1238- Clareando, do violeiro Emiliano Pereira, evoca laços familiares, paisagens do Paraná e faz tributo ao Velho Lua

Obra integra música caipira, o rock e world music e ritmos como a guarânia e o galope a músicas inspiradas no fandango paranaense e no pagode de viola

  • O álbum independente Clareando, do paranaense Emiliano Pereira, lançado em abril de 2018, foi o que escolhemos para abrir neste 28 de setembro as audições matinais de todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, aprazível cidade do interior de São Paulo.

Residente em Curitiba, Emiliano, além da carreira solo, integra o Trio Serra Acima, ao lado dos violeiros João Triska e Júnior Bier. Formado em Música pela Faculdade de Artes do Paraná, desde 2007 desenvolve pesquisas sobre toques e ritmos da viola de dez cordas, a popular viola caipira, buscando sonoridades desde suas tradições até sua expressão mais contemporânea. Trabalha, ainda, com estilos que vão da  world music e música regional brasileira à música infantil e participou de projetos como o Fandango Paranaense e Orquestra à Base de Cordas de Curitiba. Paralelamente à carreira de músico, é professor e ministra aulas e oficinas de música.

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1230 – Trio Serra Acima recebe Renato Teixeira e Yassir Chediak em Maringá (PR)

Com direção musical do violeiro Rogério Gulin e primeiro álbum em fase de lançamento, Emiliano Pereira, Júnior Bier e João Triska tentam sem deixá-las de lado ir além das tradições da viola caipira

O Trio Serra Acima, na estrada desde 2012, quando surgiu em Curitiba (PR), será atração na quinta-feira, 12, do Teatro Municipal Calil Haddad, situado na cidade de Maringá (PR), quando a partir das 20 horas terá como convidados Renato Teixeira e Yassir Chediak.

Com direção musical do violeiro Rogério Gulin, o Trio Serra Acima atualmente reúne Emiliano Pereira, Júnior Bier e João Triska com a missão de tentar ir além das tradições da viola caipira, sem deixá-las de lado, posto que o instrumento – também conhecido por viola brasileira ou viola de arame — tem história muito forte ligada ao campo, por meio do gênero caipira, além do fandango do litoral paranaense e sul-paulistano. Entretanto, a partir de Renato Andrade, alguns violeiros têm se esmerado a levar a viola a outros patamares, seja ele de repertório ou de interpretação, inserindo-a em ambientes que vão de concertos de música erudita a festivais de rock’n roll e hoje ele é presente desde os mais remotos rincões aos grandes centros urbanos.

Ivan Vilela, Paulo Freire, Roberto Correa, Rogério Gulin e Fernando Deghi são alguns dos nomes que predominam neste cenário em que a viola ultrapassa a fronteira de instrumento da música caipira. E a proposta da tríade  curitibana é justamente contribuir nesse sentido, ao explorar os arranjos em trio, uma formação pouco usual na viola, conjugando aspectos da música tradicional, erudita e popular brasileira.

A musica tradicional de viola faz parte da ideia do grupo  por meio da incorporação de alguns ritmos que estão tradicionalmente ligados ao universo da viola. Tais ritmos já fazem parte da própria linguagem do instrumento e aparecem naturalmente nos arranjos do trio. A música erudita está presente principalmente na concepção do trabalho, nas ideias contrapontísticas dos arranjos, nas nuances de dinâmica, numa tentativa de se explorar a sonoridade do instrumento de formas variadas, no apuro técnico, sempre com um foco muito grande na interpretação do que está sendo tocado.

A música popular brasileira é o guarda- chuva que abarca todo o universo de repertórios e possibilidades exploradas pelo grupo. Ela chega naturalmente pelas experiências prévias de cada integrante, e assim, diversos ritmos brasileiros fazem parte do trabalho como baião, pagode de viola, toada, choro, fandango, maracatu, entre outros. Todos esses elementos somados, dão ao Trio Serra Acima uma identidade única, aguçada pela valorização das raízes paranaenses da viola, e pelo desejo de contribuição com um novo repertório a partir de composições próprias dos integrantes do grupo.

Em julho, o Trio Serra Acima protagonizou duas noites de shows para lançamento do primeiro álbum, levando grande público ao renomado Teatro Paiol, um dos mais tradicionais do país, situado em Curitiba. O repertório do disco explora, justamente, a viola caipira em suas de diversas formas e apresenta músicas de Roberto Corrêa, Heitor Villa-Lobos, Waltel Branco e Tião Carreiro, entre outros compositores, permitindo aos curitibanos explorarem a sonoridade das dez cordas em arranjos instrumentais de músicas paranaenses e temas folclóricos do estado, mesclando-os a ritmos brasileiros.

Renato Teixeira e Yassir Chediak, dois dos mais conceituados violeiros do país, estarão no Paraná

A entrada para o concerto do Trio Serra Acima com Teixeira e Chediak é franca, mas como forma de contribuição solidária será aceito um brinquedo, em bom estado de conservação, para doação posterior ao Provopar — associação civil, com personalidade jurídica de direito privado, sem fins econômicos e lucrativos, com a finalidade de assistência social, educacional, beneficente, cultural, ambiental, saúde e geração de renda, com o fito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida, cidadania e humanização da sociedade paranaense.

João Triska, autor dos álbuns Iguassul é Nos Braços dos Pinherais, é finalista do 5° Prêmio Profissionais da Música na modalidade Criação, categoria Artistas Interpretes Violas e Violeiros. O Troféu Parada da Música será entregue aos vencedores em 3 de novembro, em Brasília (DF).

Júnior Bier, ao lado de Rogério Gulin e Oswaldo Rios, violeiro do grupo curitibano Viola Quebrada, mensalmente apresenta a Roda de Viola Caipira, encontro musical da Fundação Cultural de Curitiba. A cantoria ocorre sempre no Conservatório de MPB de Curitiba, com entrada franca, e o próximo convidado do trio será Daniel Vicenti, na quarta-feira, 25 de setembro, a partir das 17 horas. O Conservatório fica na rua Mateus Leme, 63, Largo da Ordem..

Emiliano Pereira, formado em música pela Faculdade de Artes do Paraná, desde 2007, desenvolve trabalhos de pesquisas sobre toques, ritmos e sonoridades da viola caipira de 10 Cordas, desde suas tradições, até sua expressão mais contemporânea. Trabalha ainda com  world music, música regional brasileira, música infantil e participou de projetos como o Fandango Paranaense e Orquestra à Base de Cordas de Curitiba. Também é professor e ministra aulas e oficinas de música.

É autor do álbum Clareando, de dez canções, de composição própria,  que fazem o ouvinte viajar por campos, riachos e paisagens que não podem ser vistas – mas sentidas – sem sair do lugar. No disco a gostosa sonoridade da viola caipira se soma a arranjos de artistas parceiros na gravação. Cada canção teve um diferente processo de criação, mas têm em comum a inspiração vinda de grandes nomes da música brasileira – como Almir Sater, João Paulo Amaral, Hermeto Pascoal e Dominguinhos – e de músicos e grupos locais – como Rogério Gulin, Terra Sonora e Rosa Armorial

Serviço:

Trio Serra Acima recebe Renato Teixeira e Yassir Chediak
12/9, 21 horas
Local: Teatro Teatro Calil Haddad
Endereço: Avenida Doutor Luiz Teixeira Mendes, 2500, Maringá, PR

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1149 – Yamandu Costa e Thadeu Romano aliviam saudades do mestre Dominguinhos em show único no Sesc Pinheiros (SP)*

Repertório  vai passear por músicas dos discos que o violonista gaúcho gravou com o sanfoneiro de Pernambuco, mesclado a sucessos de Tom Jobim, Sivuca, Abel Ferreira, Chico Buarque, Luiz Gonzaga…
*Com Lu Lopes (Rubra Rosa Projetos Culturais)

Yamandu Costa e Thadeu Romano vão apresentar Salve Dominguinhos, trazendo de volta aos palcos composições de Yamandu + Dominguinhos e Lado B (discos que ambos gravaram juntos, em 2007 e em 2010) com uma única apresentação marcada para a noite de sexta-feira, 1º de fevereiro, na unidade Pinheiros do Sesc da cidade de São Paulo (ver guia Serviços). Em 2018 completamos cinco anos sem o sanfoneiro pernambucano que nos deixou em 23/7/2013. Mais do que as saudades, ele nos deixou um legado imenso de obras para música. Seu Domingos, apesar de ter partido aos 72 anos, encantou jovens músicos de várias gerações e, por essa razão, sempre viveu cercado pela novidade da juventude.

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841- Thadeu Romano (SP) finaliza gravações e marca lançamento de “Da Reza à Festa” para 20 de maio, em Sampa

O Barulho d’água Música acompanhou na terça-feira, 29 de março, a gravação da participação do carioca Carlos Malta em Baião pro Malta, música que abrirá o álbum Da Reza à Festa, do acordeonista Thadeu Romano (Campinas/SP). Carlos Malta tocou flauta em sol, pífano e sax soprano durante sua presença no estúdio 185, situado na Vila Romana, bairro da zona Oeste paulistana, acrescentando a cereja que faltava para deixar completo o saboroso repertório de 10 faixas instrumentais e uma vinheta, todas cinzeladas por Thadeu Romano. Com todas as faixas prontas, a produtora cultural Lu Lopes enviou a obra, já no dia seguinte, às etapas de mixagem e prensagem que antecedem o lançamento, marcado para 20 de maio como atração do teatro da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), situado na rua Oscar Freire, 2.500, em São Paulo, colado à estação Sumaré da linha 2 Verde do Metrô.

Da Reza à Festa remete tanto às manifestações religiosas coletivas, presentes em tradições brasileiras como Folias de Reis e em rituais afros, quanto à fé e às vivências espirituais de Thadeu Romano. A sabedoria de uma das avós, rezadeira, bem como a inquietude de um dos nonos, Albino, somadas à reverência e à saudade aos e dos entes queridos que já se foram, entre outros sentimentos e temperos, motivaram-no a começar a alinhavar o projeto do disco, há oito anos, com a permanente e cúmplice colaboração de Lu Lopes. Neste tempo, ele elaborou os arranjos para ritmos que mesclam chamamé, choro, valsa, baião, tango e até funk que ora se juntaram, ora substituíram escolhas anteriormente definidas, assim maturando e renovando a eclética sonoridade que constitui, por fim, a alma deste disco formidável: a obra casará, em profunda comunhão, a sanfona e o bandoneon de Thadeu Romano com instrumentos como piano, trombone, violão de aço, pandeiro, clarinete, zabumba, entre outros.

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O bandoneon, diga-se de passagem, já tem por si só um encantamento que confere ainda mais magia ao disco: fabricado em 1929, antes de ser adquirido por Romano, pertenceu a Astor Piazzolla, conforme comprovam os registros da fabricante Doble A.

O time que Thadeu Romano e Lu Lopes convidaram, além de Carlos Malta, topou a empreitada em nome da amizade, um dos valores sedimentadores do conceito de “festa” que o sanfoneiro e a produtora pretendem imprimir e valorizar no disco. Abriram mão do vil metal e entraram na roda pelo puro deleite expoentes como Laércio de Freitas, François de Lima, Toninhos Ferragutti e Porto, Rodrigo Sater, Guelo e Zé Pitoco, galera com quem ambos trocam figurinhas corriqueiramente.

E não pára por ai: Da Reza à Festa, embora seja predominantemente instrumental, terá ainda um coral feminino dos mais marcantes em Nié (apelido de Daniel Carizzato, padrinho de Flora, filha de Thadeu e de Lu Lopes) estrelado por Lilian Estela, Gabi Milino, Anaí Rosa, Bárbara Rodrix e Renata Pizi.

Flora, aliás, inspirou Florata, composição reservada ao bandoneon que guarda a aura de Piazzolla. O avo, Albino, incorporará, serelepe, em Araritanga do nono Albino.

Outra faixa que merecerá atenção, a valsa Rosa de Sal, juntará Garrincha e Vavá, também conhecidos por Romano e Ferragutti. O acordeon do anfitrião soara em musete, que ele alerta, é, na verdade, uma desafinação, e não uma afinação, francesa.

Em uma obra na qual o clássico e o popular se misturaram sem conflitos de ego e não exigiu malabarismos dos músicos nas rodadas nas quais se encontraram  para botar música na conversa no 185, será possível ao fã de Thadeu Romano distinguir, ainda, notas de melancolia em Sentimento — que ele dedica “a todas as pessoas que eu perdi”, num dos momentos mais introspectivos do álbum. Já alguns certamente sentirão um frêmito próprio de certos transes quando Na Zona do Zé Pilintra baixar no terreiro, enquanto outros, ainda, estranharão batidas mais conhecidas por animar lajes e não forrós. Mas com certeza ninguém ficará esquentando cadeira, seja em casa, seja durante o concerto.

O projeto foi premiado pelo ProAc, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo com verbas previstas em leis para gravação do disco e circulação em cinco shows, que Lu Lopes pretende ampliar na primeira turnê para ao menos seis. Depois da apresentação na Unibes, serão contempladas cidades do Interior paulista. Mas Lu Lopes sabe o tesouro que tem em mãos e planeja, inclusive, giros fora do país.

É para pensar alto, mesmo. Thadeu Romano, atualmente, integra a banda do projeto Amizade Sincera, capitaneado por Renato Teixeira e Sérgio Reis, além de acompanhar revelações do meio regional como Cláudio Lacerda (São Paulo) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP).Por quase dez anos, fez parte do staff de Roberta Miranda, inclusive a jornadas que o levaram a encantar, não duvidem, até elefantes em Angola. Além de muito querido pela simpatia que de cara vira empatia, a competência de sanfoneiro (sem destoar de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lulinha Alencar, Waldonys, Ferragutti e Oswaldinho do Acordeon, entre outros) com formação clássica que começou a trajetória tocando em missas na capela do bucólico distrito de Joaquim Egídio (Campinas) completa-se pela tarimba de arranjador multi-instrumentista.

Esta intimidade com a música favorece rápida adaptação a repertórios dos mais ecléticos e abrangentes, permite transitar facilmente entre o ambiente de uma feira livre, um festival ou um concerto clássico.  Não é à toa, portanto, que Thadeu Romano  já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

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Thadeu Romano tocando com Rodrigo Zanc, com Ricieri Nascimento ao fundo, em recente apresentação de “Violas para Dominguinhos”, em São Carlos (Foto: Elisa Espíndola)

Para quem acha que esta lista é pouca bala na agulha, a de violeiros, de caipiras e de congêneres que Romano acompanhou também dá uma ideia de sua versatilidade e tem nomes como Levi Ramiro, Júlio Santin, Milton Araújo, Zeca Collares, Miltinho Edilberto, Arnaldo da Viola,  Yassir Chediak, Vidal França, Dominguinhos, e os grupos musicais Meia Dúzia de 3 ou 4, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Forrozão, Jorge e José, Trio Juazeiro, Choro de Ouro, Choro In Jazz e Tangata Quarteto. Thadeu Romano tem admiradores no Uruguai, e além de Angola, nos africanos Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela Europa, desembarcou na Itália, onde inclusive conheceu Camerano, cidade na qual se fabricam várias sanfonas, ofício que envolve várias famílias que são parentes, como a Scandalli e a Otavianelli.  Foi, portanto, beber na fonte, e, assim, em uma frase, amigos e seguidores… não estamos diante de um bule pequeno de café requentado!

O Barulho d’água Música divulgará a agenda de todas as apresentações, mas antes da estreia de Da Reza à Festa, quem ainda não conhece Thadeu Romano poderá conferir suas qualidades na sexta-feira, 15 de abril, quando a partir das 21 horas, ele estará no palco do Sesc Pompeia para participar do lançamento do álbum de Cláudio Lacerda Trilha Boiadeira. Também estão confirmados para a ocasião Neymar Dias (violas), Igor Pimenta (contrabaixo) e Kabé Pinheiro (percussão).

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818 – Xangai, Ednardo, Tom Zé, Amelinha, Chico César: trilha sonora de Velho Chico embala novela que estreia em março

Velho Chico, mais uma telenovela com temática regionalizada com o dedo brilhante de Benedito Ruy Barbosa, escola que ganhou força no início dos anos 1990 quando ele produziu Pantanal para a extinta TV Manchete, já está sendo anunciada pela Rede Globo para suceder a inverossímil trama que atualmente ocupa o horário nobre da emissora e já deu com tanto maniqueísmo de feira, clichês, pancadões e regravações de gosto duvidoso de baladas românticas. Apoiada pela mesma fórmula de sucesso das histórias anteriores que o escritor assinou (desta, na verdade, será supervisor, pois a autoria cabe a Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto, respectivamente de Benedito Ruy Barbosa) Velho Chico tem estreia prevista para março, quando na telinha passarão a comparecer atores consagrados do primeiro escalão da teledramaturgia de Pindorama contracenando com novatos (em sequências de tirar o fôlego, captadas em muitos planos abertos e apresentadas por fotografias dignas de Urso de Prata) e serão ouvidas músicas que compõem uma trilha sonora “recheada de brasilidade”, como indica o produtor musical Tim Rescala.

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Tarcísio Meira mais uma vez integra elencos convocados para as novelas que Benedito Ruy Barbosa escreve ou supervisiona e viverá Jacinto na trama que, em sua primeira fase, levará o telespectador para vários passeios pelo Rio São Francisco (Foto: Caiuá Franco/Globo; em destaque, imagem de Xangai, em uma das chamadas da emissora)

Os capítulos remontarão ao final da década dos anos 1960 e levarão o telespectador à cidade fictícia de Grotas de São Francisco, que se situaria em solo do Nordeste, às margens do majestoso e poético Rio São Francisco, desenrolando a novela em fases até a entrada nos dias atuais, outra das características do consagrado avohai. Para tanto, haverá compartilhamento de personagens, como Ruy Barbosa também já fez, por exemplo, na própria Pantanal e em O Rei do Gado. Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Rodrigo Santoro, Camila Pitanga, Selma Egrei, Christiane Torloni, Marcos Palmeira, Chico Diaz  atuarão ao lado de nomes menos tarimbados (o que não significa pouco talentosos em se tratando dos núcleos da Vênus Platinada!) tais como Julia Dalavia, Mariana Nery, Fabiula Nascimento e Pablo Morais, além do cantor e compositor baiano Xangai, que à pia batismal ganhou o nome de Eugênio Avelino.

Ao ser chamado para a trama, Xangai ganhou a mesma oportunidade (e reconhecimento) conferido a Almir Sater, Sérgio Reis, Yassír Chediak, Daniel, Rodrigo Sater e Gabriel Sater, por exemplo, que Ruy Barbosa já escalou em outras novelas de mesmo perfil. O parceiro, entre outros vates da música regional, de Elomar Figueira de Melo já protagoniza chamadas de Velho Chico (veja foto no destaque) e abrilhantará a trilha sonora para a qual a composição escolhida é Incelença pro amor retirante, que compôs com o mulungo criador de bodes de Vitória da Conquista (BA). O cearense Ednardo, que emplacou Pavão Misterioso (Pavão Mysteriozo) e decolou a partir da inclusão dela em Saramandaia (1976) ressurge com outro de seus grandes sucessos, Enquanto Engoma a Calça, que escreveu com Climério. O irreverente Tom Zé defenderá Senhor Cidadão dentro de um baú de joias que terá ainda pedras preciosas tais quais Amelinha, Marcelo Jeneci, Chico César, Renata Rosa, Alceu Valença, e Caetano Veloso cantando ou interpretando canções autorais ou de Robertinho do Recife, Capinam, Vital Farias, Thiago Pethit e Héli Flanders — dupla que contribuirá com L’Étranger (Forasteiro), com participação de Tiê, música que Cida Moreira gravou em seu álbum Soledade, de 2015.

“O Nordeste é o foco”, comentou Tim Rescala sobre o repertório, que, de acordo com ele, valoriza os toques de um sentimento nacional com características daquela região brasileira. A escolha das músicas coube a Luiz Fernando Carvalho – diretor da novela, “eu apenas dei uma assessoria”, complementou Rescala, que ainda assina o arranjo e a regência de Tropicália, canção gravada por Caetano Veloso e pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que fará parte da abertura da novela.

Também o figurino de Velho Chico busca retratar com fidelidade a identidade brasileira que será a tônica dos demais recursos artísticos empregados para realçar a cenografia. Para ter as roupas ao gosto do projeto, recorreu-se a um processo inteiramente artesanal que de acordo com a figurinista Thanara Schonardie exigiu descoloração de tecidos e tingimentos até ser alcançada a cor definida. Nas primeiras fases, predominarão, por exemplo, tons pastéis para os personagens sertanejos, enquanto matizes saturadas vestirão os que habitam o meio urbano.

Repertório do primeiro álbum de Velho Chico

Tropicália
Intérprete: Caetano Veloso
Autor: Caetano Veloso

Gemedeira
Intérprete: Amelinha
Autores: Robertinho do Recife e Capinam

Me leva
Intérprete: Renata Rosa
Autora: Renata Rosa

Flor de tangerina
Intérprete: Alceu Valença
Autor: Alceu Valença

Enquanto engoma a calça
Intérprete: Ednardo
Autores: Ednardo e Climério

Veja Margarida
Intérprete: Marcelo Jeneci
Autor: Vital Farias

Como 2 e 2
Intérprete: Gal Costa
Autor: Caetano Veloso

L’Étranger (Forasteiro)
Intérpretes: Thiago Pethit part. Tiê
Autores: Thiago Pethit e Héli Flanders/ Versão: Dominique Pinto e Rafael Barion

I-Margem
Intérprete: Paulo Araújo
Autores: Paulo Araújo e João Filho

Incelença pro amor retirante
Intérpretes: Xangai participação Elomar
Autor: Elomar

Serenata (Standchen)
Intérprete: Chico César
Autor: Franz Schubert, Ludwig Rellstab e Arthur Nestrovski

Pot-pourri Suíte Correnteza – Barcarola do São Francisco, Talismã e Caravana
Intérpretes: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai
Autores: Geraldo Azevedo e Carlos Fernando (Barcarola do São Francisco), Geraldo Azevedo e Alceu Valença (Talismã), Alceu Valença e Geraldo Azevedo (Caravana)

Triste Bahia
Intérprete: Caetano Veloso
Autores: Caetano Veloso e Gregório de Mattos

Senhor cidadão
Intérprete: Tom Zé
Autor: Tom Zé

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Tom Zé também está escalado para a trilha sonora de Velho Chico, álbum cujo repertório realça a brasilidade que os produtores da nova novela da Globo buscam imprimir à trama (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

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Thadeu Romano (SP), um dos melhores acordeonistas do país, faz aniversário hoje

 

Hoje, 23, o Barulho d’água Música envia abraços e votos de sucesso ao acordeonista Thadeu Romano, campineiro aniversariante do dia cujas referências são, entre outras, Sivuca e Astor Piazzola.  Iniciou seus estudos em música aos 15 anos e em pouco tempo já se apresentava em concertos para acordeom. Thadeu Romano é um músico inquieto e ávido por novas experiências musicais, da nova safra de músicos talentosos, que transitam pelas mais diferentes formas de gêneros, abrindo uma nova possibilidade para a sanfona. Além de ter feito parte até pouco tempo da banda de Roberta Miranda, costuma acompanhar músicos de calibre como Rodrigo Zanc (Araraquara/SP) e Cláudio Lacerda (São Paulo/SP), e, por apresentar um repertório dos mais ecléticos e abrangentes, que permite que transite facilmente entre o popular e o erudito, já tocou, ainda, com Zizi Possi, Nailor Proveta, André Rass, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Satter, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma.

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Milton Araújo dá sequência em Osasco ao projeto do Sesc Caldos com Sons Brasileiros

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Frio é um bom sinônimo de inverno. Sopa é um bom sinônimo de frio. Música e sopa para rebater o frio são excelentes dicas. Música de qualidade e sopa, em um ambiente aconchegante onde o frio do inverno acaba por ser bem-vindo, esperam pelo público que frequenta a unidade Osasco (SP) do Sesc e curte o talento dos violeiros do país que vêm à cidade como convidados do projeto Caldos com Sons Brasileiros. As cantorias ocorrem sempre às quintas-feiras, durante os meses em que o termômetro costuma subir pouco a escada dos graus, a partir das 19 horas, e apresentam baluartes da viola caipira que representam vários estados, tocam em afinações diferentes e assim ilustram em pouco mais de sessenta minutos a diversidade sonora e rítmica que enriquece o Brasil.

Enquanto a música rola, a plateia degusta caldos dos mais variados sabores. Para 25 de junho, o palco da Tenda 1 estará reservado  a Milton Araújo, músico especialista em viola dinâmica, com afinação rio abaixo, considerada uma das mais propícias para solos e solistas. Sobrinho da dama da viola Helena Meirelles, Milton Araújo apresentará músicas de sua própria autoria, além de canções tradicionais, folclóricas e de domínio público do Mato Grosso do Sul, de onde a família se origina, utilizando os ritmos rasqueado, polca e chamamé, entre outros. Um dos pontos altos dos seus shows é a reprodução de cantos de aves como araponga, seriema, guaxo, pássaro campana e pássaro tiuí. Milton Araújo ganhou uma das estatuetas do Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola Caipira, na categoria Referência, em 2013. 

O Sesc Osasco, que neste ano já trouxe para o projeto o carioca Yassír Chediak,  fica na avenida Sport Club Corinthians Paulista, no bairro Jardim das Flores, a dois quilômetros da estação Comandante Sampaio da CPTM, contíguo ao campus da Unifesp. Oferece Comedoria, cobra R$ 7,00 por uma tigela de caldos, mas não isenta de tarifa a utilização do estacionamento.

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Grupo paulistano Acordais é a atração da última rodada do Brasil Caboclo, em São Caetano do Sul (SP)

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Érika Bordin e Alex Rocha fazem parte do Acordais, que em São Caetano do Sul terá também a participação de Sérgio Penna (Foto: Divulgação)

 

O Sesc de São Caetano do Sul encerrará nesta sexta-feira, 20, o projeto Brasil Caboclo, encontro de cantores e compositores que ao som do ponteado da viola mescla canções, causos, crenças e histórias e já pôs no palco Passoca (SP), Yassír Chediak (RJ), e Oswaldinho e Marisa Viana (SP). A cantoria da última rodada, com o grupo paulistano Acordais, começará às 19 horas, sem restrição etária para a entrada do público, e preço de ingresso variando entre R$ 5,00 e R$ 17,00. O Sesc São Caetano fica na rua Piauí, 554, telefone 11 4223 8800, a 1400 metros da estação da CPTM.

Alex Rocha (voz e violão), Érika Bordin (voz) e  Sérgio Penna (viola caipira) vão representar o Acordais nesta apresentação. O grupo mostrará ao público composições próprias que, de acordo com o material de divulgação, “têm aroma de casa do interior e adicionam ao seu pó de café influências de música caipira, moda de viola, chamamé pantaneiro, folia de reis, com pitadas de requinte de instrumentos como violoncello, piano e violão folk, sem deixar de lado os causos, por vezes contados ou cantados”. Ainda conforme o texto, “a brincadeira começou há alguns anos com um trio que botou à mesa voz, viola caipira e piano. Posteriormente, atraídos pelo cheiro do café, outros instrumentos foram se achegando”

O Acordais já gravou um álbum, homônimo, e tem sido atração em festivais, centros culturais, no circuito Sesc, em rodadas de contações de histórias (para todas as idades) e oficinas artísticas. Além do trio que estará em São Caetano, compõem o grupo Joyce Carvalhaes (vocais),  Celso Marques (violão), Vinícius Almeida (contra-baixo), Jica Tarancón (percussões), e Robson Russo (arranjos e instrumentação).

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Brasil Caboclo, do Sesc São Caetano do Sul (SP), prossegue com Yassír Chediak (RJ)

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Yassír Chediak, de família que cultiva a  arte, é violeiro de ofício e soma  participações em novelas e em filmes, como ator e compositor (Foto: Marcelino Lima/Galeria Olido)

O Sesc de São Caetano do Sul, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, promoverá durante as sextas-feiras de fevereiro o projeto Brasil Caboclo, quatro encontros de cantores e compositores que ao som do ponteado da viola apresentarão canções, causos, crenças e histórias. Neste dia 13, a partir das 20 horas, a  atração será Yassír Chediak, cantor, compositor e apresentador do programa de rádio Bom Dia Campo, além de ator com participação em novelas e em filmes.

Bambas da viola brasileira encontram-se na Galeria Olido, em São Paulo

Matuto e Indio
Matuto Moderno e Índio Cachoeira (Fotos: Marcelino Lima)

Entre os dias 27 e 29 de novembro quem esteve na Galeria Olido, situada no centro de São Paulo, teve a oportunidade de prestigiar mais uma edição do Encontro Nacional de Violeiros, que há oito anos não ocorria depois de ter sido organizado em Ribeirão Preto. O evento na Capital paulista foi promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e reuniu no palco do antigo cinema parte dos mais expressivos cantores, compositores e expoentes do país que se dedicam à transmissão, à preservação e à divulgação de valores vinculados à viola de dez cordas, seja por meio de sua vertente caipira ou regional, permitindo a plateia conhecer variados ritmos e toques numa verdadeira ode à cultura popular.

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