pelas batidas do coração

Especial para o blog da Rádio UOL

23/07/2014

Crédito: Adriano Rosa

Marcelino Lima
Especial para o UOL*

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fará neste domingo, 27 de julho mais uma apresentação baseada no repertório dos discos “Pendenga” e “Fruto da Lida” e de autores consagrados das músicas regional e popular. O show desta vez será levado ao público do SESC Campinas, com entrada franca, e previsto para começar às 16 horas. A cidade reúne muitos admiradores, mas a cantoria deverá atrair também amigos e seguidores de municípios da região campineira e próximos como Americana, Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e até São Paulo, já que o público de Zanc é fiel e vem crescendo em todo o Estado.

Quem ouve Rodrigo Zanc pela primeira vez raramente deixa de se filiar ao fã clube deste morador de São Carlos, nascido na vizinha Araraquara. Com a viola geralmente acompanhada pelo baixo de Ricieri Nascimento, a bateria de Bruno Bernini e o violão do filho Rodrigo Zanin, entre outros companheiros, Zanc costuma cantar como quem declama ou transmite em orações raízes cultivadas em ambientes como o sítio do avô Juca, que inspira a canção “Sítio Paraíso”. Neste ambiente, experimentou o gosto tanto pelas modas de viola, quanto por outras vertentes brasileiras cujas bases permitiram formar uma visão de mundo que prega a simplicidade e a autenticidade, seja no dia a dia ou no trabalho artístico. Independentemente do palco que ele estiver ocupando com sua banda, montado em uma quermesse ou em um teatro nobre como o do programa Sr. Brasil, Zanc literalmente deixa suada a camisa tamanha é a energia e entrega que desprende no ofício.

Rodrigo Zanc (dir.) com Cláudio Lacerda homenageiam Pena Branca e Xavantinho Crédito: Marcelino Lima

“Estou fazendo o que eu deveria e realmente queria para minha vida, mas acredito que somente estando afinado com o próprio interior você consegue tocar pessoas”, disse. “Sou muito enfático quando digo que cada um de nós precisa ser transparente e agir com o coração aberto”, prossegue Zanc, que se espelha muito em Pena Branca, irmão de Xavantinho. “O Pena não era um virtuoso, mas quando batia a mão nas cordas da viola e abria a boca para cantar, muitos choravam”.

Os irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva, por sinal, influenciaram bastante Rodrigo Zanc. Várias composições escritas ou interpretadas pela dupla como “Chuá, Chuá”, “Cio da Terra” e “Cuitelinho” são lembradas nos shows dele. Tamanha admiração por ambos o uniu a Cláudio Lacerda, cantor e compositor paulista com o qual Zanc dedica projeto em tributo aos lídimos caipiras, filhos de Uberlândia. O próprio Pena Branca participou das primeiras homenagens, iniciadas em janeiro de 2010, no SESC Pompeia, semanas antes de morrer.

Ainda com Cláudio Lacerda, mais Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP), Zanc forma o grupo “4 Cantos”. O quarteto executa exclusivamente músicas autorais com o intuito de alargar e estender suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, entretanto, estes caminhos evidenciam talentos gêmeos, prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas mais expressivas manifestações, a viola caipira. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações e por onde eles ocorrem há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons.

Crédito: Elisa Espíndola

Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais. A plateia ouviu “Véio Cemitério”, composição de Zanc, Murilo Romano e Fernando Mori, um típico causo ou conto caipira cujo arranjo soa notas flamencas, atendendo ao pedido que o apresentador fez ao convidado.

A forte presença de elementos rurais e da vida no campo, todavia, não devem ser os únicos definidores da obra de Zanc — que a exemplo de muitos nomes hoje consagrados também já fez parte de uma dupla que existiu entre 1995 e 2000 e amadureceu em vários festivais pelo Interior paulista, com destaque para o “Viola de Todos os Cantos”. Promovidos durante dez anos pela rede de televisão EPTV, retransmissora da Rede Globo, estes certames reuniam perto de 15 mil pessoas a cada etapa em estádios e ginásios. Rodrigo tornou-se finalista em quatro edições, conquistando em 2007, em São Carlos, os troféus de vice-campeão e de melhor intérprete com a canção “Viola Enfeitiçada”, dele e de Isaias Andrade.

Esta classificação e a música premiada reforçariam o perfil de violeiro. Zanc até pondera que o adjetivo cabe, pois, afinal, é o instrumento com o qual ganha seu pão. “Mas nunca fui adepto aos rótulos e sempre acreditei na verdade do sujeito, nas influências que cada um tem. Podemos até reunir porções de vários elementos culturais e sociais, mas elas se misturam em quantidades diferentes à medida que vivemos. O cheiro do refogar de sua mãe quando ela está na cozinha, a música que se ouve em família, por exemplo, deixam marcas pessoais e o que sai de cada pessoa destas vivências é só dela, não pode ser comparado, muito menos classificado pelos critérios do mercado, regra que não é respeitada muito hoje em dia. Há demasiada imposição de ‘receitas de bolo’, embora o que é simples muitas vezes evoca mais do que coisas supostamente elaboradas”.

Rodrigo Zanc no palco do programa Sr.Brasil, com Rolando Boldrin Crédito: Marcelino Lima

Este jeito de ser e de agir também move os parceiros de Rodrigo Zanc, entre os quais o araraquarense cita Wolf Borges, Carlin de Almeida, Mauro Mendes, Murilo Romano, Fernando Mori, Ricieri Nascimento e Cláudio Lacerda. A identificação com Isaías Andrade, de Americana, por exemplo, já rendeu mais de quarenta composições, dez das quais entraram nos álbuns “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), cujos selos são independentes.

“Isaias Andrade escreve tanto que tirou este peso de mim, posso me dedicar mais a burilar nossas músicas”, observou Zanc. As gavetas dos dois, entretanto, observem, ainda guardam inéditos 3/4 do que já produziram em conjunto. A boa notícia é que se depender dos planos que os compadres vêm costurando em sucessivas “noites de inspiração” que recentemente passaram a se repetir na sala de um ou do outro, o rico material será compartilhado mais um pouco com o público, em breve. “O ‘Fruto da Lida’ ainda tem muito a caminhar e o estradar nos ocupa muito tempo, mas temos a intenção de lançar um terceiro disco, autoral como o ‘Pendenga’, só com músicas do Isaias ou minhas e dele.”

Para saber mais sobre Rodrigo Zanc visite www.rodrigozanc.com.br e www.facebook.com/rodrigozanc.

 

Rolando Boldrin recebe Victor Batista e Flávia Oliveira em mais um Sr.Brasil

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O arte-educador Victor Batista é mais um violeiro que brotou no solo fértil das Minas Gerais, já gravou três álbuns e hoje exerce ambos os ofícios em Goiás (Foto Lúcia Costa)

O programa Sr.Brasil que a TV Cultura levará ao ar neste domingo, 13 de julho, a partir das 10 horas, terá as participações de Victor Batista e de Flávia de Oliveira.

O cantor e compositor mineiro cantará músicas das quais é autor e contará a Rolando Boldrin como concilia o ofício de violeiro autodidata com a tarefa de arte-educador de crianças, jovens e adultos na região de Pirenópolis (GO), onde reside atualmente.

Batista desenvolveu suas raízes culturais com familiares em cantorias à beira do fogão. Integra os grupos folclóricos Congá e Sarandeiros, ambos da UFMG, a Orquestra Mineira de Violase o Grupo Minadouro. Vários estados do Brasil e países do exterior já contaram com a presença dele em projetos culturais. A carreira reúne os álbuns autorais “Além Serra do Curral”, “En’Cantando com a Biodiversidade” e “Manchete do tico-tico”. O terceiro rendeu a Victor Batista indicação ao Prêmio da Música Brasileira 2014 na categoria Melhor Cantor Regional.

Revelação do samba 

A paulista Flávia Oliveira é uma grata revelação entre os sambistas. Em 2012, ela lançou “Semente do Samba”, álbum que inclui a faixa-título, de sua autoria, “Desperta nas minhas manhãs” (Maurinho de Jesus), “Coisas do samba” (Álvaro Fausane e Alvinho Carioca), “Canto pra Iemanjá” (Dudu Santana e Marquinhos Jaca), “Estrela brilhante” (Alceu da Vila Matilde e Quinho do Cavaco), “A lua” (Dodô e Paulo Silva), “Ponto de encontro” (Dona Maria da Penha), “Opinião” (Julia Saragoça), “Sambandido” (Lello di Sarno) e “Sem perdão” (Emerson Urso e Marquinho Dikuã). O disco de Flávia Oliveira é produzido por Emerson Urso, com arranjos de Marquinhos Jaca e Charlie Diéf.

Linques para ver apresentações de Victor Batista e Flávia Oliveira

www.youtube.com/watch?v=kvsIiAFYPw4

http://www.youtube.com/watch?v=kqrETb16FWM

Flávia Oliveira
Capa do primeiro álbum de Flávia Oliveira, paulista que se firmou como sambista em 2012, atração do programa Sr.Brasil, apresentado por Rolando Boldrin

Um momento de idílio, por um filho de Olhos d’Água

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No programa com Wilson Dias levado ao ar em fevereiro Rolando Boldrin contou causos e divertiu a plateia com sua irreverência

Ah, o Brasil, historicamente conhecido por tantas mazelas. Ah, mas por este imenso território de tortezas e torpezas afora, também há sutilezas, manifestações e pessoas muito ricas, cujos seus talentos e simplicidade ainda nos permitem saborear algum idílio. E um momento de rara poesia e de comunhão curtiu quem sintonizou Sr. Brasil e conferiu a apresentação do violeiro Wilson Dias no programa de Rolando Boldrin. Para começar muito bem a conversa e a cantoria, Boldrin declamou em um púlpito da Catedral da Sé (colocado no ar por meio de uma imagem recuperada dos arquivos da TV Cultura) poema em homenagem aos 460 anos da cidade de São Paulo. Wilson Dias é nativo de Olhos d’Água, cidade mineira que já chamou-se Miradouro e Mãe d’Água, cantor e compositor que tive a honra de conhecer e encheu meus olhos de água cantando “Deus é violeiro”. A obra prima é dele e do amigo, mestre, jornalista, poeta e fotógrafo João Evangelista Rodrigues.

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O mineiro de Olhos D’Água apresentou músicas em parceria com Evangelista Rodrigues e homenageou Cesaria Évora, cantora do Mindelo, em Cabo Verde

E não foi só! Afora os causos, aqueles temperos que o Boldrin e os convidados sempre acrescentam para deixar o Sr.Brasil ainda mais maneiro, com aquele gostinho de que precisamos urgentemente voltar a nos dedicar ao que é simples, ao que é mais humano (uma vida na roça, eu diria, em pegada carpe diem, não de correria e de sufoco no trânsito, empacado no túnel sob a Faria Lima; e a volta ao prosaico antes que a corredeira, o abismo água abaixo da vida surja à proa!), Wilson Dias ainda cantou “Anjo Negro”, dele e de Miguel Canguçu, e “Canção do Além Mar”. A letra desta é dele e de Evangelista Rodrigues, grata homenagem à cabo-verdiana Cesaria Evora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011). As três músicas integram “Lume”, mais recente disco de Wilson Dias, o sexto da carreira.

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Rolando Boldrin apresenta “Lume”, sexto disco da carreira do violeiro autor da canção “Deus é Violeiro”, com letra de Evangelista

O programa foi ai ar em 23 de fevereiro. Com Wilson Dias tocaram Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão) e Rodrigo Salvador (rabeca e bandolim). Para os que não tiveram a oportunidade de assistir e ouvir, basta clicar nos linques abaixo!

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/deus-e-violeiro-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/anjo-negro-por-wilson-dias-e-miguel-cangussu-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/cancao-de-alem-mar-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

Luiz Salgado empunha a bandeira de defesa das belezas e fé dos povos do Cerrado

Luiz Salgado canta as belezas do cerrado e as tradições de um povo cuja fé torna as pessoas mais fortes (Fotos de Nalu Fernandes)

“Eu sou salgado como o mar, calmo como rio em dia de cheia/sou forte como o carcará, eu sou jequitibá que não titubeia”

Luiz Salgado, em“Raízes”, do álbum Trem Bão

Luiz Salgado é cantor e compositor nascido em Pato de Minas, atualmente residente em Araguari (MG). De acordo com a própria forma de se apresentar, procura revelar a alma simples do povo ao tocar e cantar  suas modas. Para tanto, costura seus estandartes com elementos simples e ao mesmo tempo relevantes, característica que se soma à irreverência pessoal, ao bom humor e a profícua capacidade de recolher e contar causos. A preservação do bioma cerrado e de toda fauna e flora, assim como das culturas mineira e brasileira, é outra meta deste expoente da viola caipira que integra o Projeto 4 Cantos ao lado de Cláudio Lacerda, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira. O mais recente trabalho, em parceria com Katya Teixeira, o álbum “2 Mares”, esteve cotado para receber o troféu de melhor da música neste ano na categoria regional.

“A cultura é um canal transformador e criador”, declara Luiz Salgado. “Meu trabalho é fincado na expressão musical arraigada no Brasil profundo, eleva a música que emana das tradições e das festas populares, da Folia de Reis, do Congado e da viola caipira”. Com acordes, ponteados e versos que ilustram poeticamente as belezas do cerrado, as criações dele acabam por se constituir em uma atitude protagonista e militante, uma ferramenta e um brado de resistência e de combate — como é, por sinal, bravo e obstinado o próprio meio que ele retrata.

“O cerrado tem uma particularidade encantadora: mesmo em uma região que aparentemente está totalmente árida, sempre há uma flor vicejando, por menor que seja”, conta. “O mais fantástico é presenciar como, em pouco tempo, da aparente desolação é brota o verde de novo, colocando diante dos olhos lugares de pura exuberância”.

O folclore de Minas Gerais e todo o fervor religioso dos povos do sertão também encontram na obra de Salgado um pujante defensor e estão presentes em sua discografia. A lista começa por “Trem Bão”, tem “Sina de Cantadô”, o dvd “Noite e Viola” e “Navegantes”, este dedicado ao público infantil, além do “2 Mares”. Entre as faixas desta profícua e doce cesta de frutos dos mais variados, há parcerias dele com Consuelo de Paula, Cátia de França, Orquestra de Viola Caipira do Cerrado, Viola de Nóis, Trem das Gerais, Pena Branca & Manuvéi, Levi Ramiro e João Bá.

Recentemente, Salgado apresentou-se no SESC de Araraquara. Em 6 de julho, ao lado de Katya Teixeira e Carol Ladeira ele será atração de mais uma edição do “Arreuni”, projeto de João Arruda realizado sempre no Centro Cultural Casarão, em Campinas. O show está marcado para começar às 19 horas. Ao lado dos companheiros do 4 Cantos, em agosto de 2013, gravou participação no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin, quando cantou “Carcará, guardião do cerrado”. É um dos ganhadores do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira, entregue em junho de 2013 pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira , no Memorial da América Latina (SP).

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Com Katya Teixeira, o cantor mineiro produziu 2 Mares, que tem canções e cantigas das culturas do Brasil e de Portugal (Marcelino Lima)

Música e haicai se encontram em “Rosas para João”

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Capa do álbum “Rosas para João”, de Renato Motha e Patrícia Lobato

 

 Fecha o tempo no sertão
É chuva vindo
Um rai cai, um clarão

Escrever, ler e estudar (sobre) haicais, assim como a moda de viola, é uma das minhas paixões. Sobre o instrumento não sou capaz de arranhar uma mísera corda. Mas acredito que consigo compensar esta frustração, de vez em quando, compondo algum poema em três linhas, nem sempre rigorosamente de acordo com as normas clássicas recomendadas pelas cartilhas japonesas do gênero, porém chego bem perto; desastre mesmo, acredito, seria tentar tocar um pagode ao modo de Tião Carreiro e Pardinho ou arriscar-me a pontear os dez arames com os quais muita gente talentosa tem conseguido pavimentar uma boa estrada.

As particularidades do haicai, por sinal, talvez pela brevidade e apesar de toda a beleza que os versos evocam, parecem dificultar que eles apareçam em letras de músicas, deixando-o gênero quase que restrito apenas ao campo da escrita literária — embora algumas experimentações associadas a vídeos ou fotografias sejam bem sucedidas. Toda a regra, felizmente, parece ter sua exceção e Valter Braga conseguiu ao fintar esta faturar em 2005 o troféu do Festival da TV Cultura com a composição “Haicai Baião”, da qual destaquei os versos acima.

A música de Braga que mereceu o primeiro lugar naquela ocasião conquistou a plateia interpretada pelo casal mineiro Renato Motha e Patrícia Lobato, que a incluiu entre as faixas de “Rosas para João”, primeiro álbum de ambos. O disco constava até há pouco tempo do catálogo da gravadora “Sonhos e Sons”, de Belo Horizonte, e também é digno de nota elogiosa. Mais do que registrar a joia de Braga, o trabalho autoral de Motha e Patrícia guarda mais uma grande homenagem ao ilustre João Guimarães Rosa, escritor também nascido nas Alterosas. E é uma mostra do talento da dupla que canta junta também em outros álbuns de rara beleza, entre os quais “Antigas Cantigas”. Em “Dois em Pessoa”, eles abrem o baú de Fernando Pessoa e, inclusive em ritmo de samba, relembram vários dos poemas clássicos do português e de seus heterônimos.

Renato Motha, individualmente, ainda assina outros títulos que valem a pena conhecer. Destaco “Trilha das mãos”, instrumental, e “Amarelo”, ambos de 1999. Quem adquirir “Todo” ou “Caixa de Sonhos” também não amargará arrependimento. Já Patrícia Lobato iniciou voo solo com “Suspirações”.

Veja abaixo a letra completa de “Haicai Baião”, formada por três haicais, e já apresentada noo programa “Sr.Brasil”, de Rolando Boldrin apresenta na TV Cultura. Embora grafada por Braga com “x”, a expressão “baxô” é uma clara referência a Matsuo Bashô, um dos mestres do haicai no Japão e em todo o mundo.

Fecha o tempo no sertão/É chuva vindo/Um rai cai, um clarão (2x)
 
Trovão e tambor
No céu, no roçado zabumbam

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Guimarães Rosa, escritor de Codisburgo (MG)
O santo baxô* (2x)
 
Manhã de água e cor
Até do outro lado do mundo
O chão fulorô (2x)
 
 

https://www.youtube.com/watch?v=LI_urK3NWfI&hd=1

4 Cantos leva à estrada projeto de valorização da moda de raiz

Zanc, Teixeira, Lacerda e Salgado tocam juntos desde novembro de 2011. Em outubro de 2013, o grupo foi destaque do Sr. Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Os violeiros e amigos Cláudio Lacerda (São Paulo)Luiz Salgado (Patos de Minas-MG), Rodrigo Zanc (São Carlos-SP) e Wilson Teixeira (Avaré-SP) tornaram-se a partir de novembro de 2011 mosqueteiros de uma empreitada cujo intuito é o resgate cultural, e, consequentemente, a preservação de uma das mais ricas tradições brasileiras: a música sertaneja de raiz. A missão, que não é pequena, mas que se depender da disposição deles e do talento de cada um, será bem sucedida, já abriu suas primeiras frentes ao ser lançado  o projeto intitulado 4 Cantos, que formatou a prosa e colocou os integrantes do quarteto na mesma estrada. Ainda naquele ano, o raro encontro desta afinidades e afinações costurado pela viola caipira possibilitou um início emocionado e emocionante deste trabalho, atraindo lotação surpreendente aos teatros do SESC de São Carlos e Araraquara. Nascia assim uma grande expectativa pela continuidade do projeto que mostra as diversas sonoridades de novos e jovens expoentes representantes do  regionalismo, ao qual se soma a difícil lida viver de música independente no Brasil.

Esta proposta, que Lacerda, Salgado, Zanc e Teixeira pretendem consolidar por meio de uma turnê e de registro audiovisual, traz ainda o ganho adicional de formar admiradores entre as mais novas gerações, aproximando ainda mais a arte do público e os artistas da comunidade. Um dos ícones desta cultura que se busca reavivar e fazer transcenderRolando Boldrin, já percebeu o  potencial do grupo e sua importância no cenário nacional e não tardou a chamar os quatro para participarem do renomado programa Sr.Brasil. A gravação ocorreu no teatro do SESC Pompeia em agosto de 2013 e arrancou demorados aplausos da plateia. Dois meses depois, encerrando um tempo de ansiosa espera, a TV Cultura, enfim, levou o 4 Cantos ao ar. Os vídeos podem ser vistos clicando nos linques abaixo.

É importante destacar que os quatro têm, ainda, promissoras carreiras-solo. Lacerda, por exemplo, já tem na discografia três títulos Alma Lavada, Alma Caipira e Cantador, Salgado assina Trem Bão e Sina de Cantadô, além de 2 Mares, com Kátia Teixeira. Zanc estreou com Pendenga e, prosseguiu com Fruto da Lida. Teixeira é autor de Almanaque Rural e está anunciando para março de 2015 Casa Aberta. Cláudio e Rodrigo ainda se apresentam em tributos à Pena Branca e Xavantinho e Wilson presta homenagens a Tonico e Tinoco. Com Sarah Abreu, ele reaviva  Cascatinha e Inhana.

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Lume de Olhos d’ Água, pedra de encanto e de belezas

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Exemplar de “Lume”, lançado em BH, em novembro de 2013, autografado com carinho pelo querido Wilson Dias

 

Resgato do meu Facebook este texto de novembro de 2013:

Olha ai, galera, o que me esperava em casa quando cheguei do trabalho hoje: O novo álbum do violeiro Wilson Dias,Lume“, o sexto da carreira! O disco, que estou curtindo agora, foi feito em parceria com a querida Déa Trancoso, o talentoso e multinstrumentista André Siqueira e ainda tem a participação de Ná Ozetti, entre outros músicos de primeira. Muitas das letras são de autoria do Wilson com o João Evangelista Rodrigues, com o qual o mineiro de Miradouro (antiga Olhos d’Água) já trabalhou em “Pote“, ainda com o acréscimo do Pereira da Viola para deixar aquela obra mais bela! Wilson Dias está, atualmente, em Belo Horizonte, onde lançará “Lume”, oficialmente, na noite de quarta-feira, 20 de novembro, no Sesc Palladium. Toda esta gente boa citada nas linhas acima lá estará. Eu também estaria caso não tivesse por aqui minhas obrigações profissionais, que pena!

Meu exemplar de “Lume” baixou aqui autografado, e não veio só, não! No mesmo pacotim que os Correios entregaram acompanhavam-no um exemplar de “Outras Estórias” e de “Pequenas Histórias“, primeiros trabalhos do Wilson Dias, para completar minha coleção dele que já tinha “Mucuta” e “Picuá“, além de “Pote” e o “Viva Viola” — este reunindo timaço no qual ele compartilha o palco com Pereira da Viola, Bilora, Joaci Ornelas, Gustavo Guimarães e ainda Chico Lobo, uau, uai!

Bom, agora, se os amigos me dão licença, vou curtir estas preciosidades, ouvi-las até enjoar, se isto, claro, for possível. Obrigado Wilson Dias, Déa Trancoso, André Siqueira, Pedro Henrique Gomes, Nilce e pessoal da Picuá Produções! Parabéns a todos por mais esta pedra preciosa, repleta de luz e belezas, de lume, propriamente dito. Casa cheia os aguarde e os aplauda na quarta-feira, em BH, queridos. E que este “Lume” alumie por aqui, e por acolá também!

Nota: “Deus é violeiro”, de Wilson Dias e do João Evangelista Rodrigues, abre o Lume: assista aqui a apresentação dela ao programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin:

Marcelino Lima, Wilson Dias e Katya Teixeira, após show dele no SESC Consolação (agosto 2013). Na plateia estiveram ainda Levi Ramiro e Julio Santin.

Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/