1268 – “Vendedor de Sonhos”, com canções escolhidas por Fernando Brant, chega ao mercado

Disco já em todas as plataformas digitais contém 20 canções cujos intérpretes o mineiro de Caldas escolheu para dar alma ao projeto idealizado pelo sobrinho, Robertinho

Antes de desencarnar em junho de 2015, vítima de complicações cirúrgicas decorrentes de um transplante de fígado, o compositor mineiro Fernando Brant estava desenvolvendo com o sobrinho, Robertinho, um projeto para gravar Vendedor de sonhos e, pessoalmente, escolhia, um a um, quem deveria interpretar vinte dos seus principais sucessos, parte do rico repertório de 320 composições que assinou, 110 das quais em duo com Milton Nascimento. A travessia de Fernando interrompeu os planos por algum tempo, mas para a sorte de quem gosta de boa música, agora como homenagem póstuma, as canções foram gravadas e o disco já se encontra nas principais plataformas digitais, lançado pelo selo carioca Biscoito Fino.

Para quem está brincando de “amigo secreto” ou pretende presentear alguém no Natal, tai uma bela dica para surpreender e agradar em cheio, sem medo de dar bola fora; eu, por exemplo, farei aniversário dia 26 e ficaria trifeliz se recebesse o regalo de alguém.

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1154 – Sutileza e contundência, sem firulas, marcam novo disco de Ayrton Montarroyos (PE)

Pernambucano que vem recebendo diversos elogios da crítica pelo trabalho de pesquisa e interpretação da canção popular brasileira lança seu segundo disco, em parceria com o violonista do Sr. Brasil Edmilson Capelupi

A gravadora Kuarup está lançando Um mergulho no nada, segundo álbum do cantor de Recife (PE) Ayrton Montarroyos (Ayrton José Montarroyos de Oliveira Pires), no qual acompanhado pelo violonista Edmilson Capelupi interpreta por meio de um bem elaborado repertório clássicos da MPB e de contemporâneos como Ylana e Yuru Queiroga. E que ninguém se perca pelo nome escolhido por Ayrtinho — como é chamado por familiares como a avó Célia o jovem pernambucano nascido em 1995 – para batizar o álbum gravado em uma única apresentação no glamouroso Teatro Itália em 1º de abril de 2018, na cidade de São Paulo: pare o mundo por meros 35 minutos, menos que um dos dois tempos de pelada, e faça o julgamento apenas após terminar a última das 10 faixas — se é que pelo meio da audição o amigo ou seguidor já não estiver tomado por um “magnetismo inescapável”, como escreveu o crítico e jornalista Lucas Nobilo, que ouviu Um mergulho no nada “quatro vezes de enfiada” e também estamos fazendo desde que o disco chegou à redação, gentilmente cedido ao Barulho d’água Música por Rodolfo Zanke, a quem mais uma vez somos gratos.

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970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa

A pianista e compositora Patrícia Lopes protagoniza O Feminino em Pessoa, espetáculo que aborda a paixão amorosa por meio de músicas inspiradas em poemas do consagrado português Fernando Pessoa que poderá ser apreciado em 11 de julho, a partir das 21 horas, no palco do Jazz B, em São Paulo. Sem contar os próprios textos de um dos mais admirados poetas de todos os tempos, o autor que viveu entre 1888 e 1935 destaca-se na literatura universal pela construção de heterônimos aos quais deu vida tal qual o trio Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, dotados de personalidades e estilos distintos. A síntese da obra do lisboeta e deste conjunto de notáveis múltiplos dele é qualificada por rara sensibilidade e faz soarem vozes e modos diversos de percepção do mundo que trazem à tona o que pode haver de mais recôndito na alma humana — sentimentos, desejos, emoções e temas entre os quais o amor e as peculiaridades femininas são dos mais recorrentes. No show, Patrícia Lopes também mostrará composições inéditas, feitas especialmente para esta apresentação e contará com as participações da portuguesa Sofia Vitória (que vem ao Brasil para breve temporada, recitando poemas), de Ana Luiza (vocais), de Paula Pires (clarinete) e de Sebastian Ruiz (viola de arco).

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673 – Rhayfer Ferreira, pernambucano de Paulista, é novidade no acervo do Barulho d’água

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Em vários dos textos aqui publicados temos afirmado que a água mineira deve ser abençoada com algum elemento que não se verifica ou “batiza” com tamanha generosidade também o precioso líquido em outros estados quando o assunto é inspiração para compor, escrever, tocar, cantar, jogar bola. Guardada as devidas considerações, naturalmente, queremos dizer que Minas Gerais é o tal Estado — geográfico e na concepção roseana — que provoca uma tal “inveja branca” nos demais, embora, claro, não seja primazia das Alterosas fazer brotar genialidades em todos os campos de manifestação. Pernambuco e pernambucanos, que o digam, pois podem bater no peito e, altivos, dizerem que em Recife, cidades metropolitanas, litoral e sertão ninguém fica devendo nada ao resto da nação. Afinal, é terra de Luiz Gonzaga, de Antônio Nóbrega, de Paulo Matricó, de Lenine, de Chico Science, de Josué de Castro, de Gilvan Lemos, de Gilberto Freyre, de Virgulino Ferreira, do Santa Cruz, do Sport Recife, do Náutico, do Ibes…

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671 – “De repente, um cantador”, de Mauri Noronha (PE) é pitanga que arranha peles de pêssego

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Abro a porta da rua aqui no Solar da Lageado e a menos de quatro passos encontro uma pitangueira e uma amoreira carregadas de doces frutos tão ao alcance da mão que nem ginástica preciso fazer para me fartar. A quantidade é tamanha e todos os dias nova carga amadurece a ponto de muitas caírem ao solo e nos galhos ainda ficarem dezenas, à espera dos pássaros, de quem queira se servir em abundância; as palmas, os dedos, os lábios chegam a ficar tingidos, purpura-alaranjados; acreditem, até a Antonella, simpática cadela do vizinho, delicia-se comendo amoras! As duas frutinhas com sabor de infância e de mato, entretanto, são sazonais, brotam em determinados períodos e, fora deste tempo, não costumam haver safras temporãs.

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