1022 – Acervo do Barulho d’água Música recebe os álbuns do são-roquense Edson D’áisa

A redação e o cafofo do Barulho d’água Música estão sendo embalados nestes dias entre outras novidades pelos álbuns Todos os Cantos do Vale e Tua Obra, teu Pão, ambos do cantor e compositor Edson D’aísa.  Natural de São Roque (cidade distante 62 km de São Paulo), D’aísa despertou o interesse por música ainda na adolescência, influenciado na década dos anos 1980 por festivais estudantis, nos quais conseguiu várias conquistas. Como “minhoca da terra”, ele busca sempre em suas composições transmitir a essência das histórias e dos personagens que desenvolveram o seu lugar — dedicação e compromisso reconhecidos em 2006 quando o ProAc o contemplou pelo projeto Darcy Penteado na Canção. Já no ano seguinte, D’aisa gravou Todos os Cantos do Vale, seu primeiro álbum.

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Oswaldinho e Marisa Viana são atrações da terceira rodada do Brasil Caboclo, no Sesc São Caetano (SP)

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Marisa e Oswaldinho Viana, dedicados à música raiz e caipira, gravaram três álbuns e no mais recente prestam tributo ao compositor Elpídio dos Santos (Foto: Arquivo pessoal)

 

O Sesc de São Caetano do Sul promoverá nesta sexta-feira, 20, mais uma rodada do projeto Brasil Caboclo, encontro de cantores e compositores que ao som do ponteado da viola apresentarão canções, causos, crenças e histórias  já pôs no palco Passoca (SP) e Yassír Chediak (RJ). Desta vez, a atração será a dupla Oswaldinho e Marisa Viana. A cantoria começará às 19 horas, sem restrição etária para a entrada do público, e preço de ingresso variando entre R$ 5,00 e R$ 17,00. O Sesc São Caetano fica na rua Piauí, 554, telefone 11 4223 8800, a 1400 metros da estação da CPTM.

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Acordais e Trio José vão deixar mais poética a manhã de domingo, 23, com apresentações no Sr.Brasil

O grupo paulistano Acordais, formado pelo casal Joyce Carvalhaes e Alex Rocha, vai ser uma das atrações do Sr.Brasil que a TV Cultura levará ao ar neste domingo, 23, a partir das 10 horas. Em outro bloco da mesma edição, Rolando Boldrin receberá o Trio José, três amigos de São José dos Campos que recentemente lançaram Puisia. Os convidados são novidades das melhores no cenário musical brasileiro e encantaram a plateia. O público assistirá, também, a declamação de Boldrin para o poema Carreiro (Zé do Norte), em um dos mais belos momentos do programa que ele comanda há 34 anos, dos quais nove na emissora pública da Fundação Padre Anchieta de São Paulo.

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O casal Alex e Joyce forma o Acordais, uma das novidades do cenário musical paulista, que canta composições próprias sobre a simplicidade da vida no campo (Fotos de Marcelino Lima)

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Lucas Ventania é o aniversariante de hoje, 4 de novembro

O violeiro mineiro Lucas Ventania, natural de Alpinópolis e atualmente radicado em São Paulo (SP), é o aniversariante de hoje, 4 de novembro.

 

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Lucas Ventania tem três álbuns gravados (Foto Marcelino Lima)

Autor de três álbuns nos quais canta composições próprias e interpreta clássicos de raiz e da música popular, Ventania utiliza este nome artístico em homenagem ao antigo nome da cidade natal, São Sebastião da Ventania, situada em uma das regiões mais prósperas do Sul Minas Gerais, a 900 metros de altura e encravada ao sopé de uma cadeia de montanhas, além de oferecer várias cachoeiras aos moradores e turistas.

Em junho, ao lado de Daniel Franciscão (viola caipira) e Turcão (baixolão) Ventania esteve no Teatro do Sesc Pompeia, onde gravou participação no programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, levado ao ar em 5 de outubro pela TV Cultura de São Paulo.

 

 

Nóis é Jeca mas é Jóia

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1. Entre a Serpente e a Estrela
2. Tocando em Frente
3. Nois é Jeca mas é Joia
4. Não Mande a Geada Não
5. Sonhos de um Colibri
6. Meninos
7. Trem do Pantanal
8. Reciclagem
9. Pássaro
10. Cremesse (Conto Caipira)

Pedaço de Chão

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1. Dona Vida
2. Salve a Chapada Diamantina
3. Aprendendo a Viver
4. Vai Só
5. Vida de Peão
6. História de Pescador
7. Participação
8. Meninas Gerais
9. Pelo Sinal
10. Pedaço de Chão
11. Do Coração
12. Boca de Pêssego

Raízes

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1. Escolta de Vagalumes
2. Assim é o sertão
3. Dono das Madrugadas
4. Frete
5. Felicidade do Caboclo
6. Orgulhosa
7. Sina de Violeiro
8. Rancho Triste
9. Recolhida
10. Raízes
11. Tô Precisando

Cláudio Lacerda: a arte de cultivar orquídeas e colher poesias para a viola e o violão

Foto: Adriano Rosa

Especial para o blog da Rádio UOL, publicado em 15 de julho de 2007

O cantor Cláudio Lacerda, paulistano filho de mineiros, tem um currículo de composições próprias e de participações em álbuns de vários companheiros de estrada que o qualifica como um dos mais criativos e genuínos nomes da atual safra das músicas regional brasileira e de raiz. Entrevistado recentemente pelo violeiro Yassir Chediak, que apresenta o programa “Bom Dia Campo”, no Canal Rural, Lacerda revelou durante um agradável bate-papo entremeado por músicas da carreira parte de suas potencialidades e desta identidade ao cantar o clássico “Boiadeiro Errante”, de Teddy Vieira.

Autor de “Canto brasileiro”, em parceria com o trovador urbano Eduardo Santhana e com participação do saudoso Dominguinhos durante a gravação do álbum “Cantador” (terceiro e mais recente da carreira, lançado em 2010), Cláudio Lacerda revelou a Chediak peculiaridades de uma vida atenta à natureza e regrada com modos simples, como cultivar orquídeas no sítio em que mora com a família, paciente trabalho conjunto que desenvolve com a esposa, agrônoma. Aproveitando a ocasião, também prestou tributo a baluartes da moda caipira ao lembrar que dedicou à memória de José Fortuna, Nonô Basílio, Angelino de Oliveira, Serrinha, Tonico, Cornélio Pires, e Capitão Furtado as faixas do segundo disco, “Alma Caipira”, de 2007.

Neste trabalho, o músico tornou públicas composições menos consagradas dos mestres revisitados, “aquelas que estão meio escondidinhas” dentro do amplo repertório de cada um deles. Ou seja: embora tenha o dom de compor as próprias obras com muita singularidade, sensibilidade e arte, Cláudio Lacerda inclina-se e vai às fontes mais cristalinas e doces do nosso cancioneiro de raiz não apenas buscar referências e inspiração, mas reverenciá-las, a elas levar nosso agradecimento. Se revelações tais quais ajudam a explicar de onde vem a riqueza e a poesia presente nas letras das suas canções, também evidenciam humildade.

Cláudio Lacerda, filho de mineiros, traz em sua formação raízes caipiras, mas suas composições também se inspiram em bambas da MPB e têm parcerias com Renato Teixeira (Marcelino Lima)

Citamos Dominguinhos como parceiros que Cláudio Lacerda já encontrou na estrada e com os quais subiu ao palco, entretanto a lista é grande. Renato Teixeira, Lula Barbosa, Pinho, Levi Ramiro, Wilson Teixeira, Rodrigo Zanc, Luiz Salgado, Miriam Mirah, Turcão, Paulo Simões, Pena Branca, Rodrigo Delage, Alzira Espíndola, Noel Andrade são alguns exemplos presentes em sua discografia, ou com os quais compartilhou trabalhos assinados pelos amigos. Ao optar por deixar de lado a carreira em Zootecnia, Cláudio Lacerda entrou de corpo e de alma para o time de cantadores das belezas do país, e, no silêncio de seu retiro, procura trabalhar tenazmente para formatar novos projetos, tarefa que põe de lado apenas para atender contratos de shows — por sinal, vários, em centros como a Capital, Presidente Prudente, Taubaté, Araraquara, Franca, Marília, Bauru, Guarulhos e Brasília, passando por lugarejos como a acolhedora Clementina, distante mais de 500 km de São Paulo.

Um destes projetos ainda inéditos, intitulado “Olhos d’Água”, levanta a bandeira em defesa dos rios brasileiros, alguns inspiradores de músicas que se aninharam no inconsciente popular com força de hinos e que no dia a dia servem não apenas de meio de subsistência às populações ribeirinhas, de equilíbrio para o meio-ambiente e os biomas nacionais, mas ainda de vias pelas quais circulam fatos e lendas que constituem a alma dos povos; que em subidas ou descidas das embarcações por suas correntes já trouxeram ou levaram personagens que alegraram ou feriram muitos corações.

É uma forte mensagem de apoio e de preservação à natureza, em síntese, tendo como suporte um elemento que outrora corria mais farto e límpido e servia ao homem sem riscos, que as rodas do progresso pelo progresso ameaçam de extinção. O projeto foi apresentado a uma empresa de comercialização de cosméticos produzidos de forma sustentável, desenvolvidos a partir de plantas encontradas em nossas ricas e variadas espécies de vegetação. “Olhos d’Água” poderá colocar Cláudio Lacerda lado a lado novamente com grandes cantores e compositores, entre os quais Paulo Simões, Paulo Freire, Levi Ramiro, Rodrigo Delage e Luiz Salgado. E prevê, da maneira como está formatado, apresentações em Belo Horizonte, Bonito (MS) e Piracicaba, com um fecho de ouro em Campinas para gravação do material audiovisual. Lacerda conta com uma resposta positiva e o videoclipe inserido em redes sociais já despertou o interesse de organizações como o SESC: um show sobre o tema está garantido para outubro, em Campinas.

Crédito: Adriano Rosa
Um dos projetos de Cláudio Lacerda o uniu aos amigos Rodrigo Zanc, Wilson Teixeira e Luiz Salgado. “Olhos d’Água”, ainda inédito, abordará rios brasileiros (Foto: Adriano Rosa)

As violas e violões de Cláudio Lacerda têm percorrido várias cidades do Interior paulista e fora do Estado de São Paulo, clubes, auditórios de teatros como Cacilda Becker e Crowne Plaza, palcos, estúdios de televisão — para entrevistas com Hebe Camargo e Ana Maria Braga, por exemplo –, e de emissoras de rádio. Além da recente entrevista para Yassir Chediak, Lacerda esteve com Rodrigo Zanc no programa “Dia Dia Rural”, levado ao ar em 13 de junho pelo canal de agronegócios “Terra Viva”, com apresentação de Tavinho Ceschi. Ao vivo, ambos comentaram como surgiu e vêm levando adiante projeto de tributo à Pena Branca e Xavantinho, o qual já completou quatro anos. Os primeiros programas e atividades deste resultaram em gravações no SESC Pompeia com a presença e o consentimento do próprio Pena Branca, que, infelizmente, morreria semanas depois.

Lacerda e Zanc também encantam plateias quando constituem o projeto “4 Cantos”, com o reforço de Luiz Salgado e Wilson Teixeira. Em suas apresentações, todos cantam exclusivamente músicas autorais que vão abrindo as suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, estes caminhos evidenciam talentos prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas vertentes mais expressivas. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações, atados não exatamente por fios condutores, e sim pelos arames utilizados nas cordas das respectivas violas caipiras, sempre bem entrosadas e temperadinhas no capricho, com o cuidado de quem alisa os cabelos da cabrocha, acabou de vir do pomar onde colheu uma fruta de delicada tez e sabor para ofertá-la à plateia.

Por onde o quarteto passa, há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora, escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons; o rol de fãs, amigos e seguidores aumenta. Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais.

Discografia de Cláudio Lacerda

Alma Lavada”, de 2003, “Alma Caipira”, de 2007 e “Cantador”, de 2010 são os discos lançados por Cláudio Lacerda, agraciado por três vezes consecutivas pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, promotor das respectivas edições do Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira (2005, 2010 e 2013).

A discografia e as láureas comprovam que ele traz no peito raízes estreitas com as músicas regional e caipira, elo que se estreitou com a graduação em Zootecnia na cidade de Botucatu, encravada na região onde se localiza um dos berços da cultura caipira paulista. Botucatu é para quem não se recorda ou conhece terra lavrada por Angelino de Oliveira, que lá viveu e constituiu família, legando para a cultura nacional a legendária “Tristeza do Jeca”. Neste solo frutificou outra expressiva voz do universo de raiz, Osni Ribeiro, com quem Lacerda articula tabelinhas perfeitas.

Crédito: Marcelino Lima
Cláudio Lacerda já fez apresentações em cidades como Franca e Ribeirão Preto, além de Brasília, e em teatros como o Crowne Plaza, sempre empunhando a viola e o violão (Marcelino Lima)

Então vai ouvindo, vai ouvindo, pois até os gringos da revista “Rolling Stones” já elogiaram as composições de Cláudio Lacerda. No mesmo diapasão soaram críticas elogiosas de veículos como o “Estado de São Paulo”, “Estado de Minas” e “Correio Brasiliense”, jornais de circulação nacional e de público eclético. Os três álbuns merecem ser ouvidos sem pressa como sugere a dica de Aquiles Riques Reis, músico e vocalista do MPB 4, para o qual se deve “deixar o tempo de lado, ao menos por alguns minutos” na hora de rodá-los na vitrola, curtindo sua voz forte e marcante, o seu macio e virtuoso toque nas cordas.

Por todas estas virtudes, o futuro quarto disco da carreira já nos imerge em curiosidades e expectativas. Cláudio Lacerda informou que já está debruçado em sua feitura e produção, mas prefere guardar comentários e revelações sobre quando o lançará e a temática que gravará, se manterá o perfil caipira, se trará contribuições sobre a preservação do meio-ambiente, ou se ecoará outros gêneros. Lacerda, já sabemos, é antenado no amplo sentido definido por Ezra Pound, e também admira compositores e cantores tais quais Tom Jobim e Rita Lee. Como também não é ruim de cabeça, tem interesses e cultua obras para além do universo regional, transita entre outras vertentes musicais das terras onde tem palmeiras e cantam aves de matizes diversas, do tico-tico que espalha fubá e o sabiá que perfura as laranjeiras ao cuitelinho da beira do porto; bom matuto sabedor que todos somos um tanto quanto macunaímas, pode extrair dos versos de Chico Buarque sotaques do interior, encontrar guardados de Caetano Veloso uma composição nascida à beira de um fogão de lenha cuja letra tenha o condão de nos conduzir às belezas dos grandes sertões e veredas, abrir uma porteira no Mato Grosso, animar uma roda de mate nos pampas.

Então, vai ouvindo, vai ouvindo, siga-nos, caboclo. E seja qual for a novidade que Cláudio Lacerda venha lavrando, uma bandeja bem servida do melhor café coado em pano, com direito a um bom naco de bolo de broa de milho e outras brevidades será posta à mesa, isto topo e aposto em qualquer parada!

Noite para contar aos netos!

A noite de 4 de junho ficará na memória! Estive no teatro do SESC Pompeia e em privilegiado assento na primeira fila acompanhei a gravação de mais uma participação do Rodrigo Zanc para o programa Sr. Brasil. Ao meu lado estavam Wilson Teixeira, Cláudio Lacerda, Andreia Regina Beillo, Elisa Espíndola, Enos Emerick, Isaías Andrade e tantos outros bons amigos.

Zanc cantou três faixas de "Fruto da Lida"
Zanc cantou três faixas de “Fruto da Lida”

Zanc cantou com apoio de Bruno Bernini, Thadeu Romano e Thiago Carreri as faixas “Eu sou da roça”, “Entalhes da Vida” e “Luz das Candeias”, contidas em “Fruto da Lida”, lançado em outubro de 2013. Este é o segundo trabalho do compositor de Araraquara, atualmente morando em São Carlos. Em 2006, Zanc colhera do seu variado e fértil pomar o álbum “Pendenga”.

O anfitrião, Rolando Boldrin, estava ainda melhor do que sempre é. Descontraído, iniciou o programa com o poema de sua autoria “Vamos tirar o Brasil da gaveta”. Assim que Zanc concluiu a primeira canção, Boldrin solicitou a viola do convidado e por um instante mostrou para a plateia o quanto é exímio no trato com as cordas. Era apenas uma “palhinha”, um “esquenta” para o ponto alto que ocorreria no terceiro bloco, quando brindou o público com duas composições dele. Que honra foi presenciar o próprio criador há apenas alguns metros cantando e tocando com brilhosos olhos de felicidade, como quem realmente se sente entre amigos, sua peça mais famosa: “Vide e Vida Marvada”! Moço vai ouvindo, vai ouvindo: não sei como contive as lágrimas por tamanha benção caída do céu, onde com certeza, Deus repetia o refrão fazendo um sinal de positivo para São Pedro “é que a viola fala alto no meu peito humano…”

Boldrin contou causos divertidíssimos e cantou "Vide e Vida Marvada".
Boldrin contou causos divertidíssimos e cantou “Vide e Vida Marvada”.

Não chorei, mas como ri e gargalhei de até perder fôlego. Aliás, mentira: chorei sim, mas de tanto rachar o bico com os causos que Boldrin contou já que meus dois de ver ficaram bem marejados. Uma das anedotas era sobre um caipira que resolveu criar uma galinha “americana”, gringa da crista aos pés, altiva, de olhos verdes, lavada a xampu e, perfumosa. Ao chegar ao galinheiro onde já “veviam” algumas aves brasileiras depenadas, feias, magras, piolhentas, a nova moradora bota banca, marrenta e com saracoteios de superioridade joga terra nos olhos das veteranas ao ciscar, entre outras hilárias tentativas de se impor.

Só estes momentos valeriam pelo valor do ingresso — que, se por acaso fosse cobrado, teria sido muito bem pago. Lucas Ventania, Daniel Franciscão e Sérgio Turcão ocuparam o palco durante o segundo bloco para a apresentação de mais três músicas. Ventania narrou que adotou como artista o nome antigo da aprazível cidade de Minas Gerais da qual saiu para a estrada. O município, atualmente, é Alpinópolis, cantinho emoldurado por montanhas na porção Norte das Alterosas.

 Lucas Ventania é de Alpinópolis (MG), antiga cidade cujo antigo nome ele adotou para tocar viola
Lucas Ventania é de Alpinópolis (MG), cidade cujo antigo nome ele adotou para tocar viola

Além dos mimos para Boldrin (uma “branquinha”, pimenta cumaru curtida em cachaça, queijo, uma colherzinha de madeira para os goles), o violeiro trouxe na bagagem os três álbuns da carreira e uma gaita. Com o instrumento de boca, Ventania iniciou a execução de “Peão”, sucesso de Almir Sater e Renato Teixeira, atendendo ao pedido do Sr. Brasil. Antes cantara “Orgulhosa” (Nhô Pai e Mário Zan) e “Felicidade de Caboclo” (Liu e Léo). Boldrin ainda fez uma reverência a Nhô Pai, abrindo esta parte do programa cantando, em coro com a plateia “Beijinho Doce”.

Encerradas as apresentações, a poesia das cantorias virou prosa no camarim. Entre um gole de café, novos e pitorescos causos ou piadas cheia de picardia e bom humor todos os convidados se confraternizaram, com Cláudio Lacerda e Wilson Teixeira reforçando a talentosa roda. Elogios mútuos e troca de gentilezas não faltaram. Turcão (integrante da famosa dupla com Jyca) e Daniel Franciscão (um dos membros da Orquestra de Violeiros Terra da Uva, de Jundiaí), por exemplo, presentearam este blogueiro com exemplares de álbuns de suas carreiras, pelos quais agradeço muitíssimo!

O Sr. Brasil gravado em 4 de junho ainda não tem data para ir ao ar. Mas fique atento às chamadas da TV Cultura e, enquanto ele não rola, vá curtindo outros que já estão programados e que costumam ser apresentados aos domingos, a partir das 10 horas, com reapresentação na quarta-feira posterior, a partir das 22 horas.

Agradecimentos especiais a Patrícia Maia Boldrin, produtora do Sr. Brasil, pela acolhida tão especial e simpatia.

Da dir. para a esq.: Bruno Bernini, Thadeu Romano, Thiago Carreri, Rodrigo Zanc e o Sr. Brasil, Rolando Boldrin
Da dir. para a esq.: Bruno Bernini, Thadeu Romano, Thiago Carreri, Rodrigo Zanc e o Sr. Brasil, Rolando Boldrin
Da dir. para a esq.: Sérgio Turcão, Daniel Franciscão, Lucas Ventania e Rolando Boldrin
Da dir. para a esq.: Sérgio Turcão, Daniel Franciscão, Lucas Ventania e Rolando Boldrin