Barulho d'Água Música

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804 – Um ano depois de lançar “O Tempo e o Branco”, Consuelo de Paula encanta o público do Sesc São Caetano e chega ao Japão

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Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, já aos 13 anos comandava bloco feminino de Carnaval e “inventava” peças de teatro, dando vazão à veia artística que herdou dos pais e que resulta de sua sensibilidade e inclinação às tradições da terra natal (Fotos acima e no destaque: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Musica)

 A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula está comemorando um ano de sucesso de O Tempo e o Branco. O sexto álbum da carreira desta mineira de Pratápolis que adotou São Paulo, mas hoje mora em vários peitos, foi lançado em 1º de fevereiro do ano passado  no Auditório do Ibirapuera (SP), com participações de Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola caipira), músicos que na ocasião substituíram, respectivamente, Toninho Ferraguti e Neymar Dias, que utilizando os mesmos instrumentos gravaram em estúdio com Consuelo de Paula, mas na ocasião atendiam outros compromissos profissionais. O disco, inspirado livremente nas poesias de Cecília Meireles,  apresenta composições próprias que unem aspectos da música erudita a uma essência e referências ligadas ao cancioneiro popular brasileiro do qual, no show que se tornou inesquecível, cantou, por exemplo, Cuitelinho, Mucuripe e Saudosa Maloca.

A escolha instrumental para os arranjos de O Tempo e o Branco, composta de acordeom e viola caipira, representa bem essa relação com as raízes musicais que levou Consuelo de Paula a homenagear no batismo da obra Dércio Marques, seu conterrâneo de Uberaba, e o sambista do Brás, do Bixiga, da Barra Funda, de Ermelino Matarazzo, da Penha, da Vila Ré, da Vila Matilde e adjacências Adoniran Barbosa. O tributo ao amigo do Arnesto foi por meio de uma composição que ela apresentou pela primeira vez após escrever a letra para melodia dele e de Copinha, de 1934, que ganhou o singelo título Valsa para Matilde — nome da esposa do mais famoso passageiro do trem das onze. Outro momento de emoção: por meio da projeção de um vídeo, o público pode ver e ouvir, também, Rubens Nogueira, o saudoso Rubão, um dos parceiros, compositores e arranjadores mais próximos da mais cintilante daquela noite que até então sucederia um dia chuvoso em Sampa, mas transformou-se em uma pintura de mil estrelas. 

Quase uma volta completa da Terra em torno do Sol depois deste evento que emplacou entre os dez mais destacados do Auditório do Ibirapuera em 2015, Consuelo de Paula de novo encantou e magnetizou o público, desta vez levando ao Sesc de São Caetano do Sul (SP), em 29 de janeiro, manifestações e ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo e Samba que escolhera para o repertório de  Tambor de Rainha, show com o qual encerrou o projeto Eu vi uma História. Para transmitir a emoção guardada de vários momentos de encantamento ao ver um cortejo popular passando (fascínio que aos 13 anos já a tomava e a estimulou a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar sua paixão por batucar), Consuelo de Paula cantou do começo ao fim (acompanhada em coro pela plateia) alternando tambores, violão e um pandeiro composições autorais inspiradas em tambor de crioula, baião e maracatu.

Os admiradores ouviram, assim, tanto canções dos vários álbuns solo (incluindo o novíssimo O Tempo e o Branco), quanto versos do poeta africano Craveirinha e trecho de Azul Provinciano (que ouviu na voz de Mercedes Sosa), enriquecidos por um trecho do livro A Poesia dos Descuidos, que escreveu e recebeu ilustrações de Lúcia Arrais Morales. A lista teve ainda parcerias dela com Rubens Nogueira, Vicente Barreto, Luiz Salgado, Socorro Lira, João Arruda e Rafael Altério que se juntaram a clássicos de Ataúlfo Alves, Alceu Valença e Luís Perequê, à uma adaptação de Villa Lobos para o cancioneiro nordestino e à interpretação bem particular, ao pandeiro, de Insensatez (Vinícius de Moraes e Tom Jobim). Depois de vários cantos de chegança que incluíram congadas que aprendeu na terra natal com Capitão Custódio, o “recoiê” homenageou Milton Nascimento por meio de Caicó.

Tantas tradições evocadas pelas canções e, em particular, entre os instrumentos, os tambores, são justamente o que caracterizam Consuelo de Paula. Sem querermos ceder concessão aos estereótipos, embora saibamos a força que os rótulos ainda exercem, dona de beleza cujos traços a assemelham a uma exuberante nórdica, a cantora estaria a priori mais para a formação erudita e se encaixaria, à priori, muitíssimo bem a uma banqueta de  piano (instrumento que ela queria aprender a tocar, ao seis anos de idade, mas não encontrou professor na cidade, o que a fez chorar). Consuelo, entretanto, mais do que seguir impulsos ou ceder a eventuais modelos, atendeu ao som interior de suas raízes e optou por se entender com as baquetas de tambores e as platinelas dos pandeiros, dando vazão a ritmos crioulos e tupis, pois independentemente do tom da pele e de estéticas, é, antes, filha das sagradas Alterosas, uai,  estado no qual confluem para o mesmo caldeirão ascendências diversas como a afro, a indígenas e a caipira.

Desta bendita conjunção, enfim, brotou uma açucena que se regou bebendo destas fontes universais e, mais do que se apropriar de manifestações do nosso multiétnico povo para traçar uma trajetória “alternativa”, as incorporou, tornando-se para além de lídima porta-voz uma referência para pesquisadores, novatos, olhos e ouvidos aos quais interessarem não a aparência, os badulaques e os apelos sedutores da arte, mas a essência que tempera e colore as tradições nas quais repousam a alma da nação. O gene do Brasil Profundo revela-se em sua obra e esta identidade também começou a se constituir dentro de casa.

Consuelo de Paula é filha de Luiz Gonzaga de Paula e Zélia Silva de Paula. O pai gosta de escrever versos, contar causos e é craque nos improvisos que um bom repentista sempre tem as manhas de produzir. A mãe responde pela segunda voz sempre que se reúne a família em cantorias (“foi o ritmo que uniu o casal nos bailes da cidade”, informou-nos Consuelo, lembrando que a avó paterna já cantava na igreja). A biografia de Consuelo de Paula registra, ainda, que ela “inventava” peças de teatro, tocava na fanfarra e fazia serenatas quando adolescente e, e em Ouro Preto, tocou repinique no Bloco do Caixão.

O talento e sensibilidade de Consuelo de Paula, portanto, além de virem do barro de sua aldeia e dos arredores, têm origem no sangue. É por meio deles que ela consegue enxergar entre o sol e o vento a poesia presente tanto em  pequenas flores ou no fluir e refluir “corriqueiro” de uma onda do mar, quanto na imponência de uma Mantiqueira e na grandiosidade dos oceanos. Consuelo de Paula é particular e, sem ser genérica, atlântica, humanista que em suas letras indica-nos caminhos pacíficos quando abre as retinas para entoar as singularidades e o que nos deveria  fazer a todos irmãos (quer sejamos palestinos ou judeus, cristãos ou ateus); guerreira, à medida que levanta a voz (sem esgarçar o tom) remando contra a maré do mercado do entretenimento e das tendências, vai descobrindo o seu lugar: em cada vez mais e mais numerosos corações. E  lá, em cada um deles, espera por nós, sempre com um sorriso espontâneo, uma declaração de amor!

Então, salve o santo, salve o samba, salve o maracatu, salve a moda, o cururu, a Folia, salve ela, êxtase que passa e (nos) perpassa, doce, mas forte, sutil, entretanto enfática, arrepio que depois do show em São Caetano do Sul agora roçará peles do outro lado do planeta: por meio de um programa especial da rádio Shiga, em 11 de fevereiro, os japoneses terão a honra e o prazer de conhecer o repertório de O Tempo e o Branco. Namastê!

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778 – Cumprimente Neymar Dias (SP), multi-instrumentista e um dos mais respeitados violeiros do país, aniversariante de hoje!

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Antes de virar a página para celebrar a chegada de um novo ano, o universo da viola caipira (e por que não também o da música erudita) tem hoje, 30 de dezembro, um motivo dos mais especiais para festejar. O Barulho d’água Música entra nesta vibração e em nome de nossos e seguidores também parabeniza o compositor, arranjador e multi-instrumentista paulistano Neymar Dias, sem nenhuma possibilidade de errar um dos mais talentosos Músicos (sim, assim mesmo, com eme em caixa alta!) brasileiro. Neymar Dias faz aniversário e certamente estará cercado de amigos tão notáveis como ele, entre os quais podemos destacar Igor Pimenta, Toninho Ferraguti, André Mehmari, Tarita de Souza, Consuelo de Paula, Sá (da dupla com Guarabyra), Wilson Teixeira, Cláudio Lacerda, Rolando Boldrin…

A lista é extensa, escrever sobre Neymar Dias nunca é demais e sempre será muito fácil e agradável por que, entre outros motivos,  as opções que ele dá para nos ajudar no dia a dia a contornar a mesmice e a caretice que impregnam a música comercial que insistem em nos impingir ouvidos abaixo é muito valiosa e está sempre se renovando. Arranjos elaborados com seriedade e esmero, que jamais são produzidos “sobre os joelhos”, mas só depois de muito estudo, pesquisas, audições e experimentações; composições que conforme ele mesmo “fogem do caricato” e vão do universo caipira ao clássico, costurando harmoniosamente desde intrincados acordes de pagodes de Tião Carreiro às cantatas mais marcantes de Bach, que soam muitas vezes despretensiosas e quase imperceptíveis, noutras de forma marcante como recurso incidental quando notas de Jesus Alegria dos Homens dialoga ao final da peça com  The Long And Winding Road, de Lennon e McCartney, última faixa do álbum The Come Together Project, que Neymar Dias lançou neste ano com Igor Pimenta (contrabaixo acústico), no qual regravou, tocando viola caipira, 13 canções famosas dos quatro reis do iê, iê, iê que convulsionaram o mundo a partir de Liverpool.

Recentemente, o blog elaborou como dica para amigos e seguidores curtirem uma lista, de A a Z, de músicas instrumentais de viola caipira. Seria muita pretensão afirmar que se tratam, aquelas músicas, das melhores e mais bonitas já tocadas em todos os tempos; a seleção, por sinal, reuniu apenas uma parte pequena de tantas que poderiam dela fazer parte, entre muitas do acervo do blog. Uma afirmação relativa àquele rol, porém, vamos bancar como indiscutível: entre elas está Chamamé Azul, composta e tocada por Neymar Dias, à qual dificilmente alguém não daria o título, principalmente depois da palavra de Inezita Barroso, que não se cansava de pedí-la a Neymar Dias, tamanha era a admiração da rainha da música caipira por esta composição que abre o disco Caminho de Casa.

O aniversariante de hoje,  na definição do maestro Gil Jardim, autor do texto de apresentação na página virtual do músico que é uma das revelações também do Prêmio Syngenta de Música de Viola, “dá substância musical às suas composições com cores decididamente autorais. Naturalmente sua música revela também um forte traço antropofágico unindo gestos do universo da música sertaneja com gestos do universo metropolitano e cosmopolita; fundindo as poéticas de um Tião Carreiro e de um Ralph Towner na sonoridade das cordas duplas de sua viola”

Neymar Dias é filho de um compositor caipira, informa-nos Gil Jardim. Inicialmente autodidata, aperfeiçoou-se depois  em vários  instrumentos de cordas como viola caipira, guitarra, violão, baixo elétrico, guitarra havaiana e bandolim e estudou música, formando-se em composição e regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM). Em Orquestras respeitadas como a Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) e a Experimental de Repertório sempre atuou tocando contrabaixo com excelência, tanto no estilo popular, quanto no erudito. Juntando as raízes com a formação acadêmica,  é dono de uma bagagem que consegue colocar em benefício do jazz à música erudita, com especial propriedade à música regional brasileira. Desta forma, sempre é destacado por sua profundidade e musicalidade ímpares.

“Neymar Dias a cada dia que passa faz sua viola soar mais intensa, mais atrevida, mais brilhante”, escreveu no encarte de Caminho de Casa o cantor Ivan Lins.”Faz parte de uma nova geração de músicos brasileiros que teimam em preservar o maravilhoso nome de nossa música mundo afora e, com a ajuda de uma mídia mais generosa e patriótica em seu próprio país, poderá contribuir ainda mais para que o nosso povo possa se encantar e culturalmente crescer com ela”, complementou o autor de Bandeira do Divino, com Vitor Martins.

O xará de Lins, Ivan Vilela, é uma sumidade quando a conversa é viola e música caipira e também admira Neymar Dias (cumprimentou-o fazendo o gesto de inclinar o tronco, abaixando a cabeça e estendendo às mãos em um encontro entre ambos presenciado pelo blogue, recentemente, na unidade Pinheiros do Sesc). “A viola tem sido recriada nas mãos de muitos e alguns jovens têm singrado águas mais profundas nessa crescente relação com o instrumento”, observa Ivan Vilela, destacando que Neymar Dias, no disco de estreia já apontava “caminhos novos na maneira como lida com o instrumento, quer seja na expansão impressa ao usar ritmos tradicionais ou na abordagem de novos temas, claro, criados por ele”.

Por conta de todos estes predicados, Neymar Dias  já trabalhou com importantes nomes do cenário musical brasileiro, em  diversos segmentos, incluindo Inezita Barroso, Roberta Miranda, Tinoco, Leonardo, Ivan Lins, Théo de Barros, Naná Vasconcellos e André Mehmari, entre outros. A discografia própria inclui Capim, Caminho de Casa e Intervalo, este com o Neymar Quarteto — grupo de 2004 cuja proposta de revelar o encontro de diferentes estilos musicais em um quarteto de cordas não convencional e entre outras consagrações já abriu diversos shows de grandes personalidades como Toquinho, Chico Buarque e Chico Cezar, bem como protagonizou espetáculos em importantes salas de concerto como a Sala São Paulo. Os arranjos e composições escritos para o quarteto são de Neymar Dias.

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Toninho Ferragutti e Neymar Dias em foto de divulgação do Festa na roça

Outros destacados trabalhos de Neymar Dias, além do mencionado com Igor Pimenta, são Festa na Roça, que ele gravou em parceria com Toninho Ferragutti, e suas participações em O Tempo e o Branco, de Consuelo de Paula, a Árvore e o vento, de Tarita de Souza, o recente Casa Aberta, de Wilson Teixeira, mais Trilha Boiadeira, de Cláudio Lacerda, e As Estações na Cantareira, com André Mehmari e Sérgio Rezze, todos de 2015; Festa na roça concorreu ao Grammy Latino de 2014 na categoria de melhor álbum de Música Brasileira de Raiz. No final deste ano Neymar Dias protagonizou concertos nos quais já apresenta composições do próximo disco, arrancando elogios e aplausos como os do maestro Nelson Ayres ao repertório erudito que contempla peças de Bach, Mozart e Villa-Lobos, além de suas próprias criações para viola solo, em algumas levando o instrumento caipira a explorar sonoridades que aproximam-se muito da do cravo (cujas cordas são beliscadas, e não percutidas como o piano), bastante utilizado atualmente na execução de peças dos séculos XVII e XVIII.

Neymar Dias e o Neymar Quarteto em apresentação no 11º Festival das Montanhas, realizado em 2010, em Poços de Caldas (MG)

Neymar Dias em Chamamé Azul, durante nova apresentação em Viola, Minha Viola

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765 – Casa Aberta, segundo álbum de Wilson Teixeira: entre, puxe sua cadeira, aprecie sem moderação e fique o quanto quiser….

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Junto ao portão, o violeiro Wilson Teixeira espera amigos e admiradores para os quais tem a Casa Aberta e uma vez lá dentro conduzirá a um pomar repleto de goiabeiras, laranjeiras e outras árvores carregadas de frutos, incluindo uma buriti, os que aceitarem o agradável convite para ouvir as 10 faixas do seu novo álbum, o segundo da carreira e que acabou de sair do forno – conforme ele mesmo, à lenha, já que não foi assado com pressa para assim ser melhor degustado, de forma que guardasse todos os sabores de uma autêntica iguaria de roça à qual se incluiu pitadas de baunilha urbana em doses certas para não macular o equilíbrio da receita elaborada para transitar entre o campo e a cidade.

Casa Aberta é uma mescla de música caipira, MPB e folk dedicada ao parceiro de estrada Salatiel Silva (São Paulo), mas todos os que já integram a lista que forma o público sempre crescente de Wilson Teixeira e os eventuais que se juntarem no caminho com certeza nela vão querer passar temporadas: o cantor e compositor de Avaré (SP), além da tradicional viola de dez cordas, sentou-se ao piano e, entre outros instrumentos, também toca na roda violão aço, ganzá e ukulelê.

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715- Neymar Dias apresenta no Espaço 91 (SP) músicas que vão para o próximo disco

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O Espaço 91, casa de shows situada na região da Pompeia, em São Paulo, terá como atração a partir das 20h30 deste sábado, 7, Neymar Dias, músico paulistano que acompanhado por Igor Pimenta e Gabriel Altério apresentará músicas que integrarão o seu próximo álbum, além de releituras de outras obras do jazz, clássico, rock e pop. Multi-instrumentista, arranjador, compositor, Neymar Dias é um dos mais versáteis e renomados músicos da atualidade, autor de trabalhos próprios como os álbuns A Caminho de Casa e Capim, nos quais apresenta sua faceta caipira, tocando viola de dez cordas, e assina parcerias consagradas como Festa na Roça, que gravou com o acordeonista Toninho Ferraguti.

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694 – Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc (SP) homenageiam Pena Branca e Xavantinho em Santo André (SP)

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Foto acima e no detalhe, antes do título: Adriano Rosa (Campinas/SP)

O Sesc de Santo André (SP) programou para este sábado, 24, mais uma apresentação do show no qual os cantores Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (Araraquara) prestam tributo aos irmãos Pena Branca e Xavantinho. A cantoria começará a partir das 20 horas e o ingresso já está à venda por valores entre R$ 6 e R$ 20,00. O Sesc de Santo André fica na Rua Tamarutaca, 328-378, Vila Guiomar.

Canções eternizadas por uma das duplas mais autênticas, amadas e importantes do universo caipira são interpretadas por Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc neste show. Ambos propõem esta homenagem à Pena Branca e a Xavantinho para destacarem além da figura do homem do campo a boa musicalidade brasileira, seu folclore e sua cultura. As paixões dos amigos que cantam m dupla neste projeto pelo retrato de um Brasil caipira são facilmente observadas em seus trabalhos anteriores. Pena Branca e Xavantinho inovaram com um repertório que ultrapassou fronteiras e gravaram com enorme sucesso músicas de autores consagrados da MPB, como Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso. Em suas carreiras estiveram sempre muito bem acompanhados e assessorados por artistas inquestionáveis, tais como Rolando Boldrin e Renato Teixeira.

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Zanc e Lacerda dividiram o palco durante o último show com a presença de Pena Branca, hoje homenageado com o irmão Xavantinho (Foto: Marcelino Lima, galeria do Cine Olido, jun. 2013)

As paixões de Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc pelo Brasil caipira são facilmente observadas em trabalhos que já lançaram durante o ofício do “estradar”. Por meio de interpretações autorais, eles abrem novos caminhos para uma vertente que preserva histórias, causos, sons, ritmos, melodias e culturas. O público, portanto, tem contato com a criatividade autoral de cada um dos músicos e intérpretes, ao mesmo tempo em que testemunha surgirem novos sentidos ouvindo canções imortalizadas pelos mineiros, que se orgulhavam de serem caipiras por natureza.

A última apresentação do cantor Pena Branca ocorreu em 25 de janeiro de 2010, no Teatro do SESC Pompéia, em São Paulo; o irmão já havia subido ao Plano Celeste. Tratava-se de uma roda de violas entre ele, Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc. Ao final do show, os três decidiram vender aquele formato para outras freguesias.

Pena Branca faleceu dias depois, em 8 de fevereiro. Com três shows já marcados naquele momento, Cláudio e Rodrigo decidiram reverter o projeto inicialmente proposto para adaptá-lo ao tributo à dupla Pena Branca e Xavantinho, desde então unindo os dois cantadores em shows pelo Brasil. 

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Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música

CLÁUDIO LACERDA

Paulistano filho de mineiros, Cláudio Lacerda estreou em 2003, ao lançar Alma Lavada. Dois anos depois, venceu o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira) como melhor intérprete, feito repetido nas outras duas edições, realizadas em 2010 e em 2013. Já dividiu palco e faixas de seus discos com nomes como Dominguinhos e Renato Teixeira. Em 2007, gravou seu segundo álbum, Alma Caipira, e, em 2010, o autoral Cantador.

Atualmente Cláudio Lacerda está em estúdio gravando um novo trabalho, Estradas do Sertão, com participações de Neymar Dias (viola caipira, baixo, violão) e Toninho Ferraguti (acordeon), que reunirá músicas de autores consagrados como Tom Jobim e Chico Buarque. Ele também produziu, recentemente, Trilha Boiadeira, com canções sobre a atividade de boiadeiro, dele em parceria e com participações de Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões para marcar os 10 anos do canal Terra Viva.

 

 

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Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música

RODRIGO ZANC

Pesquisa a viola brasileira e suas influências há mais de 20 anos, lutando incansavelmente pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. É natural de Araraquara, residente na vizinha São Carlos (SP). Participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007.

Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, Rodrigo Zanc foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Embora Fruto da Lida esteja ainda apenas dando os primeiros passos, Rodrigo Zanc e seu parceiro, o compositor e letrista Isaías Andrade, já estão a pleno vapor alinhavando um novo álbum, desta vez com faixas apenas de ambos. Uma destas novidades, Dona Pombinha, Rodrigo Zanc já vem mostrando ao público em suas apresentações e também a incluiu no repertório do 4 Cantos, projeto cultural que ele e Lacerda mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).


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643 – Cláudio Lacerda (SP) é nova atração do projeto Imagens do Brasil Profundo, na Biblioteca Mário de Andrade

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O cantor e compositor Cláudio Lacerda será o convidado do projeto Imagens do Brasil Profundo da quarta-feira, 16 de setembro, quando será recebido a partir das 20 horas no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, pelo curador, professor de Sociologia Jair Marcatti. Paulistano filho de mineiros, Cláudio Lacerda estreou em 2003 a sua carreira musical ao lançar Alma Lavada. Dois anos depois, faturou como melhor intérprete uma das estatuetas do I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira). O IVBC o distinguiu, novamente em 2010 e em 2013.

Em sua trajetória, que recentemente ganhou as páginas da edição de agosto da revista Dinheiro Rural, Cláudio Lacerda já dividiu palco e faixas de seus discos com nomes como Dominguinhos e Renato Teixeira e em 2007 gravou seu segundo álbum, Alma Caipira. Em 2010, saiu CantadorAtualmente grava um novo trabalho, Estradas do Sertão, com participações de Neymar Dias (viola caipira, baixo, violão) e Toninho Ferraguti (acordeon), que reunirá músicas de autores consagrados como Tom Jobim e Chico Buarque cujas letras abordam o sertão  e suas belezas. Ele também planeja colocar no mercado Trilhas Boiadeiras, álbum que gravou a pedido da emissora Terra Viva, canal que está completando uma década de atividades.

Cláudio Lacerda, além da carreira solo e dos projetos pessoais, integra desde 2011 o grupo 4 Cantos, com o amigos e violeiros Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira. O quarteto conquistou fãs em cidades paulistas tais quais Avaré, Araraquara, Botucatu, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santa Bárbara d’Oeste, São Carlos e Santa Fé do Sul; em julho estreou na Capital com duas concorridas apresentações. Com Rodrigo Zanc protagoniza, ainda, shows em tributo a Pena Branca  e Xavantinho e sem fazer proselitismo ecológico, estreou Olhos d’água em outubro de 2014, no Sesc de Campinas, semente plantada e que vem sendo regada desde 2008 quando Cláudio Lacerda, junto com o compositor Paulo Simões, realizou a viagem de barco pela extensão da hidrovia Tietê-Paraná.

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Olhos d’água tem repertório inspirado em rios e na sua importância na vida das comunidades ribeirinhas, atividades humanas e equilíbrio da natureza. Uma das composições é Mar Caipira, escrita em dupla com o parceiro de empreitada pela hidrovia. Deste giro, trouxe consigo o desejo de produzir um trabalho falando sobre e necessidade de cuidarmos dos nossos mananciais e lençóis d’água muito antes do alarde da crise do abastecimento que atualmente assola o país. Com este brado, ele revela o lado engajado do zootecnista que se formou em Botucatu e cultiva orquídeas, pedindo a palavra, ou melhor, pedindo par dar um recado inadiável “Eu senti que precisava fazer algo. Acho importante sensibilizar os ouvintes, não só para a poesia e para a música que a água pode nos inspirar, mas também para a importância de respeitar os nossos mananciais”, afirma. “Sabemos que somente pelo consumo responsável poderemos nutrir a vida dos rios e impactar menos seus cursos e nascentes”.

Em sua passagem pela Biblioteca Mário de Andrade, Cláudio Lacerda estará acompanhado por Daniel Franciscão (viola) e Leonardo Padovani (violino).

Os objetivos do projeto Imagens do Brasil Profundo, cuja primeira temporada ocorreu no ano passado, de acordo com Jair Marcatti é trazer à tona um país mais interior. Em 2015, o programa, ampliado em relação ao formato do ano anterior, passou a abranger vários aspectos das diversas culturas regionais do Brasil, desvendados em diferentes shows, bate-papos musicais, debates e palestras que já receberam entre outros neste ano Katya Teixeira e Cássia Maria, Paulo Freire, Benjamin Taubkin, Luiz Salgado, Galileu Garcia Júnior, Paulo Dias, Ivan Vilela, José Miguel Wisnick e João Arruda. Quinzenalmente e sempre às quartas-feiras, a partir das 20 horas, e com entrada franca, o projeto neste ano têm ainda programados Consuelo de Paula, Trio José, Renata Mattar, Jean e Joana Garfunkel e o trio Conversa Ribeira.

Serviço:

Imagens do Brasil Profundo recebe Cláudio Lacerda (com Daniel Franciscão e Leonardo Padovani)

Data: quarta-feira, 16 de setembro
Horário: 20 horas
Local: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94, São Paulo, a 500 m da estação Anhangabaú da linha Vermelha do Metrô
Entrada franca

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626 – Liverpool e a roça se encontram em álbum instrumental de Neymar Harrison Dias e Igor Lennon Pimenta, da Borandá

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“Para mim este disco já nasce clássico e somos todos privilegiados em poder escutá-lo”.

Impossível discordar de André Mehmari, que nas palavras acima refere-se a Come Together Project, trabalho de Neymar Dias em parceria com Igor Pimenta — lançamento recente do selo Borandá, o mesmo pelo qual Neymar e Toninho Ferraguti assinaram Festa na Roça, um dos finalistas (vai vendo!) do Grammy Latino. Amigos há mais d quinze anos, um dos quais tem um pé fincado no meio caipira, e o outro é jazzista de primeira ordem, juntos ambos traçaram uma ponte imaginária entre São José do Rio Preto e Liverpool, com escala na Índia. Nesta viagem, em 13 elaboradíssimas faixas, revisitaram o universo melódico dos The Beatles, produzindo o trabalho que encantou o pianista. 

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