1275 – Edvaldo Santana, disco homônimo do cantor e compositor paulistano, completa 20 anos

Álbum tem 13 faixas, participações especiais de Titane, Bocato, Swami Júnior, Oswaldinho do Acordeon, entre outros, e parcerias com ou interpretações de poemas de Mauro Paes, Artenio Fonseca, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção, mais projeto gráfico de Elifas Andreato

Um dos melhores discos da carreira do cantor e compositor são-miguel-paulistanês, o bardo mouro tupiauiense Edvaldo Santana (entre os oito que ela já lançou na carreira solo, desde 1993, quem se atreveria a dizer qual deles seria o mais-mais?), batizado simplesmente com o nome do artista (veja o tamanho da responsa, na verdade, a confiança no próprio taco, já que, caçapa, a estocada foi de mestre!) está completando vinte anos de lançamento. Por conta desta importante marca, Edvaldo Santana (o disco) foi o escolhido para abrirmos aqui no boteco do Barulho d’água Música neste dia 11 do apressadinho janeiro (para aonde será que ele quer nos levar assim, passando tão veloz?) mais uma rodada das audições matinais que promovemos aos sábados.

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1213 – Dante Ramon Ledesma, argentino naturalizado brasileiro, canta a liberdade, o amor e a igualdade em 19 poéticos álbuns ignorados no Sudeste

Nascido em Río Cuarto, na Córdoba, onde foi perseguido pela ditadura argentina pela militância católica, naturalizado brasileiro desde 1978, cantor admirado pelo carisma e pela coragem vive na região metropolitana de Porto Alegre (RS) e nem um derrame que paralisou parte do seu corpo o fez parar de cantar

Nos últimos dias, boas prosas com o amigo gaúcho de Caxias do Sul Valdir Verona — cantor, compositor, professor e pesquisador, um dos melhores violeiros do país na atualidade–, levaram minhas atenções a se concentrar em alguns expoentes da música do Sul do país, notadamente a produzida por alguns conterrâneos dele, de vários rincões do Rio Grande do Sul – ritmos e gênero, que, grosso modo, correndo o grande risco de cometermos gafes, tendemos a rotular por aqui de “nativistas”.

Claramente há preferências mercadológicas dos setores de entretenimento e radiodifusão aqui no Sudeste “maravilha”. Elas reduzem quase tudo — como se os tais fossem suprassumos — a Maiaras e Simarias, Sangalos e Anittas, Luccos e Safadões, Zezés e Santanas, Lucianos e outros quejandos e assim burlam de quem não se sintoniza em canais alternativos o acesso a outro estilo de música — apenas para ficarmos nesta forma de manifestação artística –, que não seja meramente comercial, rasa, descomprometida com nossos mais ancestrais e identitários valores. Numa avaliação (ainda que simplista) tal recorte nos achata a todos como se fossemos meros consumidores desprovidos de criticidade, apuro, tradições e de bandeiras. Nesta toada, às vezes até bate uma tristeza profunda: é como se a gente vivesse em um país pouco plural, encerrado nas suas mais, digamos assim, badaladas capitais e agitos delas, empurram-nos ouvidos abaixo melôs de cornos e mulheres irresistíveis, pancadões e pôperos como se o extenso continente Brasil e sua diversidade morasse e se reduzisse em uma redoma sem sotaques e, no máximo, pindorama que, dependendo da conveniência do momento, aceitasse fora do mainstream um baiano aqui, um pernambucano acolá, quem sabe? um goiano…

Agendas assim não só nos empobrecem como nação, deixa-nos ignorantes às nossas origens, riquezas e diversificado patrimônio multicultural. Se o futebol de quando em vez nos faz lembrar que existem no mundo da bola tupiniquim os simpáticos CSAe o Clube do Remo e que no Amapá e no Piauí também temos Santos e Flamengo, apenas a curiosidade e o pensar fora da caixinha nos pode revelar que entre nós também se ergue, literalmente falando, a voz de um cantor e intérprete com a força e o carisma de um Nelson Gonçalves, mas circunscrito à sua região, ainda que por lá seja tão adorado pelos seus fãs e amigos como sempre foi (talvez por que no Sul as visões sejam mais amplas e generosas) o inesquecível e saudoso boêmio Nelson Gonçalves: Dante Ramon Ledesma.

Quantas linhas, embora pertinentes, para chegarmos a este nome, Dante Ramon Ledesma, perfil que, agora, entretanto, resumirei em uma única frase: um arauto das liberdades, do amor, da igualdade, da fraternidade e da resistência do pueblo latino-americano — sejamos nós gaúchos, argentinos, portenhos, índios, negros, mamelucos, cafuzos– e, por extensão paulistas, mineiros, cariocas, baianos, alagoanos, piauienses, amapaenses; “yo tengo tantos hermanos que no lós puedo contar” já cantava Atahualpa Yupanqui, “en el valle, la montaña, en la pampa y en el mar/cada cual con sus trabajos, con sus sueños, cada cual, con la esperanza adelante…”

Escolhi Dante Ramon Ledesma para abrir as audições matinais de todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque(SP) neste sábado, 20, não apenas pela beleza, engajamento e construções poéticas das músicas do repertório que entoa em emblemática voz, começando a ouvi-lo pelas faixas de Alma e Vida, álbum de 1993, mas e, sobretudo, pelo que elas invocam e põem no ar: um brado, antes de nada mais, à resistência, à união, à luta por um país que não tenha donos e que neste momento sugere “não tem governo e nunca [mais] terá” e que não pode seguir tendo o tamanho tacanho que vem adquirindo à medida que há temos nos postos de comando quem afirme (e quem nele acredite), arrotando lautos cafés da manhã, que nem ao menos fome passaríamos.

Vista de Rio Cuarto, em Córdoba, terra natal de Dante Ramon Ledesma

Dante Ramon Ledesma nasceu em Río Cuarto, na província de Córdoba, a cerca de 580 quilômetros de Buenos Aires, Argentina, mas “naturalizou-se” brasileiro em 1978. Cantor desde os 5 anos de idade, formou-se em Sociologia pela Universidade de Córdoba. Ainda em seu país natal, quando jovem foi integrante da Organização Não governamental (ONG) Carismaticos, de perfil católico e já demonstrando imensa capacidade de cantar venceu o famoso Festival Nacional de Folklore  de Cosquín, na categoria juvenil, com a canção Memória del Che

No ano de sua naturalização, os argentinos sofriam sob as botas e a baioneta do general-presidente Jorge Rafael Videla e o governo perseguia quem militava na juventude carismática, por considera-la ajuntamento de “subversivos” — adjetivo e razão para perseguições, torturas, mortes e condenações ao desterro tão em moda no Cone Sul àquela época. Desde então, e naquele momento para escapar das perseguições (mesmo que fugindo da brasa, pudesse ter caído no espeto!), Dante Ramon Ledesma, que começava a despontar no canto popular argentino, escolheu viver no Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em Canoas, cidade da Grande Porto Alegre, onde, alias, recentemente, a Câmara Municipal lhe outorgou um título de cidadania.

Em 1991, já “brazuca”, portanto, participando do Festival Acordes Cataratas, de Foz do Iguaçu (PR), Ledesma tornou-se finalista com A Vitória do Trigo (“basta um pedaço de terra/para a semente ser pão/enquanto a fome faz guerra/a paz espera no chão), hoje uma espécie de hino de sem-terras em países da Europa e latino-americanos. Outra das canções que compõem sua trajetória, de autoria de Fernando Alves e Alberto Zanatta, América Latina é invariavelmente pedida em todas as suas apresentações por ser um alerta à consciência crítica e à união entre os povos até hoje explorados, do México à Guiana, passando pelo Haiti, pela Nicarágua, por Honduras, pela Bolívia…

Ambas as músicas, diga-se de passagem, enchem 19 álbuns e três DVDs que renderam a Ledesma nove discos de ouro e a vendagem de mais de três milhões e meio de cópias! Em sua biografia consta, ainda, que decorridos já mais de 30 anos de carreira, protagonizou 7 mil espetáculos em todo o Brasil e América Latina, muitos de caráter beneficente.

Sobre Dante Ledesma escreveu Renan Bernardi para o blogue Tenho Mais Discos que Amigos ao vê-lo cantar e tocar no 10º Festival Pira Rural, realizado entre 19 e 21 de abril recentes, na cidade gaúcha de Ibarama, situada na região de Santa Maria: “Foi o mais emocionante e significativo show do Pira Rural”. Dante Ramon Ledesma, prosseguiu Bernardi, encantou “um público que parecia muito próximo do reconhecido artista: o folclore e o orgulho da cultura latino-americana, gaúcha, indígena e rural faziam parte dos discursos de Dante nos intervalos das canções, que bradava contra o imperialismo e a música de massa, pré-fabricada”. Para arrematar, o jornalista observou: Dante cantou e tocou “homenageando movimentos sociais, amor e o respeito” e “encantou todo o público acumulado em frente ao palco”.

A parte estas força e carisma, registre-se: Dante Ramon Ledesma, para manter se “cantor de ofício” assim como preconizou sua contemporânea Mercedes Sosa, tornou-se, ainda, símbolo de superação e de determinação: em maio de 2014, sofreu um sério Acidente Vascular Cerebral (AVC) que afetou seu corpo, paralisando o lado esquerdo e prejudicando a fala. A situação depois se agravaria quando ele foi diagnosticado com diabetes. Mesmo com todos os problemas e as limitações, Dante Ramon Ledesma conseguiu voltar à ativa em 2016 e segue a fazer o que mais sabe: cantar, como em 19 de maio no Centro Cultural de Constantina (RS), onde protagonizou o concerto O Recomeço. Atualmente, Ledesma se faz acompanhar nas apresentações com o filho Maximiliano e o neto Juanito.

Dante Ledesma (ao centro), entre o neto, Juanito, e o filho, Maximiliano

O TÍTULO EM CANOAS

A primeira vez que ouvi falar sobre e as canções de Dante Ramon Ledesma estava em Canoas, fraternalmente acolhido por uma família do bairro Nossa Senhora das Graças, em 1989.

Eu era um garoto que amava The Beatles, The Rolling Stones e Pink Floyd (tanto na ida, quanto na volta, viajei os pouco mais de 1.100 quilômetros entre SP/POA, pelas BR-116 e BR-101, ouvindo a bordo dos ônibus da Viação Penha fitas cassetes do Pink Floyd), mas também já curtia Clube da Esquina, Katya Teixeira, Fagner, 14 Bis etc. Meus anfitriões demonstravam forte admiração por Ledesma e lembro-me de ter ficado impressionado com o tom e os temas das canções dele que rodava no meu walkman, gravados em uma fita Basf da qual não deu para fazer cópia, sentado sobre a cama que me ofereceram e em cujas paredes do quarto havia uma bandeira do Rio Grande do Sul, outra do Internacional, agasalhado por um poncho (estava muito frio!) e sorvendo uma cuia de chimarrão.

Pois lá, em Canoas, em 19 de maio de 2016, Ledesma foi agraciado com o título de Cidadão Canoense pela contribuição à música nativista do Estado e por sua relação com o município, situado a 14 quilômetros de Porto Alegre.

Ledesma (sem óculos), no dia em que recebeu o título de cidadão de Canoas (Foto: Williyan Bertotto)

A homenagem partiu do então vereador Pedro Bueno (PT). Antes da perseguição na Argentina. Já asilado no RS, Dante primeiro morou no bairro Niterói e, depois, transferiu-se para o Rio Branco, ambos em Canoas. Na chegada ao Brasil, precisou vendeu livros e ministrou palestras para pais e mestres até conseguir retomar a carreira de cantor. Cinco anos depois, em 1983, atingiu o sucesso com Orelhano, um dos seus mais aclamados sucessos. Em 1984, ele participou pela primeira vez da Tertúlia de Santa Maria, do qual saiu consagrado como revelação. No mesmo ano, venceu a 14ª Califórnia da Canção, de Uruguaiana, com O Grito dos Livres.

É casado com Norma Beatriz Ledesma, com quem teve o filho, Maximiliano, hoje seu parceiro e ritmista. “Como poucos, Ledesma fez realmente de seu canto uma maneira de viver e cantar a vida”, disse Pedro Bueno, proponente do título outorgado pela Câmara Municipal de Canoas. “Gaúchos, argentinos, brasileiros, latino-americanos cresceram ao som de Orelhano, Negro da Gaita, O Grito dos Livres, A Vitória do Trigo e tantas canções que ultrapassam os sotaques, os idiomas, os ritmos e as fronteiras.”

As palavras seguintes também foram proferidas por Bueno durante aquela sessão solene: “Dante é um homem que luta por liberdade, sonho e esperança. É uma honra para a nossa cidade. Seu espírito revolucionário ultrapassou barreiras, inclusive as da censura”.

Ao utilizar a tribuna, Ledesma recordou o período de terror vivido durante a ditadura argentina e mencionou pessoas que o ajudaram no começo da vida no Brasil. Destacando a importância da família, comentou sobre a recuperação do AVC que sofrera dois anos antes: “O maior milagre da vida é o amor e fraternidade que Deus nos dá”. Em seguida, exaltou a defesa da democracia brasileira: “Em primeiro lugar deve vir a Pátria e, somente depois, os interesses políticos”, ponderou, dedicando o reconhecimento recebido da Câmara de Canoas à memória do pai, Rudecindo Ledesma.

O Portal Cegos Brasil disponibiliza para serem baixados, armazenados em formato ZIP, os arquivos em Mp3 de nove álbuns de Ledesma, dos quais quatro são duplos. O endereço para o linque é http://cegosbrasil.net/discografias/dante-ramon-ledesma-9-cds.

Leia também no Barulho d’água Música:

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654 – Julian Silva, gaúcho nativista de Restinga Sêca, canta o amor à terra e a eventos como a Primavera no álbum de estreia, lançado em 201

Milongador, de Giancarlo Borba, enfatiza a vida do gaucho a pé e a luta pela terra, com poesia e sem panfletarismo

 

1113 – Adeus a Luhli, compositora que ao lado de Lucina está na história da cultura brasileira por romper padrões

“Sendo a soma de tudo me aceito humana e divina e numa espécie de mágica a música nunca termina” Luhli

 

Ainda mal digerindo a perda neste mundo terreno do “capitão” Antonio Roberto Espinosa, que ocorreu na terça-feira, 25/9, em Osasco — emblemática cidade da Grande São Paulo onde eu o conheci, pelas mãos dele ingressei no Jornalismo e me tornei o profissional que conforme dizem hoje eu seria –, recebi na noite de quarta-feira, 26, e novamente pela voz de minha companheira Andreia Regina Beillo, a notícia de que cantoras e amigas queridas como Consuelo de Paula e Socorro Lira estavam lamentando a morte de Luhli. Um pouco perturbado pela morte do Espina, puxei pela memória, mas não consegui, no ato da conversa com Andreia, recordar quem fora Luhli; momentos depois, entretanto, outro golpe: constatei que perdíamos nada mais, nada menos, que uma das mais inovadoras, revolucionárias e férteis cantoras e compositoras de todos os tempos da música brasileira, que em minha juventude amei tanto quanto os Beatles, os Rolling Stones, o Pink Floyd, o Iron Maiden, a moçada da Vanguarda Paulista, o 14 Bis, o Chico, o Fagner, o Milton, o Belchior, o Ednardo, a Elis, a Rita Lee, a Lucia Turnbull, a Dulce Quental, o Tarancón, as duplas Tião Carreiro e Pardinho e Tonico e Tinoco; artista que cantando em dupla com Lucina, àquela época ainda Luli, embalou meus anos de utopia durante os quais sonhávamos com o país que o Espinosa defendeu quase que com a vida (aos 20 e poucos anos!) e nos impelia a construir (“ousar sonhar, ousar lutar!”).

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1107 – Conheça Arlindo e Ramon, dupla caipira de Sorocaba (SP), autora do disco Tropeada

Dupla resgata valores do Tropeirismo e canta em homenagem à quarta maior cidade do estado de São Paulo em seu álbum de estreia, de 2016

Da cidade paulista de Sorocaba, surge no Brasil uma nova dupla dedicada à música caipira e suas variantes regionais, já na estrada com Tropeada, álbum gravado em agosto de 2016: Arlindo e Ramon. O duo é composto pelo violeiro, compositor e produtor Arlindo Lima, e pelo cantor, folclorista e também compositor Ramon Vieira, que trabalham juntos desde 2012. Ao longo desta parceria, ambos aprofundaram-se na pesquisa do universo caipira visitando antigos violeiros, fazendeiros, dançarinos, foliões e mestres, consolidando-a com a realização de projetos que envolviam cantorias em bares, teatros, escolas, casas de espetáculo e praças públicas.

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1076 – Xaxado Novo (SP) lança segundo álbum com registros de show promovido no Auditório Ibirapuera

O Xaxado Novo, formado em 2013 e, atualmente, integrado por cinco músicos paulistas, está lançando o segundo álbum, Xaxado Novo ao Vivo, registro sonoro com 13 faixas da apresentação promovida em 10 de dezembro de 2016, no Auditório Oscar Niemeyer do Ibirapuera, em São Paulo, experiência que o grupo relata como “noite mágica e encantada, que marcou nossas vidas e apresentou um espetáculo único e inédito, que sempre sonhávamos fazer”. Para ser gravado, o disco finalizado em maio de 2017 utilizou recursos dos próprios músicos somados à vaquinha virtual (crowdfunding) pela plataforma Catarse e conta com as participações de Gabriel Levy (sanfona), Ricardo Herz (violino popular) e Orkestra Bandida (coletivo dedicado à difusão de música oriental) que dividiram o palco do Ibirapuera com o Xaxado Novo.

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782 – Embarque no Ônibus Fantasma (MG) e viaje ao som da trilha do Batman e de instrumentais que mesclam pamonha e sacolé, Nova Orleans e Sevilha

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Os parças Igor Jannotti (guitarra) e Thiago Zíngaro (violão) juntaram talento e influências e tocam composições como a trilha do herói de Gotham City pilotando o Ônibus Fantasma por casas de espetáculos de Beagá (Foto: Divulgação)

Thiago Zíngaro (violão) e Igor Jannotti (guitarra), dois amigos de Belo Horizonte (MG), disponibilizaram cinco músicas em formato mp3 no sítio Palco que de acordo com o jornalista Ricardo Guimarães levará o ouvinte a uma “inusitada viagem musical”. O autor do press-release de apresentação das canções destaca que os jovens mineiros fundiram ritmos como flamenco, jazz, bossa nova e caipira e com as demos vêm cativando admiradores (embora a intenção seja mesmo assustá-los!) executando um mix autoral de composições instrumentais “com releituras certeiras de Santana, Tim Maia, Tom Jobim, além de temas inusitados como o original da antiga série televisiva Batman”, sempre de acordo com Guimarães “com extremas competência, técnica, emoção e originalidade”. O Ônibus Fantasma, nome que a dupla iniciada como trio (teve um percussionista que desembarcou alguns pontos depois de pegarem a estrada)* adotou em 2005 já tocou em diversos pontos culturais da cidade (bares, cafés e restaurantes) surpreendendo ouvintes com esta proposta instrumental. Os dois músicos assinam também os arranjos e produção do álbum do Ônibus Fantasma que, brevemente, pretendem reproduzir em rádios.

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727 – Vânia Bastos relembra no Sesc Ipiranga disco gravado em 1992 e novidades em tributo a Caetano Veloso

Depois de pré-estreia movimentada na região da Grande São Paulo conhecida como ABCD, em setembro, com Teatro lotado, a cantora Vânia Bastos começa a viajar pelo Brasil promovendo shows cujo repertório traz a releitura do álbum Vânia Bastos Canta Caetano, lançado com grande sucesso em 1992. A próxima escala, em duas noites, brindará o público do Sesc do Ipiranga, na zona Sul paulistana, nas noites dos dias 21 e 22, às 21 e às 18 horas. 

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Ricardo Vignini e Zé Helder voltam a Osasco e anunciam “Moda de Rock 2”

Na noite de ontem, 26 de junho, o Barulho d’Água acompanhou a segunda apresentação dos músicos e professores de viola caipira Ricardo Vignini e Zé Helder, que voltaram ao Deck da Cafeteria, espaço para pequenas apresentações do SESC Osasco, mais uma vez para mostrar ao público as músicas do “Moda de Rock-Viola Extrema”. Para quem ainda não conhece este trabalho, uma breve descrição: a dupla toca sucessos de bandas e de expoentes do rock mundial, adaptadas para as dez cordas do instrumento que talvez melhor represente o Brasil, embora a viola tenha raízes ibéricas.

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O repertório do álbum, gravado em 2011, é de tirar o chapéu. Rola Led Zeppelin (Kashmir), Pink Floyd (In the Flash), Iron Maiden (Aces High), Mettallica (Master of Pupets), Sepultura (Kaiowas), Jethro Tull (Aqualung), Norwegian Wood (The Beatles), e Jimi Hendrix (May this be love) entre outros. Além destes clássicos, Ricardo Vignini e Zé Helder ainda brindam a plateia com Ramones, The Rolling Stones, Matuto Moderno e até a Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven e pagodes de Tião Carreiro, Índio Cachoeira e Gedeão da Viola. No retorno ao SESC após três semanas para mais uma edição do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, eles informaram que o segundo volume de “Moda de Rock – Viola Extrema” já é projeto jurado e sacramentado e chegará em breve, com direito, inclusive, a faixas como “Why Worry”, do famoso álbum “Brothers in Arms”, do Dire Straits, quase uma cantiga de ninar que Sir Mark Knopfler toca utilizando um violão metálico National.

O primeiro “Moda de Rock-Viola Extrema”, possui ainda uma versão em DVD e outra gravada ao vivo no Teatro do SESC Pinheiros, em junho de 2011. Naquela ocasião, Vignini e Zé Helder contaram no palco com uma participação ilustre, o guitarrista Pepeu Gomes. O bom soteropolitano que encanta várias gerações mostrou toda sua arte e manhas em “Bilhete para Didi” (Jorginho Gomes), “May this be love”, do Hendrix, e ainda “Preta Pretinha”, de Moraes Moreira e Luiz Galvão. MK_guitars_nationalreissue

As apresentações de Ricardo Vignini e Zé Helder, que integram ainda a banda Matuto Moderno, merecem adjetivos maiores que a reducionista expressão “show”. Classificá-los como concertos a quatro mãos, talvez, faça mais jus ao que os caras tiram e como tiram das violas, explorando todas as possibilidades melódicas dos cinco pares de arames metodicamente afinados e bem entrosados. Neste sentido, são produções que merecem ser curtidas em total estado de concentração, pois são capazes, inclusive, de nos fazer transcender o ordinário. Sobre esta observação, por sinal, cabe nestas mal traçadas linhas um puxão de orelhas na direção do SESC de Osasco, que na noite de ontem por um triz quase melou o clima de contemplação programando simultaneamente ao “Caldos com Sabor Brasileiro” mais uma sessão do “Cine Chaparral”. Os diálogos da crônica “Boleiros”, uma joia de película do Ugo Georgetti que estava sendo exibido ao ar livre, a poucos metros do Deck da Cafeteria, em vários momentos sobrepuseram-se às violas, cortando a onda e atrapalhando a relação. O pior é que não é a primeira vez que isto ocorre…

Beethoven
Beethoven e Dire Straits, do sir Mark Knopfler (acima, à esq.), vão pintar no Moda de Rock 2, de Vignini (dir.) e Zé Helder (Fotos da dupla: Marcelino Lima)

Foto de Marcelino Lima
Ricardo Vignini e Zé Helder entre admiradores do “Moda de Rock”: com ambos as novas gerações aprendem a tocar rock na viola caipira, mas primeiro conhecem os pagodes de Tião Carreiro, Índio Cachoeira e Gedeão da Viola

 

 

 

 

 

Sepultura e Iron Maiden com sotaques caipira

Vignini e Zé Helder durante a apresentação no SESC Osasco
Vignini e Zé Helder durante a apresentação no SESC Osasco

O SESC Osasco trouxe a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder na quinta-feira, 5 de junho, para a abertura do projeto “Caldo com Sons Brasileiros”. Ambos os violeiros integram o “Matuto Moderno”, banda reconhecida pela fusão da sonoridade da música caipira com clássicos do rock e se juntaram para tocar no Deck da Cafeteria faixas do premiado álbum “Moda de Rock – Viola Extrema”, gravado em 2011. O show começou com “Aces High“, do Iron Maiden. Depois o público curtiu momentos de raro virtuosismo com ambos dedilhando nas 10 cordas entre outros conjuntos cultuados pelos roqueiros de todas as idades Sepultura, Led Zeppelin e Pink Floyd, da qual emendaram magistralmente “In the flash“, do “The Wall”, com “Saudades de Matão“, composta em 1904 por Jorge Galati, maestro da banda brasileira Italo-Araraquara.

Ricardo Vignini
Ricardo Vignini

Vignini e Zé Helder, professores de viola, ainda tocaram Tião Carreiro, Índio Cachoeira e Gedeão da Viola. The Rolling Stones e “Matuto Moderno” também foram lembrados. Da segunda banda, que já tem 15 anos de estrada a música escolhida, “Topada”, é parceria de Vignini com  André Abujamra, ex-“Os Mulheres Negras”. O encerramento homenageou amantes da música clássica com a execução da Nona Sinfonia de Bethoven. Desta, brotou “Aqualung”, do Jethro Tull. O bis rolou com “Norwegian Wood”, de “Rubber Soul” (1965), um dos mais famosos trabalhos do The Beatles. Esta foi a primeira música que George Harrison utilizou sua cítara.

Quem perdeu a apresentação não precisa se lamentar. Os violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder estarão de volta ao mesmo palco em 26 de julho, a partir das 19 horas, em mais uma ediçãodo projeto “Viola com Sons Brasileiros”.

Zé Helder
Zé Helder