1279 – Conversa Ribeira (SP) lança Do Verbo Chão, terceiro álbum do trio

 Andrea Guimarães, Daniel Muller e João Paulo Amaral tecem em 11 faixas, mais uma vez, um desdobramento singular da música caipira cultivando, ao mesmo tempo, o vínculo essencial com a tradição e a liberdade de recriá-la em novas concepções de arranjo e de interpretação. Disco está na lista dos 100 melhores de 2019

Com Tânia Bernucci

Os 17 anos de formação do trio Conversa Ribeira estão sendo comemorados pelos amigos e fãs de Andrea dos Guimarães, Daniel Muller e João Paulo Amaral com Do Verbo Chão, terceiro álbum da trajetória de meticulosa e entusiasmada pesquisa na qual buscam trazer à superfície joias lapidadas por destacados autores do cancioneiro caipira. Neste novo trabalho, já disponível nas plataformas digitais e lançado após bem-sucedida vaquinha virtual (clique aqui e ouça), o trio tece um desdobramento singular do gênero cultivando, ao mesmo tempo, o vínculo essencial com essa tradição e a liberdade de recriá-la em novas concepções de arranjo e interpretação.

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693 – Varal de Chita estreia em Osasco (SP) com repertório que promove encantamento, evoca o chão de casa e propõe o cultivo aos valores que nos iguala

O Grupo Varal de Chita Arte Cultural, formado pelo casal Alberto Camargo e Regina Vasques, pela filha Luísa Vasques e pela amiga da família Isa Ferreira costurou um repertório bem caseiro (no melhor sentido da palavra, o relativo à terra onde se habita e à qual deliciosamente pertencemos e estamos ligados) para tecer o espetáculo Reisal, oferecido em noite de estreia para amigos e admiradores no sábado, 17, na sede do Núcleo Pau Brasil Educação e Cultura, situado no bairro Jardim das Flores, em Osasco. Município distante 18 quilômetros de São Paulo, com acesso rumo ao poente pelas rodovias Castello Branco e Raposo Tavares, Osasco é berço fértil de artistas de várias vertentes, que lá nasceram ou o adotaram para reforçar o perfil de lugar efervescente já desde antes de sua emancipação da Capital, em 1962.  Dos quatro integrantes do Varal de Chita, Regina e Isa (vozes) e Alberto (violão e viola caipira) são militantes entranhados e parte da história cultural osasquense, com passagem pela Vila dos Artistas, coletivo de produção de arte, de cultura e de entretenimento que deixou saudades e funcionou até meados da década de 1980 no Jardim Cipava.

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687 – Varal de Chita estreia em Osasco (SP) “Reisal”, show de músicas popular, regional e caipira

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Luísa Vasques, Isa Ferreira, Regina Vasques e Alberto Camargo formam o Varal de Chita (Foto:Divulgação do Grupo Varal de Chita)

O Grupo Musical Varal de Chita, iniciativa do Núcleo Pau Brasil Educação e Cultura, está ensaiando já há seis meses o repertório de Reisal, show que estreará neste sábado, 17,  às 20 horas, em espaço que a entidade mantém na rua Vitória Régia, 183, Jardim das Flores, bairro situado na zona Sul de Osasco, cidade da Grande São Paulo a 18 quilômetros da Capital. 

Formado por Regina Vasques (vocal), Isa Ferreira (vocal), Luísa Vasques (percussão) e Alberto Camargo (viola caipira e violão), o Varal de Chita desenvolve trabalhos de pesquisa e de valorização de vertentes independentes da autêntica música brasileira como a popular, a regional e a caipira, priorizando composições que evocam entre outras sensações  que emocionam e nos transportam para outras paisagens o cheiro de terra. Compõem a lista, entre outras, Vagalume (Charles Boavista e Zé Américo); Natureza (Bilo Mariano, Zeca de Souza e Reinaldo Luz); Voarás (Paulinho Pedra Azul), Marimbondo (Marlui Miranda e Xico Chaves) e Açude Encantado (Charles Boavista e Waldir da Fonseca).

Os componentes são destacados artistas, educadores e produtores culturais do município onde o Núcleo Pau Brasil promove diversas atividades com viés construtivista e mantêm, ainda, a Companhia de Folia de Reis Belo Sol de Santa Maria de Osasco (que sai desde 1994), o Bloco Carnavalesco Bela Época (2008), o Grupo Sol em Canto (coral  que uma vez por mês visita casas que cuidam de pessoas, para as quais cantam e dançam também desde 2008) e uma quadrilha junina.

Para curtir a estreia de Reisal, espetáculo que o Varal de Chita pretende levar a várias localidades, basta reservar a entrada enviando mensagem antecipada para contato@nucleopaubrasil.com.br

Conheça um pouco do trabalho do Varal de Chita visitando o linque https://soundcloud.com/varaldechita/sets/varal-de-chita-reisal e mais a respeito das outras atividades culturais dos quatro integrantes em https://emnossacompanhia.wordpress.com/

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Dia de Reis fecha período das folias que celebram a chegada dos magos orientais ao estábulo onde estava Cristo*

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Tela de José Coimbra Sobrinho (MG), de 1978, retrata a chegada a uma casa de um grupo de foliões
O  Dia de Reis  é uma festa popular católica de origem portuguesa relacionada  à comemoração do Natal, celebrada desde o século XIX, e encerra o período conhecido por Folia ou Terno de Reis. As folias começam a partir da meia-noite de 24 de dezembro, e em 6 de janeiro atinge sua data mais importante, pois é neste dia, fixado o nascimento de Jesus, que os reis  orientais Gaspar, Baltasar e Melchior, que seguiam a Estrela de Belém, teriam chegado ao estábulo no qual o menino estava abrigado, na Judéia, hoje situada 10 quilômetros ao Sul de Jerusalém e em território palestino.

Os reis levaram ao recém-nascido ouro, incenso e mirra, que, respectivamente, simbolizam a realeza,a essência divina a natureza humana de Cristo. Em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, para alguns estudiosos e historiadores até mais, inclusive, que o próprio Natal. No Rio de Janeiro, os grupos realizam folias até 20 de janeiro, dia de  louvores ao padroeiro São Sebastião.

reis _magos_editora Muqui (ES) sedia desde 1950 o maior encontro nacional de folia de reis, que, em 2014, no entanto, ocorreu em agosto. Organizado pela Secretaria Municipal de Cultura, contam-se perto de 90 grupos de foliões fluminenses, paulistas e mineiros. Em outros estados várias cidades do Interior mobilizam-se para que os foliões visitem casas que os acolhem e fazem doações , cantando e tocando músicas de louvor a Jesus e aos Santos Reis , em volta do presépio, com muita alegria. Em São Paulo, por exemplo, a lista inclui  Araraquara, Barretos, Bebedouro, Bom Jesus dos Perdões, Campinas, Franca.

 
Ao chegar às casas que os recebem, a primeira a entrar é a Bandeira, que fica hasteada e todos então cantam a canção de chegada. Entre as músicas, o destaque é  a “riquita”, a voz que marca os agudos nas cantigas para espantar os maus espíritos e permitir que o Natal transcorra em paz. Em seguida , promovem-se as paradas para os almoços e jantares, oferecidos pelos anfitriões e que são agradecidos pelos foliões com modas de viola e danças como o cateretê e catira.

Liderados pelo Capitão da Folia, todos  reverenciam a Bandeira, carregada pelo BandeireiroÉ a bandeira que carrega o símbolo da folia. Decorada com figuras que remetem ao menino Jesus, feita geralmente de tecido, é enfeitada com fitas e flores de plástico, tecido ou papel, sempre costuradas ou presas com alfinete, nunca amarradas com nós cegos, para segundo a crença não “amarrar” os foliões ou atrapalhar a caminhada.

Ao Mestre cabe iniciar os cânticos, pois ele é o responsável pelo andamento dos cantos, da colocação das vozes: é o maestro que, além de conhecer a origem do grupo, domina seus fundamentos e a história da trajetória. Com seu apito, comanda as toadas e tira os desafios. A capacidade de liderança de que geralmente é dotado garante ao Mestre o respeito de todos, além de ser considerado detentor do conhecimento das profecias bíblicas. 

O aspecto bizarro dos Palhaços ou Bastiões, com vestimenta colorida e máscara de couro de animal, assusta e diverte a todos: cantando versos de improviso para a assistência e movimentando-se com desembaraço entre os foliões, tornam-se, quase sempre, a grande atração da Folia.  Algumas tradições consideram que estas figuras seriam representações de soldados do rei Herodes.

O Novo Testamento narra que, Herodes, ao descobrir que estava para nascer o Rei dos Reis, ordenou aos seus homens que invadissem todas as casas e matassem todos os meninos recém-nascidos. O soberano ainda teria solicitado que, se vissem passar três reis magos bastaria segui-los, pois eles procuravam pelo Cristo que deviam assassinar para que não ameaçasse o seu reinado. Outra  leitura define os soldados como convertidos a Jesus. Assim, ao invés de perseguir Gaspar, Baltasar e Melchior, os militares começaram a pular e cantar para atrair as pessoas e assim evitar que outros soldados percebessem a passagem do trio, preservando a vida do filho de Maria e de José.

Em cada casa há um festeiro, encarregado de preparar a festa da chegada da Bandeira. Ao sair, os foliões entoam a despedida e agradecem os donativos que recebem para fins filantrópicos  antes de partirem para outro imóvel.Com versos improvisados de agradecimento pela acolhida, os demais participantes, cada qual na sua voz e vez, repetem os versos acompanhados pelos seus instrumentos. As fitas coloridas, simbolicamente, representam Maria (rosa, amarela ou azul) e a branca o Divino Espírito Santo.

A Rádio Educativa do Paraná apresentará a partir das 21 horas da quarta-feira, 7, dentro do programa Poemoda, a canção em verso e prosa, o poema Os Reis Magos, do escritor português Gomes Leal (século XIX), antes de levar ao ar um rico repertório inspirado na tradição das folias. Serão tocados sucessos relativos ao tema dos compositores, grupos e intérpretes Arnaud Rodrigues, Ascenço Ferreira, Baiano e Os Novos Caetanos, Café Com Blues, Chico Anísio, Consuelo de Paula, Diro Oliveira, Egildo Vieira do Nascimento, Elomar, Fernando Brant, Fernando Guimarães, Gomes Leal, Júlio Caldas, Katya Teixeira, Lourenço Baeta, Luiz Gonzaga de Paula, Luiz Salgado, Moçambiqueiros de Pratápolis (MG), Marcelo Melo, Márcio Lott, Martinho da Vila, Ney Couteiro, Nivaldo Ornellas, Paula Santoro, Paulo Cesar Pinheiro, Quinteto Armorial, Quinteto Violado, Sergio Santos, Tavinho Moura, Tim Maia, Toinho Alves, Xico Chaves, Yuri Popoff.

O Poemoda é um programa de Alan Romero e Etel Frota, com trabalhos técnicos de Abílio Henrique

Em Curitiba pode ser sintonizado pela FM 97.1, com reapresentação aos domingos, a partir das 24 horas. Na internet o acesso é possível pelo endereço www.e-parana.pr.gov.br/modules/programacao/radiofm_ao_vivo.php.  Quem está ou reside em Portugal pode curti-lo pela  Rádio Zero às 18 horas das sextas-feiras, ou às 6 horas das segundas-feiras. Para mais informações  visite http://www.radiozero.pt ou http://janelaurbana.com/radio/

 

Sobre José Coimbra, extraído do portal Galeria Estação (ww.galeriaestacao.com .br/artista/38):

Nascido em São Sebastião do Paraíso (MG) em 1916 e criado na roça, José Coimbra Sobrinho faleceu em Mococa (SP), aos 70 anos, em 1986, cidade na qual trabalhou em um grupo escolar. Ao final das aulas, treinava seu desenho fazendo grandes cenas com giz, na lousa. É um pintor da escola expressionista cuja obra é voltada para o homem, seu trabalho, a luta pela vida e as dificuldades sociais da gente pobre.

“(…)Grande e surpreendente colorista, esse parente caipira dos ´fauves´ já mereceria, por essa característica, um lugar de destaque numa revisão pra valer de nossa pintura. Mas o Coimbra chega muito além. Ele capta uma brasilidade mística, rural e clássica que, em minha opinião, é um dos mais altos instantes da pintura expressionista nacional das últimas décadas. (…)”. Roberto Rugiero

Fonte: Galeria Brasiliana

* Texto editado por Marcelino Lima com base em matérias e informações alusivas ao tema recolhidos na internet