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Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc fazem nova cantoria para Pena Branca e Xavantinho, agora em Presidente Prudente

Tributo Pena Branca Xavantinho 2

Rodrigo Zanc e Cláudio Lacerda levam à estrada desde 2010 tributos à dupla Pena Branca e Xavantinho, legítimos representantes caipiras (Foto: Adriano Rosa)

 Se você mora em Presidente Prudente ou em cidades próximas, anote em sua agenda, convide um amigo e leve a família!

O SESC Thermas de Presidente Prudente programou para sábado, 20 de dezembro, dentro do projeto Múltiplos Sons, show no qual os cantores Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos) prestam tributo a Pena Branca e Xavantinho. A apresentação começará às 16 horas, na Área de Convivência, com entrada franca. O SESC Prudente fica na rua Alberto Peters, 111, Jardim das Rosas.

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Rodrigo Zanc conquista fãs com viola e voz afinadas pelas batidas do coração

Especial para o blog da Rádio UOL

23/07/2014

Crédito: Adriano Rosa

Marcelino Lima
Especial para o UOL*

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fará neste domingo, 27 de julho mais uma apresentação baseada no repertório dos discos “Pendenga” e “Fruto da Lida” e de autores consagrados das músicas regional e popular. O show desta vez será levado ao público do SESC Campinas, com entrada franca, e previsto para começar às 16 horas. A cidade reúne muitos admiradores, mas a cantoria deverá atrair também amigos e seguidores de municípios da região campineira e próximos como Americana, Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e até São Paulo, já que o público de Zanc é fiel e vem crescendo em todo o Estado.

Quem ouve Rodrigo Zanc pela primeira vez raramente deixa de se filiar ao fã clube deste morador de São Carlos, nascido na vizinha Araraquara. Com a viola geralmente acompanhada pelo baixo de Ricieri Nascimento, a bateria de Bruno Bernini e o violão do filho Rodrigo Zanin, entre outros companheiros, Zanc costuma cantar como quem declama ou transmite em orações raízes cultivadas em ambientes como o sítio do avô Juca, que inspira a canção “Sítio Paraíso”. Neste ambiente, experimentou o gosto tanto pelas modas de viola, quanto por outras vertentes brasileiras cujas bases permitiram formar uma visão de mundo que prega a simplicidade e a autenticidade, seja no dia a dia ou no trabalho artístico. Independentemente do palco que ele estiver ocupando com sua banda, montado em uma quermesse ou em um teatro nobre como o do programa Sr. Brasil, Zanc literalmente deixa suada a camisa tamanha é a energia e entrega que desprende no ofício.

Rodrigo Zanc (dir.) com Cláudio Lacerda homenageiam Pena Branca e Xavantinho Crédito: Marcelino Lima

“Estou fazendo o que eu deveria e realmente queria para minha vida, mas acredito que somente estando afinado com o próprio interior você consegue tocar pessoas”, disse. “Sou muito enfático quando digo que cada um de nós precisa ser transparente e agir com o coração aberto”, prossegue Zanc, que se espelha muito em Pena Branca, irmão de Xavantinho. “O Pena não era um virtuoso, mas quando batia a mão nas cordas da viola e abria a boca para cantar, muitos choravam”.

Os irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva, por sinal, influenciaram bastante Rodrigo Zanc. Várias composições escritas ou interpretadas pela dupla como “Chuá, Chuá”, “Cio da Terra” e “Cuitelinho” são lembradas nos shows dele. Tamanha admiração por ambos o uniu a Cláudio Lacerda, cantor e compositor paulista com o qual Zanc dedica projeto em tributo aos lídimos caipiras, filhos de Uberlândia. O próprio Pena Branca participou das primeiras homenagens, iniciadas em janeiro de 2010, no SESC Pompeia, semanas antes de morrer.

Ainda com Cláudio Lacerda, mais Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP), Zanc forma o grupo “4 Cantos”. O quarteto executa exclusivamente músicas autorais com o intuito de alargar e estender suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, entretanto, estes caminhos evidenciam talentos gêmeos, prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas mais expressivas manifestações, a viola caipira. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações e por onde eles ocorrem há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons.

Crédito: Elisa Espíndola

Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais. A plateia ouviu “Véio Cemitério”, composição de Zanc, Murilo Romano e Fernando Mori, um típico causo ou conto caipira cujo arranjo soa notas flamencas, atendendo ao pedido que o apresentador fez ao convidado.

A forte presença de elementos rurais e da vida no campo, todavia, não devem ser os únicos definidores da obra de Zanc — que a exemplo de muitos nomes hoje consagrados também já fez parte de uma dupla que existiu entre 1995 e 2000 e amadureceu em vários festivais pelo Interior paulista, com destaque para o “Viola de Todos os Cantos”. Promovidos durante dez anos pela rede de televisão EPTV, retransmissora da Rede Globo, estes certames reuniam perto de 15 mil pessoas a cada etapa em estádios e ginásios. Rodrigo tornou-se finalista em quatro edições, conquistando em 2007, em São Carlos, os troféus de vice-campeão e de melhor intérprete com a canção “Viola Enfeitiçada”, dele e de Isaias Andrade.

Esta classificação e a música premiada reforçariam o perfil de violeiro. Zanc até pondera que o adjetivo cabe, pois, afinal, é o instrumento com o qual ganha seu pão. “Mas nunca fui adepto aos rótulos e sempre acreditei na verdade do sujeito, nas influências que cada um tem. Podemos até reunir porções de vários elementos culturais e sociais, mas elas se misturam em quantidades diferentes à medida que vivemos. O cheiro do refogar de sua mãe quando ela está na cozinha, a música que se ouve em família, por exemplo, deixam marcas pessoais e o que sai de cada pessoa destas vivências é só dela, não pode ser comparado, muito menos classificado pelos critérios do mercado, regra que não é respeitada muito hoje em dia. Há demasiada imposição de ‘receitas de bolo’, embora o que é simples muitas vezes evoca mais do que coisas supostamente elaboradas”.

Rodrigo Zanc no palco do programa Sr.Brasil, com Rolando Boldrin Crédito: Marcelino Lima

Este jeito de ser e de agir também move os parceiros de Rodrigo Zanc, entre os quais o araraquarense cita Wolf Borges, Carlin de Almeida, Mauro Mendes, Murilo Romano, Fernando Mori, Ricieri Nascimento e Cláudio Lacerda. A identificação com Isaías Andrade, de Americana, por exemplo, já rendeu mais de quarenta composições, dez das quais entraram nos álbuns “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), cujos selos são independentes.

“Isaias Andrade escreve tanto que tirou este peso de mim, posso me dedicar mais a burilar nossas músicas”, observou Zanc. As gavetas dos dois, entretanto, observem, ainda guardam inéditos 3/4 do que já produziram em conjunto. A boa notícia é que se depender dos planos que os compadres vêm costurando em sucessivas “noites de inspiração” que recentemente passaram a se repetir na sala de um ou do outro, o rico material será compartilhado mais um pouco com o público, em breve. “O ‘Fruto da Lida’ ainda tem muito a caminhar e o estradar nos ocupa muito tempo, mas temos a intenção de lançar um terceiro disco, autoral como o ‘Pendenga’, só com músicas do Isaias ou minhas e dele.”

Para saber mais sobre Rodrigo Zanc visite www.rodrigozanc.com.br e www.facebook.com/rodrigozanc.