Déa Trancoso recebe amigos e promove oficinas na Casa do Núcleo, em São Paulo

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Déa Trancoso, de Almanara (MG) traz em sua obra as raízes presentes na cultura dos povos do Norte do Estado, de quem herdou tanto a energia e a capacidade criativa, quanto os valores espirituais (Foto: Marcelino Lima)

A Casa do Núcleo, espaço situado no bairro paulistano do Alto de Pinheiros, receberá a cantora Déa Trancoso para apresentações nas quais dividirá o palco com amigos e oficinas, entre a sexta-feira, 26, e o domingo, 28. Déa cantará ao lado de Consuelo de Paula, que recentemente lançou o álbum “O Tempo e o Branco”, em sua primeira noite do “Especial Déa Trancoso”, e, no dia seguinte, terá as companhias de Ivan Vilela, João Arruda, Ari Colares, Swami Júnior, Letícia Bertelli, Gisella Gonçalves e Renata Gelamo, em ambas a ocasião a partir das 21 horas. A mineira de Almanara também coordenará duas oficinas, intituladas “Corpo e Voz”, no sábado e no domingo, a partir das 10h30, e será curadora da mostra de imagens “Estórias de Luz” exposição fotográfica de Marcelo Oliveira que começará às 21 horas do dia 26, com previsão para ser encerrada apenas no domingo, 28.

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Violeta Parra é homenageada em concorrido concerto no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo

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Sarah Abreu, Tita Parra, Carlinhos Antunes, Rui Barrosi e Beto Angerosa, alguns dos integrantes do concerto “Violeta Terna e Eterna”, no MCB (Foto: Elisa Espíndola)

O Museu da Casa Brasileira (MCB), sede de espetáculos e de exposições situada no bairro paulistano de Pinheiros, quase ficou pequeno para acomodar a plateia que na manhã de domingo, 17, acompanhou o concerto “Violeta Terna e Eterna”. Pessoas de todas as idades ocuparam as cadeiras disponíveis, sentaram-se no chão, postaram-se junto às muretas laterais ao salão, nos bancos e assentos do gramado do belo parque onde famílias inteiras também curtiam a gostosa manhã de sol. A visão do palco desta área nem era tão boa, já que, dependendo do ângulo e da posição, quem estava do lado de fora via a sua frente apenas um paredão humano.

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Sarah Abreu e Tita Parra cantam “Volvier a los 17”, um dos clássicos mais conhecidos de Violeta Parra (Foto: Marcelino Lima)

Para ouvir, entretanto, bastam os ouvidos. E assim, mesmo sem enxergar quem cantava e tocava lá dentro, como o público interno também fazia, muitos acompanhavam do começo ao fim as canções que Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e Tita Parra, acompanhados pelos integrantes do Sexteto Mundano, apresentaram em homenagem à cantora, artista plástica e folclorista chilena Violeta Parra, com um passeio também por raridades de outros autores latino-americanos entre as quais  “Sonora Garoa”, do paulistano Passoca.

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Tita Parra cantou também músicas do seu disco “El Camino Del Médio”, entre os quais “Tierra”, e a inédita da avó “El Palomo” (Foto: Marcelino Lima)

Violeta morreu precocemente aos 49 anos, em 1967, e, portanto, não enfrentou a feroz ditadura de Augusto Pinochet que se instalou no país sul-americano em 11 de setembro de 1973. Se estivesse viva quando Salvador Allende foi derrubado, seria com certeza uma das mais árduas combatentes do violento regime imposto a ferro e a fogo pelo general, seus homens e seus órgãos repressores que contavam com apoio e organização do governo estadunidense. O ideal da integração latino-americana e a luta contra o imperialismo sempre estiveram presentes em toda a obra de Violeta Parra. Ela vivia pelos seus valores e crenças, e, por meio de suas canções, mostrava as coincidências dos processos históricos dos países da América Latina e, por conseguinte, as semelhanças dos seus processos de lutas populares, sempre estimulando o enfrentamento à dominação externa, louvando a vida e o trabalho, enaltecendo a luta dos camponeses pobres, povos indígenas e estudantes. 

Entre tantos títulos que caberiam a Violeta Parra, o de mãe da canção comprometida e aliada dos oprimidos e explorados é um dos mais acertados. Suas músicas e pinturas formaram a base para o desenvolvimento do movimento estético-musical-político chamado de La Nueva Canción Chilena, do qual fizeram parte também , Rolando Alarcón, e Patricio Manns, além dos grupos Inti-Ilimani e Quilapayún. Os versos de Violeta Parra legaram composições magistrais em força, beleza e engajamento,como “Volver a los 17”,que mereceu antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa.  Em “La Carta”, que retrata arbitrária prisão de seu irmão Roberto, cantada em momentos de comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, Violeta denunciava que “Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia”. 

As canções, contudo, não apenas são libelos contra toda a forma de injustiça social. O lirismo presente em “Gracias a la vida” (gravada por Elis Regina) embalou como um hino que transcedeu o continente o ânimo de gerações de revolucionários em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de “Rin de Angelito”, por meio do qual a chilena descreveu a morte de um bebê pobre: “No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã”.

 Na apresentação do MCB, os músicos interpretaram “Volver a los 17”, “La Carta” e, ao final, “Gracias a la vida” entre outras joias de Violeta Parra. A neta Tita Parra apresentou aos ouvintes duas músicas que a avó cantava, ¿Adónde vas, jilguerillo?Violeta a aprendeu com a mãe, Clarisa Sandoval, e foi recolhida mais tarde por Alarcón, alusiva a um pequeno pássaro –, e “El Palomo”, cujos registros estavam em poder da gravadora multinacional que por 50 anos deteve os direitos sobre a obra de Violeta e não constam na discografia da avó. Tita cantou de sua autoria “La Tierra”, presente no álbum “El camino del medio”. O repertório, aberto com a instrumental “Ayacucho”, que Carlinhos Antunes recolheu no Peru, incluía ainda “Maria Rosa”, cantada na língua indígena parenpechua, do México, “Casamiento de Negros”, “Miguel y La estrela”, “Guillatún” e “Oracion del Remanso”, entre outras.

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Violeta Parra compôs canções que transmitiam a alegria dos povos chileno e latino americano pela vida e em seus versos também pregava a resistência a todas as formas de dominação

Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e o Sexteto Mundano voltarão a se juntar no sábado, 23, para nova apresentação na Casa de Francisca, desta vez com o projeto “Violeta e Caymmi- Entre o Céu e o Mar”, a partir das 22h30. Já entre 6 e 7 de setembro eles e o grupo entrarão em estúdio para gravar o álbum do concerto “Violeta Terna e Eterna”, para o qual obtiveram apoio de amigos e admiradores, por meio de contribuições recolhidas pela plataforma de financiamento coletivo (crowfunding). De acordo com Carlinhos Ferreira, o disco estará pronto e será enviado aos colaboradores no máximo em dois meses. Para saber mais informações a respeito há o endereço virtual https://www.facebook.com/violetaternaeterna?fref=ts e sarah.abreu@gmail.com.

Cantores e músicos do concerto “Violeta Terna e Eterna”

Sarah Abreu (Foto de Marcelino Lima)/ Beto AngeroSa, percussão (Foto de Marcelino Lima)/ Carlinhos Antunes, cordas (Foto de Elisa Espíndola)/ Maria Beraldo Bastos, clarinete (Foto de Elisa Espíndola)/ Danilo Penteado, piano e acordeon (Foto de Elisa Espíndola)/ Rui Barrosi, contrabaixo (Foto de Elisa Espíndola)

MCB promove concerto em homenagem a Violeta Parra com presença de neta da cantora chilena

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A cantora Violeta Parra deixou gravadas várias músicas que são cultuadas e admiradas por vários seguidores, não apenas chilenos, mas de todo o continente americano

Neste domingo, 17, o Museu da Casa Brasileira (MCB), situado em Pinheiros, bairro da capital paulistana, receberá Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e o Sexteto Mundano para um dos melhores shows que o público de São Paulo está tendo a oportunidade de presenciar atualmente. A partir das 11horas, e sem cobrança de entradas, os dois cantores e o grupo apresentarão “Violeta Terna e Eterna”, concerto no qual prestam tributo Violeta Parra, cantora chilena cultuada como uma das mais importantes referências artísticas e culturais não apenas do seu país, mas de todo o continente americano. A neta de Violeta, Tita Parra, estará presente e também subirá ao palco para homenagear a avó militante em várias frentes e que, entre outras contribuições para várias gerações, legou-nos “Volver a los diecisiete”, gravada pelo Raíces de América e por Milton Nascimento e Mercedes Sosa.

Também é de Violeta “Gracias a la vida”, “Casamiento de negros”, e “La jardinera”. As músicas do concerto  “Violeta Terna e Eterna em breve estarão disponíveis em CD totalmente financiando por meio de contribuições coletivas (crowfunding), via plataforma Cartarse. Informações a respeito da gravação podem ser acompanhadas por meio do linque https://www.facebook.com/violetaternaeterna?fref=ts.  

A apresentação deste domingo faz parte das comemorações de 15 anos do Museu da Casa Brasileira, cujo endereço é avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705. Há estacionamento no local, com preço único variando de acordo com o dia.

https://www.youtube.com/watch?v=4mo5SK5nPZs

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“Arreuni” de julho: energia, luz e diversão ao som de violas, chocalos e tambores

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O ensaio do “Arreuni” já foi uma mostra da qualidade do espetáculo que o público veria nesta edição que teve congada, batuques de terreiro, reizado e modinhas populares (Fotos Marcelino Lima)
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Lilian Fulô

O Centro Cultural Casarão do Barão, em determinado momento, já se aproximando o final da edição do projeto “Arreuni” promovida no domingo, 6 de julho, ficou quase às escuras. Ouviu-se dois ou três estrondos, mas as cinco estrelas que estavam no palco seguiram pulsando cantoria e  batucada, agora em pé, colocando o salão quase em transe, a plateia marcando o ritmo de um sagrado terreiro nas palmas da mão. A energia elétrica não chegou a faltar, mas se o apagão momentâneo atingisse toda a gigante Campinas, daquele canto do bairro Barão Geraldo a luz que emanava seria mais do que suficiente para ninguém, em imóvel algum,  ter de ficar à mercê de velas, lanternas ou lamparinas para prosseguir com suas atividades.

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João Arruda e Carol Ladeira

Já  durante os ensaios, o versátil e irrequieto promotor João Arruda e os convidados Katya Teixeira, o casal Luiz Salgado e Lilian Fulô e a convidada Carol Ladeira deram mostras de que o encontro seria dos mais marcantes, memorável para quem acompanhasse, mais tarde, a apresentação. Alegria, descontração, bom humor e muita afinidade seguiram em alta na hora do show e serviram de apoio para o rico e poético repertório ser desfiado ao som de viola caipira, violões, rabeca,  instrumentos trazidos da França por Arruda (uma vielle a roue, batizada de mourinha, que soa à manivela, mais um kaiomb, chocalho das Ilhas Reunião), guizos que reproduzem inclusive o correr de uma cascata e os tambores manejados por Lilian Fulô.

Entre as músicas, Katya e Luiz Salgado escalaram do recente álbum lançado por ambos, o 2 Mares, “Tema Incidental Duas Ventarolas”,  “São Gonçalinho”, “São Gonçalo do Brasil”, e “Deusa da Lua”. Katya ainda prestou homenagem à Cesária Évora com “Sodade”, Violeta Parra, com “La Jardinera”, e fez lembrar a rainha Inezita Barroso com “Marcolino”, cuja letra também tem a chama de Pena Branca. Salgado reverenciou Dércio Marques com “Leilão de Jardim”, um poema de Cecilia Meirelles, e entre um causo e outro, além de troca de anedotas com Arruda, cantou com devoção “Décima de Reis”, folia de reis que faz referência ao poder atribuído à cor de cada uma das fitas que enfeitam o cabo de sua requintada viola.

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Sempre com o acompanhamento de Lilian Fulô na percussão, João Arruda também entrou na roda e soltou a voz. Em duo com Katya e Salgado apresentou “Pega pega”, de Paulo Gomes, mais faixas do recente álbum Venta Moinho. Carol Ladeira completou a festa trazendo logo de saída “Deus me proteja”, de Chico César. Outro Chico, o Saraiva, é autor com Makely Ká de “Do meio do mundo”, que interpretou acompanhada pelas cordas de Arruda. Todos juntos, antes da despedida, entoaram músicas de ponto reverenciando Ogum e congadas.

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Luiz Salgado

O “Arreuni” tem apoio do Governo do Estado, por meio do PROAC, vinculado à Secretaria Estadual de Cultura, entidades, empresas e órgãos municipais de Campinas. Em 10 de agosto, João Arruda receberá os violeiros de Minas Gerais Wilson Dias e Pereira da Viola.

 

 

   

   

 

 

   

Extra, extra: “Violeta Terna e Eterna” chega em outubro!

Opa, opa, oba,oba: quando a gente encontra logo pela manhã notícia alvissareira  na caixa postal é bom repercutir de imediato, tal aquele garotinho vendedor de jornais que perambulava pelas ruas antigamente! Então, vamos convocar o guri para bradar “Extra, extra: o projeto Violeta Terna e Eterna, de Sarah Abreu e Carlinhos Antunes, conseguiu atingir  a meta de ser financiado coletivamente pela Catarse! Leia mais a respeito no blog Barulho de Água Música!

O propósito de Sarah e Carlinhos, aliados ao grupo de amigos com os quais formam o Sextetovpuc1974frontal Mundano, é homenagear e apresentar às novas gerações por meio de releituras algumas das principais músicas da chilena Violeta Parra, nome que está entre as maiores legendas da cultura do Continente e mundo afora. Ao todo, 122 colaboradores fizeram contribuições para a materialização do álbum. A previsão é que o disco seja distribuído já a partir de outubro!

Parabéns turma do Sexteto Mundano! Agora é contar os dias e conter a boa expectativa pelo show de lançamento, que merece uma casa de gala, à altura da querida Violeta!

10414402_665293813541240_8692680936479065515_nVioleta Parra, mais do que cantora, era voz engajada em defesa do povo chileno e da cultura íbero-americana, destacando-se em composições como “Volvier a los 17”, que Sarah Abreu (à direita) vai regravar com o Sexteto Mundano

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Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/

Colabore com o projeto “Violeta – Terna e Eterna”!

Sarah Abreu integra o "Nhambuzim" e canta em projeto de tributo a Cascatinha e Inhana, ao lado de Wilson Teixeira
Sarah Abreu integra o “Nhambuzim” e canta em projeto de tributo a Cascatinha e Inhana, ao lado de Wilson Teixeira

Até 27 de junho ainda será possível colaborar com o projeto de gravação do álbum “Violeta – Terna e Eterna, por meio do qual a cantora e professora de canto Sarah Abreu pretende homenagear Violeta Parra, artista chilena e uma das maiores referências da cultura latino-americana em todos os tempos. A captação dos recursos necessários está sendo feita pela plataforma de financiamentos coletivos Catarse, e, até o momento, já recebeu 51 adesões.

Compositora, pesquisadora, instrumentista, tecelã, ceramista, figura comprometida com as causas sociais de seu tempo, incansável batalhadora, Violeta Parra ficou conhecida no Brasil pelo Tarancón, pelas vozes de Milton Nascimento, Mercedes Sosa e Elis Regina, profundos representantes da música de nosso continente. Músicas como ”Volver a los 17”, “Gracias a la Vida” e “Casamiento de Negros” fazem parte do universo de toda uma geração dos anos da década de 1970 e merecem ser conhecidas pelas novas gerações pela sua beleza estética e importância histórica.

Sarah Abreu é integrante do Nhambuzim e tem participações em vários outros álbuns. Em maio, ao lado de Wilson Teixeira, gravou participação no programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, ainda não levado ao ar. Naquela ocasião, os convidados cantaram três sucessos consagrados pela dupla Cascatinha e Inhana.